1ª Lei de Migas

A probabilidade de um artigo de opinião ser disparatado é diretamente proporcional à utilização de maiúscula na palavra “mercado”.

Corolário (1): O disparate será certo a partir do momento em que o autor assignar intenção e personalidade ao dito “mercado”.

Corolário (2): Mais que disparate, a referência a adoradores ou a sugestão de atribuição de características de divindade ao dito “mercado” é prova inequívoca de que o autor é um idiota chapado.

Bolor

kafkaEu no Diário Económico

para tentar encaixar na Lei, será acessível apenas a militantes do Partido. A ser assim não se vislumbra qual o interesse de dirigir um canal de televisão apenas para pessoas que, à partida, são as que estando mais próximas da fonte, estão melhor informadas sobre as actividades da colectividade em que militam. O interessante desta proposta estaria na possibilidade de os partidos chegarem mais próximo das pessoas e que estas estivessem mais habilitadas a perceber e a confrontar os programas e propostas de cada um deles com o que na realidade fazem quando são poder.

 

O papel dos pais, no post 25 do 4

Cabe aos pais portugueses e à nossa escola construir e dar um futuro aos jovens assente em valores humanos e sociais. A história passada tem nesse contexto um papel pouco relevante. É muito mais importante conhecer as tendências actuais, da guerra da Síria, da Rússia de Putin, da Ucrânia corrupta e da Frente Nacional em França, neste mundo global em que hoje estamos inseridos, do que a história dos capitães de Abril. As lições da história de 1974 podem ser mostradas aos nossos filhos e jovens sem demagogias e falsas intelectualizações.

Não é preciso fazer sempre “regressos ao passado” cada vez que falamos do 25/04. Porque , mesmo que quiséssemos, não se pode voltar ao passado. Podemos, isso sim , construir um futuro diferente, com melhores actores.

Os mais jovens de hoje (menos de 30) não têm guerra colonial, ditadura, censura e sabem-no, sentem-no, e acham que essa é uma realidade que lhes é incompreensível neste Portugal de hoje, tecnológico e livre de tantos preconceitos do passado e que por causa disso se desligam destes festejos a cheirar a naftalina dos “velhos”, um conceito que abrange todos aqueles que pensam que o passado é melhor. Não que não haja novos perigos e novas derivas demagógicas a ameaçarem a democracia: mas nem a FN tem qualquer representatividade em Portugal, nem vejo uma guerra civil ou um ditador “militar” a assumir o poder neste cantinho luso.

Os “velhos” pensam que é nessas ideias passadas em que assentou o 25/04 (como diz o slogan: “25 de Abril sempre”) que é preciso construir o futuro: e é neste ponto que discordo de muita gente. Porque é no dia a dia que se constrói o novo futuro, com as ideias de cada um, que interagem com todos os outros.

Felizmente , tal como o vejo, o futuro português no post 25 do 4 , será sempre muito melhor, porque os nossos jovens são muito melhores que os nossos velhos, e construirão esse futuro assente na liberdade de pensamento, no respeito pela vida humana e na diversidade de escolha (em tudo), ainda que com os constrangimentos de duas gerações anteriores (a dos adultos no 25/04) que os endividou sem que eles votassem para isso!

Olha como é, a Rua do Carmo

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No seguimento da Assembleia Popular que se irá reunir no largo do Carmo no dia 25 de Abril, sob a égide dos capitães de Abril e de outras forças vivas da Sociedade Portuguesa, há 3 hipóteses imaginárias, para o processo de decisão do que fazer a este país nos próximos 40 anos .

O primeiro, e o mais corrente em 1975 entre os membros da Intersindical, seria o do “braço no ar”, um processo altamente democrático em que se pergunta quem é que concorda com a proposta do proponente de “derrubar o governo, politicamente ilegítimo, ainda que democraticamente eleito”, seja lá o que isso quer dizer.

O segundo método possível será o do uso de comando da hierarquia militar em que se mandam às urtigas as liberdades civis, algo em o Copcom se especializou também há cerca de 39 anos, criando muita comichão e urticária junto de certas populações. Neste caso, seguindo o conselho de 74 iluminados, os militares decidem que o que é melhor para o país , é entregarem a Madeira aos credores, a troco da quitação da dívida do Continente. Os Açores ficam de reserva para a próxima reestruturação. O TC aprova porque obviamente não está ferido nenhum direito fundamental da cidadania, e as reformas e aposentações serão aumentadas no próximo ano.

O terceiro, será o de uma votação online através de um site criado pelos indefectíveis das redes sociais, com o uso dos ipads, iphones, samsumgs, HTCs e nokias, que os milhares de presentes no largo estarão a usar, colocando “selfies” no Facebook. Assim poderão mostrar daqui a 40 anos aos seus netinhos uma recordação do 25 de Abril que eles viveram usando alta tecnologia, produzida através da exploração do proletariado chinês e adquiridos através de crédito forçado pelas forças maléficas do “crédito ao consumo ” instaladas pelas forças reaccionárias do 25 de novembro. Nesta votação será perguntado: o próximo PM deverá ser o Camarada Vasco, o camarada Mario , o camarada Freitas, ou o camarada Louçã? Caso seja este o processo escolhido, antevejo uma votação online muito renhida em que uns sopapos (no Largo do Carmo em vez da Marinha Grande) mudarão para sempre um cartão de milhas da TAP !

Qual acham que será o método escolhido?

Ana Catarina Mendes e Adolfo Mesquita Nunes

Ana Catarina Mendes e Adolfo Mesquita Nunes entrevistados por Anabela Mota Ribeiro

São a geração de 70, nascida aquando da democracia. Não se envergonham de ser políticos porque tudo é política, como dizia Bertold Brecht. Isto num tempo em que ser político parece uma nódoa, e se vive a descrença nos agentes políticos e nas instituições. Como se chegou aqui? Quais foram os passos, quem foram os protagonistas?

O verso do dramaturgo alemão é trazido por Adolfo Mesquita Nunes, Ana Catarina Mendes concorda. Ele é secretário de Estado do Turismo, ela é deputada do PS. Não acham que os seus pais, a geração dos seus pais, tenha feito tudo fazendo a democracia. Abrindo a sua história, entram também na História do país, e do que é ser de esquerda e de direita nos 40 anos do 25 de Abril.

Um manifesto equilibrado

Bandeira-PT

Para gáudio de todos aqueles que desejam e anseiam por um país melhor e mais próspero, o “Manifesto por um orçamento equilibrado” excedeu as nossas mais optimistas expectativas. Indubitavelmente, foi um enorme sucesso que reforça a esperança na sociedade civil, verdadeira força motriz de Portugal. Sociedade composta por gente da mais diversa origem, mas não menos notável por isso. Verdadeiros notáveis que incluem professores, economistas, gestores, jornalistas e demais concidadãos que diariamente batalham por um Portugal melhor.

Dado este inesperado sucesso, tornou-se logisticamente impossível gerir manualmente todas as subscrições. Por esse motivo, criamos uma página dedicada ao manifesto que poderá ser facilmente partilhada nas redes sociais.

Para subscrever o manifesto por um orçamento de Estado equilibrado, pode seguir este link. Para consultar a lista de signatários, que se aproxima das quatro centenas seiscentas subscrições, poderá seguir este link.

O manifesto será enviado ao Presidente da República, ao Governo e à Assembleia da República.

Manifesto por um orçamento equilibrado

Em 40 anos de república democrática pós-Estado Novo, Portugal foi incapaz de fazer cumprir o princípio Constitucional que impõe um orçamento equilibrado. O efeito económico é notório: não sendo arrecadada receita suficiente para cobrir as despesas, o imposto é diferido e suplantado por uma emissão de títulos de dívida pública em mercados financeiros, operação que resulta em encargos adicionais no serviço de dívida.

Recentemente, um grupo de 70 pessoas considerou imperativa uma reestruturação da dívida pública. Embora tal operação permita reduzir substancialmente o serviço de dívida, ignora que uma parte substancial dos portadores de títulos de dívida pública sejam bancos portugueses e que, mais ainda, caso o saldo orçamental primário não seja permanentemente estabilizado, a dívida continue a aumentar.

Recordando os últimos 14 anos, é possível verificar que o saldo orçamental primário, aquele que exclui o serviço de dívida, ainda se encontra numa posição muito frágil.

Saldo_Primario

A montante de qualquer renegociação ou ajustamento da dívida pública deverá estar o equilíbrio estável e sustentado das contas públicas, implicando uma redução permanente da despesa estrutural (não espúria). Para tal, torna-se impreterível que as finanças públicas se orientem por bons princípios de equilíbrio orçamental e que o Estado proceda às devidas reformas que permitam a redução permanente da despesa.

Caso contrário, uma restruturação da dívida desacompanhada de um equilíbrio nas finanças públicas resultará no seu ressurgimento:

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Este manifesto, desprovido de notáveis mas agraciado pelo bom senso, pretende alertar para a importância de contas públicas saudáveis e consolidadas que permitam a iniciativa privada brotar, gerando riqueza e crescimento económico. O manifesto está aberto a todos os que se identifiquem com uma cultura de rigor no Estado, condição indispensável para a prosperidade.

Signatários:

Consultar lista de signatários

Subscrever manifesto

Se 8 é bom, 9 é melhor!

Felicitações a todos os insurgentes pelo 9º aniversário da criação do blogue.

Em jeito de comemoração, lançamos um pequeno quiz para opinar sobre qual a razão pela qual o nosso estimado Comandante, o Miguel Noronha, subtraiu um ano ao total:

  1. Foi um corte por causa do Programa de Ajustamento da “troika”
  2. O Comandante não quis contar com o ano que esteve em sabática
  3. O ano em que o Jorge Sampaio ainda era presidente não conta
  4. Aquela cena do Paulo Fonseca ir a Leverkusen deixou-o confundido
  5. None of the above

Insurjam-se!

Bebida Oficial Insurgente: Gin Tónico

gin tónico 2O Rui Carmo bem tentou aliciar-nos para o Bushmill´s, mas foi clamorosamente rejeitado. Se alguma vez notarem que as opiniões insurgentes estão assim um tanto desconchavadas, a culpa é do gin tónico. Não é tanto pelo efeito do álcool (já estamos mais ou menos imunes), é mesmo porque nos entregámos às drogas: the gin and tonic is not just a drink; it’s a drug.

(Nota: eu também gosto de gin fizz, mas como a Simone de Beauvoir também apreciava a bebida, o preconceito insurgente contra os apoiantes soviéticos e contra os franceses levou a que esta bebida nem sequer chegasse à fase das candidaturas oficiais. Fica a denúncia.)

Esclarecendo o mal-entendido

Miro23Por um motivo completamente alheio às minhas intenções, surgiu o rumor nesta caixa de comentários de que a obra lá representada era um Miró. A obra que ilustra este post é um Guimarães Pinto, e não um Miró menor, comparação que no entanto agradeço. Também não pretendo pintar outros 84 e assim merecer que os contribuintes me paguem 35 milhões de euros, que isso era coisa para me demorar umas boas 3 horas e eu ando muito ocupado.

Fiquei comovido com o facto de alguns comentadores terem valorizado tanto os 5 minutos que passei no Paint. Por isso, disponibilizarei a obra em alta resolução a todos quantos depositarem 0,01 bitcoins nesta conta 16uVFSXGjfHaf1qYkdntpcRJJyoKLTnt7N . Anseio pela oportunidade de ver quantos apreciadores de arte estarão na disposição de gastar o seu próprio dinheiro em algo que, desde que pago com o dinheiro dos outros, aparenta ser tão valioso.

Ignorância, ideias pré-concebidas e evolucionismo

No meu texto de ontem sobre as tácticas políticas à volta do referendo da co-adopção, defini a maioria do eleitorado português desta forma:

“A grande parte do eleitorado português pertence a um grupo que se pode classificar de conservadores socialistas. Pessoas que pelos mesmos motivos, preconceito e ignorância, são conservadores nos costumes e socialistas na economia.”

Para que não restem dúvidas, tentarei desenvolver e esclarecer um pouco este ponto. Antes de mais, convém esclarecer qualquer dúvida de interpretação. Não digo ali que todos os socialistas e conservadores nos costumes o sejam por ignorância e preconceito. O que digo é que a maioria do eleitorado é socialista na economia e conservador nos costumes por esses motivos, porque é essa a posição natural por defeito do ser humano. Obviamente, alguém pode chegar à mesma posição ou posições semelhantes através do estudo e conhecimento, e muitos o fazem. Aliás, a maioria das pessoas que lêem este blogue e que se revêem nestas posições estarão nessa situação. Mas a verdade é que a maioria do eleitorado não é conservador ou socialista por ter estudado ou pensado nos assuntos económicos e sociais que suportam a sua posição. São-no por se terem mantido na ignorância em relação aos temas e basear as suas posições no preconceito (a utilização da palavra preconceito aqui está mais relacionada com o inglês “preconception” do que com o significado negativo moderno dado à palavra em português). E existe uma razão evolutiva para a existência desses preconceitos.

Comecemos pelo socialismo. A humanidade existe há cerca de 200 mil anos. Durante grande parte deste período não existiram os três factores que levaram ao forte crescimento económico da modernidade: especialização no trabalho (para além da que existiu desde sempre entre homem e mulher), trocas comerciais ou a possibilidade de acumulação generalizada de capital. Antes disto, e durante grande parte da existência humana, predominava uma economia de subsistência em que os indivíduos colaboravam em tribos para a sobrevivência comum. Neste caso, a desigualdade era um risco para a sobrevivência do grupo. Para que um elemento do grupo tivesse mais de algo, seria necessário que outro tivesse menos. A desigualdade na distribuição do produto do trabalho poderia levar à desintegração do grupo. Não por acaso, aqueles que ofereciam maior resisência à desigualdade foram aqueles que ganharam o desafio da evolução. Por isso, a aversão natural, pré-concebida, à desigualdade é algo que se mantém ainda hoje.

O caso da tendência natural ao conservadorismo nos costumes é ainda mais fácil de explicar. A única forma de uma sociedade prevalecer é, obviamente, através da sobrevivência e reprodução. Num ambiente de altas taxas de mortalidade, o sucesso reprodutivo de uma sociedade era particularmente importante para a sua sobrevivência. Daqui resultou a aversão natural a tudo o que ponha em causa, ou tenha posto no passado, o sucesso reprodutivo de uma sociedade: o aborto, a homossexualidade, a igualdade de género ou actividades sexuais não reprodutivas. Também é natural a preferência por instituições que favoreçam esse sucesso reprodutivo como é o caso da família tradicional. A discriminação étnica resulta também de um processo de selecção natural (quando elementos de etnias diferentes se encontravam nas suas migrações há 10 mil anos atrás, quem pensam que sobrevivia: os que estenderam a mão ou os que elevaram as armas?).

Algumas destas tendências naturais fazem hoje menos sentido na sociedade moderna. A obtenção de conhecimento formal tende a diminuir o peso destas tendências naturais no posicionamento político dos indivíduos. Não é por acaso que pessoas que tenham estudado economia tendem a aceitar melhor e até desejar os mecanismos de mercado que levam à desigualdade. Da mesma forma, pessoas que estudam sociologia e psicologia tendem a defender mais os direitos de homossexuais e minorias. Claro que isto não é o fim da história, e o facto de certas posições tenderem a ser menos preponderantes entre pessoas menos informados não significa que estejam erradas ou que a busca do conhecimento resulte, necessariamente, numa aproximação à verdade.

Bons velhos tempos

Uma das coisas deliciosas de ler no discurso da tralha socialista que vai brotando aqui e ali por esta Internet fora, é a velocidade com que o discurso da superioridade moral na protecção da vida, dos desgraçadinhos e infortunados – espezinhados pelos mercados e pelo capital – se transforma na apologia das atrocidades e da neutralização por todos os meios da dissidência. Na mesma frase em que se qualificam os assassinos, apela-se de pronto ao seu assassinato. Rapidamente e em força.

É francamente enternecedor ver como o discurso e a dificuldade em lidar com os argumentos e factos rapidamente se deixam carregar pela saudade dos bons velhos tempos, tempos em que os problemas relativos àqueles que não sabiam cumprir com o seu papel para com a sociedade, ou que não eram suficientemente solidários com os flagelos que oprimiam a doutrina moral vigente, se resolviam com a simplicidade singela e higiénica de um tiro na nuca no matadouro político mais próximo.

Aliás, em termos de velocidade, a Internet torna-se inestimável tanto na detecção das verdadeiras cores dos trauliteiros dos amanhãs que cantam, como na detecção de cobardes.

Afinal, só com a velocidade da Internet o desejo revelador de que “um gajo merece um AVC” rapidamente se torna na sugestão de que a ausência de um determinado medicamento poderia colocar em perigo a sua vida. São estes os guerrilheiros das brigadas revolucionárias de sofá, a gerirem com urgência os danos potenciais da facilidade com que se lhes resvala a chinela para o tiro na nuca.

Entretanto, aqui o canalha vai ficar a ver de bancada o caro João José Cardoso a estrebuchar com os cortes no seu vencimento que vão animar a sua quadra natalícia, e as respectivas promessas vindouras para o ano que se aproxima. Não, desculpe, com a “reavaliação administrativa, legal, legítima e normal” do valor a pagar pela prestação dos serviços essenciais de ensino que presta, enquanto persiste em se refugiar num discurso de protecção do seu lucro acrescido, e continua a ameaçar com uma retórica de retenção grevista dos seus serviços.

Às vezes, mesmo quando há coisas que são erradas, acabam por redundar nalgum bem.

As brigadas revolucionárias de centro comercial

Saque

O que merece alguém que defende publicamente que se pague a conta daquilo que se consumiu, e que não é moralmente legítimo obrigar alguém a vender o produto do seu investimento e risco a destinatários da sua conveniência, a um preço imposto unilateralmente?

Um AVC. O canalha.

É este o discurso dos revolucionários de sofá, enquanto salivam pela oportunidade de estar na linha da frente das brigadas maduras, chegada a oportunidade de carregar o sonho de consumo capitalista a preço justo e socialmente responsável. Daqueles que vão ficar muito surpreendidos, e que se vão proclamar como injustiçados e negligenciados pelos especuladores capitalistas, quando passarem a conviver com prateleiras vazias.

Afinal, não há como a memória da opulência das prateleira recheadas dos bolos de hoje e de ontem dos tempos da República Democrática. Isso é que era.

Mistério da Fé

O meu artigo de hoje no Diário Económico, Fé Social, sobre a insegurança social que políticos passados, presentes e futuros nos prometem, e que não é bem um paraíso:

«Já ouviu falar do escândalo Madoff, certo? E, em versão caseira, da Dona Branca?

Foram ambos esquemas financeiros criminosos que, curiosamente, têm muito em comum com o desenho da maioria dos sistemas de segurança social do mundo desenvolvido, incluindo o português: os descontos presentes, tanto de trabalhador como de empresa, servem, não para constituir um fundo de investimento de cujos rendimentos e capital o trabalhador usufruirá depois de reformado, mas para pagar as pensões atuais. Um dos principais erros ouvidos quando se fala em pensões – e que políticos e comunicação social pouco fazem para esclarecer – é este de se receber, na velhice, nada mais do que o que anteriormente se descontou.

Como se fosse possível descontar cerca de 35% do ordenado ao longo de, no máximo, 40 anos e, depois, esperar que esse montante cobrisse durante 20 anos um valor próximo do último ordenado da carreira contributiva. Junte-se à não capitalização o envelhecimento populacional (em 2060 teremos 1,4 trabalhadores no ativo por reformado, contra os atuais 3,3) e verificamos que o futuro é agreste. Agradeçamos, portanto, à OCDE vir chamar a atenção para o problema com o relatório Pensions at a Glance 2013: os futuros pensionistas terão pensões consideravelmente mais baixas do que as atuais (taxa de substituição de 54,7% para rendimentos médios para quem inicie descontos em 2012) e trabalharão mais anos (em 2050, a idade média de reforma será 67 anos).»

O resto está aqui.