Bel’Miró

bel-miro
Auto-retrato de Bel’Miró por Bel’Miró

Hoje é um grande dia para a Cultura n’O Insurgente.

Não obstante os ocasionais contributos culturais da Maria João Marques, da Graça Canto Moniz, do Rodrigo Adão Da Fonseca e do Carlos M. Fernandes, entre outros, a verdade é que esta sempre foi uma área marginalizada n’O Insurgente.

A falta de apoios estatais, assim como por parte da SPA, explica em parte esta lamentável situação, mas não pode isentar um meio de grandes audiências das suas responsabilidades Culturais perante a Comunidade.

Assim, é com muito gosto que anuncio que, após longas e complicadas negociações com o Artista e os seus agentes e advogados, O Insurgente passa a partir de hoje a contar com a colaboração do Grande Bel’Miró (ou, como ele mesmo modestamente prefere designar-se, Bel’Miró, o Magnífico), uma inegável referência Cultural nacional e internacional.

Bel’Miró será o comentador Cultural residente d’O Insurgente, não ignorando contudo que, para um verdadeiro Artista, toda a Cultura é Política e toda a Política é Cultura.

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Mais uma conspiração sionista revelada

km

Desta vez a sorte coube ao Krav Maga. É preciso estar atento à Angelina Jolie, ao Brad Pitt, aos ginásios, academias e federações por esse mundo fora.

(…) Mashregh warns that Israel is now undertaking “mysterious activities” involved in spreading Krav Maga worldwide. The news site concludes that it cannot yet give an answer as to what is behind Israel’s plot to spread the martial art, but notes that the dangerous trend should be observed.  Mashregh’s comments come amid reports that Hollywood celebrities, particularly Brad Pitt and Angelina Jolie, are taking lessons in Krav Maga.  Mashregh regularly features articles accusing Israel and Hollywood of various covert plans for world domination. In 2012, the news site wrote that Israel and Hollywood were working together to promote homosexuality as part of a global plot to subjugate humankind in a plot based in Tel Aviv, which Mashregh described as the “gay capital of the world.”

Socialist delusion

kafka

Escreve o Joaquim Couto no Portugal Contemporâneo

O capitalismo moderno, assente na propriedade privada, na livre-iniciativa, nos mercados, na concorrência e num sector financeiro independente, não funciona em Portugal. Era bonito o sonho, pá! Mas acabou-se, acordamos e constatamos a realidade.

 

O que às vezes entristece é ver liberais (ou os que dizem que o são) adoptar a retórica e a linguagem socialista. A ver: capitalismo, desde pelo menos Marx que o inventou, não é assente em nada disso, capitalismo é só a propriedade privada dos meios de produção, mais nada. O resto é mercado livre. E sendo assim, onde tem andado o mercado livre em Portugal? É que eu não dou por ele. O que existe é o que os americanos chamam crony-capitalism, um sistema em que os meios de produção sendo nominalmente privados são na realidade condicionados, decididos e orientados pelo Estado e por quem o gere episodicamente. Mercados? Quais mercados? Os dos preços administrativamente fixados (ver Bancos) ou quando não o são, via concessões e protecção a interesses especiais como é o caso da GALP ou da EDP? Qual concorrência? A que põe a ASAE, o Fisco e todo o poder do estado em cima das PME impedindo-as de crescer e combater os instalados? Qual sector financeiro independente? O que há décadas vive de legislação até fiscal que o favorece, o que financia Partidos e interesses espúrios ligados à captura do estado? Um bom exemplo é o BCP. De um Banco revolucionário e que modernizou sozinho todo o sistema financeiro, tornou-se propriedade partidária de facto à custa da única vez que se deitou na cama com o Governo e fez um favor a Guterres, Sousa Franco e Vítor Constâncio, sabe-se lá em troca de quê.

O envolvimento patético dos “capitalistas” na ruína do País, a falência das grandes empresas e o compadrio descarado, assim como o desrespeito total pelos pequenos acionistas e pela poupança privada, demonstram o óbvio: o capitalismo não cai bem connosco.

Qual envolvimento patético? Há 390 mil empresas em Portugal, 390 mil proprietários de meios de produção. É capaz de afirmar quantos destes 390 mil estão envolvidos na ruína do país? Veja lá bem quem são, onde, como e quando esses seus “capitalistas” se envolveram na ruína do país e quem é o Deus Ex-Machina deles todos. E quando o perceber, falaremos então de capitalismo, mercado livre e Portugal.

Para já fico por aqui e quanto à conclusão do Professor Pedro Arroja (por quem tenho grande apreço e respeito) vale o que vale e é muito pouco nesta altura, holismos não costumam dar grande resultado e normalmente dão em tragédias. Continuo a considerar que ele está a percorrer um círculo e há-de voltar ao sítio de onde partiu, é uma questão de tempo.

No Fio da Navalha

O meu artigo de hoje no ‘i’.

Agosto em Paris

A 2 de Agosto de 1914, o fotógrafo francês Charles Lansiaux, decidiu começar a fotografar Paris durante a guerra. Era a primeira mundial e tinha-se iniciado há cinco dias; duraria mais de quatro anos. Uma guerra infindável para quem supunha que se resolveria em poucas semanas; terrível para quem não imaginava estar perante o primeiro sinal do que viria a ser o século xx.

Quase 2 mil fotografias de Lansiaux estiveram expostas na primeira metade deste ano na Bibliothèque de la ville de Paris. Dessas, cerca de 247 foram tiradas em Agosto de 1914. E o que se retira das obtidas nesse período muito curto, faz agora 100 anos, é, não ainda o despertar para a realidade mas a suspensão do tempo que anuncia algo de mau.

Enquanto as primeiras fotos nos mostram multidões a ler jornais que anunciavam o início das hostilidades, mais as listas que mobilizavam os homens para o conflito, as seguintes são já as despedidas dos novos soldados e a chegada dos primeiros refugiados. Até que há uma que nos faz suster a respiração: tirada a partir da place Saint-Michel, nela vimos a ponte com o mesmo nome vazia. Paris espera, não sabendo ainda o quê.

Os espaços vazios estão cheios dos homens que não voltaram. São fantasmas que podiam estar ali, mas saíram ao encontro de algo estúpido e inútil. Paris devia estar silenciosa naquele mês de Agosto. Vazia de homens e cheia de um silêncio que falava e que ninguém conseguia ouvir.

 

A solução para o BES

Continuo sem perceber as referências do Paulo Guinote aos supostos melhores dias da “insurgência”, agora a propósito do BES.

Mantenho integralmente a opinião sobre este discurso de Pedro Passos Coelho. O que em nada me impede de criticar o que acho que deve ser criticado.

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1ª Lei de Migas

A probabilidade de um artigo de opinião ser disparatado é diretamente proporcional à utilização de maiúscula na palavra “mercado”.

Corolário (1): O disparate será certo a partir do momento em que o autor assignar intenção e personalidade ao dito “mercado”.

Corolário (2): Mais que disparate, a referência a adoradores ou a sugestão de atribuição de características de divindade ao dito “mercado” é prova inequívoca de que o autor é um idiota chapado.

Bolor

kafkaEu no Diário Económico

para tentar encaixar na Lei, será acessível apenas a militantes do Partido. A ser assim não se vislumbra qual o interesse de dirigir um canal de televisão apenas para pessoas que, à partida, são as que estando mais próximas da fonte, estão melhor informadas sobre as actividades da colectividade em que militam. O interessante desta proposta estaria na possibilidade de os partidos chegarem mais próximo das pessoas e que estas estivessem mais habilitadas a perceber e a confrontar os programas e propostas de cada um deles com o que na realidade fazem quando são poder.

 

O papel dos pais, no post 25 do 4

Cabe aos pais portugueses e à nossa escola construir e dar um futuro aos jovens assente em valores humanos e sociais. A história passada tem nesse contexto um papel pouco relevante. É muito mais importante conhecer as tendências actuais, da guerra da Síria, da Rússia de Putin, da Ucrânia corrupta e da Frente Nacional em França, neste mundo global em que hoje estamos inseridos, do que a história dos capitães de Abril. As lições da história de 1974 podem ser mostradas aos nossos filhos e jovens sem demagogias e falsas intelectualizações.

Não é preciso fazer sempre “regressos ao passado” cada vez que falamos do 25/04. Porque , mesmo que quiséssemos, não se pode voltar ao passado. Podemos, isso sim , construir um futuro diferente, com melhores actores.

Os mais jovens de hoje (menos de 30) não têm guerra colonial, ditadura, censura e sabem-no, sentem-no, e acham que essa é uma realidade que lhes é incompreensível neste Portugal de hoje, tecnológico e livre de tantos preconceitos do passado e que por causa disso se desligam destes festejos a cheirar a naftalina dos “velhos”, um conceito que abrange todos aqueles que pensam que o passado é melhor. Não que não haja novos perigos e novas derivas demagógicas a ameaçarem a democracia: mas nem a FN tem qualquer representatividade em Portugal, nem vejo uma guerra civil ou um ditador “militar” a assumir o poder neste cantinho luso.

Os “velhos” pensam que é nessas ideias passadas em que assentou o 25/04 (como diz o slogan: “25 de Abril sempre”) que é preciso construir o futuro: e é neste ponto que discordo de muita gente. Porque é no dia a dia que se constrói o novo futuro, com as ideias de cada um, que interagem com todos os outros.

Felizmente , tal como o vejo, o futuro português no post 25 do 4 , será sempre muito melhor, porque os nossos jovens são muito melhores que os nossos velhos, e construirão esse futuro assente na liberdade de pensamento, no respeito pela vida humana e na diversidade de escolha (em tudo), ainda que com os constrangimentos de duas gerações anteriores (a dos adultos no 25/04) que os endividou sem que eles votassem para isso!

Olha como é, a Rua do Carmo

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No seguimento da Assembleia Popular que se irá reunir no largo do Carmo no dia 25 de Abril, sob a égide dos capitães de Abril e de outras forças vivas da Sociedade Portuguesa, há 3 hipóteses imaginárias, para o processo de decisão do que fazer a este país nos próximos 40 anos .

O primeiro, e o mais corrente em 1975 entre os membros da Intersindical, seria o do “braço no ar”, um processo altamente democrático em que se pergunta quem é que concorda com a proposta do proponente de “derrubar o governo, politicamente ilegítimo, ainda que democraticamente eleito”, seja lá o que isso quer dizer.

O segundo método possível será o do uso de comando da hierarquia militar em que se mandam às urtigas as liberdades civis, algo em o Copcom se especializou também há cerca de 39 anos, criando muita comichão e urticária junto de certas populações. Neste caso, seguindo o conselho de 74 iluminados, os militares decidem que o que é melhor para o país , é entregarem a Madeira aos credores, a troco da quitação da dívida do Continente. Os Açores ficam de reserva para a próxima reestruturação. O TC aprova porque obviamente não está ferido nenhum direito fundamental da cidadania, e as reformas e aposentações serão aumentadas no próximo ano.

O terceiro, será o de uma votação online através de um site criado pelos indefectíveis das redes sociais, com o uso dos ipads, iphones, samsumgs, HTCs e nokias, que os milhares de presentes no largo estarão a usar, colocando “selfies” no Facebook. Assim poderão mostrar daqui a 40 anos aos seus netinhos uma recordação do 25 de Abril que eles viveram usando alta tecnologia, produzida através da exploração do proletariado chinês e adquiridos através de crédito forçado pelas forças maléficas do “crédito ao consumo ” instaladas pelas forças reaccionárias do 25 de novembro. Nesta votação será perguntado: o próximo PM deverá ser o Camarada Vasco, o camarada Mario , o camarada Freitas, ou o camarada Louçã? Caso seja este o processo escolhido, antevejo uma votação online muito renhida em que uns sopapos (no Largo do Carmo em vez da Marinha Grande) mudarão para sempre um cartão de milhas da TAP !

Qual acham que será o método escolhido?

Ana Catarina Mendes e Adolfo Mesquita Nunes

Ana Catarina Mendes e Adolfo Mesquita Nunes entrevistados por Anabela Mota Ribeiro

São a geração de 70, nascida aquando da democracia. Não se envergonham de ser políticos porque tudo é política, como dizia Bertold Brecht. Isto num tempo em que ser político parece uma nódoa, e se vive a descrença nos agentes políticos e nas instituições. Como se chegou aqui? Quais foram os passos, quem foram os protagonistas?

O verso do dramaturgo alemão é trazido por Adolfo Mesquita Nunes, Ana Catarina Mendes concorda. Ele é secretário de Estado do Turismo, ela é deputada do PS. Não acham que os seus pais, a geração dos seus pais, tenha feito tudo fazendo a democracia. Abrindo a sua história, entram também na História do país, e do que é ser de esquerda e de direita nos 40 anos do 25 de Abril.

Um manifesto equilibrado

Bandeira-PT

Para gáudio de todos aqueles que desejam e anseiam por um país melhor e mais próspero, o “Manifesto por um orçamento equilibrado” excedeu as nossas mais optimistas expectativas. Indubitavelmente, foi um enorme sucesso que reforça a esperança na sociedade civil, verdadeira força motriz de Portugal. Sociedade composta por gente da mais diversa origem, mas não menos notável por isso. Verdadeiros notáveis que incluem professores, economistas, gestores, jornalistas e demais concidadãos que diariamente batalham por um Portugal melhor.

Dado este inesperado sucesso, tornou-se logisticamente impossível gerir manualmente todas as subscrições. Por esse motivo, criamos uma página dedicada ao manifesto que poderá ser facilmente partilhada nas redes sociais.

Para subscrever o manifesto por um orçamento de Estado equilibrado, pode seguir este link. Para consultar a lista de signatários, que se aproxima das quatro centenas seiscentas subscrições, poderá seguir este link.

O manifesto será enviado ao Presidente da República, ao Governo e à Assembleia da República.

Manifesto por um orçamento equilibrado

Em 40 anos de república democrática pós-Estado Novo, Portugal foi incapaz de fazer cumprir o princípio Constitucional que impõe um orçamento equilibrado. O efeito económico é notório: não sendo arrecadada receita suficiente para cobrir as despesas, o imposto é diferido e suplantado por uma emissão de títulos de dívida pública em mercados financeiros, operação que resulta em encargos adicionais no serviço de dívida.

Recentemente, um grupo de 70 pessoas considerou imperativa uma reestruturação da dívida pública. Embora tal operação permita reduzir substancialmente o serviço de dívida, ignora que uma parte substancial dos portadores de títulos de dívida pública sejam bancos portugueses e que, mais ainda, caso o saldo orçamental primário não seja permanentemente estabilizado, a dívida continue a aumentar.

Recordando os últimos 14 anos, é possível verificar que o saldo orçamental primário, aquele que exclui o serviço de dívida, ainda se encontra numa posição muito frágil.

Saldo_Primario

A montante de qualquer renegociação ou ajustamento da dívida pública deverá estar o equilíbrio estável e sustentado das contas públicas, implicando uma redução permanente da despesa estrutural (não espúria). Para tal, torna-se impreterível que as finanças públicas se orientem por bons princípios de equilíbrio orçamental e que o Estado proceda às devidas reformas que permitam a redução permanente da despesa.

Caso contrário, uma restruturação da dívida desacompanhada de um equilíbrio nas finanças públicas resultará no seu ressurgimento:

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Este manifesto, desprovido de notáveis mas agraciado pelo bom senso, pretende alertar para a importância de contas públicas saudáveis e consolidadas que permitam a iniciativa privada brotar, gerando riqueza e crescimento económico. O manifesto está aberto a todos os que se identifiquem com uma cultura de rigor no Estado, condição indispensável para a prosperidade.

Signatários:

Consultar lista de signatários

Subscrever manifesto

Cereja do Fundão – Quinta da Porta

Cereja_do_Fundao

A única cereja com marca de qualidade insurgente, disponível em rigoroso exclusivo na Quinta da Porta. Ide, fazei like no Facebook e encomendai algum do produto assim que possível.

Se 8 é bom, 9 é melhor!

Felicitações a todos os insurgentes pelo 9º aniversário da criação do blogue.

Em jeito de comemoração, lançamos um pequeno quiz para opinar sobre qual a razão pela qual o nosso estimado Comandante, o Miguel Noronha, subtraiu um ano ao total:

  1. Foi um corte por causa do Programa de Ajustamento da “troika”
  2. O Comandante não quis contar com o ano que esteve em sabática
  3. O ano em que o Jorge Sampaio ainda era presidente não conta
  4. Aquela cena do Paulo Fonseca ir a Leverkusen deixou-o confundido
  5. None of the above

Insurjam-se!

Bebida Oficial Insurgente: Gin Tónico

gin tónico 2O Rui Carmo bem tentou aliciar-nos para o Bushmill´s, mas foi clamorosamente rejeitado. Se alguma vez notarem que as opiniões insurgentes estão assim um tanto desconchavadas, a culpa é do gin tónico. Não é tanto pelo efeito do álcool (já estamos mais ou menos imunes), é mesmo porque nos entregámos às drogas: the gin and tonic is not just a drink; it’s a drug.

(Nota: eu também gosto de gin fizz, mas como a Simone de Beauvoir também apreciava a bebida, o preconceito insurgente contra os apoiantes soviéticos e contra os franceses levou a que esta bebida nem sequer chegasse à fase das candidaturas oficiais. Fica a denúncia.)

Esclarecendo o mal-entendido

Miro23Por um motivo completamente alheio às minhas intenções, surgiu o rumor nesta caixa de comentários de que a obra lá representada era um Miró. A obra que ilustra este post é um Guimarães Pinto, e não um Miró menor, comparação que no entanto agradeço. Também não pretendo pintar outros 84 e assim merecer que os contribuintes me paguem 35 milhões de euros, que isso era coisa para me demorar umas boas 3 horas e eu ando muito ocupado.

Fiquei comovido com o facto de alguns comentadores terem valorizado tanto os 5 minutos que passei no Paint. Por isso, disponibilizarei a obra em alta resolução a todos quantos depositarem 0,01 bitcoins nesta conta 16uVFSXGjfHaf1qYkdntpcRJJyoKLTnt7N . Anseio pela oportunidade de ver quantos apreciadores de arte estarão na disposição de gastar o seu próprio dinheiro em algo que, desde que pago com o dinheiro dos outros, aparenta ser tão valioso.

“A Liberdade está em vias de extinção”

Intervenção de abertura da Conferência “Liberalismo e Governação: Que Futuro para Portugal?”, organizada pelo Instituto Ludwig von Mises Portugal, que contou com a participação do nosso André Azevedo Alves.

Ignorância, ideias pré-concebidas e evolucionismo

No meu texto de ontem sobre as tácticas políticas à volta do referendo da co-adopção, defini a maioria do eleitorado português desta forma:

“A grande parte do eleitorado português pertence a um grupo que se pode classificar de conservadores socialistas. Pessoas que pelos mesmos motivos, preconceito e ignorância, são conservadores nos costumes e socialistas na economia.”

Para que não restem dúvidas, tentarei desenvolver e esclarecer um pouco este ponto. Antes de mais, convém esclarecer qualquer dúvida de interpretação. Não digo ali que todos os socialistas e conservadores nos costumes o sejam por ignorância e preconceito. O que digo é que a maioria do eleitorado é socialista na economia e conservador nos costumes por esses motivos, porque é essa a posição natural por defeito do ser humano. Obviamente, alguém pode chegar à mesma posição ou posições semelhantes através do estudo e conhecimento, e muitos o fazem. Aliás, a maioria das pessoas que lêem este blogue e que se revêem nestas posições estarão nessa situação. Mas a verdade é que a maioria do eleitorado não é conservador ou socialista por ter estudado ou pensado nos assuntos económicos e sociais que suportam a sua posição. São-no por se terem mantido na ignorância em relação aos temas e basear as suas posições no preconceito (a utilização da palavra preconceito aqui está mais relacionada com o inglês “preconception” do que com o significado negativo moderno dado à palavra em português). E existe uma razão evolutiva para a existência desses preconceitos.

Comecemos pelo socialismo. A humanidade existe há cerca de 200 mil anos. Durante grande parte deste período não existiram os três factores que levaram ao forte crescimento económico da modernidade: especialização no trabalho (para além da que existiu desde sempre entre homem e mulher), trocas comerciais ou a possibilidade de acumulação generalizada de capital. Antes disto, e durante grande parte da existência humana, predominava uma economia de subsistência em que os indivíduos colaboravam em tribos para a sobrevivência comum. Neste caso, a desigualdade era um risco para a sobrevivência do grupo. Para que um elemento do grupo tivesse mais de algo, seria necessário que outro tivesse menos. A desigualdade na distribuição do produto do trabalho poderia levar à desintegração do grupo. Não por acaso, aqueles que ofereciam maior resisência à desigualdade foram aqueles que ganharam o desafio da evolução. Por isso, a aversão natural, pré-concebida, à desigualdade é algo que se mantém ainda hoje.

O caso da tendência natural ao conservadorismo nos costumes é ainda mais fácil de explicar. A única forma de uma sociedade prevalecer é, obviamente, através da sobrevivência e reprodução. Num ambiente de altas taxas de mortalidade, o sucesso reprodutivo de uma sociedade era particularmente importante para a sua sobrevivência. Daqui resultou a aversão natural a tudo o que ponha em causa, ou tenha posto no passado, o sucesso reprodutivo de uma sociedade: o aborto, a homossexualidade, a igualdade de género ou actividades sexuais não reprodutivas. Também é natural a preferência por instituições que favoreçam esse sucesso reprodutivo como é o caso da família tradicional. A discriminação étnica resulta também de um processo de selecção natural (quando elementos de etnias diferentes se encontravam nas suas migrações há 10 mil anos atrás, quem pensam que sobrevivia: os que estenderam a mão ou os que elevaram as armas?).

Algumas destas tendências naturais fazem hoje menos sentido na sociedade moderna. A obtenção de conhecimento formal tende a diminuir o peso destas tendências naturais no posicionamento político dos indivíduos. Não é por acaso que pessoas que tenham estudado economia tendem a aceitar melhor e até desejar os mecanismos de mercado que levam à desigualdade. Da mesma forma, pessoas que estudam sociologia e psicologia tendem a defender mais os direitos de homossexuais e minorias. Claro que isto não é o fim da história, e o facto de certas posições tenderem a ser menos preponderantes entre pessoas menos informados não significa que estejam erradas ou que a busca do conhecimento resulte, necessariamente, numa aproximação à verdade.

2013 in review

The WordPress.com stats helper monkeys prepared a 2013 annual report for this blog.

Here’s an excerpt:

The Louvre Museum has 8.5 million visitors per year. This blog was viewed about 2,400,000 times in 2013. If it were an exhibit at the Louvre Museum, it would take about 103 days for that many people to see it.

Click here to see the complete report.