Mãe II

kafka2O texto publicado no Diário Económico tem 1000 caracteres com espaços. Não sei porquê tinha-o escrito com 2000. Fica aqui a versão mais longa.

 

 

Mãe

Os Governos de Portugal saídos de eleições são uma espécie de “Kinder Surpresa”. Sabe-se quem se candidata a PM que, ganhando as eleições, se torna um ditador posicional. Como todos os ditadores (de facto ou posicionais), distribui lugares e recursos, faz escolhas, promove este ou aquele e obriga-se a satisfazer clientelas e Partido, não vá o diabo tecê-las. Continuar a ler

Mãe

kafka2Eu no Diário Económico de ontem

Os governos de Portugal saídos de eleições são uma espécie de “Kinder Surpresa”. Sabe-se quem se candidata a primeiro-ministro que, ganhando as eleições, se torna um ditador posicional.

 

A causa das coisas

homer_dohHá pouco no twitter envolvi-me numa discussão bem disposta com o João Galamba e o Pedro Morgado (indefectível socialista) a propósito da entrevista do pobre do ex-Ministro da Saúde Correia de Campos à nova versão da Renova, o jornal Público. O dito rolo de papel macio de folha dupla intitula a entrevista assim:

“Vamos herdar uma dívida de mais de 1,5 mil milhões de euros na saúde”

Como em 2011 a dívida era 3 mil milhões de euros, achei piada ao título, só que o que Correia de Campos diz é:

“..vamos herdar uma situação de passivo [na saúde] pelo menos de 1,5 a 1,6 mil milhões.”

E, digo eu, o passivo em 2011 era de cerca de 6,4 mil milhões de euros. Primeira reacção dos ditos:

Isso são números completamente inventados. Ou seja, eu (ou alguém) estaria a mentir.

Ora como lhes mostro que 6,4mil milhões de passivo é resultado da auditoria do Tribunal de Contas em 2011, a segunda reacção é: Não sabes a diferença entre dívida e passivo. Como o ex-Ministro diz explicitamente “passivo“, a terceira reacção passa a ser, ele está a falar de “nova dívida”. Reafirmo eu: na entrevista Correia de campos é explícito, fala de “passivo”. Quarta reacção: eu conheço o homem já falei com ele sobre isso, ele refere-se a “nova dívida”. Repito o que o sr diz na entrevista: “..vamos herdar uma situação de passivo [na saúde] pelo menos de 1,5 a 1,6 mil milhões.”

Posto isto, perdei toda a esperança vós que aqui entrais. Discutir com a esquerda (e parte substancial da dita direita) é isto. Mas que é divertido, é.

 

Perfil dos leitores d’O Insurgente

Aqui ficam alguns dados sobre o perfil da comunidade Insurgente (com base nas adesões à página d’O Insurgente no Facebook):

– A maioria (58%) está entre os 25 e os 44 anos.

– Em termos de países o top 10 é o seguinte:

1 – Portugal
2 – Brasil
3 – Reino Unido
4 – Angola
5 – EUA
6 – Espanha
7 – Alemanha
8 – Suíça
9 – França
10 – Bélgica

– Em termos de cidades o top 10 é o seguinte: Continuar a ler

230.000

A página d’O Insurgente no Facebook, que agrega já mais de 7.000 pessoas, atingiu nos últimos dias 7 dias pela primeira vez um alcance superior a 200.000 pessoas, mais exactamente: superior a 230.000.

Obrigado ao autor anónimo pelos cartazes e a todos os leitores pela preferência e divulgação.

O melhor mês de sempre d’O Insurgente

Conforme já aqui havia dado conta, Julho de 2015 foi o melhor mês de sempre em termos de audiências n’O Insurgente. O mês terminou com mais de 348.000 visitas registadas no site, com a média de visitas diárias a superar em Julho de 2015 pela primeira vez a marca das 11.000.

No que diz respeito a outros canais de divulgação, para além das muitas pessoas que seguem O Insurgente através dos mais variados readers e por email, a página d’O Insurgente no Facebook agrega já mais de 6.700 pessoas e o blogue conta também com mais de 1.900 seguidores via Twitter.

Obrigado a todos os leitores pela preferência.

Julho de 2015: o melhor mês de sempre d’O Insurgente

Ainda faltam alguns dias para o final do mês mas Julho de 2015 é já o melhor mês de sempre em termos de audiências n’O Insurgente. Depois de terminado o mês haverá números mais exactos, mas a média de visitas diárias deverá superar este mês pela primeira vez a marca das 11.000.

Obrigado a todos os leitores pela preferência.

30.000

varoufakis_paris_match

O dia em que o sinistro Yanis Varoufakis se demitiu deixando um país à beira do colapso – com bancos fechados e o Estado grego à beira da ruptura de tesouraria – foi também o dia em que O Insurgente pulverizou o anterior recorde diário de audiência, superando pela primeira vez a marca das 30.000 visitas contabilizadas no site num único dia.

Parece que 2015 será de facto o ano de todos os recordes.

Obrigado a todos pela preferência.

1.500.000

O Insurgente continua a bater recordes de audiência sendo que nos primeiros seis meses deste ano superou já a bela marca de um milhão e meio de visitas, estando 2015 em excelente posição para ser o melhor ano de sempre.

A título de comparação, em todo o ano de 2011 o blogue registou pouco mais de 1.200.000 visitas, sendo que só em 2013 o total de visitas anual ultrapassou pela primeira vez os dois milhões.

No que diz respeito a outros canais de divulgação, para além das muitas pessoas que seguem O Insurgente através de readers e por email, a página d’O Insurgente no Facebook está muito perto de atingir as 6.300 pessoas e o blogue conta também com mais de 1.800 seguidores via Twitter. Adicionalmente, o post reach via Facebook superou na semana passada as 116.000 pessoas.

O mérito por estes resultados cabe a todos os insurgentes que contribuem para o blogue, mas não quero deixar de destacar a título ilustrativo dois posts recentes: FAQ sobre a TAP, do Mário Amorim Lopes – com mais de 5.000 partilhas registadas nas redes sociais – e Grécia: revisão da matéria dada – Onde tudo começou – com mais de 6.000 partilhas registadas nas redes sociais.

Entretanto, essencialmente devido ao Carlos Guimarães Pinto e ao Bruno Alves, a versão em inglês d’O Insurgente vai dando os seus primeiros passos, tanto no site The Portuguese Insurgent como via Twitter com alguns conteúdos exclusivos em inglês, onda contabiliza já perto de 600 seguidores.

Obrigado a todos pela preferência.

Diálogos explicados

Mais de 50 mortos no Sinai, Egipto.

Islamic militants on Wednesday unleashed a wave of simultaneous attacks, including suicide car bombings, on Egyptian army checkpoints in the restive northern Sinai Peninsula, killing at least 50 soldiers, security and military officials said.

Fifty killed in North Sinai attacks claimed by Islamic State Reuters The coordinated morning assaults in Sinai came a day after Egypt’s president pledged to step up the battle against Islamic militants and two days after the country’s state prosecutor was assassinated in the capital, Cairo.

No Reino Unido as universidades oferecem inovadores estágios curriculares em terrorismo com vista à integração na morte vida activa. Duvido que haja lugar a algum tipo de surpresa pelo ecletismo da Academia, quer pelo destaque merecidamente ganho pela instituição Queen Mary, em East London.

 

 

 

Perguntas e respostas sobre a privatização da TAP

Let her go.

Let it go.

O excelente FAQ sobre a TAP do Mário Amorim Lopes, um post de verdadeiro serviço público, já contabiliza mais de 5.000 partilhas registadas nas redes sociais.

Foi também em parte significativa devido a esse texto que O Insurgente registou só nos últimos três dias (Sexta, Sábado e Domingo) um total acumulado superior a 35.000 visitas no site.

Palhaços, balões e apitos

kafkaEu, hoje no Diário Económico

O programa eleitoral proposto por António Costa parece ter sido aceite tanto pela ala centrista como pela ala lunática do PS. É natural.

 

 

6000 no Facebook

A página d’O Insurgente no Facebook agrega já mais de 6.000 pessoas. No que diz respeito a outros canais de divulgação, para além das muitas pessoas que seguem O Insurgente através dos mais variados readers e por email, o blogue conta também com cerca de 1.800 seguidores via Twitter.

Adicionalmente, 2015 continua a ser ano de máximos históricos de audiências n’O Insurgente com uma média mensal de visitas registadas no site superior a 250.000.

Obrigado a todos os leitores pela preferência.

Paisagens Ocultas, amanhã em Lisboa

Amanhã, no Palácio Pancas Palha (Lisboa, estação Santa Apolónia) às 16.30 (entrada até às 16.15) terá lugar a primeira apresentação do livro «Paisagens Ocultas: Notas Sobre Arte, Ciência e Criatividade Distribuída», do insurgente Carlos M. Fernandes.

paisagens_ocultas

Catch 22

O pensamento liberal reconhece a dificuldade política de defender a liberdade. Da tocqueviliana tendência da democracia para criar um rendilhado de regras que tudo controla à buchananiana tendência para o estado não parar de crescer por consequência das vontades circunstânciais dos eleitores. Passando pelo tullockiano paradoxo de como sai barato tirar benefícios do estado fazendo pressão e pela misesiana frustração de estar rodeado por socialistas.

Os liberais estão, portanto, genericamente de acordo que o estado não tem grande remédio e que o seu caminho inexorável é o da erosão da liberdade. O melhor que se pode fazer é ir resistindo, dificultando a tarefa aos colectivistas e estatistas, obtendo a ocasional vitória numa batalha de uma guerra perdida à partida.

Neste contexto, os liberais costumam estar entre a espada e a parede. Por um lado tendem a criticar os erros sucessivos dos governantes. Por outro, muito raramente se chegam à frente para fazer melhor, dada a impossibilidade teórica de o fazer. Reformar o estado? Impossível. Lutar contra a burocracia sem cara? Impossível.

No século XIX houve quem usasse a expressão “liberal de poltrona” (armchair liberal) para descrever a tendência liberal para ficar sentado no sofá a dizer mal da situação, nada fazendo para mudá-la. Em vários momentos ao longo da vida, todos os liberais se sentam na poltrona; uns mais tempo, outros menos.

Promoção 1º de Maio (2012)

Três anos atrás foi assim:

Boas leituras :)

1.000.000

O Insurgente continua a bater recordes de audiência e, apenas nos primeiros quatro meses deste ano, já superou a bela marca de um milhão de visitas, estando 2015 em excelente posição para ser o melhor ano de sempre.

A título de comparação, em todo o ano de 2011 o blogue registou pouco mais de 1.200.000 visitas, sendo que só em 2013 o total de visitas anual ultrapassou pela primeira vez os dois milhões.

No que diz respeito a outros canais de divulgação, para além das muitas pessoas que seguem O Insurgente através de readers e por email, a página d’O Insurgente no Facebook está a escassas dezenas de atingir as 6.000 pessoas e o blogue conta também com mais de 1.700 seguidores via Twitter.

Obrigado a todos pela preferência.

Dez anos insurgentes (2005-2015)

Dez anos depois do primeiro post, creio não fugir à verdade se afirmar que estávamos todos muito longe de imaginar em 2005 que O Insurgente atingiria o destaque e o impacto que conseguiu em 2015. Mais ainda: que o atingiria sem abdicar, ao longo do tempo, da sua matriz inicial.

Recordo que Janeiro de 2015 foi o melhor mês de sempre em termos de audiências n’O Insurgente com mais de 279.000 visitas registadas no site. Relativamente a outros canais de divulgação, para além das muitas pessoas que seguem O Insurgente através dos mais variados readers e por email, a página d’O Insurgente no Facebook agrega já mais de 5.700 pessoas e o blogue conta também com cerca de 1.700 seguidores via Twitter.

Mas, sem desvalorizar as audiências e o impacto do blogue, devo dizer que não é ainda assim esse o aspecto que mais me satisfaz. O que mais satisfação me proporcionou ao longo destes 10 anos foi o extraordinário colectivo de individualistas que foi possível juntar a contribuir para o blogue. Com discordâncias e momentos de tensão – como não poderia deixar de ser – mas de alguma forma sempre preservando o essencial para a mútua convivência e quase sempre reservando as discussões mais duras para o âmbito privado.

Como é igualmente natural, o núcleo foi sofrendo alterações e adaptações ao longo do tempo, mas creio que o balanço final para a vitalidade e qualidade do blogue tem sido, no geral, inequivocamente positivo. É-me aliás particularmente aparazível que os dois textos mais elaborados sobre este decimo aniversário tenham sido escritos por dois latecomers, que são hoje também, por mérito próprio, duas das mais brilhantes estrelas insurgentes: a Maria João Marques e Carlos Guimarães Pinto.

Termino por isso este post com um agradecimento muito especial a todos quantos contribuem, ou contribuíram, cada qual à sua maneira única, para fazer d’O Insurgente aquilo que é hoje e com uma menção especial à nossa Elizabete Dias, que infelizmente partiu muito antes do tempo.

Happy Birthday Master Insurgente

happy birthday

O Insurgente fez dez anos e está de parabéns. Ao meu mau feitio e à minha língua viperina (mas tudo o resto é encantador) os insurgentes aturam-nos há seis anos e estou-lhes muito grata por esta experiência. Por escrever com eles, por nos divertirmos na nossa hiperativa lista de mails (e às vezes discutirmos ferozmente sem que tenha havido sequelas nas relações pessoais), pela companhia para os almoços a meio caminho entre o Porto e Lisboa e para os gins à beira Tejo, por nos termos tornado amigos, por impedirem que me sinta um alienígena neste país de esquema mental socialista onde a valorização da liberdade nunca ocorre no primeiro momento (mas lá chegaremos). Lembro-me perfeitamente de quando li o mail com convite indecente do André Azevedo Alves para me juntar aos insurgentes. Estava acampada em casa dos meus pais na semana da mudança da minha casa anterior para a minha casa atual, nas primeiras semanas da gravidez da criança mais nova (e cuja personalidade, não certamente por acaso, pode muito justamente ser descrita como a de um insurgente). Gostei muito do convite, fiz muito bem em aceitá-lo e os planos insurgentes de dominarmos o mundo estão de vento em popa. (Temos infiltrados na assembleia da República e em vários departamentos governamentais, tomámos conta do turismo nacional, e estamos agora em reuniões secretas com os americanos para decidirmos quem se candidatará às primárias para as presidenciais americanas de 2016). Em suma: let’s keep up the good work.

E, nesse espírito, deixo aqui o meu texto de 4ª feira no Observador, sobre os dramas exagerados à volta de uma barbearia com uma estratégia de promoção parva.

‘É uma pena Patricia Arquette não viver em Portugal. Assim, em vez de no seu discurso de agradecimento pelo Oscar falar de minudências como o diferencial nos ordenados pagos aos homens e às mulheres, com uma especial menção para as mães (cujos sacrifícios em termos de carreiras e rendimentos por causa da maternidade são conhecidos), teria referido assuntos importantes que ocupam algumas feministas portuguesas. Exemplo: impedir que uma barbearia privada não receba só no seu interior homens e cães.’

O resto está aqui.

O melhor mês de sempre d’O Insurgente

Janeiro de 2015 foi o melhor mês de sempre em termos de audiências n’O Insurgente com mais de 279.000 visitas registadas no site.

No que diz respeito a outros canais de divulgação, para além das muitas pessoas que seguem O Insurgente através dos mais variados readers e por email, a página d’O Insurgente no Facebook agrega já mais de 5.600 pessoas e o blogue conta também com mais de 1.600 seguidores via Twitter.

Obrigado a todos os leitores pela preferência.

Mahmoud Charlie Abbas, o novo crítico dos cartoons

abbas

As forças blasfemas atacam onde menos se espera.

Palestinian president Mahmud Abbas has ordered an investigation into a drawing of the Muslim Prophet Mohammed which appeared in a West Bank newspaper, local media reported Tuesday.

The cartoon, which appeared Sunday in Al-Hayat al-Jadida, depicted what appeared to be a giant Mohammed standing on top of the world, sprinkling grains of love and acceptance from a heart-shaped satchel.

Palestinian news agency Wafa quoted Abbas as deeming it “necessary to take deterrent measures against those responsible for this terrible mistake.” (…)

Abbas joined world dignitaries including Israeli President Benjamin Netanyahu on a symbolic march through the streets of Paris days after the attack. (…)

Bel’Miró

bel-miro
Auto-retrato de Bel’Miró por Bel’Miró

Hoje é um grande dia para a Cultura n’O Insurgente.

Não obstante os ocasionais contributos culturais da Maria João Marques, da Graça Canto Moniz, do Rodrigo Adão Da Fonseca e do Carlos M. Fernandes, entre outros, a verdade é que esta sempre foi uma área marginalizada n’O Insurgente.

A falta de apoios estatais, assim como por parte da SPA, explica em parte esta lamentável situação, mas não pode isentar um meio de grandes audiências das suas responsabilidades Culturais perante a Comunidade.

Assim, é com muito gosto que anuncio que, após longas e complicadas negociações com o Artista e os seus agentes e advogados, O Insurgente passa a partir de hoje a contar com a colaboração do Grande Bel’Miró (ou, como ele mesmo modestamente prefere designar-se, Bel’Miró, o Magnífico), uma inegável referência Cultural nacional e internacional.

Bel’Miró será o comentador Cultural residente d’O Insurgente, não ignorando contudo que, para um verdadeiro Artista, toda a Cultura é Política e toda a Política é Cultura.

Mais uma conspiração sionista revelada

km

Desta vez a sorte coube ao Krav Maga. É preciso estar atento à Angelina Jolie, ao Brad Pitt, aos ginásios, academias e federações por esse mundo fora.

(…) Mashregh warns that Israel is now undertaking “mysterious activities” involved in spreading Krav Maga worldwide. The news site concludes that it cannot yet give an answer as to what is behind Israel’s plot to spread the martial art, but notes that the dangerous trend should be observed.  Mashregh’s comments come amid reports that Hollywood celebrities, particularly Brad Pitt and Angelina Jolie, are taking lessons in Krav Maga.  Mashregh regularly features articles accusing Israel and Hollywood of various covert plans for world domination. In 2012, the news site wrote that Israel and Hollywood were working together to promote homosexuality as part of a global plot to subjugate humankind in a plot based in Tel Aviv, which Mashregh described as the “gay capital of the world.”

Socialist delusion

kafka

Escreve o Joaquim Couto no Portugal Contemporâneo

O capitalismo moderno, assente na propriedade privada, na livre-iniciativa, nos mercados, na concorrência e num sector financeiro independente, não funciona em Portugal. Era bonito o sonho, pá! Mas acabou-se, acordamos e constatamos a realidade.

 

O que às vezes entristece é ver liberais (ou os que dizem que o são) adoptar a retórica e a linguagem socialista. A ver: capitalismo, desde pelo menos Marx que o inventou, não é assente em nada disso, capitalismo é só a propriedade privada dos meios de produção, mais nada. O resto é mercado livre. E sendo assim, onde tem andado o mercado livre em Portugal? É que eu não dou por ele. O que existe é o que os americanos chamam crony-capitalism, um sistema em que os meios de produção sendo nominalmente privados são na realidade condicionados, decididos e orientados pelo Estado e por quem o gere episodicamente. Mercados? Quais mercados? Os dos preços administrativamente fixados (ver Bancos) ou quando não o são, via concessões e protecção a interesses especiais como é o caso da GALP ou da EDP? Qual concorrência? A que põe a ASAE, o Fisco e todo o poder do estado em cima das PME impedindo-as de crescer e combater os instalados? Qual sector financeiro independente? O que há décadas vive de legislação até fiscal que o favorece, o que financia Partidos e interesses espúrios ligados à captura do estado? Um bom exemplo é o BCP. De um Banco revolucionário e que modernizou sozinho todo o sistema financeiro, tornou-se propriedade partidária de facto à custa da única vez que se deitou na cama com o Governo e fez um favor a Guterres, Sousa Franco e Vítor Constâncio, sabe-se lá em troca de quê.

O envolvimento patético dos “capitalistas” na ruína do País, a falência das grandes empresas e o compadrio descarado, assim como o desrespeito total pelos pequenos acionistas e pela poupança privada, demonstram o óbvio: o capitalismo não cai bem connosco.

Qual envolvimento patético? Há 390 mil empresas em Portugal, 390 mil proprietários de meios de produção. É capaz de afirmar quantos destes 390 mil estão envolvidos na ruína do país? Veja lá bem quem são, onde, como e quando esses seus “capitalistas” se envolveram na ruína do país e quem é o Deus Ex-Machina deles todos. E quando o perceber, falaremos então de capitalismo, mercado livre e Portugal.

Para já fico por aqui e quanto à conclusão do Professor Pedro Arroja (por quem tenho grande apreço e respeito) vale o que vale e é muito pouco nesta altura, holismos não costumam dar grande resultado e normalmente dão em tragédias. Continuo a considerar que ele está a percorrer um círculo e há-de voltar ao sítio de onde partiu, é uma questão de tempo.

No Fio da Navalha

O meu artigo de hoje no ‘i’.

Agosto em Paris

A 2 de Agosto de 1914, o fotógrafo francês Charles Lansiaux, decidiu começar a fotografar Paris durante a guerra. Era a primeira mundial e tinha-se iniciado há cinco dias; duraria mais de quatro anos. Uma guerra infindável para quem supunha que se resolveria em poucas semanas; terrível para quem não imaginava estar perante o primeiro sinal do que viria a ser o século xx.

Quase 2 mil fotografias de Lansiaux estiveram expostas na primeira metade deste ano na Bibliothèque de la ville de Paris. Dessas, cerca de 247 foram tiradas em Agosto de 1914. E o que se retira das obtidas nesse período muito curto, faz agora 100 anos, é, não ainda o despertar para a realidade mas a suspensão do tempo que anuncia algo de mau.

Enquanto as primeiras fotos nos mostram multidões a ler jornais que anunciavam o início das hostilidades, mais as listas que mobilizavam os homens para o conflito, as seguintes são já as despedidas dos novos soldados e a chegada dos primeiros refugiados. Até que há uma que nos faz suster a respiração: tirada a partir da place Saint-Michel, nela vimos a ponte com o mesmo nome vazia. Paris espera, não sabendo ainda o quê.

Os espaços vazios estão cheios dos homens que não voltaram. São fantasmas que podiam estar ali, mas saíram ao encontro de algo estúpido e inútil. Paris devia estar silenciosa naquele mês de Agosto. Vazia de homens e cheia de um silêncio que falava e que ninguém conseguia ouvir.

 

A solução para o BES

Continuo sem perceber as referências do Paulo Guinote aos supostos melhores dias da “insurgência”, agora a propósito do BES.

Mantenho integralmente a opinião sobre este discurso de Pedro Passos Coelho. O que em nada me impede de criticar o que acho que deve ser criticado.

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