Junho 5, 2011
O povo é parvo ou não é?
A senhora Aiveca do BE, reforça a importância para a vida política do novo parlamento. Reconhece a derrota do BE e refere que se assiste a uma vitória da direita e da sua agenda – que não foi discutida.
Março 9, 2011
Contagem decrescente
A partir de hoje, o período de tempo que restar a José Sócrates no poder será apenas directamente proporcional à cobardia de Cavaco Silva para assumir as suas responsabilidades mais elementares.
Janeiro 28, 2011
O Público explica: Cavaco teve um “discurso infeliz” e um mau discurso “pode até matar”
Este artigo no Público começa da forma enviesada que caracteriza o jornal, mas acaba de forma verdadeiramente inacreditável: Porque fez Cavaco um discurso vingativo?
Aqui está o início, ao estilo do “jornalismo de intervenção” de inspiração e tiques bloquistas que cada vez mais caracteriza o Público:
Após o anúncio da sua vitória nas eleições presidenciais, o discurso de Aníbal Cavaco Silva surpreendeu todos pela falta de magnanimidade. Em vez de falar do futuro, o Presidente reeleito referiu-se com rancor aos ex-adversários. Porquê? Foi um deslize ou uma mensagem? Que consequências pode ter um discurso infeliz?
Cavaco Silva só saiu de casa quando foram divulgados os resultados definitivos. Era o vencedor inequívoco e tranquilo de uma corrida de seis candidatos: obteve mais de 52 por cento dos votos, contra menos de 20 por cento de Manuel Alegre, o segundo candidato. Os seus adeptos (e, mais ainda, os adeptos das outras candidaturas) esperavam um discurso magnânimo, próprio de um chefe de Estado. A tradicional promessa de ser “o Presidente de todos os portugueses”, depois de uma campanha por vezes agressiva, como são todas. Mas no domingo à noite Cavaco surpreendeu. Em vez de falar do futuro, remoeu as ofensas do passado. [destaques meus]
Depois de uma série de referências empilhadas de forma descontextualizada sobre a história política dos EUA e de repetidamente condenar o discurso de Cavaco Silva, o artigo conclui com a seguinte observação:
Um mau discurso dá azar, pode ser muito perigoso. Pode até matar. No dia da sua tomada de posse, a 4 de Março de 1841, o presidente William Henry Harrison proferiu aquele que é unanimemente considerado o pior discurso da História da América. Perante uma assistência de milhares de pessoas, ao ar livre, no meio de uma tempestade de neve, Harrisson debitou durante mais de duas horas o seu relambório de 49.647 caracteres, na maioria dos quais perorava, inexplicavelmente, sobre o Império Romano. Foi fatal. No dia seguinte caiu doente, com uma pneumonia, de que viria a morrer um mês depois. [destaques meus]
Leitura complementar: O Público e a mentalidade bloquista; Todo um programa…; O legado de José Manuel Fernandes e o futuro do Público; O Público e o Bloco de Esquerda.
Rui Pereira ainda é Ministro? (5)
Declarações oportunas de Pedro Passos Coelho sobre um caso que não deve ser encerrado sem serem assumidas as devidas responsabilidades políticas pelos graves incidentes do passado dia 23, os quais levaram a que milhares de eleitores portugueses não votassem quando era sua intenção fazê-lo: Passos Coelho critica que Rui Pereira “nem se demitiu nem foi demitido”
“Este não é um erro burocrático, administrativo, pelo qual baste pedir desculpas. Como cidadão, aquilo que eu teria esperado era que quem tem responsabilidade política tivesse logo tirado consequências. Não é preciso estar a oposição ou o país a pedir a demissão de ninguém”, declarou Passos Coelho aos jornalistas, no final de uma visita a uma empresa, em Oeiras.
“O ministro nem se demitiu nem foi demitido, o que já diz tudo da maneira como o Governo encara estes processos”, acrescentou.
Leitura complementar: Rui Pereira ainda é Ministro? (4)
Janeiro 27, 2011
Rui Pereira ainda é Ministro? (4)
Milhares de eleitores não votaram devido a falhas do Ministério da Administração Interna e há quem queira fazer disso – sem que o governo perceba bem por quê – um problema político: Director da Administração Eleitoral propôs aviso aos eleitores mas processo ficou a meio
O aviso interno foi feito com bastante antecedência, em Agosto: a Direcção-Geral da Administração Interna (DGAI) deveria enviar aos detentores do cartão de cidadão um aviso com o novo número de eleitor e a freguesia onde deveriam votar nas presidenciais de domingo. Mas tal não foi feito e as eleições ficaram marcadas por casos de eleitores que não puderam votar.
Quatro dias depois do sucedido, Rui Pereira ainda não se demitiu nem foi demitido.
Leitura complementar: Rui Pereira ainda é Ministro? (3); Rui Pereira ainda é Ministro? (2); Rui Pereira ainda é Ministro?
Janeiro 26, 2011
Rui Pereira ainda é Ministro? (3)
A resposta, pelo menos para já, é sim. E, incrivelmente, parece que vai continuar a ser: Director-geral da Administração Interna demite-se
O director-geral da Administração Interna e o director da Administração Eleitoral pediram a demissão na sequência dos problemas registados no passado domingo durante as eleições devido às dificuldades que milhares de eleitores tiveram em votar.
Leitura complementar: Rui Pereira ainda é Ministro? (2); Rui Pereira ainda é Ministro?
Informação com poder explicativo
Depreendi, por observação do boletim de voto, que Defensor Moura é Defensor de nome próprio. Não lhe invejo a infância.
Da Perseverança
Um colega meu iniciou o Domingo passado tentando votar. Apesar de não ter mudado de residência, foi informado que teria de votar noutro local. Deslocou-se ao novo local, onde passou uma enormidade de tempo numa fila para saber o número de eleitor e respectiva mesa de voto. Quando chegou a sua vez, o senhor que operava o único computador disponível disse-lhe que um problema informático estava a dificultar a obtenção dos dados. Voluntarioso e perseverante, o meu colega foi para trás do balcão e ajudou o senhor a resolver o problema informático. Obteve finalmente os dados necessários. Tinham entretanto passado mais de três horas. Dirigiu-se à respectiva mesa de voto. Votou em branco.
Janeiro 25, 2011
Distritos com maior votação para José Manuel Coelho
1 – Madeira: 39,01%
2 – Açores: 4,54%
3 – Castelo Branco: 4,49%
4 – Faro: 4,36%
5 – Viana do Castelo: 4,01%
O “segundo” Cavaco
Agora que Cavaco Silva foi eleito para o seu segundo mandato como Presidente da República, parece haver um número relativamente vasto de pessoas que espera que ele “ponha na linha” o Governo. É uma expectativa que não se compreende. É verdade que, na campanha, Cavaco terá prometido uma “magistratura actuante” (a pessoa responsável por este slogan merecia viver para a eternidade num país governado por José Sócrates), mas nada garante que daí venha algum bem. Aliás, se olharmos para os últimos cinco anos, para o mandato que Cavaco Silva realizou, os únicos sinais que se vislumbram são de que pouco de positivo pode ser esperado. Durante cinco anos, Cavaco Silva viu o Primeiro-Ministro mentir (ao Parlamento, aos cidadãos), ser envolvido em negócios obscuros, ignorar a situação dramática do país, em resumo, arrastar a vida política portuguesa para um lamaçal cada vez menos digno. Durante esses cinco anos, Cavaco parece não ter achado que o “regular funcionamento das instituições” estava ameaçado, parece ter achado que seria melhor manter o Governo no poder do que provocar uma crise política, o que, dado o particular grau de gravidade a que as coisas chegaram, me parece evidenciar pobres faculdades de julgamento. Dirá o leitor que Cavaco apenas manteve o Governo no poder porque estava no seu primeiro mandato, e provocar uma crise política arriscaria a sua recondução no cargo; agora, reeleito, sentir-se-á livre para tomar a opção correcta (aparentemente, é esta a opinião dos dirigentes do PSD, que salivam com a perspectiva de governar de mãos atadas. Cada um tem as manias que tem). A ser verdadeira, não me parece que esta hipótese seja mais abonatória de Cavaco. Entre um presidente com mau julgamento, e um presidente com bom julgamento mas disposto a sacrificar o país em benefício dos seus interesses pessoais, não vejo grande diferença. Seja qual for o verdadeiro “primeiro” Cavaco, não faz antever nada de bom vindo do “segundo”.
Rui Pereira ainda é Ministro? (2)
O direito ao voto não está, ao que parece, incluído no impressionante conjunto de direitos garantidos pelo Estado Social Português.
Rui Pereira ainda é ministro ?
Calamidades que por acaso não aconteceram. Por Pedro Magalhães.
Cavaco: 50,1%
Cavaco: 49,9%
Cavaco: menos de 50.
Alegre: 19,8%
Nobre: 19,7%Imaginem o problema que teríamos em mãos neste momento se uma destas coisas tivesse acontecido…
Distritos com menor votação para Manuel Alegre
1 – Madeira: 7,68%
2 – Viana do Castelo: 13,17%
3 – Leiria: 14,58%
4 – Viseu: 15,71%
5 – Aveiro: 17,55%
Distritos com maior votação para Manuel Alegre
1 – Portalegre: 26,42%
2 – Beja: 25,4%
3 – Açores: 25,13%
4 – Évora: 24,65%
5 – Setúbal: 23,48%
Distritos com menor votação para Cavaco Silva
1 – Beja: 33,31%
2 – Setúbal: 36,57%
3 – Évora: 37,63%
4 – Madeira: 44,01%
5 – Portalegre: 44,69%
Distritos com maior votação para Cavaco Silva
1 – Vila Real: 65,47%
2 – Bragança: 65,11%
3 – Viseu: 64,97%
4 – Leiria: 61,64%
5 – Aveiro: 60,69%
Jogo de soma negativa (2)
Derrotados. Por Nuno Gouveia.
Houve muitos derrotados nas presidenciais de ontem. Mas gostava de destacar uns em particular: a ala do Bloco de Esquerda que sonha com o poder. Uma franja, que até ocupa um espaço considerável no panorama mediático, cujos objectivos passam objectivamente pela partilha de poder com o Partido Socialista. Sem nunca o admitirem em público, tudo fizeram para esta convergência (falhada) da esquerda em redor de Manuel Alegre, já a pensar numa futura coligação entre o BE e o PS pós Sócrates.
Felizmente, é o PS que está no poder
Nossa Senhora da Boa Hora velou por nós. Por Helena Matos.
Alguém supõe o tumulto que iria gente neste país caso MFL fosse primeira-ministra e no dia da eleição presidencial tivesse acontecido algo de vagamente semelhante ao que ocorreu neste Domingo com pessoas por todo o país sem poderem votar? A esta hora Manuel Alegre já não se distinguia de Humberto Delgado, sobre Cavaco Silva cairia a irremediável suspeita de ter ganho graças a tal apagão e Manuela Ferreira Leite estaria a ser pressionada para se demitir. No Porto, o pianista Burmester já estaria amarrado ao Bolhão e o Abrunhosa liderava uma manif em frente à câmara. Em Lisboa, o BE convocava manifes por sms e o dom Januário convocava vigílias para a capela do Rato.
Janeiro 24, 2011
Números esmiúçados
E integrais, no blog Os Comediantes.
Escreve Carlos Abreu Amorim, é a campanha da desinformação que já ontem tinha sido levada a cabo por Pedro Adão Silva e Luís Delgado na SIC Noticias. Nunca é demais referir: em 2001, estavam inscritos 8.950.905 eleitores. Em 2011 o número de inscritos, após a “limpeza” dos cadernos eleitorais a que CAA faz referência, disparou para 9.629.630. São só 678.725 eleitores a mais. Portugal deve ser dos países no mundo com maior crescimento populacional. Ou isso, ou desde 2008 terão sido acrescentados cerca de 600 mil eleitores por via do recenseamento automático e a “limpeza” dos cadernos eleitorais deixou muito a desejar.
Boticas (Vila Real) e Algoso (Bragança): o verdadeiro Cavaquistão
O recuo registado em Vagos (distrito de Aveiro) para os 79,05% fez com que Boticas (distrito de Vila Real) possa reclamar o título de verdadeiro Cavaquistão de 2011, com uns impressionantes 79,42%.
Desagregando mais um nível, destaco os consistentes 91,5% obtidos por Cavaco Silva em Algoso (concelho de Vimioso, distrito de Bragança), ainda assim um recuo percentual face aos 93,39% de 2006, o que não pode deixar de ter uma leitura política. Noto que apesar do empenho do Alberto Gonçalves, Cavaco Silva não foi além de uns modestos 55,27% na freguesia de Vimioso.
Eleitores que não puderam votar nas presidenciais
Abstenção forçada. Por Adolfo Mesquita Nunes.
Fosse o governo menos canhoto e esta história de centenas (milhares?) de eleitores terem sido impedidos ou dissuadidos de votar seria a derradeira demonstração, a somar à eleição de um Presidente vindo da direita neoliberal que tem na especulação financeira a sua razão de existir, de que a longa noite do fascismo tinha voltado para nos roubar a liberdade de Abril.
Como é o PS que está no governo a comandar a nossa administração interna, a coisa não passa de um insignificante, mas chato, problema informático.
Um consolinho para a esquerda bloquista e alegrista
Um consolinho para aquela esquerda que está a lamber as feridas. Por LR.
Para além do valor recorde da abstenção que, como é sabido e já foi oportunamente apontado por mui ilustres pensadores, tira toda e qualquer legitimidade a Cavaco, nesta eleição registou-se mais um triste máximo da III República: ao nível dos votos brancos e nulos, que atingiram a espantosa cifra de 6,2%, quase o score do camarada Lopes. A grande maioria destes votos e a quase totalidade dos conquistados pelo José “Tiririca” Coelho, foram o beijo de Judas de cavaquistas despeitados, a ansiarem perfidamente por uma crucificação no 2º round. Estamos a falar de quase 10% do eleitorado que virou costas a Cavaco. Se isto não é uma catastrófica débacle eleitoral, vou ali e já venho.
Mas se a malta que votou branco e nulo quis tramar Cavaco, deu um tiro no pé. Acontece que, por intrigantes razões que desconheço e ao contrário do que ocorre em todas as outras eleições, nas presidenciais estes votos não são considerados como validamente expressos para efeito de determinação da percentagem de cada candidatura. Assim o fossem como acontece por exemplo nas legislativas e lá teria Cavaco de ir à prova dos nove da 2ª volta. Não só nestas, mas também nas anteriores eleições. Com efeito, se fossem considerados os votos brancos e nulos, a % de Cavaco reduzir-se-ia para 49,6% em 2006 e 49,7% em 2011, sendo o único de todos os presidentes eleitos que, com a alteração do critério ficaria abaixo da linha dos 50%.
Comparação entre as presidenciais de 2006 e as de 2011
Entre o Candidato das Marquises e o Candidato das Perdizes: Descubra as Diferenças. Por JCD.
José Manuel Coelho derrotou Cavaco Silva no Funchal
Dados que merecem reflexão:
José Manuel Coelho: 41,45% (20.414 votos)
Cavaco Silva: 38,65% (19.036 votos)
Manuel Alegre: 8,76% (4.313 votos)
Fernando Nobre: 8,01% (3.944 votos)
Francisco Lopes: 2,37% (1.166 votos)
Defensor Moura: 0,77% (380 votos)
Reeleição de Cavaco à primeira volta não “acalmou” os mercados
Por favor… Por Miguel Noronha.
Alguém avise os maléficos especuladores que não vai haver segunda volta nas presidênciais.
A votação de José Manuel Coelho na Madeira, Jardim e o PS
É só fazer as contas. Por Helena Matos.
(…) é inexplicável como se vê nos 39,01 do dito Coelho uma ameaça apenas para Jardim e para o PSD. Alegre obteve 7,60 na Madeira. Se se pretende ver nos 44,01 que Cavaco obteve na Madeira um futuro problema para Jardim, o que será que para o PS/Madeira se vê neste resultado de Alegre ?
Energia eólica prejudica candidato progressista
Após, nos anos 60, um amargurado Manuel Alegre perguntar insistentemente novas do seu País ao vento, que olimpicamente o desprezava e nada lhe dizia, a ventania ciclónica que se fez sentir ontem em todo o território continental veio enfim condescender em dizer algo ao velho combatente de mil lutas, apenas para lhe dizer que não vale meio Cavaco e, pior, que vale apenas quatro palhaços madeirenses. Manuel Alegre reagiu de imediato, ainda que continuasse manifestamente agrilhoado ao seu confrangedor papel de apoiado pelo BE e pelo PS. “Este vento maldito resulta da alterações climáticas provocadas pelo imperialismo desenfreado dos ianques e pelo neo-liberalismo da banca que financia as petrolíferas”, explicou, antes de acrescentar que, “porém, a ventania prova o acerto na aposta do engenheiro Sócrates em energias renováveis, nomeadamente na energia eólica”.
In Inimigo Público.
Que grande surpresa!
O PPM começa a responder à dúvida que eu e certamente muito outros temos. E se se verificar que foi o governo que patrocinou as informações – como Cavaco Silva evidentemente desconfia – serão muito interessantes de acompanhar as cenas dos próximos capítulos. Porque Cavaco, agora e para pesadelo de Sócrates, só tem de fazer contas perante si próprio. Até perante a História Cavaco deve ter a mesma posição de Churchill: será benigna porque a escreverá ele. (Mais uns livros da autobiografia política nos esperam.)
Quantos votos perderam Cavaco e Alegre ?
Relativamente às eleições de 2006, Cavaco teve menos 536 mil votos. Alegre perdeu 295 mil votos.
Um bom começo
Uma perspectiva histórica das eleições presidenciais (Brancos + Nulos):
- 1976: 63.495
- 1980: 60.090
- 1986 (1ª volta): 64.043
- 1986 (2ª volta): 54.280
- 1991: 180.914
- 1996: 132. 791
- 2001: 127.901
- 2006: 102.785
- 2011: 277.702
Enquanto que na abstenção se pode usar várias – e válidas – justificações para não se ter ido votar (frio, desinteresse, problemas com o cartão do cidadão, etc), os votos em branco e nulos mostram o real descontentamento de muitos eleitores pois estes tiveram o trabalho de se dirigir às urnas para dizer que nenhum dos candidatos mereceu o seu voto. Como o jtcb já referiu: “estamos conversados quanto à dimensão e ao crescendo do protesto”.
E tendo em conta o geral desinteresse do eleitorado nas políticas defendidas pelos diferentes candidatos, estou tentado a também categorizar a votação em Fernando Nobre e Manuel Coelho como “votos de protesto”…
A sério
Assim se justificam os poderosos 19,75% e um mapinha nacional a dar para o Cavaquistão (distrito de Beja e Açores incluídos) . Vale a pena perceber as explicações dos assessores de Alegre.
Cavaco e a direita
Mais umas coisas. Por Maria João Marques.
Entre quem, à direita e ao centro e até ao centro-esquerda, não votou em Cavaco, há quem o tenha feito não por embirrância ou snobismo. Há quem o tenha feito por não suportar que Cavaco não tenha dado um pontapé constitucional neste PS. Se todos os votos de protesto contra Sócrates tivessem beneficiado Cavaco, este teria ganho por muito mais.
Cavaco não precisou de nascer uma segunda vez para derrotar os opositores
Por boas ou más razões, a verdade é que o (re)levantamento do caso BPN (tal como alguns ataques tardios disparatados a Cavaco com origem governamental) acabou por dar uma preciosa ajuda à mobilização de uma parte do eleitorado potencial de Cavaco Silva. Tivesse a estratégia sido outra e era bem possível que estivéssemos agora a discutir a 2ª volta das presidenciais: Cavaco: “A vitória da verdade sobre a calúnia”
Para Cavaco, “o povo português não se deixou enganar”: “A honra venceu a infâmia.”
Já a terminar, garantiu que será “um referencial de confiança, sem abdicar dos poderes que a Constituição” lhe garante. Assegurou que terá “uma magistratura activa” e de “influência” e prometeu ser “o Presidente do povo, que nunca vendeu ilusões aos portugueses”.
Após a declaração, Cavaco não permitiu perguntas aos jornalistas.
Leitura complementar: Quanto mais suja a campanha, mais votos terá Cavaco; O caso que poderia ser mas não é; O casamento civil entre Cavaco e Sócrates.
Janeiro 23, 2011
Cavaco e o resto
Uma vitória clara. Por Miguel Noronha.
Cavaco Silva venceu de forma clara o maior grupo de ineptos que alguma vez se candidatou contra um presidente eleito. Foram tantos os tiros no pé e as facadas nas costas nas cadidaturas adversárias era difícil não ganhar à primeira.
O vencedor, além de Cavaco: Pedro Passos Coelho
Um dos vencedores da noite foi, sem dúvida, Pedro Passos Coelho. Não apenas por ter apoiado o candidato vencedor, mas sobretudo por o ter feito na medida certa e – e ao contrário de tantos outros dossiers que conduziu – nos tempos certos e com sensatez e ponderação. Desde os tempos da candidatura das directas, quando havia quem esperasse (e desejasse) que PPC emulasse o fogo-fátuo Menezes, que anos antes havia manifestado o desagrado com Cavaco Silva, declarou o seu apoio a uma eventual recandidatura. Depois disso, apesar do incómodo de inúmeros dos mais vocais apoiantes passistas, ficou serenamente a aguardar a esperada recandidatura e, quando esta chegou, apoiou-a sem equívocos. E, para não ficar excessivamente na sombra de Cavaco e não aparentar querer associar-se a uma vitória de Cavaco Silva, compareceu com parcimónia na campanha, ainda que as estruturas do PSD e da JSD se tenham empenhado nesta candidatura, discreta mas eficazmente. Fê-lo ao arrepio de simpatias pessoais, o que só aumenta o mérito das acções, que o país não está para aguentar enfados pessoais. Muito bem - e eu que tanto tenho criticado PPC não posso deixar de o reconhecer.
Next!
Começará amanhã a procura de um candidato para daqui a 5 anos substituir Cavaco Silva na presidência.
Que não seja um socialista envergonhado.
Cavaco atira a toalha ao chão
Cavaco desafia a comunicação social a revelar quem orquestrou a campanha que o associou ao BPN e à SLN antes das eleições. O DN, estou certa, e dada a apetência que tem por revelar fontes alheias, certamente acederá. Já na sexta-feira, na SICN, Ricardo Costa afirmava que o caso da vivenda de Cavaco havia chegado a todas as redacções ao mesmo tempo e com os documentos todos prontinhos.
Seria, de facto, interessante sabermos quem entregou estas informações à comunicação social. Até para percebermos se estiveram fundos públicos envolvidos na preparação desta documentação.
Caro Professor
Agora vamos lá esquecer os eleitoralismos esquerdistas de sugerir aumentar os impostos em vez de diminuir os salários da função pública, ou de pretender que os privados (que pagam há alguns anos com salários congelados, redução nos prémios e nos benefícios, desemprego,…) devem ser ainda mais sacrificados agora que os funcionários públicos também foram penalizados. Tiradas destas são indignas da pessoa sensata que alertou para o crescimento d’O Monstro’, que previu que nos colocaríamos numa ‘situação explosiva’, que entende perfeitamente como o despesismo estatal sufoca os agentes económicos e que, além disto, se comprometeu a falar verdade aos portugueses.
WtF…
Primeira reacção aqui da plateia à minha beira depois do discurso de vitória do sr presidente:
um enorme bocejo…
e eu pergunto: mas quem é que escreve aqueles discursos?…

