Prevejo que, na melhor das hipóteses, a manter-se como deputado, Fernando Nobre vai acabar a presidir a uma comissão parlamentar, provavelmente a de saúde. O cargo é prestigiante. Mas, para quem se candidatou, com poucos meses de intervalo, a ocupar os dois lugares mais altos da hierarquia do estado, não é mais do que uma consolação embaraçosa. Triste fim.
Junho 20, 2011
Junho 9, 2011
Sobre as sondagens
SONDAGENS. Por Paulo Morais.
Em primeiro lugar, as sondagens constituem uma estimativa da intenção de voto num dado momento, mas são interpretadas pelo público, e até pelos media, como uma previsão. É necessário dissipar esta confusão. Impõe-se que os institutos passem a apresentar não só o resultado das sondagens, mas que expliquem também de que forma estes podem antecipar (ou não) os resultados eleitorais.
Sobre as sondagens. Por Pedro Magalhães.
As empresas, pela voz dos seus responsáveis, já frequentemente assinalam que intenções de voto não são previsões. Lamentavelmente, essa argumentação é um bocado descredibilizada quando vêm depois a público reclamar sem mais que as suas sondagens foram as que mais se aproximaram dos resultados eleitorais como se isso tivesse um significado mais especial do que aquilo que tem.
Junho 7, 2011
Distritos em que o PSD mais subiu
Analisando a evolução das percentagens de votação obtidas pelo PSD entre 2009 e 2011, estes são os cinco distritos nos quais o PSD mais cresceu nestas legislativas:
Beja: +61%
Setúbal: +53%
Évora: +45%
Algarve: +42%
Santarém: + 40%
Dados que permitem realçar o extraordinário resultado conseguido pela lista liderada pelo Carlos Moedas em Beja e também a notável progressão do PSD em Setúbal, distrito no qual aliás o CDS também cresceu de forma muito significativa.
Junho 6, 2011
A direita é que paga
Ouvi hoje o Jerónimo de Sousa dizer que a vitória da direita se deu porque os portugueses quiseram castigar as políticas de direita do PS. Há por aí alguém que tenha percebido a lógica da coisa?
Próximo ministro das Finanças? (2)
Na sondagem insurgente no Facebook Medina Carreira é, actualmente, o favorito!
Change
A parte em que se afirma que Passos Coelho “is known as as a staunch free-market liberal” é responsabilidade da – discutível – interpretação dos autores da notícia:
Passos Coelho’s victory reflected a desire for ‘strong change’ among the Portuguese, on whose discontent the conservatives had capitalized, political analyst Andre Azevedo Alves said.
Revista de imprensa
Post dedicado ao nosso futuro PM
E depois da festa eis que ressurge a dura realidade. E, conhecidos que são os dotes vocais do nosso futuro PM, não resisto a dedicar-lhe as duas primeiras quadras do “Yesterday” da autoria de Paul McCartney e imortalizada pelos The Beatles.
“Yesterday,
All my troubles seemed so far away,
Now it looks as though they’re here to stay,
Oh, I believe in yesterday.
Suddenly,
I’m not half the man I used to be,
There’s a shadow hanging over me,
Oh, yesterday came suddenly.”
Ou muito me engano, ou estas linhas devem descrever na perfeição o actual estado de espírito de Pedro Passos Coelho. E não será apenas uma; na verdade são muitas as sombras que pairam sobre ele…
Sabedoria colectiva dos leitores dO Insurgente bate novamente empresas de sondagens
Mais uma vez, a média das previsões dos participantes no Grandioso Passatempo Insurgente esteve mais próxima do resultado final destas legislativas do que, não só todas as sondagens dos dias anteriores às eleições, mas também mais próxima do resultado final do que todas as sondagens à boca das urnas. O resultado deste passatempo, que se iniciou na passada quarta-feira, foi o primeiro elemento a indicar uma vantagem de cerca de 10 pontos percentuais para o PSD e um resultado do PS abaixo dos 30%.
Muitos parabéns a todos os que participaram por demonstrarem como a sabedoria política colectiva dos leitores dO Insurgente se continua a sobrepôr aos métodos das empresas de sondagens.
Resultados nacionais vs média das previsões dos leitores d’O Insurgente:
PSD 38.6 vs 38.8
PS 28.1 vs 29.8
CDS 11.7 vs 12.7
CDU 7.9 vs 7.8
BE 5.2 vs 6.2
PCTP-MRPP 1.1 vs 0.7
Quanto ao passatempo em si, desta vez o prémio saiu à casa, com o vencedor a ser o Tiago Loureiro. O segundo classificado foi um tal de Carlos Guimarães Pinto e em terceiro ex-aequo ficaram os leitores Luis Pereira e Rita Pinto.
Mitos
Pela primeira vez um primeiro-ministro eleito perdeu umas eleições legislativas em que de novo se candidatou.
Indícios
O CDS teve as suas melhores votações nos meios urbanos e nas secções dos eleitores mais jovens.
A “maioria”
Votaram nos partidos que vão formar governo (PSD + CDS) cerca de 28% dos portugueses…
Junho 5, 2011
PBN: o partido sem representação
O Partido dos Brancos e Nulos aproxima-se perigosamente do Bloco de Esquerda, o último partido com representação parlamentar.
E, mais uma vez, ninguém fala neles, mas os votos brancos e nulos continuam a crescer. Hoje somaram 223.338 votos. Não são eleitores que encolheram os ombros e preferiram ir para a praia. São os votos, tão legítimos como quaisquer outros, de mais de duzentos e vinte mil de eleitores portugueses que não se revêem em nenhum dos partidos que se candidataram a estas eleições.
Quando se pensa sobre a democracia em Portugal, este é um número que não pode ser esquecido.
Dois insurgentes no parlamento
Michael Seufert (pelo Porto) e Adolfo Mesquita Nunes (por Lisboa). Parabéns a ambos!
Um bom resultado
Mesmo não alcançando a maioria absoluta e tendo uma percentagem de votos menor que em 2002, o PSD consegue inequivocamente um bom resultado. Considerando que o PS levou o país a um pedido de ajuda externa, era legítimo aspirar a mais, mas tendo em conta a forma como decorreu a primeira parte da campanha, o resultado acaba por superar as expectativas criadas e garantir o mais importante: o afastamento de Sócrates e uma maioria parlamentar de direita.
Já se vêem vantagens
O inglês técnico de PPC é bastante melhor do que o inglês técnico de sócrates.
PS, Pós-Sócrates
Depois de Sócrates – e com pouco espaço à esquerda – o PS precisa desesperadamente de se reinventar.
E a maioria sociológica de esquerda?
É certo que PSD defende sobre si próprio com assertividade (pelo menos) que não é de direita, mas os seus eleitores fiéis serão, de facto, de direita e vai buscar (a espaços) o eleitorado de centro que tanto vota à esquerda como à direita. Em todo o caso, nos tempos de Cavaco Silva, PSD e CDS somados tinham cerca de 56% dos votos. Esta noite, e com um líder do PSD que não entusiasmou, PSD e CDS somados (e com proporções totalmente diferentes), têm mais de 50% dos votos. Cavaco Silva, no seu tempo, era visto (erradamente) como um reaccionário; PPC é visto (erradamente) como um liberal. Lamento, mas é conveniente informar os jornalistas e comentadores políticos – esses sim em maioria absoluta de esquerda – que os eleitores tanto votam à esquerda como à direita e que talvez devam deixar de apresentar o país como um espelho seu.
Uma oportunidade perdida
Integralmente de acordo com o LR: nestas eleições, apesar dos bons resultados obtidos pelo PSD e pelo CDS, foi perdida uma oportunidade histórica de conseguir uma maioria de dois terços dos deputados que permitisse uma revisão profunda da Constituição.
Leitura complementar: O problema constitucional português; A Constituição do nosso atraso; O significado da Constituição portuguesa; Ter uma Constituição socialista é um problema; Ter uma Constituição socialista é um problema (4).
Evolução 2009-2011
Com “todas” as freguesias apuradas (expecto 2 não realizadas) esta foi a evolução do número de votos entre as legislativas de 2009 e 2011:
- PSD: +29,7% (+490.675)
- PS: -25,0% (-519.831)
- CDS-PP: +10,0% (+59.197)
- CDU: -1,4% (-6.144)
- BE: -48,4% (-269.986)
- Brancos/Nulos: +26,0% (+46.154)
- Total de votantes: -2,3% (-129.965)
O próximo Governo e o próximo líder do PS
Eleições: Próximo líder do PS deve procurar concertação com outros partidos, defendem politólogos
Para José Manuel Moreira, professor catedrático de Ciências Sociais e Políticas da Universidade de Aveiro, os futuros responsáveis do Governo – seja o PSD em cenário de maioria absoluta, seja em coligação com o CDS-PP – terão de ter a “coragem para aplicar o programa” da ‘troika’ para Portugal e, se possível, “ir ainda mais além”, sendo que para tal será importante a concertação com os socialistas. “O próximo líder do PS terá de operar uma concertação com outros partidos”, afirmou o politólogo.
Portas perdeu uma oportunidade única
Para mim, um dos derrotados da noite. Poderia ter conseguido um resultado histórico hoje se tivesse tido a coragem de se afastar de um discurso socialista. Quis-se colocar à esquerda do PSD, acabou esmagado pelo voto útil.
Pequenos partidos
Em média os grandes partidos precisaram de 20 mil votos para eleger um deputado (apenas 2 mil nos ciclos da emigração). O Pan e o PCTP MRPP com 60 mil votos não conseguem eleger nenhum.
Um grande resultado do PSD em Viana do Castelo
PSD sobe 12pp em relação a 2009. Só desejo que o cabeça de lista seja capaz de defender no parlamento o que de melhor foi defendendo ao longo dos anos na blogosfera.
Sobre o regime semi-presidencial
Os Madeirenses não se importaram de votar num palhaço nas presidenciais, mas quando vieram eleições a sério, voltaram a colocá-lo no seu lugar.
Isto vai dar que falar nos blogs de esquerda
O Insurgente “elege” um Adolfo e um Alemão.
Passos Coelho terá de governar para não ser reeleito
Para Pedro Passos Coelho e para o PSD (e muito provavelmente para Portas e o CDS/PP), o pior está ainda para vir. Não há, realisticamente, nenhuma perspectativa de que as coisas fiquem “melhores” para o país. É preciso que a implementação do programa acordado com o FMI e a UE corra de forma imaculada, que tudo seja feito a tempo e horas (e que seja mesmo feito), e depois, esperar que obtenha os resultados que se espera obter, coisa que muito boa gente diz não ser possível. O Governo precisa de ser perfeito, coisa que não será, e mesmo que fosse, precisaria ainda muita sorte e de uma conjuntura muito favorável. O optimismo que o “eng.” José Sócrates tanto gostava de ver nos portugueses tornou-se uma impossibilidade. É por isso mesmo que passos Coelho e o próximo governo não podem pensar em ser reeleitos. Ninguém vai ficar contente com o que sucederá nos próximos anos. A probabilidade do PSD ser derrotado nas próximas eleições é muito grande. Por isso mesmo, mais vale que governe bem. Já que não pode governar para ganhar eleições, já que não pode governar para bem dos interesses eleitoralistas do “aparelho”, que governe para bem do país. E governar para bem do país é governar, não para escapar às dificuldades que se avizinham, não para adiar e fugir às reformas que nos exigem que façamos, mas para que não tenhamos de voltar a passar por dificuldades semelhantes, para que nunca mais tenhamos de fazer reformas que nos custem tanto a fazer, para que o país não volte a cair no erro de viver de ilusões durante mais de uma década. Passos Coelho tem de perceber que uma derrota em 2015, nas próximas eleições, não tem forçosamente de ser um sinal de que fracassou. Se assim o quiser, pode ser um sinal de que governou bem, de que teve a coragem para fazer as reformas que ninguém quer que se façam, mas de que todos nós precisamos. Sempre tive dúvidas de que Passos coelho percebesse isto. Espero muito sinceramente estar enganado.
Pensando já no futuro
O PSD teve uma boa vitória (os upsides e os downsides ficam para depois). Há algumas directrizes simples que, parecendo que não, serão importantes para a governabilidade do país: i) é conveniente que Passos Coelho seja impedido de cantar em frente a câmaras de televisão e telemóveis avulsos nos próximos quatro anos; ii) ao senhor presidente da câmara municipal de Caldas da Rainha, que começou logo a noite profetizando uma maioria absoluta do PSD e referindo a descida de votação do provável parceiro de coligação do PSD, deve ser explicado o significado da expressão ‘o silêncio é de ouro’.
A esquerda que faz a diferença
Aqueles e aquelas que votaram no Bloco não estão fartos das vitórias nas derrotas? Louçã é grande, capaz e inamovível do tacho.
Previsão dos leitores dO Insurgente
As contas completas serão feitas mais tarde, mas para já posso adiantar que a previsão dos leitores dO Insurgente mais uma vez bateu todas as empresas de sondagens por larga margem.
Um país esquizofrénico
Faltando apurar 94 freguesias, parece que as eleições foram ganhas pelo partido que não é de direita e pelo partido que em alguns assuntos está à esquerda do partido que não é de direita.
José Manuel Pureza e o colapso do Bloco de Esquerda em Coimbra

É oficial. Em Coimbra, José Manuel Pureza não consegue ser reeleito, os bloquistas perdem quase metade dos votos que conseguiram em 2009 e ficam atrás da CDU.
A operação José Manuel Pureza foi o maior fracasso político da história do Bloco de Esquerda. Por aqui, deu-se o contributo possível.
Leitura complementar: O Bloco de Esquerda em Coimbra.
Em 6º lugar
Com ainda 157 freguesias por apurar, o conjunto de votos brancos/nulos já ultrapassou o total das legislativas de 2009. Equivalente a 4/5 dos votos no Bloco de Esquerda…
Alívio
Há uns anos, quando era comentador no Jornal da Noite da SIC, o dr. Santana Lopes partilhava com os telespectadores o seu “estado de alma”: ora estava “animado”, ou “desiludido”, ou outra coisa qualquer (eu ansiei sempre por que ele dissesse que estava f*****, mas infelizmente ele nunca me satisfez). Eu hoje estou “aliviado”. Sempre fui céptico em relação ao PSD de Passos Coelho, por razões que os leitores do Insurgente conhecerão. Não alimento grandes fantasias acerca do futuro do país nos próximos anos, por muito bom que o próximo Governo venha a ser (e espero que as minhas dúvidas em relação a Passos Coelho sejam infundadas). Mas a simples saída do Governo de José Sócrates é, pura e simplesmente, um alívio: vamos deixar de ter de assistir à infindável sucessão de mentiras que durante anos e anos nos foram sendo ditas, não continuaremos a ser presenteados com a retórica totalmente desligada da realidade do país que Sócrates exibia, deixámos para trás o clima vagamente siciliano da pandilha que nos andou a governar. Nos próximos anos, e por muito bom que o governo de Passos Coelho possa vir a ser, continuaremos a empobrecer, continuaremos a enfrentar dificuldades, continuaremos a viver mal. Mas ao menos, respiraremos melhor. Já não é mau.
Que vá pela sombra
O Homem que empurrou meio milhão de pessoas para fora do país em 6 anos e que endividou o país até ao limite, diz que “terá cometido ALGUNS erros”
Crispação
Será que o PS alguma vez vai livrar-se da crispação permanente que desenvolveu sob a liderança de José Sócrates? Os apupos a cada pergunta feita por um jornalista na conferência de imprensa sugere que a coisa está enraizada.

