Uma linha vermelha e de decência

Eslováquia recusa mais ajuda financeira à Grécia

O primeiro-ministro Robert Fico diz que a Eslováquia está “calma” perante a possibilidade de a Grécia sair da Zona Euro se o país se recusar a honrar os seus compromissos e diz ser “impossível” explicar aos eslovacos que têm que pagar salários e pensões na Grécia. (…) “Esta é uma linha vermelha para nós. É impossível explicar às pessoas que os pobres da Eslováquia … devem compensar a Grécia”, afirmou o primeiro-ministro do país da Europa de Leste, que entrou no euro em 2009. “Explicar aos eslovacos que temos que dar dinheiro à Grécia para pagar salários e pensões? Impossível. Impossível,” reiterou.

A interpretação do artigo de Vítor Bento, por Vítor Bento

Tenho a sensação que o artigo de hoje de Vítor Bento no Diário Económico não será tão citado como o anterior no Observador. Fica aqui um excerto. Podem pagar para ler o resto, que vale bem a pena.
bento

O meu artigo ontem no ‘i’. Por cada ingénuo que acredita no socialismo, há um cínico que disso tira vantagem.

Vaidade, virtude e política

Durante muitos anos, os Estados viveram com défices. Acumularam dívida. Foram antecipando o rendimento que esperavam receber no futuro. Claro que, para quem governou nesses tempos, os défices não significavam viver acima das possibilidades, endividar o país, mas investimento. Os Estados eram deficitários porque investiam para que se obtivesse um retorno mais tarde.

Desta maneira não se estaria a pôr em causa as gerações futuras, mas a proporcionar- -lhes um mundo melhor. Naturalmente que é preciso ser-se muito ingénuo, ou cínico, para se acreditar em algo deste género, mas foi o que o país considerou correcto durante mais de 30 anos.

O que está exposto em cima é o socialismo. Melhor: a forma como o socialismo justifica o seu financiamento. Não tenho quaisquer dúvidas de que muitos socialistas, ingenuamente, acreditaram que estavam a desenvolver o país, a criar condições para que, no futuro, se vivesse melhor.

Mas, por cada ingénuo que acredita, há um cínico que tira vantagem. Que percebeu que o modelo não funciona, que o Estado não investe, mas gasta. Que o Estado se deve limitar a assegurar a protecção das liberdades e a justiça, e não enredar-se numa política de negócios que o fragiliza e exige, depois, que as pessoas paguem a conta. A contenção política não deve dar espaço à vaidade, mas à virtude. Virtude, ética e política: algo que a Grécia Antiga ensinou, mas que até a moderna esqueceu.

Compreender o putinismo XVII

Foto: SERGEI KARPUKHIN/REUTERS

Foto: SERGEI KARPUKHIN/REUTERS

E agora algo completamente inesperado.

A Moscow court late on Thursday jailed prominent Russian opposition leader Alexei Navalny for 15 days for breaching a law that restricts demonstrations, barring him from a planned rally on March 1.

Two days earlier another court had ended house arrest terms for Navalny and upheld a suspended three-and-a-half-year prison term for the protest leader over a theft case he says is politically motivated.

Navalny left the courthouse on Thursday evening handcuffed and was whisked away in a police car. He appealed nonetheless to his followers to turn up for the rally against President Vladimir Putin’s policies.

Entretanto na Argentina

Cientos de miles de personas marchan en todo el país en homenaje al fiscal Nisman

La marcha del 18F. Bajo una lluvia torrencial, se movilizan desde el Congreso a Plaza de Mayo unas 260.000 personas, según cálculos de la Policía Metropolitana. La multitud es encabezada por fiscales y familiares de Nisman. Además, hay multitudinarias concentraciones en ciudades del Interior como Rosario, Córdoba, Santa Fe y Mar del Plata.

 

Leituras complementares: Calote Argentino, Calote Argentino IIAcima de qualquer suspeita (edição argentina) e Uma estranha epidemia na Argentina.

Compreender o putinismo XVI

Foto de Andrey Borodulin-AFP

Foto de Andrey Borodulin-AFP

Mineiros independentistas lançam mísseis Grad em Horlivka (Ucrânia), comprados em mercado local, dentro do espírito dos acordos de Minsk I e Minsk II, dando continuidade às populares campanhas dos referendos que, espera-se, tenham continuidade na cidade-natal de.Ludwig von Mises. Quando  o princípio da secessão, um dos mais queridos valores liberais, chegar a Lviv por forma a implantar uma república popular, boa parte do caminho destes mineiros estará feito.

CrimeiaEscocia

A Grécia, o Syriza e a União Europeia (2)

Como deve a UE lidar com free riders? Por João Miranda.

Por que é que a Eslováquia haveria de ser solidária para com um país como a Grécia que é mais rico e que ao longo dos anos violou gravemente as regras da união? Não se deveria antes exigir aos gregos solidariedade para com a Eslováquia?

Por que é que a Eslováquia emprestou dinheiro à Grécia a taxas inferiores àquelas que a própria Eslováquia pagava?

Tem a Eslováquia alguma obrigação de assegurar aos gregos um nível de vida superior ao seu, mesmo que os gregos não respeitem nenhuma regra e ameacem todos os dias violar os compromissos assumidos com a Eslováquia?

Pode uma união sobreviver sem punir exemplarmente o tipo de free riding que os gregos têm adoptado?

Leitura complementar: Da espiral recessiva aos cantos do Syriza;

A Grécia, o Syriza e Portugal

Os gregos que ajudem a Grécia. Por João Miranda.

O PIB per capita da Grécia é aproximadamente igual ao PIB de Portugal. Quanto a mim, esta é razão suficiente para Portugal não ajudar a Grécia. A Grécia tem os mesmos recursos per capita de Portugal e se nós nos sabemos organizar com esse dinheiro os gregos também têm que se saber organizar. O Pedro Romano defende que o que conta não é o PIB per capita mas o sentimento de perda que os gregos têm por terem perdido rendimento per capita. Devo dizer que esse argumento não me impressiona. Não estou disposto a ajudar os gregos só porque eles agora ganham o mesmo que eu e se sentem mal porque em tempos ganharam mais do que eu. Não me convence a mim nem deverá convencer ninguém. Se não acreditam façam um peditório para ajudar a Grécia com base neste argumento. Vamos ver quem contribui.

Leitura complementar: Da espiral recessiva aos cantos do Syriza;

A Grécia, o Syriza e a União Europeia

Boa sorte. Por João Miranda.

A Grécia tem neste momento 2 problemas: 1. como financiar a sua actividade normal; 2. como meter a economia a funcionar. Para qualquer um destes problemas o Syriza constitui neste momento o principal obstáculo. Para se financiar, o Estado grego precisa de um empréstimo da União Europeia, mas não está disposto a dar as contrapartidas que a UE exige. Na verdade, é cada vez mais evidente que o Syriza não pretende cumprir nenhum compromisso que venha a assinar, e os credores já perceberam isso. (…) O principal indicador de que as coisas estão a correr muito mal na Grécia é o contraste entre o apoio à estratégia do Syriza (mais de 80% em algumas sondagens) e a fuga dos depósitos bancários (mais de 20 mil milhões em 2 meses). Os gregos acreditam na estratégia do Syriza de sacar dinheiro à União Europeia, mas não apostam o próprio dinheiro no futuro da Grécia.

Leitura complementar: Da espiral recessiva aos cantos do Syriza;

Problemas em Angola

Administrador do banco BIC pede aumento da venda de divisas à banca angolana

O presidente do banco angolano BIC pediu hoje um aumento da venda de divisas pelo banco central ao sistema bancário de Angola, para fazer face à “escassez” atual de moeda estrangeira.

Mais de 20 militantes da UNITA feridos em ataque de alegados apoiantes do MPLA

Mais de 20 militantes da UNITA ficaram feridos, três dos quais em estado grave, num ataque ocorrido no interior do país, perpetrado por supostos apoiantes do MPLA, no poder em Angola, denunciou o maior partido da oposição.

Compreender o putinismo XV

Há que prestar a devida homenagem aos soldados russos que caíram na defesa da Ucrânia Hungria em 1956.

José Rodrigues dos Santos “absolvido”

Provedor dá razão a Rodrigues dos Santos. Porque neste país ai do jornalista que vá contra a narrativa da inteligentsia radical de esquerda.

Podem ver a reportagem “atrevida” aqui.

 

Porque recordar é viver…

Portugal está na bancarrota e não vai cumprir a dívida

José Manuel Silva, Bastonário da Ordem dos Médicos (Out 2011)

Novo recorde no Turismo em Portugal

Agora que parece definitivamente ultrapassada a estúpida e desnecessária polémica com o Secretário de Estado do Turismo despoletada por uma deficiente gestão da comunicação na Câmara do Porto, vale a pena salientar mais estes dados muito positivos do turismo a nível nacional: Turismo interno bate recorde

“Para o melhor ano de sempre no turismo interno e um crescimento como este confluem sempre dezenas de causas e não é possível isolar uma que justifique. Os indicadores de confiança na economia contextualizam este crescimento, mas também as estratégias dos empresários”, disse o secretário de Estado do Turismo, Adolfo Mesquita Nunes, em declarações ao Económico.

Mas de 2010 para 2014, período marcado pelo ajustamento da economia portuguesa, foi o turismo britânico, francês e alemão, mercados externos tradicionais, que mais cresceu em território nacional.

Só no ano passado o número de dormidas, de portugueses e de estrangeiros, aumentou 11%, um ritmo três vezes superior à média europeia – segundo a Organização Mundial do Turismo -, e quatro vezes acima da concorrente Espanha.

“É um reforço dos excelentes números do ano passado”, refere Adolfo Mesquita Nunes, que atribui “todo o mérito” ao sector do turismo e sublinha ainda o facto de os proveitos dos hotéis terem crescido a um ritmo superior ao das dormidas.

Leitura complementar: O sucesso do turismo no Porto, a iniciativa privada e os artistas.

Maduro: a última vítima da “direita pelo direito à blasfemia”

 

CartoonSemana

O Presidente da Venezuela é a mais recente aquisição da glamourosa equipa dos críticos de cartoons.

Fonte: Semana.

António Costa e o Benfica (3)

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Filhos e enteados. Por Helena Matos.

O perdão fiscal agora concedido ao Benfica pela Câmara Municipal de Lisboa levanta-me as maiores reservas, tanto mais que ele acontece num momento em que os cidadãos portugueses vivem sob uma tremendíssima carga fiscal. Nada lhes é perdoado. (…) Em 2015 vivemos sob uma carga insuportável de impostos. Cada vez somos menos cidadãos e mais contribuintes. A obsessão com a cobrança de impostos leva a que o Governo (graças a Deus o mais liberal de sempre. O que seria se não fosse), que adia tanta coisa para um momento financeiramente mais adequado, não se tenha esquecido de criar uma carreira especial para os técnicos do Ministério das Finanças. Cada um de nós é tratado pelo seu Estado como um provável infractor fiscal. A nível municipal ainda recentemente a autarquia de Lisboa entendeu por bem taxar o simples facto de se aterrar ou desembarcar em Lisboa. Ora neste quadro parece-me injustificável avançar com um perdão fiscal (a que obviamente se seguirá, por parte dos outros clubes, a reivindicação de tratamento similar) para um clube a quem não faltam receitas, muito menos sócios, equipamentos e meios.

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A Grécia, o Syriza e o euro

Uma boa síntese de alguns pontos essenciais para compreender o que está em causa: Estou farto do choradinho dos desgraçadinhos dos gregos. Por José Manuel Fernandes.

Os problemas da Grécia não começam agora no Syriza nem acabarão com o Syriza. São problemas antigos, entranhados, que fazem do país um corpo cada vez mais estranho numa união monetária como o euro.

Leitura complementar: Da espiral recessiva aos cantos do Syriza; Razões para ter esperança no Syriza; O socialismo europeu e o Syriza.

António Costa e o Benfica (2)

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Isenção de taxas ao Benfica “é politicamente incorrecta” mas “sensata”

O vereador do Urbanismo da Câmara de Lisboa admite que a proposta que fez para que o Benfica ficasse isento do pagamento de taxas municipais no valor de cerca de 1,8 milhões de euros “é politicamente incorrecta”, mas defende que “faz sentido”. “Estamos permanentemente a aprovar subsídios para instituições que fazem o que o Benfica faz”, justifica Manuel Salgado, lembrando o trabalho realizado pelo clube em várias modalidades “amadoras” e “o papel social relevante” da Fundação Benfica.

Leitura complementar: António Costa e o Benfica.

O Estado, o mercado e o financiamento da cultura

Should the state support the arts? Por Philip Booth.

There can be a thriving commercial arts scene without state funding. The economic arguments at best can be used to justify the position that certain types of arts might be ‘under-provided’. But we should also consider that state provision of the arts might lead to problems.

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Austeridade, deflação e crescimento

O meu artigo de hoje no Observador: Da espiral recessiva aos cantos do Syriza.

2014 foi o primeiro ano de crescimento económico em Portugal desde 2010 e isso verificou-se em condições de “austeridade” e com deflação, contrariando todas as previsões de “espiral recessiva”.

Como a Islândia lida com os banqueiros – um exemplo a seguir

Islândia impõe condenação histórica a ex-banqueiros. Final do artigo:

O encarregado do governo islandês que investigou os bancos locais no seguimento do abalo que atingiu o sistema financeiro mundial após a crise de 2008 afirmou ontem que a decisão do Supremo Tribunal é um sinal para que outros países avancem para casos semelhantes e de que nenhum indivíduo é demasiado importante para ser processado. “Este caso envia uma forte mensagem que irá levantar a discussão”, declarou Olaf Hauksson à Reuters.

Nem todos os processos deste âmbito levados a cabo na Islândia tiveram o mesmo resultado. Contudo, o esforço que a Islândia tem levado a cabo no sentido de atribuir responsabilidades aos banqueiros locais parece diferir da realidade dos EUA e do resto da Europa em particular, onde poucos banqueiros têm sido chamados a assumir responsabilidades pelo colapso financeiro das instituições onde trabalhavam e das implicações sobre os próprios países.

Um exemplo. O Capitalismo é um sistema com regras, e estas foram claramente quebradas por muitos banqueiros. Nada nem ninguém pode estar acima da lei, a bem da manutenção não só da “paz social”, mas também do próprio funcionamento da economia e do mundo financeiro. Aguardam-se as reações internacionais. Mas sentado e sem grande esperança, pois socialistas, intervencionistas e banqueiros costumam andar juntos.

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O futuro da Apple? Um carro (!)

Via 9to5Mac: WSJ: Tim Cook approved Apple electric car project a year ago, hundreds of employees working on it. Lançamento prevê-se para o fim da década.

Calote argentino II

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Argentine President and Foreign Minister Charged Over Cover-Up of Iran’s Role in AMIA Atrocity

The Argentine Federal Prosecutor appointed to examine the accusation that the Argentine government attempted to cover up Iran’s role in the 1994 bombing of the AMIA Jewish center in Buenos Aires has announced that he will be pursuing the country’s top leadership over the charge, in a major endorsement of the claims advanced by Special Prosecutor Alberto Nisman on the eve of his death last month in suspicious circumstances.

President Cristina Fernández de Kirchner and Foreign Minister Héctor Timerman are the most prominent names in Gerardo Pollicita’s complaint, described by the Buenos Aires Herald as giving “a green light” to the charges originally made by Nisman before he died. As The Algemeiner reported earlier today, there is a growing conviction in both Argentina and Israel that Iran was also behind Nisman’s death, which the Argentine government is officially treating as a suicide.

In addition to Fernández de Kirchner and Timerman, Pollicita also charged several of their main political allies, including Luis D’Elia, a former member of the cabinet of Néstor Kirchner (Fernández de Kirchner’s late husband and predecessor in office) Andrés Larroque, a parliamentarian, former prosecutor Héctor Yrimia and Allan Bogado, a suspected member of Argentina’s state intelligence service.

 

Leitura complementar: Calote argentino.

The European Debt Crisis Visualized

Um vídeo interessante da Bloomberg que explica o principal problema da moeda única como sendo o resultado das tensões provocadas por uma política monetária central homogénea e de várias políticas fiscais descentralizadas e heterogéneas.

António Costa e o Benfica

Estranhamente, a decisão de António Costa de perdoar uma dívida de 1,8 milhões ao Benfica parece não ter gerado qualquer vaga de indignação, nem sequer pedidos de esclarecimento à autarquia.

Deve ser tudo normal…

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Como bem assinala Helena Matos:

Não vou discutir (por agora) a bondade da decisão. Nem sequer as implicações que ela tem nas reivindicações de tratamento identicamente favorável por parte dos outros clubes. Mas a falta de discussão em torno de uma decisão destas revela como se aceita no mundo do futebol o que se questiona nos outros.

Varoufakis, a troika e a CIA

Troika? A CIA também tinha boas pessoas que torturavam prisioneiros, diz Varoufakis

Yanis Varoufakis insiste no haircut da dívida grega em entrevista à revista alemã Der Spiegel e compara a atuação da troika com a dos membros da CIA que, contra a sua vontade, torturavam prisioneiros.

Soberania

O meu artigo no Diário Económico de hoje sobre a Grécia e a soberania.

Soberania

Um dos cavalos-de-batalha do governo grego é de que a Grécia não pode continuar a ser humilhada; que a Grécia deve recuperar a sua soberania e, pondo de parte as exigências da troika e da União Europeia, agir de acordo com a vontade da maioria dos eleitores gregos. Podemos dizer que a humilhação é a Grécia ter chegado ao ponto em que se encontra. Podemos argumentar o que quisermos, mas águas passadas não movem moinhos e o que agora interessa é discutir o que temos em cima da mesa, ou seja, no que consiste a soberania.

Para Salazar esta significava estar orgulhosamente só. Um entendimento de que o governo grego parece comungar. Claro que a Grécia tem um o plano B que inclui a Rússia e a China. Mas também não deixa de ser claro, a quem se dê ao cuidado de dar uma vista de olhos ao que se passa por esse mundo fora, que andar de braço dado com Moscovo e Pequim não é agradável. Atenas pode querer reinventar a Europa como inventou o Ocidente, mas não será, com certeza, virando as costas a Estados democráticos e abraçando autocracias e ditaduras comunistas.

No mundo de hoje soberania não significa necessariamente possuir forças militares que possam esmagar países vizinhos; nem deter empresas públicas, ou uma forte influência sobre empresas privadas, que dominem ou tenham uma palavra a dizer sobre como funcionam os mercados. Num mundo global, soberania começa, porque estamos a falar de Estados, por ter contas públicas sem défices, de preferência excedentárias. Começa, porque esse é o ponto de partida; excedentárias, não com vista a um Estado independente do financiamento externo, mas porque cria condições para que haja verdadeiro crescimento económico. Verdadeiro, porque não baseado na antecipação de rendimentos futuros e à custa das gerações seguintes.

É com orçamentos equilibrados e não deficitários que se descem os impostos; que há estabilidade e justiça fiscal que cativa o investimento estrangeiro que interessa e não o dos que compram a saldo; se poupa e junta capital, ao invés de se incrementar o consumo como base de um crescimento que mais não é que uma bolha especulativa, porque não real.

É com orçamentos não deficitários, e com poupança, que se tira partido de uma moeda forte como o euro. Como os alemães o fazem sem medo da deflação, sem medo da concorrência, sem medo da abertura das fronteiras; sem medo de outra coisa que não seja a existência de parceiros que não percebem que vivem num mundo global. Soberania pressupõe um Estado previsível, politicamente contido pelo Parlamento em nome do povo. Em nome de um poder político forte, porque influente; respeitado, porque credível. Soberania implica abertura ao exterior porque há confiança e meios para tirar partido da globalização. Significa não confundir os interesses de um país com os de uma facção ideológica que domina o Estado.