Ler+ é possível e promove a saúde e a economia

Momento de enorme felicidade do Autor e amigos.

Momento de enorme felicidade do Autor e amigos.

Devemos agradecer ao autor de Tortura em Democracia, actualmente a residir em Évora.

Várias Câmaras Municipais financiaram o livro de José Sócrates que esteve, pelo menos, um mês em primeiro lugar em todas as livrarias. O Sexta às 9 descobriu que, em Lisboa, foram emitidas faturas em nome de autarquias do norte do país que compraram este livro às dezenas, várias vezes.

Compreender o putinismo XXI

Está, Vladimir Putin?

Está, Vladimir Putin?

The Land of Magical Thinking: Inside Putin’s Russia , por P. J. O’Rourke.

(…)Nothing Is True and Everything Is Possible. And sit back and watch the Putin regime rot.

Sadistic tourism in Greece

Greece and tax sadist tourism. Por Alberto Mingardi.

The Greek government apparently announced that it wants to hire part timers as “undercover agents to grab out tax evaders”. Tourists, students and housewives could work armed with wireless devices to catch shopkeepers and service providers who do not issue receipts when they sell goods and services. (…) The application of the concept to tourists potentially opens up a new whole kind of business: sadistic tourism. Syriza regularly portrays Germans as evil people that want to make the poor Greek suffer: why not turning that into a profitable line of activity for the government? Come to Greece. Ouzo, great sea, beautiful landscapes, moussaka, and you’ll have the pleasure to force dirty little shopkeepers to pay their dues to the government!

Como descredibilizar um país

Ministério da Defesa grego quer introduzir capítulo sobre reparações de guerra alemãs nos livros escolares
Embaixada da Grécia em Berlim faz protesto formal contra declarações de Schäuble

Presidente da Comissão Europeia insatisfeito com falta de progressos nas últimas semanas
Presidente do Eurogrupo diz que a Grécia culpa outros pelos seus problemas
Alemanha admite saída ‘acidental’ da Grécia do euro

Das presumidas que querem ganhar tanto como os homens

O meu texto de ontem no Observador, sobre a desigualdade salarial entre homens e mulheres.

‘Não queria passar a vida (ou as semanas) a reincidir em temas femininos, mas afinal foi o dia internacional da mulher e, na verdade, a parte feminina da população é fonte inesgotável de temas interessantes. (A masculina também.) É certo que ocorreu aquele que ficará no top 5 dos eventos mais surreais do século XXI – refiro-me, claro, a José Sócrates acusando de ‘miséria moral’ alguém que não está condenado por homicídio ou violação (facto que, pensando bem, pode ser seminal para desenvolvimentos surpreendentes no conhecimento das personalidades nascisistas e egomaníacas) – mas decidi-me a escrever sobre a desigualdade salarial entre homens e mulheres.

Algo inútil, claro, porque não existe. Assim várias pessoas me garantiram no twitter no dia da mulher. Ou melhor: existe mas é inteiramente explicada por fatores económicos cristalinos. A história que me foi contada reza assim: as mulheres ganham menos porque trabalham menos horas, perdem tempo de carreira em gravidezes e licenças de maternidade, depois dos filhos nascerem as mulheres são menos comprometidas com a profissão.

Está explicado, então, não é? Não, não está. O argumento das horas trabalhadas não explica a diferença salarial que permanece considerando o valor pago por hora. E tendo em conta o declínio da taxa de natalidade nos países desenvolvidos e a quantidade de mulheres que escolhe não ter filhos, não são necessárias histerias feministas para concluir que o período de interrupção na carreira das mães não será muito diferente dos períodos de interrupção da carreira dos homens com um acidente de trabalho (e os homens ocupam profissões mais propensas a acidentes de trabalho) ou um ataque cardíaco (maleita que afeta maioritariamente quem tem o cromossoma y).’

O resto – e o gender wage gap excluindo todas as desculpas tradicionais – está aqui.

Nova oportunidade para os críticos de cartoons XI

2015-03-11

 

Fonte: Jesus and Mo.

A new low: Charlie Hebdo’s murdered staff receive an ‘Islamophobe of the Year’ award

 

Ser grego é ser syris@

Da auto-palhaçada patrocionada pela carteira dos contribuíntes.

Less than 50 of Parliament’s 300 deputies refused the privilege of a complimentary car that they are entitled to as elected MPs but which Prime Minister Alexis Tsipras had exhorted them to reject during his presentation of the government’s policy program.

Via Jorge Costa.

Seia e Gouveia. E Vitor Bento.

imagem1_5210No meu artigo de hoje no Observador faço um pequeno remoque ao ensaio que Vitor Bento publicou, tentando explicar a arquitectura monetária europeia através de queijos da Serra, e com queijos da Serra mostrar porque discordo de Vitor Bento na narrativa que tece à volta da sua análise económica.

Terras frias das Beiras, Seia e Gouveia há muito que competem entre si. Seia produz o seu conhecido e apreciado queijo amanteigado de ovelha, ou Queijo da Serra, assim como queijo de cabra. Gouveia usa os derivados da ovelha de uma outra forma, tecendo casacos, mantas e sapatos de lã. Ambas as cidades trocam produtos entre si — de Seia saem os queijos, de Gouveia os casacos. Entretanto, porque do boca-em-boca se enche o granel — assim corre o adágio popular, ou assim creio que corra —, Seia começou a vender os seus famigerados queijos para outras localidades também. Rezam os boatos que até para as terras distantes do Porto os queijos viajavam, deliciando e contentando os ougados por uma tosta bem barrada. Com tanta procura externa, Seia começou a enriquecer, e os preços acompanharam esta tendência. Gouveia, em comparação, por lá continuava.

Compreender o putinismo XX

Foto: Vladimir Filonov/MT

Foto: Vladimir Filonov/MT

Na Rússia de Vladimir Putin, um museu sobre os Gulag irá reabrir com a particularidade de ignorar os crimes do ditador Pai Josef Vissarionovitch Stalin.

Gulag Museum to Reopen But Proof of Stalin Crimes Removed, Director Says

Perm-36 museum director Viktor Shmyrov said the “memorial won’t disappear, but the museum has been taken over by other people appointed by the new authorities, who have totally changed the content,” BBC Russian Service reported Wednesday.

“Now it’s a museum about the camp system, but not about political prisoners. They don’t talk about the repressions or about Stalin,” he was quoted as saying.

Arseny Roginsky, president of Russia’s leading human rights group Memorial — which founded the museum two decades ago — said the new management included former prison camp guards, AFP reported.

“The museum’s format is being completely changed,” Roginsky was quoted as saying. “It’s tragic that a museum to Soviet terror will be transformed into a museum to the penal system.”

The takeover of Perm-36, which is located in the Perm region, comes as an increasing number of Russians express favorable views of Stalin and amid the government’s glorification of its Soviet past.

NYT “crop” de referência

bush

George W Bush cropped out of New York Times front cover image of Selma march

US newspaper accused of “liberal bias” after using image of Selma anniversary march on front page showing Barack and Michelle Obama, but with George and Laura Bush missing

Programa Avançado – Diplomacia Política e Económica

Estão abertas as candidaturas para o Programa Avançado em Diplomacia Política e Económica do Instituto de Estudos Políticos da Universidade Católica Portuguesa.
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Porque vale tanto um iPhone?

A empresa Apple, valorizada recentemente em mais de $700.000.000.000, vende o iPhone 6 por cerca de €700 (este e outros valores retirados da Amazon Espanha). É um sucesso de vendas. Mas por esse valor os consumidores poderiam comprar um Motorola G 4g (€165), um tablet Asus ME572C (€242) e uma máquina fotográfica Canon S120 (€297).

IphoneValue

A diferença entre o preço de venda e o custo de fabrico é maior no iPhone, pelo que aquela escolha dos consumidores dá à Apple significativos lucros. A teoria subjectiva do valor explica porque vale tanto um iPhone: pela acção dos consumidores.

A fórmula Ferreira Leite para a Grécia

Quase 11 anos atrás a então ministra das Finanças, Manuela Ferreira Leite, contratou Paulo Macedo (o actual ministro da Saúde) como Director-Geral de Impostos, com o objectivo de modernizar e tornar mais eficaz a cobrança de impostos. Esta foi a solução encontrada em 2004 para fazer face ao défice orçamental excessivo, ao invés de reformar o Estado e consequente redução da despesa pública. Solução que, na década seguinte, continuou a ser implementada em Portugal.

Agora o ministro das Finanças grego, Yanis Varoufakis, pretende aumentar o volume de impostos cobrados, uma das medidas será a contratação de “espiões” fiscais. Numa economia já bastante fragilizada nada que se queira ouvir. Por outras palavras, tal como Ferreira Leite fez doutrina por cá, também lá estão a privilegiar o sector público em prejuízo do privado.

Nota: O discurso de combate à evasão fiscal anda sempre à volta da maior justiça entre os contribuintes. Mas, apesar de se conseguir cobrar mais impostos a alguns, a carga fiscal para os restantes nunca baixa.

Ditadura fiscal e miséria moral

O meu artigo de hoje no Observador: Da ditadura fiscal à miséria moral.

(…) a Autoridade Tributária (uma designação que em si mesma é já todo um programa…) que impõe prazos e obrigações declaratórias aos cidadãos é a mesma entidade que frequentemente não cumpre prazos e falha nas notificações. Acresce que, por via do alegado “combate à evasão” (o tal que supostamente propiciaria baixas de impostos que ainda ninguém viu), o ónus da prova está hoje cada vez mais invertido, de tal forma que em muitos casos, na prática, é já o cidadão que tem de provar a sua inocência face à máquina fiscal.

O artigo pode ser lido na íntegra aqui.

Há que matar o pensamento único

É indiferente que o capitalismo, com a globalização do comércio e a inovação tecnológica, haja conseguido aumentar exponencialmente a produtividade, assim como arrancar milhões de pessoas da pobreza, especialmente nos lugares mais povoados como a China, a Índia ou o Brasil. Apesar da evidência empírica, em Espanha e, inclusive, nos Estados Unidos, há muitos compatriotas que pensam, equivocadamente, que o mundo está hoje bastante pior do que há décadas.

De Espanha e sobre Espanha, poderia ser sobre Portugal. Reflecte bem como o pensamento único se entrincheirou, para nosso pesar, no discurso público. Em países onde a despesa pública é superior a 50% do PIB e onde fazer um bom negócio é crime de lesa-pátria que deve ser taxado, a propaganda das teses neoliberais que se espalharam pelo mundo só pode ser brincadeira. De propangadistas, de lunáticos ou de ambos.

A ler: Há que matar o pensamento único, de Miguel Angel Belloso.

Parasitas

evil-clownDeclarações da Segurança Social vendidas por dois mil euros

O segurança do supermercado estava atento aos pobres com quem se cruzava na rua. Se lhe pareciam esfomeados dirigia-se a eles e perguntava-lhes se tinham fome. Ele podia ajudá-los. Um ou outro recusava. Os que precisavam mesmo de comer sob pena de morrerem, aceitavam ouvi-lo e parte deles aceitava também a proposta. O pobre devia ir ao supermercado onde ele trabalhava e roubar 4 maçãs. Em troca de uma, o segurança garantia-lhe que não teria problemas nem ninguém daria conta do roubo.

No fundo é isto, entre advogados, TOCs e funcionários públicos, juntaram-se vários parasitas a viver à custa do desespero e da fragilidade alheia. E o Estado que temos está cheio de gente desta.

Relapsa

kafka2Hoje tive uma reunião na contabilidade para analisar o balanço de 2014 e o orçamento de 2015. Quando cheguei estava uma das miúdas da empresa (não tem 30 anos) a atender uma senhora idosa. A Sra tinha uma notificação da AT com uma dívida por atraso de cumprimento numa qualquer obrigação fiscal. Pelo que percebi, a sra teria o nome ligado a uma empresa do filho (provavelmente por questões de crédito ou outras) que se teria atrasado a pagar um qualquer imposto. Dizia a sra que está à espera de receber a reforma e não tem dinheiro para multas. às tantas, depois de perceber a que dizia respeito a carta perguntou á menina de quanto era a multa e a resposta foi 337,5€. A seguir perguntou: “Quanto é em dinheiro antigo?”. A miúda ficou a fazer a conta de cabeça e respondi-lhe eu (que lidei com “dinheiro antigo”): “São sessenta e sete contos e quinhentos”. E diz a sra literalmente: “ò meu Deus e onde é que eu tenho tanto dinheiro?”
Aquela merda doeu-me, mas é isto. Lá está, uma senhora com um processo fiscal, uma perigosa evasora fiscal, uma relapsa digna de lapidação

Franco Atirador

Fui gentilmente convidado pelo Nuno Ramos de Almeida para participar no programa de estreia do Franco Atirador, uma iniciativa do Nuno e da Joana Amaral Dias.

Votos de bom sucesso neste desafio, é o que lhes desejo. Já politicamente falando, o Nuno conhece o que penso das suas ideias, conforme se depreende neste vídeo.

Bavas

kafka2O meu texto de hoje no Diário Económico

Portugal seria um bom campo de estudo para os virólogos. Não é de agora que políticos e outros altos responsáveis são atacados pelo vírus “Bava” assim baptizado após a audição parlamentar ao dr Zeinal Bava. Não sabiam, foi engano, erro dos serviços, da secretária, interpretação, etc. Nunca são responsáveis por nada, foi assim com Murteira Nabo, António Vitorino e António Costa e é assim com o primeiro-ministro (PM) que, coitado, julgava que entre 1999 e 2004 os descontos para a Segurança Social (SS) dos trabalhadores independentes eram opcionais.

O resto aqui

Em adenda ao texto publicado no Diário Económico e dada a falta de espaço acrescentaria o que segue abaixo. Sim, já sei que as beatas fiscais socialistas se vão contorcer nos habituais números de processos de intenções e psicanálise de vão de escada. Um gajo habitua-se. Continuar a ler

Porcos pretos

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Os porcos pretos espanhóis, que posteriormente serão usados para produzir o jámon ibérico, entram em Portugal pelas herdades do Alentejo, são pesados, são alimentados a bolotas, e saem passados alguns anos. Vêm para a engorda.

Espanha não faz nada na engorda do porco, mas ganha bem mais do que Portugal a vender os seus Joselitos. Malditos espanhóis, Francisco Louçã.

Nespresso Grand Demos Ago

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Há cinco, seis séculos atrás, simples mercadores eram objecto de perseguição das autoridades e de condenação da Igreja. Estes mercadores cumpriam uma importante tarefa — a de arbitragem. Compravam bens onde eles eram abundantes e, logo, baratos, e vendiam-nos onde eles eram escassos ou até inexistentes. O lucro que auferiam era o prémio de risco pelo transporte, pela logística, e pelo risco de serem assaltados ou até mortos durante a travessia. Embora perseguidos, porque aparentemente não produziam nada, a actividade nunca foi totalmente proibida, não obstante as considerações morais de então sobre o mesma. Isto porque estes mercadores asseguravam que populações isoladas tivessem acesso a bens que, doutra forma, não conseguiriam ter.

Passados seis séculos, a ignorância que outrora perseguia estes mercadores continua a manifestar-se, desta vez envolvida em demagogia. Douto na arte, e até doutorado, Francisco Louçã conta-nos a história do Brasil, produtor de café, e da Alemanha, que, embora não o produza, é o terceiro maior exportador de café do mundo. À luz da iliteracia que versava no século XV, a interpretação é a mesma — a Alemanha, que não produz, colhe apenas o fruto do trabalho dos outros.

Não são necessárias complexas teorias económicas para perceber o erro crasso por trás deste raciocínio, basta uma simples dose de bom senso. A Alemanha faz precisamente aquilo que os mercadores de outrora faziam. Beneficiando da sua posição estratégia na Europa e das suas boas infraestruturas, a Alemanha importa para depois exportar. Importa o café, armazena-o, e depois revende-o em quantidades menores. E, se o café for reprocessado pela Nespresso no Norte da Alemanha — empresa Suíça, atente-se —, então existe ainda mais valor acrescentado: o grão tostado do café vira um produto de luxo com uma enorme procura mundial.

Se a Alemanha não acrescentasse valor, ninguém lhe compraria café. Afinal, porquê comprar o saco do café ao dobro do preço, quando o poderia fazer a metade directamente ao Brasil? Por vários motivos, que são fáceis de elencar: 1) tempo de entrega ordens de magnitude inferior; 2) MOQ (minimum order quantity) muito menor; 3) burocracia intra-EU vs Brasil facilitada; 4) menores custos de transporte por Kg; etc. Ou seja, embora o custo unitário do saco seja mais barato no Brasil, fica mais barato comprar diretamente à Alemanha até uma certa quantidade. Na verdade, não é apenas a Alemanha que faz isto com o café. Existem entrepostos por toda a Europa cuja finalidade é precisamente esta, a de servirem de ponto intermédio entre produtores e consumidores, ajustados à medida de cada um.

Tudo isto seria irrelevante se não fosse Francisco Louçã professor catedrático de Economia no ISEG. O obscurantismo económico do século XV perpetua-se assim nas universidades portuguesas.

Ai Lello, recordar é viver

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José Lello não declarou conta de 658 mil euros Deputado do PS esteve 14 anos sem declarar este valor ao Tribunal Constitucional

Leitura complementar: Pode um homem que tenha falhado o pagamento de impostos no passado ser primeiro-ministro de Portugal?

Ricos cada vez menos ricos em Portugal

E não, não é uma boa notícia: Ranking Forbes: os portugueses mais ricos estão bem mais pobres

Os três portugueses mais ricos do Mundo estão em queda na lista da Forbes: Américo Amorim perdeu 102 lugares, Belmiro de Azevedo 262 e Soares dos Santos 455.

A lei da cópia privada e o rentismo em Portugal (2)

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Na sequência do meu artigo de ontem no Observador (“A nova lei da cópia privada: uma vitória do rentismo”), o deputado do PS José Magalhães publicou no seu Facebook um comentário com respostas às cinco perguntas que reproduzo no final do artigo.

Aqui fica, na íntegra, o texto integral do deputado José Magalhães, para memória futura:

CÓPIA PRIVADA – PERGUNTAS COM RESPOSTA

Concordo no essencial e no secundário com este ponto de vista e foi por isso mesmo que votei contra o texto final. A expectativa de que houvesse correcções em Comissão gorou-se. As perguntas referidas no texto têm resposta cruel: Continuar a ler

O Economista Insurgente: “De onde é que vem a dívida do Estado?”

O Economista Insurgente

«De um modo geral, a dívida pública aumenta porque o Estado tem mais despesas do que receitas. Ou seja, o orçamento do Estado apresenta défice. Para um Estado reduzir a sua dívida pública tem de ter um superavit; mais receitas que despesas. Em toda a história da democracia em Portugal, nunca houve um único orçamento que não tenha sido deficitário. Por isso, a dívida tem vindo a aumentar todos os anos, de forma consistente e sem alívio.

Para agravar a situação causada pelo défice crónico, o Estado tem sido obrigado a assumir uma série de dívidas que anteriormente não eram contabilizadas na dívida pública. Exemplo disso são dívidas contraídas por empresas públicas nas suas operações correntes e que implícita ou explicitamente são garantidas pelo Estado. Ou ainda contratos celebrados pelo Estado, por exemplo nas parcerias público-privadas, que implicam despesas futuras a que não é possível escapar e que constituem a chamada dívida escondida.

A juntar a esta dívida oficial, existem várias obrigações do Estado para com os cidadãos que são uma espécie de dívida. São responsabilidades do Estado (do inglês, liabilities) assumidas no decorrer de direitos sociais criados pelos sucessivos governos, como pensões, subsídios e outras transferências, cujo valor exato é difícil de estimar por depender de imponderáveis como a esperança de vida dos reformados, invalidez resultante de acidentes ou doenças, desemprego e outras situações de emergência que possam surgir.»

in “O Economista Insurgente”, Esfera dos Livros, 2014

Compreender o putinismo XIX

Boris Nemtsov. Imagem via FB do Nuno Rogeiro

Boris Nemtsov. Imagem via FB do Nuno Rogeiro

After Boris Nemtsov’s Assassination, ‘There Are No Longer Any Limits’, por Julia Ioffe.

Even if one of these theories were true, none of Moscow’s embattled liberals would be convinced. “I will never believe it,” Yevgenia Albats, editor of the liberal magazine New Times and an old friend of Nemtsov, told me. “This is not about some domestic affair. These were absolute professionals.” Ilya Yashin, a member of Nemtsov’s Solidarity Party, was of the same mind. “It’s totally obvious for me that it’s a political killing,” he said. “I don’t have the slightest doubt about that.” Maxim Katz, another opposition activist, claimed on Twitter that, any way you slice it, Putin is responsible: “If he ordered it, then he’s guilty as the orderer. And even if he didn’t, then [he is responsible] as the inciter of hatred, hysteria, and anger among the people.”

It’s hard to argue with this last point. Putin’s aggressive foreign policy, his increasingly conservative domestic policy, his labeling the opposition a “fifth column” and “national traitors,” his state television whipping up a militant, nationalistic fervor — all of this creates a certain atmosphere. Putin, after all, has a history of playing with fire, only to have the flames get away from him. After years of the Kremlin tacitly supporting ultranationalist, neo-Nazi groups, the same skinheads staged a violent protest at the foot of the Kremlin walls in 2010 while riot police officers stood by and watched helplessly. Today, a rabid nationalism has swallowed up most of the country, and it is no longer clear that Putin can control it. “In this kind of atmosphere, everything is possible,” Pavlovsky told me. “This is a Weimar atmosphere. There are no longer any limits.”

Until relatively recently, the risks opposition activists knew they were taking on were not generally thought to be life-threatening. The government was likely to hassle activists and make their lives uncomfortable, but mostly it just marginalized them, like the town fool. This began to change with the arrests of protesters in the summer of 2012. When Navalny was sentenced to five years in prison a year later, it came as a shock; this had never been done before. Even after the sentence was suspended, it seemed to be a warning to the opposition.

Nemtsov’s assassination took that warning to its logical conclusion. Now, “we live in a different political reality,” tweeted Leonid Volkov, a prominent opposition activist. “The fact that they killed him is a message to frighten everyone, the brave and the not brave,” Yashin said. “That this is what happens to people who go against the government of our country.” Anatoly Chubais — who, like Nemtsov, served in the Yeltsin government, and who remains close to Putin — visited the site of the shooting this morning. “If, just a few days ago, people in our city are carrying signs that say ‘Let’s finish off the fifth column,’ and today they kill Nemtsov,” he said in astatement, referring to the Kremlin-sponsored anti-Maidan protest in Moscow last weekend, “what will happen tomorrow?” Or, as Albats put it, “Hunting season is open.”

Nemtsov had been confiding to friends of late that he was growing frightened. This summer, he went to Israel to hide out for a few months, fearing arrest. He told Albats that he worried he wouldn’t be able to withstand a stint in a Russian penal colony. In the fall, he filed a police report because of threats he was receiving on social media. It didn’t seem to go anywhere. Recently, he even let his bravado slip in public, telling an interviewer two weeks ago that he was scared Putin would kill him.

And yet, he didn’t let up. According to Albats and Yashin, Nemtsov was working on a particularly incendiary report that he planned to call “Putin and Ukraine,” which would trace the stream of weaponry flowing from Russia to separatists in the Donbass. He was meeting with the families of Russian men who had died fighting with the separatists. He kept up his withering attacks on Facebook and Twitter. He kept traveling to Ukraine and meeting with president Petro Poroshenko, something that couldn’t have gone unnoticed by the Kremlin’s security agencies. And still, Nemtsov never hired a bodyguard. He walked home through Moscow late at night unprotected.

And he almost made it. His apartment building was visible from the bridge. “From his window, where he worked out in the mornings, you can see the place where he was killed,” Romanova told me. “For many years, he saw the place where they would kill him.”