revisitando a famosa e infame lei da cópia privada

Como infelizmente o PS não tem o monopólio das ideias ilógicas, convém relembrar a lei da cópia privada. Na semana passada estive no debate na Faculdade de Ciências da UL sobre a proposta de Barreto Xavier e – porque ainda não é tarde - deixo aqui a sugestão da Maria João Nogueira para alertar os deputados para o disparate monumental e injusto que é esta taxa. Não só nos obrigará a pagar uma taxa por dispositivos onde vamos guardar conteúdos que nós produzimos como criará uma classe que irá prosperar verdadeiramente à conta do trabalho alheio: como referiu o Michael Seufert na sua intervenção, os autores portugueses não necessitarão mais de produzir algo que o público queira consumir, basta-lhes aguardar que as empresas criem dispositivos com cada vez maior capacidade de memória para receberem cada vez mais dinheiro.

BE: à meia dúzia é melhor e mais barato

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De acordo com a sua constituição presumidamente revolucionária, o Bloco de Esquerda (BE) “é um movimento de cidadãs e cidadãos” que assume entre outras coisas fundamentais para a modernidade progressista a “forma legal de partido político” mas que também concebe  ser reconhecido como “movimento” que inspira e é inspirado por “contribuição convergentes de cidadãos, forças e movimentos” que se “comprometem com a defesa intransigente da liberdade e com a busca de alternativas ao capitalismo”. Para além dessa tarefa hercúlea de procura e dissimulação envergonhada do comunismo, o BE “pronuncia-se por um mundo ecologicamente  sustentável ” e sonha com a “transformação social, e a perspectiva do socialismo como expressão da luta emancipatória da Humanidade contra a exploração e a opressão”. Honra seja feita ao BE, será  difícil a todas as forças, grupos e ajuntamentos de esquerda inovar tanto nos mesmos desejos, chamando-lhes outros nomes mais ou menos convergentes e com idênticos objectivos. Para a humanidade permanecer a par das novidades, o Observador trata de dar a conhecer O Bando dos seis: quem é quem na nova direção do Bloco de Esquerda.

Católica Lisbon mantém-se no Top 25 do Financial Times

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Está mais uma vez de parabéns toda a equipa da Católica Lisbon School of Business and Economics, pela manutenção do 25º lugar no ranking do Financial Times.

Repito que escrevi por ocasião da mesma distinção, há um ano: tendo sempre o cuidado de não sobrevalizar este tipo de rankings, é de realçar o notável trabalho que tem vindo a ser realizado pela CLSBE, sem financiamento estatal, com os resultados que estão à vista, nos rankings e muito além deles.

O Governo e a RTP

É cada vez mais difícil apurar responsabilidades no que diz respeito às trapalhadas em torno da RTP mas uma coisa é cada vez certa: não obstante a ruptura financeira do Estado e as dificuldades econímicas do país, a legislatura vai terminar sem que o Governo tenha tido a coragem de privatizar – mesmo que apenas parcialmente – a RTP e os contribuintes continuarão a pagar muitos milhões de euros pelo respectivo “serviço público”, agora ainda acrescido de um “Conselho Geral Independente”.

No meio de tudo isto, Miguel Poiares Maduro – e por arrastamento todo o Governo – ficam muito mal na fotografia no que diz respeito à RTP. A ideia que fica é que a partir de certa altura a prioridade absoluta passou a ser manter e defender a qualquer custo o status quo.

Direitos da Champions: Governo criticou o que Governo tinha aprovado no Contrato de Concessão da RTP
Conselho Geral Independente ‘chumba’ plano estratégico da RTP
RTP vai pagar cerca de 15 milhões pelos direitos dos jogos da Champions
Governo discorda de compra de jogos de futebol pela RTP. Administração da empresa defende-se com despacho do Executivo

O fim do chocolate

cacauEnquanto a malta se distrai com minudências como a prisão preventiva do ex-PM, os pérfidos banqueiros do Espírito Santo ou os vistos manhosos a chineses duvidosos, a sua atenção é desviada de coisas realmente importantes. Nomeadamente o anunciado fim do chocolate, tragédia maior da sociedade moderna, fim dos tempos e trombeta do apocalipse.

Ou talvez não. Se calhar a malta está a ignorar a notícia porque se trata de um enorme disparate de quem não sabe fazer contas e/ou não percebe nada de como funciona a economia. Ou ainda, parafraseando Adam Smith, de pessoas do mesmo negócio a conspirar uma invenção para subir preços. Como se pode ver na figura, a produção de cacau parece tudo menos em declínio. Nem se pode tecer uma teoria do género “peak cocoa”, pois o cacau não é um recurso finito, ao contrário do que os títulos sensacionalistas sugerem. Tem também piada a sugestão de que os preços em Portugal já estão a aumentar por causa disso, na medida em que a matéria-prima paga no produtor representa em média 3 a 5% do preço final. Por fim, é hilariante a ideia de que o vírus ébola e o aquecimento global estão a afectar a produção. Os países do presente surto de ébola representam 0,7% da produção mundial de cacau. Quanto ao aquecimento global, nem vale a pena comentar.

Compreender o putinismo XI

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Algo completamente inesperado e que ultrapassa o desinteressado apoio aos apoiantes.

In campaign against truth, Mr. Putin wields fear and economic force

(…)The autocrat’s success in walling off Russians from alternative sources of news and information, culminating now in his campaign against the country’s last independent television channel, provides a case in point. The channel TV Dozhd (meaning “rain”) was founded five years ago, when state television had become so soporifically subservient that “most people we knew had stopped watching,” as Mikhail Zygar, Dozhd’s 33-year-old editor in chief, recalled during a recent visit to The Post. Dozhd offered real news and balanced commentary. “Give TV one more chance” was its pitch. It soon built an audience of 20 million (in a nation of 142 million). (…)

Meanwhile, Mr. Zygar said, official propaganda has become less soporific and more engaging — moving from “North Korea-style” to “Fox Media-style,” he said. “Flames of hatred toward ‘Ukrainian fascists’ and ‘American aggressors’ can be seen in the eyes of every presenter, and it’s very effective. And there is no alternative, except for us.”

Mr. Putin keeps at the ready the possibility of methods harsher than advertising bans. Parliament extended the “anti-extremism” law this year in a way that allows prosecutors to charge pretty much any critic with a crime. “Hypothetically, if some news show guest says that Crimea should be returned to Ukraine, I could be thrown in jail for five years,” Mr. Zygar said. But, he noted, “It’s much easier to get rid of us with economic pressure.

 

UKIP e SNP

Are all bets off after fresh UKIP by-election victory?
Mapping UKIP’s polling strength

Labour faces massive losses to SNP at UK general election, poll shows

O Julgamento

O Julgamento (Via Instituto Ludwig von Mises) :

O homem do betão e das PPPs, padrinho dos empreiteiros e das concessionárias que ainda hoje nos assaltam. Mentor do desgoverno financeiro que nos entregou aos credores, escudeiro do Estado forte, grande, ineficiente, metediço. Protagonista de um pós-bolivarianismo de tons ibéricos. Sócrates foi o último terramoto desde cataclismo que foi o regime nascido da Abrilada. Passos Coelho será, talvez, uma pequena réplica de mau gosto.

Mais que o julgamento, nos tribunais, de um dos homem que nos desgraçou a todos, este é o julgamento, público, do bando de abutres que nos vem pilhando desde sempre. Daqueles que nos ministérios e nas empresas defecaram na pouca dignidade que resta à nação, roubando – qualquer outra palavra é eufemismo – sem eira nem beira, perpetuando-se a si e aos seus no poder – político e económico. Este é o julgamento de uma terceira via, um capitalismo de socialistas caviar, um socialismo de capitais desviados. Este é o julgamento de um modelo de governação assente no compadrio, no suborno, na coerção, na corrupção aos mais altos níveis da sociedade.

Mas acima de tudo, este é o julgamento de um país e de um povo que gerou políticos à sua imagem. Das boleias e quotas pagas nas concelhias por uma conta mistério em vésperas de eleições. Dos clubes de futebol da terrinha e dos terrenos que vão andando de mão em mão. Este é o julgamento do chico-espertismo que tenta sempre passar à frente, no trânsito, na fila da repartição das finanças. Do menino que liga ao amigos do pai por causa daquela vaga na universidade, do pai que liga ao colega do secundário, que agora trabalha na Junta, para dar uma ajudinha ao colega que ficou desempregado. É o julgamento das garrafinhas de whiskey e dos bacalhaus pela consoada, para pagar favores do ano inteiro. Dos exames de condução feitos na marisqueira, dos vistos apressados no consulado, daquela licença para obras agilizada com uma sms ao senhor vereador.

(…)

O Zé – não o Sócrates ele mesmo – que é hoje deputado sem conseguir conjugar um verbo sem calinadas e entender-se com o sujeito e o predicado podia ser você, caro leitor. Com um pouco mais de esforço e afinco e se o André que brincava consigo e com os seus primos na casa de férias não tivesse perdido aquelas eleições, na federação académica ou na distrital. Se o Carlos, seu cunhado, não tivesse perdido aquela vaga na empresa, que até costumava fazer negócio com aquele ex-secretário de estado que agora está a “trabalhar” no ramo. O que o meu caro amigo teve não foi nem a ética nem a dignidade de cuja falta se acusam os nossos políticos de ter, como se abundasse na sociedade.

O que o meu amigo teve foi falta de sorte. Mas não se queixe. Ainda há uns meses conseguiu aldrabar umas facturas para “meter no IRS”. O empregado da Junta, que pôs a tijoleira lá em casa, deixa-o sempre estacionar lá o carro. O Mendes da esquadra deu um toquezinho relativamente àquela multa, mas também ninguém o mandou estacionar num lugar para inválidos. O meu amigo dê é graças a Deus por ter passado à frente nas urgências quando lhe deu aquela coisa no ano passado ou quiçá não estivesse aqui a terminar de ler este artigo. E não tenha vergonha. Todos o fazem. Se não fosse você, seria outro a aproveitar. E no que toca a benesses, antes nós que os outros.

Soltem os prisioneiros

Socrasmandela

Sem dúvida, a mesma luta contra a opressão.

O deputado socialista Fernando Serrasqueiro foi o primeiro a fazê-lo, no Facebook, evocando, de forma subliminar, o exemplo de resistência de Nelson Mandela, o mais famoso prisioneiro político do último século.

Serrasqueiro, ex-secretário de Estado e amigo pessoal de Sócrates, manifestou a sua solidariedade através de um poema, intitulado Invictus, famoso por ter servido de apoio ao activista político Mandela, nos anos que passou na prisão-ilha de Robben Island. E reproduziu-o, sem comentários, duas horas depois do despacho do juiz Carlos Alexandre que enviou o ex-primeiro-ministro do PS para uma prisão em Évora.

Haverá pontos de contacto entre Mandela, prisioneiro político do regime racista sul-africano durante 27 anos, e Sócrates, detido por corrupção, branqueamento de capitais e fraude fiscal? Há pelo menos um exemplo de resistência na adversidade, que Serrasqueiro quer transmitir ao amigo e camarada de partido.

Mandela disse que lia o poema Invictus (traduzindo: jamais derrotado) para encontrar força e apaziguar o sofrimento, superando momentos de dúvida. “Sob as garras cruéis das circunstâncias / eu não tremo e nem me desespero / Sob os duros golpes do acaso / Minha cabeça sangra, mas continua erguida”, lê-se na segunda estrofe do poema vitoriano.

(Agradeço ao leitor JP a indicação do assunto).

Soares preocupado com Sócrates

SS

O antigo Presidente da República escreve, hoje, no Diário de Notícias que sábado, dia de detenção de José Sócrates, «o país foi confrontado com um acontecimento que deixou os democratas imensamente preocupados».

Sócrates é culpado

Que não restem qualquer tipo de dúvidas: Sócrates é culpado. Sócrates é culpado de ter deixado o país à beira do colapso financeiro. Sócrates é culpado pelos défices do seu governo: pelos défices reportados e pelo que escondeu. Sócrates é culpado de durante o período de expansão internacional não ter preparado o país para uma crise. Sócrates é culpado de, com o precipício à frente, não ter tido a hombridade de chamar a troika mais cedo, desperdiçando centenas de milhões de euros ao país e depletado as suas reservas. Sócrates é culpado de ter usado a justiça para amedrontar jornalistas e feito outros sentirem-se ameaçados por ela. Sócrates é culpado de ter desperdiçado dinheiro dos outros em investimentos desnecessários e fúteis. Sócrates é culpado de ter deixado a conta das PPPs para o país pagar a partir de 2014. Sócrates é culpado de nunca ter assumido as suas culpas, contribuindo para deixar um partido de governo susceptivel de cometer os mesmos erros no futuro.

Sócrates não é ainda culpado de nenhum crime de corrupção ou branqueamento de capitais. Mas mesmo que o venha a ser convém a todos que não seja apagado do seu legado aquilo que mais prejudicou o país: o conjunto de decisões políticas legais que tomou nos seus 6 anos de governo.

A ver navios

Quando um navio naufraga, é importante afastar-se rapidamente, para não ser puxado para baixo. O navio chinês já começou a adernar. O que acontecerá com o bote brasileiro, que insiste em não sair de perto? Aguardemos…

Fasci portoghese di combattimento

Fasci-fullTenho lido por aí as reacções à recusa da REN e da GALP em pagar a contribuição extraordinária ao estado. Invariavelmente arrancam-se vestes, apela-se para o moralismo gramsciano do tempo e fazem-se comparações espúrias. Até já li que estão a praticar fuga fiscal(!). Coisas destas inclusive vindas de quem tem a obrigação de saber mais alguma coisa.

Ora bem, nem a GALP nem a REN estão a recusar cumprir a lei. Como qualquer contribuinte podem protestar o pagamento de qualquer imposto desde que cumpram certos pressupostos. Tanto quanto sei, neste caso é muito simples: entregam uma garantia bancária ao fisco e mandam o assunto para os tribunais. Se a experiência nos diz alguma coisa é que, no fim, o estado perde. É assim em mais de 90% dos casos de protesto de contribuintes só que a maioria de nós “paga e nã bufa” porque protestar é caro e pode ser mais caro que o imposto supostamente em dívida. O fisco deve ser a entidade mais criminosa que anda por aí, ninguém, nem a Máfia e as Tríades (se cá andarem) cometem tantos roubos, ilegalidades e abusos como a Autoridade Tributária. Não é de admirar que a REN e a GALP tenham razão e se têm, fazem muito bem em proceder como estão a proceder.

Os indignados lembram a anedota russa: um génio apareceu a um camponês russo e propôs-se dar-lhe o que ele quisesse com uma condição apenas, o vizinho receberia a mesma coisa em dobro. O camponês pediu ao génio que lhe tirasse um olho. A anedota podia ser com um português que o resultado seria credível na mesma.

Chamar o Putin pelo nome

E com eles no sítio.

Lithuania’s President Dalia Grybauskaite has called Russia a ‘terrorist state’ and warns that the current conflict in Ukraine could spread further if not stopped.

“Lithuania is one of the countries that recently walked a difficult road towards the restoration of independence. We know that today Ukraine is fighting for peace in Europe, for all of us,” Grybauskaite told national radio.

“If a terrorist state that is engaged in open aggression against its neighbor is not stopped, then that aggression might spread further into Europe.”

The head of state emphasized that every country has a right to choose its own destiny. Lithuania and the Baltics have played key roles in the Ukraine crisis after sending tens of thousands of euros in aid to Kiev and agreeing to treating wounded Ukrainian soldiers.

Resultados do putinismo

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A diplomacia energética russa continua a dar os seus frutos.

Estonian Prime Minister Taavi Rõivas and his Finnish counterpart, Alexander Stubb, reached an agreement on Monday to build two liquefied natural gas (LNG) terminals, connected by a pipeline, in both countries by 2019.

The project is called ‘Balticconnector’, and if it succeeds, it would increase the energy diversification of the two nations, in light of the unpredictable behavior by Russia, currently the main gas provider for both countries. The project is likely to get financial support from the European Union.

 

Leitura complementar: O ar da Rússia cura a homossexualidade, de Rui Ramos.

O princípio da confiança

Questão: como não violar o princípio da confiança da Constituição da República Portuguesa, tal como interpretada pelo actuais magistrados do Tribunal Constitucional, num contrato que pressupõe a existência de unicórnios?

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Nota: imagem retirada de um excelente trabalho da Nova Finance Center sobre a sustentabilidade da Segurança Social.

o perigo amarelo-dourado, parte 3

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A propósito deste meu post, o Rui Carmo deixou no facebook o testemunho de um deputado do PS que disse no Fórum TSF de 6ª feira que os vistos gold devem estar associados a ‘investimento produtivo’. Como estou em modo caridoso, dou uma insformações básicas a criaturas socialistas que entendem tanto de Economia e investimento como eu de veterinária. Aquilo que os estrangeiros pagam a portugueses para obterem vistos gold terá um de três destinos. (O José Meireles Graça, mais ou menos ao mesmo tempo em que eu escrevia a primeira versão deste post, explica a mema coisa a propósito de outro assunto.)

1. Ou será usado em consumo – e, segundo eu me lembro de ter ouvido nos últimos anos, os socialistas ADORAM o consumo e aumentos da procura interna, pelo que deviam adorar vistos dourados que permitem os portugueses consumam mais. (Mais IVA e mais IRC pelo menos, yeah!) Falam mesmo do consumo como se fosse uma obrigação patriótica consumir. Devemos estar gratos a quem nos dá oportunidade de cumprir em pleno as nossas obrigações patrióticas.

2. Ou investido. Este capital pode ser usado para criar novos negócios – que geram emprego, riqueza, IMPOSTOS (hmmmmmmm). Last I heard haver quem invista e crie novas empresas é bom para o PIB e para o país. Pode ser usado para compra de novos imóveis, constribuindo para dinamizar o setor da construção (e mais emprego, riqueza, IMPOSOS). E por aí fora.

3. Ou pode ser colocado no banco. E aí – tendo em conta que serão 500.000€ menos impostos – certamente não ficarão numa conta à ordem. Serão aplicados em produtos financeiros (cujos rendimentos gerarão IMPOSTOS) e serão usados pelos bancos para financiar negócios vários na economia portuguesa – o que quer dizer mais investimento, mais emprego e mais IMPOSTOS! Uau.

Nós sabemos que o PS desde que faliu o país anda desorientado – é ver o último episódio patético de Costa a dizer que Cavaco teria poderes diminuídos com eleições em Outubro quando, afinal, também os teria com eleições em Junho. Como li no twitter, dinheiro de estrangeiros assim só por si a entrar no país parece que não interessa nada – exceto s for para comprar títulos de dívida, ocasião em que se torna dinheiro salvífico. Bom, ninguém espera que o PS coloque os interesses das pessoas acima do interesse do partido (que confunde com o estado). Mas, se pensar bem chega à conclusão que os vistos gold são uma medida muito simpática. Porque lhes dá aquilo que para o PS está acima de tudo: impostos para gastar em obras inúteis, do género de um novo centro de congressos em Lisboa.

Grupo Symington lidera ranking da Wine Spectator

Wine Spectator: O melhor vinho do mundo é português

O Dow’s Porto Vintage 2011 recebeu o prémio de melhor vinho do mundo em 2014 pela revista Wine Spectator, num ano em que o Douro foi rei e senhor. O 3º e 4º classificados também são portugueses.

Parabéns à família Symington e a todos os seus colaboradores em Portugal pelo reconhecimento e pelos extraordinários resultados alcançados: Continuar a ler

Artigo na Political Studies

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Depois de ter sido aceite para publicação e estar disponível online desde Junho de 2013, o meu artigo conjunto com John Meadowcroft, “Hayek’s Slippery Slope, the Stability of the Mixed Economy and the Dynamics of Rent Seeking”, saiu finalmente no número de Dezembro da Political Studies.

Continuamos a desenvolver este tema de investigação – cruzando a Teoria da Escolha Pública com a Escola Austríaca – e, se tudo correr bem, 2015 e 2016 também deverão ser anos produtivos nesta frente, de preferência continuando a publicar nas principais revistas científicas internacionais.

Che Economics aplicado na Venezuela

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Está cada vez mais eficiente a gestão do governo e do processo socialista, garantindo ao povo o seu bem-estar e  desenvolvimento espiritual. Nesse sentido, o combate à opulência chegou à Zara.

(…)La nueva mercancía de Inditex en Venezuela fue adquirida con las denominadas divisas nacionales del Gobierno de Maduro, a una tasa de cambio que ronda los 12 bolívares por dólar, cuando el precio real en el mercado negro supera los 100 bolívares por dólar.

Por esta razón, el precio de los artículos es artificialmente bajo, ya que está subvencionado, lo que contribuye a engordar las ingentes colas que se forman en los establecimientos, generando una enorme escasez y el consiguiente racionamiento.

Según explican numerosos compradores por medio de las redes sociales,las colas de clientes comienzan ya a las seis de la mañana. “Dado nuestro interés por garantizar el acceso a estos bienes a la mayor cantidad de usuarios posible, hemos establecido las siguientes pautas para la comercialización: máximo cinco prendas por persona, sólo tres prendas superiores y dos inferiores. No se hacen apartados”, reza un cartel en una de las tiendas de Zara en Caracas.

Los pasos para poder comprar en las tiendas de Inditex en Venezuela son los siguientes:

1.- Es requisito indispensable presentar la cédula de identidad para poder comprar en estas tiendas. Una vez tomados los datos, te anotan en una lista y te asignan un número para entrar.

2.- Solo puedes comprar cinco prendas de vestir de la marca. Y de querer volver a comprar, deberás volver a esperar un mes más para adquirir alguna otra de cualquiera de las tiendas de la cadena, pues quedas registrado con tu número de cédula en el sistema de los establecimientos.

3.- Del máximo de cinco piezas por persona, solo tres pueden ser prendas superiores: camisas, franelas, chaquetas; y dos inferiores: pantalones o bermudas.

Mentira, a génese do comunismo

End of communism and the victory of truth over lies, de Daniel Johnson.

Of the three categories of relativism moral, cultural and epistemological — it is the last that is most subversive of humanity. Once truth and lies are indistinguishable, it is child’s play to excuse the inexcusable. Defeating communism meant defeating lies

o perigo amarelo-dourado

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Nós, como se sabe, somos pobres mas esquisitos. Além de levarmos a mal que os turistas venham cá gastar o seu dinheiro, dando cabo da calma lisboeta (e, em alguns locais de Lisboa, invertendo caminhos de decadência económica e imobilizada – e nós sabemos o quanto gostamos da decadência para nos comiserarmos dela) agora também querem investir por cá. Não há meio de nos deixarem sossegados. Algumas pessoas são obrigadas a vender as suas casas a chineses mais caras do que venderiam a portugueses, outras pessoas são obrigadas a trabalhar para empresas de estrangeiros que cá residem devido ao visto gold – e por aí fora de atrocidades horríveis a que vimos sendo obrigados.

Antes que comece a paranóia provinciana portuguesa do costume contra os vistos gold, é bom lembrar que medidas semelhantes existem em vários países por esse mundo fora. São formas eficazes de atrair investidores estrangeiros. E – além disso – são muito usados por portugueses que investem noutros países, concretamente aqueles da lusofonia cujos laços e entendimentos económicos e negócios lá costumam encher a boca dos nossos políticos e também de alguns comentadores. Portanto ao atacar os vistos gold é bom que se tenha noção de que se ataca um meio que muitos portugueses usam para ganhar dinheiro noutros países.

Quanto à corrupção (e às consequências políticas que aparentemente Passos Coelho mais uma vez não deixou que um seu ministro tirasse), investigue-se, julgue-se, puna-se. E sempre deu para a nossa investigação judicial mostrar que, afinal, existe.

Os 4 colapsos do Comunismo

Um texto pelo Brasileiro Diogo Costa, que recomendo. Deixo aqui 4 excertos:

Sobre o Moral:

Quando um comerciante, dizia Havel, pendurava na vitrine da sua loja uma placa dizendo “trabalhadores do mundo, uni-vos!”, seu ato não era movido por convicção e proselitismo. Era um ato de costume, de obediência, de coerção. Para Havel, seria mais honesto que a placa dissesse, “eu tenho medo e portanto sou inquestionavelmente obediente”.

Sobre o Tecnológico:

Em 1948, o governo Soviético permitiu que os cinemas exibissem As Vinhas da Ira. Baseado no romance homônimo de John Steinbeck, o filme retratava o sofrimento da classe trabalhadora americana durante a Grande Depressão. Não passou muito tempo e o partido decidiu suspender o filme. Os soviéticos saíam do filme impressionados com o fato de que, nos Estados Unidos, até os pobres trabalhadores possuíam automóveis.

Sobre o económico:

Mas em vez de criar riqueza, os soviéticos gastavam em produção conspícua: produziam por produzir, para mover indicadores econômicos em vez de para satisfazer demandas dos consumidores.

Sobre o ambiental:

De 1951 a 1968, o despejo de resíduos nucleares enxugou o lago para um terço do seu tamanho original. Ao ser dispersada pelo vento, poeira radioativa do Lago Karachai contaminou os arredores envenenando cerca de meio milhão de pessoas. Por isso decidiu-se cobrir o lago com 10 mil blocos de concreto oco. Quando Boris Yeltsin permitiu a presença de cientistas ocidentais no local, no início da década de 1990, noticiou-se que o nível radioativo nas margens do lago ainda era de 600 röntgens por hora, o suficiente para matar um turista desavisado em trinta minutos.

Criminoso como ainda há quem defenda o modelo soviético…

Na busca espiritual da saúde grátis

O terroristaAhmed Kabir; Fotografia: Newsweek-RUI VIERA/PA

O terroristaAhmed Kabir; Fotografia: Newsweek-RUI VIERA/PA

Inside the Mind of a British Suicide Bomber, uma reportagem de James Harkin na Newsweek

He insisted that ISIS was providing much-needed services to the people under its control. “There is free medical and dental and eye care, the doctors are all absolutely free,” he said. “And patients are given a stamp from ISIS which they take to the pharmacy to get free prescriptions. There is even free housing benefit: the poor are given an allowance of 10,000 lira a month towards housing costs: so if you pay 15,000, then you only have to pay 5000 from your own pocket. For orphans, widows and fighters it is completely free. These allowances are irrespective of whether you are a Muslim or a. Christian. It is justice for everyone.”

Do partido com telhados de vidro

O PCP e o sentido da história, de Paulo Tunhas.

(…)Esta reabilitação actual, a propósito do acontecimento simbólico da queda do muro, de uma doutrina que não se alterou quase um milímetro desde a sua primeira formulação, conta, é verdade, com a excitação empírica motivada pela recente política de Putin. A situação presente do mundo lembra ao PCP a de há 25 anos atrás. A União Europeia professa políticas “neoliberais, federalistas e militaristas”, notórias sobretudo nos actuais confrontos com a Rússia de Putin. “A situação que hoje se vive na Ucrânia, nomeadamente com a ascensão ao poder de forças fascistas, a perseguição anticomunista e a escalada de confrontação com a Rússia é o desenvolvimento lógico da «cavalgada» do imperialismo para Leste que se seguiu às derrotas do socialismo na RDA e noutros países socialistas.”

Esta motivação empírica é potente, e reata com o velho amor do “Sol da terra” (expressão de Álvaro Cunhal), a extinta União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (“quatro palavras, quatro mentiras”, dizia o filósofo Cornelius Castoriadis). Putin não pode deixar de fazer sonhar no capítulo. Apesar de tudo, o antigo funcionário do KGB também sofre de nostalgia da URSS, e se, que eu saiba, ainda não se serve do vocabulário “científico” do marxismo-leninismo, nada o impede, se tal ajudar ao nacionalismo da Grande Rússia, de futuramente o utilizar.

Resumindo. Na RDA não havia a Stasi, não havia uma terrível miséria no plano da sociabilidade, não havia gente disposta a arriscar a morte para fugir de lá. A linguagem utilizada para o dizer é intemporal, situa-se fora do tempo, como nos grandes mitos. É uma história sem história e, por isso, sem atenção ao sofrimento humano. Ou melhor: o sofrimento humano encontra-se antecipadamente justificado pela necessidade férrea das míticas leis da história. (…)

Turismo médico progressista

Médicos cubanos com passagem pela Venezuela assentam arraiais nos EUA.

Cada semana una media de quince médicos cubanos intentan fugarse de Venezuela y huir al «mundo capitalista», habitualmente Estados Unidos. La salida de médicos se acelera de mes en mes, y en el último año han salido del país 700 facultativos. «A veces tenemos semanas en las que recibimos más de cien solicitudes de ayuda para escapar», aseguró Julio César Alfonso, presidente de Solidaridad Sin Fronteras, una ONG con sede en Miami que ofrece asistencia a los cooperantes de la isla que desean abandonar las misiones médicas cubanas en el exterior.

Esta misma ONG señala que, en total, han desertado de Venezuela y otros países unos 3.000 profesionales encuadrados en losprogramas sociales auspiciados por La Habana en el exterior. Eldeterioro de la situación económica en Venezuela, la inseguridad, los bajos sueldos y la incertidumbre política contribuyen a acelerar la fuga de facultativos y profesionales. La devaluación del bolívar, un sueldo medio de 100 dólares mensuales al cambio oficial y las escasas perspectivas de desarrollo profesional, son otros tantos motivos para la huida.

 

A longa marcha da Taxa Costa

António Costa, Wikipédia.

António Costa, Wikipédia.

A propósito da mudança de ideias do candidato a Primeiro-Ministro e actual Presidente da Câmara de Lisboa, convém (re)lembrar o contraditório percurso de António Costa nesta matéria. É caso para afirmar que o caminho faz-se, taxando. Para o final deixo um apelo: em forma de dúvida: alguém nota alguma contradição ou é apenas impressão minha?
Em Agosto de 2013, a propósito de um aumento de taxas no aeroporto de Lisboa, a Associação de Turismo de Lisboa (ATL), presidida pelo António Costa, dizia o seguinte:
“A Associação do Turismo de Lisboa (ATL) diz que a gestora aeroportuária ANA está a destruir a competitividade do turismo na capital. (…)
A Associação Turismo de Lisboa, que representa mais de 650 entidades privadas e públicas da Região, vem denunciar mais esta medida que penaliza uma das poucas actividades que contribui positivamente para a economia nacional – o Turismo.De facto, as autoridades políticas e administrativas […] parecem apostados em destruir a competitividade dos hotéis, restaurantes, comércio e, agora, das companhias aéreas que contribuem para a oferta turística da Região de Lisboa.”

 

“O Turismo de Lisboa repudiou hoje o aumento de taxas no aeroporto da Portela, anunciado pela ANA – Aeroportos. […] Em declarações à Lusa, o diretor geral da ATL, Vítor Costa, criticou duramente a medida, que classificou de “ganância”, e disse esperar que a ANA recue.
[…]
“O Governo, agora, mesmo antes de assinar o contrato [com a Vinci, que adquiriu a ANA], está a legitimar um ataque desta natureza ao setor do turismo na região de Lisboa, Centro e Alentejo. Há aqui uma falta de cuidado, uma ganância, [com a ideia de que] ‘está tudo a correr bem, há mais turistas, vamos sacar mais dinheiro’“.
[…]
A medida, acrescentou o diretor geral da ATL, “vai afetar dramaticamente a competitividade de Lisboa” e poderá ditar a saída de companhias ou de ligações aéreas da Portela.”

“Vítor Costa confirma que o turismo em Lisboa está com “grande pujança”, mas sublinha que não pode deteriorar-se por causa de uma “vontade cega de aumentar taxas e impostos“. E acrescenta: “Não é ilegal, mas estão a matar a galinha dos ovos de ouro“.
Passados alguns meses, o mundo mudou. Em Novembro de 2014, a Câmara de Lisboa, presidida pelo António Costa, introduz uma taxa de 1 euro de sobre passageiros que desembarquem na cidade, com os seguintes objectivos:
 
  • “Atingir dez milhões de dormidas de turistas estrangeiros”;
  • “Alcançar receitas globais da hotelaria de oitocentos milhões de euros”;
  • “Melhorar o índice de satisfação dos visitantes em dois pontos percentuais”;
  • “Aumentar de modo significativo a notoriedade do destino junto dos mercados emissores que lhe são prioritários”.
Hoje, dia de São Martinho,  António Costa desafia Portas a esclarecer quanto cobra o Governo por passageiro e por dormidas em Lisboa. A este propósito, cito o dono da LPM na página de Facebook, “Engraçado: a Comunicação da CML acordou agora”. Parece que já veio tarde e não dará para remediar a realidade. A infografia do Jornal de Negócios será capaz, por si só, de responder às dúvidas da comunicação e do sinuoso candidato socialista a Primeiro-Ministro.

Entretanto, enquanto ninguém olha

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Enquanto a malta vai falando sobre o BES, a legionella e a taxa Costa, o governo prepara-se para aprovar discretamente, por via do orçamento de 2015, uma alteração ao pérfido decreto-lei 198/12. Esta alteração acrescenta, à já existente obrigação de comunicar electronicamente às Finanças documentos como facturas e guias de remessa, a obrigatoriedade de comunicar os inventários. À sombra do combate à evasão fiscal, numa lógica de que os fins justificam os meios, cria-se mais um mecanismo de controlo que só pode ser classificado de totalitário.

Lá vão dezenas de milhares de empresas ter de mudar processos e alterar o seu software de gestão corrente, incorrendo custos muitas vezes significativos. E desta vez nem sequer é preciso um decreto-lei, muda-se a coisa ao sabor dos orçamentos anuais que assim nem se gera grande debate público. Ninguém pára o Leviatã mais liberal de todos os tempos.

O modelo de governação de António Costa

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Além do reconhecimento implícito do sucesso das políticas de Adolfo Mesquita Nunes no sector do Turismo, as novas taxas anunciadas por António Costa apontam o caminho em termos de modelo de governação socialista.

É altamente pedagógico e clarificador que este aumento de taxas seja feito com António Costa ainda na presidência da Câmara. Desta forma, nenhum eleitor se deverá mostrar surpreendido por ver a mesma receita aplicada ao país caso António Costa vença as eleições.

Leitura complementar: Uma política diferente para o país; Matem o mensageiro, mas não se esqueçam da mensagem.