Nova oportunidade para os críticos de cartoons VII

Gaddafi

A paródia do regime sírio tem pernas para andar. De acordo com a agência de notícias síria, o país condena o ataque terrorista ao jornal Charlie Hebdo. Deixando de lado as alucinações e de regresso à realidade, não deixa de ser assinalável o progresso humanista do regime de Assad no que toca ao cartoonista que ousou caricaturar (não o profeta mas) o querido líder. Alguns dos trabalhos de Ali Ferzat podem ser vistos aqui.

Nova oportunidade para os críticos de cartoons VI

MorgenPost

German paper hit by Hebdo arson attack.

A German tabloid that reprinted cartoons from the French satirical paper Charlie Hebdo lampooning the Prophet Mohammed was targeted in a firebombing on Sunday, police said.

Adenda: O jornal belga Le Soir foi evacuado após uma ameça de bomba. As autoridades marroquinas proibiram a distribuição dos jornais e revistas estrangeiros que tiveram a ousadia de publicarem os cartoons do jornal satírico Charlie Hebdo.

Candidaturas IEP-UCP – intake de Fevereiro

Decorrem até 15 de Janeiro as candidaturas aos programas de MA in Governance, Leadership and Democracy Studies e de Mestrado e Doutoramento em Ciência Política e Relações Internacionais do Instituto de Estudos Políticos da Universidade Católica Portuguesa.

No semestre académico que se iniciará em Fevereiro, leccionarei a unidade curricular de Global Political Economy, obrigatória no MA in Governance, Leadership and Democracy Studies e opcional nos programas de Mestrado e Doutoramento em Ciência Política e Relações Internacionais.

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Das religiões que são superiores aquilo da liberdade

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Por “insultar o Islão” e “criar um forum liberal na internet”,  um tribunal saudita condenou em Agosto o blogger Raif Badawi, que já se encontrava preso, a uma pena de 10 anos de prisão e a ser chicoteado mil vezes. Para complementar a  pena, Raif Badawi pagará uma multa que ultrapassa os 190 mil euros. A sentença foi produzida após Raif Badawi, ter contestado a primeira condenação, de sete anos de prisão e a servir de poiso ao chicote por 600 vezes. Apelar da sentença nem sempre se revela ser  uma boa solução.
A iberdade de expressão é um conceito mais largo que o Oceano Pacífico e Badawi, está a pagar a ousadia a coragem e a afronta

Vendas em banca dos jornais portugueses: Janeiro a Outubro de 2014

Vendas em banca
1 – Correio da Manhã: 109.866
2 – Expresso: 71.621
3 – Jornal de Notícias: 52.476
4 – Público: 15.912
5 – Diário de Notícias: 12.182
6 – i: 3.498

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Nova oportunidade para os críticos de cartoons V

Imagem de Pat McGrath / Ottawa Citizen

Imagem de Pat McGrath / Ottawa Citizen

Imtiaz Ahmed, o imã da mesquita de Ottawa precisa de ouvir o que o imã de Lisboa tem para dizer e deixar-se de purezas legais.. Até porque a criminalização e punição por blasfémia no Corão não existe. Ou melhor, esta legislação divina foi produzida centenas de anos depois da morte de Maomé, em tempos de guerra e durante a época Medieval. Passa a aplicar-se quando dá jeito. Agora é o momento para os extremistas.

Em relação à onda de terror que acontece em França é para mim seguro, de uma forma bastante clara, que assassinar (mesmo por delito de opinião) não é permitido e juntar-lhe a questão do gosto é, no minímo, de mau gosto.  Deus nos livre  que o insulto à religião passe a ser considerado como uma ameaça global à paz e à segurança como pretendem boa parte dos estados muçulmanos desde 1999.

No Fio da Navalha

O meu artigo de ontem no ‘i’. É sobre a imigração e foi escrito antes do que sucedeu no Charlie Hebdo. No entanto, e precisamente por isso, torna-se mais pertinente ainda.

O humor está em alta

Lifenews

De acordo com o canal de progaganda de tv russo LifeNews que conta com um reputado especialista em política externa norte-americana, a  CIA está na origem do bárbaro ataque à redacção do Charlie Hebdo por forma a colocar um travão na guerra com o Estado Islâmico e para que as sanções contra a Rússia sejam mantidas. Confusos? Alexei Martynov, explica.

Num grupo de jornalistas no FB há quem cite uma teoria questão do David Icke a propósito do polícia assassinado cuja imagem não revela hectolitros de sangue. Ao que parece os reptilianos voltaram para ficar e dominar o que resta do Universo. Não serão precisas explicações

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Tremam

Um artigo com conclusões muito interessantes sobre a deflação, quanto mais não seja por estar publicado num canal generalista, não especializado e dirigido ao cidadão comum. A deflação é um perigo, dizem-nos a toda a hora, mas num mundo de devedores, onde o crescimento económico depende do consumo e não da poupança. É ainda um perigo para os governos e põe em xeque os bancos centrais que perdem uma excelente arma para direccionar a política económica.

Fala-se muito de 2014 ter sido o ano do fim da velha ordem. Isto devido ao colapso do BES e da PT. Mas a verdadeira mudança a que poderemos assistir nos tempos mais próximos talvez venha a ser precisamente esta: o fim do reinado da inflação. Ou me engano muito, ou ainda vamos ver muitos socialistas a tremer.

O salário mínimo não cria desemprego II

Ao contrário da noção intuitiva, o desemprego causado pelo salário mínimo não resulta tanto das pessoas que são despedidas após o seu aumento, mas muito no seu efeito na criação de novos empregos. Todos os meses, empregos são criados e destruidos na economia. Se algo tem um impacto negativo na criação de emprego, isto fará aumentar o número de desempregados. Por isso o efeito de um aumento inesperado do salário mínimo pode ser imediato.

Um dos motivos pelo qual é tão complicado analisar o efeito do salário mínimo no desemprego é porque grande parte dos aumentos são antecipados pelos empresários e vão sendo incorporados nas decisões de criação de emprego meses antes de ocorrerem. Para ser possível avaliar graficamente o impacto de aumentos do salário mínimo, precisamos de olhar para aumentos significantes e, de alguma forma, inesperados. Um exemplo foi o que aconteceu este ano.

Agora mostremos outro. Já em plena crise económica, o número de desempregados estava relativamente estável em Portugal. Apesar do acordo assinado anos antes, os empresários esperavam que o governo Sócrates não aumentasse o salário mínimo em 25 euros a meio de uma crise financeira. Sócrates aumentou-o e garantiu que o voltaria a fazer um ano depois. Olhando o gráfico abaixo conseguem adivinhar quando foi confirmado esse aumento?

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Antonio Costa, a meretriz hitleriana

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“(…)Eu defender o Correio da Manhã porque a maior parte do povo o lê é uma coisa populista e hitleriana, é um argumento hitleriano. O CM é o carro do povo, portanto, todos temos de ler o CM. O CM todos os dias atinge a dignidade das pessoas e nós todas aqui conhecemos pessoas que foram atingidas pelo CM. Portanto, tu dizeres que nós, de esquerda, gostamos do CM, gostamos do povo, logo temos de gostar do Cm… O CM é má fonte, é vergonhoso e eu não admito que me digam que, por ser de esquerda, tenho de gostar de um jornal que é muito popularucho. Acho isso uma coisa nojenta. O CM é uma vergonha e eu acho uma vergonha participar nele e, para mim, é prostituição ser colunista do CM!

Isabel Moreira, no programa Barca do Inferno.

Espero que este recado da Isabel Moreira ao Secretário-Geral do Partido Socialista, putativo candidato à chefia do próximo governo, actual Presidente da Câmara de Lisboa e colunista do Correio da Manhã se encaixe nos canais próprios que servem para enviar os recados políticos. Não acredito em mais nenhuma hipótese e parece-me ainda mais longínqua qualquer aproximação da deputada a um processo de auto-crítica..

Adenda: As outras meretizes do mesmo partido de Isabel Moreira que escrevem no CM são a Maria de Belém e o Eduardo Cabrita.

O salário mínimo não cria desemprego

Fica aqui a evolução mensal do número de desempregados em 2014, já utilizando os dados divulgados pelo INE. Sem usar o google, os leitores conseguem adivinhar em que altura foi aumentado o salário mínimo?

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Olha que dois

MADUROPUTIN

 

A atribuição da responsabilidade a terceiros pelas consequências dos erros provocados pelos próprios grandes líderes, o inevitável culto do querido líder detentor exclusivo do patriotismo saloio que tão bem coabita com a corrupção e os oligarcas, os sistemas de partido relativamente único associado ao esmagamento das oposições políticas e a excessiva dependência das receitas do petróleo e do gás natural constituem alguns dos elos que unem Vladimir Putin a Nicolas Maduro. A última teoria da conspiração narrativa promovida pelos dois presidentes parece basear-se numa guerra de petróleo cujo objectivo é destruir a Rússia e a revolução chavista que tão bons resultados tem dado. De acordo com os acusadores, a culpa pela baixa do preço do petróleo é invariavelmente dos EUA.

The ‘Oil War’

“Did you know there’s an oil war? And the war has an objective: to destroy Russia,” said Venezuelan President Nicolas Maduro in a live television speech last week. “It’s a strategically planned war … also aimed at Venezuela, to try and destroy our revolution and cause an economic collapse. It’s the United States that has started the war,” Maduro said, and its strategy was to flood the market with shale oil and collapse the price.

Russia’s President Vladimir Putin agrees. “We all see the lowering of oil prices,” he said recently. “There’s lots of talk about what’s causing it. Could it be an agreement between the U.S. and Saudi Arabia to punish Iran and affect the economies of Russia and Venezuela? It could.” The evil Americans are at it again. They’re fiendishly clever, you know.

We are hearing this kind of talk a lot these days, especially from countries that have been hit hard by the crash in the price of oil. Last Thursday, Brent crude hit $55 per barrel, precisely half the price it was selling for last June. The Obama administration’s announcement last week that it is preparing to allow the export of some U.S. oil to foreign markets may send it even lower (U.S. crude oil exports have been banned since 1973).

O agravamento do saque fiscal verde

Preço médio dos combustíveis aumentou 3 a 4 cêntimos por litro no primeiro dia do ano

Tal como antecipado, o preço médio dos combustíveis aumentou quatro cêntimos no gasóleo e 3,2 cêntimos na gasolina no primeiro dia de 2015. É o resultado da subida do imposto petrolífero

Leitura complementar: O próximo aumento de impostos será verde.

Portugal, a Grécia e a UE em 2015

diario_economico_outlook_2015De Atenas, com amor. Por António Costa.

Portugal enfrenta em 2015 um ano de provável tempestade perfeita por motivos internos e, sobretudo, por razões externas que poderão expor, novamente, o que (não) for feito. A Grécia, outra vez, é na zona euro o principal risco, e vai mostrar se a Europa e os líderes europeus aprenderam alguma coisa.

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Hollande deixa cair a taxa de 75% sobre “rendimentos milionários”

FRANCE DROPS ITS SUPER TAX ON MILLIONAIRES

A realidade tem a mania de se impor…

O que provoca uma subida de inflação? (versão Venezuelana)

Venezuela entra em recessão e regista inflação anual recorde de 63,6%.

A autoridade monetária atribuiu “a subida da inflação” à onda de manifestações antigovernamentais no país.

lolada…

Tempestade perfeita

diario_economico_outlook_2015Aqui fica o meu contributo para a edição especial de ontem do Diário Económico, dedicada a 2015: Tempestade perfeita

A grande incógnita para 2015 é sobre a capacidade de António Costa gerir o seu desgaste face às elevadas expectativas.

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Outlook 2015, no Diário Económico

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Fui um dos convidados a contribuir para a edição especial de hoje do Diário Económico, dedicada a 2015. Como o título deixa antever, não estou particularmente optimista: Tempestade perfeita.

Sporting: a cláusula dos 15 pontos no contrato de Marco Silva

A ser verdade, vale a pena reflectir sobre os incentivos potencialmente gerados pela cláusula nos vários intervenientes, especialmente numa situação de ruptura entre o Presidente do clube e o treinador, como aparenta ser o caso: 15 pontos de atraso permitem rescisão com Marco Silva

O Sporting poderá alegar justa causa para rescindir o contrato com Marco Silva, caso a diferença entre os leões e o líder do campeonato seja de 15 pontos no final da primeira volta.

Che Economics aplicado na Venezuela II

NM

No Verão passado, o governo da Venezuela entendeu “fazer uma revolução dentro da revolução”, 15 anos após o chavismo ter iniciado o seu reinado. O conjunto de medidas  visava atacar os problemas: a inflacção anual que ultrapassa os 63 por cento, a falta de produtividade, a escassez de bens essenciais e de divisas. A forma encontrada não poderia ser mais mágica – apostar no aprofundamento do modelo socialista.

Na vertigem socialista, o executivo de Nicolás Maduro nomeia Orlando Borrego, antigo colaborador de Che Guevara, como mentor da reestruturação da administração venezuelana.
Mais recentemente, Nicolás Maduro apelou aos trabalhadores que tomem conta das empresas que estejam a boicotar a economia nacional como parte de uma suposta estratégia da oposição política ao seu governo. “Os trabalhadores com a lei na mão devem tomar essa unidade produtiva e continuar a trabalhar para a colocar a funcionar. Contem os trabalhadores da pátria com todo o apoio do Presidente operário para recuperar as empresas que a burguesia abandona”, afirmou o Presidente no Congresso Nacional de Trabalhadores Socialistas. “Avançaremos para uma revolução no estado que nos permita atingir a eficiência socialista na acção do governo junto do poder popular”, prometeu ainda Nicolás Maduro.
A intelectualidade reinante parece não entender que a saída do capital provoca menos investimento, menos produção e, por fim, mais pobreza. A descida do preço do petróleo é mais um prego na revolucionária escola Che Economics que tão bons resultados tem dado à Humanidade..

Leitura complementar: Che Economics aplicado na Venezuela.

Nuvens negras

À excepção de António Costa, uns quantos oportunistas, e talvez um ou outro louco, não deve haver português que gostasse de estar no lugar de Pedro Passos Coelho. Até os mais ferozes críticos da política do seu governo reconhecerão que mesmo partindo para a empreitada com as melhores das intenções, ser Primeiro-Ministro deste país nas circunstâncias em que Passos foi incumbido de nos pastorear seria sempre uma muito pouco invejável tarefa: da gravidade do problema financeiro deixado pelo “engenheiro” José Sócrates e a urgência de o controlar, até aos obstáculos erigidos pelos inúmeros grupos de interesse sempre prontos a se oporem a toda e qualquer ameaça ao que outrora conquistaram, passando pela notória incapacidade ou falta de vontade dos mais variados membros Executivo para fazerem uma reforma que fosse mais que mera propaganda, tudo conspirava para que a vida do ocupante do Palácio de S. Bento no período legislativo de 2011-2015 fosse complicada.

Perante este deprimente quadro de dificuldades e complicações, não é de espantar que o Primeiro-Ministro se agarre aos mais insignificantes detalhes e os transforme em inigualáveis feitos de grandeza e heroicidade. E assim foi na passada quinta-feira, quando o Espírito do Passos Coelho Futuro (o da campanha eleitoral) resolveu assombrar os jantares natalícios dos seus conterrâneos com uma curta mensagem de Natal.

“Fechámos o programa de auxílio externo com uma saída limpa, sem precisar de assistência adicional”, regozijou-se o Primeiro-Ministro, esquecendo convenientemente não só que a troika desaconselhou essa “saída limpa”, como também que, no final, Portugal optou por não concluir o programa de assistência, prescindido da última tranche nele prevista após a declaração de inconstitucionalidade de algumas medidas necessárias à obtenção de objectivos orçamentais exigidos para o seu pagamento. Passos Coelho, no entanto, assegurou que a conclusão deste programa “não foi uma conquista insignificante”, e “ficará por muitos anos na nossa história”: “depois de tremendas dificuldades a que fomos sujeitos”, insiste, o país “reconquistou” a sua “autonomia”, e tem “em marcha um processo sólido de recuperação”, uma “nova fase” de “crescimento”, “aumento do emprego e de recuperação dos rendimentos das famílias”. “Podemos”, afirma Passos, “sentir cada vez mais confiança no futuro”.

Como seria de esperar, não faltou quem logo viesse acusar o líder do Governo de discursar sobre um país existente apenas na sua fértil imaginação. Poucos repararam como, a par deste exagero dos méritos dos seus trabalhos, o discurso de Passos Coelho acabava também por ser uma admissão do seu falhanço. Uma admissão involuntária, é certo, mas uma admissão na mesma: ao falar da carga de impostos e do “alívio fiscal” que supostamente “os portugueses” vão sentir, o Primeiro-Ministro disse também que “não podemos ir tão longe como gostaríamos”. Infelizmente, o Primeiro-Ministro não se alongou, mas é óbvio para qualquer um que, se o Governo não pode promover um “alívio” fiscal tão extenso como “gostaria”, é porque isso implicaria uma explosão dos valores do défice que minaria a credibilidade do Governo e deixaria o país numa muito frágil situação nos “mercados” de dívida pública. Como é também óbvio para qualquer um que essa explosão do défice que resultaria de uma hipotética descida dos impostos só aconteceria porque houve uma bem real relutância ou falta de habilidade para cortar a despesa do Estado em quantidade suficiente para tornar mais leve a carga fiscal que os portugueses são forçados a suportar. Sem querer, Passos Coelho diz a quem quiser perceber que os anos da sua governação foram uma perda de tempo.

O Primeiro-Ministro, manifestamente, integra o grupo das pessoas que não querem perceber o que quer que seja. Falou, à primeira vista sensatamente, das muitas “incertezas no plano externo” que “comportam riscos para os quais devemos procurar estar preparados”. Mas logo afirmou que “este será o primeiro Natal desde há muitos anos em que os Portugueses não terão a acumulação de nuvens negras no seu horizonte”, uma afirmação só por si suficiente para tornar clara a magnitude da incompreensão do mundo por parte do homem à frente dos nossos destinos. A crise dos preços do petróleo bem pode ter levado muitos espíritos menos sensatos a sentirem um grande alívio com o aparente enfraquecimento de uma Rússia que parecia cada vez mais perigosa. O problema está em que o comportamento agressivo da Rússia sempre se deveu precisamente à percepção que o regime putiniano tem da fraqueza do país (e do seu controlo sobre ele): a circunstância do regime ser (como escreveu Fraser Nelson) “uma gigantesca empresa energética com um exército” pode ter enriquecido os seus corruptos líderes, mas também os fragiliza, à medida que um mercado menos favorável lhes diminui a riqueza, e uma economia atrofiada se arrisca a retirar-lhes o apoio popular. Com tropelias na vizinhança, Putin une os russos em torno do líder que os “protege” de um “Ocidente moralmente decadente”. E se perder o controlo do poder, quem o vier a substituir será provavelmente ainda pior. Quanto maiores forem os problemas da Rússia, mais agressiva tenderá a ser, com todos os problemas que isso acarreta.

Ao mesmo tempo, mais perto de nós (em todos os sentidos), a Grécia caminha para um acto eleitoral que pode deixar o poder no colo do Syriza, e com isso fazer regressar a crise da moeda única europeia. Alguns optimistas julgam talvez que à beira do precipício, a Alemanha se convenceria finalmente a abrir os cordões à bolsa para evitar o descalabro. Ignoram que essa opção, podendo talvez salvar a economia europeia, corre também o risco de conduzir à desintegração da União: ao implicar, através da desvalorização da moeda que essa política de menor “austeridade” acarretaria, uma perda do valor dos salários e poupanças dos cidadãos dos países com finanças públicas (relativamente) saudáveis, esse esforço só seria aceite por países como a Alemanha se tiverem meios de impor aos outros medidas orçamentais restritivas. O resultado não se faria esperar (até porque já por aí anda): os “ajudados” queixar-se-iam de serem cidadãos de segunda, e os restantes do despesismo dos anteriores, concordando apenas no desprezo pelo arranjo e na ânsia pela sua extinção.

Mas nem é preciso olhar para os céus estrangeiros para ver as “nuvens negras” que, ao contrário do que julga Passos Coelho, ameaçadoramente pairam sobre Portugal. Basta olhar para o nosso. Por muitos bons indicadores que possam ser encontrados para vislumbrar uma luz ao fundo do túnel em que temos caminhado, eles são meramente conjunturais. São sucessos de curto prazo. Tudo o que é estrutural e de longo prazo na nossa economia continua sem ser reformado: a carga fiscal continua demasiado elevada para que a economia a possa suportar sem ser estrangulada, mas ao mesmo continua a ser insuficiente para cobrir todas as despesas que o Estado tem de fazer, despesas essas que em grande medida o eleitorado não está disposto a dispensar; a Segurança Social continua a ser um esquema Ponzi insustentável pelo qual todos somos vigarizados por obrigação legal imposta pelo Estado; a Justiça, para além dos casos mediáticos, continua a ser um caos lento e injusto; e o país continua a estar muito dependente do favor de quem lhe vai emprestando dinheiro, sem no entanto lhes oferecer algo que impeça que, uma vez desfavorável a conjuntura, de novo todos receiem a nossa capacidade de cumprir as nossas obrigações; acima de tudo, paira sobre as nossas cabeças a muito escura “nuvem” da degradação das condições políticas para se fazerem essas reformas no futuro, a principal e mais negativa consequência do falhanço governativo de Passos: ao criar um enorme descontentamento com a “austeridade” sem ter feito nada que a fizesse valer a pena, o Governo torna simultaneamente mais necessárias e menos apetecíveis novas medidas de consequências muito difíceis para a vida dos portugueses.

É por isso que, ao contrário do que António Costa diz desejar, o “ano novo” estará longe de trazer consigo “vida nova”. O calendário indicará certamente o início de mais um ciclo de 365 dias, mas como qualquer elemento da espécie humana acaba por descobrir mais tarde ou mais cedo na vida, o passado demora a passar. Continua connosco mesmo quando julgamos que o deixámos para trás. E tal como Passos teve de lidar com a “herança” de Sócrates, também Costa terá de suportar o peso da de Passos. O “ano” poderá ser novo, mas infelizmente – para o líder do PS, e acima de tudo, para todos os portugueses – as tropelias de Sócrates e o fracasso de Passos continuarão aí, já velhinhos mas bem vivos a pairar sobre nós, e a “vida”, não será nova, mas pior. “Vem aí uma tempestade”, disse há uns anos uma senhora integrante de uma fantasia hollywoodesca de qualidade apreciável. Pelos vistos, nem Passos Coelho nem António Costa julgam que a profecia se aplique ao cantinho onde tanto eles como nós tivemos o azar de ser trazidos a este mundo. Não demorará muito para que um e outro descubram que estão enganados. Pena que todo um país tenha que os acompanhar na valente molha que se abaterá sobre nós.

A investigação jornalística de 2014

Vai direitinha e por aclamação para a iraniana Press TV. Graças ao gigantesco trabalho de investigação e de infografia, revela à humanidade que as ilhas sauditas de Tirana e Sanafir encontram-se há décadas silenciosamente ocupadas por Israel. .

Se reconhece a realidade, é “liberal”

Alguém disse liberalismo? Por Rui Ramos.

Chama-se “liberalismo” à urgência de equilibrar as contas do Estado ou à necessidade de, numa época de endividamento e desemprego, tornar a economia competitiva internacionalmente — como se só aos “liberais” pudessem ocorrer essas opções. É por isso que na Europa, todos os governantes são acusados de “liberalismo”, estejam à esquerda ou à direita: Passos ou Rajoy, mas também Renzi ou Hollande. Não interessa o que cada um deles é ou diz que é: basta que diminuam um subsídio ou façam uma reforma, mesmo contrafeitos, para passarem a ser “liberais”.

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Efeitos da baixa do preço do petróleo em Angola

Se fosse em Portugal, o realismo e a contenção orçamental anunciados por José Eduardo dos Santos seriam imediatamente rotulados de neoliberais e austeritaristas: Presidente angolano prevê 2015 difícil devido a queda de preços do crude

O Presidente angolano, José Eduardo dos Santos, perspetivou para 2015 um ano difícil no plano económico, motivado pela “queda significativa do preço do petróleo bruto”, o que vai levar à redução de algumas despesas públicas. O líder angolano, que dirigiu nesta segunda-feira uma mensagem de ano novo à Nação, apontou o corte dos subsídios aos preços de combustíveis, como uma das reduções necessárias para o próximo ano.

“Há projetos que serão adiados e vão ser reforçados o controlo das despesas do Estado e a disciplina e parcimónia na gestão orçamental e financeira, para que se mantenha a estabilidade”, disse o Presidente angolano.

A arte de escolher o alvo mais fácil

Inteiramente de acordo com o Rui Albuquerque: saber daquilo que se fala.

Acho muito bem que os adversários do liberalismo lhe casquem forte e feito. Mas, por favor, não se fiquem pelo «Hayek, Friedman, a escola de Chicago» do costume. Quando se ataca alguma coisa convém saber, pelo menos, do que estamos a falar.

Leitura complementar: Carlos Abreu Amorim e o liberalismo.