Primárias PS: moção política de (in)Seguro

António José Seguro apresentou agora a sua moção política para as primárias do Partido Socialista, que vão escolher o candidato a primeiro-ministro nas legislativas. A sua aposta continua a ser, não o corte nas despesas mas, sim, o crescimento da economia. Convém, por isso, recordar os cálculos de Medina Carreira. A realidade é tramada…

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Porque é que os professores estão sempre a protestar?

O Economista InsurgenteIntrodução ao capítulo dedicado à Educação no livro “O Economista Insurgente”

Desde o início dos anos 90, Portugal teve onze ministros da educação. Desses, apenas dois se mantiveram no seu posto por mais de dois anos (Nuno Crato será o terceiro). Poucos são aqueles que sobrevivem politicamente a uma passagem pelo Ministério da Educação (Manuela Ferreira Leite é o maior caso de sucesso, ainda assim relativo e temporário). Os ministros da Educação, de Couto dos Santos a Maria de Lurdes Rodrigues são um alvo permanente de contestação de alunos e professores. A esta situação não é alheio o facto dos professores serem uma das classes profissionais mais bem organizadas sindicalmente e com maior capacidade de reivindicação. O facto de a educação ser um sector fortemente estatizado faz com que os professores tenham ainda mais capacidade negocial.

Os professores têm usado esta capacidade negocial da melhor forma na defesa dos seus interesses: Portugal é um dos países da Europa onde há mais professores por aluno e um dos países onde, em relação aos restantes trabalhadores, os professores têm maiores vencimentos. Os professores conseguiram também rejeitar todo e qualquer modelo de avaliação até hoje apresentado.

Ao contrário do que se possa pensar, o número de professores em início de carreira no desemprego é um indicador desta situação de privilégio dos professores do quadro – e não o oposto. Esta situação é sinal de que milhares de candidatos a professores preferem esperar no desemprego por uma oportunidade de iniciar a sua carreira, a procurar empregos alternativos noutras áreas. Eles entendem que o custo inicial do desemprego virá a ser compensado no dia que consigam ser contratados. Infelizmente para muitos, já não será assim: Apesar do número de professores ter crescido bastante nos anos 80 e 90 devido ao maior acesso ao ensino de muitas crianças, o efeito está hoje a desvanecer e até a inverter-se por via da demografia. Com a atual tendência demográfica, Portugal irá precisar de cada vez menos, não mais, professores.

Apesar desta situação de aparente e relativo privilégio, a classe dos professores é uma das que mais protesta e os sindicatos dos professores dos mais fortes, senão os mais fortes, do país. O impacto desta situação na qualidade do ensino, na situação de alunos e pais (que é para quem o sistema de educação se deveria desenhar) e nos contribuintes (quem, no final, paga por este sistema) é o tema deste capítulo.

Alcança, quem não cansa

Mas é capaz de ser mais prudente esperar sentado.

El Vaticano pide a los líderes musulmanes que condenen la violencia y persecución que sufren cristianos, yazidíes, y otras minorías religiosas y étnicas en Irak.
En una declaración, el Pontificio Consejo para el Diálogo Interreligioso pide a líderes religiosos, sobre todo a los musulmanes, que condenen abiertamente la violencia y den un paso contra los yihadistas y sus actos críminales. No hacerlo dañaría la credibilidad de cualquier religión, de sus seguidores y líderes,asegura la declaración
El documento también subraya que ningún motivo ni religión puede justificar esta violencia, e incluye una lista con los crímenes cometidos por los yihadistas que pretenden imponer un Estado islámico.
Entre ellos destacan la decapitación y crucifixión por motivos religiosos; la conversión forzada al Islam, o el pago de un impuesto en su lugar; los secuestros de mujeres y niñas, y la destrucción de lugares de culto.
 El documento reconoce que la mayor parte de instituciones religiosas y políticas musulmanas se oponen a los yihadistas. Sin embargo, aclara, esta oposición no ha evitado más ataques. (…)

Sporting, Benfica, FC Porto e a banca

Declarações interessantes, também pelo timing: Moniz critica perdão da dívida ao Sporting

«Há cerca de um ano e meio [altura da eleição de Bruno de Carvalho como presidente do Sporting], o sistema financeiro introduziu um factor de distorção competitiva inexplicável, quando decidiu perdoar a um determinado clube dívida contraída e quando em relação à dívida remanescente, decidiu reescaloná-la em 20 anos. (…) «O Benfica e o FC Porto são clubes cumpridores e não tiveram nem perdões de dívida, nem taxas de juro de favor, nem incumpriram pagamentos de juros ou de capital», acrescentou o administrador da Benfica SAD e vice-presidente do clube.

Referendos

Referendo

 

Por forma a aplicar as mesmas regras universais às relações internacionais, Vladimir Putin acede a fazer mais um referendo, desta vez no Leste da Ucrânia. Polónia, Finlândia, Moldávia, países bálticos, Geórgia e Azerbaijão são os países que se seguem na “short list” onde a Rússia deseja prosseguir a democracia. A questão é: “Considera prioritário o envio de ajuda humanitária suiça?”

Portugal e os futuros

(Artigo publicado no Diário Económico de hoje)

Tempos houve em que achei que o futuro de Portugal só poderia ser melhor que o presente. Em 2002, depois de António Guterres ter perdido o controlo do défice e abandonado o cargo de primeiro-ministro, acreditei que seria possível a Portugal fazer reformas impopulares mas necessárias, dada a fragilidade da situação do país e a evidência de que se tinha chegado a um beco com uma única saída possível. Quando Durão Barroso apareceu a falar de “rigor financeiro” e de “liberalização”, dizendo “posso ser impopular a curto prazo, mas estou confiante que damos a volta em três ou quatro anos”, um entusiasmo juvenil levou-me a, mesmo não tendo ainda idade para votar nessas legislativas, filiar-me no PSD. Dois anos depois, Durão fugia para Bruxelas, impopular mas sem ter feito qualquer reforma. Nos anos seguintes, o país apenas piorou, e cada vez mais me fui afastando dessas lides, à medida que cada vez menos acreditava na hipótese de “dar a volta”. Hoje em dia, nem sequer sei se ainda consto ou não dos cadernos do partido.

O presente de Portugal é tudo menos dourado. Como se não bastasse a pobreza relativa do país, o Estado absorve cerca de 50% da parca riqueza produzida por nós. Portugal tem neste momento uma dívida pública superior a 120% do seu PIB. A carga fiscal do país é simultaneamente demasiado alta para que a economia a possa suportar e insuficiente para cobrir as despesas do Estado, que os cidadãos, por sua vez, não parecem querer dispensar. Ao mesmo tempo, se nada mudar, as pessoas da minha geração terão de prescindir de uma parte cada vez maior do seu rendimento para manterem um Estado Social à beira da falência e que nem sequer traz consigo a “justiça social” a que almeja: ao se destinar a todos – os que precisam e os que não precisam – perversamente favorece mais aqueles que, com rendimentos médios, nele trabalham ou dele beneficiam quando teriam condições para o dispensar.

Se esta triste realidade fosse o ponto de partida para um futuro melhor, uma necessária aproximação a um abismo que motivasse uma mudança de rumo, não teríamos muito que recear. O problema está em que não sabemos o que esperar nos próximos 25 anos. “O futuro”, na realidade, não existe. Existem sim vários “futuros”, possíveis cenários cuja transformação em realidade depende das escolhas que formos fazendo no presente. Por muito que achemos que “batemos no fundo” e que “pior que isto é impossível”, só poderemos ter um futuro melhor se fizermos as opções que o permitam.

Se há algo em que deveríamos ser diferentes em 2039 é na carga fiscal. Esta não só atrofia a economia e cria dificuldades diárias a todos os portugueses, como, no mundo globalizado de hoje (passe o jargão), diminui a nossa competitividade. Uma boa forma de tornar essa carga fiscal simultaneamente menor e mais justa seria a adopção de um flat tax, à semelhança da Estónia (ou de outros países do Leste, bem como a nossa vizinha Andorra), onde qualquer cidadão com rendimentos inferiores a 1.728 euros está isento do pagamento de impostos sobre o seu rendimento, e todos os que tenham rendimentos iguais ou superiores pagam uma taxa de 21%. As vantagens seriam enormes: por um lado, a aplicação de uma taxa única diminuiria os desincentivos à criação de riqueza que existem num sistema em que à medida que uma pessoa ganha mais, terá de abdicar de uma parte maior desse rendimento; por outro, manter-se-ia a progressividade, na medida em que 21% (ou 35%, ou fosse qual fosse a taxa a ser efectivamente aplicada) de 2.000 euros é sempre menos do que a mesma percentagem de um rendimento de 5.000 euros. Ao mesmo tempo, isentar-se-ia a camada da população de menores rendimentos do pagamento de impostos, enquanto se simplificaria extraordinariamente todo o sistema.

O próprio Estado Social poderá, se assim o quisermos, ser bem diferente do que é hoje. Se até o paraíso social-democrata da Suécia foi capaz de o reformar profundamente, não há razão para que num país em que o modelo sempre deixou a desejar, como o nosso, não se faça o mesmo. E se a Suécia introduziu mecanismos de mercado na prestação de serviços sociais como a Saúde e a Educação que em Portugal teriam a forte oposição da “esquerda”, o nosso país poderia ir ainda mais longe, com uma solução capaz de manter o que satisfaz a “direita” e agradar à “esquerda” pelo seu carácter redistributivo: a transferência dos gastos sociais do Estado da esfera dos prestadores de serviços para os cidadãos. À semelhança do que propõe o americano Charles Murray no livro In Our Hands, em vez de pagar escolas, hospitais e pensões, o Estado poderia dar um “rendimento básico” aos cidadãos sem meios próprios para acederem a esses bens, que o aplicariam à medida que necessitassem e escolhendo eles próprios a quem o entregar. Esta solução não só permitiria tirar da pobreza esses portugueses com menos meios, como faria com que os prestadores de serviços respondessem, não aos critérios burocráticos dos ministérios, mas às reais necessidades das pessoas.

No entanto, a mera existência de uma oportunidade para mudar não implica que ela seja aproveitada. Uma crise não é um momento em que haja maior propensão para arriscar, antes é uma circunstância em que as pessoas preferem garantir o pouco que ainda vão tendo. É perfeitamente possível que nos próximos 25 anos os portugueses adoptem esta atitude e não queiram correr os riscos inerentes às reformas necessárias.

Mas mesmo nesse cenário mais pessimista há razões para estarmos optimistas. Matt Ridley, no livro The Rational Optimist, diz que um mundo cada vez mais “interligado” e “em rede” fará com que a inovação acelere e a evolução económica eleve exponencialmente os padrões de vida da Humanidade. Por outro lado, Tyler Cowen, em Average is Over, prevê que uma economia dependente da tecnologia produzirá tanto um maior número de ricos como um maior número de pobres, mas ambos argumentam que até estes últimos beneficiarão de uma melhor qualidade de vida, graças a bens e serviços mais baratos e acessíveis. Se nenhuma catástrofe – um colapso da União Europeia, uma guerra mundial, uma epidemia devastadora, uma substituição da globalização pelo isolamento proteccionista – ocorrer, o mundo será melhor em 2039. Portugal, por arrasto, também. Resta saber se as escolhas que faremos entretanto significarão que aproveitaremos esse balanço ao máximo, ou se beneficiaremos apenas o mínimo possível das boas escolhas de outros.

Visionamento recomendado

Apesar dos especiais cuidados que os meios de comunicação social devem ter na abordagem ao tema do terrorismo, aconselho o visionamento do trabalho da Vice, o primeiro orgão de comunicação “embedded” com o grupo terrorista Estado Islâmico.

The Islamic State (Part 3)- O passeio com a polícia da virtude e dos bons costumes islâmicos.

The Islamic State (Part 2)- A doutrinação de crianças na moral do grupo terrorista.

The Islamic State (Part 1)- O jornalista Medyan Dairieh inicia a reportagem na cidade de Raqqa (Síria), onde o grupo jihadista procura dominar a resistência oferecida pelo exército do ditador Assad.

 

O caso Rioforte e a anterior gestão da PT

com uma simples assinatura. Por Rui A.

Bava desconhecia, o conselho de administração ignorava e os accionistas de referência foram apanhados completamente de surpresa. Parece, então, que só Granadeiro sabia, na PT, o que ia fazer com 900 milhões de euros, que não lhe pertenciam, nas empresas de Salgado. Sendo assim, fica por responder à pergunta seguinte: como pôde um único sujeito, numa empresa da dimensão e da importância da PT, determinar o destino de tanto dinheiro, com a sua simples assinatura.

Socialist delusion

kafka

Escreve o Joaquim Couto no Portugal Contemporâneo

O capitalismo moderno, assente na propriedade privada, na livre-iniciativa, nos mercados, na concorrência e num sector financeiro independente, não funciona em Portugal. Era bonito o sonho, pá! Mas acabou-se, acordamos e constatamos a realidade.

 

O que às vezes entristece é ver liberais (ou os que dizem que o são) adoptar a retórica e a linguagem socialista. A ver: capitalismo, desde pelo menos Marx que o inventou, não é assente em nada disso, capitalismo é só a propriedade privada dos meios de produção, mais nada. O resto é mercado livre. E sendo assim, onde tem andado o mercado livre em Portugal? É que eu não dou por ele. O que existe é o que os americanos chamam crony-capitalism, um sistema em que os meios de produção sendo nominalmente privados são na realidade condicionados, decididos e orientados pelo Estado e por quem o gere episodicamente. Mercados? Quais mercados? Os dos preços administrativamente fixados (ver Bancos) ou quando não o são, via concessões e protecção a interesses especiais como é o caso da GALP ou da EDP? Qual concorrência? A que põe a ASAE, o Fisco e todo o poder do estado em cima das PME impedindo-as de crescer e combater os instalados? Qual sector financeiro independente? O que há décadas vive de legislação até fiscal que o favorece, o que financia Partidos e interesses espúrios ligados à captura do estado? Um bom exemplo é o BCP. De um Banco revolucionário e que modernizou sozinho todo o sistema financeiro, tornou-se propriedade partidária de facto à custa da única vez que se deitou na cama com o Governo e fez um favor a Guterres, Sousa Franco e Vítor Constâncio, sabe-se lá em troca de quê.

O envolvimento patético dos “capitalistas” na ruína do País, a falência das grandes empresas e o compadrio descarado, assim como o desrespeito total pelos pequenos acionistas e pela poupança privada, demonstram o óbvio: o capitalismo não cai bem connosco.

Qual envolvimento patético? Há 390 mil empresas em Portugal, 390 mil proprietários de meios de produção. É capaz de afirmar quantos destes 390 mil estão envolvidos na ruína do país? Veja lá bem quem são, onde, como e quando esses seus “capitalistas” se envolveram na ruína do país e quem é o Deus Ex-Machina deles todos. E quando o perceber, falaremos então de capitalismo, mercado livre e Portugal.

Para já fico por aqui e quanto à conclusão do Professor Pedro Arroja (por quem tenho grande apreço e respeito) vale o que vale e é muito pouco nesta altura, holismos não costumam dar grande resultado e normalmente dão em tragédias. Continuo a considerar que ele está a percorrer um círculo e há-de voltar ao sítio de onde partiu, é uma questão de tempo.

Carlos Silva fica no “Novo Banco” ou no “BES mau” ?

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Líder da UGT “preocupado” com 7000 postos de trabalho do BES

UGT: Governo diz que garante postos de trabalho do BES

Antes de ser candidato à UGT, o novo líder falou com Ricardo Salgado

“Fiz questão de ter uma reunião com o doutor Ricardo Salgado, a quem transmiti, de forma transparente, a minha intenção”. Segundo afirmou, Ricardo Salgado, “enquanto presidente da Comissão executiva do BES, desejou-me sorte e disse que era também um fator de prestígio para o BES ter um dos seus colaboradores como secretário-geral da UGT”.

O 3º round da ‘narrativa’ sobre o desastre de supervisão do BES

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Eu até queria escrever sobre outras coisas, mas o mundo não deixa.

Nos últimos dias tenho ouvido e lido um choradinho (o último foi hoje nos poucos minutos – que a sanidade mental e o senso e o gosto não permitem aguentar mais do que uns poucos minutos seguidos dos comentadores televisivos – em que ouvi Marques Mendes) sobre a tremeeeeeeeenda injustiça que se está a fazer a Carlos Costa, coitadíssimo, que é ‘só’ governador do banco de Portugal, enquanto que o criminoso-mor Salgado está a passar pelos pingos da chuva. E, meus caros, deixem-me que vos diga que esta argumentação é indecorosa.

Salgado cometeu crimes enquanto administrador do BES? De tudo o que se tem lido, sim, e espero que, confirmando-se o que se tem escrito, os pague bem caros em pena de prisão. Algo que duvido que suceda porque quem faz o que faz nas várias empresas dos Espírito Santo não deixará de ter colecionado podres que pressionem outros poderes, pelo que, depois de atiçarem a fúria popular contra Salgado (para proteção própria), o poder político (e judicial) não deixará de promover a absolvição de Salgado.

Mas vamos ao Banco de Portugal. Eu sei que há muito para aí, dado o que argumentou por estes dias, quem acha normal e até gosta de ser enganado pelo estado (desde que o autor do engano seja o PSD). Esses estão way round the bend e nem vale a pena discutir esta questão com eles. Mas, aos restantes, dizem-me sff para que raio existe o regulador e supervisor bancário BdP? Não é precisamente para acautelar as situações que sucederam? É que se partirmos do princípio que sempre que há gestão danosa nos bancos o BdP nada consegue ver, nada consegue fiscalizar, nada consegue evitar, para que andamos a gastar dinheiro com a inutilidade? E o que está um senhor tão sério e eficiente como Carlos Costa (segundo os maluquinhos) a fingir que tem alguma utilidade, só para receber todas as benesses de ser governador do BdP? Uma pessoa séria não aceita estar a fingir que pode ser eficaz quando é apenas decorativa, pois não? Ainda para mais num caso em que mais perigoso do que não haver nenhuma regulação é não haver nenhuma regulação enquanto se assegura que sim, que há regulação e que esta é confiável; é dizer aos mercados que podem ter confiança em vez de dizer aos mercados que estão inteiramente por sua conta e que tomem as decisões com base nisso.

E há ainda outro ponto. Salgado pode ter cometido crimes, mas quem tinha a obrigação de zelar pelos interesses dos cidadãos portugueses era Carlos Costa, não Salgado. Por isso faz todo o sentido – e só num país de imbecis funcionais não será assim – que os cidadãos peçam explicações a quem os devia defender de por que não o fez.

A defesa (indefensável) de Carlos Costa está a ser feita evidentemente pelo governo, que também não quer ter sobre si o ónus de ter mantido em funções e ter até apoiado um governador do BdP que sabia que Salgado montou um esquema fraudulento no GES e o deixou continuar à solta no BES. Pior: deixou-o à solta no BES sabendo que tinha o tempo contado e que se havia maroscas para fazer, era fazê-las depressa. (A propósito: alguém se lembrou de testar o QI de Carlos Costa?) E a ver vamos se ministra das finanças e primeiro-ministro não sabiam também do ‘esquema fraudulento’ do GES e não foram cúmplices da manutenção de Salgado no BES. E evidentemente que sabiam, porque se Carlos Costa não lhes tivesse dado uma informação dessa relevância, tê-lo-iam demitido de imediato ao conhecê-la. Mas mesmo que num cenário impossível Costa não os tenha informado, certamente que Salgado informou o pm quando lhe foi pedir ajuda para o banco.

Ou seja: MLA e PPC, com toda a probabilidade, sabiam e foram coniventes com o contágio que Salgado estava a fazer ao BES dos problemas financeiros do GES. É para os salvar que se tenta convencer que Costa não podia ter feito mais.

É por isso que o primeiro spin da nacionalização do BES foi a suprema coragem que este governo teve de sacrificar os acionistas – essa gente ávida de dinheiro e burra que não tinha visto aquilo que era evidente para todos. Isto vem da estupidez ancestral (porque nunca lhe traz ganhos eleitorias nenhuns) do PSD – não resiste a mostrar as suas credênciais de partido esquerdista – e do uso que contavam fazer da proverbial inveja dos portugueses por quem tem dinheiro. Saiu-lhes o tiro pela culatra, porque se os contribuintes (até ver) e os depositantes ficaram aliviados por não serem (ainda mais) sacrificados, também entenderam bem que a maioria dos acionistas não tinha qualquer responsabilidade na gestão do BES e que tinha sido enganada à grande pelo supervisor (e governo), sobretudo na pornográfica vergonha que foi a permissão do último aumento de capital do BES.

O segundo spin foi lembrar que o culpado era Salgado, não Costa. Também não colhe e já referi algumas razões.

O terceiro spin, aparentemente, é culpar o BCE. (Não sei que contorcionismo vão adotar agora aqueles que até ao momento garantiam que a opção tomada fora boa, quando pelos vistos a nova ‘narrativa’ vai ser ‘a solução foi má mas fomos obrigados’.) Mas esta terceira ‘narrativa’ é ainda mais surreal, porque veio através de um escritório de advogados.

E aqui chegados, é o momento de lembrar que um dos (muito) poucos méritos deste governo era não ser o governo sócrates, quando aconteciam coisas que nos punham permanentemente de queixo caído. Mas até esse mérito este governo conseguiu destruir. Porque, lamento, mas ter: a) um governador do BdP que mantém na administração de um grande banco nacional quem sabe ter montado um ‘esquema fraudulento'; b) um pm e uma ministra das finanças que não demitem Carlos Costa, ou o convencem a demitir-se, ao saberem de tão grave incompetência do governador do BdP; c) os mesmos pm e ministra das finanças estão a banhos descontraidamente e agem como se tudo tivesse sido uma mera questão técnica que nada os implicou (apesar da mudança de leis à pressa para Costa implementar a sua decisão) e d) finalmente aparecer uma ata do BdP (sabe-se lá se verdadeira) numa newsletter de um escritório de advogados a apontar o novo culpado – bem, ter tudo isto é demasiado socrático para o meu sensível paladar. É que para ter o nível de falta de vergonha de sócrates de imitação, mais valia termos continuado com o sócrates verdadeiro. Eu, nos políticos como nas carteiras, prefiro sempre o original.

BCE obrigou Banco de Portugal a agir no caso BES

A confirmar-se, creio que a notícia só reforça o que escrevi aqui, em particular a parte relativa ao vilão: Banco Central Europeu obrigou Portugal a enterrar o BES

A decisão portuguesa de partir o BES foi forçada pelo Banco Central Europeu (BCE). Após a publicação dos enormes prejuízos do Banco Espírito Santo no primeiro semestre de 2014, na ordem dos 3500 milhões de euros,o BCE reagiu na sexta-feira 1 de agosto. Suspendeu o estatuto de contraparte que era devido ao BES e exigiu o reembolso imediato de 10 mil milhões de euros até ao fim do dia útil seguinte — 4 de agosto, segunda-feira.

Leitura complementar: BES: o bom, o mau e o vilão.

Imaginem que Ricardo Salgado fala

Um artigo em aparente forma de aviso: O pior dos pesadelos. Por Paulo Baldaia.

Imaginem que Ricardo Salgado, tocado pelas santas palavras do Bispo de Roma, resolve redimir-se do seu capital pecado e confessar o carácter diabólico que presidiu às suas relações nas últimas décadas. É que não há banco do regime sem regime, nem regime sem titulares do poder, nem corruptores sem corruptos. Nós sabemos como, entre as migalhas e os grandes banquetes, muita gente comeu à mesa do último banqueiro.

Continuar a ler

A preocupante perda de memória de Carlos Costa

Creio que serei insuspeito de simpatias políticas com o deputado João Galamba, mas nesta intervenção colocou várias questões relevantes a Carlos Costa, que lamentavelmente se mostrou genericamente incapaz de responder de forma satisfatória.

Carlos Costa: “Eu não referi fraude”, após a interpelação de João Galamba

“por último, gostaria de deixar uma nota que me parece importante, eu diria mesmo muito importante, para perceber os desenvolvimentos do bes ao longo do ultimo ano. o ges, através de entidades não financeiras e não sujeitas à supervisao do banco de portugal e situadas em muitos casos em jurisdições que são de difícil acesso, desenvolveu um esquema de financiamento FRAUDULENTO entre empresas do grupo.”

Um par improvável (ou: regressando a coisas interessantes)

Já andei a publicitar isto noutros lados, mas seria um crime de, sei lá, genocídio literário não o partilhar também aqui. Mundo (ou, como sou obrigada a dizer quando tenho de apresentar as crianças cá em casa, ‘senhoras e senhores, meninas e meninos, bebezinhas e bebezinhos’ – e isto apesar de eu ser a única xx neste lar): apresento-vos Adam Smith ao encontro de Jane Austen. Confesso que não entendi as relações que se podem estabelecer entre A Teoria dos Sentimentos Morais e os livros da Jane. As heroínas dos seus livros (tirando Emma Wodehouse) são todas umas destituídas da vida que querem, mais que tudo, casar com um homem rico. E casam. Por amor, evidentemente, ou não fossem romances jorgianos ‘by a lady’ (que foi como inicialmente se publicaram). Também se pode dar o caso de ser mais um exemplo daquela descrição da aristocracia britânica que a Nancy Mitford faz no Noblesse Oblige, com encantadora parcialidade: os aristocratas britâncicos costumam casar com quem estão apaixonados e calha que se apaixonem por pessoas ricas. Mas, lá está, a Lizzie (do Pride and Prejudice) só começa a perceber (e a apaixonar-se) por Mr Darcy depois de ver Pemberley – i.e., de perceber quão rico Mr Darcy era. E a Fanny de Mansfield Park, quando volta a casa dos seus pouco abonados pais, depois de viver com os tios ricos, também conclui que há grandes incómodos na falta de dinheiro.

Claro que para redimir tanto amor pelo vil metal, lá temos a Lizzie que recusa as propostas de casamento de Mr Collins (o herdeiro da propriedade do seu pai) e de Mr Darcy, sabendo que este é rico mesmo que não saiba quão rico. E a Elinor de Sense and Sensibility também não se incomoda que o seu Edward Ferrars perca a sua herança para poderem ter o seu felizes para sempre. (E a própria Jane Austen recusou pelo menos uma proposta de casamento, sendo que tinha ainda menos dinheiro do que as suas heroínas.)

Mas isto não interessa nada, só quem tem a mania de ser crítico literário mas não percebe patavina do assunto pode desgostar de ler sobre Jane Austen e Adam Smith, emparceirados ou não. Em todo o caso, este texto foi motivo para arrumar as estantes. A Jane Austen estava ao lado da Nancy Mirford, do Evelyn Waugh, do Thackeray, do Dickens (e dos livros do Harry Potter) e A Riqueza das Nações e A Teoria dos Sentimentos Morais estavam perdidos no meio dos livros de Economia. Finalmente estão reunidos.

O BES, o risco para os contribuintes e a credibilidade de Maria Luís Albuquerque

Não sei quanto tempo conta Maria Luís Albuquerque continuar como Ministra das Finanças mas, independentemente dessa variável (explicativa?), faria bem em parar de dizer que “não há qualquer risco” para os contribuintes associado ao resgate do BES.

Pode eventualmente até vir a não haver custo para os contribuintes. Mas risco obviamente que há. E não é pouco.

Ondas de choque BES na PT

PT pede auditoria para “apurar todas as responsabilidades” sobre investimentos no BES

Objetivo é avaliar como evoluíram as relações financeiras entre a empresa e o Grupo Espírito Santo desde abril de 2000, data da assinatura da parceria estratégica entre as duas partes.

PT confirma saída de Granadeiro e marca AG para 8 de setembro

A Portugal Telecom confirmou a renúncia de Henrique Granadeiro aos cargos que ocupava na operadora, tendo marcado para 8 de setembro a assembleia geral de acionistas onde vai ser votado o novo acordo de fusão entre a PT e a Oi.