Socialismos dos partidos dos taxistas

Fotografia do Público

Fotografia do Público

Depois dos dilúvios que afectam a cidade de Lisboa sempre que chove, situações de desastre que apenas acontecem porque os serviços camarários não são avisados, o CDS de Lisboa decide que importa regulamentar a actividade dos tuk tuk na capital.

O CDS quer que a actividade dos tuk tuk em Lisboa passe a estar limitada a um conjunto de circuitos pré-definidos e se restrinja ao período diurno, “por forma a compatibilizar os interesses e necessidades” de quem vive na cidade, de quem a visita e “de quem dela depende para desenvolver os seus negócios”.

Nesse sentido, o vereador do CDS na Câmara de Lisboa vai apresentar esta quarta-feira uma moção, na qual recomenda ao município que avance com a regulamentação da actividade destes triciclos motorizados. Em declarações ao PÚBLICO, João Gonçalves Pereira sublinha que essa regulação deve ser vista por todos os agentes como “algo positivo, não negativo”, assente na ideia de que “qualquer país e cidade deve proteger aqueles que neles investiram”.

Na sua moção, há essencialmente três aspectos relativamente aos quais o autarca centrista defende que a câmara deve definir regras, depois de ouvir os empresários do sector: a tomada e largada de passageiros, os circuitos e os horários.

Em sentido contrário ao das várias propostas de regulamentação da actividade turística, apraz-me recordar as palavras de Adolfo Mesquita Nunes,

“A liberalização da economia resulta. Quando o Estado dá espaço às empresas, as empresas respondem, e respondem com criação de emprego e crescimento.” Redução de taxas, liberdade de acesso e redução de custos para as empresas foram os três pontos de viragem. “Costumo dizer que há que desamparar a loja. Ninguém cria uma empresa, de animação turística ou outra qualquer, se tiver de percorrer um calvário de licenciamentos e pagar um amontoado de taxas. (…) Sendo constituída por micro e pequenas empresas, muitas delas resultado de empreendedorismo, a animação turística é um dos sinais e exemplos do relevo do turismo na criação de emprego. “

Como moral da história, aos interessados, aconselho a leitura do certeiro artigo do Alexandre Homem Cristo no Observador, Tuk-tuks: mudança ou ameaça?

(..) A história em si não tem nada de surpreendente. A incapacidade de adaptação aos tempos, a inveja pelo sucesso dos outros, a obsessão pelo proteccionismo, a exigência que o Estado esteja sempre lá para decidir, regulamentar e, sobretudo, preservar a rentabilidade de sectores empresariais que deixaram de ser rentáveis. Tudo isso é Portugal. E é, aliás, por essa razão que este caso é tão interessante – porque ultrapassa a luta específica de um sector e representa, na verdade, o confronto entre a concretização da mudança e o país que somos. Um país que pede essa mudança mas que não gosta quando ela acontece. Um país que se orgulha de ser um destino turístico de excelência, mas que vê o sucesso das empresas do sector como uma ameaça. Um país que quer ser mais livre e próspero mas que não consegue ultrapassar a sua dependência do Estado.

No fundo, é isto: um país que não aprende com os seus erros e onde os bons exemplos de sucesso e de governação parecem nunca ser suficientes para impor a mudança. Um país onde o socialismo parece vencer sempre.

 

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Falemos de desigualdade (2)

O Vasco é sócio de um escritório de advogados. Ganha 40 mil euros por mês. Vive em Cascais e tem um património de 5 milhões de Euros. O Vasco é o 1%.
O Zé é empregado de mesa. Ganha 600 euros por mês e vive num apartamento alugado em Massamá. Tem duas semanas de salário no banco e uma dívida à Cofidis. O seu património é negativo. Está no topo do último quartil de rendimentos.

Depois de acordar, o Vasco tem à sua espera torradas e um sumo de laranja preparados pela empregada. Toma o pequeno almoço e chama o motorista que o leva até ao emprego. Enquanto espera no trânsito entretém-se com o seu iPad air e telefona aos seus amigos. Durante a manhã tem várias reuniões, interage com muita gente, clientes e empregados.
O Zé acorda, mete uma fatia de queijo num pão e come uma laranja. Sai de casa a tempo de apanhar o autocarro. Enquanto espera no trânsito, brinca com o seu android e troca mensagens no Whatsapp. Durante a manhã, interage com muita gente, clientes e colegas empregados de mesa.

Ao almoço, o Zé vai ao macdonalds. Por 4 euros come um hamburger, batatas fritas e uma coca-cola. Sai do trabalho às 6 e depara-se com uma greve no metro. Tem que caminhar 1 hora até à estação de autocarros mais próxima. Chega a casa às 7 e meia. Faz o download do episódio da sua série favorita e fica a vê-lo no seu computador que comprou usado por 150€.
Ao almoço, o Vasco vai ao restaurante mais caro da sua zona. Por 200 euros come um hamburger gourmet de carne de vaca argentina rodeado de 8 batatas fritas em óleo de coco, e uma coca-cola. Sai do trabalho às 6 da tarde e vai ao ginásio. O personal trainer recomenda-lhe 1 hora de walking. Chega a casa às sete e meia, senta-se em frente ao seu ecrã plasma e sistema de som e compra o episódio da sua série favorita.

O avô do Vasco ganhava bem: podia comprar meia dúzia de sardinhas todos os dias e tinha uma motorizada para ir para o emprego na cidade. Já o salário do avô do Zé só dava para 1 sardinha por dia. Quando não havia batatas, ia para o trabalho com fome. Como só tinha dinheiro para uma bicicleta, passou a vida num raio de 10 kms à volta de sua casa. O avô do Vasco tinha 6 pares de sapatos que usava todos os dias. O avô do Zé andava muitas vezes descalço para não estragar o seu único par de sapatos.

O Vasco ganha 70 vezes mais que o Zé. O avô do Vasco só ganhava 6 vezes mais que o avô do Zé. A desigualdade aumentou, dizem.

Um documento de estratégia orçamental para a legislatura

Uma excelente sugestão, na linha desta outra do Rui A.: Senhores candidatos a PM: Queremos um DEO! Por António Carrapatoso.

Não podemos continuar com jogos florais: nas eleições os candidatos não podem ser vagos, devem apresentar um documento de estratégia orçamental para a legislatura. Detalhado, preciso, sem subterfúgios

Entrevista a Alexandre Mota – Instituto Mises Portugal

Uma entrevista interessante dada por Alexandre Mota, o novo presidente do Instituto Ludwig Von Mises Portugal, ao jornal Vida Económica: O caminho para o progresso é o Estado “sair da frente”

Vida Económica – O que é o Mises Portugal, o que defende e o que pretende?
Alexandre Mota
– O Instituto Ludwig von Mises Portugal é um “think tank” liberal, português, na linha dos vários institutos Mises congéneres em todo o mundo. Temos como lemas a liberdade, a propriedade e a paz e pretendemos revolucionar as ideias em Portugal. É um objetivo difícil, mas de outra forma não seria tão excitante.

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Ironias do destino…

be careful what you wish for. Por Rui A.

Há oito anos, na sequência da OPA lançada pela SONAE à PT, os trabalhadores da empresa, representados pelos sindicatos, manifestavam-se violentamente contra as pretensões de Belmiro de Azevedo, a quem chamavam, com fina ironia e desprezo aristocrático, “o tubarão das mercearias”. Oito anos depois, os trabalhadores e os sindicatos da mesma empresa, entretanto confiada a outro género de peixes de águas mais profundas e a vorazes animais de rapina, estão muito apreensivos com a possibilidade da sua empresa ser “vendida a retalho pela Oi”.

PT, BES e o nacionalismo da esquerda

O nacionalismo económico

O PS está-se a iniciar no caminho trilhado já pelo PCP do apelo primário ao nacionalismo. Primário porque irracional, como se gostar de Portugal fosse pretexto para escolher mal. Pior: como se o amor a Portugal fosse pretexto para dar, aos decisores políticos, carta branca para decidir da pior forma possível.

Não é a primeira vez que tal sucede. O Estado Novo foi construído nessa premissa. É interessante reparar como, à medida que o actual regime se vai embrulhando em problemas cada vez mais complexos, a tentação do nacionalismo, nomeadamente de cariz económico, sobe de tom.

Não há português que não goste de Portugal. Mas gostar de um país, não é o mesmo que destruí-lo à conta da irracionalidade. Não será, certamente, confundi-lo com uma classe política que mistura o governo do Estado com o rumo de Portugal. Que não distingue limites na sua função enquanto agentes políticos que visam alcançar o poder.

Gostar de um país é sentirmo-nos em casa nele. É a ligação instantânea, próxima e imediata que cada um de nós sente uns pelos outros apesar de não nos conhecermos e, o mais provável, nunca nos cruzarmos nesta vida. É algo que permite que um Estado de Direito, e a lei que dele emana, seja por todos aceite; seja por todos recebida como um ganho e não uma perda de liberdade.

No entanto, aquilo a que a esquerda se está alicerçar, e que temo o PS venha a abraçar, não é este sentimento salutar. É antes algo que alimenta a desconfiança perante o exterior, entende independência como isolacionismo e separação. Vê na troca de experiências, não um ganho, mas um prejuízo. Um dano não só para a sua ideologia e dogmas político-económicos, mas para o país, cujo destino poucos separam das suas crenças particulares.

Foi o nacionalismo económico que publicamente justificou a oposição política de Sócrates à OPA, que Belmiro de Azevedo lançou em 2006, contra a PT, e que prejudicou seriamente aquela empresa, sem falar nos consumidores. Foi esse nacionalismo que cegou o país para a utilização política que se fez de uma empresa que, não devendo ter outro papel que a satisfação dos seus clientes, se destruiu ao aceitar que a política se sobrepusesse à economia.

Porque é disto que se trata: de política e de economia. De dirigismo central versus decisões individuais tomadas em liberdade. De seguidismo e inteligência. Os episódios do BES e da PT, a instrumentalização que o primeiro fez do poder político por falta de credenciais económicas, possível por inexistência de um mercado livre, é um alerta. Mas será também um teste. Um teste à nossa capacidade enquanto povo, pessoas que partilham o mesmo espaço cultural, de resistir à confusão populista que é o nacionalismo, de aprender com o passado e não cometer os mesmos erros no futuro.

O multiplicador keynesiano em acção

Um caso estranho – entre muitos – em que o popularmente famoso multiplicador keynesiano não parece ter funcionado, apesar de uma forte e inequívoca aposta no investimento público: Câmaras com a corda na garganta

Um dos municípios mais desequilibrados do ponto de vista financeiro, com cerca de 20 milhões de euros em dívida, Vila Nova de Poiares é um local sui generis. Tem piscina municipal, centro cultural, parque de desportos radicais, uma imponente “Alameda” onde se realizam eventos ao ar livre, uma enorme cruz no centro da localidade, um jardim com estátuas que evocam profissões tradicionais da região e um sem número de outras coisas vistosas. Mas não tem saneamento básico. Em média, cada um dos 7200 habitantes deve 2776 euros mas a Câmara só recolhe receitas de 890 euros por munícipe.

“Se forem reeleitos, que orçamento é que conseguem fazer para 2016?”

Andar num labirinto e não encontrar saída. Por David Dinis.

Este Governo chegou ao seu último orçamento adiando os problemas. Sem meios, sem imaginação, sem ousadia. Espero que quem vier perceba que a história não acabou aqui: ela ainda mal começou.

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O bloqueio do Governo e do país

Quatro anos depois, quase no mesmo ponto. Por José Manuel Fernandes.

Quatro anos depois, a despesa corrente vale exactamente o mesmo: 44,6% do PIB. É como se, depois de tantas batalhas, tivéssemos voltado à estaca zero. Diz muito sobre o bloqueio do país – e do Governo

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Os economistas de António Costa

Aí está, aparentemente, a equipa de conselheiros económicos de António Costa:

Dentro da sala estavam pelo menos cinco são ex-governantes de José Sócrates. Trata-se de Emanuel dos Santos, ex-secretário de Estado do Orçamento, Sérgio Vasques, ex-secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, Costa Pina, ex-secretário de Estado do Tesouro e Finanças, Fernando Medina, ex-secretário de Estado do Emprego, Luís Campos e Cunha, ex-ministro das Finanças.

Além dos ex-governantes de Sócrates, estão também nomes como Brandão de Brito, Eduardo Paz Ferreira, Fernando Medina, ex-secretário de Estado do Emprego, João Cravinho, também ex-ministro socialista, João Leão, Luís Nazaré, Manuel Caldeira Cabral, Paulo Trigo Pereira, Pedro Lains, Ricardo Cabral, que assinou em julho uma proposta de reestruturação da dívida com Pedro Nuno Santos e Francisco Louçã. A comitiva conta também com as economistas e eurodeputadas Maria João Rodrigues e Elisa Ferreira.

Além dos 17 economistas apontados, estavam também reunidos com Costa e Ferro Rodrigues os deputados Pedro Nuno Santos, Vieira da Silva, e João Galamba, também economistas.

Propostas orçamentais pormenorizadas para 2016 e 2017

uma proposta. Por Rui A.

Nas próximas eleições legislativas de 2015, em vez de apresentarem ao eleitorado os tradicionais programas de governo e declarações de princípios, papelada com patuá mais do que gasto e a quem já ninguém liga nenhuma, que tal avançarem com propostas orçamentais pormenorizadas para, pelo menos, 2016 e 2017, considerando as contas conhecidas (e auditadas pelos serviços da troika) do estado e as políticas de cada partido?

O socialismo está de parabéns

maduro

Pelos melhores motivos, a Venezuela que possui uma das maiores reservas de petróleo do mundo, alcançou a proeza de ter de importar o ouro negro.

Existem planos para “fazer uma revolução dentro da revolução”. Há 15 anos que o chavismo reina na Venezuela. Com o sistema económico a colapsar, o Presidente Nicolás Maduro, reconheceu no programa de propaganda semanal “Em Contacto com Maduro” que “há problemas económicos.” De frente para a realidade, o governo venezuelano colocou em marcha um conjunto de medidas que visam atacar os problemas: a inflacção a 60 por cento ao ano, a falta de produtividade, a escassez de bens essenciais e de divisas. A forma encontrada não poderia ser mais mágica: apostar no aprofundamento do modelo socialista que tão bons resultados tem originado.
Na vertigem socialista, o executivo de Nicolás Maduro nomeou Orlando Borrego, antigo colaborador de Che Guevara, como mentor da reestruturação da administração venezuelana. A nomeação política aprofunda ainda mais a ligação entre Cuba e a Venezuela e dá poderes a funcionários do estado para intervir nas decisões de produção e de investimento das empresas e por intervir com base em verdadeiras leis anti-terroristas contra quem seja indiciado por participar naquilo que se considera como um “atentado à ordem económica.”  Dificilmente se poderia esperar mais e melhor.

 

Leonard Liggio (1933-2014)

Obrigado por tudo.

Leonard Liggio on the Rise of the Modern American Libertarian Movement

IN MEMORIAM: LEONARD LIGGIO

Leonard P. Liggio, Executive Vice President of Academics at Atlas Network, passed away October 14, 2014 at the age of 81.

Leonard’s career advancing liberty spanned seven decades, during which time he served as the President of the Mont Pelerin Society, the Philadelphia Society, and the Institute for Humane Studies, where he later continued to serve as its Distinguished Senior Scholar. He was a professor at George Mason University, a visiting professor at the Universidad Francisco Marroquín, a board member of the Competitive Enterprise Institute, and a Trustee of Liberty Fund.

Alex Chafuen and the late John Blundell once wrote that, if F.A. Hayek was the great architect of the revival of classical liberalism, then Leonard has been its “great builder, building a worldwide movement… one career at a time.”

O novo código deontológico dos jornalistas

El Estado Islámico publicó 11 puntos para los periodistas que trabajan en su zona de influencia.

Ainda que vagamente relacionado, vale a pena ler a pequena crónica do João Pereira Coutinho sobre o estado a que chegou a imprensa escrita, Para horror dos Otários.

1 – Los corresponsales deben jurar alianza al Califa (Abu Bakr) al Baghdadi (…) son súbditos del Estado Islámico y, como tales, deben jurar lealtad a su imán.

2 – Su trabajo deberá estar bajo la exclusiva supervisión de las oficinas de prensa del EI.

3 – Los periodistas pueden trabajar directamente con agencias internacionales (Reuters, AFP, AP), pero tienen que evitar todas las cadenas internacionales y locales de televisión. Tienen prohibido proveer cualquier material exclusivo o tener contacto con ellos en cualquier capacidad.

4 – Los periodistas tienen prohibido trabajar con las televisiones en la lista negra que luchan contra los países islámicos (al Arabiya, al Jazeera y Orient).

5 – Los periodistas tienen permiso para cubrir eventos en la región por escrito o con imágenes si contactan con las oficinas de prensa. Todas las fotos y textos publicados deberán tener el nombre del autor.

6 – Los periodistas no podrán publicar nada sin pasarlo antes por la oficina de prensa del EI.

7 – Los periodistas pueden tener sus propias cuentas de redes sociales y blogs para difundir noticias e imágenes. Sin embargo, la oficina de prensa deberá tener las direcciones y nombres de estas cuentas y páginas.

8 – (…) deberán cumplir las normas (…) y evitar filmar lugares o eventos de seguridad donde esté prohibido.

9 – El EI seguirá los trabajos de periodistas en medios locales y nacionales.

10 – Todas estas normas pueden cambiar, dependiendo de las circunstancias y el grado de cooperación entre los periodistas y su compromiso con los hermanos en la oficina de medios de EI.

11 – Los periodistas tendrán licencia para trabajar una vez solicitada a las oficinas de prensa del Estado Islámico.

SOS Soares

Mário Soares, o defensor dos oprimidos e fracos continua a não ter amigos capazes de o proteger e cuidar.

 “Foi um grande presidente de câmara e considero que foi injustiçado”, disse Soares, interrogando-se: “Quando há pessoas que roubam milhões e estão soltas, como é que ele foi preso sem razão nenhuma?”

Soares não foi a casa de Isaltino, mas Isaltino foi assistir à palestra de Soares. E no final houve mais do que um abraço. E todos calorosos.

Da Bielorrússia, com amor

putin

Putin is a dickhead!

A Bielorrúsia confronta-se com uma questão fundamental para o seu futuro de  curto e médio prazo: o país é incapaz de reformar o seu sistema político e económico. Resta-lhe entregar a soberania à sua maior aliada e vizinha: a Rússia. A dívida da Bielorrúsia é enorme face à riqueza que é (in)capaz de produzir e um quadro de bancarrota afigura-se, cada vez mais, como uma ameaça real. O Fundo Monetário Internacional há muito que decidiu não abrir os cordões à bolsa enquanto não forem aprovadas as necessárias reformas estruturais do sistema económico e político do país. Da parte da União Europeia (UE) as portas da cooperação internacional encontram-se seladas e encontram-se em vigor sanções  económicas e políticas enquanto o regime unipessoal de Alexander Lukashenko – no poder desde 1994 – não decidir abrir caminho para uma abertura do sistema político que continua a manter literalmente toda a oposição fora do parlamento local.
A 29 de Maio, a Rússia, a Bielorrússia e o Casaquistão firmaram em Astana um acordo no qual os três estados dão forma à União Económica Euroasiática que entrerá em vigor no primeiro dia de 2015. O acordo que integra as três ex-repúblicas soviéticas foi assinado pelos presidentes dos três países Vladímir Putin, Nursultan Nazarbayev e Alexander Lukashenko e pretende abrir uma nova etapa de união económica através da criação de um mercado comum que reúne mais de 170 milhões de pessoas. Está prevista a livre circulação de bens, serviços, capitais e pessoas. A cooperação será feita nos sectores da energia, transportes, indústria e agricultura.
Moscovo tem “espaço” para exigir algumas mudanças:para não aumentar o preço pelos produtos energéticos exportados para a Bielorrússia. De acordo com o caminho da Rússia percorrido até aqui, Putin poderá exigir contrapartidas “reformistas” e que passam na prática pela privatização das principais empresar estatatais que interessam às corporações russas.
As opções do ditador da Bielorrússia não são fáceis para ele próprio: uma aliança “contra-natura” ao Ocidente que implicaria o desmoronamento da ditatura ou a consolidação da ligação ao gigante russo, mantendo em troca o lugar honorífico à frente do país. Alexander Lukashenko pouco mais aspirará do que continuar a ser o que sempre foi: o ditador de mais um quintal do Kremlin. Não há ditaduras eternas mas Vladimir Putin ainda não se apercebeu. E a malta dos futebóis é tramada.

 

Transparência e decência

Transparência? Por José Manuel Moreira.

Sujeitar a escrutínio redobrado quem tem esses “poderes e cargos” é prudente, mas já temos melhor: verdade, honestidade, coerência e cumprimento da palavra dada. Expressões de decência que perderam para o tique da transparência, que vingou, em especial, na vida política: dos submarinos ao BPN e ao BES, do Freeport à Tecnoforma, que serviu a Seguro para desafiar Passos a autorizar o levantamento do sigilo bancário.

Política Económica e Finanças Públicas em Portugal – Sábado, 18:30, no Porto

No próximo Sábado, pelas 18:30 no Porto, falarei sobre Política Económica e Finanças Públicas em Portugal.

Academia_Sa_Carneiro

A iniciativa é do PSD-Porto, mas são bem-vindos social-democratas de todos os partidos.

Aprendizagem crítica comunista

RitaBernardino

Afinal existem gulags na Coreia do Norte. Está criada a oportunidade para que a Rita Rato, com o inestimável apoio do camarada Bernardino possa estudar e ler algo sobre a matéria, de acordo com a cartilha oficial do PCP.

Leituras complementares: É melhor consultar primeiro o camarada BernardinoPor cá a Rita Rato disse o mesmo sobre o Gulag.

Seja patriota: faça amigos e fuja do sal

O meu texto de hoje no Observador.

‘Há dias li um texto de Anna Almendrala no Huffington Post sobre amizades. Dizia lá que, além das reconhecidas vantagens de ter amigos (companhia, diversão, cumplicidade, fuga da solidão, apoio em tempos problemáticos e mais trezentas e quarenta e sete vantagens), se comprova que ter amigos faz bem à saúde. A certa altura o artigo cita mesmo um estudo que equipara o risco de mortalidade de quem não tem uma rede social forte ao de quem fuma quinze cigarros por dia ou bebe diariamente seis bebidas alcoólicas.

Enquanto lia o texto pensei enviá-lo às minhas amigas mais chegadas, quiçá escrever um post sobre amizade, referindo como as minhas amizades de adolescência ainda são tão centrais na minha vida (tanto que vinte anos depois ainda contacto com frequência com a maioria, e jantamos e fofocamos e até engravidamos ao mesmo tempo), como incentivo os meus filhos a serem amigos dos filhos dos meus amigos, como nos últimos anos a blogosfera e o facebook permitiram que me tornasse amiga de pessoas que nunca conheceria (e que ninguém vilipendie estas novas redes ao pé de mim). Poderia até elabor

ar sobre as amizades femininas – as amizades entre mulheres são das relações humanas mais curiosas (e recompensadoras e cúmplices) que se podem estabelecer, e são tantas vezes desconsideradas por homens (os que não concebem não ser o centro de todas as relações femininas) e por mulheres (as sem arte para constituir estas deliciosas amizades). Com algum tempero de questões de género, desde logo como provocação amigável a quem se amofina com estes temperos.

Pensava eu o exposto acima, mas continuei a ler o texto e tive os inícios de um pequeno ataque de nervos. É que às tantas se passa de elencar os benefícios para as pessoas das suas amizades para passar a ponderar os benefícios para a saúde pública da existência das amizades. Chega mesmo a lamentar-se a necessidade de maior pesquisa neste campo antes de se fazerem ‘campanhas de saúde pública sobre relações’.’

O resto está aqui.

No Fio da Navalha

O meu artigo de hoje no ‘i’.

Diferentes tipos de solidariedade

A Noruega tem um fundo de 800 mil milhões de dólares criado com as receitas do petróleo. A sua dimensão é de tal ordem que, caso fosse utilizado no momento presente, tornaria milionários todos os noruegueses. No entanto, e apesar disso, foi decidido guardá-lo e aumentá-lo todos os anos.

A Noruega é caso único entre os países produtores do ouro negro, também porque o custo da extracção é elevado, obrigando a um forte investimento tecnológico. No entanto, apesar do elevado investimento, apenas uma pequena parcela da poupança é nele utilizada. Na verdade, a maior parte está a ser guardada para o futuro, de forma a precaver imprevistos.

A ideia subjacente é não onerar as gerações futuras com os encargos presentes. Dessa forma, não há gastos supérfluos. Os noruegueses não se permitem esse luxo, vivendo de forma contida. É interessante como o igualitarismo social na Noruega levou à poupança enquanto o socialismo em Portugal (e restante Europa e EUA) conduziu à despesa, pondo em risco a sustentabilidade do próprio Estado.

Não sendo eu socialista, sirvo-me do caso da Noruega para ver confirmada a suspeita de que os defensores do aumento da despesa não são necessariamente os defensores da solidariedade social. É que esta acarreta responsabilidade, exigência e boa governação. Acima de tudo, contenção. E também respeito. É que quem não respeita não pode exigir.

O crescimento é a última preocupação do país

Mais um excelente e corajoso artigo de João César das Neves: O mistério do crescimento.

Por que motivo a economia não cresce? A recessão acabou no início de 2013, perdendo 8,7% desde 2008, 5,2% com a troika. Ao fim de ano e meio, o PIB sobe 0,9%, quase estagnação. Porque não descola?

Não há aqui qualquer mistério. As várias causas podem resumir-se numa só: não existe crescimento em Portugal porque essa parece ser a última preocupação do país.

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O puzzle francês: una os pontos

França e Itália pressionam para que regras do défice sejam flexibilizadas
Bruxelas prepara-se para vetar Orçamento do Estado francês para 2015
Vários ataques planeados foram travados em França
Frente Nacional chega ao Senado francês com a eleição de dois senadores

Leitura complementar: A democracia portuguesa e o Maná da Europa; A Europa face à ameaça centralista e construtivista.

“Estimular” até quebrar…

Alemães não se conformam com novas medidas do BCE

Está sob fogo cerrado na Alemanha o plano de estímulos anunciado pelo Banco Central Europeu (BCE) na quinta-feira, 2 de outubro, que inclui a compra de pacotes de dívida privada no mercado. O presidente do banco central alemão, o antigo economista-chefe do BCE e aliados políticos de Angela Merkel intensificaram este fim de semana as críticas ao programa de estímulos.

Leitura complementar: A democracia portuguesa e o Maná da Europa; A Europa face à ameaça centralista e construtivista.

Rothbard sobre o Nobel de Hayek

Hayek and the Nobel Prize

The grant of a 1974 Nobel Prize in Economic Science to the great Austrian free-market economist Dr. Friedrich A. von Hayek comes as a welcome and blockbuster surprise to his free-market admirers in this country and throughout the world. For since the death last year of Hayek’s distinguished mentor, Ludwig von Mises, the 75-year-old Hayek ranks as the world’s most eminent free-market economist and advocate of the free society.

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