J. Pimenta

Morreu o construtor do “Pois, pois Jota Pimenta”. Por Helena Matos.

Morreu João Pimenta ou mais propriamente J. Pimenta. João Gonçalves Pimenta é um dos muitos homens que o país tratou depreciativamente por “patos-bravos” e que proliferaram nos anos 60 e 70.

Originários de famílias muito pobres, começaram a trabalhar na construção civil pouco mais que crianças. O crescimento dos subúrbios da capital é também o da sua ascensão social: em poucos anos os serventes tornavam-se pedreiros e depois empresários da construção civil.

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Problemas no Montepio…

Começam a suceder-se as declarações e garantias públicas de que o banco “está sólido”: Montepio reforça capital com obrigações e unidades de participação

O presidente do Montepio diz que o banco está sólido mas vai reforçar o capital por duas vias: alterando as condições das emissões obrigacionistas e abrindo o capital a institucionais. Em Angola, a auditoria detetou problemas.

Varoufakis contra o mundo (cruel)

Varoufakis cita Roosevelt. “Eles odeiam-me. E dou as boas vindas ao seu ódio”

A citação de FDR, que data de 1936, pode traduzir-se da seguinte forma: “Eles são unânimes no seu ódio em relação a mim; e eu dou as boas vindas a esse ódio“. Yanis Varoufakis acrescenta um comentário em que diz que esta é uma citação “muito próxima do meu coração (e da realidade) por estes dias“.

UBS diz que saída da Grécia é gerível e sem grandes perdas para o banco

Axel Weber, que foi governador do banco central alemão entre 2004 e 2011, explicou que a tranquilidade face ao impacto da eventual saída da Grécia da zona euro é baseada no facto de o banco ter cortado os riscos de incumprimento da Grécia “há muito tempo”.

A entrevista de Weber surge numa altura em que cada vez mais se fala da possibilidade de a Grécia entrar em incumprimento financeiro e escolher sair da zona euro, perante o arrastar das negociações entre Atenas e os seus parceiros com vista à resolução do problema financeiro grego.

Leitura complementar: O cenário do PS: entre Centeno e Varoufakis; Da espiral recessiva aos cantos do Syriza; Razões para ter esperança no Syriza; O socialismo europeu e o Syriza; A Grécia e o erro de Merkel.

PS desiste das “varoufakisses” ? (2)

O Miguel já aqui recomendou a entrevista de Vieira da Silva ao Observador, mas creio que vale a pena reforçar essa recomendação para compreender a situação actual do PS: Vieira da Silva: “Os custos de qualquer rutura com a UE são inaceitáveis”

“Do ponto de vista do debate político, há um período antes do programa eleitoral e um processo depois dele”.

Leitura complementar: O cenário do PS: entre Centeno e Varoufakis.

PS desiste das “varoufakisses” ?

O meu artigo de hoje no Observador: O cenário do PS: entre Centeno e Varoufakis.

A tragédia grega em curso terá ajudado a silenciar as “varoufakisses”, mas é ainda assim cedo para formar uma opinião definitiva. António Costa já veio avisar que o relatório enquadrará mas não determinará o programa do PS e não há razões para acreditar que os entusiasmos syrizistas tenham desaparecido por completo do partido. Em qualquer caso, pelo menos de momento o cenário de radicalização irresponsável do PS parece afastado. É de lamentar (embora não surpreenda) a confirmação de que nenhum dos partidos portugueses apresentará um programa liberal, mas é uma boa notícia que o PS tenha para já desistido de seguir a mesma linha do Syriza.

O artigo pode ser lido na íntegra aqui.

Compreender o putinismo XXIII

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O mais importante papel de Vladimir Putin. No entanto, desconfio que a criatura do Kremlin desconhece o poder que o Steven Seagal tem nos canais televisivos nacionais.

História económica portuguesa

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Krugman nos anos 90 não dizia que as desigualdades eram boas, mas também não dizia que eram más.

Pedro Lains, douto em história do pensamento económico, faz aqui um interessante exercício onde recupera o legado deixado pelos brilhantes economistas portugueses. Na sua súmula, quase todos do PS. Exemplos de notáveis: Vítor Constâncio ou Ernâni Lopes. Este último, embora do PPD, ter-se-à tornado num grande economista ao ser Ministro das Finanças num governo de Mário Soares. Aprioristicamente, este estranho fenómeno de concentração de grandes economistas no PS poderá ser explicado por duas teorias distintas: 1) bons economistas são socialistas e do PS, dando razão ao determinismo social de Marx; 2) uma enorme coincidência. Existe ainda uma terceira teoria, mas essa envolveria um profundo exercício de reflexividade por parte do historiador, que deixamos como exercício para o próprio. Dos restantes partidos sobra então Cavaco e Miguel Beleza. O primeiro é Cavaco, e Cavaco é Cavaco, pelo que não há nada a acrescentar, não pode ser bom e pronto. O segundo subjugou-se aos ventos de Chicago, não obstante ter sido colega de Paul Krugman — esse portento da intelectualidade económica, que, fosse português, seria do PS —, pelo que também não pode ser bom.

A parte menos conseguida, ou, por outra, menos excelente mas ainda assim brilhante, é a dicotomia maniqueísta desta ciência abismal que abismava tanto Carlyle como parece abismar Lains. Tal como refere o historiador dos grandes economistas do PS existem «dois modelos: um que diz que a desigualdade é boa para o crescimento; e outro que diz que ela é má, para o crescimento e para a sociedade.»

Não sendo do PS, e, logo, não sendo bom, não me poderei pronunciar com a devida autoridade sobre este ponto, mas fá-lo-ei ainda assim, incorrendo no risco da incúria. Ora, ponto prévio, nenhum modelo económico moderno, seja ele de Solow, Ramsey-Cass-Koopmans, Lucas, Barro, Romer, entre tantos outros, positivistas por natureza, se pronunciam sobre a sua eventual moralidade. Mais a mais, os agentes são geralmente homogéneos, pelo que nenhum destes modelos captura diferenças de rendimentos no agregado. Os que o fazem demonstram que, fruto da livre iniciativa, da acumulação de capital e das diferentes preferências de trabalho-lazer de agentes heterogéneos, a distribuição de rendimentos será por natureza assimétrica. Se isso é «bom» ou «mau», não sabemos. Um exemplo simples: numa economia com 10 pessoas, onde todas ganham 1000€, se uma ganhar o Euromilhões o coeficiente de Gini dispara a instala-se a pândega da desigualdade. Isso é mau para o crescimento económico? Não. Isso significa que todas as desigualdades são neutras em termos de crescimento económico? Não sabemos bem. O que sabemos com toda a certeza é que ninguém alguma vez escreveu que a desigualdade é boa por definição.

Ou seja, o que Lains poderá dizer, quanto muito, é que a desigualdade de rendimentos é um corolário de uma economia livre, mas não lhe ficaria mal acrescentar que a classe média (burguesa) foi um produto do capitalismo. Claro que isso atenuaria a animosidade que o cenário macroeconómico, autoria de grandes economistas, causou em Pedro Lains, trazendo-o de volta ao presente onde, longe da sua realidade, a sua história não existe.

Com elevada estima, um economista, mas dos maus.

MAL

Neo-socialismo

O meu artigo no Diário Económico de hoje.

Neo-socialismo

O PS apresentou esta semana o seu programa económico para a próxima legislatura. Este visa dinamizar a economia através da procura com medidas como a descida do TSU dos trabalhadores e o estímulo dado às actividades que o modelo keynesiano considera de efeito multiplicador mais rápido, como a restauração e a construção. Bem esmiuçadas, as medidas não são novas e a filosofia subjacente é idêntica à seguida pelos últimos governos socialistas.

O programa do PS parte do princípio que o dinheiro para pagar o Estado e os interesses que à volta deste se reuniram não é do povo. A intervenção da ‘troika’, se teve algo de proveitoso, foi a percepção de que o dinheiro é das pessoas e que o Estado não pode existir à custa da antecipação do rendimento dos cidadãos. Infelizmente, a crise tem tantas variantes que não se resolve com a mera percepção desta realidade.

Que a despesa pública não deve ser superior à receita é algo que finalmente se compreende. É por isso que, apesar do actual nível de impostos, os partidos do governo até podem ganhar as eleições. Na verdade, sendo difícil descer a despesa há quem prefira pagar. É claro que impostos elevados destroem o crescimento. Os impostos são a transferência do dinheiro de uma parte da população para outra e, principalmente quando atinge os níveis actuais, desencoraja quem os paga de produzir e de criar empregos.

Para colmatar esta realidade, e porque não é fácil ganhar eleições com sacrifícios, o PS promete incentivar a procura. Ora, como o Estado não tem dinheiro e as projecções de crescimento são meras manifestações de vontade, a esperança socialista depende do BCE aumentar a base monetária. A ideia é tirar o dinheiro da poupança e gastá-lo. Sucede que, como o problema é a falta de capital, o que não é equivalente a pouco dinheiro, esta política monetária irá apenas aumentar a procura de capital ao mesmo tempo que se reduz a sua oferta, ou seja, a poupança.

Com esta distorção, aumento artificial da procura de capital e redução da sua oferta, a forma de compensar tal falta será através da actividade especulativa. Algo que já aconteceu no passado com os resultados que conhecemos e que irá suceder novamente. É assim que ouvimos incoerências como as daqueles que entendem que o problema da economia é a descapitalização das empresas ao mesmo tempo que defendem políticas conducentes à redução do capital.

E vejamos ainda este aspecto tão interessante: são precisamente os que entendem que é preciso proteger as pessoas, e os Estados, do mundo financeiro que defendem políticas que levam à especulação como forma de se encontrar capital capaz de dar resposta ao incremento da procura que agrada aos grandes grupos económicos. A este fenómeno chama-se neo-socialismo.

Coisas geniais

Como refere o Miguel Noronha aqui em baixo, Paulo Trigo Pereira afirmou, em declarações à Renascença, que

«A proposta que está no [Cenário Macroeconómico apresentado pelo PS] é substituir o consumo presente em relação ao consumo futuro. As pessoas consomem mais no presente e consumirão menos no futuro. A necessidade disto é porque estamos numa situação em que é necessário relançar a procura agregada em Portugal.»

A questão aqui é que fazer isto continuadamente é empurrar o problema com a barriga para a frente. Chega uma altura em que não se tratará de “consumir menos”, será mesmo “não consumir”. O que foi feito até ao início do programa de ajustamento foi isso mesmo: Antecipação de consumo. É essencial entender que a redução de consumo que sofremos é a consequência do excesso de consumo anterior. Tal como que défices presentes (ou passados) implicam mais impostos futuros (ou presentes). Não há, realisticamente no nosso contexto, crescimento da economia que consiga mitigar esta realidade.

O Estado e as heresias secularizadas

Fomentar o mal. Por José Manuel Moreira.

Custa crer como, num tempo em que os voos ‘low cost’ puseram mais a nu o parasitismo de quem destrói empresas e denuncia a sua venda, ainda se faz fé no discurso do Estado como empreendedor e motor da inovação. Dando asas a uma narrativa baseada em promessas de solução para todos os problemas – da pobreza ao crescimento – para ganhar votos. Um populismo que se preocupa pouco se as leis propostas solucionam os problemas ou os piorem. E menos ainda com a infiltração do aparelho de Estado e dos partidos pelo crime organizado.

O Partido Comunista Chinês e os multimilionários

China “precisa de mais multimilionários”, defende Partido Comunista Chinês

Um jornal do Partido Comunista Chinês (PCC) defendeu esta quinta-feira que “a China precisa de ter mais multimilionários”, argumentando que “a acumulação privada de riqueza não é incompatível com a justiça social” preconizada pelo sistema socialista.

“Se um dia metade dos mais ricos do mundo forem chineses, isso evidenciará os enormes sucessos alcançados pela China no seu processo de desenvolvimento económico e social”, disse o Global Times, jornal de língua inglesa do grupo do Diário do Povo, o órgão central do PCC.

Estratégia do PS

forca-ps-pan-web— Querida, os salários são muito baixos em Portugal. Vamos pagar à empregada de limpeza €50/hora!
— Bom, a empregada vai ficar contente. Mas como raio é que isso vai ajudar toda a gente?
— Não leste Keynes, querida. Quando a empregada de limpeza recebe €50/hora, outros irão exigir mais, assim como todos os que trabalham no Continente e no Pingo Doce. Os trabalhadores vão pressionar as empresas e os salários irão subir. Daqui a uns tempos toda a gente vai receber mais 50€ por hora!
— Hmm.. essa ideia não me parece lá muito brilhante. Mas, já agora, onde é que nós vamos arranjar os €50/hora para pagar à empregada?
— Essa é a parte incrível! Quando todos os salários subirem €50/hora, nós também iremos ganhar mais €50/hora, e basta passá-los à empregada.

***

Embora a lógica aqui reflita o efeito de um aumento da procura agregada através do círculo virtuoso keynesiano da despesa que gera rendimento que gera despesa, o príncipio é transponível para o cenário macroeconómico do PS, onde existe, julgam, um efeito multiplicador da despesa pública que acelera o investimento que faz crescer o PIB e disparar a receita fiscal, o défice baixar e a dívida colapsar. Agora percebe-se porquê que um dos outdoors do PS são jovens a rezar. É preciso ser muito crente.

Perca peso já!

miracle

As medidas e “cenário macroeconómico” que o PS apresentou ontem são piores que aqueles produtos dietéticos que têm uma nota em letra pequena a dizer «obterá melhores resultados se mantiver uma alimentação equilibrada». É que o processo milagroso através do qual surgirão receitas fiscais para colmatar o aumento de despesa nem sequer é semi-claro, como a dita «alimentação equilibrada».

Espremer direitos

O meu texto de hoje no Observador.

‘A indignação das boas almas sensíveis deste fim de semana veio a propósito de notícias (dadas – não fossem as boas almas sensíveis estarem distraídas – em tom de denúncia de grave atentado aos direitos humanos) do pedido a duas enfermeiras do Porto para fazerem prova de amamentação. Notícias que usavam termos mais próprios para a ordenha (havia que sugerir imagens repudiantes) do que para a amamentação: ‘espremer mamas’ e ‘esguichar leite’. Usar o neutro (e correto) ‘tirar leite’ seria demasiado delicado e poético para a intenção das notícias, presume-se.

Aproveito para informar já que as manchetes do próximo fim de semana dos jornais que com tanto enlevo protegeram a amamentação (e tenho um ataque de tosse enquanto escrevo isto) serão do calibre de ‘malévolos polícias impedem assalto a supermercado por pobres orfãos adolescentes desadaptados’.

E as boas almas que logo rasgaram as vestes nas redes sociais (o que permitiu diversão no twitter, que estas indignações tontas têm consequências boas) vão de seguida organizar uma petição para banir dos consultórios dos médicos de família a obrigação de se abrir a boca, estender a língua e dizer ‘aaaah’ para que o médico nos examine a garganta, que isto é figura muito triste que fazem os doentes e não pode ser. E vão também – em defesa da perigada honra feminina – juntar-se às reclamações dos muçulmanos residentes na Europa que exigem que as suas recatadas mulheres sejam examinadas por médicas e enfermeiras nos hospitais públicos. Onde já se viu uma senhora decente ter de mostrar as mamas a um homem que não o marido? – é a pergunta comum dos indignados progressistas portugueses e dos muçulmanos radicais.’

O resto está aqui.

José Gomes Ferreira diz que Segurança Social é privada?!

No video inserido no post do Miguel Noronha, o jornalista José Gomes Ferreira diz (a partir do minuto 6:58) [meus destaques]:

“O Governo, esta maioria, vem dizer que também quer baixar a TSU dos patrões para a Segurança Social. Eu vou dizer uma coisa que é pessoal. Acho que devíamos impedir o PS e a maioria de brincar com a Segurança Social dos portugueses. Aquele dinheiro é nosso, não é do Estado. Nós descontámos para as nossas pensões futuras e para ajudar os actuais reformados/pensionistas. Aquele dinheiro é nosso, o Estado gere-o por definição. A lei atribui-lhe a gestão. Não deviam brincar com esta bolsa de riqueza que o país tem.”

Se assim é, então e mudar a lei para atribuir a gestão a cada um de nós?

A crise de dívida soberana.. do México

Screen Shot 2015-04-22 at 11.39.52Um interessante artigo científico da autoria de Cantú, C., Park, K., Tornell, A., aqui sintetizado, que compara a crise de dívida soberana na Grécia e no México. Com diferentes causas — o México sofreu a crise fruto da queda abrupta no preço do petróleo —, mas efeitos similares — um aumento drástico nas taxas de juro dos títulos de dívida soberana —, é interessante contrastar as políticas e a resposta, e o impacto que estas tiveram na recuperação de ambos os países.

Ao cêntimo

Dado que as previsões de crescimento do PIB e as metas orçamentais são o core de qualquer cenário macroeconómico, custa-me a compreender, quanto mais a aceitar, que não estejam na ponta da língua de Mário Centeno. De registar, contudo, a evolução face às contínuas declarações de João Galamba de que os défices não interessam para nada. Mas enfim, são claramente modelos distintos para o país.

Heresia de Costa logo no primeiro dia

SolCosta ressalva que cenário macro “não é a Bíblia” (meu destaque)

Logo após a apresentação do cenário macroeconómico pelo grupo de economistas liderado por Mário Centeno, que propõe a eliminação da sobretaxa do IRS, a baixa da TSU e a redução de outros impostos, António Costa fez uma ressalva: “Este é um relatório técnico, não é a Bíblia, nem os senhores economistas são os apóstolos da Bíblia”.

Ou seja, o cenário apresentado ainda vai ser “avaliado e testado” e terá que passar no crivo dos órgãos políticos do partido, antes de ser vertido no programa eleitoral do PS, a apresentar a 6 de Junho.

Por outras palavras, ou os técnicos fizeram mal as contas (incompetentes) ou as propostas terão de ser testadas politicamente para se encontrar, independentemente das probabilidades das previsões macroeconómicas, aquelas que mais votos podem “comprar”. Eu aposto numa mistura dos dois!

#pensaremgrande II

beja

Não sejamos tímidos. Exijamos um aeroporto de Beja em cada cidade portuguesa. Afinal, há uma mina inesgotável de ouro no Rato.

Só são bons para pagar

É isto que me apoquenta nesta gente. A culpa do estado a que isto chegou é de quem não aproveitou, aproveita ou aproveitará (porque os tempos próximos serão de dilúvio gastador com certeza).

“O erro está na insuficiência do nosso tecido empresarial em aproveitar

António Costa não percebe que não são, nunca foram, os marcianos a financiar o messianismo despesista característico do socialismo . Não percebe que ou aumenta logo os impostos ou cria dívida e alguém irá cobrar mais impostos no futuro  – não menos, como dirá a todos nos meses até às eleições.

Entre os pagadores (vulgo contribuintes) estão os insuficientes empresários que investem, trabalham e dão trabalho. Os insuficientes e os seus trabalhadores só são bons para pagar impostos. Se deixados sozinhos nem a roda tinham inventado, quanto mais lembrar-se de pôr um par delas num eixo. Para lhes dizer o que fazer com o seu próprio dinheiro está lá António Costa e os demais socialistas (da direita à esquerda).

Eles sim são e sempre foram inovadores.

Nada mudou. Nada vai mudar, parece-me.

They foolishly keep digging…

Vitor Constâncio diz que eventual incumprimento da Grécia não significa saída imediata do euro

The first law of holes: if you find yourself in a hole, stop digging.

Leitura complementar: Da espiral recessiva aos cantos do Syriza; Razões para ter esperança no Syriza; O socialismo europeu e o Syriza; A Grécia e o erro de Merkel.

Governar

Por iniciativa do PS, e para grande entusiasmo das nossas classes falatórias, uma senhora italiana, de seu nome Mariana Mazzucato, visita hoje o nosso país, com o propósito de ilustrar os nativos. Mazzucato é uma economista que, segundo o que li por aí, escreveu um livro há uns anos sobre “O Estado empreendedor” (sendo assim provavelmente a convenientemente não citada inspiração do João Galamba para o seu texto no Expresso) que aparentemente “desmonta o mito do investimento privado”. Como seria de esperar,  o argumento da senhora, que como todos os argumentos, seja qual for o assunto em causa e o sentido da tese avançada, é controverso, no sentido de ser, por naturezaquestionável, foi tomado pela “inteligência” pátria como uma prova inquestionável da perversidade do “mercado” e da burrice de quem acha que o “capitalismo” (um termo marxista do qual ninguém parece querer livrar-se) é apenas e só tão mau quanto a natureza humana, e que não há nada que consiga ser melhor.

Um caso exemplar da excitação provocada pela visita de Mazzucato foi o editorial do Diário de Notícias do passado sábado, pela pena (ou, de uma forma mais de acordo com a nossa modernidade, pelas teclas) de André Macedo. Macedo começa por dizer que “empreendedorismo público parece uma contradição nos termos”, e prossegue considerando que “Passos Coelho bebeu a vulgata liberal até ao último cálice” e por isso “foi eleito demonizando os excessos do Estado”. Começa mal, portanto: na sua compreensível ânsia de criticar o Governo, Macedo nem consegue perceber que tudo aquilo que Passos tenha eventualmente “bebido” da “vulgata liberal” foi rapidamente expelido do seu corpo pelas habituais e insalubres vias, o que fez com que os “excessos do Estado”, por muito “demonizados” que tenham sido pela retórica, continuem aí bem vivos e canonizados na prática. E se começou mal, continua pior, argumentando que “num país sem capital”, como o nosso, “só há dois caminhos para o dinheiro abundante”: são eles “os bancos”, que para Macedo “é caro e exige garantias”, e os “cofres públicos”. Macedo não explica onde, nesse país sem capital, se vai buscar o dinheiro para encher esses cofres públicos, mas o seu propósito também não é ser esclarecedor. É fazer propaganda.

E é com esse fim que de imediato se socorre de Mazzucato e do seu livro que “agitou as águas”: “e se afinal o Estado for o mais importante empreendedor?”, pergunta Macedo ao modo Socrático, tanto o de Atenas como o de Évora; “E se por trás de grande parte da tecnologia do iPhone – e não só – estiveram não as míticas garagens de Sillicon Valley, mas respeitáveis investimentos públicos feitos muitos anos antes?”. Depois de nos deixar em vibrante suspense perante a interrogação, Macedo descansa-nos: “a pesquisa de Mazzucato demonstra” (presumo que sem margem para qualquer dúvida, como se impõe) “que sem o dinheiro do Estado americano a Apple não teria chegado tão longe tão depressa – os privados não estariam dispostos a assumir os mesmos riscos”.

Não tendo lido o livro (por ignorância minha, não o conhecia sequer antes deste fim-de-semana), e perante esta pouco esclarecedora explicação da tese de Mazzucato, fiquei na dúvida sobre o que pensar. Por sorte, um amigo meu enviou-me um artigo que a senhora publicara há tempos na The Economist: nele, argumenta que “todas as tecnologias que fazem do iPhone um smartphone” foram resultado de projectos governamentais, nomeadamente na área da Defesa. O que é apenas e só uma evidência: coisas como a internet ou os sistemas de GPS resultam de milhões e milhões de “investimento público” em projectos de investigação e desenvolvimento tecnológico patrocinados, por exemplo, pelo Departamento de Defesa americano, ou pela NASA. De reconhecer algo inquestionável a argumentar com igual certeza que só com investimento público Portugal poderá tornar-se um país mais desenvolvido vai uma grande distância.

Parece não ocorrer a André Macedo, e a todos os que por estes dias deliraram com as ideias de Mazzucato na exacta medida em que até há uns dias ignoravam por completo a sua existência, que governar não é pôr em prática as teorias desenvolvimentistas deste ou daquele livro, independentemente dos méritos dessa mesma teoria; governar, quer seja Passos quer seja António Costa a fazê-lo, é tomar decisões políticas: ou seja, perante os constrangimentos postos pela escassez de recursos que afecta qualquer Estado (uns mais, outros menos), fazer uma escolha acerca de onde e como gastar aqueles que o Estado tiver à sua disposição, depois de os retirar à sociedade civil, através da cobrança de impostos. Para infortúnio da espécie humana e desespero das boas almas, governar é forçosamente uma actividade cuja prática varia consoante o  Estado, porque os constrangimentos variam de Estado para Estado. Sendo Portugal o país relativamente pobre e atrasado que é, pequeno e em grande medida desprovido de recursos (um “país sem capital”, como Macedo o caracterizou), nem Passos Coelho nem António Costa poderão, mesmo que queiram, promover investimentos públicos em desenvolvimento de tecnologias de uma forma similar aos programas que Mazzucato diz terem permitido o sucesso dos investidores privados de Sillicon Valley. Portugal, tendo em conta a pobreza do país e a carga fiscal já tão elevada que coloca sérias dificuldades à vida quotidiana das pessoas, não terá os meios necessários para desenvolver grandes programas de inovação de tecnologia militar, muito menos um programa espacial. Nesse campo, Portugal pode apenas fazer aquilo que Mazzucato acusa esses investidores privados de Sillicon Valley de terem feito: andar às cavalitas do prévio investimento (e risco) público dos EUA, fazer o melhor uso possível das tecnologias que daí resultaram, como a internet, os GPS e os smartphones, e gastar os seus parcos recursos de uma forma mais apropriada à sua escassez. E como o Estado português não tem, nem terá, meios para promover investimentos ao nível do que a NASA ou o Pentágono podem promover, o tipo de “investimento público” que está ao nosso alcance é também ele bastante menos potencialmente proveitoso. E continuar a desviar recursos das pessoas para a realização de investimentos promovidos, não pelas escolhas delas, mas pela escolha política, continuará a resultar, não em “iPhones à portuguesa”, mas nos muito nossos “iPhoda-se”: os vários “Magalhães” e “Aeroportos de Beja” que por aí andam, e que nós pagamos e continuaremos a pagar por muitos e maus anos.

para os maluquinhos lactantes

breast pump(é uma bomba de tirar leite)

Uma bomba de tirar leite (aqui em cima está uma igual à que eu tive aquando da amamentação da criança mais nova) é um instrumento inócuo, indolor e não, não é um atentado à dignidade da pessoa humana, mulheres incluídas. Não, uma bomba de tirar leite não se confunde com uma cadeira de pregos medieval. E apesar de compreender a excitação com isso da notícia de ‘espremer mamas’, lamento informar a quem tivesse mais entusiasmo com a imagética da coisa, mas a uma mulher que esteja a amamentar basta pressionar levemente (mais uma vez, não dói nem incomoda nada) o mamilo que saem logo umas gotas de leite (muito pouco sexy – eu bem pedi desculpa por estragar imagens).

tortura medieval(não é uma bomba de tirar leite)

Bem vindo à Europa

24Existem dois perigosos mitos que importa erradicar: 1) que a tecnologia destrói emprego; 2) que os imigrantes roubam postos de trabalho. O discurso nacionalista e identitário tem sido recuperado tanto pelo UKIP como pela FN. Se me debato tanto contra a extrema-esquerda, não poderia deixar a extrema-direita incólume. Sobre isto versa a minha crónica no Observador.

«Se é de salutar uma boa dose de eurocepticismo, que contrarie os ímpetos federalistas de uma União Europeia que teima em afastar-se das suas bases, uma zona de livre comércio de bens e de serviços, para convergir para um Leviatã burocrático, anafado, distante do princípio da subsidiariedade, com múltiplas estruturas redundantes e de dúbia utilidade, menos proveitosa é a repetida discussão, promovida pelo UKIP mas também pela Frente Nacional em França, sobre as maleitas da imigração.»

A careca socialista

No passado dia 16 de Janeiro escrevi um artigo para o Diário Económico no qual referi que o PS “se prepara para defender o conceito de Estado empreendedor” (último parágrafo). Na altura referi que se trataria de “uma alteração de nomenclatura para empresas públicas e a desvalorização da ideia de poupança”.

João Galamba escreve hoje, 3 meses depois, um artigo no Expresso com o título Estado empreendedor. Nada disto é por acaso, pois basta estar atento aos sinais do PS para perceber que fintas vão utilizar para chegar ao mesmo fim: investimento público decidido pelo poder político que, prisioneiro dos interesses financeiros e económicos, os favorece em detrimento da população. Investimento público à custa de dívida paga por impostos que mais não são que a transferência do que cada um de nós ganha para as mãos dos poucos com acesso ao poder.

É preciso estar muito atento a tentativas com esta de João Galamba. Estas vão-se repetir naquilo que não passa de um esforço de explicar, por outras palavras e outros floreados, que o caminho seguido pelo PS nos últimos anos, e que obrigou Sócrates a pedir a intervenção da troika em Portugal, e a consequente instauração da austeridade, é o único que os socialistas conhecem.

“Não somos cidadãos. Somos contribuintes.”

Mais uma excelente entrevista conduzida por Helena Matos: Tiago Caiado Guerreiro: “O Estado faz maciçamente ilegalidades todos os dias”

O IRS americano iniciou 1500 processos-crime em 2012. Portugal o ano passado abriu 18 mil. Este foi um dos sinais de que algo está mal que Tiago Caiado Guerreiro denunciou em entrevista ao Observador.

Quando “basta a administração fiscal informar-nos que nós temos um imposto em falta para termos de garantir o pagamento desse imposto mais 25 por cento, independentemente de ter qualquer tipo de fundamento”, quais são afinal os nossos direitos? Poucos, pelo menos a avaliar pelo retrato traçado por Tiago Caiado Guerreiro para quem “passámos de um sistema fiscal garantístico, em que éramos considerados basicamente inocentes até o Estado comprovar efectivamente que nós éramos responsáveis, para um sistema em que temos várias inversões do ónus da prova. Isto é, em que nós temos de provar que somos inocentes.”

(…)

E deixa também um aviso: “Para o nível de desenvolvimento que nós temos o Estado devia pesar 35 por cento na economia e pesa 50. O nível de desejo do Estado e sofreguidão por impostos não resulta duma necessidade. Resulta duma consciência que os políticos têm de quanto mais dinheiro tiverem mais poder têm sobre os cidadãos, sobre a compra dos votos e sobre o controle da economia do país.”

Leitura complementar: Da ditadura fiscal à miséria moral.

Rumo aos “amanhãs que cantam”

Mas muitos – distribuídos pelos vários quadrantes políticos e mediáticos – continuam a acreditar nos amanhãs que cantam já ao virar da esquina: Portugal é a sétima economia mais lenta do mundo

Leitura complementar: O Tribunal Constitucional, o BES e o Orçamento 2016.

Notícias da democracia na Finlândia…

Coligação pró-austeridade deve incluir os eurocéticos do Partido dos Finlandeses. Ao Observador, um candidato do partido diz que, com eles no governo, “não haverá apoio a nenhum resgate grego”.

Agora, em 2015, o grande ponto de interrogação cai sobre a possibilidade de um terceiro plano de resgate grego. Terho, que é uma das figuras de proa do Partido dos Finlandeses, deixa uma garantia ao Observador quanto a esse assunto: “Connosco no governo não haverá apoio a nenhum resgate grego”. “Não faz sentido estarmos a mandar dinheiro para países que não conseguem pagar as dívidas deles. Eles têm de declarar falência e a partir daí lidar com a situação”, avança. Fora do euro? “Claro.”

A questão grega é uma das que reúne mais consenso dentro da possível coligação entre o Partido do Centro, a Coligação Nacional e o Partido dos Finlandeses. Embora o último seja o mais direto no que diz respeito a este assunto, o Partido do Centro também já deixou provas de não ser favorável a que se envie mais dinheiro para a Grécia.