Boicote e consequência

ScarlettJohansson

The Palestinians never miss the opportunity to miss an opportunity,”

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Tanto rasgar de vestes

GB

Não se aguenta.

A Syrian army helicopter dropped two barrel bombs on a displaced persons camp in the northern province of Idlib, camp residents said on Wednesday, and video footage appeared to show charred and dismembered bodies.

Footage posted on YouTube showed corpses of women, children and burning tents while people scrambled to save the wounded. “It’s a massacre of refugees,” a voice off camera said.

“Let the whole world see this, they are displaced people. Look at them, they are civilians, displaced civilians. They fled the bombardment,” the man’s voice said.

A man in another video of the Abedin camp, which houses people who had escaped fighting in neighboring Hama province, said as many as 75 people had died.

 

Mesmo.

Egyptian authorities on Tuesday ordered residents living along the country’s eastern border with the Gaza Strip to evacuate so they can demolish their homes and set up a buffer zone to stop weapons and militant trafficking between Egypt and the Palestinian territory, officials said.

The measure comes four days after Islamist fighters attacked an army post, killing at least 31 soldiers in the restive area in the northeastern corner of the Sinai Peninsula. After the attack, Egypt declared a state of emergency and dawn-to-dusk curfew there. Authorities also indefinitely closed the Gaza crossing, the only non-Israeli passage for the crowded strip with the world.

The buffer zone, which will include water-filled trenches to thwart tunnel diggers, will be 500 meters (yards) wide and extended along the 13 kilometer (9 mile) border.

 

 

 

Breaking News: mais uma greve no Metro de Lisboa

Metro de Lisboa volta a parar a 13 de novembro

Os sindicatos dos trabalhadores do Metro de Lisboa marcaram uma nova paralisação de 24 horas, para o dia 13 de novembro, uma quinta-feira.

Leitura complementar: Pela libertação do Metro de Lisboa.

O Governo que disse “Não” aos banqueiros

Banqueiros pediram a Maria Luís que injetasse dinheiro da troika no BES. Ministra disse que não

Na última semana de julho, cinco banqueiros pediram à ministra das Finanças, Maria Luís Albuquerque, para injetar dinheiro da linha da troika no BES, segundo a SIC. O “não” da ministra obrigou o Banco de Portugal a optar pela medida de resolução que, a 3 de agosto, dividiu o antigo BES em dois: Novo banco e bad bank.

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Jean-Baptiste Colbert está vivo!

Colbert1666

Colbert está vivo e encarnou os proponentes do movimento “Plataforma Não ao TIPP“. O argumentário contra o Tratado Transatlântico não tem nada de novo, ou pelo menos nada de novo em relação às práticas económicas mercantilistas que vão do século XV ao século XVIII. É a mesma iliteracia económica que levou Adam Smith a escrever um livro em 1776, mas que, quase três séculos volvidos, ainda não foi bem entendida. É o medo da “desregulação dos mercados”, como se os mercados financeiros já não fossem globais, as commodities compradas a anónimos, o capital apátrida e os fluxos de capitais livres; é a mentira sobre o aumento do preço dos medicamentos, ignorando o efeito de um aumento da quantidade produzida e vendida, que faz com que o preço decresça (economias de escala por diminuição dos custos fixos médios); é o proteccionismo às empresas ineficientes locais, em tudo semelhante à lei do condicionamento industrial que protegia indústrias consideradas estratégicas, como por exemplo a indústria dos fósforos; é a fobia ao fracking, técnica de extracção de gás natural que aliviou a pressão sobre o preço do petróleo e a dependência do mesmo de países da OPEP. É isto e muito mais, e com mais ou menos condimento, é mercantilismo revisitado.

Faz-se sentir o pulsar do novo PS

É claramente um partido que apoia as verdadeiras causas que importam. Num só fôlego, o partido liderado por António Costa quer criar o dia/noite contra a homofobia e a transfobia e defende de forma intransigente a segurança dos cidadãos portugueses que combatem ao lado do Estado Islâmico.

Fascismo levado à prática: DL 166/2013

kafkaTranscrição da conversa telefónica (fictícia) entre o Ministro da Economia e eu um destes dias. Não o conheço de lado nenhum, nem me apetece. Mas por ter tido responsabilidades de gestão em empresas (e imagino que não começou como CEO) tem a obrigação de não embarcar nos sonhos húmidos d@s colegas.  Isto aqui ao lado é um desenho de Franz Kafka muito apropriado ao assunto.

 

A conversa (atenção às almas sensíveis: vernáculo abundante)

Eu: Tou? Então meu, tá tudo?
O Ministro: ……
Eu: tudandar, na mesma. E se não anda empurra-se. E os teus putos, tão fixes?
O gajo:……..
Eu:….. Boa. Olha, liguei-te por causa daquela merda que tu e os teus colegas aprovaram há um ano, o DL 166/2013. Lembras-te? Desde hoje de manhã estou a receber mails de clientes preocupados com os papéis.
O gajo:…..
Eu: Claro que lembras pá, não te faças esquecido. Aquele da regulação das transacções comerciais, meu. Foda-se! Já te esqueceste?
O gajo:…..
Eu: Não, caralho! Aquele do não sei quê das práticas restritivas ao comércio….sim, esse. Como é que aprovaste aquela cagada, meu?
O gajo:……
Eu: Tou farto de avisar que essa merda de fumar ganza marada durante os Conselhos de Ministros dá asneira. Já te disse que te arranjo da boa, é só dizeres quanto e quando. Mando-te isso e depois pagas-me, não é problema. Mas olha, voltando ao DL 166/2013…
O gajo:…..
Eu: quero lá saber dessa merda. Se não te aguentas e não podes fazer grande coisa demite-te ora essa. Tu assinaste aquilo pá, não me fodas!
O gajo:….
Eu: ouve….
O gajo:….
Eu:…ouve! Lá que a tua colega da agricultura tenha sonhos húmidos c’o Mussolini é problema dela. Que vá mas é tratar das crias em casa. Que a não sei quantos von Haffe tenha batido com a cabeça quando era pequenina, ela que vá chatear quem lhe fez as orelhas, o Pedro que se dedique a cuidar do vice dele que bem precisa e a Maria Luís devia ter mais com que se entreter em vez de andar atrás de quem a faz fazer boa figura. Ou achas que quem faz diminuir o desemprego são vocês?…
O gajo:….
Eu: o caralho, pá! Que eles aprovem aquela merda não me espanta, sabem lá alguma coisa de alguma coisa? Não sabem nada de coisa nenhuma. Nem eles nem o marido da Cavaca que o promulgou. Outro…
O gajo:……
Eu: …já te disse há um bocado que não quero saber dessa merda pra nada. Que os gajos aprovem, percebo. Eles é que não percebem nada de coisa nenhuma. Agora tu pá? Como é que aprovas uma cagada daquelas?
O gajo: …….
Eu: ouve….tu andas nisto das empresas há décadas. Foda-se! Já geriste uma quantas, sabes como é que as coisas funcionam e o que nos custa. Tás a gozar comigo não estás?
O gajo:….
Eu: olha, ó Toni, diz-me que raio de negócios é que fazias quando gerias empresas? Queres ver que às tantas não gerias merda nenhuma?
O gajo:…..
Eu: gerias, os tomates. Queria ver-te fazer negócios de acordo com aquilo. Hahahahahahaha. Não me lixes. Quer dizer, ainda por cima se um gajo for multado por não cumprir aquela cagada vocês decidiram que uma pequena empresa pode levar com coimas entre 3.000€ e 150.000€ e 20% reverte para o fiscalizador que é logo a ASAE. Tás mesmo a ver o que é que isso vai dar, não estás?
O gajo:……
Eu: tou a perder tempo contigo, já vi. Olha, pelo andar da carruagem tu e o teu Partido inteiro mais três quartos do PSD deviam era fundir-se com a ala alegrista-galâmbica do PS. Olha, que te nasça um pessegueiro nos entrefolhos e aos teus colegas um silvado e um monte de urtigas também! Tchau!

As Limitações da Economia Como Ciência (Ou Quão Pouco Sabemos)

Este post é uma adaptação livre deste artigo no Zero Hedge.

Friedrich Hayek fez um discurso memorável na cerimónia de aceitação do prémio de ciências económicas em memória de Alfred Nobel de 1974 intitulado “A Pretensão do Conhecimento”. Neste discurso, Hayek explica porque é que os métodos científicos e modelos matemáticos das ciências exactas – em particular da física – não podem ser extrapolados para a economia e para os mercados porque estes são constituídos por milhões de agentes económicos individuais cujo o comportamento como ser humano único que cada agente é, é individual, complexo e imprevisível.

Richard Feyman (prémio Nobel da Física), numa entrevista à BBC coloca a mesma ideia relativamente às ciências sociais: “Because of the success of science, there is a kind of a pseudo-science. Social science is an example of a science which is not a science. They follow the forms. You gather data, you do so and so and so forth, but they don’t get any laws, they haven’t found out anything. They haven’t got anywhere – yet. Maybe someday they will, but it’s not very well developed.”

Recuperando a expressão da economia como “the dismal science”, o que é supreendente, é que apesar de todos os fracassos de teorias, modelos e previsões económicas, e em pleno século XXI muitos académicos, políticos, comentadores, jornalistas e economistas (* sigh *) continuam em reduzir a economia a um conjunto de modelos matemáticos e a repetir – como papagaios até ao infinito – uma série de “verdades absolutas” sobre a economia.

Então, e em especial para os muitos Keynes/Samuelsons/Krugmans/Galambas deste mundo, são aqui apresentados uma série de “truísmos” que dominam o pensamento económico ocidental vigente, para reflectirem até que ponto é que devem ser apresentados como dados adquiridos:

  • A poupança é má; e o consumo é bom para a economia.
  • O crédito (isto é, o endividamento) é bom e necessário para a economia.
  • Os estados não têm que ser geridos como empresas. Podem acumular prejuízos ano após ano e acumular volumes astronómicos de dívida.
  • Os estados gastam o dinheiro (retirado de forma coerciva aos seus cidadãos) de forma mais eficiente, mais útil e mais inteligente do que os próprios cidadãos.
    O interesse dos governantes está alinhado com o interesse dos seus cidadãos.
    Os políticos gastam o dinheiro dos contribuintes com tanto cuidado como gastam o seu próprio dinheiro.
  • Os estados devem intervir em alturas de crise para compensar uma redução da “procura agregada” (* suspiros *).
  • A despesa pública tem um efeito multiplicador positivo na economia (* suspiros, suspiros *).
  • O estado deve intervir no mercado e deve criar mecanismos de regulação porque o mercado, deixado a si próprio, tem muitas ineficiências e deficiências. O mercado, que representa milhões de agentes económicos individuais pode ser correctamente e eficientemente corrigido através das decisões de um punhado de burocratas fechados num escritório.
  • A regulação e supervisão central é legítima, eficiente é eficaz.
  • Os interesses dos reguladores estão alinhados com os interesses da população.
    É legítimo para o estado obrigar os cidadãos a pagarem por algo que não querem, se o estado achar que é bom para os seus cidadãos.
  • Os cidadãos precisam de ser protegidos deles próprios. Os cidadãos não conseguem ser responsáveis e por exemplo, poupar para a sua própria reforma.
  • O valor ideal permanente para a inflação é de 2% (nem 0,1% a mais, nem 0,1% a menos). A deflação é muito má para economia porque as pessoas adiam as compras e reduzem o consumo.
  • A inflação resulta da aceleração da economia e/ou da ganância dos empresários
  • A emissão de moeda apenas pode ser feita e regulada pelos estados através dos seus bancos centrais.
  • O sistema bancário de reservas fracionárias não é fraudulento, é estável e permite o aumento do crédito disponível para economia.
  • A emissão de moeda aumenta a riqueza; ou é um instrumento para crises – e não é pura e apenas um mecanismo de transferência sub-reptícia de riqueza.
  • Os bancos centrais – um punhado de burocratas fechados num escritório – consegue determinar o valor ideal da taxa de juro que se aplica a milhões de agentes económicos individuais. A taxa de juro não dever reflectir uma taxa de equilíbrio entre a procura de crédito e a oferta de crédito.
  • Os bancos centrais conseguem eliminar os ciclos económicos e promover prosperidade, crescimento, emprego, etc.
  • O planeamento central funciona – um bando de burocratas de gravata fechados num gabinete – conseguem incorporar e processar informação de milhões de agentes económicos individuais – de forma melhor do que os próprios indivíduos.
  • Taxar a produção e a criação de riqueza é producente.
  • O coeficiente de Gini é um indicador válido para medir o nível de bem-estar e as injustiças sociais; ao invés de medir o poder de compra dos percentis de rendimentos mais baixos.
  • O aumento do número de milionários ou o aumento da venda de bens de luxo, sobretudo em épocas de crise, é mau.
  • É legítimo e producente tirar a quem produz para dar a quem não produz. Retirar rendimento produzido de forma coerciva é uma forma legítima de “solidariedade”.
  • Não se devem vender empresas que dão lucro.
  • Não se devem vender empresas em altura de crise porque estão “sub-valorizadas”.
  • O estado deve ter empresas onde já existem empresas privadas (e.g.: banca, aviação) porque as empresas privadas não oferecem um serviço tão bom, praticam preços maiores; exploram os clientes.
  • Ainda que o estado tenha que oferecer saúde e educação gratuita (* suspiros *) à sua população, a melhor maneira de o fazer é gerir todos os recursos humanos e materiais ligados a esses sectores, e não por exemplo, pagar um vale/cheque por igual a todos os cidadãos por esses serviços prestados por entidades privadas
  • Alguém dizer que determinado projecto, empresa ou sector é “estratégico” implica que o projecto, ou empresa ou sector é “estratégico” e deve ser defendido a todo o custo. Nota: geralmente quem é o diz é alguém com interesse directo no projecto, na empresa ou no sector.
  • O interesse dos sindicatos está alinhado com o interesse dos desempregados. Os sindicatos defendem os interesses dos desempregados.
  • O interesse dos sindicatos da função pública está alinhado com o interesse dos utentes e cidadãos.
  • Os salários não representam um preço. Por exemplo, decretar por via legal um aumento do salário mínimo, não se traduz numa redução da procura por parte dos empregadores.
  • Se o governo não intervisse nos bancos (e por exemplo, não tivesse nacionalizado o BPN), seria o “caos”.
  • Fiscalidade “verde” é uma forma legítima de aumentar impostos.
  • Os problemas demográficos podem ser resolvidos através de políticas fiscais.

EconomicIgnorance

Compreender o putinismo X

putin

Outros tempos, outras vontades.

VLADIMIR PUTIN: The first question regarding the possibility of Ukraine joining the European Union does not concern us directly, although we do, of course, have our views on this matter. We always took a negative view of NATO expansion because we do not believe that this expansion can help neutralise the modern threats we face. As for enlargement of the EU, we have always seen this as a positive process. Certainly, enlargement gives rise to various issues that have to be resolved, and sometimes they are easy to resolve, sometimes not, but both sides have always shown a desire to find mutually acceptable solutions and we do find them. If Ukraine wants to join the EU and if the EU accepts Ukraine as a member, Russia, I think, would welcome this because we have a special relationship with Ukraine. Our economies are closely linked, including in specific areas of the manufacturing sector where we have a very high level of cooperation, and having this part of indeed our economy become essentially part of the EU would, I hope, have a positive impact on Russia’s economy. Since we were aware of the European Union’s position that Ukraine’s accession would be unlikely any time over the next decade, we began taking steps in two directions, On the one hand, we are creating the Common Economic Space in a large part of the former Soviet Union, including Russia, Ukraine, Belarus and Kazakhstan. On the other hand, we are building a common economic space with the European Union, and we believe this is in the interests of both Russia and the European Union countries and will harmonise our economic ties with Europe. But these projects are not in contradiction with the possibility of any country joining the European Union, including Ukraine. On the contrary, the possibility of new members joining the EU makes our projects only more realistic. But I repeat that other countries’ plans to join the EU are not our direct affair.

Que são explicáveis pelo Professor Alexander Dugin.

Troika, troika e mais troika

Como habitualmente estive esta terça-feira na Edição das 12 do Económico TV a comentar o tema de sempre: dívida, dívida e mais dívida.

Destruição de valor

O meu artigo de sexta-feira passada no DE.

«O caminho seguido pela PT foi reduzindo o leque de opções estratégicas que esta tinha, numa demonstração clara dos perigos da intromissão política na gestão de empresas, até que a sua falta de liquidez (e dos seus acionistas) ditou a inevitabilidade da sua entrega a novos donos. Um negócio trágico, que na melhor das hipóteses foi um erro de cálculo monumental; e na pior, um conto do vigário de proporções épicas.»

Um bom “furo”

Se um jornal conseguisse provar que os membros do governo tinham votado a decisão relativa à resolução do BES em benefício próprio, isso seria um “furo” jornalístico. Diria mesmo uma notícia bombástica. Parece, no entanto, que os factos não vão de encontro a essa ideia. Nada que tenha impedido o Público de tentar passar essa ideia através de insinuações rasteiras indignas de um jornal supostamente sério: Uma notícia cheia de disparates e um editorial deliberadamente obscuro que tenta retirar uma lição de moral de factos supostos.

Em primeiro lugar, dizer «Membros do Governo tinham mais de um milhão de euros no GES quando decidiram o seu futuro» é uma frase manhosa. Lendo a notícia, percebe-se que o «mais de um milhão» é o total de investimentos no GES de 16 membros do governo. Uma média de pouco mais de 62 mil euros cada um. Nada de espantoso, portanto. Aparentemente o grosso deste milhão pertencerá a apenas três membros do governo. Poderiam este três ter beneficiado da resolução do governo? Como veremos adiante, não.

Em segundo lugar, a listagem de bens detidos pelos membros do governo no GES sugere que se estes foram afectados pela a decisão do governo, isso foi mais no sentido negativo e não positivo. Investimentos em obrigações do Espírito Santo Financial Group ou do Espírito Santo Banque Privée perderam com a falência dessas entidades. No limite, a passagem do BES a Novo Banco poderá ter diminuido ainda mais as possibilidades de recuperação dos investimentos, uma vez que o banco era o principal activo do grupo. Aparentemente, metade de toda a exposição dos membros do governo ao GES eram investimentos deste género. Isto para não dizer nada das acções do próprio banco, que passaram a valer (muito) perto de zero.

Em terceiro lugar, ter investimentos num banco e ter depósitos num banco não é a mesma coisa. Depósitos são passíveis de ser perdidos em caso de falência do banco. Outros investimentos podem ser recuperados ou não dependendo da sua natureza. Acções, fundos de investimento e outros títulos de entidades terceiras estão no banco apenas para ser guardadas. Todos estes títulos são dos seus donos não do banco. Se este entrar em insolvência, os títulos continuam lá. Já os depósitos são usados para conceder crédito a outros clientes, pelo que no caso de prejuízos – e se as reservas do banco forem insuficientes – podem ser perdidos.

Quando a notícia do Público liga a questão dos depósitos acima de 100 mil euros com os membros do governo que tinham mais de 100 mil euros no banco, está deliberadamente a confundir as coisas: Não eram mais de 100 mil em depósitos. Eram mais de 100 mil na carteira completa, incluindo títulos diversos que não têm nada a ver com a questão dos depósitos. «Deliberadamente» porque a associação feita é negada pelos próprios factos relatados na notícia.

Por fim, o que ocorreu no Chipre foi bastante diferente do caso BES/GES. Os dois maiores bancos do Chipre tinham activos totais que eram 400% do PIB do país. E tiveram prejuízos que em termos relativos foram o dobro dos prejuízos do BES. No Chipre não houve outro remédio que não o “bail-in”. O Banco de Portugal e o governo não impuseram um “bail-in” no BES porque quiseram evitar esse estigma. Não por ser do interesse particular deste ou daquele membro do governo. Até podemos questionar se esse caminho não teria sido melhor, tanto para os bancos do Fundo de Resolução como para os contribuintes, via CGD, mas não neste contexto desonesto de tentar mostrar algo que parece ser o contrário da realidade.

Sobre os testes de stress do BCE

ECB Announces Stress Test Results: Here Are The 25 Banks That Failed

The central bank’s punchline: “[the] Exercise delivers high level of transparency, consistency and equal treatment. Rigorous exercise is milestone for the Single Supervisory Mechanism starting in November.”

And this is what it’s all about from Vítor Constâncio, Vice-President of the ECB. “This unprecedented in-depth review of the largest banks’ positions will boost public confidence in the banking sector. By identifying problems and risks, it will help repair balance sheets and make the banks more resilient and robust. This should facilitate more lending in Europe, which will help economic growth.” Or, as Bloomberg called it, “The ECB has staked its reputation on Monday’s stress test results”… what reputation?

(…)

Some quick observations: not a single major bank failed the stress test and the cumulative capital shortfall among the 25 failures is precisely €25 billion, less than the €27 billion shortfall reported during the 2011 stress test when 20 banks failed, and when Banco Espirito Santo, Dexia and Bankia all passed with flying colors. Oh, and just in case it was lost the first time, the Bank of Cyprus supposedly passed.

O chumbo do BCP no teste de stress

BCP um dos 25 bancos da zona euro a chumbar testes de stress com rácio de 3% no cenário adverso
Défice tarifário da EDP ditou “chumbo” do BCP
BCP: Carência de capital relevada no teste de stress “já se encontra suprida”

Manuel Pinho, Ricardo Salgado e o BES

Manuel Pinho exige mais de dois milhões de euros ao BES

O ex-ministro Manuel Pinho vai avançar com um processo judicial contra o Banco Espírito Santo para receber uma reforma antecipada que lhe terá sido prometida por Ricardo Salgado. Em causa está um valor superior a dois milhões de euros.

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Esticar até rebentar…

Relativamente ao Reino Unido, a política actual da União Europeia parece ser a de esticar a corda até rebentar. Não antevejo um final feliz para o orçamento “comunitário”: Fatura de 2,1 mil milhões de euros deixa Governo britânico em polvorosa

A confirmarem-se estas contas, os maiores prejudicados serão certamente o Reino Unido e a Holanda. E, por isso mesmo, ambos os países já fizeram sentir a sua indignação.

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Um Retrato Económico Da União Europeia

Dados revelados esta semana pelo Eurostat, ainda que relativos a 2013, permitem nos comparar os diversos países da União Europeia sob diferentes indicadores. Em particular neste post, são analisados os critérios do Tratado de Maastricht referentes ao valor do défice (que deverá ser inferior a 3% do PIB); e à dívida (que deverá ser inferior a 60% do PIB); ainda que só se apliquem aos estados membros da zona euro.

A tabela resumida – referente a 2013 – é apresentado abaixo. A verde estão os países que cumprem os dois critérios referidos acima (onze países); a amarelo os países que cumprem apenas um dos critérios (oito países); e a vermelho os países que não cumprem nenhum dos critérios (nove países onde se inclui Portugal).

Eurostat_Data

A seguir, são desdobrados os indicadores em gráficos para ser mais fácil compreender as diferenças e posicionamento dos diferentes países – dados referentes a 2013. As linhas paralelas a preto nos gráficos da Dívida (% PIB) e do Défice (% PIB) representam os limites do Tratado de Maastricht.

Eurostat_Divida

Eurostat_Defice

Eurostat_PIB_Normalizado

Eurostat_VariacaoDoPIB
Eurostat_Receita

Eurostat_Despesa

O Dogma da Infalibilidade Fiscal

O meu artigo de hoje no Diário Económico.

Ou seja, elevando-se o limite de recurso de 1.250 para 5.000 euros, condenam-se os pequenos contribuintes a derimirem as suas questões com instâncias administrativas – e o Fisco tende a ser parcial. Esta alteração, na prática, levará a que milhares de pequenos contribuintes, de parcos recursos e sem grande voz, fiquem limitados a “cale-se e pague!”.

(…)

O que se está aqui a instalar aos poucos é um dogma: o Dogma da Infalibilidade Fiscal. E este é um precedente perigoso para a democracia portuguesa.

Leitura complementar: Justiça “desconhecia o limite ao recurso aos tribunais”.

António Costa: um hayekiano inconsistente

Interesses Impróprios. Por José Manuel Moreira.

A este propósito regista-se com agrado a afirmação de pendor hayekiano de António Costa sobre as cheias de Lisboa: “temos de ter humildade de perceber que o ser humano não tem capacidade para controlar tudo.”

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Falemos de desigualdade (4)

A ideia neste post de comparar os níveis de bem-estar do Zé e do Vasco com os dos seus avós não foi o de demonstrar a tendência secular de crescimento económico e a forma como afecta todos positivamente, pobres e ricos. Essa é uma questão importante, mas não o ponto fundamental do post.

O principal ponto deste post foi o de, assumindo que efectivamente a desigualdade no nível de rendimentos aumentou, tentar saber se isso se converteu numa efectiva diferença nos níveis de bem-estar. O gráfico em baixo explica melhor este ponto. No eixo horizontal está o nível de rendimento e no eixo vertical o nível de bem-estar.

desigualdade

Será mais ou menos consensual que o aumentos de rendimento têm retornos marginais decrescentes em termos de bem-estar. É irrelevante para esta discussão discutir se o formato da curva é exactamente este ou a definição de “bem-estar”, mas parece-me que o conceito da curva será intuitivo para todos. Partindo do pressuposto que todos concordam, em termos gerais, com a localização dos pontos na curva a questão que se coloca é: será que o aumento das desigualdades de rendimento nas últimas décadas é assim tão importante na vida das pessoas como os números apontam?

Sobre este tema:
Falemos de desigualdade, no Observador
Falemos de desigualdade (2)
Falemos de desigualdade (3)

Socialismos dos partidos dos taxistas

Fotografia do Público

Fotografia do Público

Depois dos dilúvios que afectam a cidade de Lisboa sempre que chove, situações de desastre que apenas acontecem porque os serviços camarários não são avisados, o CDS de Lisboa decide que importa regulamentar a actividade dos tuk tuk na capital.

O CDS quer que a actividade dos tuk tuk em Lisboa passe a estar limitada a um conjunto de circuitos pré-definidos e se restrinja ao período diurno, “por forma a compatibilizar os interesses e necessidades” de quem vive na cidade, de quem a visita e “de quem dela depende para desenvolver os seus negócios”.

Nesse sentido, o vereador do CDS na Câmara de Lisboa vai apresentar esta quarta-feira uma moção, na qual recomenda ao município que avance com a regulamentação da actividade destes triciclos motorizados. Em declarações ao PÚBLICO, João Gonçalves Pereira sublinha que essa regulação deve ser vista por todos os agentes como “algo positivo, não negativo”, assente na ideia de que “qualquer país e cidade deve proteger aqueles que neles investiram”.

Na sua moção, há essencialmente três aspectos relativamente aos quais o autarca centrista defende que a câmara deve definir regras, depois de ouvir os empresários do sector: a tomada e largada de passageiros, os circuitos e os horários.

Em sentido contrário ao das várias propostas de regulamentação da actividade turística, apraz-me recordar as palavras de Adolfo Mesquita Nunes,

“A liberalização da economia resulta. Quando o Estado dá espaço às empresas, as empresas respondem, e respondem com criação de emprego e crescimento.” Redução de taxas, liberdade de acesso e redução de custos para as empresas foram os três pontos de viragem. “Costumo dizer que há que desamparar a loja. Ninguém cria uma empresa, de animação turística ou outra qualquer, se tiver de percorrer um calvário de licenciamentos e pagar um amontoado de taxas. (…) Sendo constituída por micro e pequenas empresas, muitas delas resultado de empreendedorismo, a animação turística é um dos sinais e exemplos do relevo do turismo na criação de emprego. “

Como moral da história, aos interessados, aconselho a leitura do certeiro artigo do Alexandre Homem Cristo no Observador, Tuk-tuks: mudança ou ameaça?

(..) A história em si não tem nada de surpreendente. A incapacidade de adaptação aos tempos, a inveja pelo sucesso dos outros, a obsessão pelo proteccionismo, a exigência que o Estado esteja sempre lá para decidir, regulamentar e, sobretudo, preservar a rentabilidade de sectores empresariais que deixaram de ser rentáveis. Tudo isso é Portugal. E é, aliás, por essa razão que este caso é tão interessante – porque ultrapassa a luta específica de um sector e representa, na verdade, o confronto entre a concretização da mudança e o país que somos. Um país que pede essa mudança mas que não gosta quando ela acontece. Um país que se orgulha de ser um destino turístico de excelência, mas que vê o sucesso das empresas do sector como uma ameaça. Um país que quer ser mais livre e próspero mas que não consegue ultrapassar a sua dependência do Estado.

No fundo, é isto: um país que não aprende com os seus erros e onde os bons exemplos de sucesso e de governação parecem nunca ser suficientes para impor a mudança. Um país onde o socialismo parece vencer sempre.

 

Falemos de desigualdade (2)

O Vasco é sócio de um escritório de advogados. Ganha 40 mil euros por mês. Vive em Cascais e tem um património de 5 milhões de Euros. O Vasco é o 1%.
O Zé é empregado de mesa. Ganha 600 euros por mês e vive num apartamento alugado em Massamá. Tem duas semanas de salário no banco e uma dívida à Cofidis. O seu património é negativo. Está no topo do último quartil de rendimentos.

Depois de acordar, o Vasco tem à sua espera torradas e um sumo de laranja preparados pela empregada. Toma o pequeno almoço e chama o motorista que o leva até ao emprego. Enquanto espera no trânsito entretém-se com o seu iPad air e telefona aos seus amigos. Durante a manhã tem várias reuniões, interage com muita gente, clientes e empregados.
O Zé acorda, mete uma fatia de queijo num pão e come uma laranja. Sai de casa a tempo de apanhar o autocarro. Enquanto espera no trânsito, brinca com o seu android e troca mensagens no Whatsapp. Durante a manhã, interage com muita gente, clientes e colegas empregados de mesa.

Ao almoço, o Zé vai ao macdonalds. Por 4 euros come um hamburger, batatas fritas e uma coca-cola. Sai do trabalho às 6 e depara-se com uma greve no metro. Tem que caminhar 1 hora até à estação de autocarros mais próxima. Chega a casa às 7 e meia. Faz o download do episódio da sua série favorita e fica a vê-lo no seu computador que comprou usado por 150€.
Ao almoço, o Vasco vai ao restaurante mais caro da sua zona. Por 200 euros come um hamburger gourmet de carne de vaca argentina rodeado de 8 batatas fritas em óleo de coco, e uma coca-cola. Sai do trabalho às 6 da tarde e vai ao ginásio. O personal trainer recomenda-lhe 1 hora de walking. Chega a casa às sete e meia, senta-se em frente ao seu ecrã plasma e sistema de som e compra o episódio da sua série favorita.

O avô do Vasco ganhava bem: podia comprar meia dúzia de sardinhas todos os dias e tinha uma motorizada para ir para o emprego na cidade. Já o salário do avô do Zé só dava para 1 sardinha por dia. Quando não havia batatas, ia para o trabalho com fome. Como só tinha dinheiro para uma bicicleta, passou a vida num raio de 10 kms à volta de sua casa. O avô do Vasco tinha 6 pares de sapatos que usava todos os dias. O avô do Zé andava muitas vezes descalço para não estragar o seu único par de sapatos.

O Vasco ganha 70 vezes mais que o Zé. O avô do Vasco só ganhava 6 vezes mais que o avô do Zé. A desigualdade aumentou, dizem.

Um documento de estratégia orçamental para a legislatura

Uma excelente sugestão, na linha desta outra do Rui A.: Senhores candidatos a PM: Queremos um DEO! Por António Carrapatoso.

Não podemos continuar com jogos florais: nas eleições os candidatos não podem ser vagos, devem apresentar um documento de estratégia orçamental para a legislatura. Detalhado, preciso, sem subterfúgios

Entrevista a Alexandre Mota – Instituto Mises Portugal

Uma entrevista interessante dada por Alexandre Mota, o novo presidente do Instituto Ludwig Von Mises Portugal, ao jornal Vida Económica: O caminho para o progresso é o Estado “sair da frente”

Vida Económica – O que é o Mises Portugal, o que defende e o que pretende?
Alexandre Mota
– O Instituto Ludwig von Mises Portugal é um “think tank” liberal, português, na linha dos vários institutos Mises congéneres em todo o mundo. Temos como lemas a liberdade, a propriedade e a paz e pretendemos revolucionar as ideias em Portugal. É um objetivo difícil, mas de outra forma não seria tão excitante.

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Ironias do destino…

be careful what you wish for. Por Rui A.

Há oito anos, na sequência da OPA lançada pela SONAE à PT, os trabalhadores da empresa, representados pelos sindicatos, manifestavam-se violentamente contra as pretensões de Belmiro de Azevedo, a quem chamavam, com fina ironia e desprezo aristocrático, “o tubarão das mercearias”. Oito anos depois, os trabalhadores e os sindicatos da mesma empresa, entretanto confiada a outro género de peixes de águas mais profundas e a vorazes animais de rapina, estão muito apreensivos com a possibilidade da sua empresa ser “vendida a retalho pela Oi”.

PT, BES e o nacionalismo da esquerda

O nacionalismo económico

O PS está-se a iniciar no caminho trilhado já pelo PCP do apelo primário ao nacionalismo. Primário porque irracional, como se gostar de Portugal fosse pretexto para escolher mal. Pior: como se o amor a Portugal fosse pretexto para dar, aos decisores políticos, carta branca para decidir da pior forma possível.

Não é a primeira vez que tal sucede. O Estado Novo foi construído nessa premissa. É interessante reparar como, à medida que o actual regime se vai embrulhando em problemas cada vez mais complexos, a tentação do nacionalismo, nomeadamente de cariz económico, sobe de tom.

Não há português que não goste de Portugal. Mas gostar de um país, não é o mesmo que destruí-lo à conta da irracionalidade. Não será, certamente, confundi-lo com uma classe política que mistura o governo do Estado com o rumo de Portugal. Que não distingue limites na sua função enquanto agentes políticos que visam alcançar o poder.

Gostar de um país é sentirmo-nos em casa nele. É a ligação instantânea, próxima e imediata que cada um de nós sente uns pelos outros apesar de não nos conhecermos e, o mais provável, nunca nos cruzarmos nesta vida. É algo que permite que um Estado de Direito, e a lei que dele emana, seja por todos aceite; seja por todos recebida como um ganho e não uma perda de liberdade.

No entanto, aquilo a que a esquerda se está alicerçar, e que temo o PS venha a abraçar, não é este sentimento salutar. É antes algo que alimenta a desconfiança perante o exterior, entende independência como isolacionismo e separação. Vê na troca de experiências, não um ganho, mas um prejuízo. Um dano não só para a sua ideologia e dogmas político-económicos, mas para o país, cujo destino poucos separam das suas crenças particulares.

Foi o nacionalismo económico que publicamente justificou a oposição política de Sócrates à OPA, que Belmiro de Azevedo lançou em 2006, contra a PT, e que prejudicou seriamente aquela empresa, sem falar nos consumidores. Foi esse nacionalismo que cegou o país para a utilização política que se fez de uma empresa que, não devendo ter outro papel que a satisfação dos seus clientes, se destruiu ao aceitar que a política se sobrepusesse à economia.

Porque é disto que se trata: de política e de economia. De dirigismo central versus decisões individuais tomadas em liberdade. De seguidismo e inteligência. Os episódios do BES e da PT, a instrumentalização que o primeiro fez do poder político por falta de credenciais económicas, possível por inexistência de um mercado livre, é um alerta. Mas será também um teste. Um teste à nossa capacidade enquanto povo, pessoas que partilham o mesmo espaço cultural, de resistir à confusão populista que é o nacionalismo, de aprender com o passado e não cometer os mesmos erros no futuro.

O multiplicador keynesiano em acção

Um caso estranho – entre muitos – em que o popularmente famoso multiplicador keynesiano não parece ter funcionado, apesar de uma forte e inequívoca aposta no investimento público: Câmaras com a corda na garganta

Um dos municípios mais desequilibrados do ponto de vista financeiro, com cerca de 20 milhões de euros em dívida, Vila Nova de Poiares é um local sui generis. Tem piscina municipal, centro cultural, parque de desportos radicais, uma imponente “Alameda” onde se realizam eventos ao ar livre, uma enorme cruz no centro da localidade, um jardim com estátuas que evocam profissões tradicionais da região e um sem número de outras coisas vistosas. Mas não tem saneamento básico. Em média, cada um dos 7200 habitantes deve 2776 euros mas a Câmara só recolhe receitas de 890 euros por munícipe.