Este post do Jugular fala de três apontamentos de três religiões na sua relação com as mulheres: os protestos dos judeus ultraortodoxos pela permissão das mulheres judias poderem rezar junto do Muro das Lamentações com rituais tradicionalmente reservados aos homens; um novo livro sobre sexualidade – e a sexualidade é, de facto, sempre corolário do resto – feminina no Egito; o conflito que tem oposto o Vaticano e as freiras americanas. (E para este último caso foi escolhido um texto do Público que, enfim, é um texto do Público: começa logo por dizer que o Vaticano se assusta porque as ditas freiras não usam hábito e, ui!, que grande susto deve ser esse, tendo em conta que não usar hábito é comum a várias congregações de freiras católicas em todo o mundo e algo perfeitamente pacífico).
Não vale a pena estar aqui a elaborar sobre este caso Vaticano vs freiras americanas – até porque é muito sintomático de várias doenças da Igreja e ando para escrever sobre isso desde a eleição do meu querido Francisco, mas tem-me faltado o tempo e o assunto é sério -, no entanto sempre vou dizendo que algo está muito mal quando na avaliação da conduta de freiras ou padres ou o que seja pesa mais a opinião sobre assuntos como o casamento entre pessoas do mesmo sexo ou a ordenação de mulheres – que não são matéria de Fé – do que o trabalho social em benefício dos mais pobres e vulneráveis. E, neste ponto, as freiras americanas não têm falhado, o que já foi reconhecido e elogiado por este papado.
Passando à frente; não percebo se este post, como parece, pretende equiparar as três situações que apresenta. É que às mulheres judias foi de facto permitido e protegido o acesso ao Muro das Lamentações, havendo protestos de um grupo de judeus e aceitação pelos restantes. As freiras americanas escolheram, em total liberdade, fazer parte de uma organização que ainda tem muitas imperfeições porque na Igreja, tal como na política, os homens não são anjos. Já no caso das muçulmanas, a rapariga que tem um discurso ‘muito pouco “conservador”‘ é americana e cresceu na Carolina do Sul – a mulher-tipo do Médio Oriente, portanto – e a autora do livro sobre sexualidade feminina no Egito fala de constragimentos religiosos e sociais que afetam a intimidade das muçulmanas (leigas) e até dessa maravilha que é a mutilação genital feminina, à qual muitas egípcias são submetidas sem voto próprio na matéria mas por vontade das mães ou avós. Eu diria que entre as situações reportadas no judaísmo e cristianismo e as reportadas no Islão egípcio há um mar de diferenças. E que, para religião que dê cobertura a maus-tratos vários a mulheres tal como sucede no Islão, se terá de ir para o hinduísmo (é ver a discriminação nas heranças, ou as restrições às viuvas, só para dar uns exemplos leves). Mas, claro, devo ser eu a ser picuinhas, que isto das religiões do livro são todas iguais. Dá jeito para outros combates, não é?