Sobre as greves no Metro de Lisboa

O meu artigo de hoje no Observador: Pela libertação do Metro de Lisboa.

No meio desta verdadeiramente deplorável situação – que nenhum Governo parece ter coragem para resolver – a CGTP tem ainda o descaramento de repetidamente invocar que a regular paralisação do Metro de Lisboa é feita em nome da defesa do “serviço público”. Na realidade, o que a CGTP realmente faz é aproveitar a circunstância de basicamente controlar uma empresa estatizada num sector onde é relativamente fácil por razões técnicas bloquear completamente o funcionamento do serviço. A partir daí, e em total desrespeito pelos utentes, as greves e plenários no Metro de Lisboa são convocados ao sabor da agenda política do PCP, compensando mediaticamente a fraca representatividade e capacidade de mobilização dos sindicatos na generalidade dos sectores de actividade.

Um Nobel para o Perez Metelo

António Perez Metelo no Dinheiro Vivo

Perante a exaustão, face aos financiadores externos, das fontes do financiamento público, em 2011, o volume real do PIB recuou uma década

A aparências podem iludir. Mas o que APM parece sugerir é que na origem dos nossos dissabores estará um factor exógeno. A falta de finaciamento externo da despesa pública. Mas então quer isto dizer que:

1. Não haviam alternativas internas de financiamento (lá se vai um bom argumento para o default da dívida)
2. O crescimento do nosso PIB estava bastante dependente do consumo público.

E isto não tinha consequências? Claro. É ver a evolução da dívida pública.

Aliás, sintomáticamente APM afirma que “o volume real do PIB recuou uma década“. Sem que a recessão tenha sido tão profunda como noutros países ou épocas. Esta aparecente contradição explica-se com o anémico crescimento económico desde o iníco do século. Bastou uma recessão para eliminar todos os ganhos. Mas parece que há quem esteja com saudades desses tempos.

Solidariedade inter-municipal

Diário de Leiria

O presidente da câmara de Leiria está contra o Fundo de Apoio Municipal (FAM), que vai exigir da autarquia 3,3 milhões de euros em sete anos, uma situação que, no seu entender, prejudica os munícipes. “A verdade é que estamos a premiar a má gestão, uma vez que isto é assim porque há câmaras que tiveram má gestão”, afirmou Raul Castro ao nosso jornal

E ainda quem se admire quando outros países se recusam pagar contas alheias.

LEITURA RECOMENDADA: “Abaixo a Mutualização” de João Miranda (Blasfémias)

Para que serve o dinheiro dos contribuintes pt XLVIII

Diário Económico

Madeira liberta receitas ao sair de três SAD

Em causa, de acordo com a referida publicação, estão 50% (25 mil acções) do Académico Marítimo Madeira Andebol, outros 50% (30 mil acções) no Clube Amigos do Basquete da Madeira (CAB) e 30% das 15 mil acções detidas pelo Governo no Madeira Andebol. O argumento invocado pelas autoridades madeirenses reside no facto de “já não existir relevância para o interesse público regional na detenção das acções.”

O mais criminoso curioso é que o “argumento” sugere que em tempos terá existido algum tipo de “interesse público”.

I started a joke

O Tiago Barbosa Ribeiro começou uma piada.

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Não é relevante comentar porque é que a dívida pública continuou a aumentar nestes últimos três anos. Sim, o Estado não cortou suficiente na despesa, especialmente a estrutural. Sim, podia ter sido feito mais. Mas o essencial já foi abordado pelo Carlos, e tem a ver com a redefinição do perímetro de contabilização do Sector Empresarial do Estado, e que se resume assim: acabou a aldrabice das desorçamentações, o regabofe agora é contabilizado.

A verdadeira piada está nos anos que compreendem 2008-2011, para onde se atiram as responsabilidades pelo aumento da dívida pública. Na crise, pois claro. O vento que derrubou Babel, a maleita que interrompeu a bonança socrática, a intempérie que inundou Atlântida. Maldita crise financeira, que o céu na terra foi interrompido em 2011.

O que é curioso é que isso não parece ter afectado todos os países europeus de igual ou sequer forma semelhante. Não ouvimos falar de resgates à Suécia ou à Alemanha, à Estónia ou à Bélgica. Portugal é, como sempre, caso exemplar. Neste caso, contra-exemplo do que não ser ou fazer. A piada, afinal, é outra.

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A Igreja acolhe o pecador ou o pecado acolhe a Igreja?

Quando existe pouca vontade de discutir um assunto com seriedade e abertura, é frequente arranjar rótulos rápidos que enterrem o adversário no lamaçal. Eu destaco dois que são muito populares em dois domínios diferentes: o de “fascista” e o de “fariseu”. O rótulo de “fascista” está tão sobrecarregado e esvaziado que nem precisa de mais ridicularizações e considerações. O rótulo de “fariseu” serve um propósito semelhante e revela a mesma falta de criatividade, neste caso, de quem tenta apropriar-se do lado benevolente da falsa dicotomia entre amor (caridade) e justiça. Transpondo isto para o domínio político, corresponderia à exploração da dicotomia entre liberdade e autoridade.

Dos muitos usos que o termo “fariseu” tem tido durante séculos, a mais recente aplicação tem sido explorada em consequência da vaga de entusiasmos que tem cercado o Papa Francisco, e nomeadamente, para irmos directos ao exemplo mais recente, em consequência do ímpeto com que muitos olham para o Sínodo dos Bispos dedicado à família, depositando esperanças numa deformação da doutrina à medida das exigências e impulsos de cada um. Num contexto de grande polvorosa mediática em que as vozes que mais sobressaem são, tantas vezes, as daqueles que estão fora da Igreja e nem sequer querem entrar, chama-se “fariseu” a todo aquele que diz o óbvio: que o amor (caridade) pode ser interpretado como a roda dentada de uma engrenagem que não funciona sem a presença de outra roda dentada, a justiça.

Por outras palavras, se o homem tem uma dignidade intrínseca e total liberdade para dizer “sim”, se quer dar prioridade à vivência espiritual em detrimento dos bens materiais temporários, ou seja, se escolhe a conversão, é porque crê que é ele que precisa de ajustar a sua conduta e as suas prioridades; se passa a confiar nos ensinamentos da Igreja é porque lhes reconhece superioridade, tanto pelo discernimento com que passa a interpretar a realidade, como na utilidade prática que encontra quando decide aplicá-la. Visto que cada pessoa é livre de decidir o seu destino, quer isto dizer que a porta da Igreja está incondicionalmente aberta para acolher todos aqueles que se dirigem a ela com arrependimento; não é a Igreja que deve especializar-se em segmentação de mercado com vista a atrair as pessoas através de pacotes diversificados, vergando a sua coerência doutrinal para servir as mudanças de humor e as fraquezas humanas que possam alastrar com aceitação na sociedade.

Não é curioso observar que, entre os mais intransigentes defensores do laicismo dos Estados – sempre horrorizados com a mais leve possibilidade de haver algum derrame de influência espiritual sobre as instituições públicas – podemos encontrar empenhados promotores da inclusão dos vícios políticos na esfera espiritual? Afinal, de que vale defenderem a separação entre Estado e Igreja, se aquilo que pretendem é secularizar os processos, democratizar as decisões, amolecer a doutrina e incutir na Igreja as inconstâncias tipicamente parlamentares e a confusão inerente à mutabilidade da legislação do dia-a-dia?

É fácil identificar uma certa sintonia entre desequilíbrios que caracterizam as democracias ocidentais (desequilíbrios que se geram, em parte, com a ajuda e por culpa do eleitorado) e aquilo que são as reivindicações e anseios da opinião pública ocidental face ao que se passa na Igreja Católica. Os desequilíbrios vão-se revelando das seguintes formas:

1 – Negação da culpa e desresponsabilização pessoal;
2 – Banalização da lei, associada aos amontoados legislativos, e consequente descredibilização da justiça;
3 – Indiferença, ou até aversão, à autoridade (seja ela qual for);
4 – Insaciável apelo a mudanças constantes, adaptadas às singularidades de cada momento e que sejam reflexo dos interesses dos grupos com maior influência. Multiplicação de solicitações igualitaristas;
5 – Volubilidade das leis servindo de incentivo à corrupção e dissolução moral.

Se as leis de uma Nação mudam com o vento, quem as levará a sério? Se perdem a sua razão de ser, deixando de demonstrar um padrão simples, fixo e imutável, o que é que as torna preferíveis e respeitáveis? Contudo, esta é precisamente uma das faces das democracias modernas e um dos factores a ter em conta quando observamos o aumento da criminalidade e do sentimento de impunidade. Quando à dissolução moral, podemos encontrá-la associada também à desresponsabilização pessoal e chegamos ao combustível das promessas eleitorais que exploram o atomismo social e a dependência dos cidadãos em situação de fragilidade.

Se isto faz sentido no domínio político, não será óbvio que a Igreja não tem nada a aprender com os métodos mundanos que estão na moda? Ou as “tiranias da maioria” deixam de ser aborrecidas e aturam-se bem desde que preconizem uma agenda que nos agrade? Na mesma linha de comparação, se percebemos as consequências resultantes das ideologias que levam a um esvaziamento das funções e das responsabilidades pessoais, se conseguimos ver a dependência em que se lançam todos aqueles que acreditam no nivelamento e na acção afirmativa do Estado, não conseguimos também estabelecer ligação entre, por um lado, a negação de culpa e, por outro, o desespero e a angústia de ficar aprisionado a ela por não ter existido um farol moral que encorajasse a remodelação pessoal? Por fim, é fácil prever que quanto mais a Igreja fosse beber aos apelos e métodos que a opinião pública encoraja, mais descredibilizada passaria a estar a sua própria autoridade, menos solidez teriam os seus ensinamentos e menos nítida seria a Verdade.

Neste texto da Maria João, no Observador, encontramos uma alusão à parábola do Filho Pródigo e isto leva-me ao ponto em que comecei: a dicotomia entre amor e justiça. Por sua vez, a parábola levou-me a pensar naquilo que os bons alunos costumam sentir quando o professor fica eufórico com uma boa nota de um aluno que costumava estar entalado nas negativas há imenso tempo, e que precisou de empreender um grande esforço para alcançar um aproveitamento escolar satisfatório. Obter um 4, numa escala de 1 a 5, é algo trivial para alunos sem dificuldades e que andam nos eixos em termos de concentração, presença e cumprimento de tarefas. Já para outros que, imaginemos, possam cair numa rebeldia passageira no decurso de uma fase familiar menos boa, recuperar de uma negativa é uma tarefa muito mais exigente que depende da vontade e do esforço pessoal que visa compensar o tempo perdido. Para dar outro exemplo, um professor também pode ficar mais orgulhoso por conseguir puxar um aluno que revela menos capacidades intelectuais mas que trabalha incansavelmente para as superar. Isto significa que o professor tem preferência por alunos rebeldes, desgarrados ou menos inteligentes, enquanto desvaloriza os alunos que mantêm um bom desempenho – mesmo sem grande esforço – e um comportamento exemplar? É lógico que não. Acontece que alguns professores fazem questão de gastar tempo e dedicação com aqueles alunos que demonstram ter vontade de mudar e de se superarem.

Se um professor chegar em frente à sua turma e disser que vai deixar de usar critérios de avaliação, permitindo que todos transitem de ano independentemente de qualquer avaliação; se disser que ter 5 é vaidade e que quem incentiva tal resultado está a oprimir a liberdade e a criatividade dos alunos, é fácil prever os efeitos disto. Felizmente, não é isto que acontece quando os professores se empenham tanto com os “filhos pródigos” da turma. Está ali sempre subjacente uma mudança de atitude do aluno.

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Banha da cobra (II)

Em adenda ao que o Miguel Noronha, e muito bem, alerta aqui, importa notar que a PT SGPS está cotada numa plataforma bolsista chamada Euronext, que resultou da fusão das Bolsas de Lisboa, Paris e Amesterdão. Esta sociedade é privada, e a maioria do capital não é sequer nacional. As bolsas seguem normas comunitárias. Assim, a aquisição da totalidade do capital de uma empresa cotada tem de ser feito por via de uma “Oferta Pública de Aquisição” (“OPA”), não sendo legalmente possível proceder-se a uma nacionalização. No dia em que o Estado português nacionalizasse uma empresa cotada, por estar “barata”, haveria uma fuga imediata de capitais estrangeiros de todas as restantes empresas cotadas, procedendo-se à destruição imediata do nosso mercado de capitais. Para além de que tal iniciativa nunca seria legalmente aceite no quadro da União Europeia.

Uma eventual nacionalização da PT Portugal, nas mãos de uma empresa estrangeira, a Oi, para além das razões apontadas acima, no caso da PT SGPS, abriria uma frente litigiosa com o Brasil, sem proporções.

Quando forem votar, pensem se querem dar poder a quem escreve este tipo de disparates.

O vendedor da banha da cobra

barraca

Ontem no Público, desolado com a desvalorização da PT em bolsa, o Rui Tavares propunha que o estado lançasse uma OPA sobre a totaldidade do seu capital. Para além de nos ficar barato ainda estariamos a salvar uma empresa estratégica e inovadora, dizia ele para tentar vender a sua milagrosa solução.

E porque não? Por uma excelente razão. Como notaram ontem o Manuel Puerta da Costa e hoje o Pedro Pita Barros, a empresa que o Rui Tavares pretende comprar e está cotado em bolsa e em desvalorizaçáo acelerada é a PT SGPS que é accionista da Oi. A PT Telecomunicações Portugal (a que prestadora de serviços de comunicações), que o Rui Tavares gostava que os contribuintes comprassem para o satisfazer, é detida a 100% pela Oi.

Podia aproveitar para meter mais uma farpas acerca do sapateiro que tenta tocar rabecão mas abstenho-me. Não vale a pena bater mais no esquerdista que acha que se acha mais esperto que os outros.

Mais um “nim” (2)

Já era esperado. Não houve qualquer novidade no debate de ontem sobre o “manifesto dos 74″ na AR. O PSD e o CDS estão contra, os partidos comunistas estão a favor e o PS opta pelo “nim”.

não há respostas simples“, mas “fingir que este problema não existe é a pior forma de lhe dar resposta” dizia Vieira da Silva. Simples ou complicadas o PS demonstra mais uma vez ser incapaz de dar uma resposta directa sobre o tema. Provavelmente ainda aguarda a tal “audição pública” a realizar em data incerta. E se a a recomendação da tal “audição” for a renúncia ao pagamento do serviço da dívida? Irá o PS segui-la? Pois. Convinha saber.

Entretanto, não consegui encontrar relato das intervenções dos deputados socialistas que subscreveram o manifesto. Será de presumir que o líder parlamentar Ferro Rodrigues e o sempre rebelde Saldanha Galamba tenha súbitamente ficado afónicos?

É proibido debater educação sem a fenprof

fenprof

A notícia está hoje no CM. De resto, é também pouco útil discutir temas sem a presença de quem (tantas vezes) manda no sector. A queixa até pode parecer ridícula, mas olhem que resulta. Num país em que ninguém gosta de ter chatices, fica o aviso: da próxima vez, pensem duas vezes antes de pôr a fenprof de parte.

Um sistema ao serviço dos professores

“O superior interesse do aluno” de João Miguel Tavares (Público)

Outro exemplo, a que tenho assistido em directo: a minha filha mais velha está sem aulas de História desde o início do ano lectivo. Aparentemente, o professor está de baixa; aparentemente, não vai regressar; aparentemente, está à espera de uma junta médica; aparentemente, a junta está atrasada; aparentemente, não pode ser substituído até a junta se pronunciar. Escrevi todos estes “aparentemente” porque obter explicações simples e directas numa escola, sem os clássicos “acho que”, “parece-me que” ou “isso não é comigo”, é um trabalho que nem Hércules superaria. Donde, não tenho a certeza absoluta de nada. Mas disto, tenho: há seis semanas que ela está sem aulas. E a facilidade com que se deixam alunos sem aulas, sem arranjar uma solução imediata, e alimentando um sistema de baixas médicas que colocam o direito ao posto de trabalho quilómetros à frente do direito ao ensino, é, pura e simplesmente, um escândalo. E isto não tem nada a ver com asneiras em concursos – tem a ver com uma visão da escola errada e com as suas prioridades manifestamente trocadas

O Orçamento de Estado de 2015 em Imagens

Neste post, ilustra-se o orçamento de estado para 2015 em imagens complementado com algumas notas. A primeira imagem e a primeira tabela representam o orçamento na Óptica da Contabilidade Nacional.

Orcamento2015

Orcamento2015_Tabela

Algumas notas:

  • Os juros da dívida representam mais de 10% do orçamento de estado. Sem a despesa associada com os juros, existiria um superávit de 4.026 M€.
  • As prestações sociais representam um valor cerca de 1,65 vezes maior do que o valor das contribuições sociais.
  • Em conjunto, as prestações sociais e as despesas com pessoal representam 64% da despesa do estado.
  • Prevê-se que o défice seja reduzido em quase 42% para 4.860 M€.
  • A consolidação orçamental é feita essencialmente através de um aumento da receita em cerca de 2,9% que por sua vez ainda tem de compensar um aumento da despesa de 1,0%.

No gráfico e tabela abaixo, pode-se observar as despesas por sector.

Orcamento2015_Sectorial_Grafico

Orcamento2015_Sectorial

Algumas notas:

  • Os quatro sectores: Solidariedade, Emprego e Segurança Social; Saúde; Gestão da Dívida Pública; e Ensino Básico e Secundário e Administração Escolar representam 71,5% da despesa por sectores.
  • Em termos relativos, os maiores aumentos percentuais verificam-se no sector do Ambiente, Ordenamento do Território e Energia (+231,1%); Gestão da Dívida Pública (+5,0%); e Orgãos de Soberania (+3,5%). As maiores reduções verificam-se no sector da Economia (-37,9%); Agricultura e Mar (-15,5%); e Finanças e Administração Pública (-11,4%).

Sixties revisited

E agora para desenjoar das minhas beatices todas dos últimos tempos, aqui vai uma história de prostitutas. (Se bem que o tema prostitutas também seja muito bíblico.) E é por histórias destas de costumes que a Vanity Fair continua a ser uma revista imperdível.

‘In Madam, a memoir she published in France in 1994, Fernande Grudet portrayed herself as an aristocrat, born in the château country of the Loire Valley, where her father was a local solon. She had been educated at a Visitandines convent, taking vows of austerity. She had also been a war heroine, a Resistance fighter who paid for that resistance with an internment at a concentration camp.

Lies, all lies, according to a 2010 French television documentary about Claude. Trying to see the entirety of this program is like trying to crack the Da Vinci Code. The production company that had made it is defunct, and I could not find it in any film archive. It was available, in snippets, on the Internet. It alleged to show proof that père Grudet actually ran a snack cart at the Angers train station, that little Fernande had never been at the convent. As for her time in the concentration camp, ostensibly Ravensbrück, the program explored a story that Claude is said to have told about how she saved the life of Charles de Gaulle’s niece while there (or vice versa) and submitted to an affair with a German doctor in order to survive. A historian in the documentary said that Claude probably made all of this up, and the idea that the madam was ever interned was dismissed as another example of Claude’s talent for self-mythologizing.

But, according to Patrick Terrail, the proprietor of Ma Maison, “she had a camp number tattooed on her wrist. I saw it.”

Taki concurred. “I saw the tattoo,” he said. “She showed it to me and Rubi. She was proud she had survived. We talked about the camp for hours. It was even more fascinating than the girls.” But which camp was it? The myth may have been Ravensbrück, but only Auschwitz used tattoos. Hence the Rashomon quality of Claude’s life. Taki then told me that Claude had been imprisoned not for her role in the French Resistance but for her faith. “She was Jewish,” he said. “I’m certain of that. She was horrified at the Jewish collaborators at the camp who herded their fellow Jews into the gas chambers. That was the greatest betrayal in her life.”’

Falemos de desigualdade (3) – a assimetria moral da herança

Um homem que trabalhe muito e poupe uma grande parte dos seus rendimentos para que os seus filhos possam ter um futuro melhor é tido como nobre, esforçado e trabalhador. Ninguém coloca em causa a nobreza e o direito do homem a fazê-lo. Já a fortuna do filho desse homem, e o bem-estar daí decorrente, é visto como imoral e atentatório do princípio da igualdade de oportunidades.

“The lunatic is in the hall”

O eurodeputado Carlos Zorrinho disse hoje, na sua intervenção no Parlamento Europeu na sessão que aprovou o elenco da Comissão Europeia presidida por Jean-Claude Juncker, que à Europa “já não bastam palavras, é precisos actos concretos”, e que “precisamos de colocar o nosso homem na lua, ser um laboratório de futuro e não um museu do passado”. Aprecio a ambição de Zorrinho, mas talvez não haja necessidade de gastar dinheiro a pôr “o nosso homem na lua”. É que Zorrinho, pelos vistos, já la vive.

Ilegalizar a Morte

Se existe injustiça na nossa existência é um gajo passar uma vida a trabalhar, a construir vida com alguém, a criar filhos e netos para dum momento para o outro ir fazer companhia à bicharada debaixo da terra. É chato, portanto. E se a ideia de enriquecer – seja a nível de património, seja ao nível dos que nos rodeiam – e mandar tudo às ortigas dum momento para o outro parece aterrorizante, pior ficam aqueles que se vão cedo, irrealizados. Só por canalhice, tacanhez e falta de visão é que a Morte, a eterna efeméride dos vivos, ainda não foi proibida, ilegalizada, assertivamente perseguida pelas autoridades competentes. Ora um dos principais Direitos Humanos é o Direito à Vida. Como se tolera que este seja diariamente violado? Que impunemente tanta malta bata a bota.

Isto acontece porque o Estado está desenhado de forma a servir os mais priveligiados. Os que aproveitam a vida, que viajam, comem bem, têm acesso aos melhores cuidados de saúde e se reformam cedo para levar os netos ao colégio, ao rugby e ao pólo aquático. Em cada funeral devia estar presente um fiscal do Estado, averiguando as causas, autuando sem dó nem pena, trazendo consigo o peso de fascículos de legislação na procura de evitar que o fenómeno se repita, com extensos relatórios e recomendações a quem de direito, para que lei sobre lei o sistema se adorne dos meios para o combate a esta vilania.

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Um estado falido

Provavelmente sem se aperceber, neste artigo o socialista Pedro Nuno Santos admite que o governo anterior deixou o país num estado de insolvência. Embora as suas preferências para alocar o (pouco) dinheiro disponível fossem diversas admite que as totalidade das obrigações assumidas pelo governo português eram superiores às receitas geradas.

A inconsciência é tal que é citado na integra pelo clube de fans de José Sócrates.

As lágrimas do crocodilo vermelho

Seria irónico se não fosse trágico. Depois de tudo fazer para coarctar a iniciativa privada e dificultar a gestão corrente nas empresas o PCP pretende aprovar leis para impedir a liquidação de empresas. Tudo em nome de um “país” de quem se auto-nomearan oráculos exclusivos e vitalícios.

as nuvens no horizonte

“(..) para além da frente externa, em relação à qual o Governo nada pode fazer, e cuja deterioração conduzirá a renovado debate quanto à integridade da zona euro e da própria UE, há no OE2015 uma imprudência que, esta sim, é atribuível ao Governo: a ideia de que a eficiência fiscal não conhece limite.”, no meu artigo de hoje no Diário Económico.

Propostas para a reforma eleitoral

Ainda que a minha preferência vá para os círculos uninominais, penso que a proposta de Vital Moreira em reduzir os circulos eleitorais e introduzir o voto preferêncial seria uma boa alternativa. Pelos menos, bastante melhor que o modelo actual.

É muito simples

“Nunca pagámos tanto por tão pouco”. É mesmo assim. Quando deixámos de permanentemente poder “chutar” os défices para o stock de dívida e fomos obrigados a pagar os saldos orçamentais negativos do presente e do passado (mais umas continhas que tinham sido atiradas para debaixo da carpete) é que apercebemos do verdeiro custo do estado social e da magnifica “obra feita”.

Querem pagar menos impostos? Cortem no despesa. Cortem no estado.

A golden share da PT já foi tarde e saiu-nos muito cara

Olhando para a actual situação da PT não faltará quem caia no facilitismo de associar o declínio da empresa à extinção da golden share do estado. Nada mais falso. Não só a golden share não teria alterado nada a situação actual (para melhor), como está na sua origem. Nem precisamos de ir tão longe como a OPA da SONAECOM à PT em 2006. Basta-nos olhar para os 3 negócios mais recentes que levaram a PT onde está hoje

1. O empréstimo à Rioforte a rondar os 900 milhões de euros – Estes empréstimos ao grupo Espírito Santo não são algo recente. A compra de papel comercial do Grupo Espírito Santo vinha de longe e fazia parte da parceria estratégica entre a PT e o BES anterior à OPA da SONAECOM em 2006. Não só o estado nunca impediu que estes empréstimos acontecessem, como provavelmente os incentivava.

2. A venda da Vivo no valor de 7,15 mil milhões de euros - A Telefónica procurava há bastante tempo comprar a parte da PT na Vivo e em 2010 apresentou uma proposta bastante generosa de 7,15 mil milhões de euros pelos 30% da PT. Esses 30% valem hoje cerca de 5 mil milhões. O governo de José Sócrates, contra a vontade da maioria dos accionistas, bloqueou a oferta da Telefónica. Perante a pressão dos accionistas, num país prestes a entrar em falência, acabou por aceitar uma oferta de valor semelhante*, na condição de que parte desse dinheiro fosse reinvestido na Oi.

3. A compra de 23% da Oi - A condição imposta pelo governo de José Sócrates para aceitar a proposta da compra da Vivo foi o reinvestimento de metade do valor pago pela Telefónica, 3,75 mil milhões de euros, na compra de uma posição de 23% na Oi. Este foi o negócio mais ruinoso da história da PT. Eventualmente a bastante maior Oi engoliu a PT. Os 23% da Oi que na altura custaram 3.750 mil milhões de euros, hoje valem cerca de 600 milhões de euros. Uma perda para os accionistas de de mais de 3.000 milhões de euros. Na altura José Sócrates congratulou-se diante de todo o país com o negócio feito.

Ou seja, graças à golden share do estado, a PT quase perdeu um grande negócio, a venda da Vivo, e meteu-se no pior negócio da sua história: a compra da posição na Oi. O segundo pior negócio da sua história, a compra de papel comercial da Rioforte, não teria sido evitado com a golden share porque era uma prática já vinda de trás. Nestes dois negócios, patrocinados pela golden share do estado, a PT perdeu o correspondente a 4 vezes o seu valor actual, ou perto de 4 mil milhões de euros.

A golden share do estado não teria salvo a PT. Pelo contrário, a golden share do estado está na origem dos problemas actuais da PT. Tivesse sido extinta mais cedo e a PT poderia valer hoje 5 vezes mais.

*a Telefónica subiu a proposta no papel em 350 milhões de euros em troca de um atraso no pagamento de valor actualizado semelhante para que o governo da altura pudesse salvar a face.