Taxistas uber alles (2)

Na mesma petição onde se exige a interdição da Uber, a ANTRAL pede a liberalização do serviço de transporte de doentes. Pela liberdade dos utentes em escolher o prestador do serviço e contra a sua apropriação por (outras) corporações (meus destaques):

O que justifica, no entender dos profissionais e peticionantes, a imediata recomendação ao Governo para actuar:

a) no sentido de fazer cumprir a lei e determinar o impedimento da instalação e funcionamento da empresa Uber em Portugal e como reforço, se necessário for, da promoção de enquadramento legislativo clarificador;

b) Em simultâneo, promover a reabertura do processo de enquadramento do transporte de doentes não urgentes e de simples utentes, do serviço nacional de saúde, de forma a clarificar que o serviço em causa não pode ser apropriado por qualquer coorporação ou profissão mas, ser efectuado no âmbito da actividade comum de transporte de pessoas, de forma a ir ao encontro do desejo dos utentes e contribuir para reduzir a factura deste serviço, quando requerido através do serviço nacional de saúde.

Taxistas uber alles

Paulo Ferreira no Observador

Quem não gostava de ter um mercado reservado para si, impedindo a entrada de concorrentes e, sobretudo, travando qualquer inovação que possa tornar o serviço mais fácil, mais cómodo, mais conveniente para o utilizador final e até mais barato?(…)

Infelizmente são muitos os que gostavam e gostam de operar assim. E os taxistas não são excepção(…)

A polémica sobre a Uber é simbólica das forças que opõem a velha à nova economia. É uma boa oportunidade para os legisladores mostrarem claramente de que lado estão desta barricada. É de liberdade económica que se trata e aqui não pode haver hesitações. A menos que queiramos recuar um século no tempo.

crónica social

INSURGENT_BANNER-TOP-SITE_AT-CINEMA_1024X270px_V2Para verem bem a importância que tem este blog, Hollywood já se vergou à nossa inevitabilidade e está em exibição agora por aí o filme Insurgente (que não, não é um home movie connosco a fazermos graçolas). Para cuja estreia - na sala xpto do @Cinema do Saldanha Residence, que muito recomendamos – os representantes do blog foram convidados para que déssemos a benção. Infelizmente não recebemos royalties.

Segurança

A tese do suicídio, na queda do avião da GermanWings, vai ganhando consistência e, a confirmar-se, a seguinte conclusão é inevitável: um mecanismo de segurança, implementado após os atentados de 11 de Setembro de 2001, frustrou qualquer tentativa de impedir o desastre. Há sempre gente disposta a trocar qualquer coisa por segurança, até a liberdade e a dignidade, e os voos comerciais são o laboratório perfeito para se estudar até que ponto os seres humanos aceitam submeter-se a todo o tipo de procedimentos invasivos quando aliciados pelo logro securitário. Não será este um caso claro de violação da liberdade individual, mas fica a lição: não há almoços grátis.

52-15

Acerca do “manual dos espiões” do SIS

Parece estar a ser dada pouca atenção ao manual do SIS supostamente aprovado e em vigor desde 2006 que previa a utilização de métodos ilegais de recolha de informação. Será coincidência ou talvez fruto da “boa imprensa” que beneficia o então Ministro da Administração Interna.

Uma questão de interpretação

Um estudo (eles precisaram formalizar isto – e provavelmente gastar umas dezenas de milhares de euros para terem a certeza) do Parlamento Europeu descobriu que os países-membros forma obrigados a cortar no estado social por falta de dinheiro. É claro que não era fácil para eles admitir a insustentabilidade do “modelo social europeus”. por isso decidiram que a culpa não foi da falta de dinheiro mas sim da austeridade.

As eleições na Madeira

Diário de Notícias

A sondagem da RTP aponta para 49% dos votos no PSD, 18% para a coligação Mudança (PS/PTP/MPT/PAN) e 11% para o CDS. A quarta força nesta sondagem é o JPP (Juntos Pelo Povo) com 6% dos votos, seguido da CDU (5%), BE (3%), PCTP/MRPP (2%), PND (2%), MAS (1%), PPM/PDA (1%) e PNR (0,5%).

A verificar tal disparidade na votação entre os principais partidos (e não esquecer o resultado do CDS) trata-se de uma pesadissima derrota para o PS, especialmente tendo em conta o resultado das autárquicas. E também para Alberto João Jardim.

Henrique Neto

Mas por que raio está Henrique Neto a apresentar a sua candidatura à Presidência a esta hora (16h), em vez de às 20 horas? Sou tudo menos um adepto de se fazerem as coisas em função dos telejornais, mas se há candidato a quem, pela sua falta de notoriedade junto da população em geral, dava jeito um directozinho às oito da noite, é Henrique Neto.

Péssimo começo

A notícia da entrega das assinaturas pelo movimento Nós Cidadãos [NC] no Tribunal Constitucional levou-me a querer saber algo sobre as suas propostas. E a surpresa não podia ter sido pior.

NOSCID-SS

Como se pode ler na imagem supra o NC partilha a ideia que a Segurança Social deve ser financiada por um imposto que incide sobre terceiros e completamente desligado do força laboral. Ainda para mais cometem um erro de palmatória. No regime actual, a tributação incide sobre a massa salarial e não sobre o número de trabalhadores.

Leitura recomendada

“A importância dos cofres cheios” de Pedro romano (Desvio Colossal)

Qual é a importância de ter os cofres do Estado cheios de dinheiro? Depende muito das circunstâncias. Mas, na actual conjuntura, há óptimas razões para que o Estado português tenha muita cautela em relação ao futuro.

Recomendado especialmente ao Dr. António Costa et al

Votar de joelhos em situações extremas

O último Domingo, dia 22 de Março, trouxe-nos mais dois bons pretextos – a 1ª volta das eleições locais em França e as eleições autonómicas na Andaluzia – para reflectirmos sobre um facto incontornável para o futuro da política, nacional e supranacional, no espaço europeu. Sejamos ou não parte interessada na manutenção do actual sistema ou na sua eventual derrocada, encontremos ou não representantividade em algum partido, do sistema ou anti-sistema, é impossível ignorar ou negar que o centrão político está a esvaziar-se e a despertar indignação nas urnas, em diferentes graus e por meio de diferentes forças políticas (e sublinho “diferentes”). O maior drama dos partidos de centro é a sua incapacidade de renovação e de apresentação de temas mobilizadores; e é logo aqui que encontramos a primeira diferença entre partidos de extrema-direita e partidos de extrema-esquerda, e sobre a qual me alongarei mais à frente: os partidos de esquerda esgotaram as bandeiras que podem usar, quando comparando com o espaço de manobra gozado pela direita.

GetimageasJpegPoderemos reconhecer que, frequentemente, as campanhas políticas anti-sistema enveredam pela vitimização fácil e pela sobrevalorização exclusivista da missão mítica da sua nação, em aberta hostilidade em relação ao exterior. É uma estratégia, admito eu, pouco sensanta e que revela sofreguidão pela ambição de explorar ao máximo as frustrações prolongadas do eleitorado, especialmente em contexto de crise económica. Parte-se de verdadeiros problemas, até com justificada indignação, mas pode ocorrer que “pior seja a emenda do que o soneto”, neste caso por se incorrer no risco de alienação de amizades com nações vizinhas, minando a cooperação económica e o trilho cultural comum. Não precisamos de reduzir a escolha a duas opções: o projecto imperfeito ou a sua total aniquilação. Reconhecida esta insensatez visível em alguns partidos dos “extremos” (designação que serve os propósitos do discurso oficial de quem se quer perpetuar no poder, como já referi noutra ocasião), repare-se agora, sem surpresa, como a mesma estratégia de vitimização fácil contra um inimigo externo é igualmente usada pelos próprios partidos do mainstream e seus lacaios que vão instruindo a opinião pública. Mesmo que o desgaste destes partidos seja óbvio aos olhos de todos – a começar pelos próprios –, a existência de partidos com um discurso de ruptura acaba por ser um oportuno autogolo oferecido de bandeja aos que não se dispõem a admitir incompetência própria nas fragilidades institucionais, promiscuidade inerente ao crony-capitalism, e degenerações burocráticas que têm afectado directamente a vida dos cidadãos que só são solicitados para verem acrescida a carga fiscal.

Usar o medo contra estes extremos pode ter sido uma ajuda decisiva para que o esvaziamento do centro não tenha sido assim tão expressivo como seria de esperar. Por enquanto, não houve sismo mas parece que entrou um fantasma na sala e que deitou algumas molduras abaixo. A democracia é um jogo em que, geralmente, ganha quem estiver disposto a rebolar na lama. E é com esse entendimento que temos de partir para qualquer análise de um processo eleitoral, para que não haja tanta espanto quando nos deparamos com as mais inverossímeis coligações e as mais desenvergonhadas contradições programáticas.

Dizia eu que existe uma primeira diferença fundamental que separa partidos de extrema-esquerda e partidos de extrema-direita: a maior variedade de temas mobilizadores que dá vantagem à direita, uma vez que já se constatou a rapidez com que caem por terra os encantos messiânicos de um Syriza. É bastante óbvio que as diferenças existem e não são diferenças acessórias. Sou levada a abordar o assunto a partir daí porque me parece importante contrariar a tendência de simplificar novos fenómenos complexos, afirmando que os novos partidos “são farinha do mesmo saco”, indistintos de todo. Não falta por aí quem queira refugiar-se constantemente na “teoria da ferradura” como explicação para tudo o que se passa nas democracias ocidentais nos nossos dias.

Cada um de nós preocupa-se mais com umas questões do que com outras e as preocupações pessoais acabam por ficar espelhadas na forma como todos, mesmo involuntariamente, nos inclinamos a construir uma visão totalizante da realidade. Assim sendo, não podemos esperar que todo o eleitorado encare os partidos da mesma forma. Se determinado observador se posiciona num ponto de regular defesa do liberalismo económico acima de tudo, é natural que uma FN e um Syriza sejam olhados como iguais e mereçam igual repúdio. Para um observador que privilegie a defesa de valores morais tradicionais, o caso muda de figura porque poderá ver-se a votar num partido que revele preocupação pelas políticas da família e que se oponha à agenda progressista, independentemente da política económica preconizada pelo mesmo partido. Depois existirão aqueles cujo eurocepticismo é de tal forma impetuoso, urgente e inegociável que tanto poderiam votar num PCP, numa FN, num UKIP, num Syriza ou num PNR, desde que houvesse alguma forma de mostrar cartão vermelho às políticas europeias. Num último exemplo, imaginemos a diferença decisiva que existe entre estarmos a julgar programas políticos sujeitos a sufrágio num país que não é o nosso ou estar a votar numas eleições departamentais que poderão fazer toda a diferença no ambiente à porta de casa.

Aplicando ao que acredito ter-se verificado nesta 1ª volta em França, recupero o que já escrevi há umas semanas:

As omissões podem ter consequências mais determinantes em política do que aquilo que efectivamente é feito ou dito. É também aqui que o radicalismo vai absorver parte da sua força: no silêncio dos partidos de centro a respeito de problemas que os cidadãos, no terreno, já detectaram há muito tempo – refira-se que os cidadãos, regra geral, não estarão igualmente sensíveis em todos os domínios, pelo que é natural manifestarem rápida e fiel compreensão em assuntos que lhes são caros no dia-a-dia, como por exemplo em matéria de segurança, enquanto, por outro lado, aceitam passivamente o acesso a crédito fácil ou promessas de regalias suportadas à custa dos seus concidadãos.

Ou seja, quando o que está em causa é a questão da insegurança e o sentimento de negligência ou mesmo de “traição” (como Marine Le Pen lhe chama objectivamente quando atribui culpas aos partidos que se têm alternado no poder, a começar por Sarkozy que fez da imigração uma bandeira nas eleições presidenciais de 2007) a respeito dos conflitos étnicos e religiosos que perturbam a ordem pública, é de esperar que as pessoas dêem mais atenção a estes tópicos do programa em detrimento das propostas de política económica ou de política externa. Da mesma forma que o nosso voto pode variar muito consoante estejamos a votar em eleições autárquicas, presidenciais, legislativas ou europeias.

Nicolas-Sarkozy-and-Fran--004Sem estender a análise a outros partidos que vão ganhando protagonismo, vejamos por que razão a Frente Nacional e o Podemos não podem ser alinhados levianamente. O Podemos teve um resultado medíocre se pensarmos que o contexto económico e o mediatismo lhe eram muito favoráveis e que não seria difícil absorver eleitorado tipicamente de esquerda. Ou seja, se os partidos do sistema sofreram alguns arranhões neste Domingo, não parece que tenha sido por força de propostas de política económica de extrema-esquerda e muito menos por alastramento do fenómeno Syriza – é manifestamente exagerado detectar qualquer sinal de vitória e de revolução em curso, a menos que se passe muito tempo em frente ao ecrã.

Posto isto, e admitindo que existem semelhanças formais, a nível de comunicação política, e semelhanças de conteúdo que passam pela oposição à globalização, pelo eurocepticismo e pelo reforçado intervencionismo na economia em áreas consideradas vitais para o bem-estar dos cidadãos (saúde, educação, transportes, serviços bancários e energia), devemos perguntar se é razoável acreditar que um eleitor mediano, um eleitor desiludido com Hollande ou até um eleitor de extrema-esquerda teria inclinação para votar em Le Pen como alternativa socialista e se é mesmo o domínio económico que está a determinar mudanças nos resultados eleitorais. Os eleitores que possam ter fugido da UMP para votar em Le Pen, decerto não o fizeram tendo em vista nacionalizações parciais e proteccionismo, mas sim temas polémicos que já não confiam a Sarkozy. E os eleitores que possam ter deixado de votar em Hollande para votar em Le Pen, não o terão feito com esperança de que esta tenha maior habilidade para dar um novo fulgor às políticas socialistas, porque tal deslocamento do voto seria o mesmo que escolher ir comer sopa ao McDonald’s. Se estivermos lá e quisermos mesmo uma sopa, ela está disponível, mas não é sopa que nos incentiva a ir ao McDonald’s. A mobilização que possa vir de antigos eleitores do PS é feita, provavelmente, na base do eurocepticismo e de questões culturais prementes. E se alguém acredita que o centrão político está a sofrer ameaças pela suposta vontade geral em favor da radicalização de esquerda e de exigências distributivas, como se explica que o Podemos tenha sido tão insignificante e que o PSOE tenha saído ileso?

A FN não é o Podemos e, ainda que possamos identificar um apelo similar a um colectivismo fraterno anti-austeritário e a um patriotismo que poderá, ou não, descambar em reforço do Estado burocrático centralizado e racionalizado na base da aversão ao exterior, é preciso notar que o eixo emblemático da FN não é a política económica e a mistura de economia socialista com posições tradicionalmente de direita, acaba por servir de bengala num partido que reúne sensibilidades diversas e a que já basta ter de arriscar-se muito mais quando dá a cara por temas polémicos como o combate à islamização e a deportação de imigrantes ilegais.

No meio de todos estes desenvolvimentos, uma coisa fica em evidência. Existe um clara incoerência entre aquilo que se entende por democracia, na teoria e na prática, e aquilo que as elites regularmente vencedoras estão dispostas a reconhecer como legitimado pelas mesmas regras que lhes garantiram os cargos, tantas e tantas vezes. Tendo em conta que uma parte da indignação do eleitorado deve-se à percepção do défice democrático de que a UE não se livra tão depressa, era aconselhável tomar mais atenção a esse vício tão feio que consiste em estigmatizar uma parte do eleitorado, caricaturá-lo, analisá-lo com condescendência arrogante e ignorar as suas motivações, enjeitando o montinho de boletins de voto que não agrada tanto.

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Dois lobos e um cordeiro

Os partidos do centro ou do poder estão a perder a hegemonia para partidos populistas à esquerda e à direita. UKYP em Inglaterra, Podemos em Espanha, Syriza na Grécia, Frente nacional em França ganham ou estão à frente de sondagens para eleições. Serão estes partidos assim tão diferentes dos partidos incumbentes? Talvez não.

Benjamin Franklin disse “Democracy is two wolves and a lamb voting on what to have for lunch. Liberty is a well-armed lamb contesting the vote”. O carneiro sacrificial depende da existência de uma constituição que o defenda contra os lobos. As constituições dos países da Europa do Sul não estão lá para defender os cordeiros. E os cordeiros portugueses são os menos defendidos. Estamos lá para pagar impostos hoje e amanhã.

Os países da Europa do sul tiveram partidos populistas do centro a prometerem aumentos de direitos pagos pelo Estado, sem explicarem que se estes não são pagos por impostos, serão pagos com aumento de dívida. Enquanto a realidade não bateu de frente os lobos da maioria dos vários países do Sul da Europa continuaram contentes com os partidos do chamado centro. Podia existir corrupção mas era a festa do modelo social do Norte da Europa, mesmo depois do Norte da Europa ter reformado o seu Estado dado  este não ser viável sem petróleo (a excepção Norueguesa está a para confirmar a regra). Pelo Sul da europa continuou-se a distribuir até ao dia em que não foi mais possível pedir emprestado.

O colapso da credibilidade dos partidos do centro criou espaço para novos entrantes, em especial para novos partidos populistas. Partidos nacionalistas ou neo-Marxistas com caminhos para felicidade que não tocam nos direitos adquiridos e as expectativas dos lobos do sul ficaram com caminho aberto. Caminho aberto para chegarem ao poder e mostrarem ao eleitorado que, sem a possibilidade de aumento do endividamento ou de impostos não há nem sol na eira nem chuva no nabal. Não, estes partidos tendo como base de apoio popular ideias diferentes são na sua essência iguais aos do centrão. Só não passaram ainda pelo crivo do poder.

O que se está a passar na Grécia é o melhor exemplo da igualdade na diferença do Syriza em relação a um PASOK.  Será diferente por não estar corrompida por décadas no arco do poder. Será igual porque chegou ao poder prometendo o que não é possível, a manutenção do status quo e no Euro ao mesmo tempo. O azar de pelo menos o Podemos em Espanha, e da meia dúzia de movimentos e partidos em Portugal que queriam ser os Syrizas lusos é de que vai-se tornando evidente para todos que a única mudança que o Syriza trouxe para a Grécia não foi para melhor. Os eleitores podem ser crédulos mas não são burros. Têm que ter pelo menos a prespectiva que existirá pelo menos um cordeiro à mesa.

Completamente de acordo

Rodrigo Moita de Deus

Não conheço a nova diretora da Autoridade Tributária e prefiro não conhecer. Não faço ideia se tem “mérito” ou não tem. Daí até ter o bom nome “queimado” em praça pública vai um passo do tamanho do mundo. Mas senão passou no “crivo” do Bilhim já gosto dela.

Leituras complementares: CRESAP: uma receita para (agravar) o desastre (2); CRESAP: uma receita para (agravar) o desastre; CRESAP, uma comissão à medida.

Fico sempre a pensar se há alguém que lhe paga para escrever estas inanidades

Mário Soares no Diário de Notícias

O mundo está extremamente difícil: não somente tem havido inúmeras guerras que no passado nunca tinham ocorrido, como acredito que cada vez mais as pessoas têm dificuldade em sobreviver.

…ao menos que seja de borla.

Tudo bons rapazes

RT: Russia’s deputy PM in charge of the defense industry says the parliament lacks a powerful nationalist party. He claims the time has come for the Motherland Party to claim its place in the Duma

EU Observer: Meps from Greece’s neo-Nazi Golden Dawn and Udo Voigt from the German neo-Nazi NPD were among the participants at the pro-Kremlin International Conservative Forum in St. Petersburg.(…) Other participants included nationalist parties from Belgium (Euro-Rus), Bulgaria (Ataka), Denmark (The Danes), Italy (New Force), Spain (National Democracy), Sweden (Party of the Swedes) and the UK (British National Party).

As promessas do PS custam-me um dinheirão

Quando foi apresentada a solução para a resolução do BES, alguns socialistas (acertadamente) criticaram Maria Luís Albuquerque quando esta alegou que a solução não teria qualquer risco para os contribuintes. Estranhamente (bom, nem por isso…) a soluções que alternativamente defendiam conseguiam ainda ser ainda potencialmente mais caras e arriscadas.

Como o João referiu mais abaixo, Carlos César sobe a parada e consegue ser ainda mais irresponsável ao prometer ressarcir lesados do BES caso Costa vença eleições. Como em casos anteriores, isto não é mais que uma tentativa de comprar votos à custa dos contribuintes e do aumento do endividamento público. Tal como nos casos do BPP e BPN, os socialistas irão injustificada e irresponsavelmente transformar prejuízos privados em encargos para os contribuintes.

Com o PS, Os Cofres Estarão Sempre Vazios

Com o PS, havendo dinheiro em caixa, a ordem é para gastar, gastar, gastar. E para gastar dinheiro (e quem não gosta de gastar?) nunca faltam opções.

O ano passado o PS já tinha criticado a gestão de Rui Rio à frente da câmara do Porto: “Rio não foi tão bom gestor quanto isso”: “o PS considera que o resultado positivo obtido pela Câmara Municipal do Porto em 2013, 23,6 milhões de euros, mostra que Rui Rio não foi tão bom gestor como isso, porque podia ter feito mais pela cidade e não fez“.

Agora, é o Carlos César, presidente do PS, a prometer que se o PS vencer as eleições em Outubro irá ressarcir os lesados do Banco Espírito Santo. Carlos César usa a seguinte linha de argumentação: “Porque se os cofre estão cheios, com certeza que eles também poderão ter aplicações no ressarcimento de portugueses que foram lançados nessas aplicações por parte do Estado e das suas autoridades politicas e reguladores”.

Com uma vitória do PS nas eleições legistativas, quanto tempo demorará até ao regresso da troika – perdão, das Instituições / Grupo de Bruxelas?

Diz que era só uma crise de liquidez

O primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras, avisou em meados de Março a chanceler alemã Angela Merkel que Atenas poderá não conseguir pagar a sua dívida aos credores se a União Europeia não desbloquear no curto prazo a ajuda financeira dos parceiros europeus(…)

Na carta, Alexis Tsipras adverte a Alemanha de que será impossível assegurar o pagamento da dívida nas próximas semanas se a União Europeia não disponibilizar, no curto prazo, uma assistência financeira ao país.

“Dado que a Grécia não tem acesso aos mercados financeiros e devido aos picos do reembolso da dívida previstos para a Primavera e Verão, deve ficar claro que perante as restrições impostas, em particular, pelo Banco Central Europeu, combinadas com os adiamentos do reembolso [da última tranche de financiamento que ficou pendente], tornará impossível a qualquer Governo garantir o serviço da dívida”, escreve o primeiro-ministro grego.

Fica bem explícito que a propalada alternativa do Syriza não passava de um enorme logro. Só foi enganado quem quis.

Cofres “cheios”

Quem ouça as declarações propagandísticas da Ministra das Finanças e do Primeiro-Ministro acerca dos “cofres cheios” do Estado português, e as não menos propagandísticas críticas da oposição a essas mesmas declarações, até poderia pensar que o Estado já consegue ter um excedente orçamental. Não tem, nem terá tão cedo.

Back in the USSR

Diário Económico

As tensões entre o Kremlim e o Ocidente voltaram ontem a aumentar, quando a Rússia avisou a Dinamarca de que será alvo das suas armas nucleares, caso tome parte no escudo ant-missil da NATO.

“Se isso acontecer, então os navios de guerra dinamarqueses serão alvos para as armas nucleares russas. ADinamarca tornar-se-á numa ameaça para a Rússia”, avisou Mikhail Vanin, embaixador russo para este país nórdico, num artigo publicado no jornal Jyllands-Posten.

No Rússia de Putin, um sistema de defesa é considerado uma ameaça.

Agir no PTP

Depois do Ninja de Gaia, a nova estrela do PTP será Joana Amaral Dias e outros dissidentes de anteriores dissidências.

É a mais recente novidade na política portuguesa. Se tudo correr conforme o planeado, o Partido Trabalhista Português (PTP), legalizado desde 2009, mudará a sua designação para PTP/Ag!r (assim mesmo, com ponto de exclamação no lugar do i) e será esse o nome da lista que se candidatará às próximas eleições legislativas.

António Costa é mentiroso

Notícias ao Minuto

O líder do PS, António Costa, afirmou hoje, em Barcelos, que Portugal, nos últimos quatro anos, andou “muitas décadas para trás”, apontando como exemplos a produção de riqueza, o emprego e o investimento privado.

Como o Carlos já explicou detalhadamente o “mérito” pelos atrasos cabe ao PS e ao seu camarada José Sócrates. Ou António Costa fala de assuntos que desconhece em absoluto (uma hipótese que também deve ser considerada) ou então é um mentiroso descarado.

recuo

Continua a fantochada (2)

“Greek bailout summit ends in disarray” no Financial Times

According to people briefed on the talks, Mr Tsipras opened with demands for additional cash with few strings attached, acknowledging his government may not make it to the end of April without an injection of bailout funds. But his push lasted only the first 10 minutes before the other leaders convinced him it was unachievable.
Instead, much of the session focused on logistical arrangements in Athens, where Greek officials have thrown up hurdles to international bailout monitors seeking to access data to evaluate the country’s reform efforts.

Leitura recomendada

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“Portugueses na URSS. Entrevistas de Gina de Freitas” no Malomil

− Que pensa do problema da repressão, a partir das impressões da sua viagem?
− Há os que dizem que ela há e os que dizem que não há. Se a repressão existe, eu só a posso ver pelo que não vejo, Mas como distinguir entre o que é repressão e o que é privação culturalmente condicionada por séculos de história? Daí que não saiba e não possa responder, sem repetir estereótipos positivos ou negativos que nenhuma experiência vivida fundamenta demasiado. Apenas o seguinte: nenhum socialismo pode existir sem que o Estado se vá extinguindo lentamente, e com ele se arruíne a repressão. Se é isso o que acontece, nada na minha viagem pode dizer sim ou não. Acrescentaria fraternalmente aos camaradas soviéticos: é isso o que eu desejo que esteja a acontecer.
(Eduardo Prado Coelho)

Feliz dia do Pai

socrates-carlos-santos-silva-0885Carlinhos,

Mais que um amigo, tu foste o pai com muito dinheiro que eu nunca tive. Eu tinha um, era algures de Vilar de Maçada, mas era teso. Tu és rico. E corrias comigo. Porra, lembras-te daquele jogging matinal, os dois em ritmos sincopados, por entre ruas onde eu haveria de erguer aqueles verdadeiros atentados de poluição visual? Mais do que isso, és boa pessoa. Praticas o bem, mas praticas especialmente o bem-comum comigo. Nunca me negaste nada! — que pai é assim com seu filho? Por birra — perdoa-me! — ainda pedi um crédito emprestado ao banco do Estado. Foi carolice, tu sabes. Podia ter-te pedido o S500… Mas o que fica são os bons anos, a boa vida. Mesmo quando estava longe, lá em Paris, tu apoiavas-me. Ah, se me apoiavas. A ti te devo as jóias, o carro (o Mini, porque o S500 fui eu que o paguei, pelo menos até me emprestares dinheiro para liquidar o empréstimo) e a casa, as contas do banco e até a casa de campo. A ti te devo tudo, caro amigo. Especialmente tudo o que é caro. Devo-te eu, as minhas ex-mulheres, os meus filhos, e sei lá mais quem. Tu és a prova que o homem pode ser bom, que não tem de ser egoísta, que pode pensar no próximo. Tu és a evidência disto tudo. Nunca me esquecerei de ti.

Do teu amigo e eterno devedor, subscrevo-me,

Évora, 19 de Março de 2015

Continua a fantochada

Wall Street Journal

Technical talks between Greece and its creditors aren’t going well, officials said Wednesday, with each blaming the other for the snags in crucial negotiations.

Teams from the European Commission, the European Central Bank and the International Monetary Fund are getting very little information on the government’s finances and other key topics in Athens, two European officials said.

“The line was that the Greeks aren’t cooperating,” said one of the officials, summarizing the institutions’ account during a teleconference among senior eurozone finance ministry officials on Tuesday.