Avisos do Banco de Portugal

Diário Económico

A economia portuguesa deverá crescer 1,2% este ano e 1,4% no próximo, mas este perfil de recuperação está sujeito a riscos e não dispensa a redução do endividamento, nem a continuação das reformas estruturais, alerta o Banco de Portugal.

“A recuperação da economia portuguesa apresenta fragilidades”, aponta a instituição liderada por Carlos Costa no boletim económico da Primavera, hoje publicado. “É imprescindível continuar a redução do nível de endividamento e aprofundar o programa de reformas estruturais, em particular para permitir a redução do desemprego”, acrescenta

LEITURA COMPLEMENTAR: “Emissão de dívida a 10 anos, com taxa de juro em 3,575%…magnífico, mas cuidado…” de Tavares Moreira (Quarta República)

a elite de Abril

“(…) numa altura em que o orgulho nacional já conheceu melhores dias, a maior homenagem à efeméride de Abril consiste precisamente em não perder de vista o que de bom se fez desde então. Deste modo, em alternativa aos sentimentos de desilusão, é antes altura de homenagear a elite portuguesa, e alguns dos homens e mulheres que nas últimas quatro décadas, nos seus respectivos campos de intervenção, contribuíram e lideraram para fazer de Portugal um país melhor. Esta crónica é sobre economia política, e portanto, é da elite no campo da economia política, em particular dos ministros das Finanças que desde 1974 ocuparam a pasta, que escreverei (…) como figura de Abril, e da elite que mais tem contribuído para o avanço de Portugal, eu gostaria de destacar o dr. Miguel Cadilhe”, no meu artigo de hoje no Diário Económico.

Prioridades

EU Observer

Greek leftist Syriza party on Monday announced it has removed Roma activist from its list of candidates for the European Parliament following intense internal criticism. An NGO set up by Suleiman encourages local Roma children to attend Greek-speaking schools instead of the minority schools for Turkish speaking Muslims

Parece que mais que a representação das minorias interessava captar o voto “turco”

A versão portuguesa do “Fantasma de Canterville”

A política portuguesa tem umas personalidades que quando (ainda?) participam no debate público me lembram as partidinhas do “Fantasma de Canterville”, do O. Wilde:  ambos, ainda que destituídos pelas circunstâncias (etárias, sociais, históricas, and so on), das suas funções (inquestionavelmente importantes no seu tempo), continuam, desastradamente, a assombrar. A diferença é que os primeiros não são obras-primas da literatura e não há uma bela Virgínia que (n)os  salve.o fantasma

Socialistas de todos os partidos, uni-vos!

FrenteUnidadeRevolucionaria

Freitas foi especialmente crítico com a sua família política e defendeu que os actuais PSD e o CDS-PP esqueceram a social-democracia e a democracia-cristã da sua génese. “É preciso construir uma solução alternativa a esta governação, com pessoas de direita, do centro, da esquerda, mas com uma mentalidade de democracia e de justiça social que desapareceu do discurso e dos objectivos deste Governo. A política deste governo é desumana, vê as pessoas como descartáveis.”

um caso de estudo

“Quatro portugueses entre os 30 maiores credores da Telexfree”, na edição de hoje do Diário Económico (página 5).

Há uns meses, por altura das férias do Natal, fui questionado na Madeira sobre um fenómeno que até então desconhecia: o Telexfree. Rapidamente desconfiei tratar-se de um esquema de Ponzi, igual a tantos outros que volta-não-volta aparecem em Portugal. E da desconfiança passei a uma quase certeza, depois de tentar perceber os “mechanics” e os “economics” da coisa, e sobretudo depois de ouvir repetidamente daqueles que me questionavam a mesma expressão de sempre: “isto é diferente”. Ora, como se sabe, (quase) nunca é.

Desde então, foram-me chegando aos ouvidos mais relatos que fui registando com pontos de interrogação e cepticismo. Sem surpresa, soube na semana passada que a alegada bolha terá rebentado na sequência da acusação de fraude movida pela SEC norte-americana, e segundo li algures na net só na ilha da Madeira existirão cerca de 40 mil aderentes! O número é impressionante, porquanto representa 15% da população madeirense, mas a avaliar pela loucura do “Telexfree” que lá vislumbrei em Dezembro não me surpreenderia se fosse mais ou menos real. Seria sobretudo um caso de estudo.

E imaginem o que se diria do Governo se fosse realmente de Direita…

O que me cumpre dizer sobre esta a entrevista de Freitas do Amaral:

«Vivemos num período de forte retrocesso histórico, liderado pelo Governo mais à direita que Portugal teve nos últimos 40 anos, o qual vai procurando, dissimulada mas persistentemente, tentar realizar uma mudança constitucional de forma inconstitucional que apresenta traços característicos de regresso ao um passado que julgávamos irrepetível», acusou.

(…)

«A primeira linha tem pertencido e há-de continuar certamente a pertencer ao Tribunal Constitucional (TC). A segunda compete aos políticos no ativo de todos os quadrantes políticos e, de modo especial, aos verdadeiros sociais democratas e democratas cristãos que permanecem, ainda que silenciados ou marginalizados, no PSD e no CDS», declarou Freitas do Amaral (…)

Ora bem, “ser de Direita” dá direito a uma “acusação”, e uma suposta governação à Direita representa um “forte retrocesso histórico”. Para Freitas, a Constituição é uma espécie de livro sagrado, um símbolo da vanguarda, que tem de permanecer imutável. Já as oposições internas no PSD e no CDS, essas, estão a ser “silenciadas ou marginalizadas”, mesmo que, na realidade, passem a vida a destilar ódio, ao sabor da pena, em tudo o que é meio de comunicação social. Estranha forma de opressão, esta, em que o oprimido é o opressor, o opressor é o oprimido, e o silêncio é exercido aos berros, no campo do dogma e sem direito ao contraditório.

preguiçosa coordenação entre credores

“(…) O FMI defende que a falta de coordenação entre credores e de novo crédito está a atrapalhar as reestruturações que seguem a via não judicial. E o Fundo faz posteriormente nova crítica à forma como tanto credores e empresas em risco de insolvência interpretaram o espírito deste programa. “Tanto credores como os devedores esperam pela recuperação, e parecem concordar em planos de reestruturação que sustentam as entidades devedoras com pequenas ou nenhuma redução de dívida, inexistente reestruturação operacional ou novos instrumentos de financiamento”, defende o FMI.” (via Negócios online).

A feroz crítica movida pelo FMI ao funcionamento dos mecanismos do programa Revitalizar (PER’s e SIREVE’s) é meritória – infelizmente. No caso dos PER’s, os técnicos do FMI mencionam ainda “uma preguiçosa coordenação entre credores”, tratando-se a meu ver de uma expressão muito bem apanhada, com plena adesão à realidade, e que é na verdade o principal obstáculo ao sucesso deste tipo de programas…

Alternativas à austeridade

“A saída mais fácil” de Ricardo Reis (Dinheiro Vivo)

A poucas semanas do seu fim, é justo dizer que o programa de ajustamento português funcionou. O desequilíbrio externo desapareceu, a economia está em expansão e o Estado pode de novo financiar-se a taxas baixas. A pergunta mais difícil é se tudo isto podia ter sido alcançado mais depressa e com menos sofrimento. É comum afirmar-se que, se tivéssemos escudos, uma saída mais fácil seria mandar o Banco de Portugal imprimi-los, aumentar a inflação e desvalorizar a moeda. Teria sido assim?

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A poeira

Vasco Pulido Valente no Público

Quando se vê o dr. Mário Soares, com a sua energia do costume, oferecer o seu apoio aos “capitães de Abril” e à gente inominável que os segue, negando um a um os princípios que defendeu no PREC e recolhendo à sua volta os pequenos ditadores que ele nessa altura detestava, o mundo parece virado do avesso. O dr. Soares não percebe talvez que este tributo que ele presta à irracionalidade e à raiva oferece um exemplo e uma justificação a uma extrema-esquerda que provavelmente não saberá parar a tempo. Continuar a ler

Marx e a Coca-Cola

 

“Aquilino Morelle, conselheiro próximo do Presidente François Hollande, viu-se forçado a apresentar nesta sexta-feira a sua demissão, depois de ter sido acusado de ter beneficiado empresas farmacêuticas quando era membro da Inspecção Geral dos Assuntos Sociais, e por levar “uma vida sumptuária” com os meios do Estado, num artigo publicado quinta-feira pelo site Mediapart.”

“As revelações de “Mediapart” tiveram grande repercussão porque o site (…)  revelou estranhos hábitos burgueses, muito chocantes para o eleitorado de esquerda, do assessor presidencial. Morelle não hesitaria por exemplo em “privatizar” salões do “Hotel Marigny” – palácio localizado nas imediações do Eliseu onde geralmente a Presidência instala os mais ilustres chefes de Estado estrangeiros durante as suas visitas a França – para mandar engraxar os sapatos! Segundo “Mediapart”, o conselheiro de 51 anos terá mais de três dezenas de pares de sapatos de grande luxo e abusaria do consumo de vinhos de nomeada da cave do Palácio presidencial para acompanhar simples refeições de trabalho.”

 

Leio esta notícia e penso no “filósofo da vaidade” de Burke: um personagem típico da esquerda dita “caviar”, um canalha capaz de proclamar publicamente o seu amor pela Humanidade, de dar sermões moralistas a um público choroso muitas vezes com um discurso assente no “vai dar para toda a gente ser feliz sem se magoar nada nem ninguém e até sobra para acabar com os sem-abrigo” mas, em privado, não hesitaria em abandonar e maltratar, por exemplo, os filhos (como Rousseau, o tal filósofo da vaidade). Pessoas que se julgam salvadoras do mundo (e do país), com belas proclamações são, basicamente, de dois tipos: ou são autoritárias ou são infantis. Não é só a mentira, a desonestidade intelectual, a diferença entre o que dizem e o que fazem, entre a prática e a teoria se quisermos, mas o exercício mental de que partem: a fuga para grandes abstracções, grandes ideias (a Humanidade, a igualdade, o proletariado), puras fantasias dogmáticas, com modificações e deturpações das circunstâncias reais e com consequências, por vezes destrutivas, para a realidade de que fogem. Hipocrisia e vaidade: são as marcas registadas da esquerda caviar, sempre do lado errado na batalha das ideias. Roberto Campos fez um diagnóstico preciso da árvore genealógica desta gente ao afirmar que se “trata de filhos de Marx numa relação adúltera com a Coca-Cola”. 

 

Legitimidades

Vasco Pulido Valente no Público

O coronel Vasco Lourenço e os seus consócios querem agora falar na Assembleia da República, presumivelmente para defender aquilo a que chamam “ideais” de Abril, que, na sua douta opinião, o Governo anda por aí a trair. Sucede que o Governo foi eleito e que nenhum título assiste aos militares, que se consideram depositários de uma herança hoje desacreditada e morta, para expender no Parlamento as suas frustrações

André Azevedo Alves na RR

Pode ler aqui o texto integral das declarações do André Azevedo Alves à Radio Renascença.

Se fosse ministro das Finanças, como seria o seu DEO?
Neste momento a posição de ministro das Finanças não é muito invejável e é sempre mais fácil falar quando não se tem a responsabilidade de exercer as funções. Eu creio que, neste momento, o país, a economia, ainda mais quando há alguns sinais de retoma depois de uma situação muito difícil, não pode acarretar, não deveria acarretar, novos aumentos de impostos. Eu excluiria, à partida, a possibilidade de aumentar impostos. Sobra a possibilidade de reduções da despesa e parece-me difícil que essas reduções, para além de tornarem permanentes as medidas temporárias mais significativas, necessariamente teriam que passar, ainda que sob uma forma diferente, por alterações em termos do financiamento da Educação, da Saúde e da Segurança Social. A prazo, creio que qualquer solução que não implique alterações nessas áreas não será uma alteração verdadeiramente sustentável.

Denial

kafkaEu, no Diário Económico de hoje

Apesar da negação, as pensões de reforma já estão indexadas à demografia e ao crescimento económico em toda a Europa, sendo que, se em alguns países já o perceberam e agiram em conformidade, em Portugal, mantemo-nos orgulhosamente no primeiro estágio do Modelo de Kübler-Ross. Parecemos não querer saber que a Segurança Social é um sistema de redistribuição e não se distribui o que não existe. Se há dois pães e duas pessoas a quem os distribuir há um pão para cada uma. Se houver três pães e quatro pessoas, não se distribui um pão a cada pela razão simples que só há três.

 

Ninja Português Da Marinha Lança O Primeiro Drone Avião-Submarino

NinjaO Ministro da Defesa, Aguiar-Branco, foi ontem brindado em Alfeite pelo lançamento de um avião não tripulado que em breve fará a vigilância da costa. A experiência no entanto correu mal, tendo o drone caído ao mar logo após o lançamento. Este drone, desenvolvido por uma empresa portuguesa que desenvolveu os drones da PSP tem a particularidade de ter que ser lançado à mão, sendo o principal risco do lançamento o drone bater na cabeça ou nas costas do lançador. Apesar de tudo, o lançamento acabou por ser bem sucedido à segunda tentativa.

O Ocidente e a Ucrânia

Nas últimas semanas, tenho vindo a acompanhar o agravamento da tensão na Ucrânia com crescente preocupação. Trata-se de um conflito que na minha opinião tem sido desvalorizado pela opinião pública internacional, e que poderá evoluir para uma situação dramática a qualquer momento.

Há algum tempo que andava a pensar escrever este post, mas hoje, depois de ouvir a entrevista que Putin concedeu à televisão russa, decidi que o post não podia esperar mais. Tenho para mim que todas as guerras, independentemente das tropelias que sempre são cometidas de parte a parte – daí o velho ditado “quem vai à guerra dá e leva” -, têm sempre de um lado aqueles que moralmente têm razão e do outro aqueles que moralmente não a têm. Além disso, tenho também como convicção que nenhuma guerra deve ser desencadeada de forma preventiva; apenas deve ser movida como resposta a uma agressão explícita. Foi por estas razões que no passado apoiei a intervenção da NATO na Sérvia, e também por essas razões que sempre me opus à 2ª invasão do Iraque.

Ora, neste conflito entre a Ucrânia e a Rússia temos de um lado a Ucrânia, um país onde a população forçou à deposição de um regime corrupto, conduzindo à nomeação parlamentar de um Governo de transição com vista a eleições democráticas perfeitamente datadas, e datadas em tempo útil. E temos do outro lado a Rússia que, não tendo gostado da queda do tal regime corrupto, e sob o mesmo tipo de discurso que outrora ouvimos de um sujeito chamado Adolf Hitler, decidiu invadir as fronteiras internacionalmente reconhecidas do seu vizinho, anexando parte desse mesmo território. Assim, não existem para mim quaisquer dúvidas acerca de quem tem a vantagem moral neste conflito, e de quem partiu a agressão.

A Guerra Fria está de volta, e a Rússia está de novo no lado errado da contenda. Mais: Vladimir Putin é um grandessíssimo pulha, e a Europa está ela própria a cometer os mesmos erros do passado. Angela Merkel faz agora de Neville Chamberlain. Quanto a Obama, não obstante a retórica inicial, e umas pequenas medidas dissuasoras contra o regime de Moscovo, também não foi capaz de conter o avanço russo. O Ocidente falhou rotundamente. A sua atitude complacente e permissiva, permitindo que Putin anexasse a Crimeia num fechar de olhos, foi um enorme erro.

Bem sei que ninguém deseja um conflito militar com a Rússia. Mas atendendo à natureza revivalista da liderança do homem forte de Moscovo, mais cedo ou mais tarde será necessário por travões a Putin. E quanto mais tarde isso acontecer, tanto pior será. Galvanizado, parece evidente que Putin continuará a desestabilizar a Ucrânia. Assim, a melhor resposta, a fim de evitar males maiores, seria colocar de imediato as tropas da NATO no terreno, isto é, no leste ucraniano, salvaguardando a integridade territorial da Ucrânia, e impondo essa fronteira a Putin. A ideia é simples: à agressão não se responde com palavras; responde-se com actos, e se necessário com beligerância também. É para isso que existem exércitos: para travar os pulhas deste mundo, que não são travados pelas palavras, e com isso evitar guerras maiores. Tenho dito.

Subir o salário mínimo?

Artigo de Pedro Bráz Teixeira no i

Ao contrário do que muitíssimas pessoas desejavam que fosse verdade, os governos não podem determinar os salários na economia, que dependem sobretudo da produtividade.

No caso do salário mínimo, é preciso reconhecer que este tem um impacto assimétrico no emprego. Se for definido muito abaixo da produtividade dos trabalhadores com menor produtividade (os mais jovens, sem experiência, e aqueles que têm menores qualificações), torna-se irrelevante porque as empresas pagariam sempre salários acima do mínimo legal. Se for legislado acima daquela produtividade, proíbe a contratação dos trabalhadores em situação mais frágil, agravando o desemprego neste segmento.

Como os governos desprezam geralmente as leis económicas e procuram a maior popularidade, o risco de decidirem salários mínimos demasiado abaixo daquele limiar de produtividade é insignificante. Mas persiste o risco de tomarem decisões fantasiosas sobre o salário mínimo.

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Demolidor

“Onde está o povo?” de António Araújo (Malomil). A versão alargada da rencensão de “História do Povo na Revolução Portuguesa, 1974-75″ de Raquel Varela.

A conclusão mais óbvia a retirar desta obra é-nos dada pela própria autora que, num momento de rara sageza, observa: «a fronteira entre a política militante e o senso comum é lata e difícil de medir» (p. 68). Este livro é um infeliz exemplo de como a política militante nos pode afastar do senso comum.

A via fiscal para o totalitarismo

O Governo pretende aplicar o pagamento de uma taxa adicional sobre produtos que tenham impacto nocivo na saúde, abrangendo assim os que contêm altos teores de açúcar, de sal, e alimentos vulgarmente considerados como “comida de plástico”, que podem provocar aumentos excessivos de peso.

LEITURA COMPLEMENTAR: Acerca da legalização e taxação da droga

Pompa e circunstância

“(…) os partidos políticos não estão hoje minimamente sensibilizados para a necessidade de se constituírem como elementos construtivos do debate de ideias. Não há governos sombra; há, sim, sombras dos governos. O oportunismo partidário é o denominador comum, e em relação aos fazedores de opinião, os cabeças de cartaz continuam a ser ex-políticos, frequentemente mais preocupados em fazer propaganda do que opinião.”, no meu artigo de hoje no Diário Económico.

Estaremos quase a deixar de ser lixo?

Hoje, no Económico.

A agência de rating Fitch deu recentemente indicações sólidas de que estará eminente uma reclassificação da nossa dívida, que poderá deixar de merecer a classificação de “lixo”. Ao rever para “positiva” a perspectiva de evolução do rating da República Portuguesa, justificando tal decisão com aquilo que se considera serem os “os progressos positivos na redução do défice orçamental”, a Fitch confirma que a estratégia do governo, em matéria de monitorização do défice, começa a dar frutos. Em particular, o facto do Governo português ter conseguido cumprir a meta do défice, ficando 1% abaixo da meta de 5,5% do PIB (se excluirmos a recapitalização do BANIF) veio credibilizar, e muito, aquilo que está a ser a capacidade de Portugal conduzir um processo de estabilização orçamental que dê tranquilidade aos credores.

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Sucesso a mais?

Ricardo Reis no Dinheiro Vivo

Chego ao fim desta coluna sem resposta convincente para a pergunta inicial. Embora a confiança dos mercados em Portugal, Espanha e Irlanda seja muito bem vinda, continuamos a dever uma enorme quantia de dinheiro. Com a definição imposta pelo Tribunal Constitucional de quais são os cortes da despesa que são legais, está longe de ser garantido que vamos poder pagar tudo. Menos importante, mas curioso, é que não se ouve ou lê uma palavra dos comentadores que, quando as crises rebentam, são tão lestos a denunciar especuladores e culpar a euforia dos mercados, e para quem as bolhas são sempre tão óbvias para quem quiser ver

Universidade e pluralismo

Artigo de João Carlos Espada (Público) sobre o Fórum da Liberade que decorreu a semana passada em Porto Alegre e que contou com a participação do André Azevedo Alves.

O tema da liberdade voltou a estar presente no colóquio mais restrito que se seguiu ao fórum, dedicado à ideia de universidade na América Latina. Durante três dias, universitários brasileiros, latino-americanos e portugueses debateram o tema num ambiente de grande abertura intelectual. No centro dos debates estavam três interrogações centrais: (1) como deve ser entendida a ideia clássica de universidade?; (2) como é que essa ideia foi entendida e/ou ignorada na América Latina?; (3) qual é a viabilidade da ideia clássica de universidade nos tempos actuais?

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Cartas para Moscovo

Alexander Rodchenko, pintor, fotógrafo, desenhador e activista da causa bolchevique, chegou a Paris no dia 23 de Março de 1925. Ficou três meses. Viajou para montar algumas das exposições e pavilhões preparados pela União Soviética para a exposição de Artes Decorativas e Industriais Modernas. Aproveitando o embalo, tentou estabelecer contactos com a comunidade artística e na bagagem levava quase trezentas obras suas. Visitou Léger, mas com Picasso ficou-se pelas intenções. Mergulhou no Sena, viu os Dez Mandamentos de DeMille, foi ao circo, bebeu Chablis. E escreveu quase diariamente a Varvara Stepánova, amante e futura mulher.

Nas cartas, Rodchenko descreve um Ocidente decadente e compara-o com a grandeza da pátria em construção. E fala das compras que fez no dia anterior. Critica o consumismo e o capitalismo de uma sociedade tecnológica. E conta que comprou duas camisolas, uma máquina fotográfica e um tripé. Espanta-se, porque ali “todos trabalham e as coisas correm bem”, para logo redimir-se “para quê?”, “onde querem chegar?”. E vão mais duas câmaras e quinze rolos de película. Deixa-se deslumbrar pela oferta e pelos preços de Paris mas logo encontra na mulher-objecto e no bidet motivos para soltar a verve revolucionária. E troca a vestimenta operária pelo fato que comprou de manhã. Volta à carga contra o capitalismo mas é com insucesso que tenta refrear o impulso gastador (“aqui há milhões de coisas, apetece comprar tudo”) e esconder o fascínio pelo esplendor técnico que o rodeia nos dias parisienses. E compra um casaco de peles para Stepánova.

No dia 18 de Junho de 1925, depois de longas negociações com a alfândega e com as autoridades da URSS, deixa Paris, carregado com: várias máquinas fotográficas e respectivos acessórios, máquinas de filmar, roupa, muita roupa, para ele e para a mulher, perfumes, cachimbos, um gramofone e discos. Ao subir para o comboio ainda deve ter soltado mentalmente mais dois ou três impropérios contra o capitalismo. Mas a natureza humana é traidora, inimiga do proletariado e a primeira obreira da contra-revolução. Depois de Paris, o empenho de Rodchenko na invenção do homem novo nunca mais foi o mesmo.