O Insurgente

Fevereiro 24, 2012

O fracasso

Filed under: Diversos — Ricardo Arroja @ 11:07

“(…) A austeridade que caracteriza a política orçamental na Europa tem em vista resolver um problema de cariz financeiro. Faz sentido, pois vários países, sobretudo os periféricos, não revelam potenciais de crescimento que, de modo suficiente e sustentado, permitam cobrir os respectivos serviços de dívida. Agora, à medida que se vai resolvendo o problema financeiro dos países mais deficitários, as debilidades internas de cada país tornam-se cada vez mais expostas (…) Enfim, a Europa do euro está num impasse. A zona económica e monetária é estruturalmente imperfeita e nem mesmo as medidas não convencionais do Banco Central Europeu permitirão acomodar para sempre o crescente desemprego, sobretudo o desemprego jovem que, na periferia europeia, é um barril de pólvora prestes a explodir. A manutenção do “statu quo” é, assim, um caminho sem futuro. Existem, portanto, três alternativas finais…”, excerto do meu artigo de hoje no Público (página 3).

Uma súmula do que tenho escrito aqui no Insurgente e noutros fóruns também…

Fevereiro 23, 2012

a diferença (2)

Filed under: Diversos — Ricardo Arroja @ 11:07

“(…) A Islândia sobreviveu muito dorida ao desmoronar da bolha financeira e, quatro anos depois, foi retirada do caixote do lixo pelas agências de notação (…) Hoje a Islândia pode dizer que é um sopro de calor que vem do frio.”, Fernando Sobral, hoje no Negócios.

Fevereiro 22, 2012

A diferença

Filed under: Diversos — Ricardo Arroja @ 06:48

Enquanto a Grécia se afunda, todos se esquecem da Islândia…que já está a crescer e já não é lixo!

Leitura adicional: “Martelar um acordo para uma foto feliz”, de Luís Rego.

Fevereiro 21, 2012

kicking the can down the road

Filed under: Diversos — Ricardo Arroja @ 09:39

“The second bailout would offer Greece €130 billion in loans on top of the €110 billion it received from the euro zone and the IMF in May 2010. The IMF, concerned about its large exposure to the euro zone, is expected to offer just a minimal contribution this time around, leaving euro-zone governments to shoulder the vast majority of the second loan package. The IMF agreed to provide €30 billion of the first bailout, but officials last week expected its contribution to be just €13 billion this time around (…) With elections tentatively scheduled in April to replace the coalition government of Prime Minister Lucas Papademos, Greek politicians may become increasingly wary of standing behind the measures that just passed Parliament over popular outcry, analysts said”, hoje no Wall Street Journal.

O enésimo acordo alcançado entre a UE e a Grécia espelha uma crescente divisão no seio da própria “troika”. Nesse sentido, a contribuição do FMI neste segundo programa de auxílio, ajustada a diferença entre os montantes do primeiro e do segundo programa, baixa para um terço da contribuição inicial. Assim, a inspecção permanente que agora se estabelecerá em Atenas, em alternativa às visitas trimestrais, tenderá a ser muito mais política que técnica, ou seja, a batata quente está a ser atirada para as mãos dos europeus. De resto, como há mais de um ano pude ouvir da boca do economista chefe de um dos principais bancos credores da Grécia, as equipas técnicas do FMI não acreditam no que estão a fazer na Grécia, de onde decorre a necessidade de um europeu na chefia do FMI. É que mesmo a meta “técnica” dos 120% no rácio Dívida Pública / PIB deriva essencialmente de critérios políticos – para que a UE não tenha de assumir que a dívida pública italiana, nos 120% do PIB, é ela própria insustentável – e não de considerações técnicas, segundo as quais a economia grega necessitaria hoje de um crescimento nominal de 30 ou de 40% para fazer face às suas taxas de juro de longo prazo. E, portanto, a economia grega permanecerá amarrada numa espiral deflaccionista, sem luz ao fundo do túnel.

Em suma, na ausência de coragem e frontalidade política que permitam apresentar, em cada país e aos seus respectivos eleitores, as difíceis opções em cima da mesa, parece estar a institucionalizar-se no seio da UE um sistema informal e obscuro de transferências permanentes com destino à Grécia que, de resto, está em marcha há já algum tempo através das sucessivas revisões às condições inicialmente acordadas com a Grécia em Maio de 2010. Aguardemos os próximos desenvolvimentos, mas isto tem tudo para dar mau resultado, de um lado e do outro. Na ausência da (impossível) união política, a fronteira é cada vez mais evidente: o mercado único ou a moeda única, something has got to give…

Fevereiro 20, 2012

If I was a Greek!

Filed under: Diversos,Videos — Ricardo Arroja @ 18:03

Esta intervenção parlamentar de Nigel Farage foi, a todos os títulos, notável. De facto, o eurofanatismo, que cada vez mais observamos por parte do eurocentrismo, começa a revelar uma deriva imperialista e uma agenda de dominação supranacional, inaceitáveis. Ora, eu não tenho qualquer simpatia pelo desvario orçamental que conduziu a Grécia à bancarrota nem defendo que os países credores devam entregar aos gregos cheques em branco que, está visto, serão desbaratados sem nexo nem propósito. A solução óbvia e democrática está, portanto, em deixar a Grécia à sua sorte e admitir que esta, muito provavelmente, terá de sair do euro, coisa que só não sucedeu ainda porque a) o diktat europeu não permite o referendo que Papandreou um dia quis e porque b) à medida que o tempo passa, a dimensão do problema grego vai-se agravando ao ponto de já nem mesmo os políticos gregos terem algo a ganhar com eventuais referendos e saídas do euro.

Enfim, com tantos atropelos aos princípios democráticos que se vão acumulando na Grécia (a negação do direito ao referendo foi, para mim, o “tipping point”), até eu começo a ter alguma simpatia por aquela gente que se manifesta nas ruas de Atenas. E começa a ser como diz o Farage, “If I was a Greek I would have been out joining those protests”…

O caos e a bancarrota da Grécia não são responsabilidade de Israel (2)

Filed under: Diversos — Ricardo Arroja @ 17:07

Rui, o teu post evidencia uma extrapolação (“O caos e a bancarrota da Grécia não são responsabilidade de Israel”) que nada tem a ver com o que eu escrevi. Eu limitei-me a constatar que um eventual conflito no Irão será negativo para a Grécia que, importando um terço das suas necessidades de petróleo do Irão, veria a sua crise agravada em resultado de uma crise iraniana. Parece-me pacífico e irrefutável. Quanto à retórica de Ahmadinejad, concordo contigo, é fanática. Mas na minha (subjectiva) opinião, a retórica de Netanyahu, sendo diplomática, revela um fanatismo afim, contudo, com duas diferenças que me parecem substanciais: primeiro, Israel tem, objectivamente, capacidade nuclear (e o Irão não) e, segundo, Israel, através das suas incursões clandestinas no Irão, anda, admito que subjectivamente, numa de “picking a fight”.

Em todo o caso, e muito mais importante do que estar aqui a discutir se este é bom e aquele é mau, a verdadeira questão subjacente ao meu post, e essa incomoda-me mesmo, reside na aceitação, que hoje em dia parece normal, das “pre-emptive wars” enquanto guerras justas, legítimas e moralmente aceitáveis. Não são! (and I rest my case)

Profecia Maia

Filed under: Diversos — Ricardo Arroja @ 16:04

“The Iranian government on Sunday ordered a halt to oil exports to Britain and France in what may be only an initial response to the European Union’s decision to impose sanctions on Iranian oil exports and freeze central bank assets in July (…) At the same time, according to the Mehr agency, an official at the Oil Ministry said Iran was seeking longer-term contracts of two to five years with other European countries, presumably to divide the European before the mebargo went into effect. If they did not agree, Iran could cut them off, too (…) Taken together, the 27 countries of the European Union are a big customer, representing 18 percent of Iran’s oil exports. Britain and Germany get about 1 percent of their oil from Iran, and France gets about 3 percent. Greece, Italy and Spain are much more reliant on Iranian oil. As Greece works through its grave debt problems it faces the greatest exposure, getting about one-third of its oil from Iran. Italy and Spain each get about 13 percent”, hoje no International Herald Tribune (página 4).

As notícias deste fim de semana são preocupantes e representam mais um episódio de uma escalada de tensões que tem tudo para culminar numa guerra ainda este ano. E só não se fala mais do assunto porque o Mundo inteiro anda entretido com o drama e a tragédia grega que, desgraçadamente, até poderão ser agravadas em resultado de uma guerra contra o Irão. É que a Grécia, como se não tivesse já problemas que chegassem, debate-se com um outro: a sua significativa dependência energética face ao Irão.

Mas regressando à iminência de um conflito militar entre o Ocidente e o Irão, as reportagens que tenho lido, em particular uma reportagem publicada na última edição da revista “Newsweek” (“A Dangerous Game”, página 24), fazem-me lembrar os artigos que, em finais de 2002, começaram a surgir a propósito de uma invasão do Iraque. Ou seja, parece-me, mas espero estar enganado, de que está em marcha uma ofensiva mediática que, por um lado, isole Teerão na cena internacional e que, por outro lado, prepare as opiniões públicas no Ocidente para a necessidade de (mais) uma maldita guerra preemptiva. A exemplo do que aconteceu no Iraque há quase dez anos, também no Irão não vejo qualquer mérito na teoria dos ataques preventivos que, sublinhe-se, quando acontecem retiram qualquer legitimidade ou superioridade ética e moral ao agressor. Mas a capacidade nuclear, mais do que um elemento de dissuasão, é hoje uma arma de arremesso e, portanto, com os israelitas amedrontados com a retórica (na minha opinião, inócua) de Ahmadinejad, tudo é possível. Das operações clandestinas (e terroristas) em território iraniano às picardias militares com o intuito de arrastar a América para a guerra, tudo é possível, em especial quando, da parte de Israel, temos um outro (e muito mais poderoso) fanático chamado Netanyahu.

Enfim, desgraçadamente, décadas depois, o Holocausto nuclear volta a estar em cima da mesa. E talvez ainda a tempo de fazer cumprir a célebre profecia Maia do 21/12/2012…

Auditando a auditoria

Filed under: Diversos,Política,Política Fiscal,Portugal — Carlos Guimarães Pinto @ 05:28

Passei por estes dias pelo site da Auditoria Cidadã à Dívida Pública. Os organizadores andaram, e ainda andam, a recolher dinheiro para realizar uma auditoria às origens da dívida. Em Dezembro passado, alguns dos autores apresentaram finalmente o resultado do seu trabalho: uma auditoria às PPP e outra aos “transportes públicos”.

Vão ver, vale a pena. Fica-se sem saber se os documentos são realmente os resultados de uma auditoria séria e independente ou o trabalho final de um curso das Novas Oportunidades. Diz que alguns dos autores são professores universitários.

Fevereiro 19, 2012

a democracia bloqueada

Filed under: Diversos — Ricardo Arroja @ 17:50

“Há princípios básicos que devem nortear o exercício de cargos dirigentes e, por outro lado, há instituições que os podem promover (…) Estes princípios realçariam a transparência na administração, fomentando a responsabilidade (accountability) e verificando se existem, ou não, conflitos de interesses desses dirigentes; promoveriam a necessidade de escrutínio público dos titulares de cargos de nomeação política; reforçariam a importância das condições de mérito para a selecção de cargos dirigentes, e o dever de fundamentarem publicamente as decisões tomadas. Melhorar-se-ia a qualidade dos gestores e da gestão pública e reduzir-se-ia o desperdício de dinheiros públicos.”, Paulo Trigo Pereira, em “Portugal: Dívida Pública e Défice Democrático” (páginas 98 e 99) da Fundação FFMS.

O livro do Prof. Paulo Trigo Pereira, mais do que um livro sobre finanças públicas, é um livro sobre ética política, escrito por alguém que, decididamente, tem convicções fortes, fundamentadas e que fazem falta ao desolador panorama político português. Assim, em especial na segunda parte do ensaio, Trigo Pereira detalha uma série de iniciativas (a ideia de um comissário independente para nomeações políticas, uma nova lei de finanças locais, a solidariedade territorial, o reforço do perímetro de consolidação orçamental, as maiorias qualificadas em projectos de longa duração, a reforma administrativa e do sistema eleitoral, etc.) que, de facto, poderiam conduzir a uma melhoria significativa na forma como o exercício governativo é realizado entre nós, conduzindo também a um maior controlo das contas públicas.

Agora, e é aqui que eu aponto uma crítica (espero que construtiva) ao autor, parece-me que colar o crescimento da nossa dívida pública exclusivamente ao nosso (indiscutível) défice democrático é que já é mais discutível. Pelo menos, foi essa a interpretação que eu retirei do livro, ou seja, a ideia de que foi apenas o nosso desgoverno político que conduziu inexoravelmente ao colapso financeiro. Sim, foi um factor. Como Trigo Pereira bem evidencia, os ciclos políticos e a necessidade de ganhar eleições têm conduzido a variações recorrentes no défice orçamental (+7 pontos percentuais do PIB com Cavaco Silva em 1989/1991, o mesmo com José Sócrates em 2009/2011) que, em condições normais, seriam de evitar. Porém, sem querer menosprezar o impacto da irresponsabilidade política, parece-me que Trigo Pereira desvalorizou a questão da produtividade nacional. E neste domínio, a ideia, repetidamente veiculada pelo autor, de que os ganhos de produtividade no sector público são difíceis de operar porque não se podem substituir médicos, enfermeiros ou professores por robôs parece-me uma manifesta distorção da realidade. Os ganhos de produtividade não se resumem à simples substituição do factor trabalho pelo factor capital. A ausência de ganhos de produtividade reside essencialmente na incapacidade de o sector público tornar a sua máquina mais eficiente, ao contrário do que tende a suceder no sector privado que, recorde-se, não se resume apenas aos sectores intensivos em capital. Enfim, uma simplicação grosseira, difícil de compreender…

No entanto, tudo somado, mais um bom ensaio patrocinado pela FFMS. Não concordando com tudo o que autor defende (para além da crítica já citada, também não partilho da teoria catastrófica associada a um eventual abandono do euro), trata-se de um excelente exercício de cidadania. Mais um!

A lógica da batata

Filed under: Diversos — Carlos Guimarães Pinto @ 06:44

Um realizador só consegue fundos privados para um filme se já tiver um historial de filmes de sucesso, pelo que é função do estado investir no cinema até que os realizadores consigam ter um filme de sucesso que atraia fundos privados para futuras produções. Sem financiamento estatal, não há cinema português.

Um produtor de batatas só consegue financiar a plantação se já tiver tido clientes dispostos a pagar pelo seu produto anteriormente, pelo que é função do estado investir na produção de batatas até que os agricultores consigam fundos privados para futuras colheitas. Sem financiamento estatal, não há batata portuguesa.

Fevereiro 17, 2012

o desperdício público

Filed under: Diversos — Ricardo Arroja @ 13:16

“(…) Portugal é um dos países com maior consumo de medicamentos do mundo. Gastamos 10% acima da média da OCDE e 40% acima de países como a Dinamarca, que tem um sistema de saúde exemplar. Os medicamentos são importantes, mas o seu consumo excessivo é prejudicial à saúde e contamina o meio ambiente. Ora como é possível conciliar este desperdício, comparticipado pelo Estado, com a visão fundadora do SNS? Não é evidente uma deriva estratégica?

Relativamente às cataratas. Em Portugal efetuam-se cerca de 150.000 operações às cataratas/ano. Presumo que todas com boas justificações clínicas; mas a verdade é que atingimos um rácio que é o dobro do doutros países desenvolvidos. Será que este esforço ainda se pode enquadrar na “proteção do direito à saúde”? Especialmente quando o sistema está em rutura financeira e os recursos escasseiam noutras áreas. Não é evidente uma alocação errática de recursos, demonstrativa da ausência de estratégia?

Como as necessidades das pessoas (em saúde e não só) são infinitas e os recursos são finitos, era absolutamente previsível que esta deriva para “dar tudo a todos” ia ser fatal. A bandeira, o sinal de alarme, de que algo vai muito mal é o défice do Ministério da Saúde e as dívidas acumuladas, que colocam as unidades de saúde em situação de falência técnica. Organizações falidas deslizam para o caos, na sua luta pela sobrevivência, e tornam-se ingovernáveis.”, um excelente artigo do meu amigo Joaquim Sá Couto (via Portugal Contemporâneo).

Vive la France!

Filed under: Diversos — elisabetejoaquim @ 12:28
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A França em decadência civilizacional total: Jean-Marie Le Pen foi condenado a três meses de prisão com suspensão condicional da pena e 10 mil euros de multa por ter declarado que “Na França, pelo menos, a ocupação alemã não foi particularmente desumana, mesmo acontecendo erros, inevitáveis em um país de 550 mil km quadrados”.

marasmo intelectual

Filed under: Diversos — Ricardo Arroja @ 10:55

Lida a imprensa económica, a propósito dos números do desemprego, sinto-me arrebatado, no mau sentido, com o marasmo intelectual que reina neste País. A troika prossegue na execução da sua purga. A oposição socialista e comunista prossegue na defesa do caminho falido que nos trouxe à purga. E ninguém, com excepção (perdõem-me a imodéstia) deste vosso lunático cronista/blogger, propõe nada “out of the box”. O momento é de exaustão na Grécia e, não tarda muito, também será de exaustão em Portugal. Porque falta um elemento crucial na reforma que se pretende fazer: para acomodar a correcção na Procura Interna, é crucial travar o desemprego!

Enfim, não me entendam mal: é inegável que o peso do Estado na economia tem de baixar porque, sem o dinheiro da troika, o Estado estaria insolvente, mas para que a transição dos recursos e das actividades excedentes no sector público se faça para o sector privado é necessário que este não entre também numa situação de insolvência. Ora, como a produtividade em Portugal é inferior à produtividade dos seus principais concorrentes externos (por exemplo, cerca de 40% inferior à espanhola e 50% inferior à alemã) e como Portugal é deficitário na captação de Investimento Directo Estrangeiro (o IDE português no estrangeiro é superior ao IDE estrangeiro cá), das duas uma: a) ou se baixam impostos a fim de captar IDE, coisa que parece impossível na conjuntura actual ou; b) se negoceiam cláusulas de excepção que permitam a introdução de medidas que visem discriminar em Portugal contra bens e serviços importados que, por sua vez, poderiam ser produzidos no nosso território estimulando a produção, o emprego e, em última instância, o crescimento económico necessário para servir a dívida…

O empobrecimento português, por agora, é uma inevitabilidade. Mas uma coisa é empobrecermos de forma relativa, mantendo o País a funcionar com a esperança de um futuro melhor. Outra coisa é empobrecermos absolutamente, sem qualquer esperança no horizonte e, pelo contrário, com a ameaça da implosão social ao virar da esquina.

we’ll see you in hell

Filed under: Diversos — Ricardo Arroja @ 10:23

“(…) Em Berlim, Steffen Siebert, o porta-voz de Angela Merkel, considerou totalmente infundados os rumores que a Alemanha estivesse a considerar um incumprimento da Grécia. Ecos do Eurogrupo dão conta de uma discusssão sobre essa opção, bem como o adiamento das eleições e o prolongamento do actual governo de Lucas Papademos. O ministro alemão Wolfgang Schauble defendeu esta última opção numa entrevista a uma radio alemã esta semana.”, hoje no Diário Económico (página 13).

O adiamento das eleições….tal como aqui tinha antecipado. Ou seja, de um lado o eurofanatismo europeu e de outro lado o instinto de sobrevivência de uma classe política grega que, com novo resgate ou sem novo resgate, já percebeu que está condenada à fuga. Assim, uma fuga para a frente, como seria aquela, afigura-se o cenário mais provável. Ainda bem que Papandreou mudou as chefias militares há bem pouco tempo! Resta saber o que dirá a rua grega

Fevereiro 16, 2012

(not) caving in

Filed under: Diversos — Ricardo Arroja @ 10:41

“In Athens, political leaders responded with alarm to the threats from northern Europe. Early yesterday, Venizelos said wealthier countries are “playing with fire” by toying with the idea of booting Greece out of the euro. The head of Greece’s second-biggest party, New Democracy’s Antonis Samaras, was dragged into another German-Greek spat when he was blamed by German Finance Minister Wolfgang Schaeuble for holding up economic reforms. Samaras was defended by Karolos Papoulias, Greece’s largely ceremonial president, a veteran of the anti-Nazi resistance during World War II. “I don’t accept the ridiculing of my country by Mr. Schaeuble,” the 82-year-old Papoulias said in Athens. “I don’t accept it as a Greek. Who is Mr. Schaeuble to ridicule Greece? Who are the Dutch? Who are the Finns? We always had the pride to defend not just our own freedom, not just our own country, but the freedom of all of Europe.””, hoje na Bloomberg.

Fevereiro 15, 2012

A lei de Gresham

Filed under: Diversos — Ricardo Arroja @ 19:33

“A moeda única está a destruir a parte boa da construção europeia, o mercado único. Ora, tal como na lei de Gresham, na qual se preconiza que a moeda má tende a expulsar a moeda boa, também na Europa assistimos hoje ao início de um processo degenerativo do mesmo género. A ideia do mercado único, consagrada no Acto Único Europeu em 1986 e ratificada pelo Tratado de Maastricht em 1992, permitiu o advento das chamadas quatro liberdades de circulação na Europa: de bens, de serviços, de capitais e de pessoas. A União Europeia, finalmente, estabelecia uma grande zona de comércio livre, a maior zona económica do Mundo, capaz de rivalizar com outros grandes blocos comerciais nomeadamente com os Estados Unidos da América. Foi, de facto, uma ideia poderosíssima. Países outrora rivais, passaram a interagir uns com os outros sem especiais barreiras administrativas e integrando-se uns nos outros sem, contudo, abdicarem das suas identidades e legados históricos. Esta confederação de países soberanos, ao contrário de outras confederações na História Europeia, estava finalmente em condições de prosperar. Porém, aquele que veio a ser, e que ainda é, o símbolo mais visível dessa interligação, o euro, acabou por eliminar a válvula de escape que, precisamente, países menos poderosos iriam necessitar anos mais tarde.”, excerto do meu artigo de amanhã na “Vida Económica”, num artigo intitulado “A lei de Gresham”.

Estamos em ano de triplicar a receita dos autores

Filed under: Diversos — elisabetejoaquim @ 13:10
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Depois do Projecto para a alteração da Lei da Cópia Privada que vem triplicar o dinheiro que autores conseguem arrecadar pela multi-utilização de uma obra, o Projecto para a alteração da Lei do Cinema também vai permitir triplicar as suas receitas: a diversificação das fontes de financiamento permitirá sacar cerca de 32 milhões de euros, três vezes mais que os 10,7 milhões de euros que o ICA conseguia antes disso.

necessário, mas não suficiente

Filed under: Diversos — Ricardo Arroja @ 11:15

“Trying to coerce a group of sovereign states to follow common rules is ultimately doomed. Leagues and confederacies are like feudal baronies: breaches lead to anarchy, tyranny and war. That was Alexander Hamilton’s case for a strong American federal government. After the adoption of America’s constitution, Hamilton became treasury secretary. The federal government assumed the war debts of the ex-colonies, issued new national bonds backed by direct taxes and minted its own currency. Hamilton’s new financial system helped transform the young republic from a basket-case into an economic powerhouse.

Does Europe, in its chronic financial crisis, need such a “Hamiltonian moment”? The European elite is looking across the Atlantic for ideas. There is little danger, as Hamilton put it in the Federalist papers, of returning to “bloody wars in which one half of the confederacy has displayed its banners against the other half”. But there is a surging resentment in creditor and debtor countries, and the risk of collapse. As a type of confederation, the euro zone struggles to take decisions, and to impose austerity and reforms on recalcitrant members like Greece.”, rubrica “Charlemagne” (na Economist de 11/02).

Na gestão da crise europeia tem existido falta de sentido democrático e falta de realismo. Primeiro, porque sendo a UE uma confederação de países soberanos, como a Economist muito bem concretizou, as grandes decisões (os bailouts e em última instância a centralização orçamental num Tesouro europeu) precisam de ser ratificadas pelo eleitorado e não apenas por meia dúzia de senhores parlamentares que obviamente têm interesse na manutenção do statu quo. Segundo, porque tem faltado realismo na análise dos problemas macro económicos dos países em aflição. Neste sentido, os défices públicos de países como a Grécia ou Portugal são apenas a pontinha do iceberg que, por sua vez, é a manifesta falta de produtividade destes países face aos seus concorrentes no espaço europeu. O resultado é a dependência da periferia face ao centro, cuja principal manifestação – o desemprego - representa um barril de pólvora prestes a explodir (hoje na Grécia, amanhã em Portugal). Assim, por maior que seja a redução do Estado (que eu defendo, mas que quase não vejo), por maior que seja a consolidação orçamental (que eu defendo, mas que vejo temporária), por maior que seja a liberalização da economia interna (que eu também defendo, mas que pouco vejo), a divergência entre a periferia e o centro, nomeadamente a divergência comercial, permanecerá até que os diferenciais de produtividade se anulem, se é que algum dia se anularão.

É, por isso, que tenho vindo a desenvolver uma tese liberal (concorrencial) em conjugação com uma tese interna (proteccionista). Agora, como é que isto se faz – se pela via de um IVA especial sobre bens e serviços produzidos fora de Portugal, se pela revogação temporária da ideia do mercado único ou se pela saída temporária do euro -, confesso, ainda não tenho uma ideia definida. Trata-se de um tema polémico que, a avaliar por algumas reacções aos meus textos (que me fazem lembrar as reacções de quando em 2009 eu comecei a escrever e a defender que a) os gregos acabariam com um perdão de dívida e b) que o Estado português acabaria a reduzir salários e pensões), não está ainda na agenda mediática, mas que, acredito, acabará por singrar na opinião pública mais cedo ou mais tarde. Deste modo, apesar das minhas dúvidas quanto à forma de proteccionismo a adoptar, tenho como muito firme a convicção de que a avenida seguida por este Governo, que eu genericamente aprovo sem prejuízo de existirem áreas onde eu o reprovo (por exemplo, no monopólio privado da EDP na energia ou na Justiça onde nada, rigorosamente nada, mudou), sendo um caminho necessário, infelizmente, não é um caminho suficiente. Quanto ao momento “Hamiltoniano” da União Europeia, dado o legado histórico dos países da confederação, não vislumbro alternativa que não passe pelo recurso aos referendos. Tudo o que envolver perda efectiva de soberania nacional e não for referendado, será não democrático. Enfim, o método diletante e difuso de Jean Monnet era possível a 6, mas não me parece possível a 17 nem, menos ainda, a 27.

Fevereiro 14, 2012

facilitar com a saída ou dificultar com o fanatismo?

Filed under: Diversos — Ricardo Arroja @ 21:59

“I want to avoid the jump over the cliff today, to buy time, to restore normality and to go to elections tomorrow. This is why I ask you to vote in favor of the new loan agreement today and to have the ability tomorrow to negotiate and to change the current policy which has been forced on us. But to change [the policy] we must exist as a country, as society and as a democracy. I’m not asking you to vote in favor of the wrong recipe. I was the first to reject it and I stand by that. But I’m asking you to walk away from the edge of the cliff and to fight together tomorrow.”, Antonis Samaras, líder do Nova Democracia no final da sua intervenção parlamentar do passado domingo (no Wall Street Journal).

Para quem ainda tenha dúvidas quanto à forma como a Grécia acabará, novamente, por boicotar este enésimo plano de resgate, é só ler as palavras do bom do Samaras, sendo que as palavras deste até possam acabar por de nada valer. É que, segundo li hoje (se bem que já não me recorde onde!), as intenções de voto para as eleições de Abril (?) dão conta de 30% dos votos para o Nova Democracia e mais de 40% para o conjunto de partidos que compõem a esquerda à esquerda dos socialistas do PASOK (a quem as sondagens, por sua vez, atribuem uma humilhante derrota). Agora, alguém acredita que, num cenário de divisão política ou, pior ainda, perante uma aliança da esquerda revolucionária, a Grécia implementará as medidas cinicamente aprovadas no domingo?!? Claro que não. Enfim, creio que o mais provável é que as eleições de Abril sejam adiadas “sine die”, pois está visto que aquela classe política, para quem a manutenção do euro representa a sua própria sobrevivência política, só se resignará à saída do euro por força das circunstâncias e nunca por argumento intelectual. Por isso, a solução magnânime da Europa seria facilitar aos gregos uma saída da zona euro sem que isso os precipitasse para uma saída da União Europeia. A ver vamos até onde irá o fanatismo de ambas as partes…

“The Iron Woman”, ou como falsear a memória histórica

Filed under: Diversos — Rodrigo Adão da Fonseca @ 14:15

Socialists cry “Power to the People”, and raise the clenched fist as they say it. We all know what they really mean—power over people, power to the State.

M.T.

Fui um destes dias ver o filme, “The Iron Woman”, e mais valia ter ficado em casa. De facto, pergunto-me o que leva certas luminárias a sentirem-se no direito de insultar a memória de uma das personalidades mais brilhantes do século XX, ao ponto de a humilharem com um enredo miserável, uma pseudo intelectualidade que envergonha os seus autores, mas também qualquer assistência com um sentido mínimo de pudor. O filme desrespeita o que de mais privado permanece na existência humana, gira até ao vómito em redor de quase tudo aquilo que não nos interessa, fazendo do público, não espectadores, mas voyeurs.

O realizador apresenta-se obcecado, até a náusea, com os últimos momentos da vida de M.T., em particular com os traços de demência, alienação e alcoolismo que a terão atormentado após a morte do marido. M.T. é ainda retratada como uma mulher “teimosa”, com uma tendência marcada para o uso da força, seja contra os sindicatos, seja contra a população em geral, seja contra os argentinos no célebre conflito da guerra das Malvinas. Como se a “teimosia”, por si só – que a aproximaria de personagens repugnantes como Estaline ou Che Guevara – ou a demência no fim da vida, fossem os principais legados que a mulher de ferro deixou para registo da História.

M.T. marcou o século XX, sim, na sua participação na reforma da economia britânica, no modo como lidou com questões de soberania nas Maldivas e com o IRA, mas também na gestão, em conjunto com americanos e alemães, do fim do comunismo que conduziu à Queda do Muro de Berlim. As relações com Reagan, Gorbachev, Khol, Hayek, os seus discursos reformistas, a promoção da prosperidade e a paz, bem como a consolidação dos pilares de uma libra forte – que os Trabalhistas conseguiram destruir nos últimos anos – ou são ignoradas ou ficam reduzidas a passagens insignificantes.

Um filme a evitar. Em qualquer caso, previsível. O que se podia esperar de uma produção financiada com dinheiros públicos?

Rodrigo Adão da Fonseca

The Economics of Valentine’s Day

Filed under: Diversos — António Costa Amaral (AA) @ 13:31

The Economics of Valentine’s Day

A velha utopia revolucionária

Filed under: Diversos — Carlos M. Fernandes @ 13:28

Milan Kundera, que sofreu na pele os efeitos do socialismo radical, disse que uma vida sem segredos, onde vida pública e privada são um só todo é um dos objectivos da velha utopia revolucionária, fascista ou comunista. Isto é muito simples: aquele que invade o espaço privado dos cidadãos, pode ter mais ou menos tiques totalitaristas, pode ser mais ou menos socialista, mas uma coisa não é de certeza: liberal. Se depois desta palhaçada do “enriquecimento ilícito” continuarmos a ouvir os lamentos de que ai!, o governo é neoliberal!, então sugiro que abram uma secção nas Novas Oportunidades dedicada à ciência e à filosofia política. Quanto aos mentores da lei, que devem estar muito orgulhosos da proeza, relembro que a democracia sem liberdade não é muito diferente de uma ditadura, e que os votos não lhes dão direito de devassar a vida das pessoas. Esperemos então que a Constituição ponha um termo a esta farsa, e que, no seguimento da reprovação, a Ministra da Justiça se demita e se afaste definitivamente do espaço público, já que não percebe onde está fronteira com o espaço privado.

Fevereiro 13, 2012

o pecado original

Filed under: Diversos — Ricardo Arroja @ 09:52

“Faz três anos que a Caixa assinou o que titulámos então de escandaloso negócio com Manuel Fino, um acordo para as dívidas do empresário com acções da Cimpor. Foi um cobertor para o estertor. Ei-lo de novo, em dose tripla: de Fino, da Caixa e da Cimpor. José de Matos devia pendurar as contas de 2011 à frente da mesa onde atende os telefonemas do Governo: para se lembrar do que custa dizer ‘sim’.”, Pedro Santos Guerreiro, hoje no Negócios (editorial).

Pois aí está…três anos depois daquele negócio, que eu também critiquei, e a Investifino, segundo avança a imprensa de hoje, continua pendurada na generosidade da CGD….mesmo que as acções da Cimpor, quase que milagrosamente, estejam acima do preço de recompra definido em 2009! Ora, foram negócios como aquele e outros (nomeadamente, os pecados originais) que resultaram agora em mais de 800 milhões para o reforço de provisões de crédito (leia-se, protecção contra os calotes) na CGD.

Enfim, talvez não fosse má ideia privatizar a CGD…em Portugal, parece que não estamos preparados para ter um banco público.

Fevereiro 11, 2012

Anonymous

Filed under: Diversos — elisabetejoaquim @ 18:04
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A auto intitulada legião de vingadores que começou a ser levada a sério pelos media main stream depois de ter retaliado contra o fecho do site de pirataria megaupload, e que atacou ontem o site da CIA, está também a ser levada a sério pelo site da Israel National News que publicou na categoria Defense/Security um vídeo em que os anonymous anunciam uma cruzada contra Israel.

No twitter, uma conta aglomera notícias das várias acções anonymous.

Real Hope and Change

Filed under: Diversos — António Costa Amaral (AA) @ 14:11

Andrew Napolitano – Real Hope and Change

Fevereiro 10, 2012

Autores de todo o mundo, uni-vos!: os reais perigos do ACTA

Filed under: Diversos — elisabetejoaquim @ 18:29
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Realizam-se amanhã protestos mundiais contra o ACTA. Muito do que se tem escrito internacionalmente, e copiado nacionalmente, introduz medidas que não estão de facto presentes no documento final (traduzido aqui para português). O exercício de fabulação é desnecessário, o que o ACTA assume devia ser suficientemente mau para se temer o acordo.

1. Os Direitos de Autor passarão a ter muito mais probabilidade de serem efectivamente cumpridos.

Os Direitos de Autor são actualmente a anedota da internet. Consciente ou inconscientemente, ninguém os respeita: a reprodução e gravação ilícita de propriedade intelectual tornou-se um hábito consolidado desde o aparecimento do YouTube (as negociações do ACTA começam precisamente em 2006, quando a Google compra o site). O ACTA tem como objectivo número um acabar com o clima de impunidade quanto à violação de Direitos de Autor, introduzindo uniformemente mecanismos dissuasivos e punitivos da prática: o ACTA é uma Ode à chantagem pecuniária, que prevê por isso, claro, «sensibilizar a opinião pública no que se refere à importância do respeito dos direitos de propriedade intelectual e aos efeitos negativos do desrespeito desses mesmos direitos» (Art31º).

2. As associações de autores passarão a ter um poder quase jurídico.

Grande parte da ineficácia da protecção de Direitos de Autor na internet deve-se à natureza dos processos jurídicos. Fazer a avaliação da violação de Direitos de Autor passar pelo tribunal implica perder dinheiro: enquanto o tribunal não se pronuncia, o tempo de reprodução ilícita de dada obra tem, alegadamente, correlato directo para o dinheiro perdido com a sua não venda, e, para além disso, a morosidade e complexidade do processo não tem efeito dissuasivo nos pequenos piratas que acreditam ser peixe demasiado pequeno para serem apanhados pelo sistema.

Com o ACTA, basta à editora lesada apresentar um pedido «com um grau suficiente de certeza» para que sejam automaticamente tomadas medidas provisórias (Art12º). São também as editoras que, obviamente, vão poder requerer o montante das indemnizações, baseado nos «lucros cessantes, o valor das mercadorias ou serviços objecto da infracção medido pelo preço de mercado» (Art9º). Para conseguir calcular em quanto são prejudicadas, as pobres editoras têm de saber qual é de facto a amplitude do roubo, pelo que o ACTA permite ainda que as autoridades lhes cedam directamente toda a informação sobre a mercadoria que o infractor possui (Art22º).

3. Interpretação dúbia.

Se a Google lá se vai defendendo dizendo que só não acaba com a pirataria porque a natureza da internet torna difícil que se impeça infracções e a Google não pode decidir quem está ou não a cometer infracção, a maneira como o ACTA trata a Injunção deixa dúvidas sobre a motivação que sites cujo conteúdo é gerado por utilizadores possam subitamente encontrar para lutar mais activamente contra a pirataria: «emitir uma injunção a uma parte para que cesse uma infracção, inter alia, uma injunção contra essa parte ou, se for o caso, uma parte terceira, em relação às quais essa autoridade é competente, para impedir que entrem nos circuitos comerciais as mercadorias que envolvem a infracção a um direito de propriedade intelectual» (Art8º).

4. A criação de mais um grupo de burocratas.

O ACTA prevê a criação de um Comité (Art36ª) que funcionará em loop, aprovando o seu regulamento interno após a entrada em vigor do ACTA. O Comité irá avaliar o funcionamento do ACTA, ajudar potenciais novas adesões a adequar a sua legislação ao ACTA, e escolher as alterações ao Acordo.

5. Uniformização da regulação a nível global.

A uniformização de medidas para a aplicação das já uniformes leis de protecção de Direitos de Autor promove uma centralização de poderes a nível global, e a consequente difusão das fronteiras nacionais, assim cada vez mais obsoletas. O ACTA não pretende ficar-se pelos países da primeira adesão, prevendo uma campanha de sedução de outros potenciais aderentes. A promoção de uma defesa eficaz global dos Direitos de Autor é indubitavelmente sinónima de um ataque à liberdade que caracteriza a internet tal qual a conhecemos.

6. Impacto imprevisível na economia e na criatividade.

O que acontecerá quando as pessoas tiverem de facto medo de partilhar obras? Que impacto terá esse freio na própria promoção do trabalho dos autores?

Leitura recomendada: O estranho mundo dos Direitos de Autor: O estranho mundo dos Direitos de Autor III

Fevereiro 9, 2012

Condenado

Filed under: Diversos,Internacional,Justiça,Política — Carlos M. Fernandes @ 13:20

Última hora. O Supremo Tribunal considera que o juiz-estrela Baltasar Garzón é culpado de um delito de prevaricação, e condena-o a 11 anos de inabilitação (um golpe de misericórdia numa carreira já moribunda). Não, não foi pelo episódio dos crimes do franquismo, esse ainda está a ser discutido nas salas do tribunal. Foi por outro assunto, bem diferente, e agora vamos ver como é que a comunicação social portuguesa vai explicar isto.

Fevereiro 8, 2012

What is classical liberalism?

Filed under: Diversos — António Costa Amaral (AA) @ 19:25

What is classical liberalism?

Nenhum imbecil analfabeto

Filed under: Diversos — Carlos M. Fernandes @ 17:36

(…) La lengua española. desde Homero, Séneca o Ben Cuzmán, hasta Cela y Delibes, pasando por Berceo, Cervantes, Quevedo o Valle-Inclán, no es algo que se improvise o se cambie en cuatro años, sino un largo proceso cultural cuajado durante siglos, donde ningún imbécil analfabeto – o analfabeta – tiene nada que decir al hilo de intereses políticos coyunturales. (…)

Arturo Pérez-Reverte, Cuando Éramos Honrados Mercenarios

Serve para a língua espanhola e para outras.

Fevereiro 7, 2012

Intervencionismo aplicado à Saúde Sexual

Filed under: Diversos — elisabetejoaquim @ 21:43

The former Director of the British Eugenics Society, Lord John Maynard Keynes, would be proud.

Aplicando um plano do governo, nove Escolas Secundárias de Southampton, no Reino Unido, introduziram implantes contraceptivos em adolescentes sem a autorização ou conhecimento dos pais, não se sabendo com que critérios ou quantas adolescentes foram alvo da cirurgia.

O que se pode saber facilmente são as consequências na saúde psicológica destas adolescentes, tratadas como gado cujo corpo é propriedade do Estado, entidade que se substitui magicamente às consequências das suas acções.

Volta para casa da mamã (3): quando a Galp insultava os portugueses

Filed under: Diversos — António Costa Amaral (AA) @ 19:51

Anuncio Galp Euro 2004 – Menos ais

PS – a sério que há quem enfie o barrete de “piegas” com isto que o Passos Coelho disse?

Fevereiro 6, 2012

O progressismo como fonte inesgotável de divertimento

Filed under: Diversos — Carlos M. Fernandes @ 17:17

(…) «Los poderes públicos de Andalucía, en coordinación y colaboración con las entidades locales en el territorio andaluz, tendrán en cuenta la perspectiva de género en el diseño de las ciudades, en las políticas urbanas y en la definición y ejecución de los planteamientos urbanísticos».

(…) ¿Cómo se tiene en cuenta la perspectiva de género en el diseño de las ciudades y políticas urbanas? ¿Consultando los arquitectos a las asociaciones radicales feministas antes de trazar calles y plazas, para que les den permiso? ¿Procurando que los pasos de cebra no favorezcan a presuntos maltratadores? ¿Disponiendo aceras paritarias, unas para hombres y otras para mujeres, u obligando a circular por cada vía urbana al mismo número de ellos y ellas? ¿Rebautizando calles para que por cada nombre masculino haya uno femenino? ¿Patrullando con guardias y guardios que, cuando sean policía montada, cabalguen indiscriminadamente caballos machos y yeguas? ¿Procurando que entre los cartones y sacos de dormir que adornan los soportales de la Plaza Mayor de Madrid para deleite de turistas, haya el mismo número de mendigos y mendigas? ¿Que por cada grupo de mariachis, jazz band de ex bolcheviques, o rumano que hace música con vasos de agua, actúe una violinista búlgara, una orquesta de nigerianas o un grupo de mejicanas cantando Allá en el rancho grande? ¿Que cada perroflauta lleve el mismo número de perros que de perras, de flautas que de flautos? ¿Que en los parques juegue por decreto municipal la misma cuota de niños y niñas, y se mantengan turnos rigurosos para columpios y toboganes, con agentes que sancionen a padres y madres, abuelos y abuelas, que incumplan? ¿Que en cada zona de prostitución haya el mismo número de putas que de chaperos? ¿Que nos vayamos todos juntos y juntas a tomar por saco? (…)

Arturo Pérez-Reverte, aqui

Fevereiro 5, 2012

A UEFA na pele de ROC

Filed under: Diversos — Ricardo Arroja @ 20:01

“They call it third-party ownership, and to its proponents, it’s no more harmful than owning a share in a thoroughbred or any other company. You pay a certain amount here and now in exchange for a slice of revenues that may or may not come rolling in down the road. For a racehorse, that means prize money and maybe stud fees. For a soccer player, that means taking a cut of any future transfer (…) The problem with this form of creative financing is that it has spread to Europe—and it’s making many uncomfortable, to the point that some leagues, like the English Premier League and France’s Ligue 1, have outlawed it altogether. FIFA doesn’t explicitly allow the practice, nor does it prohibit third-party ownership. In Article 18 of its “Regulations on the Status and Transfer of Players,” the sport’s world governing body simply bars “third-party influence,” which it defines as clubs entering into a contract that allows a third party to “acquire the ability to influence in employment and transfer-related matters its independence, its policies or the performance of its teams.” (…) Some clubs are already doing this to great effect. Perennial Portuguese powerhouse Porto relies heavily on the practice, according to a recent paper by sports lawyers Daniel Geey of Field Fisher Waterhouse and Ariel N. Reck, who represents TYP Sports Agency, a Delaware-incorporated third-party owner of soccer players. They write that the club owns 100% of the economic rights of just five players on its 27-man roster, based on Porto’s annual report. The risk here is that FFP will be fundamentally distorted because the clubs that use third-party ownership to defray costs will have an unfair advantage over those prohibited to do so—like English and French teams. Gianni Infantino, UEFA’s general secretary, told Bloomberg last week that “this kind of player ownership is a a growing threat. We will ourselves look into the matter because it cannot continue in this manner.”, no Wall Street Journal.

Esta história do Financial Fair Play tem que se lhe diga…parece que, agora, a UEFA também se vai dedicar à (dupla) revisoria contabilística de sociedades cotadas na bolsa!?!

Blowback

Filed under: Diversos — António Costa Amaral (AA) @ 12:15

Tribute to Our Troops (Currently on TV)

Fevereiro 4, 2012

Government Cannot Create Sustainable Jobs

Filed under: Diversos — António Costa Amaral (AA) @ 07:41

Government Cannot Create Sustainable Jobs por Arnold Kling:

Modern Keynesians claim the problem is that businesses and consumers are not doing their part. Borrowing and spending is a tough job, the Keynesians say, but somebody has to do it, and that somebody should be the government .. For Keynesians, job creation is simple. Entrepreneurs have knowledge of how and what to produce. All that is required is more demand, in order to induce them to undertake more hiring.

In contrast, in our Smith-Ricardo story, the knowledge of how and what to produce has to be discovered. Entrepreneurs have to figure out ways to utilize resources that satisfy wants in an efficient way. The market mechanism first must undertake trial and error to create production processes that exploit comparative advantage. Until these new patterns of sustainable specialization and trade are discovered, there are no job slots.

Experimenting with new patterns of specialization and trade is relatively easy. Discovering patterns of sustainable specialization and trade is much harder. Our economic well-being depends on the ability of entrepreneurs to make these discoveries.

If the Keynesian demand story is not valid today, then perhaps it was not valid during the Great Depression either. The 1920s and 1930s were, like the present, a period in which major technological changes were working their way through the economy. Economic historian Alexander Field has argued that the decade of the 1930s saw more technological progress than any other decade in American history.

The Keynesian story would lead one to expect a recovery to consist of workers returning to the jobs that they held prior to the recession. That is not what happened after the Great Depression. It is not what has happened in recent recessions in the U.S., particularly the one that ended in 2009. Regaining full employment requires significant restructuring of the economy, rather than simply returning to the pre-slump status quo.

More government spending can at best create some unsustainable jobs in the short run. In the long run, it will only distort and impede the adjustments that are needed to create patterns of sustainable specialization and trade.

Fevereiro 3, 2012

A esquerda ANTI-ACTA

Filed under: Diversos — elisabetejoaquim @ 18:24
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O eurodeputado Rui Tavares escreveu um panfleto informativo ANTI-ACTA em que conseguiu não usar nem uma única vez o conceito de propriedade intelectual, e usar uma vez o conceito de Direitos de Autor apenas para dizer que o acordo faz com que seja possível denunciar utilizadores que “possam” estar a violar direitos de autor. As aspas não são minhas, são mesmo do eurodeputado a insinuar que toda a maldade do ACTA se concentra no facto de este se basear falsamente na questão dos Direitos de Autor para melhor poder pôr em prática o seu obscuro plano de pôr fim à privacidade on line.

E se o ACTA fosse mesmo só um acordo internacional que permite que a já existente legislação de cada país sobre o que constitui crime contra os Direitos de Autor fosse efectivamente aplicada, alimentando o lobby da propriedade  intelectual, e defendendo genuinamente os autores contra a imoralidade totalitária dos consumidores, como votaria Rui Tavares?

Fevereiro 2, 2012

Lincoln, nacional-imperialista

Filed under: Diversos — António Costa Amaral (AA) @ 20:30

Why Did the South Secede?:

Most students believe that the South was fighting to keep all of the slaves in bondage, while the benevolent Yankees were fighting to free the slaves in captivity — nothing could be further from the truth.

The motivation of Lincoln was consolidating political power — not freeing the slaves. The notion that he was trying to free the slaves from the get-go is a complete fabrication. Lincoln also was a racist, even though he thought slavery was wrong ..

The notion of Lincoln being a benevolent color-blind freer of slaves is simply not true. It’s a fantasy cooked up by the men who won the war. After all, if you’re telling your grandkids that you waged a war that killed 600,000 men, that destroyed the city of Atlanta, and millions of people were wounded, it doesn’t sound good to say “we did it for political power”.

So what were the real reasons the South seceded? The following should be helpful to understand:

  • Anti-South Party. The GOP was anti-southern ..
  • Anti-South Tariffs. In the 1830s, the US government passed tariff essentially forcing the South to buy products from the North ..
  • No Nullification .. The “strong central government” camp had become much more powerful than the state-sovereignty camp, at least in DC.
  • Capping Southern Influence .. The North was soon to completely overpower the North in the federal government, leaving the South in a position where they were essentially forced to do whatever the North wanted.
  • Structure of Government. The North repeatedly was trying to change the constitution to make the senate elected by popular vote rather than state legislatures .. The South wanted state sovereignty, and the North wanted the federal government to more able to regulate the internal affairs of the states — and not just in slavery.
  • No Need for the North ..Since they were being politically isolated and economically exploited, they believed there was nothing keeping them to stay in the North. They also believed that leaving the Union at any time was their contractual right.

LEITURA RECOMENDADA: Lincoln

nada que justificasse

Filed under: Diversos — Ricardo Arroja @ 11:02

“(…) Pinto Monteiro, o Hercule Poirot indígena, matou à nascença qualquer esperança de justiça sobre a corrupção política dizendo que, ‘a partir do 25 de Abril, a maioria dos políticos relevantes do nosso país passou pela PGR e sem que isso se justificasse’. Não sabemos que temer mais, para além da incompetência do PGR”, Fernando Sobral, hoje no Negócios (contracapa).

E os políticos irrelevantes?!?

os direitos adquiridos de Noronha

Filed under: Diversos — Ricardo Arroja @ 10:50

“(…) o presidente do STJ quase legitimou o direito à revolta social, citando Camilo Castelo Branco: ‘Se tiram a enxada ao homem, dão-lhe tacitamente o direito de se revoltar’. Foi uma atitude perigosa. Amanhã, qualquer prevaricador, num julgamento, pode dizer: ‘Se até o presidente do STJ compreende a revolta popular…’.”, Camilo Lourenço, hoje no Negócios (página 35).

Um revolucionário, este Noronha (e 4ª figura de Estado)…

 

o fenómeno facebook

Filed under: Diversos — Ricardo Arroja @ 09:38

“Facebook is baring its business soul. The unveiling came late Wednesday when the company that depends on people to share their lives online filed its plans to raise $5 billion in an initial public offering of stock (…) Facebook’s revenue disappointed some people who pored through the documents. One reason: The company generates about $4.39 in revenue per user. “That is a surprisingly low number,” said University of Notre Dame finance professor Tim Loughran, who studies IPOs. Google’s annual revenue of nearly $38 billion works out to more than $30 per user of its services.”, no Yahoo.

O fenómeno Facebook é um fenómeno que eu tenho dificuldade em compreender. Não tenho conta nem nunca me senti tentado a ter. Mas, atendendo aos seus 845 milhões de utilizadores, o problema, provavelmente, só pode mesmo ser meu. Dito isto, as receitas por utilizador do Facebook são realmente muito baixas comparadas com as receitas por utilizador do Google. Sendo certo que neste negócio a escala parece ser mais relevante que a margem, não deixa de ser tentador imaginar qual será o impacto financeiro no Facebook se um dia a mania passar. Por outro lado, também não deixa de ser tentador imaginar qual será o potencial de crescimento da empresa se Zuckerberg e companhia mantiverem a criatividade que os trouxe até aqui. Enfim, como disse no início, I don’t get it, por isso, são mais as dúvidas que as certezas…

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