Che Guevara, la máquina de matar

Alvaro Vargas Llosa no El Pais

En enero de 1957, como indica su diario de Sierra Maestra, Guevara mató de un disparo a Eutimio Guerra porque sospechaba que estaba pasando información al enemigo: “Acabé con el problema con una pistola del calibre 32, en el lado derecho de su cerebro… Sus pertenencias ahora son mías”. Luego dispararía a Aristidio, un campesino que expresó su deseo de abandonar la lucha cuando los rebeldes se trasladaran a otro lugar. Mientras se preguntaba si esta víctima en concreto “realmente era lo suficientemente culpable como para merecer la muerte”, no le tembló el pulso a la hora de ordenar el asesinato de Echevarría, hermano de uno de sus camaradas, por crímenes no especificados: “Tenía que pagar el precio”. En otras ocasiones simulaba ejecuciones, aunque no las llevara a cabo, como método de tortura psicológica.

1984

José Meireles Graça no Gremlin Literário

Sempre suspeitei que o cartão de cidadão, com a possibilidade de armazenar dados, e os seus três ou quatro pins que é preciso memorizar, era uma pedra na tumba das liberdades; e que seria apenas uma questão de tempo até que um dos controleiros que pululam no governo e fora dele – a falta de respeito pela liberdade é, na esquerda, um dado adquirido em nome da igualdade e, na direita, quando ocorre, em nome da segurança, da eficiência, da ignorância ou da inconsciência – começasse a tirar partido do mundo de possibilidades que a informática oferece.

Aí está. E em vez de se ver a iniciativa por aquilo que é, um perigoso passo para amanhã se começarem a tratar dados e com base neles se imiscuírem Savonarolas da saúde pública, como o Secretário Leal, na relação médico-doente, ensinando uns a prescrever e outros a adoptar os comportamentos que as autoridades acham recomendável, censura-se os médicos porque – ó escândalo! – apenas metade “tem Cartão do Cidadão ou da sua Ordem”.

O Estado não tem mãos

José Carlos Alexandre na Destreza das Dúvidas

A esquerda gostaria que as empresas (pelo menos, as “estratégicas”) estivessem nas mãos do Estado. O problema é que o Estado não tem mãos, quem tem mãos são os indivíduos. A esquerda fala como se o governo pudesse ser incompetente ou corrupto, mas o Estado, vá-se lá saber porquê, estivesse naturalmente investido de nobreza e dignidade e pairasse sempre acima das fraquezas e vícios humanos. Infelizmente, o Estado não é nada disso. O Estado são pessoas, muitas vezes escolhidas e nomeadas pelo tal governo “incompetente e corrupto”.

“The horror. The horror.”

“Diz aí” que Yanis Varoufakis corre o risco de ser julgado por traição na Grécia, graças às tropelias do seu já famoso “plano B”. Honestamente, parece-me exagerado. No entanto, estou profundamente convicto de que deveria ser julgado e severamente punido por usar camisas destas em público.

varoufakis

Assembleia Geral

Na passada quarta (em vez das habituais sextas), fui ao Assembleia Geral da ETV para falar sobre o que se poderia esperar do programa eleitoral da coligação PSD/CDS, umas horas antes do seu anúncio.

http://rd3.videos.sapo.pt/playhtml?file=http://rd3.videos.sapo.pt/Dtwr15lIszZEFwpEYOMs/mov/1

Perdido na tradução

Ao contrário do que a comunicação social portuguesa anda por aí a dizer, o Primeiro Ministro do Reino Unido, David Cameron, não disse que havia uma “praga de migrantes” em Calais. Disse que havia “a swarm of people”, ou seja, um “enxame de pessoas” a tentar entrar na Europa. Independentemente do que se pense acerca da questão da imigração e dos problemas dos refugiados, convinha citar correctamente o que as pessoas dizem.

Com prateleiras vazias o impacto será ainda menor

Diário Económico

Atenas impôs um preço máximo para alguns consumíveis vendidos em locais públicos como aeroportos, estações, ‘ferrys’, hospitais ou escolas para compensar em parte a subida de 10 pontos percentuais do IVA, imposta pelos credores internacionais

Quando começam a escassear os produtos com preços fixados administrativamente normalmente seguem-se as acusações de “açambarcamento”, maior regulação da distribuição, multas, prisões, etc. Perguntem aos venezuelanos.

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Como perder umas eleições

O PS parece que quer mesmo perder as eleições. Pergunto-me: é este o PS de António Costa, um PS onde uma série de jovens-turcos-e-turcos-menos-jovens, com idade para terem juízo, que engoliram a cassete da extrema-esquerda, colocam o partido ao lado daqueles que exalam ódio, intolerância, e demonstram uma enorme incapacidade para fazerem parte do debate político moderado? Quando acho que já nada me surpreende, basta ler no FB, no twitter e nos media tradicionais a forma como o PS decidiu recuperar a vanguarda revolucionária, para perceber como há gente que ainda vive no obscurantismo. A rotação é saudável para as democracias, mas é sabido que os portugueses sempre recusaram o extremismo. O PS por estes dias fala aos berros, e limita-se a “fazer marcação” à coligação PSD/CDS-PP, mas apenas recorrendo a qualificativos: o que distingue hoje o PS do Bloco de Esquerda? Ao praticar um discurso agressivo, baseado no rebaixamento pessoal constante do adversário, e ferido de morte por um complexo de superioridade moral que esconde profundas fragilidades e ausência de soluções, agarrando-se aos dogmas do passado e aos livrinhos vermelhos, o PS exclui-se perante a maioria dos portugueses do arco da governação.

Se o papel do PS de Costa – de afirmar alguma diferença face a uma política do governo que, não agradando, a maioria dos portugueses compreende que é incontornável – já era complicado, torna-se com este discurso ainda mais difícil. O PS tem obrigação de revelar aos portugueses, com pormenor, como pretende governar o país e respeitar os limites orçamentais, ou esclarecer-nos se quer antes seguir uma via de confrontação – óbvia ou apenas subtil – com a Europa e os credores, para poder prosseguir uma via de endividamento. O resto é ruído, que a maioria dos portugueses já não quer ouvir.

Benchmarking

Resta saber quem está a aprender com quem: Venezuela y Grecia fortalecen cooperación bilateral

Este martes el viceministro de Cooperación Económica de la cancillería venezolana, Calixto Ortega, sostuvo un encuentro con el secretario general de Relaciones Económicas y de Cooperación de Desarrollo de la cancillería de Grecia, Giorgos Tsipras, con el objetivo de fortalecer lazos de integración bilateral entre ambas naciones

O TPC da esquerda

Hoje, para o i: 

“O presidente da república francesa, que em 2012 prometia abanar as fundações do socialismo europeu como, um ano mais tarde, a Wrecking Ball, da pós-adolescente Cyrus, agitou a indústria pop, tem-se revelado um líder bastante consciencioso. O leitor, mais atento a questões relacionadas com a psique humana, sabe que a consciência não se mede aos palmos, isso é certo. Portanto, de modo a evitar equívocos, passo a explicar: a boa e velha Paris, capital francesa, a apenas quatro meses da conferência sobre o clima, que também terá lugar naquela capital, acolheu, a semana passada, uma “cimeira da consciência”.

“Qual o objetivo desta cimeira pré-conferência?”, pergunta o leitor também consciencioso. O objetivo deste encontro é “reunir todas as consciências” de modo a refletir sobre as alterações climáticas, segundo reza a notícia do Euronews que termina com um inequívoco muito preciso: “a comunidade internacional quer limitar o aumento das temperaturas mundiais a 2 graus centígrados”.

A palavra-chave é: limitar-o-aumento-das-temperaturas. Está lá, surge assim como uma ideia cândida como que saída do TPC de uma dócil criança que frequenta uma qualquer escola do ensino básico e faz lembrar o programa eleitoral, com que o PS se apresenta às próximas legislativas, quando, na página 66, se propõe “garantir a sanidade animal”.

Dada a placidez com que ambas as ideias foram lançadas, estamos perante algum distúrbio das capacidades cognitivas; um sonho pueril manifestado numa dislexia comum à esquerda; ou foi a dócil criança, do ensino básico, que escreveu os dois roteiros?”

Varoufakis: Louco, Megalomano e Revolucionário

Luís Aguiar-Conraria

Aqui está a transcrição de grandes partes da conversa de Varoufakis a explicar como planeava, com mais quatro pessoas, criar um sistema bancário paralelo na Grécia depois de piratear os dados dos números de contribuinte. O tipo nem sequer parece ter noção da enorme operação de logística informática que o seu plano envolveria.

Para quem ainda não acredita nas notícias, pode ouvir o homem de viva voz aqui.

Podemos, todos, finalmente, concordar que o tipo é louco, megalómano, radical e revolucionário?

Estranhamento, há quem continue sem perceber e mesmo a negar a natureza do personagem. Houve mesmo quem não encontrasse qualquer problema nos seus planos.

LEITURA COMPLEMENTAR: O Surreal Plano B de Varoufakis

A lenta recuperação do emprego

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No Público dão conta de um relatório do FMI que prevê uma lenta recuperação dos níveis de desemprego até aos níveis pré-crise. Como não podia deixar de ser, à esquerda, alguns tentam usá-lo como arma eleitoral e mesmo (inexplicavelmente) fazê-lo contrastar com alguns sintomas de retoma empresarial.

No entanto, o que daqui se releva é que a recuperação vai ser lenta e é impossível reverter as perdas no espaço de uma legislatura. E é importante também para percebermos o enorme impacto da bancarrota e de algumas “paixões” e “opções estratégicas” do passado e procurarmos ser mais cuidadosos no futuro.

Só se pode negociar com tiranias de esquerda

O meu artigo de hoje no Observador: Só se pode negociar com tiranias de esquerda.

Não é segredo para ninguém que o regime angolano vive emprenhado em corrupção, que persegue e reprime os seus opositores, e que asfixia a economia com um apertado controlo estatal. Nem que, nos últimos meses, essa repressão se intensificou, com uma série de prisões políticas. Por isso, um grupo de intelectuais e académicos redigiu uma carta aberta (publicada em vários jornais europeus) pedindo a investidores e governantes que, nas suas relações com Angola, vejam para além dos interesses económicos e coloquem os princípios à frente. Percebo e simpatizo com a iniciativa, embora discorde da ideia de que os estados democráticos não devem negociar com estados autocráticos ou tiranias – mas isso é tema para um outro artigo. O que não percebo e não me causa simpatia é que estas cartas abertas e indignações bem-intencionadas só surjam em relação a certas tiranias, havendo outras que, sendo igualmente inimigas das liberdades mais básicas, recolhem compreensão e aplauso entre as elites.

Veja-se o caso da Rússia. O regime de Putin está inundado em corrupção, oprime todo o tipo de manifestação de oposição política, prende críticos do regime (quando não têm o azar de, por coincidência, encontrarem a morte numa viela), e persegue os homossexuais. No entanto, quando Tsipras foi a Moscovo reforçar laços políticos com Putin (uma espécie de vassalagem) e chantagear a União Europeia (que, apesar dos seus defeitos, é um dos maiores garantes de paz e liberdade no mundo), não houve cartas abertas de intelectuais indignados. Mas houve aplausos.

Continuar a ler aqui.

Sérgio Figueiredo acerca da polémica com Augusto Santos Silva

“Para acabar de vez com um monólogo patético e deprimente” de Sérgio Figueiredo (DN)

Sim, é verdade: Augusto Santos Silva não voltou à TVI24. Mas por ser malcriado, não porque a sua voz é incómoda. Qual liberdade de expressão!!! É de decência que se trata. E da ética que ele tanto apregoa. Há limites para tudo e, até hoje, evitei participar neste exercício de vitimização deprimente e patético. A armadilha traiçoeira que montou a Paulo Magalhães e a desconsideração soez que revelou por Fernando Medina autoqualifica a personagem e revela a raça de um egocêntrico. Se é assim com os amigos…

Nem quero imaginar com teria sido se o achasse “reprovável”.

MedinaSocrates 270715

Confesso que inicialmente pensei tratar-se de mais um “tesourinho deprimente”. Uma declaração de amor proferida há uns valentes meses e recuperada agora. Estava enganado. É parte de uma entrevista públicada hoje.

Um “exclusivo” JN de informação errada

JN

O Jornal de Notícias, num “exclusivo” jornalístico, descobriu que o Estado vai gastar mais 53 milhões de euros com as escolas com contrato de associação, já no próximo ano lectivo. A notícia até foi referida no telejornal das 13h na SIC. O problema é que a fonte “exclusiva” da notícia se chama Mário Nogueira e que a informação está objectivamente errada. Vamos por partes.

1. A notícia consta do seguinte: “O próximo ano letivo abre com mais 656 turmas com contrato de associação, uma despesa de quase 53 milhões de euros (…) Com este acréscimo de turmas abertas para os 5º 7° e 10º anos, no total teremos 1732 com contratos de associação a funcionar em 2015/2016, apurou a Federação Nacional de Professores Fenprof num levantamento que fez a nível nacional”.

2. Primeira falsidade: o número de turmas. O próximo ano lectivo não abre com mais 656 turmas com contrato de associação, nem há qualquer acréscimo de turmas. Pelo contrário: abre com um número total de turmas com contrato de associação inferior ao do ano lectivo anterior. Em 2014/2015, houve 1747 turmas; em 2015/2016, pela própria informação da Fenprof, haverá 1732. São 15 turmas a menos.

3. Segunda falsidade: o valor da despesa. Uma vez que não há acréscimo do número de turmas, não há aumento da despesa de 53 milhões de euros ou de 1 euro sequer. O que haverá é diminuição de despesa, até porque o valor pago por turma diminuiu.

4. Vou ser o mais sincero possível: não compreendo como é que uma “notícia” destas é publicada. Estamos em período pré-eleitoral, a única fonte dos dados (tanto o número de contratos de associação como a despesa) é o secretário-geral FENPROF (um sindicato de professores ligado ao PCP) e a informação não foi verificada – ou foi mal verificada, porque seria facílimo constatar que a notícia se apoia em informação errada através de dados do Ministério, informação publicada no relatório do Orçamento de Estado 2015 ou simplesmente cruzando notícias.

O Jornal de Notícias fica muito mal neste seu “exclusivo”, que mais não é do que uma encomenda da Fenprof. Eu sei que estamos em pré-campanha eleitoral e que a partir de agora é um vale-tudo. Que os partidos se comportem assim, é esperado. Mas que os jornais aceitem estas encomendas é tão incrível como inaceitável.

Espantoso

Nos outros casos ainda havia a desculpa de se tratarem de banqueiros sem escrúpulos (embora fossem heteroxos nas ligações políticas) mas não percebo como isto foi suceder num banco com tantos progressistas nos orgãos sociais.

O Banco de Portugal denunciou a Caixa Económica Montepio Geral ao Ministério Público por não comunicar operações suspeitas de branqueamento de capitais que tiveram origem no Finibanco Angola, que é detido pela Caixa Económica, avança o jornal Público.

Segundo o jornal diário, o supervisor terá detetado falhas nos mecanismos de controlo de operações financeiras com indícios de configurarem crimes de branqueamento de capitais e de financiamento ao terrorismo.

Estou bem mais descansado

No Observador: “SATU. PGR investigou suspeitas de corrupção, mas só encontrou um mau negócio”

Afinal não existiu corrupção. A conclusão óbvia é que o SATU foi apenas mais um caso de incompetência e inconsciência dos autarcas que ou calcularam mal os custos ou esqueceram-se que alguém teria de pagar a conta.

Se fosse corrupção, ainda que enviesada, haveria pelo menos uma réstia de racionalidade em todo o processo.

Entretanto na Venezuela

O socialismo e a pobreza avançam de mãos dadas:

As Venezuela’s food shortages worsen, the president of the country’s Food Industry Chamber has said that authorities ordered producers of milk, pasta, oil, rice, sugar and flour to supply their products to the state stores

His master’s voice (2)

Como não podia deixar de ser, a seguir a uma sondagem menos favorável ou alguma contestação interna lá para as bandas do Rato, lá surge plantada no Público a notícia da praxe sobre a Tecnoforma. A conta-gotas que não se podem gastar os cartuchos todos de uma vez.

As alternativas dos alternativos: o estado do debate em Portugal (2)

Seja como for, da Segunda Grande Guerra ficará para sempre esta perplexidade, na sua formulação mais simples: como foi possível que um povo tenha contemporizado, permitido ou pactuado com o «mal»? Como foi possível que não se tenha erguido contra esse mal, que não tenha posto cobro às atrocidades que estavam a ocorrer?

Engana-se quem pensar que o texto supra se refere a um qualquer genocídio ou ditadura sanguinária presente ou passada. Como não podia deixar de ser disserta-se acerca da situação actual da Grécia. A Lei de Godwin soma e segue.

LEITURA COMPLEMENTAR: As alternativas dos alternativos: o estado do debate em Portugal

His master’s voice

Nota que os media, que deliraram com a risível participação nas primárias de um partido risível, se esforçam por justificar o processo de decisão centralizado do PS e “ultrapassagens” do líder às decisões das estruturas locais do partido.

Desiludam-se

Observador

O presidente da Câmara do Porto, Rui Moreira, defendeu a necessidade de retomar o investimento público para dar “sustentabilidade” ao setor da construção civil.

Já se sabe que o chamado “investimento público” é uma noção algo lata e difusa que pode der usado justificar qualquer tipo de despesa injustificada. Acredito que ainda exista alguém a alimentar a esperança que este esteja vagamente ligado a alguma espécie de “interesse público”. Mas o magnífico presidente da CMP não deixa margem para dúvidas. Serve para financiar interesses particulares.