25 anos sem Moscovo

“Normal Countries: The East 25 Years After Communism” de Andrei Shleifer (Harvard) e Daniel Treisman (UCLA)
(uma versão mais curta e editada deste artigio foi publicada no edição de Novembro/Dezembro da Foreign Affairs)

An anniversary is a good moment to take stock. We examine here what has changed in the countries that shook off Soviet-style tyrannies a generation ago. Gathering statistics on economic performance, living standards, health, and politics, we ask whether the facts support the prevailing narrative.

An accurate assessment matters not just for Eastern Europe. The negative view of postcommunist reform influences broader debates on global politics. Along with dire interpretations of the 2008 world financial crisis, it has caused some to see authoritarian state capitalism as the wave of the future. China is cast as a vibrant alternative to the dysfunctions of liberal democracy.

We find that objective evidence contradicts the conventional view. Media images aside, life has improved dramatically across the former Eastern Bloc. Since the start of transition, the postcommunist countries have grown rapidly. Their citizens live richer, longer, and happier lives. In most regards they look today just like other countries at similar levels of economic development. They have become normal countries—and in some ways “better than normal.”

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Uma chamada

CallForLiberty

Em Portugal há quem ache que devemos voltar ao trilho que trilhou a 3ª República. De volta à social-democracia, filha bastarda do socialismo; de volta à democracia cristã, versão beata do socialismo. De volta em volta, rumo ao socialismo, que desta é que vai ser.

Nós discordamos. Não acreditamos num sistema que trata adultos como crianças; que universaliza o assistencialismo; que perpetua a dependência. Acreditamos numa sociedade que é o resultado das escolhas e preferências espontâneas de todo e qualquer indivíduo, em plena posse das suas liberdades.

Se também acredita, convidamo-lo a estar presente na conferência “Call for Liberty” organizada pelo Instituto Ludwig von Mises Portugal, que vai ter lugar amanhã no polo da Foz da Universidade Católica Portuguesa. Irei ter a oportunidade de moderar um interessantíssimo painel que discutirá sobre Keynes e a influência que este tem tido na condução de políticas socialistas em Portugal. O seu contributo — liberal, conservador, social-democrata ou socialista — será bem vindo. A entrada é gratuita, requerendo somente registo prévio.

direito de resposta de António Costa

Na sequência do meu artigo de 4ª feira dia 29/10/2014 no Diário Económico, intitulado “Ao arremesso”, cujo conteúdo eu reitero integralmente, transcrevo em baixo “ipsis verbis” o direito de resposta do Dr. António Costa que ontem, dia 30/10/2014, foi publicado na edição impressa (p. 46) do DE.

DIREITO DE RESPOSTA

António Costa, presidente do PS e da Câmara de Lisboa, responde a Ricardo Arroja, economista e colaborador regular do Económico

Levantei três questões:

1. Último relatório de execução publicado em 17 de Setembro revela que estão por executar 4.700 milhões de euros, o que representa uma taxa de execução de 79%. O Governo respondeu que isso se reporta a Junho e que hoje já estão nos 83% e que chegarão aos 87% no final do ano.

Assim:

- confirmam atraso na execução do Qren que devia ter sido executado até Dezembro 2013;

- eu falei de factos oficiais e documentados, eles respondem com previsões;

- mesmo que cumpram o que prevêem ainda ficam por usar 2.700 milhões de euros…

- portanto atrasaram-se na execução e continuarão atrasados;

2. No OE2015 prevêem transferências da UE de 3.100 milhões de euros, o que representa menos 31% do que foi transferido este ano e representa contracção económica de 0,8%.

Responderam dizendo que confundo os fluxos da transferência com execução.

Ora:

- não confundo, comparei duas colunas do quadro da p. 104, ou seja, transferências 2014/2015 (-31%)

- podem executar mais do que a UE vai transferir? Teoricamente, sim. Mas não é crível. Sendo primeiro ano de novo quadro e tendo por isso direito a adiantamentos, o que é muito provável é que executem menos do que o volume de transferências…

- em qualquer caso, mais uma vez, eu falo de factos documentados, o Governo responde com previsões: o que é certo é que vamos receber para o ano menos 31% do que este ano.

3. O regulamento FEDER e o regulamento fundo Coesão permitem, pela primeira vez, financiar programa de reabilitação urbana para melhorar eficiência energética.

É uma grande oportunidade para Portugal. Reabilitação gera milhares de postos de trabalho e reanima toda a fileira industrial de materiais de construção.

Ora, o Governo desperdiça a oportunidade:

- limita-se a prever 200 milhões de euros, reembolsáveis, para reabilitação de edifícios de habitação de privados!!!

- na área metropolitana de Lisboa, por exemplo, só reservam 30 milhões de euros só para habitação social!!!

Viva A Desigualdade (Não À Nivelação Por Baixo)

O Coeficiente de Gini (que mede a desigualdade na distribução do rendimento) é muitas vezes referido pela esquerda como um indicador do progresso do país, como por exemplo aqui, Francisco Louçã a afirmar que Portugal é “um país mais desigual que o Egipto” – isto mesmo considerando que o PIB per capita em Portugal é mais do dobro do que no Egipto (fonte).

O Coeficiente de Gini é um valor que varia entre zero caso em que a distribuição do rendimento é igual para toda a população (uma situação de “perfeita igualdade”) e o valor de um, caso em que todo o rendimento está concentrado em apenas um indivíduo .

Neste post eu quero contestar duas afirmações muitas vezes apresentadas como dados adquiridos e que fazem parte do léxico do “politicamente correcto”:

  1. A desigualdade na distribuição de rendimento é um bom indicador para medir o progresso do país e as injustiças sociais.
  2. A igualdade na ditribuição de rendimento é possível, desejável e saudável.

Num pequeno à parte, é curioso que a esquerda só se foque na desigualdade no que diz respeito ao rendimento. Poderia igualmente insurgir-se contra a desigualdade na beleza (sugerindo que pessoas mais bonitas façam cirurgias plásticas para ficarem mais feias);  contra a desigualdade de inteligência (sugerindo que as pessoas mais inteligentes tenham menos horas de aulas e menos acesso a livros); ou contra a desigualdade de talento (sugerindo por exemplo que o Cristiano Ronaldo jogue com um saco de pedras nas costas).

Avançando e constatando o óbvio: a riqueza para ser distribuida, primeiro tem que ser produzida. Se alguém por via do seu trabalho, engenho, risco e até sorte produz mais riqueza o que é que há de injusto? No mercado, as pessoas votam com euros – e as relações comerciais (compra e venda; contratos de trabalho; etc.) só se estabelecem se de livre vontade para mútuo benefício de ambas as partes. Ilustrando com um exemplo: se o Manuel ficar em casa o dia todo a ver “A Casa Dos Segredos” (* suspiros *) e se o José tiver dois empregos, qual é a injustiça neste caso na distribuição do rendimento? A economia não é um jogo de soma zero, e o facto de alguém ficar mais rico não implica que alguém fique mais pobre.

Mais, o Estado Social, aplica coercivamente dois mecanismos redistributivos em que ambos têm como efeito a redução do valor do Coeficiente de Gini: taxas de IRS progressivas (aqui não há igualdade) e prestações sociais.

No gráfico abaixo, pode-se ver o valor do coeficiente de Gini para Portugal em relação a outros países da OCDE, já depois de aplicados os mecanismos de distribuição referidos acima (fonte). Em 2011, Portugal apresentava um valor de para o coeficiente de 0,34 contra uma média de 0,32 nos países da OCDE.

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Muito mais importante que o Coeficiente de Gini como indicador de progresso são o PIB per Capita e o poder de compra das fatia da população mais pobre. Respondendo ao Francisco Louçã: é preferível ser pobre em Portugal ou no Egipto? Este ponto é colocado de forma eloquente pela Margaret Thatcher no video incluído no final deste post. Aparentemente, os socialistas ficam mais satisfeitos se os ricos forem menos ricos e os pobres mais pobres desde que haja menos diferença de rendimento entre eles.

Expondo ainda mais ao ridículo o uso e abuso do Coeficiente de Gini numa ideia já abordada neste post e respectivos comentários. Se o Bill Gates viesse amanhã viver para Portugal, o Coeficiente de Gini iria aumentar – quem em Portugal iria ficar prejudicado ou pior nesse caso?

Outro aspecto que não é capturado no Coeficiente de Gini é a chamada “mobilidade social”. A grande maior parte das pessoas deseja melhorar a sua condição; e a sua motivação e incentivo para o fazer será tanto maior quanto forem a possibilidade e o potencial de ganho que o indivíduo percepcione. Numa sociedade em que todos recebam por igual independentemente do mérito, o incentivo para o empreendedorismo e para a actividade económica em geral será praticamente nulo – como na antiga União Soviética, em que o Coeficiente de Gini deveria ter um valor muito próximo de zero

25 anos

Está de parabéns o Diário Económico, um jornal criado há 25 anos pela iniciativa privada. Apesar das tentações e desafios do sector, conseguiu manter-se o exemplo de sobriedade e neutralidade que se exige de um orgão de imprensa económica. Que continue a ajudar no combate à iliteracia económica em Portugal por muitos mais anos.

Bom jornalismo

O jornal Expresso fez uma sondagem a 90 mil empresas para tentar perceber “O que as empresas querem”. Daqui, elaboraram a seguinte infografia.

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Portanto, o crítico para as empresas é:

  • 12% – compromissos laborais (contratos de trabalho)
  • 11% – licenciamento de empresas e projectos (alvarás, autorizações e tempo para aprovar projectos)
  • 21% – compromissos fiscais (impostos, taxas, tarifas e demais)
  • 12% – tribunais (tempo de resolução de contenciosos e outras disputas)
  • 44% – regulação

Sobre estes 44% que se referem a “regulação”, tanto a infografia como o conteúdo da notícia desconstroem na seguinte questão:

“Os procedimentos legais, estatutários e fiscais, bem como o tempo gasto, constituem um obstáculo relevante para a criação de empresas?”

A esta questão, 44% dos empresários apontaram como sendo o mais crítico para um ecossistema empresarial atractivo, saudável e funcional.


Título da notícia

Fraca regulação dos mercados preocupa empresários”

E subtítulo

Uma regulação mais forte em Portugal seria bem vinda, de acordo com 44% dos empresários.”

É, alguém chamado Pedro tem uma certa razão.

“Exercício de memória”

No debate parlamentar sobre o orçamento de Estado de 2015, o Primeiro-Ministro Passos Coelho acaba de elogiar o “exercício de memória” da deputada Cecília Meireles, e citou Manuela Ferreira Leite e os “avisos” que fez acerca de como as políticas económicas do governo de Sócrates conduziriam a “um endividamento insustentável do país” e a uma “situação insustentável para as finanças públicas”. Passos disse não só “recordar” esses avisos como “também” os deputados socialistas e os membros do “governo de então” que diziam ser aquela uma “visão catastrofista” que “nunca aconteceria”. Pena que Passos Coelho não se recorde de como, na altura, ele próprio andava a dizer o mesmo.

Constatar o óbvio

Teodora Cardoso, presidente do Conselho de Finanças Públicas, constata o óbvio: a escolha entre investimento, i.e., bens de capital, e consumo, i.e., bens de consumo, é uma escolha que pressupõe preterir de um bem em privilégio de outro. E reforça o ainda mais óbvio: consumo não é criação de riqueza, é distribuição e posterior destruição de riqueza, pois os bens deixam de estar disponíveis, embora este seja o objectivo ulterior de qualquer sociedade: vivemos para consumir, não para produzir, mas para podermos consumir temos de produzir, daí o adágio de Say.

Este problema económico não é exclusivo da dualidade investimento vs consumo, é extensível a todos os problemas que lidem com recursos escassos, em que escolhas têm de ser feitas. Às combinações possíveis que maximizam o output dá-se o nome de Fronteira de Possibilidades de Produção.

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Para um determinado nível de tecnologia, o país tem de escolher entre consumir e investir (ou entre produzir laranjas ou pêssegos, ou entre aumentar despesa saúde ou despesa educação, etc.). Para consumir mais os agentes têm de abdicar de investimento, pois diminui o rendimento disponível, e vice-versa. Ora, só existem três formas de mitigar este problema, sendo que apenas duas delas são sérias: 1) aumentar o nível de tecnologia, o que geralmente requer mais investimento e que poderá implicar abdicar de algum consumo no presente para que seja possível consumir mais no futuro (ineficiência dinâmica); 2) aumentar o endividamento externo; 3) ignorar o problema e gritar que as pessoas não são números e vidas não se medem assim.

Tendo em conta que o endividamento externo de Portugal chega agora aos 234% do PIB, resta apenas a primeira opção, perceber que maior investimento acarreta menor consumo. Ora, dado que as famílias e empresas são livres de decidir sobre a sua própria afectação de recursos, a mensagem de Teodora Cardoso é necessariamente para o Estado. Se o investimento público está em cima da mesa, há que encontrar as rúbricas em que cortar para compensar esse aumento; e se mais ajustes fiscais estão a ser considerados, então os impostos sobre o capital e sobre o trabalho deverão baixar — impostos que criam as maiores distorções ao crescimento económico —, e compensados com aumentos dos impostos sobre o consumo ou, idealmente, com reduções efectivas da despesa estrutural, aumentando assim o rendimento disponível dos agentes económicos capazes de investir.

Isto é constatar o óbvio, mas tendo em conta que o óbvio está longe de ter sido compreendido, constatar não basta. Torna-se necessário repeti-lo ad nauseum.

Uma empresa pública estratégica ao serviço do país

TAP enfrenta nesta quinta-feira segunda greve no espaço de apenas três meses

Mais um inestimável contributo para a economia e imagem do país e para a afirmação de Portugal como destino turistico de excelência. Um contributo só possível a uma empresa pública. Nem pensar em privatizá-la.

ao arremesso

“Há dias, no final do programa “Quadratura do Círculo” (23/10/2014), António Costa lançou-se numa ofensiva contra o Governo, mas estatelou-se ao comprido. Em apenas dois minutos, Costa perdeu o estado de graça.”, no meu artigo de hoje no Diário Económico.

Call For Liberty

É já no próximo Sábado a II Conferência do Liberalismo Classico na Universidade Católica do Porto Call For Liberty. A inscrição é livre e pode ser realizada em mises.org.pt.

CallForLiberty

A fúria austeritária não poupa ninguém

Notícias ao Minuto

O salário de Manuel Pinho, ex-ministro da Economia de Sócrates, vai sofrer uma valente tesourada já no próximo mês. Segundo o Expresso Diário, o administrador do BES África vai sofrer uma redução de 95%, passando dos atuais 39 mil euros mensais para ‘apenas’ dois mil euros.

E o Brasil disse “Não” à rotatividade

Hoje, no Económico:

“A democracia é a pior forma de governo, se excluirmos todas as outras”. É difícil não pensar nesta máxima de Churchill sempre que olhamos para aquilo que nos oferecem as eleições no Brasil. Sob governação do PT, há doze anos, o país prepara-se para um segundo mandato de Dilma Roussef, com a economia estagnada e um nível de insatisfação significativo junto de largos sectores da população.

O “milagre” da governação do PT, que tanto orgulha muitos brasileiros, tem assentado na via populista e fácil de distribuição de renda e subsídios em larga escala, na expansão do crédito, e na promoção de grandes eventos. O Brasil continua, porém, sem investir em infraestruturas-base, mantendo a sua economia superprotegida, algo que favorece a corrupção, transversal a todos os partidos, mas que tem atingido, segundo diversos relatórios internacionais insuspeitos, níveis inimagináveis na última década.
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Esticar até rebentar… (2)

A propósito da conta de 2100 mlhões de euros (1700 milhões de libras) que a comissão europeia enviou ao governo britânico.

“The EU has just given us another 1.7 billion reasons to leave” de Daniel Hannan

The first rule of the EU is the budget must always rise. MEPs have just voted to reverse the cap that David Cameron thought he had agreed two years ago. Whatever happens in the member states, a Eurocrat will not be parted from his money – or, rather, from your money.

“Only the spirit of Fontainebleau can reduce our soaring EU bill” de Philip Johnston

It should be remembered that Mrs Thatcher got her way at Fontainebleau by threatening to pay nothing into the European coffers. The government even printed, though never published, a draft Bill containing the legal authority to withhold the UK’s contributions. As the then Chancellor, Nigel Lawson, later recalled: “It was discreetly made known to those who we negotiated with that this is what would happen if we did not get satisfaction. Without that threat to withhold our contributions we would not have got it.” Now is the time for Mr Cameron to invoke the spirit of Fontainebleau – and dig out that draft Bill.

E Agora, Costa?

  • France tries to appease EU with ‘new’ budget Crisis-hit France, which has come under fire from the European Union for breaking the bloc’s spending rules, announced “new measures” and “clarifications” to its budget Monday to reduce its deficit by €3.6 billion ($4.6 billion).
  • Italy bows to EU pressure over budget – Italy said on Monday it was pledging “additional measures” to reduce its structural budget deficit by 0.3 percent of GDP in 2015, after it was warned by the European Commission it risked breaching EU fiscal rules.

Costa

Importa-Se De Repetir?

Hillary Clinton disse durante o seu discurso na Sexta-Feira passada em Boston: “Don’t let anybody tell you that it’s corporations and businesses that create jobs. You know that old theory, trickle-down economics. That has been tried, that has failed. It has failed rather spectacularly. One of the things my husband says when people say, ‘What did you bring to Washington?’ He says, ‘I brought arithmetic.’”

Um bom presságio

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A esquerda portuguesa congratula-se pela vitória de Dilma. Não pela vitória em si, mas porque parece que os mercados não estão a gostar lá muito de ter mais 4 anos de alguém que conseguiu fazer de uma economia com tanto potencial um anafado e atrofiado gastrópode. E se os mercados estão descontentes, isso só pode ser bom, topou?

Sobre as pressões de França e Itália para acabar com a disciplina orçamental

O meu artigo hoje no Observador – Europa: a esquerda não é solução.

A Comissão Europeia analisou as propostas orçamentais dos seus estados-membros para 2015, e verificou que algumas se arriscam a incumprir as regras orçamentais europeias. Pediu esclarecimentos. Em plena crise, a questão não é um pormenor. Até porque, em último caso, está em causa o próprio Euro. Que países são esses? França, Itália, Áustria, Eslovénia e Malta. E o que têm em comum? São governados por líderes de centro-esquerda. Não é uma coincidência: começou um combate ideológico na Europa.

Nesse combate, sabemos quem está de que lado, o que defende a Alemanha e o que consta do Tratado Orçamental. O que não sabemos é o que defendem os outros. Perante as primeiras trocas de tiros, é essa a questão que sobressai: para além de reflexo do desgaste social e político causado pelas políticas de austeridade, qual o conteúdo desta posição de resistência? Sem contar com intenções nobres acerca do crescimento económico, o que defendem França e Itália de concreto em alternativa à disciplina orçamental? Ninguém diz. Provavelmente, porque ninguém sabe. E, certamente, porque isso já não interessa. (…)

OCDE: É preciso continuar a reduzir funcionários públicos

Diário Digital

De acordo o relatório «OECD Economic Survey» hoje divulgado, a Organização considera que Portugal deve “continuar a melhorar a eficiência do setor público continuando a reduzir o número de funcionários públicos”.

Para a OCDE, esta será também uma forma de continuar a reduzir o peso da despesa com salários da administração pública.

Por outro lado, o relatório refere que apesar de o emprego público ter caído cerca de 8% desde 2012, ainda há “excesso de funcionários em áreas específicas, como as forças de segurança e a educação.

“Com mais de 450 polícias por 100 mil habitantes, a polícia portuguesa é a segunda maior força na Europa”, em termos relativos, lê-se no documento.

Já na educação, a OCDE considera que as turmas são “pequenas” e defende por isso que “a qualidade dos professores é mais importante no processo de aprendizagem do que o tamanho das turmas”.

A culpa é do mercado

20141024_210450A culpa não é do paciente que tem um obsessão com cirurgia plástica. A culpa não é do cirurgião plástico que quer ganhar uns cobres extra à custa de uma cirurgia que em termos clínicos — e esta é a parte importante — não se justificaria.

A culpa é do mercado, naturalmente, que subverte os pobres indivíduos e os pobres cirurgiões, compelindo-os a fazer cirurgias que ambos rejeitavam com abjecção.

Eleições no Brasil – aftermath

Olá Luana,

Eu gosto muito do Brasil. Tive a felicidade de viver aí durante quase meio ano e fiz muitas amizades. Para além de que brasileiro é meio português, mesmo. Ou como diria um amigo meu brasileiro, brasileiro é português à solta. Agora, eu não sei que versão da história é que vocês dão aí no Brasil. Na versão da história que eu conheço, o Brasil era Portugal, pelo que dizer que o Brasil — que não existia — era explorado por Portugal, faz tanto sentido como dizer que o Alentejo é explorado por Portugal, ou que Minas Gerais é explorado pelo Brasil. Ou seja, não faz sentido nenhum. Quanto à historinha do ouro, a coisa é assim: se você tem um relógio, não pode dizer que o roubou a si mesma. O relógio é seu. Portanto, quando Portugal foi à Terra de Vera Cruz extrair ouro, e já agora deixar umas quantas coisas construídas (conta-se que os Romanos, tirando o facto de terem construído estradas, aquedutos, ordem pública, irrigação, saneamento, instituições jurídicas, não fizeram nada), foi, em boa verdade, ao seu território dispor dele, da mesma forma que quando você está em sua casa vai até à sua sala de jantar e arranja os castiçais como bem entende. Sim, é verdade, atacamos os índios nativos, mas você saberá pelos seus antepassados que Piovani não é apelido de índio nativo, é apelido de italiano colonizador. Portanto, você não se enquadra na categoria de índios nativos que se podem queixar de terem sido expoliados, até porque os seus antepassados eram colonizadores. Ainda assim, não vamos com isso dizer que os Piovanis exploraram o Brasil, ou vamos?

Assim sendo, aproveita essa cara laroca e continua a fazer novelas da Globo, que história não é seu forte. Um beijo, tá?

Adenda: existem rumores de que a conta será fake. Tal seria em prejuízo de Luana Piovani, mas não altera em nada o conteúdo da missiva, até porque muita gente partilha dos disparates implícitos no tweet.

Acerca das presidênciais brasileiras

Depois do resultado do 1º turno, escrevia um conhecido meu a residir no Brasil: “Uma coisa eu sei, o Brasil não aguenta mais um governo do PT.“. Foi renhido. Mas apesar da boa prestação eleitoral Aécio Neves não conseguiu afastar a quadrilha do PT do Planalto. Para um país que no início do Século prometia tanto, as perspectivas são sombrias. Pelo menos caberá a Dilma e não a Aécio pagar o custo das suas políticas desastrosas.

Deve a Igreja preferir a facilidade do julgamento ou a enorme dificuldade do Amor e da Misericórdia?

A Daniela respondeu ao meu artigo no Observador e apesar de já ter prometido abster-me de temas beatos por muito tempo, é um post com partes tão erróneas no que refere sobre Igreja e fé que deixo aqui algumas notas.

1. As bitolas da fé católica são o Amor e a Misericórdia de Deus. As virtudes teologais são a Fé, a Esperança e a Caridade (i.e., Amor). Qualquer pessoa que leia o Novo Testamento entende o feroz combate que Jesus e, depois, os Apóstolos fazem ao justicialismo e a visões justiceiras de Deus. Além das parábolas que referi (e mais há), temos o ‘não julgueis para não serdes julgados’, temos a teologia da cruz de Paulo, temos o ‘se Deus está por nós, quem está contra nós?’ paulino, temos o Espírito Santo paráclito (i.e., temos o ES – Deus – como nosso advogado de defesa), e um quilométrico etc. Querer elevar a justiça a um papel que não tem – e propositadamente não tem – pode ser muita coisa, mas não é catolicismo. O tema da justiça, que aparece ao nível da praxis e não de virtude de fé, está sempre relacionado com a justiça de reconhecer a cada pessoa um reduto de dignidade e tratá-la dessa forma, não de recompensa dos justos e punição dos incumpridores. A justiça vista da forma terrena é tão ausente do catolicismo que a Igreja – como se viu no caso dos padres pedófilos ou do assassino ‘inconseguido’ de João Paulo II (para dar um exemplo criminoso e outro misericordioso) – tem mesmo dificuldade em ver-lhe utilidade e usá-la.

2. A Igreja não tem de ficar de porta aberta à espera de que quem concorde queira entrar. É certo que há muito setores que querem ser um grupo pequenino de puros, com regras de entrada estreitas, mas também não é isso o catolicismo. Inerente ao catolicismo está – e, mais uma vez, vem no chato que é o Novo testamento – a missionação e a evangelização. Foi isso que transformou a Igreja no que é hoje. E usaram-se argumentos tão avassaladores e intelectualmente refinados como o da imagem que deixo abaixo, do Qorikancha, um mosteiro dominicano construído literalmente em cima de um local de culto inca, em Cuzco. Ou seja, através de esquemas como por os locais de culto cristãos onde estavam os anteriores pagãos conseguiu-se converter os nativos de um continente. Imaginam-se portanto os critérios exigentes para com os fieis que vinham associados a esta fineza teológica. A ideia: preferia-se ter as pessoas dentro da Igreja, mesmo que devido ao hábito de ir prestar culto à divindade no local do costume, do que exigir-lhes concordâncias absolutas com isto e com aquilo antes de as deixar entrar. Conclusão: estar dentro de uma Igreja com um porta aberta onde ninguém entra – não vamos olhar para o lado da crise de vocações ou dos números de católicos nas missas e nas outras atividades da Igreja a diminuirem, ou vamos? e também vamos fingir que a inveja e a bufaria dentro da Igreja católica não eram incentivadas em setores tradicionalistas perante o sucesso dos progressistas? – pode ser muita coisa mas, mais uma vez, não é catolicismo.

Qorikancha3. Quanto à parábola do aluno da Daniela, é rápido. De facto o difícil nesta maluquice do cristianismo inventado por Jesus é que foge completamente aos critérios humanos. Todos passariam, mesmo, desde logo porque não falamos de recompensas profanas. É uma religião que até tem um ‘bom ladrão’. A parábola da Daniela é precisamente o oposto da parábola dos trabalhadores da vinha. Eu, que tenho como fé o cristianismo, prefiro a versão de Jesus à da Daniela.

4. É sempre muito prático ignorar a História da Igreja e assumir que esta é a primeira vez que a Igreja tem convulsões que levam a que trema e se transforme. Voltando à Bíblia, está lá bem explicada a guerra entre a fação conservadora (Pedro e Tiago) que queria manter o respeito à lei mosaica e a de Paulo, que via como desnecessários os preceitos judaicos. O que se adotou foi esse grande abandalhamento da Igreja (como agora se diria) proposto por Paulo. Mesmo a comunhão tem vindo a ser cada vez mais democratizada, depois de séculos em que foi algo reservado para os dias de festa e para as pessoas mais importantes. A comunhão como algo corrente e que até pode ser diário, a comunhão de crianças,… é tudo recente na Igreja. E não deixou de ser considerado mais um abandalhamento da Igreja pelos conservadores de cada altura.

5. Concordo com a Daniela: a Igreja não pode comprometer as suas verdades fundamentais para agradar ao mundo. Sucede que para mim as verdades fundamentais são a vida, a morte e ressurreição de Jesus (por sinal a tradição oral mais antiga de todas do cristianismo) e o amor e a misericórdia de Deus. Segundo o post da Daniela, a verdade fundamental presume-se serem o catecismo e a lista dos que podem comungar.

6. A Igreja é e deve ser diversa. Continuar a ler

Passos Coelho, o PSD, e a dúvida de Mick Jones

“Não pensem que me vou embora”, terá dito, segundo o Sol, o Primeiro-Ministro Pedro Passos Coelho, quando na passada semana se reuniu com dirigentes das estruturas distritais do PSD. Passos terá garantido às “hostes laranja nervosas com os problemas na coligação, a eleição de António Costa e o Orçamento do Estado” e “a quem lhe cobiça o lugar”, que, tal como “a política não acaba” e “o PSD não acaba”, também o próprio Passos Coelho não se deixará finar: “vou estar aqui”, terá dito.

A 10 de Junho de 1982, os The Clash lançavam uma canção, aparentemente escrita pelo guitarrista Mick Jones, em que este deixava no ar uma interrogação a quem o ouvisse: “should I stay or should I go?”. Passos Coelho, aparentemente, não se deixa assaltar pelas dúvidas de Jones, mas talvez devesse. Se porventura Passos se dirigisse a mim e, como Jones, me dissesse “come on baby let me know, should I stay or should I go?”, eu dir-lhe-ia, primeiro, que agradeço a simpatia mas que não me tratasse por “baby” já que não temos familiaridade para isso, e segundo, que sim, devia ir. Mas não de qualquer maneira.

Em 2005, o então líder do Partido Conservador britânico, Michael Howard, não conseguiu derrotar o então Primeiro-Ministro Tony Blair nas eleições gerais que tiveram lugar nesse ano. Howard rapidamente percebeu que não teria grandes condições de continuar na liderança do seu partido, e por isso, logo após a derrota eleitoral, anunciou que iria abandonar o cargo. Mas anunciou também que as eleições para a escolha do seu sucessor teriam lugar apenas seis meses depois. À data, lembro-me que a decisão de Howard foi muito criticada, por prolongar excessivamente uma campanha eleitoral interna que iria pôr a nu – e talvez provocar – profundas divisões internas que apenas desagradariam ao eleitorado. Mas essa decisão veio a mostrar ter sido acertadíssima. Pois a tal campanha longuíssima a que deu lugar, longe de danificar a imagem do partido, foi essencial para a sua recuperação: todos os candidatos foram testados, tanto na sua capacidade de captar votos como na consistência e coerência das propostas que apresentavam, e ao fim desses seis meses, não só o partido tinha conseguido ultrapassar muitas das divisões que o haviam atormentado nos anos anteriores, como a qualidade dessa discussão (principalmente, entre David Cameron e David Davis) mostrou aos eleitores que o Partido Conservador já não era um simples clube de boxe, mas um partido com uma alternativa para oferecer. Quando David Cameron, nos anos subsequentes, conseguiu mudar o seu local de residência para o Nº10 de Downing Street, muito ficou a dever a essa decisão de Howard de prolongar a campanha para a sua sucessão.

Quer queira aceitá-lo ou não, Passos Coelho não terá condições para ficar como líder do PSD por muito mais tempo. Quer queira aceitá-lo ou não, Passos pode ter impedido a bancarrota de Portugal, mas foi incapaz de impedir a falência da sua governação. Sem ter controlado de forma efectiva a despesa pública, e sem ter feito a “reforma do Estado” que Paulo Portas foi forçado a tirar da gaveta mas que nunca passou do papel, Passos Coelho não fez mais do que manter o sistema estatista que herdou dos tristes tempos do socratismo, apenas com menos dinheiro no bolso dos eleitores, fruto das subidas da carga fiscal e cortes de salários e pensões que operou. O resultado desta sua política, infelizmente – para ele e para todos nós – juntou o pior de dois mundos: provocou contra si o descontentamento que medidas impopulares sempre provocam, sem que essas medidas impopulares se tenham traduzido numa correcção dos problemas que afectam o país, que – ao contrário do governo em acelerado estado de zombieficação – continuam aí bem vivinhos.

Por isso mesmo, seria bom que Passos (e Portas, já agora, mas isso são outros quinhentos) deixasse de “estar aqui”. Se a sua política faliu, seria do mais elementar bom senso permitir a quem eventualmente tenha uma outra ideia do que deve ser o papel do PSD no país e no seu governo tomar-lhe o lugar, e apresentar essa mesma ideia aos portugueses, e ver o que eles acham dela. Ora, para que esses mesmos portugueses não se limitem a fazer orelhas moucas ao que essa hipotética pessoa lhes tivesse para dizer, Passos Coelho não poderia sair de qualquer maneira. Teria de sair como Howard saiu: no seu caso concreto, dizendo que iria continuar no Governo até ao final do mandato (ou até umas eleições legislativas marcadas para uma data no início do Verão), mas que não se recandidataria ao cargo de Presidente do PSD, e marcando as eleições directas no partido para um prazo nunca inferior a seis meses. A razão é simples: a governação de Passos Coelho não só foi um fracasso como, ao agravar a já anteriormente enorme desconfiança dos eleitores em relação à classe política, tornou muito difícil que quem vier a seguir possa vir a ser melhor sucedido. Em particular, o PSD ficou bastante fragilizado pela imagem do Governo e a associação (natural e inevitável) do partido à sua política. A única forma de uma futura liderança com ideias alternativas à actual ser ouvida pelos portugueses como algo real, como algo que não um mera encenação oportunista para se “afastar” da “imagem” do passado recente, será com um debate sério e demorado entre os putativos candidatos, em que todos eles sejam testados e os portugueses possam, com tempo e atenção, ver quem tem realmente algo a dizer-lhes e quem não passa de fogo de vista. Só uma verdadeira discussão, e uma discussão longa e o mais aberta possível, poderá mostrar aos eleitores que o PSD não é apenas o partido do governo falido que se vai arrastando no poder, mas também um partido onde há quem tenha soluções alternativas para o país. Isto, claro, se o PSD for mesmo esse partido. Mas para termos uma oportunidade de verificar se é ou não é, Passos terá que sair, e sair de uma forma que mostre que pensa mais no país do que na imagem que tem de si próprio de alguém nunca desiste.

Convencionalismos socialistas de fim de semana

Ontem dei com esta entrevista de Maria Antónia Palla ao i (que ter uma mãe interessante também tem cachet eleitoral). Lá se fala da família de MAP, que, apesar de não católica e republicana, era tão puritana, tradicionalista e controladora dos seus membros femininos como as mais estritas famílias católicas. Não é a primeira vez que me deparo com esta característica – a esquerda progressista e defensora de todo o tipo de igualdade menos aquela que lhes transtorne a vida famíliar e os ponha a ir ao supermercado e a mudar fraldas e dar banho à filharada. (Atualmente a rapaziada esquerdista já é mais partipativa, mas tanto quanto a rapaziada de direita e são mais influenciados pelos ambientes urbanos, educados e cosmopolitas do que pela ideologia.) E esta é uma experiência quase universal das mulheres de esquerda of a certain age. Zita Seabra conta isso mesmo na sua experiência de clandestinidade em Foi Assim, Doris Lessing relata-a de forma mais ou menos autobiográfica através de Martha Quest e as entrevistadas por Cecília Barreira em Confidências de Mulheres, Anos 50-60 lá o confirmam. (Em referência ao Nobel de Lessing, tenho de confessar que os Nobel de Alice Munro e Mo Yan dos últimos anos me reconciliaram um tudo nada com estes prémios.) E basta olhar para as ministras dos governos PS – sempre restritas às áreas tradicionalmente femininas: Saúde, Educação, Segurança Social, Ambiente para a mulher prestadora de cuidados da família, a educadora dos filhos, a dona de casa gestora e poupadora de recursos; Cultura para a tradicional anfitriã que junta nos seus salões a elite social e a elite cultural; e exoterismos como ministra da Igualdade para Maria de Belém continuar a ser ministra – para perceber que esta visão machista é intrínseca ao PS. Na tomada de posse do último governo de Sócrates foi ridículo ver como os quatro últimos lugares da hierarquia do governo eram ocupados por mulheres. (O PSD – que também tem abundantes falhas neste ponto, como a minha amiga Sofia Vala Rocha bem costuma apontar – e o CDS – idem -, apesar de tudo já tiveram por duas vezes ministras das finanças e uma ministra da Justiça.)

E já que estamos a falar de convencionalismos, e porque os ambientes que criamos para viver dizem muito sobre nós próprios, a sala de Maria Antónia Palla não podia ser mais convencional. Bonita, e com as paredes num leve tom de verde, que eu aprovo wholeheartedly (sou uma pessoa incapaz de viver em casas de paredes brancas e os meus quartos são sempre pintados de verde claro), e com as portas e rodapés brancos (outro requisito) e adoro soalhos antigos (e casas velhas, também). Mas oh quão tradicional.

Manuel Pinho e o GES

Lembram-se da candidatura portuguesa à Ryder Cup 2018? Inexplicavelmente o então ministro Manuel Pinho decidiu que o local da prova seria a Comporta em detrimento (por exemplo) do Algarve onde não era necessário construir infra-estruturas de raiz e que já era um destinho turistico de excelênca. Ou se calhar não foi assim tão inexplicável. Manuel Pinho já tinha ligações profissionais ao GES e como explicava o Hélder tentava dar um “empurrão” aos projectos turisticos da familia Espirito Santo que para além da publicidade veria muitas infra-estruturas financiadas com dinheiro dos contribuintes.

Isto valia bem uma choruda reforma antecipada. Entretanto a França ganhou a candidatura e este plano fantástico foi por água abaixo.

Sobre as greves no Metro de Lisboa

O meu artigo de hoje no Observador: Pela libertação do Metro de Lisboa.

No meio desta verdadeiramente deplorável situação – que nenhum Governo parece ter coragem para resolver – a CGTP tem ainda o descaramento de repetidamente invocar que a regular paralisação do Metro de Lisboa é feita em nome da defesa do “serviço público”. Na realidade, o que a CGTP realmente faz é aproveitar a circunstância de basicamente controlar uma empresa estatizada num sector onde é relativamente fácil por razões técnicas bloquear completamente o funcionamento do serviço. A partir daí, e em total desrespeito pelos utentes, as greves e plenários no Metro de Lisboa são convocados ao sabor da agenda política do PCP, compensando mediaticamente a fraca representatividade e capacidade de mobilização dos sindicatos na generalidade dos sectores de actividade.