Campanha Eleitoral (II): Costa anuncia o Terceiro Milagre de Fátima

Costa andou ontem em campanha pela capital. O ex-Presidente da Câmara de Lisboa, acompanhado do actual Presidente, antes, seu Vice, criticou o governo, sem se rir nem mostrar os dentes, de “usar e abusar das funções do Estado para fazer campanha”. “É escandaloso”, assumiu, exibindo uma enorme lata ambivalência facial quando, embevecido, Medina lhe mostrava as placas com o seu nome junto da “obra feita”:

“Viste isto tudo feito?”, perguntou Medina, no Jardim da Cerca, a última paragem. “Senhor presidente muitos parabéns! Grande trabalho”, respondeu Costa. “A placa está lá em cima”, disse Medina, rindo-se. A placa com o nome de Costa, agora cabeça-de-lista do PS por Lisboa e candidato a primeiro-ministro nas legislativas de 4 de Outubro.

Durante o passeio, o autarca e o ex-autarca mostraram aos portugueses como se desenham as cores do arco-íris, cantando alegremente, “A obra é do Costa, as culpas são do Medina”:

Já na Mouraria, um senhor queixou-se da recolha do lixo, apontando parados dois caixotes do lixo a transbordar e para Costa. “Ele agora está inocente. O culpado sou eu”, interveio Medina.

Na segunda parte do concerto, entoaram, “vamos baixar os impostos aos portugueses, como baixamos os impostos aos Lisboetas”:

O líder do PS acena (…) que também diminuiu (…) os impostos para os lisboetas.

Menos impostos, mas sempre, mais cheques para dar à populaça: o passeio teve o seu clímax quando, com pompa e circunstância, o Desejado anunciou o Terceiro Milagre de Fátima, “Esqueçam a Economia, morte ao Excel, é tudo uma questão de Fé: menos impostos, e mais cheques, é o Fim da Austeridade”, entusiasmo que irá levar provavelmente Mário Centeno a ter de fazer mais um pre-Orçamento Rectificativo, o terceiro e ainda nem sequer formaram Governo:

Costa anunciou mil milhões de euros para um programa de reabilitação urbana, que já constava do programa socialista mas ainda sem orçamento.

Infelizmente, o mundo está difícil e complicado, na Grécia deu-se o mote, e até no PS, nem tudo são rosas: vai daí, alguém decidiu cantar o fado, “Afinal, e o aumento do IMI?”:

O pequeno comício (…) terminou também com fado. “O fado (…) é (…) uma canção de um povo sofrido que chora com amargura mas com muita coragem, que não vira a cara à luta, dá o corpo ao manifesto e acredita no futuro”, concluiu António Costa. (…) Um homem que (…) tinha andado a distribuir panfletos contra o aumento do IMI (…) acabou por ser afastado (…) gerando-se um momento de tensão, mesmo no final do primeiro dia em registo de campanha. 

Apesar de tudo, dá a sensação que, rosas contadas, e expulso o gajo que trazia os espinhos, foi bonita a festa, pá!

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Campanha eleitoral (I): quem tem medo da Democracia?

Muito se tem discutido sobre qual o papel que o CDS-PP deve ter nos debates eleitorais e na campanha, em especial, no grande debate agendado para o dia 22 de Setembro, no qual a Coligação deseja que participem, não apenas Pedro Passos Coelho, mas também Paulo Portas.

O Bloco de Esquerda e o Partido Socialista opuseram-se à presença de Portas, defendendo a sua posição com o argumento que tal significaria uma duplicação do espaço da Coligação na defesa do seu programa. Costa chegou a afirmar que a presença de Portas representaria uma violação das regras do jogo, uma vez que nessa situação “o PS jogaria com 11 jogadores, e a Coligação, com 22”.

A questão não é linear, e sou o primeiro a reconhecer que, quando se colocou, não mereceu da minha parte uma posição imediata. Após ouvir os vários argumentos, consultar a Lei Eleitoral, e pensar a frio sobre o assunto, considero que a posição de Paulo Portas não só é perfeitamente legítima, como é aquela que melhor defende os interesses dos eleitores e da democracia.

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Campanha eleitoral

A partir de hoje, vou dedicar-me a fazer análise de alguns aspectos mais relevantes da campanha eleitoral. Os posts serão publicados aqui, mas igualmente divulgados no velhinho Blue Lounge, para ordenar o arquivo. Tentarei fazer sobretudo uma apreciação crítica dos aspectos programáticos, para além dos factores mais evidentes, além obviamente dos principais fait divers que naturalmente todas as campanhas eleitorais produzem. Em alguns posts não serei breve, pois não é da minha natureza :) Só lê quem quer :)

as virtudes do socialismo

Terminei a leitura de um livro de Victor de Sá, chamado A Crise do Liberalismo e as Primeiras Manifestações das Ideias Socialistas em Portugal (1820-1852), que me interessa porque eu próprio ando há alguns anos (inicialmente por desporto e, agora, em princípio, também com intenções académicas) a tentar perceber por que razão as ideias liberais clássicas nunca singraram em Portugal, apesar da nossa ligação histórica à cultura e à política anflo-saxónicas. É certo que o liberalismo é uma doutrina que se generaliza, na política, no século XIX, e que Portugal, apesar de ter tido uma má relação com os ingleses no princípio desse século e nunca ter deixado de ter uma profunda ligação a França, onde o liberalismo* era verdadeiramente um estatismo legalista, defensor dos direitos do cidadão e não exactamente dos direitos do indivíduo, manteve no ciclo do seu primeiro constitucionalismo ligações à cultura e à política de Inglaterra, sendo muitos dos liberais triunfadores de 1834 emigrados nesse país, como Palmela e Saldanha.

Victor de Sá era um velho comunista intelectualizado, daqueles de quem Álvaro Cunhal costumava desconfiar e pôr na reserva do partido. O gramscianismo nunca entusiasmou o velho líder comunista e os «intelectuais orgânicos» eram avis raras no paraíso comunista. O melhor era evitar misturas. Contudo, Victor de Sá foi sempre muito considerado no partido, tendo mesmo sido o primeiro deputado comunista eleito no norte do país. Esse curriculum, se não lhe acrescenta méritos, também não lhe retira a qualidade de ter sido um bom escritor e, na medida do que é possível num comunista adepto do «marxismo científico» e da análise da história pela dialética da luta de classes, o que escreveu lê-se muito bem e tem mérito. Tal como as cebolas ou as matrioskas (que ele certamente muito apreciaria), retirada uma primeira camada ou aberta uma primeira boneca (a luta de classes como método «científico» de interpretação da História), o que fica por baixo tem interesse e proveito. E é bem escrito.

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Black Ribbon Day

Embora com um dia de atraso (o dia é observado no dia 23 de Agosto), assinalo neste post o dia Europeu de Lembrança das vítimas do Estalinismo e do Nazismo também conhecido como Black Ribbon Day. O dia recorda os milhões de vítimas de regimes totalitários, especificamente do comunismo/estalinismo, do fascismo e do nazismo.

BlackRibbonDay

Sobre O Modelo Das Estimativas De Mário Centeno

Começo este post, subscrevendo e reforçando o apelo que o Carlos Guimarães Pinto já efectuou para que o PS disponibilize a folha de cálculo utilizada no seu cenário macro-económico. Até o PS disponibilizar essa folha de cálculo, considero que os seus números são inventados.

anteriormente tinha criticado a pretensão do “grupo de sábios” em apresentar um modelo que dá impressão de ser incrivelmente preciso – o que revela que o grupo por trás do tal cenário macro-económico desconhece (ou não torna visível) as limitações de previsões macro-económicas. Para dar um exemplo, nas várias medidas desdobradas – e que o PS considera completamente perfeitamente independentes, o modelo vai ao ponto de quantificar o número de empregos criados por ano e até ao nível das unidades – e isto durante quatro anos como se pode ver num dos quadros de exemplo (retirado da página 11).

quadro_ps

Este modelo vem também com as credenciais de um partido que a) prometeu criar 150 mil empregos na sua primeira legislatura; b) deixou o país às portas da bancarrota na sua última governação em 2011; e c) que ele próprio está em falência técnica (aparentemente, o modelo só pode ser aplicado a nível macro e não micro). A juntar a isto tudo, como o Carlos Guimaráes Pinto realçou, apesar do PS tanto criticar o estado da economia nacional como resultado do governo actual, o PS promete já na próxima legislatura um crescimento económico como não há memória neste páis.

Aproveito este post para lançar as seguintes questões aos autores do tal estudo macro-económico:

  1. Os 207 mil empregos são empregos sem termo, ou são empregos precários (contratados a prazo)?
  2. São empregos de qualidade bem remunerados baseados na inovação e no conhecimento ou são empregos com salários baixos?
  3. Especificamente, em que àreas é que serão criados os empregos: construção, indústria, turismo, restauração, tecnologias de informação, saúde, educação, serviços? Um modelo tão poderoso certamente considerará as diferentes dinâmicas de cada sector.
  4. Na taxa de desemprego considerada no modelo, estão excluídas as pessoas que estão a realizar estágios; que frequentam programas ocupacionais; as pessoas que desistem de procurar emprego; e as pessoas que saem do país?

Termino este post renovando mais uma vez o apelo ao Mário Centeno para que seguindo as melhores práticas, disponibilize a folha de cálculo utilizada na elaboração do cenário.

Quanto Tempo Se Pode Manter No Poder Um Governo De Esquerda Radical?

Recuperando os resultados desta sondagem realizada no final de Janeiro deste ano aqui n’O Insurgente, há que dar os parabéns aos leitores do blogue que acertaram quase na mouche na duração do governo de esquerda radical neo-liberal de Alexis Tsipras:

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No Fio da Navalha

O meu artigo de hoje no jornal ‘i’.

P.S.: Os meus dois artigos publicados nas duas primeiras semanas de Agosto – A linguagem; Ceuta.

Regresso a casa

Nunca me queixo de regressar ao trabalho. Atenção, caro leitor, que eu gosto das minhas férias. Passo-as com a família e entre amigos, no meio de conversas à beira de água, bem cedo na praia, devido ao filho pequeno, e que se estendem até à noite quando a preguiça antecede o dia seguinte.

No entanto, não sinto a angústia do regresso ao trabalho. Pelo contrário, se há altura no ano que aprecio em Lisboa é no final de Agosto, quando na capital se ouvem as cigarras e esta nos permite o que qualquer cidade digna desse nome nos pode dar, mas sem o amontoado de gente que durante o ano a ensurdece.

Lisboa respira no meu regresso de férias e eu, devidamente repousado, volto cheio de ideias e de projectos. Duas semanas de descanso enchem a cabeça de qualquer um. E o regresso a casa é um prazer a que se soma o lento declínio do Verão que registo com cuidado e gosto: as tarde ainda quentes, embora já mais curtas, um ou outro dia de chuva no entremeio e o cheiro da terra molhada a lembrar que Setembro está já aí.

O dia em que a brisa branda e agradável dá lugar ao vento que sopra frio e forte, prende-nos a atenção. E os dias com os pés a chapinhar na água morna de um mar sem ondas, torna-se na recordação de algo aprazível que se substitui por uma coisa boa, como a expectativa do regresso a casa numa cidade cheia, agitada, caótica e cansativa.

 

O factor Sócrates

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José Sócrates: Operação Marquês feita para “condicionar as próximas eleições e impedir a vitória do PS”

Numa carta enviada ao Jornal de Notícias e à SIC, o ex-primeiro-ministro José Sócrates escreveu que foi preso “sem que existissem quaisquer provas” e que a sua prisão é feita por motivos políticos e não judiciais.

Reacções do PS ao crescimento do PIB do 2ºT

O João Galamba, em reacção aos dados publicados pelo INE para o 2º trimestre, que antecipam um crescimento de 1.5% face ao período homólogo, acima da média da União Europeia (1.2%), diz que não houve alterações estruturais da economia portuguesa, e que a aposta nas exportações falhou.

Vamos ajudar o João Galamba. Por email ou via Twitter, vamos mostrar-lhe a alteração estrutural da economia portuguesa. Vamos todos enviar-lhe este gráfico. Deputados informados são uma mais-valia para Portugal.

Balanca_Comercial

PS chega à conclusão que a “ajuda do estado” é desnecessária

PS atribui aos empresários mérito da recuperação da produção industrial

Agora só falta perceber que a intervenção estatal é contraproducente. Já não falta tudo para deixar de ser socialista.

As Vantagens De Se Ter Empresas Públicas – A Todos O Que É De Todos

Ainda bem que o sector empresarial do estado não busca “o lucro” mas sim o “interesse da sociedade em geral”. Tenho a certeza que os contribuintes terão ficado muito satisfeitos em saber que o dinheiro dos seus impostos é assim tão bem aplicado:

“No primeiro trimestre deste ano, as empresas do Estado apresentaram prejuízos de cerca de 378 milhões de euros.

Os prejuízos do sector empresarial do Estado aumentaram 5% no primeiro trimestre de 2015 face ao ano passado, devido sobretudo ao comportamento da TAP e do Metropolitano de Lisboa, divulgou a Direção-Geral do Tesouro e Finanças (DGTF)” – fonte.

Felizmente ainda que temos um candidato a primeiro-ministro que promete tudo fazer para manter a TAP no domínio público.

Eu também não fui

Observador

O PS garante que os cartazes não eram da autoria de Athayde. Fontes da direção dizem que foi Vítor Tito, publicitário portuense. Tito diz que nada tem que ver com os cartazes. O mistério adensa-se.

Ainda a propósito dos cartazes falsos do PS, acho extremamente curioso que tenham conseguido “enganar” dirigentes do próprio partido.

Previsível

Ascenso Simões demite-se da direção de campanha do PS

“Quem é responsável por uma máquina deve assumir todas as falhas”. Ascenso Simões escreve na sua página no Facebook que já informou António Costa da sua demissão, a menos de dois meses das eleições.

Life is too short

kafka2“If youngsters are being deterred from starting their own businesses then they are hardly to be blamed. Who wants to have to spend most of their time, effort and intellectual energy steering a path through a vast forest of regulations, directives and laws only to watch the taxman take a big, wet, juicy bite out of the little profit you have managed to earn. And, to top it all off, you then switch on the TV or open the morning newspaper only to be told that you are ‘the enemy of the people’. Contrast this with going for a job in the public sector which will give you a guaranteed income, a job for life and the steadfast loyalty and service of the political classes. It’s a no-brainer. Life is too short.”

O caso de Porto Rico

Há dois dias atrás, Porto Rico entrou em default. Porto Rico é um Estado não-incorporado, situação que se arrasta desde o término da guerra com Espanha (1898), quando se deu a secessão. Segundo o Supremo Tribunal de Justiça, Porto Rico é um território que pertence aos EUA, mas que não faz parte dos EUA.

A falência de Porto Rico é um interessante caso de estudo sob as mais variadas perspectivas:

  1. Há cerca de um mês atrás, Jack Lew, secretário-geral do Tesouro dos EUA, intrometia-se em assuntos europeus, recomendando a rápida resolução do caso grego. A esquerda, sempre pronta a criticar a intromissão americana em assuntos externos, concorda e acena embevecida, agradecendo e agraciando-se com a maravilhosa prestação de Barack Obama, que assim salvava a Europa.
  2. A falência de Porto Rico demonstra também a falibilidade do pressuposto de infalibilidade de uma federação, ilusão partilhada pelos europeístas federalistas. Desde 1898 que a magnânima federação dos EUA é incapaz de resolver o estado do Estado de Porto Rico, e foi incapaz de salvá-la da bancarrota, tal como advogava para o caso grego.
  3. Porto Rico perfilha dos mesmos problemas económicos e financeiros que afectaram países como Portugal ou Grécia. O Krueger report elenca alguns: (a) problemas estruturais e finanças públicas descontroladas que deram origem a uma década de crescimento anímico e elevada dívida pública; (b) falta de confiança dos mercados na sustentabilidade da dívida pública, o que conduziu a um aumento significativo das taxas de juro, análogo ao que sucedera a Portugal em 2011, criando assim um problema financeiro; (c) falta de competitividade interna e externa, que conduziram a uma baixa empregabilidade. Em particular, um salário mínimo federal muito elevado comparativamente ao salário médio estadual e um mercado de trabalho rígido.
  4. Screen Shot 2015-08-06 at 11.00.01Screen Shot 2015-08-06 at 11.03.05Tal como no caso português e grego, Porto Rico acumulou anos de défices orçamentais, o que conduziram a um aumento significativo da dívida pública.Screen Shot 2015-08-06 at 11.03.45puerto-rico-annual-budget-deficit-budget-deficit_chartbuilder
  5. O plano de recuperação proposto a Porto Rico inclui medidas como: redução do salário mínimo, flexibilização do mercado de trabalho, consolidação orçamental (pela via da receita através do aumento do imposto sobre o consumo e sobre a propriedade, e pela via da despesa através de cortes variados across the board, ou, na nossa terminologia, «cortes cegos»), restruturação voluntária da dívida pública (roll over da dívida em maturidade e taxa de juro, semelhante ao que Portugal tem feito). E, não menos importante, um plano de credibilidade perante os credores.
  6. Em suma, a solução para Porto Rico envolverá, mais do que bridge loans, reestruturações e mais empréstimos, consolidação orçamental (vulgo, austeridade) e reformas estruturais. Quem diria.

Surpresa!

‘Taxa Google’ fracassa em Espanha com prejuízo de dez milhões para os media

Seis meses depois da entrada em vigor da chamada ‘Taxa Google’ em Espanha, a balança pende mais para os danos que a medida trouxe ao sector do que para os benefícios. Uma análise, realizada a pedido dos editores espanhóis, estima um prejuízo de dez milhões de euros para os media ao fim de um ano e diz que “não existe qualquer justificação, seja teórica ou empírica, para a introdução de uma taxa a ser paga pelos agregadores”. A conclusão é taxativa e relança o debate sobre a sustentabilidade dos meios de comunicação social na era digital.

LEITURAS COMPLEMENTARES: Balsemão quer pagar tráfego à Google; Editores Espanhois Querem O Regresso Do Google News; Internet sem Google

Hiroshima – Foi Há 70 Anos

Truman_HiroshimaNo dia que marca o 70º aniversário do primeiro lançamento de uma bomba atómica (a famosa Little Boy a partir do também famoso bombardeiro Enola Gay) na cidade de Hiroshima no Japão e cujo número de vítimas se estima entre 90.000 e 166.000 – na sua grande maioria civis, recomenda-se a leitura do seguinte artigo: Harry Truman and the Atomic Bomb.

Thus, the rationale for the atomic bombings has come to rest on a single colossal fabrication, which has gained surprising currency — that they were necessary in order to save a half-million or more American lives. These, supposedly, are the lives that would have been lost in the planned invasion of Kyushu in December, then in the all-out invasion of Honshu the next year, if that had been needed. But the worst-case scenario for a full-scale invasion of the Japanese home islands was forty-six thousand American lives lost. The ridiculously inflated figure of a half-million for the potential death toll — nearly twice the total of US dead in all theaters in the Second World War — is now routinely repeated in high-school and college textbooks and bandied about by ignorant commentators. Unsurprisingly the prize for sheer fatuousness on this score goes to President George H.W. Bush, who claimed in 1991 that dropping the bomb “spared millions of American lives.”
[…]
Though to save life is laudable, it in no way justifies the employment of means which run counter to every precept of humanity and the customs of war. Should it do so, then, on the pretext of shortening a war and of saving lives, every imaginable atrocity can be justified.

I wonder

Perante estes dados será que continuam a haver defensores da tese que teria sido melhor nacionalizar o BES?

Dívidas de 2614 milhões de euros e ativos de apenas 193 milhões de euros. Estas serão as contas ao passivo e ao ativo que ficaram no Banco Espírito Santo depois da resolução, segundo avança a TVI que aponta para uma insuficiência, um “buraco”, de cerca de 2400 milhões de euros no BES

Não se faz

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A justificação não podia ser mais convincente

Esta decisão surge depois de o PS ter percebido que “a função do cartaz já estar cumprida”. Introduz “uma linguagem de rutura com comunicação política corrente para marcar a viragem de página e reforçar a associação de confiança a António Costa e ao PS”, explica uma fonte em declarações ao i

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Os Combustíveis Sociais

Sempre que pagarem por um litro de gasolina podem ficar com a satisfação de contribuirem com 60% do valor para o estado, contribuindo assim para a sustentabilidade do estado social. Para quem utiliza gasóleo, a satisfação é ligeiramente inferior – apenas 51% do valor reverte a favor do estado (fonte: Apetro – dados de Julho de 2015).

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Che Guevara, la máquina de matar

Alvaro Vargas Llosa no El Pais

En enero de 1957, como indica su diario de Sierra Maestra, Guevara mató de un disparo a Eutimio Guerra porque sospechaba que estaba pasando información al enemigo: “Acabé con el problema con una pistola del calibre 32, en el lado derecho de su cerebro… Sus pertenencias ahora son mías”. Luego dispararía a Aristidio, un campesino que expresó su deseo de abandonar la lucha cuando los rebeldes se trasladaran a otro lugar. Mientras se preguntaba si esta víctima en concreto “realmente era lo suficientemente culpable como para merecer la muerte”, no le tembló el pulso a la hora de ordenar el asesinato de Echevarría, hermano de uno de sus camaradas, por crímenes no especificados: “Tenía que pagar el precio”. En otras ocasiones simulaba ejecuciones, aunque no las llevara a cabo, como método de tortura psicológica.

1984

José Meireles Graça no Gremlin Literário

Sempre suspeitei que o cartão de cidadão, com a possibilidade de armazenar dados, e os seus três ou quatro pins que é preciso memorizar, era uma pedra na tumba das liberdades; e que seria apenas uma questão de tempo até que um dos controleiros que pululam no governo e fora dele – a falta de respeito pela liberdade é, na esquerda, um dado adquirido em nome da igualdade e, na direita, quando ocorre, em nome da segurança, da eficiência, da ignorância ou da inconsciência – começasse a tirar partido do mundo de possibilidades que a informática oferece.

Aí está. E em vez de se ver a iniciativa por aquilo que é, um perigoso passo para amanhã se começarem a tratar dados e com base neles se imiscuírem Savonarolas da saúde pública, como o Secretário Leal, na relação médico-doente, ensinando uns a prescrever e outros a adoptar os comportamentos que as autoridades acham recomendável, censura-se os médicos porque – ó escândalo! – apenas metade “tem Cartão do Cidadão ou da sua Ordem”.