O fabuloso destino de Ana Drago

Passa pela esquerda e pela eterna soma de divisões canhotas

A ex-dirigente do Bloco de Esquerda Ana Drago assumiu, esta quarta-feira, a criação de uma plataforma política de esquerda que congregue “movimentos que já estão no terreno” que tenha a “seriedade e humildade” de ser colocada “perante os votos dos portugueses”.

 

O Ranking das Esquerdas Mais Convergentes sempre esteve ultrapassado pela realidade interventiva d@s cidadad@s que querem tacho e pela natureza das coisas.

É provável, que à data da publicação do artigo tenham surgido de forma espontânea, outros movimentos de convergência da esquerda portuguesa. Assim sobrem pessoas e se redescubram causas. Afinal, precisamos de mais esquerdas por forma a tornar mais difícil a vida aos comediantes e a reinvenção permanente com um verdadeiro efeito multiplicador das petições on-lne.

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O Mundo Perfeito (ou algumas notas sobre o Mundial e o Tintin)

capitaine-haddock

O meu primeiro mundial foi o de 1982. Claro está que acordar para a bola a sério com Zico, Sócrates, Éder e Falcão, deixa mossa. Fiquei imensamente triste com a derrota frente à Itália e com os 3 golos que Rossi enfiou nas redes brasileiras. Aquilo não se fazia num mundo perfeito que ainda era o meu. Jogadores daquele calibre deviam ser respeitados. Não era deixar ganhar. Os adversários deviam lutar, mas depois, como que por artes mágicas, aceitar que não conseguiam vencer. É engraçado como hoje não lamento aquela derrota. As minhas recordações, caso o Brasil tivesse ganho à Itália, não seriam as que guardo agora. O luxo de ficar triste por algo que não tem importância, aquele momento único duma límpida e inofensiva desilusão é algo devo a Zico & Co. E também a Rossi, claro.

A partir desse momento fiquei viciado no Brasil, melhor, na selecção brasileira. Durante os mundiais, eu fecho os olhos à realidade e dou-me ao luxo, durante este período muito particular, e apenas nos jogos do Brasil, de ser criança. Há quem seja do Benfica, do Porto ou do Sporting durante um ano inteiro. Eu rendo-me de 4 em 4 anos para voltar a ser conscientemente ingénuo. Não ver o mundo como na verdade é, mas carregar baterias para a dura (e boa) realidade que vivemos todos os dias. É bom, por uns tempos, fingir que a vida se reduz a toques de mágica numa bola. Mesmo quando se perde por 7 a 1.

Vem isto ao caso, não só porque o Mundial acabou, mas no seguimento do post da Maria João sobre o Tintin. E também porque, quando o jogo em que a Alemanha deu 7 ao Brasil terminou, dei por mim a ler um álbum desenhado por Hergé. Já não sei qual; um qualquer, que qualquer um servia para o efeito. Vezes sem conta faço o mesmo: regresso à realidade de Tintin. Nesta, que existe apenas no nosso imaginário, há maldade, há enganos, mas há também a coragem, a lealdade, a franqueza e a consciência limpa de Tintin. Há o Capitão Haddock que se irrita porque é genuinamente humano. Se irrita em nosso nome. Por todas coisas que temos de aguentar sem abrir a boca, ele vocifera, gesticula e esvazia a nossa raiva.

Há cerca de uns três meses a esta parte que o meu filho de dois anos e meio tem pegado nos livros do Tintin. Começou por ver o primo mais velho em casa dos avós e, chegado a casa, pegou na nossa colecção. Ele não lê, mas vê os desenhos e pede-me que lhe conte as histórias, as pequenas histórias contidas dentro de cada aventura. Ri-se quando o Haddock se senta em cima de um crocodilo, pensando que é o tronco de uma árvore (O Templo do Sol); dos Dupondt quando, com pressa, caem do barco que ainda está a atracar (A Ilha Negra); da Bianca Castafiore e da rosa que ela dá a cheirar ao capitão e que tem uma vespa que lhe pica o nariz (as Jóias da Castafiore). Gosta especialmente do mergulho do Milu no rio para se limpar da lama da chuva (O Segredo do Licorne). E enquanto ele que vai conhecendo estas histórias, vai-se familiarizando com aquele mundo. O mundo perfeito. O mundo em que um rapaz, sendo leal, corajoso e franco, nos mostra um dos segredos da vida: que o nosso melhor crítico somos nós mesmos, não significando isso que possamos fazer o que nos apeteça, mas que enquanto fizermos o que está certo, estamos bem. Esse sentimento, é o mundo perfeito. O mundo perfeito que o meu filho começa a guardar com ele.

O preço da propaganda

No Irão, um país auto-declarado moderado, o preço da propaganda é alto e prejudica gravemente a saúde.

Iranian journalist Marzieh Rasouli said Monday that she has been sentenced to two years in Tehran’s notorious Evin prison and 50 lashes for publishing anti-regime propaganda.

Rasouli, respected for her work as an arts and culture reporter for leading reformist media outlets, including the Shargh and Etemaad dailies, was detained in January 2012 as part of a crackdown. (…)

In a statement posted Monday on Twitter, Rasouli said she had been charged with “propaganda against the establishment and disruption of public order through participation in gatherings.” (…)

The first charge has been commonly used by Iran’s conservative-dominated judiciary to convict activists and journalists since the disputed 2009 presidential election that triggered widespread anti-regime protests.

Rasouli suggested the sentence had been approved by an appeals court, without elaborating, only adding that “I have to go to prison tomorrow to serve my sentence.”

 

O Mundial de futebol e a sociedade

Mundial: a moral e o moral. Por José Manuel Moreira.

Com o Mundial a chegar ao fim, cresce a emoção com prolongamentos, penáltis e golos nos últimos minutos, e até segundos. A euforia dos ganhadores contrasta com o lamento dos perdedores. Levando os do “contra” a rever-se no dito de Jorge Luis Borges: “O futebol é universal porque a estupidez é universal.” Confesso, contudo, que prefiro o do peruano Mario Vargas Llosa: “O futebol é o ideal de uma sociedade perfeita: poucas regras, claras, simples, que garantem a liberdade e a igualdade dentro do campo.”

Apoio fraterno, solidário e cultural

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A Cultura Apoia António Costa, é o título da petição de rentistas pessoas e individualidades variadas que se acham “a cultura”. Tendo em conta a guerra civil que floresce no Partido Socialista e alimenta o anedotário nacional, não será de estranhar que os “culturistas” apoiantes de António José Seguro lancem uma contra-petição a defender o líder como o grande homem de cultura que o partido, o país e o mundo precisam. Quando for lançada a petição A Cultura Apoia António José Seguro, estarei na primeira linha para a anunciar. O divertimento é quem mais ordena.

Portugal fora do mundial, com muita tranquilidade

Não obstante a vitória no último jogo, dificilmente a participação portuguesa no Mundial poderia ter sido globalmente mais decepcionante, mas pelo menos nesta apreciação Paulo Bento tem toda a razão: Paulo Bento: “Tivemos aquilo que merecemos”

Resta esperar que todos os envolvidos, desde os jogadores e a equipa técnica até à estrutura directiva da Federação Portuguesa de Futebol saibam retirar as devidas consequências do desastre ocorrido no Brasil.

Pior seleccionador português dos últimos 30 anos

Scolari, com mais de metade dos votos foi eleito pelos leitores como o melhor seleccionador dos últimos 30 anos. Continuando no mesmo tema, fica aqui mais uma sondagem de opinião.

O instinto de auto-preservação da FIFA

refA vida não está fácil para a FIFA. Entre uma liderança enfraquecida e os problemas de corrupção com a escolha do Qatar para organizar o Mundial de 2022, as críticas à organização espalham-se um pouco por todos os media mainstream, tendo chegado até à revista Economist que dedicou uma edição aos problemas de corrupção no futebol.
O Mundial, a grande festa da FIFA, não poderia ter vindo em melhor altura, pensarão alguns. E à partida nada melhor do que um mundial no grande país do futebol para fazer esquecer todos os outros problemas. Mas nem aqui a FIFA teve sorte. Nos meses anteriores ao mundial, a população brasileira lembrou-se de olhar para a conta de organizar o Mundial (algo que os portugueses só fizeram anos depois, no caso do Euro) e não gostaram do que viram. Contra todas as expectativas, foi no país do futebol que a organização de um Mundial foi mais contestada, não sendo de todo improvável que um escalar dos protestos coloque em causa o governo e exponha ainda mais a FIFA. Cinicamente, todos sabemos que os resultados da selecção brasileira serão um importante factor desanuviador ou incentivador dos protestos. Uma vitória do Brasil em casa acalmará os protestos ou relativiza-los-à, quando comparados à dimensão dos festejos. Já uma saída precoce ou humilhante, por exemplo na fase de grupos, poderia ser o trigger emocional que faria escalar os protestos. A FIFA fará tudo para evitar isso e a selecção brasileira, com a sua graça, chegará longe.

A Rússia precisa de mais Sochi’s e mais Crimeias

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E de caminho, os fundos de pensões servem para estimular a economia.

The Finance Ministry wants to free the billions of dollars locked up in Russia’s pension funds for investment in the economy from Jan. 1, a move that could spell either social collapse or effective economic stimulus depending on where the money goes, analysts said.

In a declaration of aims published on its website Tuesday, the ministry said the economy demands a source of financing for “long-term investment projects … [and] in the current difficult conditions for investment, this source ought to be funds from the pension system.”

State pension funds in Russia — where the greater part of the country’s 2.5 trillion ruble ($71 billion) pensions pot is stored — have long been stoppered by laws that severely restrict their investment activities. But over the past year the wheels of reform have been turning, the Finance Ministry said, and the floodgates may be opened on Jan. 1, 2015.

The influx could relieve an economy on the edge of recession and with restricted access to overseas sources of finance in the aftermath of Russia’s annexation of the Crimean peninsula from Ukraine in March.

According to Maxim Osadchy, head of analysis at Corporate Finance Bank, the funds would likely be destined for such massive and financially risky government projects as the 2014 Sochi Olympics. If this is the case, such a decision is “fraught with potential social catastrophe,” Osadchy said.

Da superioridade do debate político no Partido Socialista

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O blog António representa a facção nacional-socialista socrática-costista do Partido Socialista. Não se percebe a decisão de o tornar privado. O próprio António Costa que também é co-autor precisa de ser libertado. Não podemos permitir que o aprisionem tal como fizeram no caso de Mumia Abu-Jamal. Os militantes socialistas e os apoiantes de António Costa merecem estar informados pelo António.

José Borges escreveu, num texto intitulado “Seguro e o fim do III Reich”, que “se Hitler ameaçava levar o mundo todo com ele para o abismo caso a Alemanha tombasse, assim parece agir António José Seguro do seu ninho de águia, lugar supremo da abstração e da desrazão”. E acrescentou que o PS “encontra-se hoje nas garras de um homem perdido”.

O post só tem uma data, dia 2 de junho. Mais tarde surgiu um “esclarecimento” em que o autor se retrata. “Num momento infeliz publiquei um post pouco correcto e que retirei por esse mesmo motivo. Pelo facto peço desculpa a quem se possa ter sentido pela comparação. A respondsabilidade atinge-me exclusivamente”, escreveu José Borges.

O blogue tem como autores, entre outros, o próprio António Costa, e deputados socialistas, como João Galamba, Isabel Moreira e Pedro Delgado Alves. (DN)

A imagem foi nacionalizada ao Vítor Cunha.

Adenda: Quem é o José Borges?

Uma grande vitória eleitoral II

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Partido Socialista discute com grande alegria e motivação o programa de governo apresentado pelo Tó-Zé ao país e aos europeus.

Os críticos de Seguro estão à espera que Costa dê o primeiro passo para o apoiarem como candidato à liderança. Outra vez. Entre os socialistas é evidente o desconsolo com a fraca vantagem sobre a coligação. Sábado há Comissão Nacional.