Socialismos dos partidos dos taxistas

Fotografia do Público

Fotografia do Público

Depois dos dilúvios que afectam a cidade de Lisboa sempre que chove, situações de desastre que apenas acontecem porque os serviços camarários não são avisados, o CDS de Lisboa decide que importa regulamentar a actividade dos tuk tuk na capital.

O CDS quer que a actividade dos tuk tuk em Lisboa passe a estar limitada a um conjunto de circuitos pré-definidos e se restrinja ao período diurno, “por forma a compatibilizar os interesses e necessidades” de quem vive na cidade, de quem a visita e “de quem dela depende para desenvolver os seus negócios”.

Nesse sentido, o vereador do CDS na Câmara de Lisboa vai apresentar esta quarta-feira uma moção, na qual recomenda ao município que avance com a regulamentação da actividade destes triciclos motorizados. Em declarações ao PÚBLICO, João Gonçalves Pereira sublinha que essa regulação deve ser vista por todos os agentes como “algo positivo, não negativo”, assente na ideia de que “qualquer país e cidade deve proteger aqueles que neles investiram”.

Na sua moção, há essencialmente três aspectos relativamente aos quais o autarca centrista defende que a câmara deve definir regras, depois de ouvir os empresários do sector: a tomada e largada de passageiros, os circuitos e os horários.

Em sentido contrário ao das várias propostas de regulamentação da actividade turística, apraz-me recordar as palavras de Adolfo Mesquita Nunes,

“A liberalização da economia resulta. Quando o Estado dá espaço às empresas, as empresas respondem, e respondem com criação de emprego e crescimento.” Redução de taxas, liberdade de acesso e redução de custos para as empresas foram os três pontos de viragem. “Costumo dizer que há que desamparar a loja. Ninguém cria uma empresa, de animação turística ou outra qualquer, se tiver de percorrer um calvário de licenciamentos e pagar um amontoado de taxas. (…) Sendo constituída por micro e pequenas empresas, muitas delas resultado de empreendedorismo, a animação turística é um dos sinais e exemplos do relevo do turismo na criação de emprego. “

Como moral da história, aos interessados, aconselho a leitura do certeiro artigo do Alexandre Homem Cristo no Observador, Tuk-tuks: mudança ou ameaça?

(..) A história em si não tem nada de surpreendente. A incapacidade de adaptação aos tempos, a inveja pelo sucesso dos outros, a obsessão pelo proteccionismo, a exigência que o Estado esteja sempre lá para decidir, regulamentar e, sobretudo, preservar a rentabilidade de sectores empresariais que deixaram de ser rentáveis. Tudo isso é Portugal. E é, aliás, por essa razão que este caso é tão interessante – porque ultrapassa a luta específica de um sector e representa, na verdade, o confronto entre a concretização da mudança e o país que somos. Um país que pede essa mudança mas que não gosta quando ela acontece. Um país que se orgulha de ser um destino turístico de excelência, mas que vê o sucesso das empresas do sector como uma ameaça. Um país que quer ser mais livre e próspero mas que não consegue ultrapassar a sua dependência do Estado.

No fundo, é isto: um país que não aprende com os seus erros e onde os bons exemplos de sucesso e de governação parecem nunca ser suficientes para impor a mudança. Um país onde o socialismo parece vencer sempre.

 

About these ads

Crítica: Separação (2014)

Petr Pavlensky, artista contemporâneo com linguagem repetitiva e alusiva ao século XX.

Petr Pavlensky, artista contemporâneo com linguagem repetitiva e alusiva ao século XX.

Enquadrado numa sequência iniciada com Carcaça (2013), Petr Pavlensky concluiu no passado dia 19 a terceira instalação da Tetralogia da Dor. Intitulada Separação, consistiu numa reprise tímida e pouco contundente do trabalho de Van Gogh intitulado Gosto Tanto de Ti, Toma Lá Uma Orelha, Meu Amor (1888).

O trabalho de Petr Pavlensky é bastante derivativo, há que o afirmar. Talvez não seja pretensão do artista criar um estado de staatsgreep no observador – o que abonaria na repetição permanente do leitmotif sanguinário das instalações – porém, esta abordagem despretensiosa de grandeur na ruptura retira a eloquência, através da banalidade, às obras do artista.

Em Carcaça (2013), o artista, nu e envolto em arame farpado, lembra a sociedade burguesa dos momentos em que, no interior profundo de enraizadas tradições, um camponês encontrava um vadio espadaúdo na cama com a matrona. Pessoas que, como eu, viveram em quintas latifundiárias no interior longínquo, reconhecem imediatamente a cena, apesar do marasmo estático inverossímil para alguém que se enrola em arame farpado enquanto foge a tiro de caçadeira. Posso peremptoriamente afirmar que, nestas circunstâncias, uma vítima de opressão debate-se com afinco, criando chagas profundas que reflectem, num efeito espelho, uma réplica em pequena escala do martírio através de estereotipo judaico-cristão.

Em Fixação (2013), o artista, nu e com o escroto pregado às pedras da calçada, lembra à elite aristocrática que o calceteiro, um labor em extinção, se reproduz em cada pedra, pisada diariamente por milhares de pés anónimos e indiferentes à geometria intricada da sociedade maniqueísta e em oposição à apatia da simetria perfeita do betão armado da elite. Apesar de não ser reprise de obra pré-estabelecida, milhares de pessoas já sentiram a sensação de prego no escroto, tornando a semântica desta obra demasiado evidente para suscitar particular subjectividade de interpretação.

Em Separação (2014), o artista, nu e ensanguentado, sentado com catana no topo do prédio, corta o lóbulo, capando metaforicamente o neoliberalismo na orelha direita enquanto mantém a esquerda una e intacta. Impossibilitando-se de usar convencional brinco, o artista faz um pacto com a sua audiência de que nunca se enfeitará do lado direito, lado que representa o fascínio pelo capital e, inclusivamente, a proxenetização do lóbulo para o cânone de beleza feminina, ostracizada no radicalismo do equilíbrio entre o existencialismo simples e a prostituição do ideal pelo brilho do pendente.

Os dados estão lançados para De Trombas Para o TGV, a instalar em 2015, uma reprise do trabalho do dadaísta Arlindo Arlindo que, em 1938, se atirou para a linha do comboio à saída de Caíde no concelho de Lousada.

Classificação: aguarda última instalação da tetralogia.

Crítica: Tree (2014)

Tree e outras obras de McCarthy.

Tree e outras obras de McCarthy.

Paul McCarthy é um artista sério que nos alerta, com uma ferocidade dicotómica entre insufláveis e maciços, para a problemática da matéria fecal, a réstia de humanidade que se aliena do próprio humano através de expulsão involuntária e expressivamente desprovida de abstracção nutritiva. Porque é de alma que se trata, da sua rejeição através de veículos do próprio corpo, autênticas bombas de alienação, de um sentido e conseguitude que transmuta o desconforto em alívio, as vozes críticas e insensíveis defecam vaticínios pejorativos que expressam, sobretudo, o grau de desconforto da elite com o declínio cultural no ocidente pela ignorância do público.

Uma certa polémica, potenciada pelos americanos menos habituados à erudição do Mashable, demonstra o desconforto com a árvore instalada na Place Vendôme em Paris, cidade das artes, onde até existe uma estação de metro, a Arts et Métiers, no 3e arrondissement, que demonstra a relação da cidade com a arte mundial.

A instalação parisiense, em conjunção com as anteriores instalações (nomeadamente a de Hong Kong), mostram o percurso do artista e da sua preocupação com a poluição ambiental por metano. O objecto de inserção, situado no centro da urbe, demonstra, em conjunção com a representação de poio campestre, o quão as cidades estão alheadas e alienadas da tortura que exercem sobre o interior através da desertificação do neoliberalismo.

Classificação: ☭☭☭☭☭☭☭☭☭☭ ESPECIALMENTE RECOMENDADO

Ateliers abertos em Lisboa

ateliers

Acabei de saber desta iniciativa dos Ateliers Abertos em Lisboa (hoje e no fim de semana) pela professora de pintura da criança mais velha e acho a ideia fabulosa. Não só porque passar um tarde de fim de semana a visitar ateliers é um ótimo programa como isto foi magicado por uma associação que se chama Castelo D’If e qualquer pessoa que tenha lido tantas vezes como eu o Conde de Monte Cristo aí entre os doze e os treze anos não pode se não ficar derretida. (aqui a brochura com datas, horas, ateliers e mapas)

O socialismo está de parabéns

maduro

Pelos melhores motivos, a Venezuela que possui uma das maiores reservas de petróleo do mundo, alcançou a proeza de ter de importar o ouro negro.

Existem planos para “fazer uma revolução dentro da revolução”. Há 15 anos que o chavismo reina na Venezuela. Com o sistema económico a colapsar, o Presidente Nicolás Maduro, reconheceu no programa de propaganda semanal “Em Contacto com Maduro” que “há problemas económicos.” De frente para a realidade, o governo venezuelano colocou em marcha um conjunto de medidas que visam atacar os problemas: a inflacção a 60 por cento ao ano, a falta de produtividade, a escassez de bens essenciais e de divisas. A forma encontrada não poderia ser mais mágica: apostar no aprofundamento do modelo socialista que tão bons resultados tem originado.
Na vertigem socialista, o executivo de Nicolás Maduro nomeou Orlando Borrego, antigo colaborador de Che Guevara, como mentor da reestruturação da administração venezuelana. A nomeação política aprofunda ainda mais a ligação entre Cuba e a Venezuela e dá poderes a funcionários do estado para intervir nas decisões de produção e de investimento das empresas e por intervir com base em verdadeiras leis anti-terroristas contra quem seja indiciado por participar naquilo que se considera como um “atentado à ordem económica.”  Dificilmente se poderia esperar mais e melhor.

 

Russell Brand: mais um canalha da esquerda

Russel Brand

O Che Guevara dos tempos modernos tinha de ser um comediante. Menos terrorista, é certo, penso em  Russell Brand autor de um recente texto sobre desigualdade. O estatuto de “celebridade” frequentemente permite que palavras ocas sejam confundidas com palavras profundíssimas, com verdades espirituais (cfr. Bono); e, no caso de Brand, um comediante que ganhou fama por humilhar sexualmente uma mulher na rádio, que pensa ser normal perseguir todas as mulheres no perímetro da sua vizinhança, parte numa relação on-and-off com Jemima Khan, herdeira e filha de Lady Annabel Goldsmith e de Sir James Goldsmith, hábil manipulador de expressões como “paradigma pré-existente”, é por demais óbvio.  Brand quer ser visto como um herói e um idealista (é a psicologia simples que vincula toda a esquerda: a vítima, o vilão e o herói), nada que deva surpreender vindo de um baby boomer oriundo de uma geração que de vez em quando desenvolve umas voracidades morais.

Lendo o dito texto e vendo uma ou outra entrevista de Brand, percebemos que nada do que diz é novo nem sequer a forma como o diz é novidade. Quanto à forma como diz as tais verdades espirituais, sempre foi trendy querer derrubar “o paradigma existente” pela via revolucionário-despótica ao invés de apará-lo e limá-lo de forma eficaz (com reformas e/ou pelo voto), método mais lento e sem ponta de glamour. Como muitos ricalhaços revolucionários, o apelo derradeiro de Brand é um “não vote” – melhor forma de, portanto, manter o “paradigma” que muito lhe convém. A isto há quem chame cinismo político preguiçoso. Quanto ao conteúdo daquilo que diz, quem não sabe que há grandes desigualdades no mundo e que é do interesse de alguns que o “sistema” permaneça como está? (“sistema” esse que, by the way, nas últimas duas décadas arrastou 20 milhões de pessoas para fora da pobreza). Brand defende a necessidade de uma ordem espontânea, utópica, apelando a uma revolução espiritual para compartilhar toda a riqueza do mundo e salvar o meio ambiente mas, P.S., “eu tenho uma fortuna pessoal de 15 milhões de dólares”. Brand esqueceu-se que a objeção central a esta proposta revolucionária de imposição de um sistema igualitário é simples: como impor uma ordem totalmente igualitária sem recorrer à força? E se é suposto haver um executor deste sistema, como fiscalizar se o Sr. Brand permanece no mesmo estado de igualdade de toda a gente? Pergunto-me se, enquanto escrevo este texto, as massas revolucionárias apoiantes de Brand estão já a misturar os cocktails Molotov e a preparar barricadas nas ruas ou continuam agarrados às Xbox ou a partes menos decentes do corpo.

Um pedófilo ou um viciado em droga pode sentir a necessidade de ganhar alguns pontos morais opondo-se ao “sistema” e defendendo a causa das baleias de modo a continuar a cometer os seus pecados. Sente-se isto sempre que uma celebridade assume uma cruzada moral como a de Brand, do alto da sua mansão de Hollywood Hills avaliada em 2.224 milhões de dólares. Atendendo aos seus “méritos”, Brand não seria digno de qualquer comentário por não passar de um narcisista inteligente o suficiente para perceber que o público se deixa seduzir com o desempenho de um populista radical, mas o problema é que esta personagem faz parte de uma cartilha maior que nos esclarece sobre a forma como funciona a sociedade moderna.

Aqui fica uma passagem de um texto na New Statesman:

“For me the solution has to be primarily spiritual and secondarily political. This, too, is difficult terrain when the natural tribal leaders of the left are atheists, when Marxism is inveterately Godless. When the lumbering monotheistic faiths have given us millennia of grief for a handful of prayers and some sparkly rituals.

By spiritual I mean the acknowledgement that our connection to one another and the planet must be prioritised. Buckminster Fuller outlines what ought be our collective objectives succinctly: ‘to make the world work for 100 per cent of humanity in the shortest possible time through spontaneous co-operation without ecological offence or the disadvantage of anyone.’ This maxim is the very essence of ‘easier said than done’ as it implies the dismantling of our entire socio-economic machinery. By teatime.”

O novo código deontológico dos jornalistas

El Estado Islámico publicó 11 puntos para los periodistas que trabajan en su zona de influencia.

Ainda que vagamente relacionado, vale a pena ler a pequena crónica do João Pereira Coutinho sobre o estado a que chegou a imprensa escrita, Para horror dos Otários.

1 – Los corresponsales deben jurar alianza al Califa (Abu Bakr) al Baghdadi (…) son súbditos del Estado Islámico y, como tales, deben jurar lealtad a su imán.

2 – Su trabajo deberá estar bajo la exclusiva supervisión de las oficinas de prensa del EI.

3 – Los periodistas pueden trabajar directamente con agencias internacionales (Reuters, AFP, AP), pero tienen que evitar todas las cadenas internacionales y locales de televisión. Tienen prohibido proveer cualquier material exclusivo o tener contacto con ellos en cualquier capacidad.

4 – Los periodistas tienen prohibido trabajar con las televisiones en la lista negra que luchan contra los países islámicos (al Arabiya, al Jazeera y Orient).

5 – Los periodistas tienen permiso para cubrir eventos en la región por escrito o con imágenes si contactan con las oficinas de prensa. Todas las fotos y textos publicados deberán tener el nombre del autor.

6 – Los periodistas no podrán publicar nada sin pasarlo antes por la oficina de prensa del EI.

7 – Los periodistas pueden tener sus propias cuentas de redes sociales y blogs para difundir noticias e imágenes. Sin embargo, la oficina de prensa deberá tener las direcciones y nombres de estas cuentas y páginas.

8 – (…) deberán cumplir las normas (…) y evitar filmar lugares o eventos de seguridad donde esté prohibido.

9 – El EI seguirá los trabajos de periodistas en medios locales y nacionales.

10 – Todas estas normas pueden cambiar, dependiendo de las circunstancias y el grado de cooperación entre los periodistas y su compromiso con los hermanos en la oficina de medios de EI.

11 – Los periodistas tendrán licencia para trabajar una vez solicitada a las oficinas de prensa del Estado Islámico.

Bel’Miró por Bel’Miró – um ensaio auto-cognitivo

A Arte não representa a vida, a vida representa a arte. Bel’Miró não escolheu ser artista, A Arte é que o escolheu para Lhe dar vida, vida esta que representa A Arte, que é meta-arte e o próprio mistério da vida, que é A Arte e a sua representação através da vida. Em Portugal não se ensina A Arte às crianças e isso destrói a criação do Ser Pleno, o Homem Novo pós-contemporâneo.

Bel’Miró vive em frente a uma escola e vê o quão se maltrata o colectivo infantil com matérias factuais que qualquer um pode descobrir na internet. Bel’Miró também vê a total ausência d’A Arte nas caras infelizes de petizes, aos saltos, com os pequeninos pezinhos, tão fofinhos, inocentes para a problemática d’A Arte e da cultura para A Arte. É fundamental ensinar a pensar A Arte mas, igualmente fundamental, é ensinar a pensar a pensar o ensino da arte de ensinar a pensar A Arte. O objectivo último de Bel’Miró é a criação de um grupo de trabalho que crie uma comissão de inquérito para a criação de um grupo de estudo que leve o grupo de investigação a determinar os passos que podem ser dados para que as aprendizagens d’A Arte levem a adquirir competências para o conhecimento policultural e anti-monoartístico.

Bel’Miró aceitou o amável convite d’O Insurgente porque Bel’Miró é, também ele, e em si mesmo, um pedagogo do que é real. O distanciamento que Bel’Miró consegue ter sobre todos os assuntos, incluindo sobre si mesmo, permite ao Artista ver o mundo pelo prisma correcto, a única lente que distingue o Real do Refractário.

"monsieur connoisseur Guy de la Note", Chelas, 2014

“monsieur connoisseur Guy de la Note”, Chelas, 2014

Porém, o artista não é importante, importante é a urgência da su’A Arte, que não lhe pertence, pois pertence à sociedade. Pouco tenciona Bel’Miró falar da biografia de Bel’Miró porque Bel’Miró é um mero veículo para A Arte num catastrófico cenário pós-austeriário-pré-estruturalista. Porém, Bel’Miró gostaria de explicar aos leitores d’O Insurgente que as suas influências artísticas remontam ao terracotismo de África e que a sua causa política é a autodeterminação cubista do Povo Basco, lugar onde passou um marcante – por quasi-impressionista – fim de Sábado em Agosto de 1989.

Bel’Miró está, desde Segunda-Feira, completamente dedicado à fusão do pontilismo com o cubismo-austeritário, o movimento já designado pelo connoisseur monsieur Guy De La Note como octotriangularismo.

Bel’Miró
Avignon, Outubro de 2014

P.S.: é muito importante que este post seja publicado exactamente às 18 horas e 18 minutos do 42º dia que antecede o solstício de inverno.

Bel’Miró

bel-miro
Auto-retrato de Bel’Miró por Bel’Miró

Hoje é um grande dia para a Cultura n’O Insurgente.

Não obstante os ocasionais contributos culturais da Maria João Marques, da Graça Canto Moniz, do Rodrigo Adão Da Fonseca e do Carlos M. Fernandes, entre outros, a verdade é que esta sempre foi uma área marginalizada n’O Insurgente.

A falta de apoios estatais, assim como por parte da SPA, explica em parte esta lamentável situação, mas não pode isentar um meio de grandes audiências das suas responsabilidades Culturais perante a Comunidade.

Assim, é com muito gosto que anuncio que, após longas e complicadas negociações com o Artista e os seus agentes e advogados, O Insurgente passa a partir de hoje a contar com a colaboração do Grande Bel’Miró (ou, como ele mesmo modestamente prefere designar-se, Bel’Miró, o Magnífico), uma inegável referência Cultural nacional e internacional.

Bel’Miró será o comentador Cultural residente d’O Insurgente, não ignorando contudo que, para um verdadeiro Artista, toda a Cultura é Política e toda a Política é Cultura.

SOS Soares

Mário Soares, o defensor dos oprimidos e fracos continua a não ter amigos capazes de o proteger e cuidar.

 “Foi um grande presidente de câmara e considero que foi injustiçado”, disse Soares, interrogando-se: “Quando há pessoas que roubam milhões e estão soltas, como é que ele foi preso sem razão nenhuma?”

Soares não foi a casa de Isaltino, mas Isaltino foi assistir à palestra de Soares. E no final houve mais do que um abraço. E todos calorosos.

Da Bielorrússia, com amor

putin

Putin is a dickhead!

A Bielorrúsia confronta-se com uma questão fundamental para o seu futuro de  curto e médio prazo: o país é incapaz de reformar o seu sistema político e económico. Resta-lhe entregar a soberania à sua maior aliada e vizinha: a Rússia. A dívida da Bielorrúsia é enorme face à riqueza que é (in)capaz de produzir e um quadro de bancarrota afigura-se, cada vez mais, como uma ameaça real. O Fundo Monetário Internacional há muito que decidiu não abrir os cordões à bolsa enquanto não forem aprovadas as necessárias reformas estruturais do sistema económico e político do país. Da parte da União Europeia (UE) as portas da cooperação internacional encontram-se seladas e encontram-se em vigor sanções  económicas e políticas enquanto o regime unipessoal de Alexander Lukashenko – no poder desde 1994 – não decidir abrir caminho para uma abertura do sistema político que continua a manter literalmente toda a oposição fora do parlamento local.
A 29 de Maio, a Rússia, a Bielorrússia e o Casaquistão firmaram em Astana um acordo no qual os três estados dão forma à União Económica Euroasiática que entrerá em vigor no primeiro dia de 2015. O acordo que integra as três ex-repúblicas soviéticas foi assinado pelos presidentes dos três países Vladímir Putin, Nursultan Nazarbayev e Alexander Lukashenko e pretende abrir uma nova etapa de união económica através da criação de um mercado comum que reúne mais de 170 milhões de pessoas. Está prevista a livre circulação de bens, serviços, capitais e pessoas. A cooperação será feita nos sectores da energia, transportes, indústria e agricultura.
Moscovo tem “espaço” para exigir algumas mudanças:para não aumentar o preço pelos produtos energéticos exportados para a Bielorrússia. De acordo com o caminho da Rússia percorrido até aqui, Putin poderá exigir contrapartidas “reformistas” e que passam na prática pela privatização das principais empresar estatatais que interessam às corporações russas.
As opções do ditador da Bielorrússia não são fáceis para ele próprio: uma aliança “contra-natura” ao Ocidente que implicaria o desmoronamento da ditatura ou a consolidação da ligação ao gigante russo, mantendo em troca o lugar honorífico à frente do país. Alexander Lukashenko pouco mais aspirará do que continuar a ser o que sempre foi: o ditador de mais um quintal do Kremlin. Não há ditaduras eternas mas Vladimir Putin ainda não se apercebeu. E a malta dos futebóis é tramada.

 

Aprendizagem crítica comunista

RitaBernardino

Afinal existem gulags na Coreia do Norte. Está criada a oportunidade para que a Rita Rato, com o inestimável apoio do camarada Bernardino possa estudar e ler algo sobre a matéria, de acordo com a cartilha oficial do PCP.

Leituras complementares: É melhor consultar primeiro o camarada BernardinoPor cá a Rita Rato disse o mesmo sobre o Gulag.

O paraíso precisa de mais oração

maduro3

No início de Setembro, os participantes de um encontro do Partido Socialista Unido da Venezuela lançaram a “Oração”, uma versão chavista do “Pai Nosso”. Reza assim a letra:  “Chávez nosso que estás no céu, na terra, no mar e em nós (delegados e delegadas), santificado seja o teu nome, venha a nós o teu legado para o levarmos aos povos. Dá-nos hoje a tua luz para que nos gue todos os dias, não nos deixes cair em tentação do capitalismo e livrai-nos da maldade da oligarquía, do crime do contrabando porque nossa é a pátria, a paz e a vida. Amén. Viva Chávez.”

Para além da prece lida pela delegada Maria Uribe, do evento político  fizeram parte cantores e poetas que dedicaram as suas obras ao Presidente Hugo Chávez e à revolução bolivariana. Presente no encontro, Nicolás Maduro afirmou que a “revolução se encontra numa fase que exige cada vez mais formação nos valores de Chávez no combate diário nas ruas, criando, construindo e fazendo a revolução.” Como é do conhecimento geral, o progresso revolucionário alcança sempre novas e fundamentais etapas no desenvolvimento dos povos. Nesse sentido, o jornal ABC revela as consequências do sucesso socialista.

Nada como a clareza: as pessoas humanas, incluindo Nicolás Maduro, têm o direito à dignidade, na fé depositada no deus Chávez.

Hong Kong e os aliens imperialistas

ovni

Moscovo revela ao mundo que os EUA estão na base dos protestos que acontecem em Hong-Kong. No entanto, pouco tempo depois o serviço de propaganda ao serviço de Vladimir Putin, faz um update informativo para a audiência de 120 milhões de pessoas no qual dá conta que uma força extra-terrestre é a culpada pelo levantamento popular no antigo território sob administração britânica. A dúvida que permanece por esclarecer é se os protestos de Hong-Kong não resultam de uma acção concertada entre os habituais imperialistas e os et’s.

No início de Julho a polícia de Hong Kong deu ordem de prisão a mais de meio milhar de pessoas que participavam num protesto nocturno pacífico que exigia a aplicação de reformas democráticas. As autoridades chinesas afirmaram em comunicado que os manifestantes foram detidos por reunião ilegal. Dezenas de milhares de manifestantes marcharam pelas ruas de Hong Kong para exigir uma maior participação na eleição do próximo líder da cidade. Tal como agora, os manifestantes ameaçaram ocupar edifícios e o coração financeiro da cidade se os seus protestos não forem escutados.
Há muito que os cidadãos de Hong Kong reclamam por maiores liberdades no território chinês e ex-colónia britânica. Este tipo de marchas têm lugar todos os anos mas a deste ano foi especialmente concorrida em função do referendo não oficial que teve lugar e no qual 97 por cento dos 800 mil votantes manifestaram o desejo de poder decidir quem se candidatará ao cargo de chefe executivo da cidade cuja eleição está prevista para 2017. A China indicara em 1997 que iria permitir que as autoridades do território posssam ser eleitas por sufráugio universal mas reserva-se no direito de escolher os candidatos.
Pelas comemorações do 17º aniversário do regresso da ex-colónia britânica à soberania chinesa, cerca de 500 mil pessoas segundo dados da organização manifestaram-se em Hong Kong para exigir a total liberdade democrática para o território e a redução da intervenção do governo da China nos assuntos locais.  Para já, este conjunto de iniciativas que exigem uma melhor democracia, teve como condão centrar os olhos do mundo no pequeno território chinês que goza de alguma autonomia, causando controvérsia entre os sectores políticos, financeiros e comerciais pelos receios das consequências imprevisíveis que podem acontecer num dos principais centros financeiros e económicos da Ásia.
Também Macau organizou a sua própria consulta popular. A iniciativa que teve lugar entre os dias 24 e 30 de Agosto, pode ser vista como um raro protesto em Macau na qual os promotores, sem o suicesso de Hong Kong, esperaram que milhares de pessoas participassem na consulta. As críticas do governo de Pequim não se fizeram esperar à iniciativa que pretendia através da realização de um referendo não oficial decidir sobre a eleição directa dos seus futuros líderes em 2019. À semelhança do que aconteceu em Hong Kong, a consulta procurava auscultar a opinião dos macaenses sobre se querem eleger o chefe executivo local através de sufráugio directo e universal. De igual modo, as autoridades chinesas no território que fora administrado por Portugal fizeram saber que os responsáveis pela campanha não têm o direito de convocar um referendo.

Os activistas macaenses para fazerem vingar o seu objectivo apontam o caso do actual governo autónomo chefiado por Fernando Chui Sai-on que foi eleito, tal como os seus sucessores, por um comité eleitoral composto por 400 pessoas e que é controlado por grupos de pressão dos sectores económico e político macaenses. Uma iniciativa semelhante realizada em 2012 defraudou as expectativas dos promotores pela participação de apenas 2600 pessoas. Independentemente da aceitação e adesão popular da consulta popular parece claro que China, Macau e Hong Kong, apesar de formarem um único um país e em teoria existirem dois sistemas, em nenhum deles cabe o sentido mais anoréctico e estrito da democracia liberal.

Podia-lhe ter dado para a solidariedade

nolen-facebook-two

Alá falou-lhe ao neurónio e ele foi obrigado a decapitar uma colega de trabalho. Incidente que as autoridades logo se prontificaram a confirmar que não tinha nada a ver com o Islão.

Festa é festa

Maduroaolhar

Na Venezuela a escassez de alimentos, as dificuldades económicas e a perseguição política teimam em persistir. No entanto, nem tudo é péssimo no paraíso terreno: Caracas vai dançar ao som de cinco orquestras cubanas.

Bloco anedótico

Sem dúvida que duas cabeças de vento pensam melhor do que apenas uma.

Um ano depois de ter trazido o piropo para a discussão pública com uma primeira intenção de o criminalizar, o Bloco de Esquerda insiste no assunto. O partido leva esta quarta-feira à discussão no plenário do Parlamento uma proposta que classifica como crime o assédio sexual – onde se inclui o assédio verbal – e outra para perseguição. (…)

O BE cita posições e estudos da APAV, UMAR e CITE para argumentar que a tipificação do crime de assédio sexual é importante para servir como efeito dissuasor. Por assédio sexual entende-se a proposta reiterada de “favores de natureza sexual” ou “comportamento de teor sexual indesejado, verbal [onde se inclui o piropo] ou não verbal, atentando contra a dignidade da pessoa humana”, lê-se no texto bloquista.

Entre os exemplos estão situações de assédio sexual “entre professores e alunos, passando pela agressão a que as jovens e mulheres estão sujeitas nas ruas”, que provocam “custos no desenvolvimento da personalidade de jovens adolescentes, vítimas privilegiadas destes comportamentos”.

O tema foi trazido para a ribalta na rentrée do Bloco, no Fórum Socialismo 2013, com a mesa-redonda “Engole o teu piropo” em que as organizadoras – duas feministas, uma delas militante bloquista – defenderam que o piropo devia ser criminalizado. E estalou a polémica. Depois, vieram justificar que pretendiam apenas “levantar a discussão sobre o assunto” e não protagonizar qualquer iniciativa de proibir o piropo. (…)

 

Leitura complementar: Bloco insiste em punir o Piropo: Portugueses dizem “é boa, seus tesudos”. 

Adenda: Insatisfeito com a falta de alcance proibicionista do “Engole o teu piropo”, uma cabeça bloquista aposta tudo contra o anúncio do Euromilhões, exigindo um pedido público de desculpas. (obrigado à Tucha pela indicação).

 

 

A saga dos Merah

merah

Depois do turismo, o regresso.

Three Frenchmen, including the brother-in-law of a Toulouse-based al Qaeda-inspired gunman who killed seven people in 2012, were arrested on Tuesday at a Paris airport suspected of having joined Islamic militants in Syria, a French official said.

Around 150 militants who fought with rebel groups in Syria and Iraq have returned to France, requiring “massive” resources for surveillance and other security measures to prevent attacks.(…)

The three men including the husband of Souad Merah, whose brother Mohamed killed seven people including three Jewish children in March 2012, were arrested at Orly airport in Paris. (…)

Leituras complementares: Mohamed Merah e as restantes “vítimas da sociedade”Em nome do quê?; Falta de vergonha;  Rock the casbah.

 

Por favor, não parem

A Casa dos Segredos, versão PS.

O ex-candidato presidencial Manuel Alegre acusou segunda-feira à noite o secretário-geral socialista, António José Seguro, de recorrer a um “populismo incompatível com o PS” ao propor a redução do número de deputados de 230 para 181.

“Isso não é a cultura democrática do PS. Isso é populismo incompatível com o PS”, disse, sustentando que “falso moralismo nada tem a ver com a transparência ou ética republicana”.

Salvem os artistas-rentistas

Coloquem um ponto final nos 401 livros grátis do Metropolitan Museum of Art. (Via FB da Maria João Nogueira).

A religião da pás chega à paróquia

Está Na Hora!

Está na horas meus irmãos. Está na hora de demonstrar ao mundo a força do islamismo e de combater os infíeis! O plano está traçado e preparado. Iremos tomar conta de portugal e deste povo fraco e levaremos o nosso Islão ao mais elavado patamar do desejo do Senhor!

Espero por uma explicação de David Munir, sobre a notícia dada na página da Comunidade Islâmica de Lisboa.

Adenda: Entretanto, a “notícia” desapareceu do site da CIL. Terá sido obra de intervenção divina? Se assim for, a explicação do líder espiritual dos muçulmanos em Portugal torna-se ainda mais urgente.

Adenda II: De acordo com o DN, o” site da Comunidade Islâmica de Lisboa terá sido alvo de um ataque informático, que levou à divulgação de uma mensagem com conteúdo extremista. Esta foi a explicação dada ao DN por Khalid D. Jamal, membro da direcção da Comunidade, afirmando que o caso já foi encaminhados para as autoridades. (..)

Porém, Khalid D. Jamal garante que tudo não passou “de um ataque informático”. “A direcção já está ao corrente da situação e já demos conta do sucedido às autoridades. A Comunidade Islâmica repudia o discurso extremista”.

Nos próximos dias, a direcção da Comunidade Islâmica de Lisboa deverá prestar mais esclarecimentos públicos sobre o caso.”

Compreender o putinismo X

Fazer turismo com maus gps’s na Ucrânia é perigoso e pode ser fatal. A equipa da BBC que trabalha sobre o assunto foi bem recebida na Rússia que, por sinal, tem em vigor uma lei da cópia privada um tanto agressiva.

Ocupar é divertido

É urgente ocupar o Twitter dos ocupas.

Activists who organized the dormant Occupy Wall Street movement are suing another activist for control of the main Twitter account, and one of the plaintiffs says there was no other option but to turn to litigation to solve the dispute.

The conflict centers around @OccupyWallStNYC, one of the main Twitter feeds that distributed information during the movement’s heyday in 2011. The OWS Media Group filed a lawsuit against organizer Justin Wedes on Wednesday, which is also the third anniversary of the beginning of Occupy Wall Street. The group, led by activist Marisa Holmes, is seeking control of the Twitter account as well as $500,000 in damages.

The Twitter account, which used to be shared among several activists, is now under the control of Wedes, who explained his decision to take over the Twitter feed in a blog post in August:

A thread about “self-promotion” became just another shaming session. If we start from a place of assuming bad intentions – i.e. discouraging “self-promotion” over encouraging solid, relevant content – we will end up with rules that shame rather than empower. Group members took on the task of limiting others to “1 to 2 tweets per day” (or week) on a topic, a form of censorship that would never have been allowed in the earlier days of the boat. I had to say enough!

“We can either go and beat him up or we can go to court,” Holmes, a video editor who was part of the core organizing team of Occupy, told BuzzFeed News. “And quite frankly if we go and beat him up then we could end up with countersuits against us, and that puts us in a more damaging position and we don’t really want to do that anyway.”

 

Gremlins e prostitutas

caradecu

Ainda pensei ser educado e escrever este post com modos, só que tanto o *gremlin da Cultura como as prostitutas rascas da mesma (que se auto designam “autores”) não o merecem. A educação reserva-se para quem o merece.

Os comerciantes de produtos sujeitos à nova Taxa da Cópia Privada que conheço têm margens nos mesmos que variam entre 4% e 7%. Com os dados disponíveis construí a tabela abaixo.

copia_privada

Como se verifica o que as prostitutas e o gremlin da Cultura defendem é o roubo descarado e ainda têm a lata de se insurgir contra os comerciantes que reflictam a dita taxa no preço dos produtos. Não têm vergonha na cara? Chulos, é o que é.

*direitos de autor: @jmcest no twitter

Compreender o putinismo IX

Alina Kabayeva

No Kremlin, os recursos humanos continuam a ser geridos a partir da confiança nas capacidades profissionais e humanas das pessoas envolvidas na causa pública.

The former gymnast rumoured to be Vladimir Putin’s girlfriend is giving up her career as an MP to take charge of a pro-Kremlin media holding run by an acquaintance of the Russian president.

Alina Kabayeva, 31, will become chairman of the board of National Media Group, which is controlled by Yury Kovalchuk, a finance and media magnate added to US and EU sanctions lists over the Ukraine crisis earlier this year.

He is allegedly Mr Putin’s “cashier”.

The group owns a 25% stake in the vociferously pro-Kremlin Channel One television station and a majority stake in the government-friendly Izvestiya newspaper.

Miss Kabayeva, who was an Olympic champion in rhythmic gymnastics in 2004, has served for six years as a deputy from the pro-Putin United Russia Party in the State Duma, Russia’s lower house of parliament.