Os sindicatos e os partidos de esquerda que propuseram um boicote ao Pingo Doce, prejudicando o negócio e o trabalho de terceiros, são os que se indignam porque uma promoção lhes estragou a festa do 1.º de Maio. O descaramento não tem limites. Enfim, amor com amor se paga.
Maio 2, 2012
Novo Recorde Insurgente!
Como podem ver, ontem, Dia do Trabalhador, O Insurgente teve o seu dia com mais visitas na sua história: 9216!
A todos os que visitaram O Insurgente desde o seu início, o nosso Muito Obrigado!
Olhando para a lista de artigos, só podemos dizer: Obrigado Pingo Doce!
O Insurgente é hoje uma referência na blogosfera Portuguesa.
Provam-no as visitas, as referências por toda a web, os convites a Insurgentes para tomadas de posição nos mais diversos assuntos da sociedade Portuguesa.
Numa sociedade onde parte da sociedade não tem interesse em discussão política, parte defende a posição fácil do “gaste-se sempre, agrade-se a todos os grupos de interesse” e a outra parte não é convicta o suficiente para defender publicamente os seus ideais, O Insurgente e outros blogs que lhe são próximos esforça-se por manter a defesa das causas difíceis. Aparentemente com sucesso.
Volte sempre!
(Nem imaginam como é difícil reunir todos os Insurgentes. Talvez se o Pingo Doce tivesse feito um pré-aviso XD )
Maio 1, 2012
Filosofia Liberal – O Liberalismo definido
Abril 30, 2012
No Fio da Navalha
O meu artigo para o jornal i deste fim-de-semana.
Liberdade
A liberdade também implica um Estado que gaste menos e não cobre tantos impostos.
Com o passar de mais um 25 de Abril, voltámos a ouvir que os portugueses não devem tolerar mais cortes nas ajudas, nos subsídios e na gratuitidade universal dos serviços do Estado. A austeridade está a acabar com a convicção de que o Estado é um poço sem fundo e que todos temos direito a tudo. Que fomos feitos para receber. De onde, de quem, pouco interessa, desde que o intermediário seja o Estado e ele trate disso por nós. Delegámos nele o jogo sujo de arranjar receitas de qualquer maneira. Se com mais impostos, taxas de juros mais baixas ou até com o fabrico, pelo Banco Central Europeu, de mais dinheiro, pouco importa. Desde que chegue ao nosso bolso. Foi assim que assumimos a pose de pessoas de bem e generosas. Uma generosidade imposta a todos, dispersa entre cada um de nós e, por isso, sentida por ninguém.
Esta posição é vergonhosa e indigna de ser decretada à conta do 25 de Abril. A revolução dos cravos visou pôr termo à guerra do ultramar, que destruía a vida de milhares de jovens, e pretendeu estabelecer uma democracia em Portugal. Que pudéssemos votar, ter opiniões contrárias à do governo e acesso a uma informação livre e imparcial. Comparar estes objectivos, dignos e gratificantes para quem a eles se propôs e por eles se bateu, com a mera exigência de mais direitos, à custa do esforço de outros, é um insulto. No entanto, há quem faça precisamente isso: exija do Estado a prestação de múltiplos serviços, alegando um direito baseado na mera existência. Existo, logo exijo. Foi para um país de cidadãos de mão estendida que se fez o 25 de Abril? Terá sido para esta falta de brio que saltámos de uma ditadura para uma democracia? Não me parece. Foi para quê, então?
Acima de tudo, pela liberdade. Não só de votarmos, mas de, através do voto, procurarmos soluções para os problemas e, dessa forma, vivermos melhor. De não ficarmos presos às decisões tomadas há 38 anos, mas conseguirmos decidir de acordo com as necessidades e as vontades de hoje. Por isso, além da escolha de um governo, a liberdade implica viver e decidir sobre os problemas que afectam a vida de cada um de nós, sem a interferência de terceiros. Esta liberdade, que Isaiah Berlin definiu como negativa, é aquela que devemos aprofundar em cada dia que passa das nossas vidas. Trata-se de um processo quase tão difícil quanto planear e levar a cabo uma revolução. Consiste num esforço diário, dissolve-se se não constar de uma prática habitual, implica uma vigilância constante da nossa parte. Obriga-nos a melhorar e a escolhermos o caminho mais difícil: o de assumirmos a responsabilidade das nossas vidas, de forma a não sermos um peso para os demais. E se tomarmos consciência da dimensão desta empreitada, reparamos que é um dever o que se nos impõe: sermos individualmente livres de forma que os outros também o possam ser. Se não o fizermos, a liberdade de que tanto se fala nestes dias será oca e pouco significado terá. Serão livres os que esperam e não os que procuram. A liberdade desaparecerá à primeira dificuldade e será trocada pelo que se apelida de segurança. Como se esta fosse possível sem que se respeite a vontade e os desejos de terceiros.
O apreço pelo trabalho do outro implica um esforço suplementar da nossa parte. O direito ao ensino e ao trabalho não pressupõe que estes nos sejam concedidos, mas que possamos lutar por eles. Da mesma forma, a gratuitidade de prestações sociais a quem as pode pagar, porque implicam um ónus sobre o trabalho dos restantes cidadãos, são uma farpa na sua liberdade individual. Na liberdade de trabalhar e usufruir, o máximo possível, dos seus rendimentos. Quanto mais subsídios recebemos, mais impostos pagamos e menos livres somos. Só uma sociedade respeitadora desta liberdade tem condições de ajudar quem precisa, os verdadeiros pobres, e não os que, em seu nome, se arrogam o direito de receber. É assim que a liberdade dos solidários passa mais por prescindir do que por impor obrigações.
Abril 29, 2012
Jorge Jesus no FC Porto ?
Mais um título para o FC Porto numa época em que o futebol praticado pela equipa esteve longe de convencer mas chegou e sobrou para a concorrência a nível nacional.
No mesmo dia, a notícia de um hipotético acordo de Jorge Jesus com Pinto da Costa deverá ajudar a fortalecer a sua posição negocial junto do Benfica.
Abril 26, 2012
Empreendedorismo tributário
Quando tanto se fala de promover o empreendedorismo, é de assinalar a notável criatividade de alguns governantes no que diz respeito à invenção de novas taxas, sempre a bem da Nação, como não poderia deixar de ser.
Assegurado que está um renovado impulso de empreendedorismo na expansão da carga tributária, na economia portuguesa ficam a faltar apenas os recursos para a pagar.
Deve ser isto, o chamado “neoliberalismo”…
Abril 25, 2012
O autocarro do Chelsea travou o Barcelona e Mourinho enganou-se
Não foi bonito, mas defender e ter sorte também fazem parte do futebol.
Mourinho, que havia garantido que o Barcelona estaria na final, enganou-se, mas não deve estar nada importado com o “erro”: se conseguir ultrapassar o Bayern de Munique (e é, apesar do poderio do Real Madrid, um grande “se”…) tem as portas abertas para juntar a Champions à praticamente certa conquista da Liga Espanhola.
Abril 24, 2012
Acabar com o feriado do 25 de Abril e preservar o 1º de Dezembro
Dado que já nem sequer a Associação 25 de Abril, nem Mário Soares, nem Manuel Alegre se dignam participar nas celebrações oficiais do 25 de Abril, está dado o mote para acabar com o feriado do 25 de Abril, preservando em troca, por exemplo, o 1º de Dezembro.
Abril 23, 2012
No Fio da Navalha
O meu artigo para o jornal i deste fim-de-semana.
Décroissance
A extrema-esquerda, que tem defendido uma redução da actividade económica para mudar o nosso modo de vida, devia estar satisfeita com esta crise.
Há um ano, o governo de Zapatero baixou o limite de velocidade nas auto- -estradas de 120 para 110 km/h. A ideia procurava reduzir o consumo de combustível, devido ao aumento do preço do petróleo que, na altura, atingia os 120 dólares por barril. Procurava também reduzir as emissões de carbono para a atmosfera e, dessa forma, proteger o planeta. Como é natural, esta imposição não teve sucesso. Ninguém cumpriu o limite imposto, tal como não houve qualquer redução no consumo dos combustíveis. Em Portugal, ainda se pensou fazer o mesmo, mas não foi necessário. A recessão económica chegou e fez o que faltava. De acordo com a Direcção-Geral de Energia e Geologia, o consumo de combustíveis está em queda desde Abril de 2011. Em Outubro último, o consumo de gasolina terá caído 8,1%, e o do gasóleo 3,4%. No início deste mês foi anunciada uma quebra de 47 milhões de litros de combustível vendidos. São cada vez menos os que andam de automóvel. E cada vez mais os que cumprem os limites de velocidade, por forma a pouparem combustível, e ainda os que preferem as estradas nacionais às auto-estradas, evitando as portagens. Estas notícias têm sido encaradas como inquietantes. Mas não foram estes os resultados que tantos queriam conseguir por força da lei? Menos carros, menos poluição, menor dependência do petróleo. O que a força não impôs, conseguiu-o a realidade.
O mesmo aconteceu com a construção civil. Lembra-se o leitor dos “patos bravos” de que o país estava cheio? A chatice que era construírem-se prédios em todo o lado, quando nenhuma colina verde escapava à fúria do betão? De acordo com os últimos dados, o sector da construção e do imobiliário vai perder 12 mil empresas só neste ano de 2012. O país dos “patos bravos” acabou, e com eles a construção desenfreada. Para quê então as notícias alarmantes sobre o assunto, agora que a economia está a ir ao encontro dos desejos de alguns que, sabemos agora, não sabiam bem o que significava aquilo que queriam? Os adeptos da teoria da décroissance, tão em voga entre certos sectores intelectuais da esquerda francesa e com forte influência na extrema-esquerda portuguesa, estão a ter o que sempre desejaram: menos consumo, menos poluição, menos construção. Se assim é, para quê então tanta crítica? Para quê os incentivos à revolta e o apelo à rua?
Apesar dos protestos, a extrema-esquerda sabe que o que sempre defendeu está a acontecer: a falência de um modo de vida que tem criticado ao longo dos últimos anos. Há nisto uma forte ironia que se traduz num círculo demasiado vicioso: o protesto contra um modo de vida que permitia à extrema-esquerda ser o que é, e que uma vez em causa a obriga a lutar para tudo volte ao que era, ao que nunca quis. Complicado? Não tanto, se considerarmos a extrema-esquerda como um grupo político, não de mero protesto, mas que visa sujeitar as nossas vidas à vontade do Estado. Que pretende impor-nos comportamentos, por muito simples que estes sejam, mas que já não os aceita quando advêm do nosso livre arbítrio. Por isso, circular a 110 km porque a lei nos diz para o fazer é bom, mas andar mais devagar para poupar gasolina já é uma consequência opressiva da austeridade. Poupar na electricidade para salvar a Terra é positivo, mas se devido à nossa escolha racional enquanto consumidores é de rejeitar. Como a maioria das nossas decisões enquanto homens livres: a escolha de uma escola para os nossos filhos, a prática de uma religião que nos torne conscientemente livres do arbítrio do poder político ou a liberdade de gastarmos o nosso dinheiro como quisermos. Aquilo porque se bate a extrema-esquerda não é a resolução dos nossos problemas, mas saber como determinar as nossas decisões. Fazer de nós, indivíduos e famílias, parte integrante de um todo estatal. Mesmo que isso implique o recurso à força e à violência na rua.
Abril 21, 2012
Liberdade de escolha na educação: declarações de intenções vs. medidas concretas (2)
A escolha de palavras no título do Público (“Ministério admite que liberdade de escolha de escolas não será eficaz nos grandes centros”) é, ela própria, todo um programa, mas o reconhecimento do Ministério e a substância da notícia vai de encontro ao que havia escrito aqui: a menos que haja a possibilidade de o financiamento seguir o aluno independemente de a escola ser estatal, privada ou do terceiro sector (salvaguardando sempre a possibilidade de existirem escolas independentes sem qualquer financiamento estatal) as implicações da “liberdade de escolha” anunciada vão ser francamente limitadas e podem até adicionar confusão ao sistema sem grandes vantagens.
Resta esperar que as intenções declaradas comecem a dar lugar a medidas concretas num futuro próximo no sentido de promover efectivamente uma maior liberdade de escolha tanto no ensino básico e secundário como no ensino superior.
Leitura complementar: Liberdade de escolha na educação: declarações de intenções vs. medidas concretas.
Para subsidiar abortos não falta dinheiro…
A total inacção em relação ao descalabro do aborto é uma das maiores manchas da actual maioria. Os frutos da grande “conquista” progressista do aborto livre e generosamente subsidiado pelo Estado esao à vista, mas estranhamente esta é uma área para a qual não há qualquer sinal de preocupação na contenção da despesa: Número de mulheres que repetem abortos tem aumentado
O último estudo feito sobre o número de abortos em Portugal foi realizado pela Federação Portuguesa pela Vida (FPV) e teve por base os dados oficiais disponíveis: da Direcção-geral da Saúde e do Instituto Nacional de Estatística, até 2010. De acordo com esses números, desde 2007 realizaram-se em Portugal mais de 80 mil interrupções, das quais perto de 13.500 foram repetições.
Abril 19, 2012
A mudança de paradigma
De acordo com os dados divulgados no início deste mês pelo Instituto Nacional de Estatística, as exportações portuguesas terão aumentado 10,2% no primeiro trimestre deste ano, ao mesmo tempo que as importações caíram 6%. Devendo-se a quebra no consumo interno e a recessão que o país atravessa, em parte ao corte de algumas despesas do estado, nomeadamente nas obras públicas e na compra de produtos e contratação de serviços, a redução das importações e o aumento das exportações é um excelente sinal. Um sinal de que o dinheiro começa, finalmente, a circular entre as pessoas certas. Entre quem produz e não entre quem gasta. A circular no sector correcto que é o privado. Não ouvimos durante anos dizer que a economia se deveria basear não no consumo, mas na produção? Ora aqui está.
Abril 17, 2012
Síndrome de Estocolmo
Acabei de ouvir, no programa da RTP “Prós e Contras”, um dos convidados dizer que gosta de pagar impostos, que se sente orgulhoso…
Se ele vivesse mesmo junto à fronteira espanhola aposto que seria o único “maluquinho” ”orgulhoso” a abastecer exclusivamente em postos de gasolina portugueses!
Abril 16, 2012
No Fio da Navalha
O meu artigo para o jornal i deste fim-de-semana.
Titanic
Recordar o naufrágio do Titanic é homenagear as vítimas daquela que terá sido a primeira das muitas catástrofes do século xx
Em “À Procura de Sir Malcolm” (Meribérica), Jean Claude Floc’h e François Rivière falam-nos da dolorosa recordação que Francis Albany tem da viagem feita, quando criança e com os pais, a bordo do Titanic. O que se conta é muito mais que a história real do Titanic, cujo naufrágio serve de pano de fundo a uma intriga belíssima, com desenhos dignos da linha clara da banda desenhada franco-belga. Mas está lá tudo: o embarque, o fascínio de um grande navio, a travessia do Atlântico, o ambiente que uma viagem daquelas pressupunha e, claro está, os icebergues. O terror, o choque, o pasmo e o silêncio que se abateu sobre aquela gente num espaço de pouco mais de duas horas. Tudo aconteceu faz esta noite 100 anos.
O interessante no Titanic não é apenas o aviso simbólico do fim de uma época, que terminaria em 1914. É um acontecimento impressionante que, de tantas vezes estudado e contado, se tornou um momento de paragem na história, num seu ponto de referência. Assim sendo, e na medida em que a percepção que cada um tem do que seja justo e injusto, certo e errado, do que espera e deseja da vida, muda, mesmo que não de forma essencial, com os tempos, percebemos como os que estavam no Titanic foram dos primeiros que pensavam como nós. No meio da evolução intelectual, de valores e sentimentos, aqueles homens e mulheres foram os primeiros do século xx com as vidas registadas ao pormenor. Sabemos quase tudo o que se passou naquela noite. Se lermos o que deles se diz concluímos que nos revemos no que eram e naquilo em que se queriam tornar. Alguns dos que sobreviveram chegaram às décadas de 70 e 80. Deram o seu testemunho e viveram a nossa época. Contrariamente ao cidadão comum do século xviii, que é para nós um estranho, que ainda não conhecia a democracia, o conceito das liberdades e o liberalismo, os que viviam há um século tinham o nosso código de valores. Foram pessoas por quem sentimos empatia e de quem nos sentimos cúmplices.
Isidor Straus era um norte-americano de origem germânica, dono dos armazéns Macy’s em Nova Iorque. Ele e a mulher, Isadore, iam para os EUA, vindos da Alemanha. Ao contrário do habitual, não viajaram num barco alemão. Embarcaram no Titanic em Southampton, Inglaterra, rumo à América. Dois anos depois este mundo estava em guerra. Algo inimaginável para este casal sexagenário que se sentiria em casa no século xxi. Depois do choque com o icebergue e de se ter percebido que os botes de salvamento não chegavam para todos, Isidor recusou–se a ocupar um lugar, preferindo deixá-lo aos mais novos. A sua mulher não aceitou afastar-se dele. De acordo com os testemunhos, terá dito que da mesma forma que viveram juntos juntos morreriam. Perante esta decisão, Isidor ordenou à empregada da sua mulher que embarcasse. O que Ellen Bird fez e lhe permitiu viver até 1949. Houve outros actos heróicos, muitos desconhecidos, mas todos praticados por homens e mulheres sem treino militar, com amor à vida, alguns ricos, outros pobres, todos a sonhar com a vida que tinham pela frente. Homens e mulheres que aceitaram o inevitável quando, pouco tempo antes, tudo era expectativa e promessa de bem estar.
Se há um momento semelhante a este, terá ele ocorrido a 11 de Setembro de 2001. Também aí, e ainda hoje, vamos conhecendo actos heróicos e generosos de pessoas comuns. Talvez daqui a 90 anos alguém ainda lhes reserve uma crónica num jornal. O importante é a percepção do choque que deve ter sido idêntico para nós, que assistimos à queda das torres em directo na televisão, e para os que souberam do naufrágio do Titanic nos dias seguintes pelos jornais. O mesmo sentimento de impotência e de incompreensão. O mesmo assombro. A mesma aceitação. A história conta-nos que o mar estava calmo, não havia luar nem nuvens. O céu estava estrelado. Vinte minutos depois de o Titanic ter submergido, os gritos dos que caíram à água terminaram. O silêncio imperou de então para cá, faz esta noite 100 anos.
Abril 13, 2012
Liberdade de escolha na educação: declarações de intenções vs. medidas concretas
A intenção de alargar a liberdade de escolha no âmbito da educação é positiva mas, infelizmente, pelo que foi até agora anunciado não encontro razões para partilhar do optimismo do Miguel.
A menos que haja a possibilidade de o financiamento seguir o aluno independemente de a escola ser estatal, privada ou do terceiro sector (salvaguardando sempre a possibilidade de existirem escolas independentes sem qualquer financiamento estatal) – o que não me parece estar para já previsto – as implicações da “liberdade de escolha” anunciada vão ser francamente limitadas e podem até adicionar confusão ao sistema sem grandes vantagens.
Por outro lado, o actual Governo já concretizou uma real machadada na (limitada) liberdade de escolha existente quando praticamente anulou a possibilidade de abatimento fiscal parcial das despesas das famílias com educação.
Assim, até agora, não obstante as boas intenções anunciadas, temo que o balanço em termos de promoção da liberdade de escolha no ensino por parte do actual Governo esteja a ser negativo. Aliás, o balanço negativo aplica-se também ao ensino superior onde até ao momento não há sinais de aumento de propinas, nem de nenhum passo que vise diminuir a desigualdade de condições de concorrência entre o sector estatal e o sector não estatal.
Faço votos – embora confesse o meu cepticismo – de que no futuro as medidas concretas do Governo possam acompanhar as declarações de intenções no sentido de promover efectivamente uma maior liberdade de escolha tanto no ensino básico e secundário como no ensino superior.
The Stateless Man

Dei em 21 de Março uma entrevista à Rádio Overseas Radio Network, e em particular ao Programa The Stateless Man do meu amigo Fergus Hodgson. Podem ver a lista e ouvir todos os arquivos, ou ir directamente ao ficheiro onde me podem ouvir neste MP3.
A ligação (por Skype) estava má e já reparei em pelo menos 2 palavras que desapareceram, mas creio que o essencial ficou dito.
Abril 12, 2012
Um caso mal explicado…
Pela descrição que é feita, fico sem perceber o que se terá passado, mas espero que a comunicação social coloque no esclarecimento deste caso o mesmo empenho que dedica relativamente a qualquer suspeita que envolva o FC Porto: PJ faz buscas no Sporting e na casa e empresa de Pereira Cristóvão; PJ investiga árbitro auxiliar por depósito bancário antes do Sporting-Marítimo.
Abril 10, 2012
Jesus precisa de (pelo menos) de 50 jogadores…
Depois de um jogo que correu muito mal ao Benfica, Jesus queixa-se (mais uma vez) da arbitragem, mas a verdade é que foi notório (mais uma vez) o esgotamento físico dos jogadores que treina. Jorge Jesus percebe de futebol e monta bem as suas equipas mas – como as últimas épocas demonstram – simplesmente não tem sido capaz de gerir os nívceis de esforços dos jogadores que treian de forma a que aguentem uma época inteira sem quebras significativas generalizadas. Sem melhorar nesse aspecto crucial, só mesmo com um plantel de 50 jogadores ao mesmo nível: 25 para cada metade da época…
Abril 9, 2012
No Fio da Navalha
O meu artigo para o jornal i deste fim de semana de Páscoa.
Ressurreição
Mais difícil que dar a alma por algo, é guardá-la. A Páscoa é também a festa do renascimento da vontade humana e das suas capacidades.
To sell your soul is the easiest thing in the world. If I asked you to keep your soul – would you understand why that’s much harder?
Ayn Rand, The Fountainhead.
Ayn Rand foi uma filósofa e escritora norte-americana, autora de diversos livros, dos quais os mais conhecidos são “Atlas Shrugged” e “The Fountainhead”. Neste último, Rand conta-nos a vida de Howard Roark, um arquitecto genialmente criativo, que adora o seu trabalho e não se rende ao que pelos outros foi convencionado como devia ser a arquitectura. Nem se deixa aliciar pela consagração fácil e rápida dos que trocam a realização pessoal pelo prestígio e uma vida fácil. Roark chegará a ter dinheiro, até um grande atelier, mas este pouco mais é para ele que o resultado do trabalho, uma forma de ser independente e não se sujeitar a quem quer que seja. O que gera a incompreensão dos seus colegas é o não compreenderem porque Roark não escolhe o caminho mais rápido para o sucesso. O não entenderem que para ele, o êxito é, não o reconhecimento social, mas estar liberto dos condicionalismos que tolhem o processo criativo. São muitos os que o receiam porque não valorizam o que apenas alguns conseguem almejar. Por não conseguirem conviver com alguém que busca o que para tantos nem sequer é um sonho. E não suportam o seu silêncio, o facto de não fazer sugestões, de não perder tempo a comentar as decisões dos outros. Não o faz, da mesma forma que agradece que não o façam consigo. Não o faz porque pressupõe que cada um procure viver da forma que lhe agrada, não imaginando que alguém troque a sua realização pessoal pelo reconhecimento alheio. Ou melhor: que alguém se realize por ser o que os outros desejam que seja. Que alguém deixe de ser quem é, desista da sua individualidade, da sua essência, natureza, para agradar a terceiros. A atitude de Roark, que muitos apelidam de egoísta, é tremendamente cristã. E é por essa razão que trago hoje, para este jornal e na Páscoa, a sua história.
Se houve mensagem que Cristo deixou foi a de não julgarmos os outros e não sermos escravos dos bens materiais. A concepção do indivíduo como algo sagrado, porque criado à imagem e semelhança de Deus; a imoralidade que é destrui-lo, não o deixar singrar na vida, ou pior, destruir-se em nome dos outros. A ilusão que é explicar os nossos fracassos, falhas, com os erros alheios. Culpabilizá-los pelo que fizemos e somos. Não assumirmos a responsabilidade de sermos aqueles em quem nos transformámos, porque nem sempre quisemos ser aquilo em que nos poderíamos tornar. O dever de não trocarmos a nossa realização pessoal pela busca do bem estar material, como sinal de afirmação na sociedade. E se encararmos a questão por este prisma, o altruísmo não será prescindirmos de nós em nome dos outros, mas fazermos o nosso melhor. A procura da felicidade torna-se um direito inalienável e a entrega já não será irmos contra a nossa vontade, mas usá-la para algo que nos deixe intimamente felizes. Porque só alguém feliz, realizado por fazer o que gosta, ou por lutar por fazer o que gosta, cumpre o papel divino que lhe foi destinado e é uma referência para quem lhe preste a devida atenção.
Se somos criados à imagem e semelhança de Deus, nada é mais valioso que a vida humana. Uma vida que só se dignifica com trabalho, independência e em liberdade, com a obrigação de fazermos o melhor, mesmo que desagrade a terceiros. De subirmos a parada dos nossos feitos. Assim sendo, a virtude medir-se-á não pelo que fazemos pelos outros, mas pelo que fazemos por nós. Se acreditarmos nas nossas capacidades, sem termos de pedir ajuda a quem quer que seja, encontramos a razão de ser da nossa existência e confiamos também na dos demais. Se tentamos, eles também podem tentar. O respeito pelo outro passa por este ponto tantas vezes esquecido que é não prescindirmos de nós e seguirmos com a nossa vida. O não nos deixarmos prender pela convenção aparente de entregar a nossa essência por algo que nos seja alheio.
Abril 5, 2012
A favor do Adolfo Mesquita Nunes e contra as palhaçadas (ainda que bem intencionadas)
Uma vez que acabei, de forma indirecta, por me referir a uma disputa interna do CDS na qual tenho pouco interesse, parece-me oportuno esclarecer dois pontos:
1 – Não obstante as públicas e profundas discordâncias que tenho com o Adolfo Mesquita Nunes no que diz respeito a várias questões ditas fracturantes, não tenho dúvidas de que ele é um dos melhores deputados da presente legislatura e uma das mais promissoras figuras no espaço não socialista em Portugal, pelo que só por um impulso suicida alguém com algum interesse no futuro do CDS enquanto partido não socialista poderá alimentar campanhas contra ele. Acresce que face à correcção, elegância e sustentação com que o Adolfo regra geral defende as suas posições, quaisquer cruzadas pessoais dirigidas contra ele assumem um carácter ainda mais injusto e descabido.
2 – Sem pôr em causa as genuínas boas intenções de muitos que assumem esse papel, estranho sempre manifestações de radicalismo anti-fracturante que não parecem questionar os fundamentos daquilo que estão a defender. A questão do casamento é porventura o melhor exemplo. Socorro-me para o efeito de uma passagem num texto que, apesar de não subscrever integralmente, considero expressar particularmente bem o tipo de desconforto que sinto face à emergência esporádica desse tipo de manifestações de radicalismo anti-fracturante: (mais…)
CDS e PSD aliados à extrema-esquerda, contra a liberdade
Chegamos a isto: uma vitória para o PS que é também uma vitória para a defesa das liberdades e garantias individuais, a constituição de Abril a proteger o país do socialismo mais radical e demagógico e BE, PCP, PSD e CDS unidos numa luta profundamente demagógica contra o princípio da presunção da inocência e a favor do aumento da arbitrariedade do sistema jurídico e dos abusos do poder político.
Aqui está um caso no qual votar ao lado da extrema-esquerda é verdadeiramente lamentável e vergonhoso.
Leitura complementar: Um erro grave e um passo no caminho para a servidão; Enriquecimento ilícito: Pedro Silva Pereira tem razão; Mais um passo na direcção da ditadura fiscal; Mais um passo na direcção da ditadura fiscal (2); Populismo jurídico; Populismo jurídico (2); Populismo jurídico (3).
Abril 4, 2012
Diogo Feio ficou constrangido ao ver um deputado do CDS a votar ao lado de Louçã e de Jerónimo de Sousa (nas votações relativas a alterações à legislação laboral nacional – por essa matéria estar, na sua opinião, sujeita a um princípio de disciplina de voto especialmente qualificado) mas não atacou João Rebelo e Adolfo Mesquita Nunes
Face a este esclarecimento, é minha obrigação penitenciar-me pela minha falta de clareza no post Diogo Feio ataca João Rebelo e Adolfo Mesquita Nunes.
Julguei, inocentemente, que fosse absolutamente claro que este meu post era irónico e visava apenas salientar a infelicidade da crítica de Diogo Feio a Ribeiro e Castro tal como ela foi reproduzida no Público. Nunca me passou pela cabeça que o post em causa pudesse ser lido como uma imputação a Diogo Feio de críticas a Adolfo Mesquita Nunes e João Rebelo, imputação essa que seria, obviamente, falsa (além de derrotar à partida a própria razão de ser do post).
Relativamente aos fundamentos adicionais apresentados para justificar a crítica de Diogo Feio a Ribeiro e Castro, não me pronunciarei já que são essencialmente esclarecimentos relativos à notícia do Público. O que me importa face a este comentário é deixar claro que em nenhum momento pretendi fazer a imputação de que Diogo Feio tivesse tido por objectivo criticar João Rebelo, Adolfo Mesquita Nunes ou, já agora, o próprio Diogo Feio, por ter, como recorda, votado “muitas vezes, ao lado de Jerónimo de Sousa e Francisco Louçã”.
Leitura complementar: Diogo Feio ataca João Rebelo e Adolfo Mesquita Nunes; A propósito das críticas de Diogo Feio.
Abril 2, 2012
No Fio da Navalha
O meu artigo para o jornal i deste fim de semana.
O clima e a nossa responsabilidade
Enquanto os crédulos acreditam que o clima não muda, os oportunistas utilizam esse facto para fazer valer os seus projectos políticos.
Como não choveu no Inverno são muitas as referências ao aquecimento global, às secas que aí virão e à culpa do homem, que é imensa. Infelizmente, a memória é curta. Caso contrário, recordaríamos as chuvas do ano passado, bem como o Verão, que não foi o primeiro a ser fraco. Também não esqueceríamos como o Inverno deste ano foi rigoroso na Europa, enquanto cá não chovia. Como não choveu noutros Invernos, conforme também bem sabemos, se não quisermos ter memória curta. Mas o tema deste artigo não são as alterações climáticas, mas a responsabilidade do homem como sua causa principal, que tantos tomam por certa e que alguns pretendem usar para ditar políticas restritivas das liberdades individuais.
Em Janeiro de 2011, a “Swiss Federal Research Institute for Forest, Snow and Landscape” anunciou os resultados de um estudo baseado na observação dos anéis de mais de 7200 fósseis de árvores dos últimos 2500 anos, na Alemanha, em França, em Itália e na Áustria. Medindo a largura dos anéis das madeiras foi possível determinar as temperaturas e os níveis de precipitação numa base quase anual. E o que se comprovou foi algo que já se sabia: o clima sempre mudou e as suas fortes alterações terão até influenciado a história da Europa. Os Verões húmidos e quentes coincidiram com as épocas de expansão, enquanto os secos e frios ocorreram nos períodos de crise, como sejam a decadência do Império Romano e as migrações que forçaram a sua queda, a Peste Negra, em meados do século xiv e a Guerra dos Trinta Anos, na primeira metade do século xvii. O que para aqui interessa são as alterações climáticas que foram ocorrendo durante estes dois mil e quinhentos anos. Períodos prolongados de seca, a par de outros frios (que gelaram o Tamisa no Inverno de 1683-84), em contraponto com épocas quentes e chuvosas, que marcaram por exemplo o século xv, coincidentes com a expansão portuguesa e o início do Renascimento. Como se vê, um fenómeno constante e, julgo não estar errado, em nada resultante da actividade poluidora do homem.
Porque é aqui que bate o ponto: na responsabilidade humana. Do comportamento do homem que criou a sociedade industrializada, de serviços e consumista que permitiu o maior desenvolvimento jamais visto na qualidade de vida das pessoas. A atribuição de um sentimento de culpa por algo que tem sido positivo e que nos tem permitido viver melhor, saber e questionar mais, não aceitando de forma gratuita as imposições dos governantes e dos poderosos. Não deixa de ser interessante que seja entre a classe política e os que aplaudem o poder omnipresente do Estado que se encontrem os principais defensores da culpa do homem por algo tão natural e recorrente como as alterações do clima na Terra.
Há dois aspectos que nos devem chamar a atenção. O primeiro é o critério científico colado à tese da responsabilidade do homem quando a ciência se baseia, como nos disse Karl Popper, no confronto entre posições opostas e não na imposição de uma teoria como absoluta. Sendo a ciência a base de investigação por excelência, qualquer utilização da mesma para impor respostas definitivas devia ser uma afronta à nossa inteligência. O segundo é a humildade. Esta é utilizada pelos que culpabilizam o homem pelas alterações climáticas, alegando que se formos humildes percebemos que temos de mudar a nossa vida e não ferir o planeta. Mas se encararmos o fenómeno por outro prisma, se entendermos que as alterações climáticas são naturais, inevitáveis e independentes da actividade humana, nesse caso a humildade será aceitarmos que o homem é insignificante perante as alterações naturais do clima e que pouco ou nada pode fazer para as evitar, que não seja adaptar-se como sempre fez. Talvez parte daquilo a que assistimos não seja ao fim da vida na Terra, mas da crença de que o homem é omnipotente e tudo pode. Até impedir as mudanças no clima, que, por serem naturais, se tornam indispensáveis ao equilíbrio do planeta.
Março 31, 2012
Março 26, 2012
Inflação no Reino Unido
Além das comparações da Helena Matos, este caso vem confirmar que os efeitos da inflação se fazem cada vez mais sentir no Reino Unido: 250.000 libras para jantar com David Cameron e George Osborne ?
No Fio da Navalha
O meu artigo para o jornal i deste fim de semana.
A crítica certeira
Devemos centrar as nossas críticas não nos que ganham dinheiro mas nos que vivem dos fundos públicos.
Quem acompanhe o processo eleitoral para a presidência dos EUA percebe o quanto este está marcado por um preconceito contra a riqueza, até há poucos anos impensável na América. Ser rico é um problema para quem queira ser político nos EUA e está a criar sérias dificuldades a Mitt Romney, o mais provável candidato republicano a correr contra Barack Obama. É fácil prever Obama a colar Romney à imagem de homem rico; uma riqueza de origem dúbia e, na melhor das hipóteses, desconhecida. Algo contrário à própria representação de Obama, nascido numa família sem posses, mas que estudou e chegou onde chegou. Claro que Obama tem mérito. O problema é que Romney também o tem, apesar dos esforços que Obama vai fazendo para lhe negar esse direito. Para Obama, se ser rico é um pecado, ser um político bem sucedido já é uma virtude. É muito interessante como um discurso vindo de Washington, num tempo em que a classe política goza de tão pouca consideração, vingou tão bem.
Este será o teor do discurso de Obama: quem queira o bem público, o único aceitável por pessoas de bem, trabalha para os outros. Como ele o fez quando foi voluntário em Chicago; como ele o faz agora, em comissão de serviço, como presidente dos EUA. A mensagem de Obama é, como foi em 2008, muito subtil, mas mortífera: ele quer ser presidente dos EUA, não porque seja ambicioso, mas porque pretende prestar um serviço. A partir daqui, a sua mensagem voltará a repetir-se: aqueles que trabalham para que o seu negócio cresça, os que estão imbuídos pela ideia do lucro, os que visam apenas os seus interesses devem ser travados. Travados, não no sentido de impedidos de continuarem a fazer o que fazem tão bem, que é criar riqueza, postos de trabalho e receitas fiscais, mas de serem canalizados para o bem comum, precisamente por aqueles que já abraçaram a causa pública. Se a hipocrisia subjacente a este raciocínio lhe faz impressão, peço-lhe que continue a ler o artigo. Caso contrário, por favor, pare. O que aqui está escrito não é para si.
Recomecemos com calma. que o assunto é delicado e sério. Não há nada de errado em seguir uma carreira pública. Ela é desejável e imprescindível num estado de direito. A dignidade que lhe está subjacente é de louvar e respeitar. Aqueles que a seguem devem procurar o equilíbrio, a estabilidade e a segurança de que qualquer sociedade necessita para que viva em liberdade. Este deve ser o objectivo do serviço público. Este. Não ultrapassar as suas funções para, em nome do Estado, ou seja, de todos, direccionar a economia, favorecendo sectores de actividade em detrimento de outros e, dentro desses, alguns empresários, discriminando os que não conseguem, ou não querem, ter “amigos” no poder. E também não passa, apenas porque as contas públicas estão em maus lençóis, por lançar suspeitas sobre os que, de fora da esfera pública, decidiram ganhar dinheiro. Infelizmente, apesar de errada, esta tendência ir-se–á acentuar no decorrer deste ano.
É que não há nada de errado em querer ganhar dinheiro e acumular riqueza. Se achamos que há, saberemos também que quem assim age perde mais do que julga ganhar. Ou seja, é algo que não nos diz respeito se quem ganha dinheiro o faz de forma não criminosa e sem favores políticos. Até porque nós precisamos de quem ganhe muito dinheiro. Precisamos das pessoas que têm o faro para a riqueza, o dito toque de Midas. E precisamos também de centrar a nossa crítica, não em quem enriquece por mérito, mas naqueles que o conseguem devido às boas relações que têm com o poder político. Na verdade, são estes últimos os ricos ilegítimos. Os ricos favorecidos que não merecem o nosso respeito. Se discernirmos esta diferença elementar, mas tantas vezes esquecida, compreenderemos como a luta dos próximos anos não deve ser entre ricos e pobres, mas entre os que trabalham de forma honesta e os que vivem dos dinheiros e dos favores públicos.
Março 25, 2012
O omnipresente Miguel Relvas
Quem está no Governo está no Governo, quem está no partido está no partido e Miguel Relvas continuará certamente a estar um pouco por todo o lado.
Balanço do XXXIV Congresso do PSD: discursos, autarcas, sinais e um desafio
Muitos discursos socialistas, o saudável realismo de muitos autarcas do PSD, alguns sinais de agitação e vivacidade interna e um interessante desafio constitucional lançado ao PS por Passos Coelho.
Março 23, 2012
Virtude
Money is the barometer of a society’s virtue. When you see that trading is done, not by consent, but by compulsion – when you see that in order to produce, you need to obtain permission from men who produce nothing – when you see that money is following to those who deal, not in goods, but in favors – when you see that men get richer by graft and by pull than by work, and your laws don’t protect you against them, but protect them against you – when you see corruption being rewarded and honesty becoming a self-sacrifice – you may know that your society is doomed.
Ayn Rand, Atlas Shrugged, p. 413.
Passos Coelho quer uma sociedade mais dinâmica, com menos estado e, naturalmente, mais justa. O texto em cima ajuda-nos a perceber como a nossa sociedade não é virtuosa. Ajudar-nos-á a saber, dentro de anos, se Passos Coelho foi bem sucedido. Mas, acima de tudo, pode servir de referência quanto ao caminho que devemos trilhar. Menos estado, não significa apenas mais riqueza, mas também menos corrupção e menos favorecimento político. Mais trabalho e mais transparência.
A questão em cima da mesa
Conseguirá um partido, mesmo sendo de causas, libertar a economia do poder politico?
Portas
Não aparece no governo, mas vem ao congresso do PSD. Há quem consiga estar sempre no sítio certo.
Março 22, 2012
As “ideias” da Plataforma 15 Outubro
Mais do que a ignorância sobranceira e o mal disfarçado ressentimento para com o povo – que teimosamente insiste em não compreender as razões pelas quais se deveria revoltar contra o capital – o que mais impressiona no video é o absoluto vazio de ideias. Para além da repetição das habituais banalidades anti-austeritaristas e da arrogância, não sobra praticamente nada. Vale a pena ver na íntegra o video para perceber a dimensão do vazio e vale a pena também levar a sério o vazio já que, em política, ele tende sempre a ser preenchido.
Conferência de Imprensa Plataforma 15 Outubro
Deve estar para muito breve II
Desde a esperada morte do terrorista, saíram e devem estar prontos a sair apelos, manifestos e opiniões políticas e outras mais ou menos mediáticas sobre o receio da comunidade muçulmana vir a sofrer actos de retaliação e da oportunidade única dos políticos alterarem o status quo. Dado a natureza humana, vinganças serão possíveis. Mas o que a realidade evidencia são detalhes e factos de natureza bem diferente: guetos onde a lei não entra, ou melhor é seguida a sharia, onde distúrbios acabam por incendiar propriedades de infiéis, onde judeus são perseguidos, sovados e assassinados.
Qualquer mudança tem que começar e acabar na própria comunidade. Até ver, os resultados estão longe de serem animadores.
Leitura complementar: Deve estar para muito breve.
Março 21, 2012
Governo em rota de colisão com a Curva de Laffer
Para que Gaspar não fique definitivamente a rimar com falhar, o Governo precisa rapidamente de compreender que não há crescimento sem libertar a economia da crescente asfixia fiscal e regulatória a que vem sendo submetida. Controlar o défice deve ser uma prioridade, mas a única via sustentável para o conseguir é enfrentando a sério o monstro da despesa pública: Gaspar rima com falhar. Por Paulo Morais.
Já se sabia que níveis de imposto elevados levam sempre ao crescimento generalizado da fuga ao fisco e à diminuição da receita fiscal. O aumento de impostos, a partir de um determinado nível, é uma medida contraproducente.
Março 19, 2012
No Fio da Navalha
O meu artigo para o jornal i deste fim de semana.
A moral ilegítima
Se os políticos escolherem cirurgicamente os que ficam de fora do Estado social, a moral que o justifica fica pelo caminho.
François Hollande, o homem que as sondagens indicam poder afastar Nicolas Sarkozy do Eliseu, promete criar uma taxa de imposto de 75% para os rendimentos acima de um milhão de euros anuais. Actualmente, a mais elevada é de 41% para os rendimentos acima dos 72 mil euros ano. De acordo com o “Le Monde”, o próprio director de campanha de Hollande, Pierre Moscovici, devido ao reduzido número de franceses abrangidos por esta taxa suplementar, considera a medida meramente simbólica e com poucos efeitos práticos. Ao que parece, a repercussão no défice das contas públicas será nulo. Independentemente de tudo isso, Hollande classificou a taxa especial de imposto como “um acto de patriotismo”. Porquê, se não vai dar resultados? Porque vira as massas contra um grupo anónimo, alvo de animosidade fácil. O que se retira da proposta de Hollande é que, para o candidato do PSF, é igual se a riqueza foi merecida ou se conseguida através dos bons contactos empresariais que alguns têm com o Estado francês. Para Hollande, é a quantidade que se recebe que determina a moral. Não o acto em si. Não é difícil imaginar o perigo que esta nova determinação do que seja certo ou errado representa.
Infelizmente, não é só Hollande que faz jogo sujo nas presidenciais francesas. Sarkozy, receando uma derrota humilhante em Abril, pisca o olho à extrema-direita, prometendo baixar a quota de entrada dos imigrantes. De repente, são estes estrangeiros os culpados pelo desemprego, o crime e a violência. Atente-se bem no raciocínio do presidente francês: não são os impostos, nem a burocracia estatal, nem as centenas de milhares de franceses que vivem à conta dos compatriotas que trabalham. Não. A justificação para uma economia estagnada há quase 15 anos está nos imigrantes, os que não podem votar, mas procuram uma nova vida naquele país. Outra massa incógnita. Outro alvo fácil do rancor. Um ressentimento que está a crescer à medida que as dificuldades aumentam e que os políticos direccionam de forma a atingir quem quer que seja que não seja o Estado. O objectivo é evitar quaisquer críticas às políticas socialistas que conduziram o Estado social à falência.
A semelhança entre as propostas de Sarkozy e Hollande é que ambas visam contornar problemas que resultam das políticas de solidariedade social. Para Sarkozy, os imigrantes, muitas vezes sem trabalho, acabam por beneficiar das regalias do Estado social serem terem feito os devidos descontos. Para Hollande, a própria concepção do que seja a solidariedade estatal é contrária à existência de ricos, sendo imoral haver quem ganhe tanto quando outros pouco têm. O resultado é que o Estado social, que se foi alargando a todas as classes sociais, visando a universalidade, se está a entrincheirar atrás de um eleitorado, ao mesmo tempo que aponta o dedo aos que vão ficando de fora. Mais: o socialismo vingou porque visava ajudar os mais pobres, permitindo-lhes o acesso ao trabalho, a uma rede de segurança que os apoiasse quando preciso. A sua força moral era essa e era imbatível. De tal forma que poucos a questionaram e muitos a ela se renderam. Aquilo a que assistimos agora são chefes de Estado a atacar grupos de cidadãos sem defesa, não em prol dos mais fracos, mas de um eleitorado ainda maioritário que teme assistir ao fim dos benefícios auferidos com o alargamento das funções do Estado. Um eleitorado que teve do seu lado a força do Estado para viver em segurança, mesmo que à custa do esforço dos que pagavam. Agora que os sucessivos défices públicos obrigam a cortes nas despesas, quando há uma luta desenfreada para não ficar de fora de um barco que já não aguenta tanta gente, a moral que fundamentava o socialismo desapareceu. Sarkozy e Hollande querem salvar o modelo social europeu. Esquecem-se de que ele se fez para integrar, e não para pôr de parte. Ao culparem uns para protegerem outros, acabam por questionar a própria moral socialista, tornando-a ilegítima.
Março 15, 2012
Afinar a pontaria
A demissão do secretário de estado da energia, Henrique Gomes, aparentemente por não ter conseguido corrigir as rendas excessivas no sector da produção energética, que penalizam as famílias e as verdadeiras empresas, em detrimento de outras, monopolistas e com excelentes ligações dentro do poder político, comprova que o que devemos criticar não é a riqueza e o sucesso em si, mas o este depender das vantagens políticas, ilegítimas em qualquer democracia e estado de direito, auferidas por algumas empresas, e dos dinheiros conseguidos à conta desses mesmos privilégios políticos.
É nisto que dá quando queremos pôr a política a mandar na economia. Em resposta, a esquerda pretende impor a pureza e a perfeição. Qualquer pessoa com o mínimo de bom senso, conhecendo como são os homens e o estado, sabe que a solução passa por menos monopólios e menos privilégios. Maior liberalização dos mercados. Maior transparência. Menos amizades e mais profissionalismo.
Março 14, 2012
As Universidades portuguesas precisam de mudar de vida…
Apesar da multiplicação dos casos de ruptura orçamental e da cada vez mais evidente insustentabilidade do modelo actual de financiamento assente quase exclusivamente (de forma directa ou indirecta) em verbas do Estado, não parece haver vontade de mudar para uma situação de maior (e mais real e auto-sustentada) autonomia, abertura e concorrência. Não será certamente com aumentos de 30 euros nas propinas que se vai resolver o que quer que seja…
Bom senso
Federação vai chumbar proposta de alargamento do campeonato
Alargamento é “ilegal, irracional e oportunista”, afirma Laurentino Dias
FC Porto contra alargamento recorre ao Conselho de Justiça
Não só o alargamento nos termos em que foi aprovado é um acto de oportunismo como seria ridículo que as regras fossem alteradas a meiodo jogo e, ainda por cima, anulando a possibilidade de descida de divisão a meio da época.
Março 13, 2012
Mário Soares e o Humor Negro
Mário Soares escreveu para o DN de hoje uma crónica humorística no estilo mas negra na temática.
Por pura diversão, vou fazer alguns comentários.
1 A ideologia neoliberal desenvolvida pelos Estados Unidos, após o colapso do comunismo,
Na verdade, se se refere a Hayek, o seu desenvolvimento foi anterior. Sei que para alguém da idade dele pode parecer tudo o mesmo, mas…
no final do século passado, teve o seu momento de glória – na América e depois na União Europeia -,
Thatcher e Reagan já sairam do poder há uns anitos. Desde aí o peso do Estado na Economia aumentou imenso, e não o contrário.
mas parece estar a esgotar-se.
Como aliás prova a ascensão recente do Tea Party nos EUA.
Praxe, coerção e barbárie
No que diz respeito ao conjunto de actividades mais ou menos grotescas vulgarmente designadas como “praxe” discordo do Ricardo Lima.
Primeiro, porque em muitas situações a forma como essas actividades estão organizadas e decorrem – frequentemente com a conivência das instituições de ensino superior – coloca em causa a tentativa de as justificar com o seu carácter voluntário. Há certamente casos e exemplos para todos os gostos, mas a meu ver não faz sentido classificar muitas posturas e atitudes que em qualquer outro contexto seriam tipificadas como exercícios mais ou menos flagrantes de coerção como meras propostas de actividades lúdicas aceites de forma voluntária.
Segundo, porque além dos casos de polícia – que deveriam dar lugar a julgamentos e penas de prisão efectiva – é lamentável que as instituições universitárias indirecta e por vezes até directamente legitimem e facilitem este tipo de actividades. Tem neste aspecto inteira razão o Bloco de Esquerda.
Terceiro, porque sendo verdade que rituais de iniciação mais ou menos grotescos assentes na submissão e humilhação dos iniciados são uma prática comum a muitas outras áreas (por exemplo o desporto ou, de forma quase sempre bastante mais brutal, as forças armadas) de actividade humana, é especialmente grave que tenham lugar no âmbito da Universidade, que supostamente tem como um dos seus principais objectivos contribuir para o desenvolvimento do pensamento livre e autónomo dos indivíduos. Pessoalmente, envergonho-me de trabalhar num contexto profissional e intelectual no qual estas práticas são aceites, legitimadas e por vezes até facilitadas pelas instituições de ensino superior. Se o facto de ser comum ou aceite num dado período pela maioria legitimasse, sem mais, uma prática, então restariam poucas esperanças para a civilização e estaríamos condenados a persistir na barbárie.















