O Insurgente

Fevereiro 25, 2012

Uma passagem meteórica…

Filed under: Comentário,Double standards,Justiça,Política,Portugal — André Azevedo Alves @ 17:48

Episódios como este em nada ajudam a credibilidade do Governo, especialmente num período que tem sido e vai continuar a ser marcado pela austeridade. É preciso pensar duas vezes antes de nomear…

As quotas e a vitória cultural da esquerda

Filed under: Comentário,Cultura,Política,Portugal — André Azevedo Alves @ 17:45

As quotas parecem estar a fazer furir no actual Governo. Nas matérias nas quais não há ideias nem pensamento estruturado, de nada serve a (aparente) conquista do poder: vence quem ocupa o terreno com a sua agenda ideológica, por mais errónea que esta possa ser.

Criatividade e dinheiros públicos não combinam…

Filed under: Comentário,Economia,Justiça,Política,Portugal — André Azevedo Alves @ 17:40

Cavaco Silva pede aposta nas indústrias criativas mas, infelizmente, quando se mistura dinheiro público com criatividade os resultados tendem a não ser os melhores

Fevereiro 24, 2012

A inacção do PSD e do CDS relativamente ao aborto e a aceitação da banalização do mal

Filed under: Comentário,Double standards,Justiça,Política,Saúde — André Azevedo Alves @ 21:00

Recordar tudo. por Pedro Picoito.

(…) quando o poder quer mudar o bem e o mal por decreto, começa por reinterpretar as palavras e só depois as coisas. Antes de ordenarmos a “solução final”, declaramos os judeus untermenschen. Depois de estar no papel, é mais fácil de aceitar pela burguesia. Foi isso que fizemos em 2007. Foi por isso que invoquei a banalização do mal arendtiana. Recordar tudo, sempre. E recordar com todos.

É também tristemente sintomático que não haja até agora por parte da actual maioria PSD-CDS qualquer sinal – por pequeno que seja – de alterar o inaceitável estado das coisas no que diz respeito ao aborto. Até ao momento, nem sequer a grotesca subsidiação do aborto pelo Estado mereceu qualquer iniciativa. A conduta dos actuais dirigentes do PSD e do CDS relativamente ao aborto é outro aspecto que importará recordar no futuro.

Fevereiro 23, 2012

Primárias no PSD (para as Autárquicas)

Pedro Passos Coelho também surpreende pela positiva. Agora foi a vez de propor a introdução de uma boa-prática Americana:

Primárias nas Autárquicas

Ganham…
… os candidatos que não têm medo de ir a votos
… a transparência do processo e, assim, a qualidade dos candidatos
… as populações que beneficiarão da qualidade dos candidatos

Perdem…
… as elites caciques que até agora tinham maior peso na escolha dos nomes
… os partidos que não sigam o exemplo (algo me diz que o PC não vai mudar…)
… os candidatos que apostam simplesmente em “conhecimentos” para serem candidatos

Outras propostas incluem;
- Reforço dos poderes das distritais na escolha dos deputados
- Quotas para as mulheres nos Órgãos Internos
- Criação de uma Comunidade Virtual (fórum político através da internet para discussão de vários temas, entre militantes e simpatizantes)
- Criação do estatuto de simpatizante

O Congresso do PSD está marcado para 23 a 25 de Março.

Fevereiro 22, 2012

Fazer dos portugueses parvos

Filed under: Comentário,Double standards,Educação,Política,Portugal — André Azevedo Alves @ 11:42

Como escrevi em comentário ao excelente texto do Ricardo Campelo Magalhães, até teria sido respeitável se tivessem sido dito e assumido apenas que as garrafas representam um custo pequeno e que seria demagogia barata passar a usar água da torneira. Agora tentar fazer dos portugueses parvos é que não fica nada bem aos Srs. Deputados: Mais valia estarem quietos. Por David Levy.

Toda a gente perceberá que o país não vai à falência por os parlamentares beberem água engarrafada. Só alguém movido por uma tremenda demagogia é poderá sugerir tal coisa.
Assim, ao proporem disparates destes apenas para fingir que poupam uns tostões, para logo de seguida encontrarem contabilidade alternativa para não o aplicarem, só se estão a descredibilizar ainda mais. Mais valia estarem quietos.

Num Parlamento que se desse ao respeito, o mínimo exigível seria um pedido de desculpas público e a demissão imediata dos responsáveis pelo “estudo”. Mas como se trata da Assembleia da República é bem possível que nada aconteça além de mais uma exposição ao ridículo de uma instituição decadente e cada vez mais desacreditada.

Leitura complementar: Parlamento ensina a arte de Enganar Controles de Custos.

Fevereiro 21, 2012

Assim vai a extrema-esquerda em Portugal

Filed under: Blogosfera,Comentário,Media,Política,Portugal — André Azevedo Alves @ 15:19

O jugular João Pinto e Castro acusado de construir “uma tese que o mais fervoroso adepto do PNR não desdenharia” e Daniel Oliveira a apontar baterias publicamente contra Luís Fazenda, que parece assumir agora o papel de inimigo interno preferencial no Bloco de Esquerda.

De cada vez que se fala em “alternativas de esquerda ao PS”, convém nunca esquecer que é de fenómenos como estes que estamos a falar.

Leitura complementar: A extrema-esquerda sedenta de sangue; A ruptura da ruptura da ruptura: o que faz falta é animar a malta….

Fevereiro 20, 2012

A extrema-esquerda sedenta de sangue

Filed under: Blogosfera,Comentário,Justiça,Media,Política,Portugal — André Azevedo Alves @ 15:42

Sendo certo que há quem seja ainda mais explícito na apologia da violência, a extrema-esquerda bloquista-caviar também já praticamente não disfarça a sua impaciência com o facto de ainda não correr sangue nas ruas. Face ao descalabro nas urnas e às cisões internas no Bloco de Esquerda, até se compreende a táctica, mas não abona grandemente a favor dos respectivos autores.

É interessante verificar também a dissonância cognitiva que leva a afirmar que Portugal, a Espanha e a Europa são governadas há mais de dez anos por liberais (Sócrates, Zapatero, etc) e que Vítor Gaspar é um extremista neoliberal.

Felizmente, nem toda a esquerda portuguesa está ao nível desta extrema-esquerda bloquista-caviar, mas o facto de em Portugal, em 2012, haver quem escreva este tipo de coisas beneficiando de amplos palcos mediáticos e de um tratamento favorável e frequentemente cúmplice da comunicação social é sintomático. Resta esperar que o PS resista à tentação de seguir pelo mesmo caminho.

Fevereiro 19, 2012

Síria: desenvolvimentos na repressão contra as forças imperiais

Quatro dezenas de agentes turcos treinados pela Mossad foram capturados pelas forças de Assad. Duas mãos cheias de moral e mensagens de paz chegaram ao porto sírio de Tartous. Estes desenvolvimentos são completamente inesperados.

No Fio da Navalha

Filed under: Comentário,Insurgentes nos media,Nanny State Watch,Política,Portugal — André Abrantes Amaral @ 21:57

O meu artigo para o jornal i deste fim de semana.

O custo do verdadeiro egoísmo

Ao adiar a mudança do que estava errado, fomos colectivamente egoístas e nunca chegámos a ser individualmente generosos.

O fim da tolerância de ponto para os funcionários públicos, na terça-feira de Carnaval, é apenas mais um passo na mudança a que estamos a assistir. As críticas são imensas, e muitas mais ouviremos nos próximos anos. Uma coisa é certa: virão maioritariamente dos que perdem privilégios. Dos que têm regalias sem qualquer contrapartida. Sem nada que as compense ou sequer as justifique. Não deixa de ser interessante que se lamente tanto o fim dos feriados e tão pouco o mais de um milhão de pessoas que não têm trabalho. Qualquer sociedade com o mínimo de sensibilidade sentiria vergonha. Mas aquela em que grande parte dos seus membros é apaparicada pelo Estado em troca de votos, em que tantos escolheram um emprego com o único critério de ser para sempre, é uma sociedade que não guarda nada para o outro. Uma sociedade onde o jargão socialista da solidariedade social é encarado como algo suave, indolor e brando. Algo que não afecta a pessoa que partilha, pois transferiu essa aptidão para uma entidade intangível e inatingível. Um Estado que, por ser responsável por todos, pouco liga ao indivíduo. Pouco faz por quem precisa.

O egoísmo prega-nos a partida de ter dois sentidos, consoante a perspectiva em que encaramos o problema. Não serão hoje egoístas os que se queixam do fim de alguns feriados quando tantos não têm trabalho? Não será egoísmo que metade do país tenha emprego garantido no Estado, no Estado que vive dos impostos que pagamos e da dívida que contrai lá fora e nos onera a todos, enquanto a outra metade receia perder o trabalho? Se discuta o fim dos subsídios de férias e de Natal na função pública e não se refiram os que já há tanto tempo não o recebem? Aqueles a quem a crise não chegou em 2012, mas antes, quando os primeiros avisos de que algo não ia bem, não quiseram ser ouvidos pelo governo e pelo eleitorado.

O Estado social foi criado sobre a premissa de ajudar quem precisa. Mas o que faz ele agora? Vive à custa de quem trabalha. E o mais grave é que não só se transformou numa máquina que sustenta quem a ele pertence e explora os que de fora entregam a dízima, como já nem é social. Desvirtuou-se. Foi muito além do objectivo salutar que é ajudar os mais desfavorecidos e transformou-se num monstro burocrático que nos consome. Estamos cada dia que passa mais pobres, porque considerámos egoísta qualquer crítica ao Estado social. Como uma apreciação baseada em princípios interesseiros, algo que não podíamos aceitar porque feria a nossa boa consciência. Afinal a boa consciência que escondia uma forma de egoísmo. A boa consciência de quem vivia bem num sistema que se esperava durasse para sempre.

Não durou. Como nada dura, e acaba quando menos se espera. E agora que acabou podemos pensar em termos que até há pouco julgámos impróprios. Podemos construir um Estado mais justo, que não viva à custa da habilidade dos cidadãos, deixe de ter empresas, faça menos negócios e se concentre no cumprimento do que devem ser as suas funções essenciais e de soberania. O problema de termos adiado este repensar do que o Estado dever ser é que hoje vivemos tempos de emergência. Que serão de calamidade quando na Primavera a Grécia sair do euro. Não haverá tempo para edificar o que quer que seja, mas apenas para sobrevivermos. O cada um por si vai doer. O desespero e a angústia leva as maiorias a preferir a ordem à justiça. A preferir o previsível ao imprevisto. A Grécia pode cair nas mãos da extrema-esquerda nas eleições de Abril. O que suceder a partir daí é uma incógnita. O egoísmo comodista deu nisto: uma colossal incerteza. Em 1989, tinha eu 16 anos, disse- -me o professor Agostinho da Silva, sobre a dívida que havia no mundo e quem a ia pagar, que o barco ia abanar e o importante era não enjoar a bordo. Agarremo-nos então todos e fixemos bem os olhos no horizonte.

Fevereiro 18, 2012

Sócrates em grande forma

Filed under: Comentário,Media,Política,Portugal — André Azevedo Alves @ 18:35

Depois de ter liquidado politicamente o soarismo e contribuido para a pesada humilhação pessoal sofrida por Mário Soares nas presidenciais de 2006, Sócrates não deixa passar a oportunidade para voltar a deixar claro quem continua a mandar no PS e a ser a principal figura no panorama do xadrez partidário da esquerda portuguesa: Sócrates tem “memória doce” de discussão “gravíssima” com Soares

Para Mário Soares, foi “uma discussão gravíssima”. Para José Sócrates, uma conversa que lhe deixou “memórias doces”, como todas as outras que tem tido com o ex-Presidente. (…) Sobre as conversas e os conselhos que recebeu de Mário Soares ao longo do tempo, a mesma fonte recorda em particular um episódio ocorrido pouco depois do discurso de Cavaco Silva na tomada de posse do seu segundo mandato, a 9 de Março de 2011. Nessa altura, o ex-Presidente enviou a José Sócrates um recado urgente, através de Almeida Santos, dizendo que devia demitir-se. Mas o ex-primeiro-ministro fez então o que sempre fazia: ouvia e depois não seguia o conselho, porque não estava de acordo.

As macaquices e os dogmas do politicamente correcto…

Filed under: Comentário,Cultura,Desporto,Internacional,Justiça,Portugal — André Azevedo Alves @ 17:09

Independentemente de eventuais cânticos menos próprios de alguns adeptos, a vulgarização das queixas (e pressões) com base em acusações de racismo é um sinal dos tempos: se há questões onde todos os insultos são permitidos – e não raras vezes até encorajados e subsidiados pelo Estado – (por exemplo, quando têm por alvo os cristãos, e em especial os católicos); outras há onde o mínimo indício de mau comportamento gera automaticamente ameaças, castigos e até condenações judiciais. Alguns tipos de racismo (real ou imaginado), as ideologias do género e LGBT e o anti-fascismo são os dogmas dos tempos modernos, com direito a protecção armada por parte do Estado.

Leitura complementar: A tirania do politicamente correcto; Se não quer arranjar problemas, nunca questione dogmas progressistas.

A ruptura da ruptura da ruptura: o que faz falta é animar a malta…

Filed under: Comentário,Política,Portugal — André Azevedo Alves @ 16:24

No presente contexto, se há coisa que fazia falta no panorama da política partidária em Portugal era mesmo mais um partido de extrema-esquerda. Resta esperar que consiga pelo menos contribuir para o esvaziamento do Bloco de Esquerda. Isso sim, seria um verdadeiro serviço público do MAS: Dissidentes do BE fundam novo partido, o MAS

Um caso de alergia ao Porto (Canal) ?

Filed under: Comentário,Media,Política,Portugal — André Azevedo Alves @ 16:18

Os “conselhos de redacção” são, em geral, propensos à ocorrência de fenómenos bizarros, mas por vezes ainda conseguem surpreender com as suas estranhas prioridades de intervenção e pressão pública. Dá ideia que para o conselho de redacção da TVI é mais importante marcar o território do que contribuir para as audiências e o bom funcionamento do próprio canal que os emprega: Jornalistas da TVI contra continuidade de Júlio Magalhães

Júlio Magalhães, que foi director de informação da estação entre 2009 e 2011, saiu da TVI no início deste ano para ocupar o cargo de director-geral do Porto Canal, propriedade do FC Porto. Ficou, porém, acordado com a TVI que se manteria na apresentação do espaço de opinião de Marcelo Rebelo de Sousa até meados de Abril, altura em que termina o contrato com o comentador, que pode ser renovado em breve.

Júlio Magalhães já veio a público dizer que gostava de continuar no futuro na TVI com Rebelo de Sousa, mas o conselho de redacção (CR) da estação veio agora manifestar-se contra.

Direita, Esquerda e QI

Filed under: Comentário,Política,Teoria — Filipe Faria @ 13:50
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Segundo o psicólogo evolutivo Satoshi Kanazawa da London School of Economics, os conservadores são em média menos inteligentes que os sociais democratas (liberals). Os conservadores são aqui definidos como aqueles que desejam impostos baixos e que preferem praticar caridade de forma voluntária no sentido de escolher pessoalmente os recipientes das ajudas. Normalmente estes recipientes são pessoas geneticamente próximas (família, comunidade, raça, etc…). Por outro lado, os sociais democratas (liberals) são aqueles que estão dispostos a redistribuir riqueza via Estado para ajudar também outros que estão geneticamente distantes. Nas palavras de Kanazawa, a ideologia destes define-se “as the genuine concern for the welfare of genetically unrelated others and the willingness to contribute larger proportions of private resources for the welfare of such others.

O estudo de QI revelado por Kanazawa mostra que os conservadores têm em média QIs mais baixos do que os seus antagonistas ideológicos de esquerda. A reacção mais comum dos que se dizem de direita é atacarem imediatamente a validade dos testes de QI. Contudo, isto é apenas a saída mais fácil para uma questão que é muito mais relevante do que parece.

Os testes de QI, apesar de muito criticados (na maioria dos casos por razões ideológicas), não só são abundantes e executados por milhares de cientistas, mas também revelam resultados consistentes ao longo do tempo. A maior dessas consistências é a forte correlação positiva que existe entre QI e sucesso económico-social, tanto nos indivíduos individualmente considerados, como em grupos geograficamente localizados. Isto não significa que estes testes que medem G (General Intelligence) sejam perfeitos na sua capacidade de medição, significa sim que apresentam uma capacidade de previsão fortíssima.

Neste caso, Kanazawa não revela o primeiro estudo que aponta para este resultado, vários outros já apontam neste sentido. Como tal, em vez de atacar cegamente os resultados, parece-me mais lógico tentar perceber porque é que existe esta forte correlação entre altos QIs e o apoiar de políticas estatais ditas de esquerda, principalmente perante a evidência do predomínio do pensamento igualitário nas instituições das elites.

Do ponto de vista evolutivo, no sentido da perpetuação genética,  é bastante mais racional praticar caridade com aqueles que nos são geneticamente próximos (e que como tal partilham mais genes) do que com aqueles que não o são, tal como postula a teoria sociobiológica da Inclusive Fitness. Esta atitude deveria ser suficiente para colocar os conservadores como aqueles que merecem o epíteto de inteligentes; mas o contrário parece ser o que a realidade actual nos revela. Segundo a minha análise, tal deve-se a 2 razões:

A primeira razão passa pelo facto de que as pessoas mais inteligentes têm uma capacidade para o raciocínio abstracto que os leva a acreditar que existem soluções desenhadas racionalmente que podem mudar o mundo via planeamento central. Muitas dessas soluções desenhadas por eles mesmos. Aquilo que F.A. Hayek chamou de “arrogância fatal” (The Fatal Conceit).

A segunda razão prende-se com o facto de estas pessoas de QI mais elevado considerarem que vão ser elas, directamente ou indirectamente, a controlar o processo estatal, seja no governo, ou em instituições públicas ou em fortes grupos de interesse. Tal confere-lhes, como é claro, inúmeros benefícios pessoais, o que acentua o papel do auto-interesse, que em boa parte dos casos termina em alocação de recursos privilegiados aos seus “geneticamente próximos”. Isto é, o objectivo é  tendencialmente o mesmo, mas a estratégia para o atingir é mais “sofisticada” do que a dos conservadores.  Não é assim de surpreender que os estudos mostrem que a academia, a imprensa,  os cargos públicos e outras posições de destaque estejam compostos na sua maioria por sociais democratas (liberals).

Visto que conceitos de direita e esquerda são veículos em permanente mutação, a crescente atracção intelectual pelo funcionamento, não só mercado, mas também da acção humana, poderá dentro de algum tempo alterar estas distribuições consideravelmente. Porém, dados os incentivos e vantagens que o Estado dá às elites cognitivas, não é lógico pensar que a atracção das mesmas pelo Estado irá mudar de forma drástica. Pelo menos não no actual contexto. Por fim, como curiosidade, é importante referir que apesar destes estudos contemporâneos mostrarem que em média, as pessoas de esquerda têm um QI mais elevado do que as de direita, a associação internacional Mensa, que aceita apenas elementos com QI que estão entre os melhores 2% da população, é constituída essencialmente por libertários.

Mensans tend to be a refreshingly and disproportionately independent, free-thinking, (lower-case) libertarian-leaning bunch. This group is intended as a relatively nonpartisan forum for the intelligent, reasoned discussion of liberty-related issues, and how to pursue an environment of philosophically honest and consistent, practical limited government, individual liberty and personal responsibility.”

Fevereiro 17, 2012

Sobre as Causas de Portugal ter pedido o Resgate Europeu

Discussão gravíssima com Soares levou Sócrates a pedir ajuda externa, diz Soares no Público.
Obrigado Soares!

Afinal, não há evidência estatística suficiente para se poder relacionar esse pedido e a gestão ruinosa dos dinheiros públicos dos 6 anos anteriores!

Faz-me lembrar uma piada sobre a Falácia “Post Hoc, Propter Hoc (“Depois disto, portanto por causa disto”):

Um cavaleiro judeu mais velho casa-se com uma moça e os dois estão muito apaixonados. Porém, por mais que se esforce sexualmente, a mulher nunca atinge o clímax. Como a esposa judia tem direito ao prazer, eles decidem falar com o rabino. O rabino ouve a história, alisa a barba, e faz a seguinte sugestão:
- Contratem um rapaz forte e sadio. Enquanto vocês estiverem a fazer amor, mandem o rapaz abanar uma toalha em cima de vocês dois. Isso vai ajudar a sua mulher a ter fantasias e a fazê-la provocar um orgasmo.
Eles voltam para casa e seguem o conselho do Rabino: contratam um lindo rapaz e ele fica sacudindo uma toalha em cima deles enquanto fazem amor. Não dá certo e ela continua insatisfeita. Perplexos, voltam ao Rabino:
- Tudo bem – diz o rabino ao marido – vamos tentar ao contrário: o rapaz faz amor com a sua mulher e você fica abanando a toalha em cima deles.
Mais uma vez, eles seguem o conselho do Rabino: o rapaz vai para a cama com a esposa e o marido abana a toalha. O rapaz logo se põe a trabalhar com grande entusiasmo e a esposa em pouco tempo tem um enorme, trepidante e ruidoso orgasmo. O marido sorri, olha para o rapaz, e diz triunfante:
- Idiota. É assim que se sacode uma toalha!

Procurar as verdadeiras causas do pedido de ajuda é como procurar o relógio na história seguinte…

Um homem está à procura de algo debaixo de um candeeiro. Passa um amigo e pergunta:
- O que é que estás à procura?
- Do meu relógio?
- E perdeste-o aqui, debaixo deste candeeiro?
- Não, perdi-o no fundo da rua. Mas aqui a luz é mais forte e portanto é mais fácil procurar.

… em que o relógio é o pedido e o candeeiro é tudo o relacionado com o Soares: é certo que vem tudo na Comunicação Social e portanto a luz é boa… mas não foi aqui a fonte do problema. Gotcha?

Referências: Piadas Filosóficas – Correntes, Piadas Filosóficas – Leis, Paradoxos e Falácias.

Tristemente irónico (2)

Filed under: Comentário,Double standards,Economia,Política,Portugal,Teoria — André Azevedo Alves @ 00:44

Em comentário a este meu post, o Luís Lavoura defende a decisão de atribuir o doutoramento honoris causa a Paul Krugman com base no Nobel que este recebeu e sugere que quem ousar criticar essa atribuição o fará em função de preferências políticas e não por considerações científicas e académicas.

Independentemente do estilo muito próprio do Luís Lavoura, o comentário é útil porque reflecte na perfeição o mindset dominante em Portugal.

Por que não, por exemplo, aplicar o mesmo tipo de padrão à decisão de convidar Krugman e não um qualquer outro nobelizado?

Que características distintivas terá Krugman que o tornam uma figura especialmente atractiva num contexto como o português?

Note-se que pelos padrões frequentemente empregues pelas Universidades portuguesas para conceder doutoramentos honoris causa, considero que Krugman até se distingue largamente pela positiva. Além de ter recebido o Nobel – o que é relevante mas por si só não constitui critério que anule a necessidade de sentido crítico – Krugman (na sua anterior encarnação como economista) deu contributos importantes na área da geografia económica e teve também um papel influente (ainda que parcialmente pernicioso) no âmbito da economia internacional.

Mas a ironia da notícia está, como escrevi, fundamentalmente centrada em dois elementos: por um lado, “premiar” um dos mais destacados e influentes defensores do intervencionismo e do despesismo estatais na actualidade num país que foi conduzido à bancarrota pelo intervencionismo e pelo despesismo estatais; por outro, que o consenso muito alargado que existe em Portugal em torno de Krugman resulta ele próprio de um quadro mental no qual o keynesianismo continua a ser praticamente hegemónico.

Que Krugman seja no establishment português uma figura (quase) consensual é apenas mais um indicador da pobreza intelectual do país e da falta de sentido crítico. Compreender as causas da crise também passa por aí.

Leitura complementar: Paul Krugman, o Nobel oráculo dos socialistas; Keynesianismo Clássico vs. Keynesianismo Popular Português.

Fevereiro 16, 2012

Tristemente irónico

Filed under: Comentário,Economia,Política,Portugal,Teoria — André Azevedo Alves @ 13:25

Uma escolha apropriada e oportuna para um país que chegou à bancarrota na sequência de uma orgia despesista e onde o keynesianismo continua a ser o quadro mental praticamente hegemónico: Paul Krugman vem a Lisboa para doutoramento honoris causa

Três universidades de Lisboa vão juntar-se pela primeira vez na sua história para concederem o doutoramento ‘honoris causa’ a Paul Krugman.

O doutoramento será concedido pelas universidades de Lisboa, Técnica e Nova numa cerimónia que vai decorrer a 27 de Fevereiro, a que se segue uma conferência. O Nobel da Economia de 2008, que conhece Portugal desde que foi estudante no MIT, visita Lisboa na sequência da sua entrada para a Academia de Ciências de Lisboa como correspondente estrangeiro.

Fevereiro 15, 2012

Chávez de volta à Terra

Campanha de opinião rotula adversário político do querido líder venezuelano como maricas e judeu. É um patamar tão bom como outro qualquer para discutir questões e diferenças políticas.

Fevereiro 14, 2012

Leituras recomendadas

Filed under: Comentário,Media — ruicarmo @ 11:32

The Essence of Contemporary Leftism And Islamism Revealed: Freedom or Slavery to Those Who Claim to Know Best?, por Barry Rubin.

The Marxist Mission to Destroy Ayaan Hirsi Ali, por Phyllis Chesler.

 

 

Fevereiro 13, 2012

Do voto de confiança à inevitável demissão de um infiltrado tripeiro no cemitério de treinadores

Filed under: Comentário,Desporto,Portugal — André Azevedo Alves @ 17:25

Como já tinha escrito por mais de uma vez, quanto mais depressa Domingos Paciência saísse do Sporting, melhor para a sua promissora carreira como treinador, pelo que considero que esta é uma boa notícia: Sporting: Sai Domingos, entra Sá Pinto

Depois do “voto de confiança” de Godinho Lopes, a demissão era apenas uma questão de tempo, ainda que um intervalo de tempo tão curto sem que haja simultaneamente uma demissão do Presidente do Sporting é algo um pouco bizarro. Em relação ao desenrolar do processo, julgo que esta será provavelmente uma boa análise, tanto a quente como a frio.

Dramas climáticos

Filed under: Comentário — André Abrantes Amaral @ 12:22

Devido ao frio que assola a Europa, o Figaro publicou há dias uma entrevista com o historiador do clima, Emmanuel Garnier. Diz ele que os franceses têm a característica muito própria de nunca estarem satisfeitos com o tempo que faz. Quando está calor, mesmo no Verão, é porque algo se passa e, quando está frio, como nestas duas semanas de Fevereiro, é porque algo também só pode estar errado. A explicação dá vontade de rir porque em Portugal acontece o mesmo. Garnier acrescenta que os franceses não toleram uma meteorologia que não seja normal. Para eles, o Inverno são estâncias de ski com neve, ao mesmo tempo que há sol e temperaturas agradáveis na cidade onde vivem. As intempéries são fenómenos do passado. Garnier encontra explicações para o fenómeno na convicção muito francesa e progressista de que se a ciência tudo consegue, conter o clima não pode ser excepção. E quando tal não sucede, é porque algo está errado. Durmam em paz, que a República vos vela, é o velho adágio francês que leva os políticos a evitar o discurso do risco, preferindo intervir mais tarde que permitir que os cidadãos se previnam, caso a caso, nas suas localidades. O centralismo político também passa por aqui. Junte-se o mediatismo histérico que nos faz esquecer o passado e temos o cenário ideal para alertas laranjas em metade do país. Quem é que disse que Portugal já não francês?

Fevereiro 12, 2012

300.000 ou 30.000 ?

Filed under: Comentário,Double standards,Media,Política,Portugal,Videos — André Azevedo Alves @ 19:42

As imagens aéreas divulgadas pelo JN mostram um Terreiro de Paço muito longe de estar cheio no Sábado. Ainda assim, a referência a 300.000 manifestantes na “estreia” de Arménio Carlos foi repetida acriticamente na comunicação social portuguesa.

Aliás, teria bastado fazer algumas contas relativamente simples para concluir que mesmo num Terreiro do Paço cheio de ponta a ponta dificilmente caberiam muito mais de 100 mil pessoas. Vale a pena recordar que as estimativas apontaram para entre 80.000 a 100.000 pessoas durante a celebração da missa do papa Bento XVI por altura da sua visita a Portugal. Talvez a praça seja mesmo elástica

Ainda assim, a manifestação de Sábado servou para comprovar, mais uma vez, um facto importante: a capacidade de mobilização da CGTP e do PCP continua ser incomparavelmente maior do que a da extrema-esquerda bloquista e das suas associações e movimentos fantoches. Vale a pena recordar que, ainda recentemente, uma manifestação organizada e promovida por dezenas desses movimentos conseguiu reunir apenas cerca de um milhar de pessoas em Lisboa. Uma manifestação onde não faltaram a violência e os desacatos mas que revelou escassa capacidade de mobilização popular. Por isso não espanta que Francisco Louçã – na sua qualidade de eterno líder do cada vez mais monolítico Bloco de Esquerda – tenha vindo tentar colar-se à manifestação de 11 de Fevereiro no Terreiro do Paço.

Já agora, para quem tenha curiosidade de ver o aspecto do Terreiro do Paço cheio, aqui ficam imagens de duas das raras manifestações de natureza política em que tal – efectivamente (e não apenas na imaginação dos activistas revolucionários e dos jornalistas que sonham transformar Lisboa numa nova Atenas a ferro e fogo) – aconteceu:

(mais…)

As forças imperiais como explicação para o que acontece na Síria

Um ano e dois dias depois da revolução golpe militar no Egipto, o que permanece, pelos piores motivos, na ordem do dia da política internacional do Médio Oriente é a carnificina a que se assiste na peculiar Primavera árabe síria. Apesar de algumas almas progressistas acreditarem que se trata de uma repressão contra as forças imperiais (cuja duração irá completar o primeiro aniversário em breve), confesso não ter tamanha confiança na bondade humana em geral e, muito menos, na personificada pelo senhor Assad. Apesar da complexidade que envolve a questão e salvo melhor opinião, a Síria é o palco principal de uma guerra que opõe xiitas a sunitas. No meio deste palco, aparecem quem mais paga, os espectadores: os mortos, feridos e oprimidos. São as gerações perdidas.

Ficam algumas sugestões de leitura:

A Primavera árabe; O apoio divino a Assad; As duas faces da mesma moeda e as ligações externas: I, II, III,IV e V.

Fevereiro 11, 2012

Hipocrisia Repulsiva de Obama

Repulsive progressive hypocrisy.

Excerto do último parágrafo:

I’ve often made the case that one of the most consequential aspects of the Obama legacy is that he has transformed what was once known as “right-wing shredding of the Constitution” into bipartisan consensus, and this is exactly what I mean. When one of the two major parties supports a certain policy and the other party pretends to oppose it — as happened with these radical War on Terror policies during the Bush years — then public opinion is divisive on the question, sharply split. But once the policy becomes the hallmark of both political parties, then public opinion becomes robust in support of it. That’s because people assume that if both political parties support a certain policy that it must be wise, and because policies that enjoy the status of bipartisan consensus are removed from the realm of mainstream challenge. That’s what Barack Obama has done to these Bush/Cheney policies: he has, asJack Goldsmith predicted he would back in 2009, shielded and entrenched them as standard U.S. policy for at least a generation, and (by leading his supporters to embrace these policies as their own) has done so with far more success than any GOP President ever could have dreamed of achieving.

Eu nunca gostei do Bush II. Infelizmente, Obama é mais e mais Bush III.

Fevereiro 9, 2012

A urgência de rever radicalmente o modelo de financiamento das Universidades estatais

Filed under: Comentário,Economia,Educação,Política,Portugal — André Azevedo Alves @ 23:40

Este deveria ser o primeiro ponto de qualquer reforma consistente do ensino superior mas infelizmente não houve até agora nenhum sinal de abertura do Governo nesse sentido. Mesmo num contexto em que as taxas moderadoras na saúde foram aumentadas, as propinas nas Universidades estatais continuam intocáveis, o que é infelizmente um bom indicador da influência dos interesses instalados no sector e do seu poder para capturar recursos públicos por via política: Reitor da Católica defende aumento de propinas

O reitor defendeu que o actual modelo de financiamento é insustentável e “discrimina pela negativa” as universidades privadas, dando como bom exemplo o Reino Unido, que aplicou um “corajoso aumento de propinas para o nível do custo real” e prepara-se para aplicar um sistema de “financiamento pela qualidade de todas as instituições, independentemente da sua natureza pública ou privada”.

Um erro grave e um passo no caminho para a servidão

Filed under: Comentário,Justiça,Media,Política,Portugal — André Azevedo Alves @ 16:29

A criminalização do “enriquecimento ilícito” é um erro grave. O apoio do PCP e do BE não surpreende, mas a iniciativa do PSD e do CDS é lamentável.

Ou a medida não vai ter qualquer aplicação – e nesse caso será mais um passo no sentido da descredibilização do sistema de justiça do actual regime – ou, caso seja aplicada, constituirá uma nova e perigosa arma à disposição do Estado e dos grupos que o controlam para ameaçar e/ou perseguir os respectivos inimigos invertendo o ónus da prova e anulando a presunção da inocência.

Esteve neste caso bem o PS ao colocar-se de fora do demagógico consenso em torno da diminuição das liberdades e garantias dos cidadãos face aos abusos do Estado.

Leitura complementar: Agora peçam desculpa; Populismo jurídico; Populismo jurídico (2); Populismo jurídico (3).

Santana Lopes, Fernando Rosas e Salazar

Filed under: Comentário,Media,Política,Portugal,Videos — André Azevedo Alves @ 15:47

Talvez as cada vez mais recorrentes invocações da figura de Salazar a propósito dos mais variados temas possam ter uma leitura meramente freudiana, mas mesmo assim não auguram nada de bom para o actual regime: Santana exalta-se em debate com Rosas: “Salazar é a sua tia!”

Santana para Rosas: «Salazar é a sua tia!»

A propósito, veja-se este outro interessante exemplo, também com origem na extrema-esquerda: “Contra o Passos Coelho como contra o Salazar.”

Leitura complementar: Saudades de Salazar na esquerda portuguesa.

Crónicas de um desfecho anunciado.

Filed under: Comentário,Justiça,Política,Portugal — João Luís Pinto @ 11:34

Não obstante a pena de prisão prevista ser “até três anos de prisão” (a mesma prevista no código penal para um prosaico crime de ofensas corporais simples), PSD e CDS fazem incluir este crime de desconformidade do património com as declarações fiscais na categoria de “criminalidade altamente organizada”. Com esta incongruência jurídica (“altamente organizado”, um crime que é punido até três anos e que pode ser praticado apenas pelo seu agente, sem concurso de mais ninguém?!), o legislador coloca assim ao dispor do MP um arsenal de instrumentos insidiosos de investigação verdadeiramente desproporcionados à medida da pena, tais como escutas telefónicas, buscas domiciliárias noturnas, etc.

Sim, leu bem: bastará um cidadão ser suspeito de ter um património superior em “cem salários mínimos” (euro48 500) ao que as suas declarações fiscais avalizariam, para poder vir a ser objeto de uma investigação criminal; e poder ser objeto das maiores devassas legais à sua privacidade. E não, não precisa para isso de ter alguma vez exercido funções públicas.

Diz o projeto de lei que competirá ao MP fazer a prova de todos os elementos do tipo deste crime. Sucede que esta suposta precaução é apenas redundante, pois é isso que ao MP já compete fazer em todos os crimes. Porém, aqui, o crime de enriquecimento ilícito, nos casos em que o arguido se remeta ao silêncio, preencher-se-á com a mera posse de um património incompatível com as declarações fiscais. É que a lei fala em património “sem origem lícita determinada”. Assim, se o MP alegar que não logrou determinar a origem lícita do património do arguido “incompatível” com o que este declarou ao fisco (e estamos a falar de uma “incompatibilidade” de euro48 500), o silêncio do arguido acarretará a sua condenação, pois a consequência será chegarmos ao fim do julgamento “sem origem lícita determinada” do património.

Filipe Neto Brandão, deputado do PS, no Diário de Noticias.

Foi ontem aprovada na especialidade a lei da criminalização do “enriquecimento ilícito”, com os votos a favor da curiosa coligação de PSD, CDS, BE e PCP. Está assim dado mais um passo determinante para o vingar de uma lei que, a não ser parada pelas instituições que temos no actual quadro constitucional (mantendo-se a esperança que venha ainda a ser visada por uma fiscalização de constitucionalidade e que o Tribunal Constitucional queira dar mostras que ainda existe e que ainda tem um mínimo de relevância), se vai tornar num precedente jurídico extremamente perigoso e de consequências imprevisíveis no panorama legal português.

Sobre isso, acrescento um comentário concreto: compreende-se que o CDS tenha dificuldades em afrontar a aprovação de uma iniciativa que é, numa parte substancial, um capricho da actual ministra da Justiça, mesmo sendo uma iniciativa que não constava do acordo entre PSD e CDS que sustenta a actual maioria.

Compreende-se também que o CDS continue com vontade de fazer muito poucas ondas e de aparecer muito pouco colado ao presente governo, quer por adesão, quer por oposição.

Mas em relação a uma partido que sempre se opôs a iniciativas legislativas do género, que ainda há pouco mais de dois anos se absteve aquando da apresentação da proposta do PSD (entretanto chumbada) com afirmações deste calibre da sua bancada parlamentar, sobram muitas explicações que deveriam ter sido dadas, e que foram trocadas por alguns argumentos pífios do seu actual líder parlamentar.

Fica essencialmente a dúvida sobre o quanto se pode confiar nas posições parlamentar da bancada do CDS, e de quanto sobra nestas de convicções quando se retira todo o conteúdo de oportunismo político.

Fevereiro 6, 2012

No Fio da Navalha

Filed under: Comentário,Cultura,Insurgentes nos media,Nanny State Watch,Política — André Abrantes Amaral @ 09:42

O meu artigo para o jornal i de sábado que, a partir deste fim de semana, passa a ser semanal.

Sopa de letras

Quem estuda a língua, estuda a sua evolução; não a muda. Se o português é uma língua viva, não precisa ser mudada por decreto

It’s a beautiful thing, the destruction of words.
1984, George Orwell

Vasco Graça Moura ordenou a não aplicação, no CCB, das regras do Acordo Ortográfico que desde do início do ano passaram a ser aplicadas nos documentos do Estado. De 2009, ano em que o acordo entrou em vigor, até 2015, foi-nos dado um tempo de adaptação às novas regras. Regras difíceis para quem sempre procurou não dar pontapés na gramática. Custosas de compreender para quem procura ler o que está escrito. Porque o problema do acordo é precisamente esse: mudar a nossa forma de escrever e, se lermos convenientemente, de falar. Uma das várias alterações será a eliminação das consoantes mudas, mesmo quando estas servem para abrir a vogal anterior. Veja-se a título de exemplo, as palavras como projecto, exacto, acção e directo, que lemos acentuando as vogais que antecedem a consoante muda. Com as novas regras, deveremos lê-las como projeto, exato, direto e ação, assim mesmo como lhe sai da primeira vez que as vê, que é a natural, sem acentuar as vogais ‘e’ e ‘a’. Muda a forma como fala, não muda? Ou não mudará se contornar as regras básicas do português para fingir que tudo está igual.

É este o grande senão do acordo ortográfico. Mudar ao mesmo tempo que faz de conta que fica na mesma. Ao contrário do que se passou com a eliminação do ‘ph’ que já se lia com o som da letra ‘f’, em que adequámos a forma de escrever ao modo de falar, vamos agora a mudar a forma de falar porque estamos a alterar o modo de escrever. Enquanto na reforma ortográfica de 1911, as alterações visaram adequar a escrita à fala, à rua, que, com o tempo e o uso, tinha simplificado a língua, o que se pretende hoje é forçar uma facilitação decidida por decreto. Por isso, em 1911, os dígrafos de origem grega foram substituídos por grafemas simples: ‘th’ e ‘ph’ passaram a ‘f’; ‘rh’, foi substituído por ‘r’, ou ‘rr’, conforme os casos. Não houve uma mudança, mas uma adaptação da teoria à prática. Ao que se falava na rua.

Precisamente o contrário do que se quer com o acordo ortográfico que é decretar a rua a seguir os gabinetes. Ora, que mais não é uma língua que muda por decreto, que uma língua morta?

Syme era um inteligente funcionário do Ministério da Verdade que, no célebre ‘1984’ de George Orwell,  trabalhava no aperfeiçoamento do dicionário da nova língua conhecida por Newspeak. Syme não compreendia porque existiam tantas palavras com significados semelhantes. Não percebia a razão de ser dos sinónimos. Para ele, estes serviam apenas para criar confusão, permitir, através de palavras de significado semelhante, dizer coisas diferentes. O que em qualquer língua é a sua riqueza, para ele não tinha razão de ser. Pelo contrário, era algo que impedia o entendimento entre os cidadãos. Podia criar dúvidas que, para alguém que via a língua como uma mera soma de palavras, era desnecessário e até perigoso. Por isso, deliciava-se em destruir palavras. Em reduzi-las ao ponto de para cada facto, objecto, sentimento, haver apenas uma possível. A eficiência na sua máxima expressão e Syme era eficiente.

Qual a razão de ser do acordo ortográfico? Dizem os seus defensores que é para facilitar o comércio com o Brasil, ou aproveitar a influência que este vai ter no mundo. Eficiência. A sempre velha eficiência, não ao ponto de eliminar palavras, mas as destruir, eliminado letras. Apagando as suas especificidades. Os seus vários significados que estão na posse de quem gosta da língua e a aprende e a usa em todo o seu potencial. O objectivo do acordo é esse: não tendo a língua segredos, não haja quem os descubra. Todos a falar e a escrever o mesmo. O gosto pelo poder que dá obrigar, em poucos anos, o que só se consegue em séculos: mudar o modo como os outros se expressam. Falam e escrevem. Comunicam. Um poder imenso na mão de técnicos que encaram a língua como um sopa de letras e não parte da nossa vida. Técnicos de uma língua morta, mas que não é a nossa.

1 Ano

Filed under: Agenda,Blogosfera,Comentário,Economia,Justiça,Política — Ricardo Campelo de Magalhães @ 02:23
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Faz hoje 1 Ano que entrei para O Insurgente.

Durante este ano, os meus 213 artigos foram clicados 25700 vezes, o que me colocou em 4º lugar entre todos os Insurgentes no período.

Se quiserem ler os melhores artigos, podem visitar o meu blog ou clicar no meu nome aqui n’O Insurgente.

Top de Posts aqua n’O Insurgente:
1. Lista de Deputados PSD – Pouco lido na altura, mas que foi lido muitas vezes todos os meses
2. Como comprar Ouro – Reflexo dos tempos…
3. Dívida Externa Portuguesa  – Números do Banco de Portugal
4. iPhone 6 – iPhone 6 desde essa altura esteve várias vezes entre os termos que traziam mais pessoa do Google a’O Insurgente
5. Deixem-me rir… (Versão: Vitor Garpar é ultraliberal e culpado pelo estado de Portugal) – Ascensão meteórica em 1 semana!
6. PS e o “Estímulo” – Um clássico, que só foi possível com a ajuda dos colegas de blog, a quem desde já agradeço
7. PS 36%, PSD 35% – Um grito de alerta quando Sócrates ainda sonhava com um 3º mandato
8. Reformas antecipadas, só aos 57 anos - Sobre um sorvedouro de dinheiro em todo o mundo ocidental
9. Esquerdas Coerentes – O mais comentado de todos, com 52 comentários até hoje
10. Trabalhadores Vs Esquerdas… ou os 99% Vs os 53% - Um retrato de como a luta pelos “direitos adquiridos” prejudica os que os pagam

Top Posts no blog pessoal, no último ano:
1. Tese de Mestrado “Como Lucrar por Ser Liberal?” - Tema de uma conferência
2. Liberalismo e o PSD: Porque deve um Liberal estar no PSD? - Tema de uma conferência
3. 1ª Conferência do Liberalismo Clássico - Artigo sobre essa mesma conferência
4. Como Comprar Ouro? - Consequência dos artigos sobre a conferência
5. 3 Tipos de Liberais Económicos - Colocado diversas vezes em diversos sítios
6. Funcionário Público tenta não trabalhar, mas… - Humor =)
7. Hofstede - O que me traz mais tráfego do Google
8. Peso do Estado e o Crescimento económico
9. Estado Vs Produtores de Leite – Quem é o “Biggest Loser”?.
10. Teste Político - Colocado diversas vezes em diversos sítios

Pela minha parte, ficam sinceros votos de Obrigado pelo interesse.
Tenho gostado da reacção e isso é a maior motivação que me podem dar para continuar.

(mais…)

Fevereiro 4, 2012

Não há “feriado” de carnaval mas as palhaçadas continuam

Filed under: Blogosfera,Comentário,Política,Portugal — ruicarmo @ 23:33

Mentiras de Carnaval, por David Levy no Lisboa-Tel Aviv.

Não admira que Portugal tenha chegado à situação financeira calamitosa a que chegou. Os actuais partidos da oposição acham normal que o Estado pague 650 mil dias de salário aos seus funcionários sem que eles labutem uma única hora. É o que acontece sempre que é decretada uma tolerância de ponto no Carnaval.
Este ano, perante a situação de bancarrota e até para manter algum decoro, o Governo decidiu não dar tolerância aos funcionários. Imediatamente caiu o Carmo e a Trindade.
O PS, pela voz do seu líder, já veio dizer que está contraporque sim por causa dos dinamismos locais – os socialistas e a eterna mania do palavreado arredondado. O BE também não concorda, porque segundo o seu líder a tolerância de ponto é um dirreito das pessoas, não é um baile, é um direito das pessoas em fazerem o que querem, é um dia em que não são obrigados a trabalhar de graça. A coligação PCP/CGTP segue na mesma linha e acusa o Governo de obrigar os funcionários a trabalharem mais um dia de borla.
A argumentação do BE e do PCP, para além de estar impregnada de populismo barato, é pura mentira: o dia de Carnaval foi sempre pago pelo Estado aos seus funcionários, estando incluído no vencimento de Fevereiro (ou Março). Com a existência de tolerâncias de ponto apenas não era trabalhado. Por isso não se entende como é que se permite que estes partidos mintam descaradamente nas televisões sem que ninguém o faça o contraditório de explicar que uma tolerância de ponto é precisamente isso: uma tolerância, não é portanto um direito. E é um dia que custa muito dinheiro, pois o salário é sempre pago.

Sobre os Limites das Reformas

Filed under: Comentário,Double standards,Economia,Media,Nanny State Watch,Política,Portugal — Ricardo Campelo de Magalhães @ 16:40
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1 a 1, as Reformas Douradas vão sendo expostas neste país. Agora foi Emídio Rangel. É o modo errado de lidar com o assunto, mas de quem será a culpa: de quem expõe, ou de quem se coloca a jeito?

Para quando legislação que limite as Reformas ao que as pessoas contribuíram até aos 65 anos?

(Ou seja, somam-se todas as contribuições até aos 65, calcula-se a Esperança Média de Vida e divide-se o valor em falta pelos meses correspondentes, ganhando quem viver acima da EMV e perdendo quem viver menos).

Até quando durará esta injustiça inter-geracional?

(Sim, porque para a minha geração certamente não irão existir estas benesses…)

Fevereiro 2, 2012

Formigas

Filed under: Comentário,Internacional,União Europeia — André Abrantes Amaral @ 15:19

“(…) à long terme la croissance d’un pays est déterminée par trois facteurs: la croissance de la population active, le progrès technique et l’augmentation du stock de capital.”

Lemos esta entrevista no Le Figaro e, se os problemas do Japão de hoje, forem nossos amanhã, vamos ter de ser formigas durante muitos anos. Poupar e ter filhos. Amealhar e multiplicar. A solução é fácil e, bem vistas as coisas, nem é muito cara.

Soshokukei Danshi – Os meninos herbívoros Japoneses

Uma crise económica pode levar aos problemas “normais” enumerados ontem, mas também a variações muito mais estranhas.

O caso que vos apresentar hoje é particularmente inesperado: 21% dos jovens Japoneses desistiram do Sexo.

Em vez de fazer à Português (“eu não desisti – só adiei – e vou dar um jeito de ainda ter filhos”), a crise, o pessimismo e a falta de comunicação levaram a que 21,5% dos jovens entre 20 e 25 anos tenham desistido de sexo. É menos despesa com filhos, poupa-se na conquista do sexo oposto, poupa-se na humilhação de não ter o que seria socialmente expectável (carro, casa própria, dinheiro para pagar as saídas) e tem mais tempo para si e para o que mais gosta. E assim como não têm interesse por sexo, também não têm interesse por dinheiro. Ora vejam o vídeo:


(Artigo CNN), Vídeo adicional (em japonês, legendado em Inglês)Vídeo em Francês (TV5 Monde)

Nota: não confundir com os “otakus” (fanáticos por mangás e animações), que passam a maior parte do tempo conectados a computadores. É outro grupo. Por vezes relacionados, mas claramente com um foco diferente.

Nota2: este desinteresse por dinheiro e aquele estilozinho faz-me lembrar alguns esquerdas que eu conheço, mas é melhor não lançar a confusão.

Referências:
Wikipedia (& blog),
NY Times,
San Francisco Chronicle,
Japan Times (diferenças),
Slate,
Bloomberg & Reuters.
E na Coreia do Sul?

PS: Nota sobre ests última imagem: a piada é engraçada, mas o que é facto é que eles não são gays – eles não gostam de sexo e ponto.

Fevereiro 1, 2012

Eurabia – A Islamização Europeia

De todos os ataques à sociedade ocidental, o mais grave talvez não seja algo que nós façamos directamente, mas uma das consequências necessárias do que nós fazemos.

O nosso modo de vida é atacado por pessoas de boas intenções que, querendo ajudar os seus compatriotas – com educação, saúde, energia e transportes “tendencialmente gratuitos” – tudo o que fazem é destruir esses mesmos sectores e empobrecer a sociedade.

Este ataque económico tem consequências:
1. A Economia estagna e foca-se em manter o emprego e a produção actual, não gerando crescimento e novos empregos a um ritmo necessário para absorver os jovens que saem das Universidades. Este é um barril de pólvora que em muitos países tem provocado revoluções.
2. A sociedade divide-se em 2 classes: os que são demasiado ricos e que, mercê dos seus meios conseguem evitar pagar muitos impostos e os que são demasiado pobres e que, mercê das suas necessidades, têm “direito” a “exigir” ao Estado. A classe média, contribuinte por excelência, soçobra perante o peso que lhe é imposto.
3. O ambiente desce em escala de importância (quem não tem boas condições de vida é muito mais egoísta) e, independentemente de opiniões políticas sobre o que deve ser feito, o que é certo é que muitas medidas básicas de eficiência e aproveitamento de recursos não são seguidas por falta de recursos e de interesse.
4. Os activos do país são vendidos, geralmente aos credores que momentos antes nos estavam a permitir manter um nível de vida antes possível, mas que entretanto com o peso das políticas sociais “gratuitas”…
5. A Demografia altera-se profundamente, com os casais jovens (os tais que têm altas taxas de desemprego e que têm de manter os privilégios “gratuitos” da geração dos “direitos adquiridos”) a decidirem adiar ou a simplesmente não ter filhos. Pensem nos vossos amigos que têm 30 a 40 anos.: têm filhos? Pensam ter?

Várias consequências daqui irão advir: domínio económico Chinês, ascensão Indiana e…

Este vídeo tem algumas previsões alarmistas, mas pensem por vocês e confirmem os dados:

Essencialmente, algumas noções parecem-me exageradas. Afinal, é sempre possível qualquer número de fertilidade, não é necessário 80 a 100 anos para inverter, e os 8.1 Árabes não têm a mesma Esperança Média de Vida, só para citar alguns. Mas a questão mantém-se, a Europa duplicará o número de Árabes em 20 anos e o número de não-muçulmanos diminuirá. Ao fim de 3 gerações (3×20 = 60 anos) assim, seremos vizinhos de vários estados muçulmanos.

E Portugal? Portugal vai sofrer mais com as outras variáveis. Nesta em particular, os Descobrimentos vão ajudar-nos: a nossa população já hoje se está a suster com Brasileiros e PALOPs e assim se deve manter. Mas a nossa vizinhança deverá mudar substancialmente e ainda antes de eu deixar este mundo.

And so what? Ok, vamos her muitos mais muçulmanos do que hoje temos. E depois? Que consequência terá esse facto matemático? Ao tornarem-se super-abundantes, não se irá a sua cultura esbater e tornar-se mais uma opção, sem grandes impactos políticos e sociais? Não se irá perder o fervor religioso numa vida dominada por problemas comuns como arranjar emprego, cozinhar, tratar a roupa e poupar para casa e carro? Pela minha parte, tendo a minha última namorada sido uma Turca que viveu toda a sua vida em Berlim, vi de perto como a religião se esbate e se acaba a: comer carne de porco (embora ela não admitisse a certas pessoas da comunidade), beber álcool e vestir roupas reveladoras. E nunca a vi rezar.O facto de eles se tornarem abundantes não significa muito se se tornarem moderados e integrados na cultura (sim, ela também não passava passadeiras no vermelho).

Pela minha parte, limito-me a dar referências. Sei da tendência da comunicação social e da blogosfera para os alarmismos e portanto olho para este como para todos os assuntos com desconfiança. O que é certo é que a demografia não ajuda. E eu olhando para os meus amigos e as taxas de natalidade dos que me são próximas fico um pouco preocupado. Mas no fim de tudo: “And so what?”

Referências:
Sarkozy referido pela Jihad Watch,
Eurabia no NY Times,
Washington Times,
Roterdão como Capital,
YnetNews (Israel) sobre a Eurabia,
Barcelona Declaration (comentário negativo) (processo)
Eurabia na Wikipedia (& SIOE na Wikipedia),
História com uma luz diferente, no Gates of Vienna,
Exagero no Islam Watch (Alá na Europa),
As 3 opções: Eurabia, guerra, integração
Eurabia como tema de campanha na Holanda,
O fim da Eurabia, no Finantial Times,
Crítica ao argumento (2025 é muito cedo… 2060 é bem mais credível)

Janeiro 31, 2012

Galamba mais Krugmanita que Krugman

Krugman disse ao Le Monde:

Cela ne risque-t-il pas de faire déraper les prix ?
L’inflation n’est pas le problème, c’est la solution.
Que voulez-vous dire ?
Pour restaurer la compétitivité en Europe, il faudrait que, disons d’ici les cinq prochaines années, les salaires baissent, dans les pays européens moins compétitifs, de 20 % par rapport à l’Allemagne. Avec un peu d’inflation, cet ajustement est plus facile à réaliser (en laissant filer les prix sans faire grimper les salaires en conséquence).

Tradução Livre:

Le Monde: É isso [a expansão monetária] não fará descarrilar os preços?
Krugman: A inflação não é o problema é a solução.
Le Monde: O que quer dizer?
Krugman: Para restaurar a competitividade a Europa teria, digamos, nos próximos cinco anos, de baixar os salários nos países europeus menos competitivos, em 20% face à Alemanha. Com um pouco de inflação, o ajuste é mais fácil de realizar (deixar subir os preços sem aumentar os salários em conformidade).

Notícia do Negócios, por Eva Gaspar:

Paul Krugman insiste hoje numa entrevista ao “Le Monde” que a principal solução para os desequilíbrios que ameaçam a sobrevivência da Zona Euro passa por uma descida dos salários nos países periféricos, onde se tem concentrado a perda de competitividade face ao centro – e, em particular, face à Alemanha.
“Para restaurar a competitividade na Europa ter-se-ia de fazer com que, daqui a cinco anos, os salários baixassem nos países menos competitivos 20% em relação à Alemanha”.
(mais…)

Janeiro 30, 2012

Os católicos e a Mont Pelerin Society

Filed under: Comentário,Economia,Política,Religião,Teoria — André Azevedo Alves @ 23:59

Muito interessante este post (“fui eu que matei”) de Pedro Arroja.

Relativamente à Mont Pelerin Society, é verdade o que afirma Pedro Arroja (embora me pareça algo exagerado chamar à MPS a “uma espécie de Meca do liberalismo moderno”), mas também é curioso constatar o que aconteceu desde a sua fundação. Não obstante o episódio referido por Pedro Arroja relativamente à fundação da organização, suspeito (e trata-se apenas de uma suspeita, porque não fiz essa contabilização) que nunca como hoje houve tantos católicos membros da MPS.

No Fio da Navalha

Filed under: Comentário,Economia,Insurgentes nos media,Política,Política Fiscal,Portugal — André Abrantes Amaral @ 10:33

O meu artigo para o jornal i deste sábado.

Caro senhor primeiro-ministro

É preciso reduzir depressa a despesa pública, para pôr fim à política de austeridade

Quando venceu as eleições, em Junho passado, as expectativas não eram muito altas, tão grandes eram os desafios. Independentemente disso, acreditei e votei em si. Depois de tanta mentira rebuscada, estava disposto a acreditar em alguém que não escondesse a verdade. E a verdade é dura, como o senhor primeiro-ministro já deve ter percebido. Não me arrependi. E é precisamente por não me ter arrependido que lhe dirijo esta crónica.

Quero recordar-lhe os perigos que corremos caso o seu governo falhe. O desastre que será não reduzirmos a despesa do Estado e regressarmos às políticas que nos trouxeram até aqui. As políticas que implicam cobrar impostos altos à população com vista a satisfazer os interesses privados de alguns. De poderosos com fácil acesso ao poder que nos querem convencer serem no nosso proveito os seus projectos privados. Passarem por público um interesse que mais não é que corporativo. Se estes são os riscos do seu falhanço, o que podemos conseguir com o seu sucesso?

Antes de mais nada, um país de cidadãos livres. Onde a liberdade não se reduza a votar, mas se estenda à vida do dia–a-dia. Livres de darem o destino que queiram ao dinheiro que ganham com o seu trabalho. De investir, poupar, gastar, comprar e vender, sem que isso implique um motivo para terceiros, através do poder estatal, se imiscuírem. Um Estado livre das chantagens corporativas. Um país livre do estrangulamento legal que essas chantagens implicam. Um Estado presente em nome de todos e não de alguns. Um país onde as pessoas percam o vício de esperar do Estado aquilo que apenas podem conseguir por elas próprias. Onde a educação seja um direito, mas acima de tudo um dever. Um dever que cada cidadão tem de seguir e assumir. Essa é a única forma de os jovens não serem encaminhados para cursos que tanto jeito dão aos que conseguiram a licença para os ministrar. Um país onde haja menos empresas públicas e menos empresas a viver com o beneplácito do Estado. Empresas que, desvirtuando as regras dos mercados, que são as do cidadão comum, impedem que os produtos se vendam a preços mais baixos e competitivos. Um país onde o sucesso já não seja conseguir um emprego para a vida, mas ter um trabalho que seja uma mais–valia para os outros. Precisamos que o Estado gaste menos e isso implica uma forte redução da sua actividade. Só isso permite que a despesa pública baixe para níveis que possibilitem descer os impostos. Porque apenas a redução dos impostos fará a economia voltar a crescer. Criarmos mais postos de trabalho. Vivermos melhor e não ter de haver tantos a ir embora.

Se não conseguir esta mudança, o senhor falhou. E o senhor não pode falhar, porque, se isso acontecer, a alternativa da oposição é mais despesa pública e mais impostos. Mais pobreza. Porque não pode falhar, o senhor não pode perder mais tempo. Tem de cortar seriamente na despesa do Estado. Tem de fechar departamentos, direcções-gerais e regionais, gabinetes, comissões de estudo e de análise. Tem de pôr um ponto final em muitas das funções do Estado. Vai ter de despedir funcionários públicos, porque em 2013 já não lhes poderá dizer que não paga os subsídios de férias e de Natal. Fazê-lo não seria justo para os muitos que trabalham no sector público e que são precisos. Vai ter de privatizar escolas, para que o Estado possa reabrir as que fechou no Interior. São medidas duras e o senhor terá de ser duro. Não vai ser fácil, mas ninguém lhe pediu que fosse primeiro-ministro. Foi o senhor que quis este trabalho. É o senhor que terá de o levar a cabo. Vai ter de tomar estas medidas, pois, caso contrário, os sacrifícios que os portugueses estão a fazer serão inúteis. Uma mera perda de tempo. E, senhor primeiro-ministro, nós estamos fartos de perder o tempo das nossas vidas à volta desta história da dívida pública.

Austeridade, recessão e CGTP no Combate de Blogs

Filed under: Comentário,Economia,Insurgentes nos media,Política,Portugal — André Abrantes Amaral @ 10:30

  O Combate de Blogs deste sábado, com Marta Rebelo e o jornalista Filipe Caetano, sobre a austeridade e as suas implicações na economia, pode ser visto aqui.

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