O Insurgente

Maio 22, 2013

Descubra as diferenças

Filed under: Comentário — Nuno Branco @ 17:16

Ciara Whooley é uma adolescente de 17 anos que constituiu a sua própria empresa – Irish Baubles – com apenas 16 anos. Com a produção centrada na Ásia por razões óbvias, Ciara tem hoje mercado para além fronteiras e exporta activamente para o Reino Unido, EUA e África do Sul sempre com os olhos postos em expandir a sua rede de distribuidores. Por terras celtas aparentemente não houve ataques de “varicela”, não só ninguém pareceu preocupado em difamá-la pela miséria a que sujeita os seus parceiros asiáticos como ainda por cima parece que lhe tecem rasgados elogios à forma como conseguiu trazer o seu produto ao mercado a um preço acessível e montar um plano de negócio arrojado independentemente da sua idade.

Por aqui esta iniciativa rendeu-lhe já variados prémios (honoríficos e monetários) e agora, graças ao Martim, podemos saber o que aconteceria a esta jovem empreendedora se tivesse o azar de nascer em Portugal. Prémios de empreendedorismo não seriam certamente, com um bocado de azar a única coisa a que podia aspirar era sair-lhe uma pseudo-intelectual na rifa a explicar-lhe como é mau dar emprego a pessoas que não ganham o que outro tipo qualquer que não tem nada a ver para o caso acha que deviam ganhar.

E a verdade é que sendo fácil personalizar em Raquel Varela o problema, olhando para o eco que é dado às suas palavras e ao esforço dedicado a destruir a imagem do Martim por essas redes fora,  ela é apenas mais um sintoma de uma sociedade portuguesa em avançado estado de decomposição. Uma sociedade aparentemente composta de gente que não entende o que é criação de valor numa cadeia produtiva mesmo que o dito valor lhes entre pelos olhos dentro. Não admira que não percebam o porquê dos (relativamente) baixos salários em Portugal e se tornem devotos seguidores de quem disser o que eles quiserem ouvir.

Não vou ser optimista ao ponto de dizer que na ilha não há “varicelas”. Infelizmente parasitas a viver do sistema encontram-se por todo o lado, mas ao menos nos países civilizados têm a decência de não morder a mão que os alimenta (em vez de serem convidados, com o dinheiro dos contribuintes, para perpetuarem as ideias que colocaram Portugal de rastos) e isto faz toda a diferença para se poder dar um “pontapé na crise”. Já que não fazem pelo menos saiam de cima.

Ao Martim os meus parabéns pela vontade de fazer. Ser novo ajuda a não estar contaminado pelas ideias dominantes do país que habita e a levar os projectos para a frente. De qualquer forma  recomendaria que acabasse a escola e se fizesse à estrada, se não emigrar depressa Portugal dá cabo dele e da sua vontade de fazer o que quer que seja.

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A exploração colectivista é uma vergonha

Filed under: Comentário,Portugal,socialismo — André Abrantes Amaral @ 09:58

raquel_varela

Raquel Varela acusa de indignidade moral pessoas que não têm a mesma opinião que ela sobre o salário mínimo. Seguindo o mesmo critério, devo concluir que Raquel Varela não tem dignidade moral, por as políticas colectivistas que defende em público serem a causa do desemprego que grassa pelo país.

Quem é Raquel Varela ?

raquel_varela

Perfil de Raquel Varela enquanto investigadora do Instituto de História Contemporânea da Universidade Nova de Lisboa, onde coordena o “Grupo de Estudos do Trabalho e dos Conflitos Sociais”
Página / blogue pessoal de Raquel Varela
Posts de Raquel Varela no 5 Dias

Raquel Varela Business School
Quem não deve, não deve (mas se calhar até teme)
Como funciona o mercado de dívida
Martim Neves e Raquel Varela no Prós & Contras

A pergunta que dá título ao post é mais relevante do que possa parecer à primeira vista, porque Raquel Varela está longe de ser, como interpretações de vários quadrantes têm sugerido, um caso raro. Antes pelo contrário: Raquel Varela é bem representativa de um modo de pensar e agir profundamente enraizado – e ainda mais institucionalizado – em Portugal.

Se alguma coisa a distingue, não será o ser mais radical, mas antes o ter um discurso mais articulado e publicamente apresentável do que muitos dos seus pares que, pensando basicamente o mesmo, são ainda assim incapazes de o transmitir de uma forma minimamente compreensível e persuasiva.

Nesse sentido, compreender quem é Raquel Varela é também um importante contributo para compreender o país que temos e o estado a que chegamos.

Maio 21, 2013

No Fio da Navalha

Filed under: Comentário,Insurgentes nos media,Política,Portugal — André Abrantes Amaral @ 09:56

O meu artigo para o jornal i de hoje. Será que o tempo de Vítor Gaspar terminou porque as eleições estão à porta?

Coragem?

Há dias, o deputado do PSD Carlos Abreu Amorim afirmou que o tempo de Vítor Gaspar tinha terminado, porque o país precisa de uma nova etapa no combate à crise. Afirmações oportunas de quem se candidata à Câmara Municipal de Gaia e que, além de necessitar de se distanciar do governo, vai precisar, como qualquer autarca que se preze, de dinheiro fresco para gastar e fazer obra.

Há uma razão que faz realçar este dos demais candidatos autárquicos. Carlos Abreu Amorim afirmou-se publicamente como liberal, o que é raro entre os políticos. No entanto, ao invés de se destacar com um discurso inovador, defendendo, por exemplo, a descentralização fiscal como forma de responsabilizar os autarcas pelas despesas contraídas, Carlos Abreu Amorim repete o que estamos fartos de ouvir, mas ainda não de acreditar: que é distribuindo dinheiro, que o Estado tira aos cidadãos, que a economia cresce. É caso para dizer que com liberais destes quem é que precisa de socialistas?

Infelizmente, além de muitos eleitores dependerem financeiramente deste círculo vicioso, restam todos os outros que ainda não são suficientemente exigentes. Há quem apelide de corajosas as afirmações Amorim. Por mim, aguardo sentado a verdadeira coragem: de quem governe em defesa dos indivíduos, e não os destrua com promessas feitas a grupos, interesses corporativos e pseudo-empresários. Quem queira fazer a diferença na política não deve cair à primeira tentação.

Maio 20, 2013

Dois Divórcios

Filed under: Comentário,Política,Política Fiscal,Portugal — Bruno Alves @ 14:15

(Artigo publicado no Diário Económico de hoje)

As recentes peripécias governamentais têm provocado grande entusiasmo, talvez na esperança de que a discórdia entre os dois partidos da coligação traga um divórcio. Principalmente depois de Paulo Portas ter afirmado ser “politicamente incompatível” com a taxa a aplicar aos pensionistas.

Compreendo a ânsia, mas convém ter em conta que Portas já disse tudo e o seu contrário. Logo depois de proclamar a sua “incompatibilidade” com a medida, Portas quis “sossegar” os pensionistas dizendo que graças a si a medida deixara de ser “obrigatória” para ser “meramente opcional”. Mas se esta é “opcional”, é porque é ainda possível optar-se por ela. E já na sua declaração de há semanas atrás, Portas disse o mesmo que antes Passos Coelho dissera: essa medida está prevista, e será adoptada se não se conseguir poupar dinheiro com outras.

No entanto, é significativo que ninguém tenha compreendido isso: todas as declarações de Portas se destinam a fazê-lo parecer (sublinhe-se o “parecer”) preocupado com as intenções do PSD. Atente-se bem na medida que fez Portas demarcar-se do seu parceiro (ao mesmo tempo que de forma dúplice admite que ela seja aplicada): ela afecta directamente uma parte do eleitorado que, mesmo que não vote no CDS, é essencial à sua propaganda. É essa a diferença que faz um partido que se diz muito preocupado com “os mais fracos da sociedade” não ter qualquer incómodo em diminuir os apoios aos desempregados. Tudo porque faz também parte da propaganda do CDS ser duro para com quem “vive de subsídios”.

Tudo isto mostra bem qual é a verdadeira preocupação gerada pela “TSU dos pensionistas”, e como o Governo só cairá, não por questões de substância, mas se o CDS considerar que perde mais votos por se manter ao lado do PSD do que a lançar o País em crise.

Mas há um outro divórcio trazido à luz do dia por estas atribulações: o já há muito existente entre os cidadãos e a política. Enquanto as pessoas comuns se preocupam com os seus empregos, os impostos elevados e o futuro incerto, os partidos preocupam-se com a data das próximas eleições e o que delas sairá. Talvez aí percebam o que andaram a fazer.

Maio 16, 2013

Robin dos Bosques?

Filed under: Comentário,Diversos,Política,Portugal — Ricardo G. Francisco @ 15:53

Reza a história que um grupo de fora da lei liderados por um nobre revoltoso roubava aos cobradores de impostos do Rei João para distribuir pela população empobrecida e esmagada pela carga fiscal.

Com os portugueses a empobrecerem ao mesmo tempo que a carga fiscal aumenta não deixa de ter a sua piada o assalto à repartição das finanças de Gondomar. Só faltou os assaltantes distribuírem parte do dinheiro roubado pelos contribuintes das redondezas para termos uma versão Lusitana do Robin dos Bosques.

 

Disclaimer: Não serve este artigo de apoio a nenhuma forma de violência, muito menos à mão armada, sendo que é de saudar não terem resultado feridos do assalto.

Maio 14, 2013

No Fio da Navalha

O meu artigo de hoje no jornal i. Há 10 anos, um governo alemão de esquerda encetou reformas similares às que devemos fazer hoje em Portugal e que o PS considera deploráveis. É caso para dizer que cada país tem os políticos que merece.

A esquerda na Alemanha

Há dez anos a Alemanha era o doente da Europa, em parte devido aos custos de integração da RDA. Isso mudou. Como? Devido às reformas nas leis laborais, aos cortes nos subsídios de desemprego, nos excessos vários do Estado social e no aumento da idade da reforma. Até os impostos baixaram. Estas reformas foram feitas por Gerhard Schröder, líder do SPD e chefe do governo que o seu partido formou com os Verdes. Um governo socialista que fez as reformas que a nossa esquerda considera atentatórias da dignidade humana.

Hoje a Alemanha domina a Europa, não por ter sido mal–intencionada, mas por ter feito o que os outros não quiseram: resolver os problemas que lhe hipotecavam o futuro. Para o conseguir, o governo alemão contou com sindicatos que aceitaram congelar salários para evitar despedimentos. Passada a tormenta, os ordenados dos alemães, função pública incluída, vão aumentar mais de 4%. Foi isto que o nosso Tribunal Constitucional chumbou com os aplausos de muitos.
Saber que um governo de esquerda fez na Alemanha as reformas que devemos levar a cabo é importante. Faz-nos ver que aquilo que o governo alemão nos exige não é nada por aí além. Por cá, como nos restantes países do Sul, compara-se a exigência alemã com os seus erros no passado. Nada mais injusto e perigoso. Na verdade, o que objectivamente podemos ver, e os alemães vêem de certeza, é que para muitos a solidariedade europeia parece não ter passado de um conceito para os forçar ao pagamento de pecados passados.

Um desastre à espera de acontecer… (2)

Enquanto se discutem – de forma absurda e irresponsável – medidas “facultativas” e supostas “folgas” com protagonistas políticos a sugerirem de forma quase explícita que assumem compromissos com reserva mental e sem a mínima intenção de os respeitar, a verdade é que os cortes previstos são drasticamente insuficientes.

Com o grosso dos cortes na despesa pública empurrados com a barriga para 2014 e os políticos portugueses de todos os quadrantes a apostarem cegamente num milagre de chuva de euros a seguir às eleições alemãs, estamos perante um desastre à espera de acontecer.

Leitura complementar: Cortes estruturais na despesa: depois do próximo aumento de impostos é que é ?; A responsabilidade de Vítor Gaspar e a sua falta de peso político no Governo; razões liberais para se dar prioridade à consolidação orçamental pelo lado da despesa.

Maio 13, 2013

Alemanha Comunista vendeu saúde dos seus cidadãos a quem pagava melhor (2)

Filed under: Comentário,Economia,Justiça,Política,Portugal,socialismo — André Azevedo Alves @ 13:30

Mesmo sem conhecer o caso em pormenor, concordo com o Ricardo que ele provavelmente constitui uma boa ilustração de como os regimes comunistas tratam os respectivos cidadãos e do profundo desrespeito pelas pessoas e pela dignidade humana que acarreta qualquer experiência prática de “socialismo real”.

Ainda assim, há uma dimensão adicional a considerar: a conduta eticamente inaceitável que as empresas farmacêuticas em causa terão tido. E aí a responsabilidade não pode ser toda atribuída ao comunismo. Aliás, o caso serve para relembrar algo que por vezes (demasiadas vezes) é esquecido pelos defensores da economia de mercado: a defesa da liberdade económica não deve ser confundida com a defesa incondicional da conduta de capitalistas ou gestores de empresas a qual, como em qualquer outra área da actividade humana, pode e deve ser avaliada eticamente. Até porque, infelizmente, não faltam exemplos de crony capitalism, com capitalistas e gestores a promoverem activamente políticas intervencionistas em seu próprio benefício.

A cegueira francesa está em toda a parte

Filed under: Comentário,Internacional,Política,União Europeia — André Abrantes Amaral @ 12:42

É do conhecimento público que a esquerda francesa esqueceu o papel que o SPD teve na revitalização da economia alemã e sofre, de há uns tempos a esta parte, de germanofobia. Infelizmente, (para nós todos e para a UE) a direita francesa, não se tendo tornado anti-alemã, também parece não perceber o mundo que a França habita neste século.

Ainda há dias, Laurent Wauquiez, deputado do UMP, ex-ministro do governo de Fillon e seu apoiante na luta interna pela liderança deste partido, afirmou que a França tem de ter cuidado na forma como lida com a Alemanha, sob o risco de a atirar para os braços do Reino Unido. Algo que quando aconteceu trouxe sempre resultados desastrosos para os franceses. O que sugere então Wauquiez? Nada mais, nada menos que uma marcha atrás no processo europeu, com a criação de uma Europa a duas velocidades. A primeira, que implicaria uma maior integração social e fiscal, seria constituída pelos estados fundadores e possivelmente estendida a Portugal e a Espanha. De fora ficaria o Reino Unido e a Europa Central. Ou seja, aquilo porque que a Alemanha se bateu desde a queda do muro de Berlim e sua reunificação. A proposta de Wauquiez pode não ter grande futuro, mas mostra bem como é que, depois de tudo o que se tem passado em França, a sua classe política ainda não acordou.

Se a esquerda quer vergar a Alemanha à sua vontade, batendo-se de igual para igual contra o que qualifica de seus ditames, a direita já só quer, de mansinho, amarrar a Alemanha a um projecto que mais serve para a França manter a supramacia na Europa, sem os custos que a reforma do seu estado implica. Já não é não perceber o mundo globalizado em que vivemos. É mesmo não entender a Europa que temos hoje

Como eu o compreendo

Filed under: Comentário,Política,Portugal — João Luís Pinto @ 11:30

Ouvi há pouco na TSF o líder sombra da oposição do CDS António Pires de Lima gabar, entre outras considerações sobre como o acordo de ontem relativamente à questão dos cortes nas pensões tinha permitido desbloquear a sétima avaliação da troika, a maneira como esse acordo tinha permitido “salvar a cara dos intervenientes”. Nomeadamente, assegurando que tinha sido conquistada perante a troika (certamente representada ao mais alto nível no conselho de ministros) a opcionalidade de uma medida em relação à qual se tinha obtido compromissos dentro do governo de que não seria aplicada.

Quando se chega a um ponto em que o único facto de que o CDS se pode gabar da sua participação e acção no governo, e a única vitória negocial que tem a apresentar, é a suposta reserva mental conquistada nos compromissos perante a troika, está tudo dito em relação ao estado calamitoso e a um certo desespero em crescendo que vai transparecendo na intervenção pública do partido, dos seus agentes e, em concreto, do seu líder.

Pouco mais de uma semana volvida do “cisma grisalho”, dos limites de consciência inabaláveis e solenemente proclamados, e das linhas vermelhas – afinal travestidas em linhas cor-de-rosa-, é perfeitamente compreensível o elencar por um porta-voz do partido como conquista da possibilidade de se “salvar a cara”.

Quão carente está, afinal, o partido de “salvar a cara” perante o que vai fazendo no governo e na maioria que o suporta, quando se confronta essa acção com a solenidade e a assertividade passada das suas promessas.

À medida que se confirma (para quem tivesse dúvidas – o que atendendo ao resultado das últimas eleições parecia ter ainda alguma difusão) como dado adquirido a credibilidade nula e a ausência de valor das palavras do líder do CDS, é natural que assuma uma prioridade crescente da acção político-partidária deste partido (cada vez mais personalizado, refém e carregando o ónus do seu líder) o peso de acções urgentes de limpeza da face. A culminarem, quem sabe, na ascensão próxima de um novo-velho animal político à cátedra do comentário político num qualquer canal público de televisão próximo de si.

Maio 10, 2013

O caminho das pedras do default

Filed under: Comentário,Economia,Política,Política Fiscal,Portugal — João Luís Pinto @ 14:04

Ensaiou-se hoje, confessado a muito custo e verdadeiramente arrancado a ferros, o novo passo na rota do default e do confisco selectivos encetada por este governo desde a sua tomada de posse.

Depois do default aos compromissos salariais para com os seus funcionários, dos defaults efectuados a fornecedores escolhidos a dedo, e do confisco efectuado por via fiscal aos trabalhadores privados, ensaia o governo agora um novo salto no caminho da bancarrota, desta vez propondo-se voltar atrás, de forma retroactiva, nos compromissos que o estado assumiu no passado aos seus pensionistas.

Note-se, mais uma vem, o carácter selectivo da medida. Não estamos a falar num incumprimento transversal do estado das suas obrigações assumidas. Assistimos mais uma vez sim a medidas bem dirigidas e apontadas, demonstrando uma precisão de tiro que o governo escolhe não exercer noutros domínios. Porque o escolhe fazer deste modo? Quais são os credores que este governo está afinal mandatado para proteger neste processo de insolvência do estado pelo qual passamos?

Que uma medida retroactiva desta natureza é atentatória dos mais fundamentais e básicos princípios de Direito, para além de meros exercícios de conformidade ou não delas para com a nossa miserável constituição e para com a tralha que a rodeia e supostamente a faz cumprir, parece-me claro e dificilmente refutável, pelo menos a quem adopte a existência desse tipo de regras básicas e não se refugie numa lógica meramente utilitarista de que os fins justificam os meios.

É que, tomada esta medida, fica-me uma dúvida: que género de compromisso é que o estado simultaneamente assume em relação aos termos e à natureza da reforma para a qual continuará a receber, de forma compulsória – e, para já, intocada -, uma parte muito significativa dos rendimentos dos trabalhadores? Nenhuns? E entretanto mantém-se quem trabalha sob o jugo de um sistema em que as garantias são nulas e/ou insindicáveis, e em que os compromissos de hoje são a conta à ordem à disposição do estado de amanhã?

Acabe-se de vez com esta burla, e liberte-se os trabalhadores desta mecanismo de extorsão deliberada e mais que confirmada por iniciativas do género da que está em cima da mesa.

Maio 9, 2013

Os resultados do Estado (dito) de “Bem-Estar”

Filed under: Comentário,Economia,Política,Portugal — André Azevedo Alves @ 15:01

Além das questões sobre mecanismos legais de exclusão do mercado de trabalho discutidas aqui pelo BZ, seria importante, partindo de situações como estas (e outras infelizmente ainda piores pelo país fora), reflectir sobre o actual modelo de Estado (dito) de “Bem-Estar”, que consome cerca de 50% da riqueza produzida no país com os resultados que estão, cada vez mais, à vista de todos.

Infelizmente, do notório fracasso das actuais políticas sociais muitos continuam a tirar a conclusão de que o problema não são as políticas mas o facto de não se poder gastar ainda mais. Isto não pode mesmo acabar bem.

Maio 7, 2013

No Fio da Navalha

O meu artigo de hoje no jornal i, sobre as parecenças entre António José Seguro e François Hollande. Um ano depois de Hollande ter sido eleito, o fracasso do seu mandato é um verdadeiro aviso para nós.

O aviso

Olhamos para António José Seguro e vemos François Hollande. O tom de voz; os gestos, quando discursa; o olhar e a ignorância das coisas que nele se entende. Não é de agora que o PS copia o seu congénere gaulês. No entanto, e porque os socialistas franceses voltaram ao poder, a receita de Hollande parece ser a escolhida por Seguro.

O que é vantajoso para nós, que vemos no presidente da França um aviso. Hollande nunca foi o candidato do PS. Com pouca experiência política, figura apagada, a sua escolha para líder dos socialistas era uma vírgula numa narrativa (como agora se gosta de dizer no Rato) que se esperava mais longa. Sem se perceber bem como, chegou ao Eliseu com um programa que não consegue cumprir e que está a desacreditar as instituições francesas.

Tal como Hollande, Seguro anseia pelo seu momento. Morto politicamente há poucas semanas, são cada vez mais os que a ele se colam para chegar ao poder. O problema dos partidos numa democracia politicamente pouco culta, como a nossa, é que todos têm pressa. Interessa chegar ao poder, de pouco valendo o que com ele se vá fazer. Não é segredo para ninguém que o PS não está pronto para cortar na despesa pública, nem reestruturar o Estado. Resumindo, para governar. Caso Seguro chegue à chefia do governo, sabemos de antemão que os problemas permanecerão e a austeridade humana que preconiza não passa de um vazio que nos irá asfixiar. Hollande é um aviso vivo a que basta estar atento.

Maio 6, 2013

Hollande – um ano depois

Filed under: Comentário,Internacional,Política Fiscal,socialismo — André Abrantes Amaral @ 17:26

Lettre d’une étudiante à François Hollande.

“Monsieur le Président de la République,

D’abord, je me présente : Clara G., 20 ans, étudiante en deuxième année d’histoire à la Sorbonne. Si je vous écris, c’est pour vous expliquer pourquoi j’aimerais faire ma vie ailleurs qu’en France. Comme une majorité de jeunes Français, d’ailleurs, à en croire les résultats de ce sondage Viavoice pour W-Cie publié en avril. A la question : “Si vous le pouviez, aimeriez-vous quitter la France pour vivre dans un autre pays ?”, 50 % des 18-24 ans et 51 % des 25-34 ans ont répondu oui, contre 22 % pour les personnes âgées de plus de 65 ans.

Vous voyez, les temps changent. Mes grands-parents soixante-huitards avaient eu la tentation de la révolution, j’ai la tentation de l’expatriation. Mes grands-parents, qui coulent aujourd’hui une retraite heureuse dans leur petite maison de campagne du Limousin, rêvaient de transformer la société française, je ne songe qu’à la fuir.

Cela va sans doute vous choquer, mais d’abord pour des raisons fiscales. Pas les mêmes que Jérôme Cahuzac, je vous rassure, mais simplement parce que je n’ai pas envie de travailler toute ma vie pour payer des impôts dont une bonne partie ne servira qu’à honorer les 1 900 milliards d’euros de dettes que votre génération nous a aimablement légués en héritage. Si ces emprunts avaient au moins servi à investir et préparer l’avenir du pays, si j’avais l’impression de pouvoir en profiter un peu, cela ne me poserait aucun problème de les rembourser. Mais ils ont seulement permis à votre génération de vivre au-dessus de ses moyens, à s’assurer une protection sociale généreuse à laquelle je n’aurai pas droit. A s’offrir des vies, j’allais dire “pépères”, mais j’ai peur que le mot vous froisse. (mais…)

O PS anti-Europa

Filed under: Comentário,Política,Portugal,socialismo,União Europeia — André Abrantes Amaral @ 11:56

Para quem ainda não deu conta, o PS prepara-se para dar uma guinada no discurso europeu: a saída do euro já não só é possível, como também é necessária. O ser desejável está ao virar da esquina. Para muitos socialistas, o euro, associado que está à vontade de Merkel de não querer ser a responsável pelo regresso da inflação à Alemanha, já não serve os seus intentos. Se o estado social se endividou por ter embarcado em aventuras empresariais e capitalistas, que o euro já não permite mais, a solução passa pelo abandono da moeda única.

Para os defensores desta linha de pensamento, a única maneira de sairmos da crise é fazendo dinheiro. Para tal, o banco de Portugal, sob instruções do governo, deve ter uma palavra a dizer. É a isto que se tem chamado de autonomia financeira. Uma solução que visa inflação, controlada, dizem-nos, que não deixará de ser um risco tremendo para que uma classe dirigente possa continuar a governar sem quaisquer tipo de travões, sem prestar contas que não seja obra feita sancionada com eleições. Através do voto popular.

Este projecto é justificado com uma fundamentação: a de que a austeridade pode causar instabilidade social, caos económico, político e quem sabe, guerras. O exemplo apontado é a da crise alemã dos anos 20 e 30 que acabou com bem sabemos. Sucede que uma das causas que gerou instabilidade nos anos entre as duas guerras foi, precisamente, a inflação. Um cancro que cresceu à medida que se iam imprimindo mais notas para pagar contas que se agravavam com o aumento do dinheiro em circulação. Um círculo vicioso e descontrolado a que apenas Stresemann pôs cobro quando apostou na estabilidade de uma moeda forte. Uma moeda que, como o euro nos dias de hoje, não permitia inflação e deu espaço à estabilidade social e ao crescimento económico da segunda metade dos anos vinte.

Merkel, como qualquer alemão, sabe quais são os risco da inflação: a destruição das poupanças, do esforço de quem trabalha e do emprego. Algo que o PS também devia saber. Aquando do Bloco Central, durante o anterior resgate do FMI, Mário Soares governou em austeridade, embora podendo fazer moeda. O resultado foi uma inflação acima dos 30% que a muito custo foi vencida nos anos posteriores. Só quando essa inflação foi dominada é que a economia cresceu. O PS devia saber isto também, porque foi depois desse período que, na segunda metade dos anos 90, pode governar sem esforço.

Governar não devia ser apenas um modo de nos enchermos de honrarias por meio de trabalho fácil. Apresentar obra, distribuir dinheiro que se faz quando acaba, não é difícil. O difícil é, não cedendo às pressões, não destruir a economia de um país e com ele uma população inteira. A utilização da história para justificar uma moeda fraca, alegando para tal os princípios da autonomia financeira, é um risco, além de falso, demasiado grande para juntarmos às dificuldades que já temos. Demagogia; populismo; dinheiro fácil; autonomia financeira; fim do projecto europeu; proteccionismo. Instabilidade social. Se quisermos brincar com o fogo será bom que saibamos quem é que está verdadeiramente a ateá-lo e com que razões.

a cunning plan

Filed under: Comentário,Humor,Media,Política,Portugal,socialismo — André Azevedo Alves @ 01:58

Sobre a hipótese de a declaração de Paulo Portas ter sido prévia e meticulosamente combinada com Pedro Passos Coelho só me ocorre – vá-se lá saber porquê – uma imagem.

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Com jeitinho, ainda se descobre que foi uma iniciativa do tal “grupo de acompanhamento da coligação”

Maio 5, 2013

Valha-nos o “grupo de acompanhamento da coligação”…

Filed under: Comentário,Humor,Media,Política,Portugal — André Azevedo Alves @ 22:47

Esta parece-me uma boa altura para recordar o extraordinário “grupo de acompanhamento da coligação” muito oportunamente criado pelo PSD e pelo CDS aqui há uns meses.

O que seria do Governo se a coligação que o sustenta não estivesse tão bem acompanhada?

O líder da oposição não aceita cortes nas pensões

Filed under: Comentário,Double standards,Política,Portugal — André Azevedo Alves @ 22:27

O líder da oposição opõe-se violentamente à taxa sobre as pensões, salienta a importância do “consenso” com os parceiros sociais e com o PS e, pelo meio, ainda pisca o olho ao Presidente da República.

Já o porta-voz do PS salienta – e bem – que Portas desautorizou o primeiro-ministro.

Seria tudo cómico se não se tratasse da coligação (?) que governa um país falido e em recessão.

Maio 3, 2013

Predadores

Filed under: Comentário,Política,Portugal,socialismo,União Europeia — André Abrantes Amaral @ 11:51

As afirmações de João Galamba ao jornal i são reveladoras da estratégia da esquerda. Nelas compreende-se que o euro se tornou num empecilho ao uso do dinheiro dos contribuintes como modo de financiar, através de políticas públicas, os sonhos megalómanos de qualquer socialista. Por isso, o euro só sobrevive se criar emprego e desenvolvimento económico. Público, naturalmente. Caso o euro não permita mais o endividamento dos estados, ele já não serve. Foi um brinquedo que já não presta e que deve ficar na prateleira.

 E é assim que para o PS, o projecto europeu, tão sagrado que ele era, morreu. Tudo está bem enquanto servir para fazer a nossa vontade.

Maio 2, 2013

Cortes estruturais na despesa: depois do próximo aumento de impostos é que é ?

Filed under: Comentário,Economia,Política,Política Fiscal,Portugal,socialismo,Teoria — André Azevedo Alves @ 09:30

O João Miranda expõe aqui as suas razões liberais para dar prioridade à consolidação orçamental. É uma argumentação respeitável (ainda que esteja mais bem construído o argumento Bastiat do que o argumento Hayek) e com a qual até estou parcialmente de acordo – pelo menos no sentido em que reduzir impostos, por si só, de pouco serve se não houver cortes estruturais na despesa.

Mas já não percebo esta acusação de irrealismo à direita liberal portuguesa por defender uma descida dos impostos. O que observamos até agora, contra o previsto no plano de ajustamento acordado com a Troika e contra as próprias intenções declaradas do Governo foi à tentativa de redução do défice com recurso em boa parte à tentativa de arrecadar mais e mais receitas fiscais.

Ao mesmo tempo, os cortes estruturais na despesa vão sendo sucessivamente adiados. O que me parece irrealista é achar que os aumentos de impostos não têm como um dos seus efeitos o alívio da pressão para reformar o Estado. O aumento da carga fiscal, além dos efeitos recessivos sobre a economia, proporcionou uma (relativa) folga à despesa pública. (mais…)

Abril 30, 2013

No Fio da Navalha

Filed under: Comentário,Insurgentes nos media,Política,Portugal — André Abrantes Amaral @ 10:17

O meu artigo de hoje no jornal i de hoje, sobre a pressa que a oposição tem de regressar ao poder.

Ansiedade política

Terminei por estes dias a leitura das “Memórias do Duque de Palmela” (D. Quixote). Além do interesse que é ler o relato, na primeira pessoa, de um dos principais intervenientes nos acontecimentos que marcaram a primeira metade do século xix, o que se retira dos seus escritos é a enorme impreparação da classe política para governar o país.

Palmela, filho de um diplomata, nasceu em Turim em 1781 e viveu na Europa até 1795, ano em que veio para Portugal. De acordo com Maria de Fátima Bonifácio, que apresenta as referidas memórias, e conforme se comprova dos seus escritos, Palmela era um entusiasta do sistema inglês. Para ele, o liberalismo não era radicalismo, mas estabilidade, moderação e contenção. Acima de tudo, preparação. Num país onde a histeria política impera(va), Palmela não foi longe. Incompreendido, sempre que possível foi relegado para segundo plano.

A impreparação denota-se na falta de tacto e na ansiedade política com que se faziam leis e se julgava possível mudar o país por decreto. Por muito que o duque realce as suas qualidades, há factos que são conhecidos de todos nós e que não podemos ignorar. E o que mais choca, além de ser um português com educação estrangeira a cuidar conhecer o país para que se legisla, é perceber quantas das falhas de então existem hoje. David Cameron foi líder dos tories cinco anos antes de ser primeiro-ministro e não se fala em fazê-lo cair. Preparação. Por cá, quando é que começamos a ser menos ansiosos?

Abril 29, 2013

Doce 1º de Maio

Filed under: Comentário,Diversos,Portugal — BZ @ 17:03

O primeiro aniversário da maior promoção em Portugal é já no próximo dia 1 de Maio. Pela mensagem de Pedro Soares dos Santos, administrador-delegado do grupo Jerónimo Martins, o resultado da campanha foi satisfatória (Relatório e Contas 2012, pdf) [meus destaques]:

A rápida leitura de contexto por parte do Pingo Doce, a decisão de investir – a partir de 1 de Maio – no fortalecimento da sua posição competitiva e a convergência de esforços na Companhia com vista à protecção do seu nível de vendas levaram a que, em 2012, se tenha obtido um crescimento das vendas para os 3.063 milhões de euros (+2,4%), que se traduziu num reforço da quota de mercado. Mesmo se, no ano, não se conseguiu evitar uma descida marginal de 0,6% das vendas like-for-like, estou orgulhoso da combatividade mostrada pelo Pingo Doce, que foi capaz de orientar as suas equipas para uma política comercial que passou a oferecer, semanalmente, novas oportunidades de poupança imediata aos consumidores portugueses.

A decisão de investir em preço, que gerou uma deflação de 1,3% no cabaz, afectou negativamente a margem da Companhia, que viu o seu EBITDA cair para cerca de 171 milhões de euros, mas permitiu inverter, enérgica e sustentadamente, a tendência de queda da quota de mercado, que se vinha verificando nos primeiros meses do ano.

PingoDoceRC2012_2

Espero que, no próximo dia 1, o Pingo Doce continue a necessitar de promover a sua estratégia comercial. Talvez não em tão grande escala porque, como se pode verificar no gráfico acima, afectou a margem operacional. E, face aos entraves legislativos entretanto aprovados, equivalente promoção também não seria viável. Minha sugestão alternativa: desconto maior do que habitual em combustíveis BP ;)

Abril 24, 2013

A falta de liberdade de educação em Portugal e a triste saga dos ministros como mestres-escola

Filed under: Comentário,Educação,Política,Portugal,socialismo — André Azevedo Alves @ 23:42

plano

Admito que o Alexandre tenha razão em tudo o que afirma, mas por que não um bocadinho de liberdade de educação (também) para lidar com estas questões ?

Entre outras vantagens (algumas mais importantes), ficávamos também poupados a discutir a imposição a nível nacional de metodologias que deviam ser discutidas – no máximo – a nível de cada escola ou agrupamento de escolas.

Mas suponho que isto seja pedir demais a este Governo

Leitura complementar: (mais…)

Abril 23, 2013

Swaps para totós

Filed under: Comentário,Economia,Media,Teoria — Miguel Botelho Moniz @ 12:01

Simpson-DohNo Jornal de Negócios, explica-se o que são swaps de taxas de juro e diz-se que são um produto de elevado risco. Não surpreende que os “peritos” da nossa imprensa económica percebam tanto de derivados como de culinária. Estou a ser injusto. Admito que saibam fazer ovos mexidos. Já nos habituaram a tal. Mal posso esperar pelos comentários incisivos do Professor Martelo, do José Trocas-te e do Pincel Sousa Tavares, entre outros.

Mas explicando uma evidência que parece escapar ao génios da lâmpada cá do burgo: O propósito de contratar um swap é de fixar a taxa de juro. (Atenção que o que está a ser noticiado relativamente ao Metro do Porto, etc, é diferente.) Ao diminuir a incerteza, está-se a reduzir o risco, não a aumentá-lo. No exemplo dado pelo Negócios, é verdade que se o contrato estiver fixado nos 2% e a taxa estiver a 1%, o cliente terá de pagar a diferença ao banco. Mas se não existisse o swap, e tivesse contratado taxa fixa, estaria a pagar os mesmos 2% no total. Dizer que isto é arriscado é como dizer que perdemos dinheiro por contratar um seguro automóvel e não nos acontecer nada ao carro.

No Fio da Navalha

Filed under: Comentário,Insurgentes nos media,Internacional,Nanny State Watch,Política,Portugal — André Abrantes Amaral @ 10:37

O meu artigo para o jornal i de hoje.

A pergunta fulcral

Rand Paul é um dos senadores republicanos pelo estado do Kentucky. Há pouco tempo deu nas vistas por ter falado no Senado sem limite de tempo, opondo-se à nomeação para dirigente da CIA de um responsável do uso de drones para a eliminação de terroristas. Na semana passada, o agregador noticioso Real Clear Politics publicitou um seu artigo sobre o futuro do Partido Republicano.

Chamando a atenção para os estudos que apontam a dívida pública e a disfuncionalidade do governo como a maior preocupação dos norte-americanos, Rand Paul defende que os republicanos se devem centrar na defesa de um governo limitado. Um governo, que não sendo inexistente, se limite às suas funções essenciais e não extravase os seus limites, que são os direitos individuais.

O texto de Rand Paul é importante porque antecipa o debate político dos próximos anos. Se até agora este se reduziu à luta de quem o estado deve favorecer, a discussão política centrar-se-á sobre se cabe ao estado, ou aos cidadãos através das suas escolhas, determinar o rumo que deve ser seguido por um país.

Em Portugal, onde ainda vivemos entre a escolha de aumentar impostos para pagar a dívida e aumentar impostos para aumentar a despesa, tudo isto é novo. Apesar de tudo, a seu tempo chegaremos ao debate que começa a ser travado lá fora. Se o Estado esmaga os nossos direitos, como é que o vamos limitar? A pergunta é fulcral e será discutida brevemente.

Abril 20, 2013

Obama não cede à pressão!

Filed under: Comentário,Internacional,Justiça — BZ @ 18:29

pressure-cookerFace às circunstâncias do atentado em Boston espera-se que Obama mantenha alguma integridade e tome medidas legislativas, à semelhança do que aconteceu depois do atentado em Newtown.

Sendo assim, os legisladores norte-americanos deverão impor aos comerciantes a “obrigatoriedade de verificarem os antecedentes judiciais e psiquiátricos dos seus clientes antes de venderem”… panelas de pressão.

Abril 18, 2013

Aristogatos

Filed under: Comentário,Double standards,Economia,Insurgentes nos media — Helder Ferreira @ 22:46

imageEu no Diário Económico
Qualquer reforma tem que começar por igualar todos os sistemas para todos os trabalhadores, da fiscalidade, às pensões, às leis laborais.

Abril 16, 2013

Fórum da Liberdade em Porto Alegre: um exemplo a seguir

forum_da_liberdade

Aproveitando a conjugação de uma ida ao Brasil para um colóquio académico em Petrópolis e de um simpático convite da organização do Fórum da Liberdade em Porto Alegre tive a oportunidade de, pela primeira vez, assistir ao vivo ao evento.

Apesar de ter já uma considerável experiência acumulada ao longo da última década (como o tempo passa…) em vários eventos com objectivos similares em múltiplos países, posso afirmar que este até foi, até hoje, o que mais me impressionou.

(mais…)

No Fio da Navalha

Filed under: Comentário,Insurgentes nos media,Internacional,Política — André Abrantes Amaral @ 09:55

O meu artigo no jornal i de hoje.

margaret-thatcher

Foto: D.R.

O legado de Thatcher

Quando Margaret Thatcher chegou ao poder encontrou um país dominado pelo Estado, que subjugava os súbditos britânicos. Nascida nos anos 20, Thatcher ainda soube o que era o Reino Unido ter um império. A sua falta e a decadência que do seu fim adveio, e que ela não acreditava ser obrigatória, fizeram-na ver que o futuro do país se encontrava onde sempre esteve: na capacidade dos ingleses ou, se preferirmos, dos britânicos.

Foi esta percepção que a fez ser intransigente na defesa dos indivíduos contra o Estado. Thatcher foi a quinta coluna colocada no topo do Estado para fazer implodir os seus excessos e fazer valer os direitos individuais. Por isso quando David Cameron diz que Thatcher salvou o Reino Unido não diz a verdade. Ela salvou os britânicos e estes, em liberdade, salvaram o país.
A aposta de Thatcher nos direitos individuais, que devem ser protegidos por uma questão moral, é hoje mais actual que nunca, por ser o único meio de salvar os países europeus. Coloca-se também em Portugal, onde quem nos endividou nos diz ser do interesse nacional trabalharmos para pagar as dívidas do Estado.

Um país não é nada sem gente. Pessoas dispostas a trabalhar para si e para a sua família. Donde, desta crise, de qualquer crise, só se sai se o governo nos libertar do peso que é darmos mais do que devemos a quem não conhecemos; darmos demasiadas explicações a quem nada fez por nós; da culpa que nos incutem por não querermos ser trucidados pela lógica da predação colectiva.

Abril 15, 2013

Uma interpretação judicial perigosa

Filed under: Comentário,Justiça,Media,Política,Portugal,socialismo — André Azevedo Alves @ 20:39

O Miguel já aqui comentou – num post que subscrevo inteiramente – o caso, mas não quero deixar de lamentar a decisão e de expressar a minha preocupação pela onda de demagogia associada, em que muito boa gente tem embarcado.

De uma regra de limitação de mandatos (discutível, mas plausível) que visa evitar a perpetuação no mesmo cargo passa-se para uma interpretação extensiva da limitação de um direito político básico e, o que é pior, para uma campanha que invoca essa mesma interpretação extensiva visando claramente evitar a candidatura de pessoas concretas cuja vitória se antecipa difícil de travar no campo eleitoral.

Como algumas dessas pessoas – com destaque para Luís Filipe Menezes – são particularmente impopulares junto de elites política e mediaticamente influentes, estão conjugados todos os ingredientes para que as principais disputas autárquicas sejam decididas na secretaria, ao bom velho estilo das repúblicas das bananas.

Haverá certamente vários motivos atendíveis e discutíveis para não apoiar a candidatura de Menezes ao Porto e devem ser trazidos para o debate político e para a campanha. O que não consigo entender é que se pretenda proibir por via administrativa a candidatura de Menezes ao Porto. E que o empenho na proibição seja tanto maior quanto se percepciona que Menezes é um candidato difícil de derrotar numa eleição democrática.

Ou prevalece o bom senso nas instâncias políticas e judiciais ou isto não vai acabar bem.

Abril 13, 2013

Mais tempo, mais juros, mais dívida, mais “austeridade” (2)

Em Fevereiro, o Governo ia apresentar medidas de cortes estruturais da despesa no valor de 4 mil milhões de euros.
A recente decisão do Tribunal Constitucional agrava a situação orçamental em cerca de 1,2 mil milhões de euros.
Logo, mesmo sem considerar outras derrapagens, o montante mínimo de cortes estruturais na despesa em falta é de 5,2 mil milhões de euros.

Assim sendo, não percebo este anúncio.

Moral da estória: enquanto continuar a haver financiamento, dificilmente haverá cortes estruturais na despesa.

Leitura complementar: Mais tempo, mais juros, mais dívida, mais “austeridade”.

Abril 9, 2013

No Fio da Navalha

Filed under: Comentário,Insurgentes nos media,Internacional,Política,União Europeia — André Abrantes Amaral @ 11:29

O meu artigo para o jornal i de hoje.

O novo mundo

Franz-Olivier Giesbert, num dos editoriais da revista “Le point”, e referindo-se à publicação do livro ‘Chindiafrique’ (Odile Jacob), alerta a França para a necessidade de olhar o mundo  presente e perceber que as glórias do passando já eram. A França, como a Europa, beneficiaram no pós-guerra de duas vantagens de peso: uns EUA dominantes que garantiam a segurança mundial e a pobreza do terceiro mundo, que vendia baratas as suas matérias-primas, ao invés delas precisar.

Foi poupando na defesa e nas matérias-primas que o Estado social europeu prevaleceu. Foram os anos gloriosos em que a Europa, já não tendo impérios, continuou a beneficiar da pobreza dos povos. Dos frutos de um mundo americano seguro e de um terceiro mundo sem forças para se fazer valer.

O referido livro, da autoria do especialista em assuntos indianos Jean-Joseph Boillot e do jornalista Stanislas Dembinski, trata desse terceiro mundo, aqui a China, a Índia e a África, que em 2012 já produziu mais que o Ocidente; que já não se limita a dar acesso aos meios para a Europa produzir o que consome, mas os fabrica e enriquece.

O Ocidente está indignado com o fim do seu Estado social. Não quer liberalizar as leis laborais, para não voltar ao nível de (sub)desenvolvimento dos países pobres. No entanto, e ao que parece pelo que se tem visto, as benesses sociais europeias vão dependendo da pobreza do mundo. Da tal “Chindiafrique” que nos bate à porta a dizer que acabou.

Abril 8, 2013

Um poço sem fim

Filed under: Comentário,Insurgentes nos media,Política,Política Fiscal,Portugal — André Abrantes Amaral @ 12:10

O meu artigo de hoje no Diário Económico sobre a decisão do Tribunal Constitucional.

Somos escravos de uma Constituição que não se coaduna com a realidade. Que sendo interpretada da forma que foi pela maioria dos juízes do Tribunal Constitucional, acentua as desigualdades entre aqueles que, trabalhando no sector privado, podem perder o posto de trabalho e os que, estando no sector público, têm emprego para a vida.

Somos escravos de uma Constituição que não se coaduna com a realidade. Que sendo interpretada da forma que foi pela maioria dos juízes do Tribunal Constitucional, acentua as desigualdades entre aqueles que, trabalhando no sector privado, podem perder o posto de trabalho e os que, estando no sector público, têm emprego para a vida. De uma Constituição baseada em preconceitos ideológicos, impregnada de um socialismo tacanho que já não só nos está a empobrecer, mas também a destruir. A destruir tudo o que foi feito desde 1974/75.

 
A decisão do Tribunal Constitucional, porque dificulta o pequeno esforço até agora feito para reduzir a despesa pública, não deixa ao Governo outra alternativa que não seja a redução do número de funcionários públicos. Se não se tomar esta medida drástica, cujas consequências sociais se vão agravando à medida que é adiada e se torna mais premente, não é apenas o estado social que acaba, mas também o próprio regime. Por muito que a esquerda bata palmas e o PS se diga pronto para governar, já não há mais dinheiro de terceiros para pagar as políticas socialistas. Infelizmente, e como a experiência comprova, mais que a actividade empresarial do estado, quem vai sofrer serão aqueles que mais precisam das medidas de carácter social.

 
Caso não se reduza fortemente a despesa pública, a única hipótese que resta ao país é a saída da moeda única. Ora, a saída do euro, marcará o fim do projecto europeu que fez o regime. Todo o esforço feito desde o 25 de Abril, da descolonização à adesão à CEE; da adesão à livre circulação de bens, serviços, pessoas e capitais, e posteriormente ao euro, é posta em causa. Sem isso, o regime perde o norte e deixa de ter rumo. Reduzir-se-á a um manual de sobrevivência político, através do qual vamos gerindo o empobrecimento continuado dos portugueses que, entretanto, não se forem embora.

 
Sempre acreditei, que batendo no fundo do poço o país acordava. Infelizmente, o poço parece não ter fim.

Mau pagador

Filed under: Comentário,Justiça,Política,Portugal — João Luís Pinto @ 00:07

Depois da semana da narrativa, eis que parece que entramos nos dias do choque.

Pois bem eu, ajustando-me à semântica vigente, digo-me também chocado. Não com a fraca constituição que temos, ou com o tristemente demasiado político – no mau sentido – e pouco judicial tribunal constitucional com que aparentemente temos que nos conformar. Esses não são novidade, e nem também é novidade constatar a hipocrisia e a falsa surpresa daqueles que são os responsáveis dos partidos políticos que há décadas se demitem de agir no sentido de mudar esse texto constitucional, e que durante esse tempo se entusiasmaram a nomear para esse tribunal juízes numa lógica de quota partidária. Esses já não me surpreendem nem me chocam.

Entre o que me vai chocando está sim a quantidade de liberais que sempre defenderam a necessidade absoluta de checks&balances, e a falta que estes e a lógica de um governo limitado fazem ao funcionamento do estado português, que parecem subitamente rendidos ao governo por decreto e a um certo pragmatismo utilitarista pelo qual é fácil de torcer quando se gosta dos resultados prometidos, e que é tão o apanágio da social-democracia soft que nos colocou no buraco em que agora estamos. Nada de chatices, de “estados de emergência formais”, de revisão judicial de medidas, ou de outros entraves à boa-nova.

Sem dúvidas que a recente decisão do tribunal constitucional herda dos próprios vícios da nossa constituição. Das “igualdades” e da discricionariedade com que esta pode sustentar (e sustenta) todo e o seu contrário. Mas pergunto: é preferível ter um TC e uma constituição, mesmo que má, ou assumir à partida um governo livre de governar por decreto? E acrescento: uma constituição liberal, sustentada em princípios caros a estes como os da presunção da boa-fé contratual ou o pacta sunt servanda, não teria ela própria que ter chumbado algumas das medidas que estavam em cima da mesa e que foram chumbadas, diríamos, “pelos motivos errados”?

De resto, de tudo isto sobra uma tremenda hipocrisia: um governo que anda há dois anos a privatizar um estaleiro naval (falido), uma companhia aérea (falida), a sucumbir aos luxos de um grupo de média estatal, a não tocar num pêlo que seja da rede pública de ensino superior, a não despedir ou a colocar em mobilidade especial um número visível dos seus funcionários públicos,e que tem sustentado a sua famosa e até agora pouco vista estratégia de corte na “despesa” na gestão de um default interno nos seus compromissos para com os seus funcionários e os pensionistas. E que agora, depois de ter somado a tudo isto brutais aumentos de impostos, se vem agora queixar olhando para a sua inépcia de que é o tribunal constitucional que não o deixa levar as suas medidas avante, quando ainda há tanto ao seu alcance a fazer.

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