O Insurgente

Julho 12, 2011

A crise portuguesa vista por um economista brasileiro

Filed under: Brasil,Economia,Nanny State Watch,Política,Portugal — Bruno Garschagen @ 19:35

O economista brasileiro Rodrigo Constantino escreveu em sua coluna no jornal O Globo, um dos mais importantes do Brasil, sobre a crise económica de Portugal:

Terremoto em Lisboa
Rodrigo Constantino, O GLOBO

“Ninguém – e sobretudo o Estado, entidade anônima e dispersa – é bom fiscal de si mesmo.” (Fernando Pessoa)

Semana passada, quando eu visitava Lisboa, a agência de risco Moody’s rebaixou os títulos da dívida soberana portuguesa para “lixo” especulativo. O país quebrou. O terremoto que se abate sobre Portugal desta vez não é fruto do acaso, mas sim uma construção deliberada dos homens. Sua principal causa chama-se irresponsabilidade fiscal; seu maior culpado: o governo.

(…)

O parasitismo do Estado social arruinou o país. Há estagnação econômica e elevado desemprego. A dívida pública explodiu. A principal doença que mina o sistema político português, segundo Carreira, está no fato de os partidos servirem “como agências de empregos e de negócios das suas ávidas clientelas, integradas por muitos dos seus filiados e pelos ‘amigos’ de sempre, que gravitam à sua volta”.

Julho 11, 2011

Uma triste estatística

Filed under: Brasil,Portugal — Bruno Garschagen @ 16:43

Do site brasileiro Consultor Jurídico:

Aumenta o número de presos portugueses no Brasil

O número de portugueses detidos nas prisões brasileiras aumentou 41,8% entre dezembro de 2008 e o mesmo mês de 2010, segundo dados do Departamento Penitenciário Nacional (Depen), do Ministério da Justiça. Em dezembro do ano passado, estavam presos no Brasil 95 cidadãos portugueses. Dois anos antes, eram 67. A maioria dos prisioneiros portugueses no Brasil foram apanhados em flagrante quando atuavam como “mulas”, ou seja, como correio das drogas. As informações são da Agência Brasil.
Os presos do sexo masculino foram os responsáveis pelo aumento. O número de homens de nacionalidade portuguesa presos no Brasil cresceu 66,7% em dois anos, passando de 48 para 80. Já o número de mulheres caiu de 19 para 15.
O aumento da quantidade de portugueses que cumprem pena nas prisões brasileiras acompanha a tendência de subida do número total de presos europeus, que cresceu 57,8% nesses dois anos.
Os maiores aumentos percentuais foram registados entre cidadãos de países do Leste europeu, como a Romênia, com 192,6%, passando de 27 para 79 presos. Apesar de ter tido uma subida menor, Portugal é o segundo país da Europa com mais presos no Brasil, perdendo apenas para a Espanha. Os espanhóis totalizam 175 detidos em prisões brasileiras.
O tráfico internacional de drogas está na origem de quase todas as detenções de portugueses no Brasil, segundo o grupo de trabalho da Defensoria Pública da União que acompanha a situação dos presos estrangeiros no país. “É muito raro portugueses conseguirem a liberdade provisória, porque não têm vínculos com o país. Acabam ficando presos durante todo o processo”, diz o defensor público federal Gustavo Henrique Virginelli. Para ele, as atuais dificuldades financeiras da Europa, e em Portugal em particular, tornam muitos portugueses presas fáceis dos traficantes.

Julho 4, 2011

Duas visões na economia brasileira

Filed under: Brasil,Economia,Política,Teoria — André Azevedo Alves @ 20:00

Empresas campeãs, brasileiros perdedores. Por Diogo Costa.

Há duas visões conflitantes na economia brasileira: mercado como objeto de planejamento e mercado como processo de descoberta. Uma evita fracassos na base da legislação e tenta financiar o sucesso com dinheiro público. A outra permite que o sucesso e o fracasso ocorram em função das escolhas dos consumidores.

Junho 22, 2011

Dúvidas linguísticas

Filed under: Brasil,Comentário,Cultura,Diversos,Portugal — João Luís Pinto @ 12:26

Um homem que usa a palavra “presidenta” é um “idioto”?

Abril 8, 2011

Which countries are most in favour of the free market?

Filed under: Brasil,Cultura,Economia,Internacional,Media,Política,Sondagens — André Azevedo Alves @ 13:30

Public opinion on capitalism.

Of the 25 countries polled, support for the free market is now greatest in Germany, just ahead of Brazil and communist China, both of which have seen strong growth in recent years. Indians are less enthusiastic despite recent gains in growth. Italy shows a surprising fondness for markets for a place that is uncompetitive in many sectors. In France under a third of people believe that the free market is the best option, down from 42% in 2002.

Brasileiros e chineses consideram o livre mercado o melhor sistema econômico. E hoje nem é 1º de Abril. Por Bruno Garschagen.

O que não faz o crescimento econômico, pois não? Brasileiros e chineses só ficam atrás dos alemães ao considerarem o livre mercado o melhor sistema para o futuro do mundo. Segundo pesquisa realizada pela GlobeScan em 2010 em 25 países, o Brasil ficou em segundo lugar, junto com a China, dentre as nações que mais acreditam na liberdade econômica. Ficamos à frente dos Estados Unidos e da Inglaterra.

Fevereiro 12, 2011

Dilma Rousseff, mais uma perigosa “neoliberal”…

Filed under: Brasil,Economia,Internacional,Media,Política — André Azevedo Alves @ 15:33

Brasil. Dilma acaba com estímulos à economia para travar inflação

O governo do Brasil vai cortar 50 mil milhões de reais (22 mil milhões de euros) de gastos a fim de conter a inflação e evitar o sobreaquecimento da economia. O anúncio foi feito pelo ministro das Finanças, Guido Manteiga, que acrescentou que todos os estímulos à economia introduzidos desde a crise financeira mundial serão retirados.

No mês passado, o banco central do Brasil aumentou os juros a fim de conter a inflação, tendo elevado as taxas de 10,75% para 11,25%. Este foi o primeiro aumento decidido pelo executivo da recém-eleita presidente, Dilma Rousseff, e do presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, que assumiu o cargo o mês passado.

A economia do Brasil, a maior da América Latina, cresceu mais de 7% em 2010, estimando-se que este ano aumente entre 4,5% e 5%.

Janeiro 26, 2011

Acordo ortográfico é engenharia social aplicada ao idioma

Filed under: Brasil,Portugal — Bruno Garschagen @ 16:57
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Desde o início reagi negativamente ao acordo. Não formulei argumentos de filologia comparada, mas político. Achava, como ainda acho, que um grupo de especialistas junto com o Estado não deveriam se unir para definir regras sobre alterações do idioma.

Sei que não é o primeiro acordo que se estabelece entre os dois países e que a vivacidade da língua costuma ser sistematizada e oficializada em dados momentos da história recente. Mesmo assim, os argumentos dos defensores do acordo, um dos quais a unificação da língua portuguesa entre os países lusófonos, sempre me pareceram uma espécie de engenharia social aplicada ao idioma. Unificar para quê, por quê?

Janeiro 23, 2011

Cavaco desfruta de enorme prestígio no Brasil

Filed under: Brasil — Bruno Garschagen @ 23:15

Janeiro 19, 2011

O governo brasileiro e a privacidade das comunicações

Filed under: Brasil,Economia,Justiça,Nanny State Watch,Política — André Azevedo Alves @ 23:11

O BBB da vida real: governo quer acabar com sigilo telefônico. Por Bruno Garschagen.

Janeiro 8, 2011

Novidades no OrdemLivre.org

Filed under: Blogosfera,Brasil,Política,Portugal,Teoria — André Azevedo Alves @ 19:00

Novos colunistas fixos no OrdemLivre.org

Janeiro 5, 2011

Dilma Rousseff, a “presidenta” neoliberal

Filed under: Brasil,Economia,Media,Política — André Azevedo Alves @ 16:00

Dilma vai privatizar novos terminais de aeroportos

A presidente Dilma Rousseff decidiu entregar à iniciativa privada a construção e a operação dos novos terminais dos aeroportos paulistas de Guarulhos e de Viracopos, dois dos principais do país.

As privatizações de Dilma. Por Magno Karl.

Apesar de ter evitado mencionar o termo privatização durante a campanha eleitoral, Dilma Rousseff, ainda como ministra, já manifestara inclinações em favor de uma discussão de uma política de privatização dos aeroportos. Na campanha, Dilma mostrava simpatia à abertura do capital da Infraero, mas evitava tocar na questão aeroportuária.

Pedro Sette-Câmara escreveu no Twitter:

O PT promete o estatismo de que o brasileiro gosta e faz o liberalismo de que ele precisa.

Para bem do Brasil, da América Latina e até do mundo, esperemos que esta visão optimista sobre Dilma Rousseff e o PT se confirme.

Janeiro 3, 2011

Não é a política o melhor o que o Brasil produz

Filed under: Brasil,Política — Bruno Garschagen @ 08:00

Dezembro 31, 2010

A arrogância fatal dos estúpidos liberais

Filed under: Brasil,Política — Bruno Garschagen @ 16:31

Meu texto no OrdemLivre.org:

Tenho acompanhado de perto os entendimentos e desentendimentos entre os liberais nas áreas política e econômica, tanto nos eventos quanto na internet. Uso as palavras ‘entendimento’ e ‘desentendimento’ porque as considero mais apropriadas do que debate, que pressupõe uma exposição de razões em defesa de uma opinião ou contra um argumento. Em palestras e conferências, por exemplo, o modelo utilizado não favorece qualquer tipo de discussão, mas a defesa de uma, vá lá, ideia pelo expositor. No que se refere à internet, o problema não é de meios ou de mecanismos propícios à discussão, mas a inabilidade, incompetência ou mesmo ignorância para esta, manifestações da estupidez honrada ou honesta e da estupidez elevada.

Dezembro 21, 2010

De como a esquerda brasileira treinou os bandidos do Comando Vermelho

Filed under: Brasil — Bruno Garschagen @ 13:36

Este fime brasileiro mostra como nasceu o grupo criminoso Comando Vermelho, cujos integrantes, na convivência com terroristas de esquerda presos na Ilha Grande, aprenderam técnicas de guerrilha urbana depois utilizadas nos assaltos a bancos. O Comando Vermelho infernizou a vida da população do Rio de Janeiro a partir dos anos de 1970 e foi, durante anos, o mais perigoso e brutal grupo criminoso organizado do país.

Dezembro 10, 2010

DESCUBRA AS DIFERENÇAS COM RUI CARMO E BRUNO ALVES

Filed under: Brasil,Insurgentes nos media,Internacional,Política,Portugal — André Abrantes Amaral @ 14:51

DESCUBRA AS DIFERENÇAS

O DEBATE POLÍTICO AVESSO AO POLITICAMENTE CORRECTO

(com um pé – e às vezes até dois – na blogosfera)

SEXTA-FEIRA, 10 de DEZEMBRO – 18H05

Domingo, 12 de Dezembro – 19H05 (REDIFUSÃO)

Esta semana, André Abrantes Amaral e Antonieta Lopes da Costa em debate com Rui Carmo e Bruno Alves .

Juntos, analisam alguns dos principais temas da actualidade:

- Apogeu socialista – Com as contas públicas num caos, o governo regional dos Açores vai compensar os funcionários públicos que vão sofrer um corte salarial. Com socialistas destes, quem é que precisa de inimigos?

- Cimeira Ibero-americana – Realizou-se mais uma cimeira Ibero-americana, a última com Lula da Silva, que já prometeu que o Brasil irá ajudar Portugal a sair da crise. Voltámos a ser o parceiro pobre?

- SNS pelo ISEG – Um estudo realizado pelo Instituto Superior de Economia e Gestão concluiu que o actual Sistema Nacional de Saúde está a degradar-se e é insustentável. O que fazer?

- Wikileaks – O fundador da Wikileaks foi preso depois da sua organização ter disponibilizado na internet uma série de segredos da diplomacia norte-americana. O que move Julian Assange?

“Descubra as Diferenças”… Um programa de opinião livre e contraditório, onde o politicamente correcto é corrido a quatro vozes e nenhuma figura é poupada. No final de cada emissão, fique para ouvir a já clássica “cereja em cima do bolo”: uma música, em irónica dedicatória, ao político/figura/situação em destaque na semana.

PODCAST: http://descubraasdiferencas.podomatic.com

descubraasdiferencas@radioeuropa.fm

Dezembro 5, 2010

O aerodilma e as suas comissárias

Filed under: Brasil,Media,Política — André Azevedo Alves @ 16:41

Depois do Aerolula, vem aí o Aerodilma

Dilma Rousseff poderá ter um avião maior e mais caro que o do presidente Lula.

(…)

O avião custa até cinco vezes os US$ 56,7 milhões (R$ 98 milhões na sexta-feira) pagos em 2005 pelo Aerolula, um Airbus-A319 em versão executiva, diz a Folha.

Recém-comprado, Aerolula seria ‘humilhante’

Apenas cinco anos após comprar um avião novinho para a Presidência da República, o presidente Lula defende a aquisição de outra aeronave, cinco vezes mais cara, para sua sucessora, Dilma Rousseff (PT). Para Lula, “o Brasil passa humilhação” porque a autonomia do Aerolula é limitada, impedindo voos sem escala a vários locais.

Comissárias de Dilma são treinadas em Campinas

As nove sargentos da Força Aérea Brasileira (FAB) selecionadas para formarem a nova equipe de comissárias do Airbus 319 da presidente eleita, Dilma Rousseff (PT), passam por especialização profissional em uma empresa de formação de comissários civis em Campinas.

Entre as aulas especiais, constam disciplinas como medicina aeroespacial, emergência a bordo e até mesmo sobrevivência no mar.

Escolhidas em um processo de seleção que envolveu militares mulheres da FAB em todo o País, as novas integrantes do avião presidencial contam com formação diferenciada.

Dezembro 4, 2010

Lula, Cavaco e Sócrates: o fado luso-brasileiro

Filed under: Brasil,Cultura,Media,Política,Portugal — André Azevedo Alves @ 19:44

Lula da Silva uniu as mãos de Cavaco e Sócrates em Mar del Plata

A cena com Lula, Sócrates e Cavaco de mãos dadas — e a sorrirem, talvez perante o inesperado da situação – aconteceu no final de um encontro bilateral entre o Presidente da República e o primeiro-ministro de Portugal com o chefe de Estado brasileiro, que participou em Mar del Plata na sua última cimeira, antes de abandonar o cargo, que será assumido por Dilma Rousseff a 1 de Janeiro.

O encontro a três durou mais de uma hora e, no final, Cavaco Silva fez rasgados elogios a Lula da Silva, tanto perante a cimeira, num discurso formal, como nas declarações que prestou aos jornalistas.

Na reunião plenária de chefes de Estado e de Governo ibero-americanos, o Presidente português considerou que estas cimeiras “vão sentir muitas saudades da força, das convicções, generosidade e inteligência” de Lula da Silva.

Será que os “brandos costumes” vão sobreviver a esta crise? Será que os “brandos costumes” vão sobreviver a esta crise?

O último Eurobarómetro mostra que a confiança dos portugueses no funcionamento da democracia está a bater no fundo. Estão mais cépticos do que a maioria dos outros europeus, mas continuam a poupar nos protestos e vão fazendo o que sempre fizeram: ir embora.

(…)

Já não era muita, encontrava-se em declínio lento há anos, mas agora está a bater no fundo e em ritmo acelerado – 69 por cento dos portugueses mostram-se insatisfeitos com o funcionamento da democracia, 76 por cento proclamam que não têm confiança no Governo, 67 por cento afirmam o mesmo em relação ao Parlamento e 82 por cento desconfiam dos partidos políticos.

Dezembro 3, 2010

Dependentes de drogas precisam de mais medicina, não de mais polícia

Filed under: Brasil,Política — Bruno Garschagen @ 12:27
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Texto meu de hoje no OrdemLivre.org:


Domingo passado, no dia em que policiais invadiam o Complexo do Alemão, reencontrei um amigo de infância. Soube que há 13 anos é viciado em drogas (começou com maconha, passou pela cocaína e hoje está mergulhado no crack). Já tentou vários tratamentos sem sucesso. O pai, com medo de que o filho fosse morto por traficantes por causa de dívidas, a exemplos de outros amigos dele, decidiu bancar o vício. A mesada do mês compra mais algumas horas de vida e uma certa sensação de segurança.

Na sala de sua casa, a conversa era interrompida com as notícias na TV sobre a operação da polícia no Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro. Provavelmente, alguma droga que meu amigo consumiu e o pai pagou saiu de lá. As drogas, vocês sabem, são ilegais. Para evitar que o filho seja morto, aquela família comete um crime e financia criminosos. Um problema de saúde convertido em leis penais. Pergunto: criminalizar resolveu o problema? A criminalização foi a medida principal que culminou numa série de problemas acessórios, cada qual com suas especificidades, complexidades e necessidade de pesados investimentos na segurança pública. Adiantou?

Novembro 28, 2010

Notícias da guerra civil brasileira

Filed under: Brasil,Justiça,Media,Política — André Azevedo Alves @ 16:42

Autoridades brasileiras hastearam bandeira nacional no Complexo do Alemão

“É só um primeiro passo”, comentou um porta-voz policial, horas depois de o comandante geral da Polícia Militar brasileira, coronel Mário Sérgio Duarte, ter confirmado que aquele conjunto de favelas, na parte setentrional do Rio de Janeiro, fora controlado pelas autoridades.

“Isto não significa que não teremos ainda confrontos”, acautelara aquele militar, que desencadeou a operação depois de ter expirado ontem à noite um ultimato para que os narcotraficantes se rendessem.

Leitura complementar: Guerra nas favelas: mocinhos e bandidos; A guerra contra o tráfico no Rio e o monopólio da força.

Novembro 26, 2010

Guerra nas favelas: mocinhos e bandidos

Filed under: Brasil,Media,Política,Portugal — André Azevedo Alves @ 16:05

Tendências deste Outono-Inverno. Por Helena Matos.

Graças à Virgem Maria que dona Dilma e o PT ganharam as eleições. Assim os blindados entram na favela mais os militares e é apenas perseguição aos bandidos. Se o presidente fosse outro estávamos perante a revolta das favelas perante o desfazer do sonho de um Brasil de todos. E o presidente, claro, era fascista. Assim os bandidos que se cuidem!

Novembro 11, 2010

A receita testada e aprovada contra a pobreza é facilitar a vida dos criadores de riqueza

Filed under: Brasil — Bruno Garschagen @ 15:43

No jornal brasileiro Folha de S. Paulo (texto completo só para assinantes), destaco o seguinte trecho do artigo do jornalista Leandro Narloch:

Eu tenho preconceito contra quem adere ao “rouba, mas faz”, sejam esses feitos grandes obras urbanas ou conquistas econômicas. Contra quem se vale de um marketing da pobreza e culpa os outros (geralmente as potências mundiais, os “coronéis”, os grandes empresários) por seus problemas. Como é preciso conviver com opiniões diferentes, eu faço um tremendo esforço para não prejulgar quem ainda defende Cuba e acredita em mitos marxistas que tornariam possível a existência de um “candidato dos pobres” contra um “candidato dos ricos”.

Afinal, se há alguma receita testada e aprovada contra a pobreza, uma feliz receita que salvou milhões de pessoas da miséria nas últimas décadas, é aquela que considera a melhor ajuda aos pobres a atitude de facilitar a vida dos criadores de riqueza.

Não é desta eleição brasileira mais recente o discurso esquerdista da luta de classes como retórica para ganhar votos. De facto, ainda tem o seu apelo político no Brasil acusar o adversário de pertencer ou defender a elite e, com isso, colocar-se como um representante legítimo daquela parte da sociedade que não pertence ao grupo especial. Esse tipo de acusação continua a funcionar como provocação sem uma resposta adequada por parte do acusado. A razão é que, no caso da recente eleição presidencial, todos os candidatos tinham a mesma raiz ideológica de esquerda. A tônica da defesa, por isso mesmo, é baseada no “eu sou mais de esquerda do que você”. O marketing da pobreza citado pelo Narloch é decorrente dessa visão ideológica da política.

E, de facto, a única forma de tirar as pessoas da pobreza é permitir que tenham acesso à riqueza. E isso só é possível se as pessoas puderem prosperar com o fruto de seu trabalho e essa prosperidade irradiar e beneficiar outras pessoas, que também possam enriquecer com aquilo que produzirem.

Publicado no OrdemLivre.org.

Novembro 8, 2010

WikiLeaks vai publicar denúncias sobre eleição presidencial no Brasil

Filed under: Brasil,Política — Bruno Garschagen @ 13:27

Em entrevista ao jornal brasileiro Estadão, o fundador do WikiLeaks, Julian Assange, afirmou ter material bombástico sobre a eleição presidencial no Brasil:


Há também material sobre o Brasil que poderá ser publicado em breve?
Sim. Não posso dizer de quem se trata. Sabemos que parte da informação que temos sobre o Brasil poderia ter abalado as pretensões eleitorais de algumas pessoas. Mas não conseguimos ter tempo de publicar o material antes, diante de todo o caso do Iraque.

Não sei qual foi a resposta dada em inglês. Na tradução, parece que as ascusações recaem sobre pessoas que não conseguiram se eleger.

Mas se o material trouxer mesmo denúncias sérias e estas recaírem sobre a presidente eleita como será que as instituições brasileiras irão se comportar?

Novembro 5, 2010

A nova história do Brasil (3)

Filed under: Brasil,Double standards,Educação,Política,Teoria,Videos — André Azevedo Alves @ 20:00

História do Brasil e a doutrinação ideológica nos livros didáticos (3)

Leis simples para sociedades complexas

Filed under: Brasil,Justiça,Política — Bruno Garschagen @ 18:38

Texto meu publicado hoje no OrdemLivre.org:

Viva! As leis são imperfeitas! Dura lex no dos outros é refresco
Devemos esquecer tudo o que nos ensinaram sobre os objetivos da lei. Não é verdade que uma legislação resolve a maioria ou todos os problemas de uma sociedade. Essa ideia é baseada numa visão corrompida e equivocada sobre o processo legislativo, que depende de homens imperfeitos para criar e aprovar as leis. Se acreditarmos no sofisma de que a lei é perfeita devemos acreditar, necessariamente, na falácia de que há duas naturezas humanas: a do legislador, perfeita; a de todos nós não-legisladores, imperfeita. Eis a grande contradição: como seres imperfeitos podem conviver com regras perfeitas?

Novembro 4, 2010

A nova história do Brasil (2)

Filed under: Brasil,Double standards,Educação,Política,Teoria,Videos — André Azevedo Alves @ 20:00

História do Brasil e a doutrinação ideológica nos livros didáticos (2)

Doing Business 2011: Brasil na traseira do empreendedorismo e na dianteira do pagamento de impostos

Filed under: Brasil,Economia,Política — Bruno Garschagen @ 15:54

O Brasil aparece na 127ª posição do Doing Business 2011, ranking elaborado pelo Banco Mundial que aponta as facilidades de empreender numa lista de 183 países. No estudo de 2010, o país ocupava a 129ª posição. A posição actual é igual a registrada em 2009.

No item pagamento de impostos, o Brasil está na desonrosa 152ª posição.

Se considerarmos somente os países da América Latina e Caribe, o país aparece na 26ª posição entre os 32 países avaliados. No item pagamento de impostos, ficamos em 25º lugar.

É bastante provável que a situação do país nesse quesito piore no ranking do próximo ano a se concretizar a intenção dos governadores da base aliada do governo de negociar, a partir do ano que vem, “a criação de um novo imposto para a saúde, em substituição à extinta CPMF”.

Novembro 3, 2010

O mal estar da oposição no Brasil

Filed under: Brasil,Política — Bruno Garschagen @ 21:30

Até agora, só o ex-presidente do Brasil Fernando Henrique Cardoso tentou puxar o PSDB, partido derrotado na eleição presidencial realizado no domingo passado, para o exercício da oposição. Chegou a ameaçar cair fora se o partido não respeitar a sua história (algo a ser discutido é de que história ele fala). Não é mau, mas ainda é pouco para aquele que mais representa esse partido supostamente de oposição.

No discurso de derrota, o candidato do PSDB, José Serra, limitou-se quase integralmente a agradecer os votos do que convertê-los em apoio para um trabalho de oposição corajoso e eficiente. Só no penúltimo parágrafo referiu-se ao tema:

E para os que nos imaginam derrotados, eu quero dizer: nós apenas estamos começando uma luta de verdade. Estamos no começo do começo. E nós vamos dar a nossa contribuição em defesa da pátria, da liberdade, da democracia, do direito que todos têm de falar e de serem ouvidos, da justiça social Vamos dar contribuição como partidos da nossa frente de partidos, como indivíduos, como parlamentares, como governadores. Essa será a nossa luta dos próximos anos. Por isso a minha mensagem de despedida neste momento, não é um adeus é um até logo.

Pareceu-me mais uma reacção compreensível de quem perdeu a eleição do que um político disposto e com talento para ser oposição.

Também não li até agora o o DEM, partido que apoiou o PSDB e havia nomeado o candidato a vice-presidente, manifestar-se como oposição ao governo eleito.

Assim como a oposição demorou a lançar o candidato à presidência está demorando a apresentar-se como oposição. É uma falha de militância imperdoável.

Estamos num momento precioso para que se constitua uma oposição ao governo eleito da Dilma Rousseff: primeiro pela soma do número de votos válidos, que impediu uma maioria esmagadora para a candidata do PT, que tão pouco conseguiu eleger-se no primeiro turno. Em segundo lugar, o grande movimento, digamos, oposicionista, veio de parcelas da sociedade e de intelectuais que se manifestaram pela imprensa. É uma parte importante do eleitorado que busca uma alternativa política. E essa alternativa pode perfeitamente se dar com o liberalismo. Os liberais vocacionados para a práctica, especialmente as juventudes do PSDB e do DEM, deveriam aproveitar essa oportunidade para convencer os líderes de seus partidos a adoptar posições nesse sentido. Também é uma chance para os membros do Partido Libertários colocarem o partido em evidência.

A maioria obtida pelo Partido Republicano na eleição do Congresso deveu-se ao aproveitamento da oportunidade surgida com o Tea Party e com as vozes opositoras na imprensa americana.

Cavalo selado não costuma passar duas vezes.

A nova história do Brasil

Filed under: Brasil,Double standards,Educação,Política,Teoria,Videos — André Azevedo Alves @ 20:00

História do Brasil e a doutrinação ideológica nos livros didáticos (1)

Novembro 1, 2010

Brasil elege Dilma presidente, ou de como estamos tão distantes do liberalismo como o planeta Terra da constelação da Ursa Maior

Filed under: Brasil,Política — Bruno Garschagen @ 02:14

Como já noticiado pelo André, a candidata do Lula, Dilma Rousseff, foi eleita e será a primeira mulher a assumir o cargo de presidente do Brasil.

Lula, o actual presidente, sempre primou pela angústia do ineditismo. Não por acaso, sua expressão mais conhecida é “nunca antes na história deste país”. Ele reconta a história do Brasil de acordo com as suas conquistas que ele considera inéditas por ignorância consciente. O presidente nunca leu um livro na vida e se orgulha do feito. É uma sorte. Se ele soubesse que a descoberta do Brasil foi levada a cabo por portugueses encontraria uma forma de inserir sua participação no evento e reduzir a importância de Pedro Alvares Cabral porque, segundo consta, não era membro do seu partido, o PT.

A vitória da Dilma é uma vitória pessoal de Lula, que escolheu a candidata e a enfiou traquéia abaixo dos membros do PT. O facto dela não ser uma militante antiga do partido (só assinou a ficha de filiação quando sua candidatura estava definida) a coloca como uma outsider em termos ideológicos estritos, como o próprio Lula, um sindicalista bom de conversa que foi assimilado por uma certa elite sindical e intelectual que via no ex-operário um líder carismático capaz de conduzir o partido ao poder.

Mas Dilma tem um passado ligado ao que há de pior no aspecto ideológico, pois fez parte de um grupo terrorista que queria derrubar o regime militar no Brasil para implantar no país uma ditadura de esquerda. Portanto, não é uma inocente.

Como ministra de Estado, porém, mostrou-se ser PT de corpo e espírito. Rapidamente, descobriu a melhor forma de aparelhar a administração pública e assim obter poder e benefícios. Como Lula.

Seguidamente ao anúncio de sua candidatura no fim do ano passado, duvidava-se aqui no Brasil se Lula poderia eleger uma desconhecida conhecida por ser uma pessoa intratável e extremamente rude com os subalternos. O facto é que Lula, desde o início, se reconhecia nela. Ele próprio sempre foi dado a proferir impropérios e palavras de baixo calão em reuniões com os ministros e no contacto com jornalistas. E nunca teve o cuidado de esconder o seu fascínio adolescente pelo poder. Dilma não erraria se parafraseasse dessa forma o famoso aforismo: O Lula sou eu.

Há poucos minutos, a candidata eleita fez o seu primeiro pronunciamento. Afirmou que vai respeitar as instituições, as liberdades, a imprensa livre e o mercado. Lula, antes de se eleger pela primeira vez, fez o mesmo. Só não descumpriu a promessa porque parte da sociedade e algumas instituições, entre elas o Supremo Tribunal Federal e a imprensa, não deixaram. As promessas de Dilma carecem do teste do tempo.

E se há razões para temer possíveis ameaças futuras também devemos considerar tão augusta coincidência: a senhora Dilma Roussef elegeu-se a presidente do Brasil justamente no dia do Halloween.

Mas a tragédia política brasileira é menos a eleição da candidata do PT, uma entre as duas candidaturas das esquerdas carnívora (PT) e vegetariana (PSDB), do que a inexistência de uma alternativa liberal.

O diplomata, ministro e deputado Roberto Campos disse certa vez que o Brasil tinha três saídas: “o aeroporto do Galeão, o de Cumbica e o liberalismo”. O grande problema era que, segundo suas palavras, o Brasil estava “tão distante do liberalismo – novo ou velho – como o planeta Terra da constelação da Ursa Maior!”

Resultado das eleições no Brasil

Filed under: Brasil,Política — André Azevedo Alves @ 00:47

Com mais de 99% das secções apuradas: Dilma 56%; José Serra 44%. A abstenção foi de cerca de 21%.

Outubro 31, 2010

Lula v2.0

Filed under: Brasil,Política — André Azevedo Alves @ 23:45

Dilma é a primeira “Presidenta” do Brasil

Ainda não estão apurados todos os votos das presidenciais no Brasil, mas já é matematicamente impossível a José Serra alcançar Dilma Rousseff. A candidata do PT será assim a primeira mulher Presidente do Brasil – ou, como costumava dizer Lula da Silva, a “Presidenta”.

Leitura complementar: Eleições no Brasil: a antiprivatista e o defensor envergonhado das privatizações.

Outubro 27, 2010

Uma seleção de mais tipos de esquerdistas que você encontra na universidade

Filed under: Brasil,Política — Bruno Garschagen @ 20:39

Mais uma contribuição aos 12 esquerdas que você encontra na faculdade:

O esquerda do diretório acadêmico: Entrou nessa porque ouviu falar que as festas eram boas, a cerveja era de graça e as moças idem. Encontro nacional de estudantes é a sua micareta.

O esquerda descolado: Twitta elogios à revolução cubana pelo iPhone e pratica justiça social da mesa do bar com os amigos do Leblon.

O esquerda universitário: morde os lábios toda vez que vê um Foucault.

O esquerda raivoso: não pode ver uma foice e um martelo que logo sente frêmitos no decote.

Outubro 22, 2010

On Going To Brazil

Filed under: Brasil,Economia,Media,Política,Portugal,Videos — André Azevedo Alves @ 17:03

Motorhead – Going To Brazil

Versão com legendas em Português disponível aqui.

Deputado renunciou ao mandato para assumir novas funções: Agostinho Branquinho garante “transparência” no convite para a Ongoing Brasil

Esta empresa pertence ao universo Ongoing que pretendeu comprar uma participação na TVI. Agostinho Branquinho foi, por parte do PSD, o rosto da comissão de inquérito à interferência do Governo naquela estação de televisão.

“Não resultou em nenhum benefício de qualquer grupo empresarial português, nunca me inibi de fazer as perguntas que quis fazer, mesmo quando as pessoas não gostavam”, afirmou esta manhã aos jornalistas o deputado, referindo-se à sua participação na comissão de inquérito pedida pelo PSD e pelo BE. “Não pode haver processo mais claro, mais transparente e mais ético”, sublinhou.

(via Rui A.)

As ameaças às liberdades no Brasil do PT

Filed under: Brasil,Política — Bruno Garschagen @ 07:00

O Partido dos Trabalhadores (PT), do presidente brasileiro Luís Inácio Lula da Silva, já merece um amplo estudo em várias áreas, da ciência política à sociologia, passando pela filosofia e terminando na psicologia. Desde o início do governo, o partido e sua cadeia de comando testa os limites da sociedade brasileira para ver até onde pode avançar. É uma estratégica tão esperta quanto ameaçadora. Se esferas da sociedade e algumas instituições não tivessem reagido teríamos hoje no Brasil toda uma coleção de violações de liberdade e ataque contra indivíduos e instituições.

Uma das ameaças mais recentes, e das mais assustadoras, foi o Plano Nacional de Direitos Humanos 3. O documento, que pretendia orientar a política do governo federal e da candidata do PT à presidência, previa não só um tipo especial de controle (social) dos media como também enfraquecia ainda mais o precário direito de propriedade no país. Houve uma reacção e o governo mudou o texto. E se não houvesse reacção? O texto e a sua aplicação seguiriam o curso normal desejado pelo PT e pelo governo, que vão tentando ampliar seus tentáculos e projecto de poder sem que a sociedade perceba.

Quando um partido aparelha a administração pública contratando exclusivamente pessoas do partido ou diretamente ligadas, em vez de profissionais competentes para exercer a mesma função, passamos da ameaça para uma situação concreta que atenta contra a sociedade. A história da violação recente dos sigilos de adversários políticos do PSDB e da filha e do genro do candidato do PSDB, José Serra, é uma das provas materiais do que se pode fazer quando o partido entranha-se na administração pública. E também expõe o grau de ameaça a que estamos submetidos por cá.

Neste sentido, alguns dados interessantes: os sindicalistas ligados ao governo ocupam 45% dos 1.219 cargos de direção e assessoramento superior do governo federal. Desse percentual, 82% é formado por gente filiada ao PT. Outra informação importante: 70% dos 6.045 servidores de carreira que se filiaram ao PT desde o início do governo Lula foram promovidos ou nomeados para cargos de chefia.

O livro A Elite Dirigente no Governo Lula, da historiadora brasileira Maria Celina de Araújo, professora da Fundação Getúlio Vargas (FGV), da Pontifícia Universidade Católica (PUC-RJ) e da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), é um estudo extraordinário sobre esse grupo de interesse que tomou o poder com a ascenção de Lula.

Numa conversa ontem sobre o assunto, um conhecido disse-me que o fato de votar no PT e na Dilma não significava o seu desapreço pelas instituições, pelo estado democrático de direito, pelo rule of law e pela democracia, como eu afirmara. Essa perspectiva é interessante porque me faz pensar que só se sente ameaçado aqueles que não compartilham com os valores e princípios do PT. Como os socialistas portugueses que preservam um primeiro-ministro como José Sócrates, mergulhado em denúncias de fazer corar o Código Penal português.

Não se trata de uma discussão ideológica. Estamos na esfera de identificação daquilo que viola as liberdades e atenta contra as instituições formais e informais. Se comungo da estrutura de pensamento de um dado partido como sentir-me-ei ameaçado pela série de tentativas de ataques às liberdades? A noção de liberdade, de função e dimensão do Estado, de indivíduo, de propriedade, é um tanto divergente e, às vezes completamente invertida. Não conseguir ver uma ameaça não quer dizer que ela não exista. Mesmo que se apenas um indivíduo lutasse pela liberdade por considerar haver uma ameaça era o caso de atentar para as razões dessa insurgência, não ignorá-la.

Há uma crença em parte da sociedade brasileira de que o PT antigo era melhor do que o actual. Em termos ideológicos, o partido não mudou uma vírgula. Discordo de que haja um ideal antigo (bom, incorruptível) e um novo, corrompido pelas contingências. O que mudou foram as circunstâncias, mais especificamente o facto de o PT ter ascendido ao poder federal. Administrações petistas municipais e estaduais já incorriam em vícios parecidos, mas numa dimensão muito menor.

Conheci vários petistas que eram filiados porque acreditavam sinceramente que o partido faria algo na área social, de ajuda aos pobres. Muitos continuam achando a mesma coisa e continuam filiados e com isso legitimam os meios que o partido usa para realizar seus projectos, independentemente dos resultados.

É um desejo bastante legítimo e nobre querer ajudar o próximo. O problema são as pessoas se deixarem levar por essa ilusão de que o partido é moralmente superior e, por isso, pode recorrer a quaisquer expedientes para concretizar um plano de resultados pré-definidos e que exige dos indivíduos a submissão a um objetivo único a todos os membros da sociedade, que é composta por vários objetivos individuais – e assim deve ser.

Imaginar que o PT não é mais o mesmo porque se deixou corromper é ter uma visão idealizada, e até romântica, do que o partido efectivamente sempre foi.

O quem sempre tenho em mente é que não há anjos na política e o poder deve ser tão limitado e controlado pelas demais esferas (checks and balances) que impeça qualquer ímpeto ou tentativa autoritária, em maior ou menor grau. Ou nós, brasileiros, escolhemos ajudar a construir uma sociedade civilizada com o nosso trabalho, com a liberdade de escolher como aplicar a riqueza que produzimos sem intervenções ou ameaças, sem que o governo de turno seja o protagonista da vida social, política e económica, ou arriscamos nossas liberdades e nossas vidas cedendo a projectos de poder por simpatias ideológicas, servidão voluntária ou indiferença.

Eu já escolhi o meu lado.

Leitura recomendada: Os 10 piores momentos de Lula.

Outubro 19, 2010

Chico Buarque toca o pandeiro para a candidata do PT

Filed under: Brasil,Cultura,Política — Bruno Garschagen @ 17:39

“Vim reiterar meu apoio a essa mulher de fibra, que já passou por tudo, e não tem medo de nada. Vai herdar um governo que não corteja os poderosos de sempre. O Brasil é um país que é ouvido em toda parte porque fala de igual para igual com todos. Não fala fino com Washington, nem fala grosso com a Bolívia e o Paraguai”.

Assim falou o compositor brasileiro Chico Buarque num ato de apoio à candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, ontem no Rio de Janeiro. O apoio, obviamente, não espanta. Ele preserva a biografia esquerdista do compositor. Mas o que interessa são os atributos atribuídos à candidata.

Segundo Buarque, Dilma não tem medo de nada. Isso é bom? O medo é um mecanismo de defesa que nos alerta contra os perigos de nossas acções ou as de terceiros. Se a candidata não tem medo de nada nos coloca sob um risco institucional tremendo. Significa que vai adoptar posições políticas e agir sem levar em consideração os perigos de suas decisões. Já pensaram no tamanho do problema causado por um presidente da República que decida apoiar os regimes de Cuba e do Irã?

Nosso grande compositor depois afirma com a propriedade que lhe é peculiar que a Dilma não só vai ganhar a eleição como “vai herdar um governo que não corteja os poderosos de sempre”. Fico bastante mais tranquilo ao ler isso. Mas vamos lá ver o significado dessas palavras. O governo Lula tem o apoio de políticos como José Sarney, Renan Calheiros, Fernando Collor de Melo et caterva. Também tem o apoio daquela parcela dos empresários que apoiam quem está no poder. Não porque o capitalismo esteja livre das amarras ideológicas, mas porque os incentivos criados pelo Estado excitam aqueles donos de empresas ávidos por uma licitação especialmente elaborada de forma a respeitar a antecipada escolha dos vencedores. É o capitalismo de Estado na versão vintage, mas sem a dignidade e o sabor do vinho do Porto.

Consideremos, no entanto, que o nosso mestre do samba tenha esquecido esses pormenores e que Lula, de facto, não tenha cortejado os poderosos de sempre. A frase deixa em aberto o cortejar a outros poderosos. Quem seriam? Os companheiros de PT? Os sindicalistas? A burguesia do capital alheio (copyright Reinaldo Azevedo)?

Tem mais? Como não? Buarque nos garante que o Brasil agora tem voz na sociedade internacional porque fala de igual para igual com todos. Considerando que o nosso presidente orgulha-se de só saber rudimentos do português com os quais consegue comunicar-se (de forma bastante eficiente, diga-se) fico a imaginar o que representa esse falar de igual para igual. E considerando os insucessos da diplomacia brasileira na esfera internacional é o caso de pensar se falar de igual é melhor do que ser compreendido e respeitado.

Quanto à última frase, trata-se de um primor de sofisticação ziriguidum: “Não fala fino com Washington, nem fala grosso com a Bolívia e o Paraguai”. Fala, portanto, naquele estilo vocal indefinido próprio de adolescentes. E sabemos bem quão irritante é a voz e o, digamos, pensamento na adolescência.

É, realmente, o apoiante perfeito para a candidata adequada.

Outubro 18, 2010

Eleições no Brasil: a antiprivatista e o defensor envergonhado das privatizações

Filed under: Brasil,Economia,Política — Bruno Garschagen @ 20:10
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No debate promovido ontem pelo canal brasileiro Rede TV! em parceria com o jornal Folha de São Paulo, a candidata do PT à Presidência do Brasil, Dilma Rousseff, manteve a estratégia usada pelo Presidente Lula na eleição de 2006 contra o seu adversário Geraldo Alckmin, do PSDB: atacar as privatizações e acusar o actual candidato do PSDB, José Serra, de querer privatizar a Petrobras.

Naquela disputa, o esquema funcionou pela reacção equivocada da campanha de Alckmin, que acusou o golpe e adoptou para si o discurso do adversário até chegar ao acto medonho de vestir uma jaqueta com os símbolos das empresas estatais brasileiras. Se ambos os candidatos demonizavam as privatizações, era de considerar que a população, com essa informação, partilhasse da mesma opinião, mesmo que tenha sido beneficiada directamente, como no exemplo da privatização do sector de telefones móveis e fixos.

Agora, apesar de inicialmente seguir os passos de Alckmin, o candidato do PSDB parece ter escutado conselhos de colegas de partido e passou a defender o governo de FHC e as privatizações. No debate de ontem, chamou a atenção para os benefícios do acesso aos telemóveis pela população mais pobre. Isso não quer dizer que Serra seja um liberal. Está longe disso. Assim como sua adversária, a candidata do PT, acredita que o estado deve ser o agente do desenvolvimento econômico.

A nota cómica dessa segunda volta presidencial é que a candidata do PT que acusa adversário do PSDB de privatista, num tom ainda mais agressivo do que se acusasse a mãe dele de actos menos nobres, é a mesma que desenvolve um discurso mais pró-mercado do que o próprio José Serra. Ideologia de político brasileiro começa e termina naquilo que atrai mais votos.

O melhor até agora foi que a não-eleição da candidata do PT na primeira volta e a reacção do eleitor brasileiro às denúncias de corrupção no governo Lula e à satanização da privatização mostraram que o eleitor brasileiro é melhor do que imaginam os analistas políticos e os políticos em campanha. Essas informações permitem ratificar a observação do sociólogo Alberto Carlos de Almeida de que um partido de direita no Brasil (liberal-conservador) conquistaria uma parcela significativa dos votantes que carecem de uma proposta política alternativa e eficiente.

Entre a antiprivatista de ocasião (Dilma Rousseff) e o defensor envergonhado das privatizações (José Serra) há uma lacuna política a ser ocupada pelos liberais. Ou eles ocupam tal espaço ou vamos continuar lamentando que o leque de opções ideológicas da política partidária no Brasil vá do amplo espectro entre a esquerda e o canhoto.

Outubro 4, 2010

A Mulher Pêra e o género

Filed under: Brasil,Cartoons,Media,Política — André Azevedo Alves @ 19:31

Creio que ninguém que conheça a profunda sensibilidade do Rui A. para este tipo de questões de género pode duvidar por um segundo que seja quando ele afirma que seria incapaz de negar o seu voto à Mulher Pêra: ansiedade.

A candidata Mulher Pêra, mais uma «puxa votos» do Estado de São Paulo, ainda não tem confirmada a eleição. Por mim, não lhe negaria o voto, mas o povo é ingrato e o desfecho da votação imprevisível.

O Palhaço Tiririca e o mensalão

Filed under: Brasil,Cartoons,Justiça,Media,Política — André Azevedo Alves @ 19:29

golpada. Por Rui A.

Nesta eleição o Tiririca vai ser o deputado mais votado no Estado de São Paulo e atrás dele serão eleitos alguns políticos com bem menos sentido de humor, como é o caso dos «mensaleiros» do PT José Genoíno e João Paulo Cunha. Uma bela golpada e não uma palhaçada, como aparenta. A política é tramada!

Resultado das eleições brasileiras

Filed under: Brasil,Internacional,Política,Sondagens — André Azevedo Alves @ 00:17

Contrariamente ao indicado pela maioria das sondagens, parece que vai mesmo haver 2º turno nas eleições presidenciais brasileiras. Dilma Rousseff parte como favorita, mas tudo continua em aberto.

Agosto 27, 2010

Liberdade na Estrada 2010

Filed under: Brasil,Política,Videos — André Azevedo Alves @ 00:17


(via Diogo Costa)

No Liberdade na Estrada 2010, o OrdemLivre.org vai reunir pela
segunda vez alguns dos principais intelectuais brasileiros e colocar
os pés e as cabeças na estrada. Iremos visitar 12 cidades e
universidades, do Sul ao Norte do país, entre os dias 13 de Setembro e
8 de Outubro.
O objetivo agora é aproveitar um importante ano eleitoral para debater
ideias sobre o passado, o presente e o futuro do país. Afinal, qual é
o Brasil que queremos ser?

Porto Alegre, 13 de setembro
Curitiba, 15 de setembro
São Paulo, 16 de setembro
Ribeirão Preto, 21 de setembro
Petrópolis, 22 de setembro
Rio de Janeiro, 23 de setembro
Belo Horizonte, 27 de setembro
Vitória, 29 de setembro
Recife, 1º de outubro
Fortaleza, 4 de outubro
São Luís, 6 de outubro
Brasília, 8 de outubro

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