Leitura dominical

Carta aberta a Marinho e Pinto, a crónica de Alberto Gonçalves no DN.

Enquanto no Iraque jihadistas (psicopatas em português) de um grupelho “dissidente” da Al-Qaeda decapitam centenas de civis curdos, meio Ocidente continua a manifestar-se contra Israel. Se parece idiota é porque é idiota. No entanto, qualquer um – até os idiotas – é livre de exibir as suas preferências, incluindo em matéria de conflitos e genocídios. Eu, por exemplo, decidi que daqui em diante só me indignarei com os crimes, as malfeitorias e os desaforos cometidos pelo Governo letão. Não tenho de argumentar nem de avançar com razões, sólidas ou gasosas: simplesmente ganhei cisma à Letónia e pronto.

A mutilação de meninas na Serra Leoa? Não quero saber: a minha preocupação vai para a discriminação da comunidade letã de língua russa. O esclavagismo de castas na Mauritânia? Não me interessa, já que na Letónia existem abusos verbais contra os homossexuais. O despotismo dos militares no poder na Birmânia? Deve ser chato, embora o meu coração esteja inteiramente reservado às vítimas de humilhação no sistema prisional da Letónia. A fome na Coreia do Norte? Desculpem lá, mas importa exclusivamente a larica dos letões, sobretudo os que ainda não almoçaram às duas da tarde. Os presos políticos em Cuba? Coitados, se bem que ando ocupado com a violência doméstica entre meia dúzia de casais letões.

Apenas o regime da Letónia me ofende, apenas os oprimidos na Letónia me fazem sair à rua, equipado com cartazes furiosos e vestuário regional. Por enquanto, é uma luta que travo sozinho. Amanhã, seremos inúmeros. Ou, com sorte, dois ou três.

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Alcança, quem não cansa

Mas é capaz de ser mais prudente esperar sentado.

El Vaticano pide a los líderes musulmanes que condenen la violencia y persecución que sufren cristianos, yazidíes, y otras minorías religiosas y étnicas en Irak.
En una declaración, el Pontificio Consejo para el Diálogo Interreligioso pide a líderes religiosos, sobre todo a los musulmanes, que condenen abiertamente la violencia y den un paso contra los yihadistas y sus actos críminales. No hacerlo dañaría la credibilidad de cualquier religión, de sus seguidores y líderes,asegura la declaración
El documento también subraya que ningún motivo ni religión puede justificar esta violencia, e incluye una lista con los crímenes cometidos por los yihadistas que pretenden imponer un Estado islámico.
Entre ellos destacan la decapitación y crucifixión por motivos religiosos; la conversión forzada al Islam, o el pago de un impuesto en su lugar; los secuestros de mujeres y niñas, y la destrucción de lugares de culto.
 El documento reconoce que la mayor parte de instituciones religiosas y políticas musulmanas se oponen a los yihadistas. Sin embargo, aclara, esta oposición no ha evitado más ataques. (…)

Referendos

Referendo

 

Por forma a aplicar as mesmas regras universais às relações internacionais, Vladimir Putin acede a fazer mais um referendo, desta vez no Leste da Ucrânia. Polónia, Finlândia, Moldávia, países bálticos, Geórgia e Azerbaijão são os países que se seguem na “short list” onde a Rússia deseja prosseguir a democracia. A questão é: “Considera prioritário o envio de ajuda humanitária suiça?”

O Sol da jihad

Enfadado destas férias de Verão chuvoso? Uma sugestão do Vítor Cunha.

(…) Se te juntares hoje à causa receberás grátis o teu cinto de explosivos (valor normal: 24,99 USD) e ainda a oportunidade de seres eleito (divinamente) o mujahideen do ano, com distribuição multimédia de discurso em milhares de pens USB nos califados de Londres, Paris, Bruxelas e Marselha. Se odeias o secularismo e a tua t-shirt do Che Guevara está gasta; se preferes ser amputado a teres um amigo homossexual; se achas que o “Mein Kampf” devia ser de leitura obrigatória no 9º ano para fomentar nos jovens a criação de uma Nova Ordem; se preferias privar com um bode na tua sala a conhecer um judeu na tua escola; se achas que todas as gajas ocidentais são umas porcas que andam nuas na rua a implorarem a violação; se és moderno e repudias a frouxidão desses crucifixo-lovers dos xoninhas católicos e repudias o deboche anti-progressista da decadente monarquia; se te sentes um escravo do capitalismo, com os vales do McDonalds e as pizzas gordurentas das grandes corporações norte-americanas que pretendem engordar toda uma geração, junta-te a nós. Juntos rebentaremos com essa fantochada. A verdadeira liberdade está na honra de pertencer a algo que transcende a tua mera condição de reles indivíduo.

Visionamento recomendado

Apesar dos especiais cuidados que os meios de comunicação social devem ter na abordagem ao tema do terrorismo, aconselho o visionamento do trabalho da Vice, o primeiro orgão de comunicação “embedded” com o grupo terrorista Estado Islâmico.

The Islamic State (Part 3)- O passeio com a polícia da virtude e dos bons costumes islâmicos.

The Islamic State (Part 2)- A doutrinação de crianças na moral do grupo terrorista.

The Islamic State (Part 1)- O jornalista Medyan Dairieh inicia a reportagem na cidade de Raqqa (Síria), onde o grupo jihadista procura dominar a resistência oferecida pelo exército do ditador Assad.

 

Leitura recomendada

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Kokito, por António Araújo.

E para aqueles que, por cegueira político-ideológica, conspurcam as paredes de Lisboa com grafitos que gritam Free Palestine!, importaria parar por momentos e pensar um pouco. Em Portugal e em Israel, pode dizer-se o que se pensa. Com Kokito, quem se arrisca a pensar pela própria cabeça, perde-a. Perde-a decapitada, no sentido mais literal do termo. Conviria pensar nisso. Se possível, pela própria cabeça. Sem dogmas nem preconceitos.

Leitura dominical

A tragédia menor, a crónica de Alberto Gonçalves no DN.

A propósito da solução para o BES, António José Seguro teme que os contribuintes venham a assumir os erros dos privados, António Costa lamenta que os pequenos accionistas se afundem com o “banco mau”, a menina Catarina do BE disse umas coisas naturalmente desvairadas e o PCP, que ainda há semanas pedia a nacionalização do banco, acusa o Governo de resgatar o banco com dinheiros públicos. Eu, que acho misteriosa qualquer operação financeira acima dos cem mil euros, tenho uma única certeza: com ou sem BES, o “novo” ou o “velho”, o fisco continuará a aliviar-me com regularidade.

Se o caso BES serve de alguma coisa, é de lição. O arranjinho encontrado é uma desgraça? Talvez, mas talvez não pudesse ser melhor, ou talvez, a julgar pelas assarapantadas reacções da esquerda, pudesse ser bastante pior. E este falso paradoxo é, afinal, uma educação acerca do máximo que se deve esperar da acção governativa, que nunca é a arte de procurar a resposta ideal, e sim a de tentar fugir à resposta catastrófica. Décadas de recorrentes desilusões democráticas teriam sido evitadas se os cidadãos – e os políticos – observassem esse simples preceito.

Esqueçam o pormenor (desculpem o eufemismo) do BES e pensem no “quadro geral”: o Governo é lamentável? Das indecisões às péssimas decisões, da retórica reformista à incapacidade de reformar, da fama “neoliberal” ao proveito dos impostos, do folclore de Relvas aos amigos na Santa Casa, claro que sim. Só que a questão é outra: descontados os fiéis e os oportunistas, alguém encontra nas oposições o esboço de um governo preferível? Dito de maneira diferente, o País estaria menos sufocado com o dr. Seguro ou o dr. Costa (a fim de evitar embaraços, nem menciono o PCP e as setenta agremiações destinadas a unir a esquerda)?

Semanalmente, diversos exaltados acusam-me, nas “caixas” de comentários do DN online, de escrever a expensas do poder ou de sonhar em alcançá-lo. Para mal da minha conta bancária, a primeira acusação é falsa; para bem da nação, a segunda é delirante: antes de irromper no fascinante universo partidário, tentaria a sorte como chofer de praça, carpinteiro de limpos ou pequeno traficante de analgésicos. A dignidade acima de tudo. Se pareço tolerar um Governo atroz é apenas porque as alternativas me parecem intoleráveis. Parece absurdo? Eis a política, sobre a qual toda a repulsa peca por escassa.

Leitura dominical

Um Verão português, a crónica de Alberto Gonçalves no DN.

(…) cabe notar que a sofisticação argumentativa de José Sócrates tende a perder algum impacto por força da repetição das palavras “canalhas”, “bandalhos” e “patifes” (para me limitar às reproduzíveis num jornal decente). Em terceiro lugar, nem o trocadilho cromático alivia a velha crença do PS “socrático” de que o Amado Chefe é perseguido pela inveja dos simples mortais. Por fim, resta a devoção cega ou o ódio exaltado que o povo anónimo dedica à criatura, critérios determinantes na crítica ou no aplauso à Sábado.

Este último ponto é tanto mais curioso quanto é costume dizer–se que só as grandes figuras suscitam sentimentos assim extremados. Quem o diz, obviamente, não conhece Portugal, onde, de Salazar a Cunhal, as paixões e as fúrias distinguem rematadas mediocridades. Mas talvez nunca tivessem distinguido uma mediocridade do calibre de José Sócrates, vulto que apenas se destaca pela particular inépcia, pelo descaramento acima do comum e por uma tendência para ver o seu óptimo nome envolvido em 85% das trapalhadas que a nossa Justiça tenta “resolver”.

Entretanto, outras publicações falam em suspeitas alusivas à compra de um apartamento em Paris por três milhões. Trata-se, evidentemente, de nova canalhice e da velha campanha. Negra, como se impõe. (…)

Compreender o putinismo III

Em boa verdade, o fenómemo não assenta em grandes novidades.

Putin’s ‘Russian Spring’ Idea was Invented by Russian Fascists in 1920s.

Leituras complementares: Compreender o putinismoCompreender o putinismo IIA anexação de Putin e o estado da russofoniaAbaixo a Guerra Fria.

Em casa de terrorista, espetam-se as manas a viver com o inimigo

É natural que as pessoas queiram o melhor para as famílias. Enviar as três irmãs para o berço de todos os males do mundo não é um bocadinho pesado? Não ficariam a salvo das maldades no “ghetto de Varsóvia de Gaza”? Afinal, que criatura é esta que permite que as irmãs vivam na “casa dos criminosos de guerra”?

O fabuloso destino de Ana Drago

Passa pela esquerda e pela eterna soma de divisões canhotas

A ex-dirigente do Bloco de Esquerda Ana Drago assumiu, esta quarta-feira, a criação de uma plataforma política de esquerda que congregue “movimentos que já estão no terreno” que tenha a “seriedade e humildade” de ser colocada “perante os votos dos portugueses”.

 

O Ranking das Esquerdas Mais Convergentes sempre esteve ultrapassado pela realidade interventiva d@s cidadad@s que querem tacho e pela natureza das coisas.

É provável, que à data da publicação do artigo tenham surgido de forma espontânea, outros movimentos de convergência da esquerda portuguesa. Assim sobrem pessoas e se redescubram causas. Afinal, precisamos de mais esquerdas por forma a tornar mais difícil a vida aos comediantes e a reinvenção permanente com um verdadeiro efeito multiplicador das petições on-lne.