
Via Delito de opinião.
Donzelas e galdérias, a crónica de Alberto Gonçalves no DN.
Num país em que ninguém parece acreditar na Justiça, na política e nos partidos, é interessante verificar a estrita devoção de tantos às decisões do Tribunal Constitucional, guardião de um documento ideológico e cujos membros resultam de nomeação partidária. Por mim, tudo bem. Mas não é inconsequente o respeito do TC por uma Constituição que desrespeita a realidade.
Ao contrário do que alguns pensam e tal como outros desejam, os “chumbos” do TC ao Orçamento não acabarão por correr apenas com o Governo: por este andar, arriscam-se a enxotar a troika mais o dinheiro que nos ajuda a fingir que ainda somos uma nação soberana e cheia de rigor legalista. Para cúmulo, nem os senhores juízes pagam a diferença do bolso deles nem a bancarrota é inconstitucional. Quando o dr. Seguro diz que quem criou o problema dos 1300 milhões deve resolvê-lo, falhou o destinatário e, sem surpresas, não acertou no resto.
A solução para a bancarrota está ao alcance de qualquer um. Acaba-se com o défice, aumentando a despesa. Não é assim que fazem nas casas bem governadas? Parece-me também que não deve haver lugar a uma dramatização. Esta é a altura para recuperar a política feita de pessoas e ao serviço das pessoas que diz que deve existir vida para além da pataquinha.

A imagem não retrata Maysara Abu Hamdiya mas um rebelde sírio hospitalizado.
Terça-feira passada, Maysara Abu Hamdiya morreu vítima de um cancro na garganta. A morte do terrorista preso palestiniano desencadeou na Cisjordânia o habitual rasgar de vestes, enriquecidas com acusações da participação no caso da omnipresente Mossad. Se nada até este ponto indique propriamente uma mudança, uma novidade que seja, valerá a pena questionar o papel dos dirigentes moderados e mais uma grotesca manipulação, da qual resulta mais uma aldrabice.
Não é a primeira vez e não será a última vez que este tipo de artimanhas são usadas pelos políticos palestinianos e pelos activistas do costume. Curiosa é a acção bovina de uma boa parte da comunicação social e dos naturalmente isentos jornalistas. A este respeito vale a pena ler Islamism is winning the cognitive war – thanks to manipulative and gullible journalists, de Richard Landes.
A estratégia imperialista-sionista-libertadeira está claramente a mostrar-se, apostada que está em fazer escalar a guerra de civilizações que conduz ao desaparecimento de (não me lembro bem do quê em) países vizinhos onde antes existiam paz, pão, mel e tranquilidade. Em doses óptimas.
Nota uma maior tendência para a tristeza e até para o isolamento? A solução passa pela leitura do blog de Manuel Parreira. Aviso à navegação: a ausência de sarcasmo pode ferir as almas e os sentimentos mais progressistas da pessoa humana.
A crónica de Alberto Gonçalves no DN, Sócrates, serviço público.
A SIC Notícias anuncia repetida e orgulhosamente o seu leque de novos comentadores. Os anúncios tendem para o solene, com imagens de Jorge Coelho a examinar o oceano, de Francisco Louçã a contemplar obras de “arte” contemporânea e de Bagão Félix a folhear um livro no jardim. Os comentadores são os citados (além, dizem-me, de Marques Mendes, cujo spot não vi), nomes de indiscutível notoriedade, duvidoso esclarecimento e nulo contributo para o progresso da nação. Mais curioso ainda, são todos políticos.
Em todo o mundo civilizado, e em boa parte do mundo incivilizado, seria inconcebível que sujeitos de reconhecida militância partidária (ou com escancaradas pretensões à dita) fossem chamados a opinar regularmente acerca do universo dos partidos. Por cá, é o costume. Já o era quando há menos de um ano diversos correspondentes da imprensa estrangeira em Portugal confessavam à Sábado nunca terem testemunhado semelhante. E hoje, principalmente nas televisões mas não apenas nas televisões, é quase lei.
Não vale a pena tentar perceber os motivos que levam as direcções a decidir assim. Porém, a fim de aferir a dimensão da excentricidade, talvez conviesse imaginar um documentário de David Attenborough sobre o reino animal sem a participação do conhecido naturalista britânico e com o rumo do programa entregue a gastrópodes, marsupiais e batráquios. Engraçado? Com certeza. Sucede que a graça haveria de se perder, coisa que infelizmente não aconteceu com a paciência do público.
O público, que gosta de fingir rebelar-se contra a “partidocracia” na política, aceita sem objecções a partidocracia na análise da política. Excepto, pelos vistos, no caso de José Sócrates, que a RTP se lembrou de contratar para emitir palpites. É verdade que os palpites do homem ajudaram imenso à ruína do país. É verdade que ao contribuinte custará muito pagar um novo salário (em numerário ou em tempo de propaganda) a quem tanto contribuiu para a sua penúria. É verdade que dói ver facultar a liberdade de expressão a um seu incessante inimigo. É verdade, em suma, que o “serviço público” decidiu adicionar o insulto à injúria. Porém, julgo excessivo que a indignação das massas, traduzida numa série de petições inflamadas, recaia exclusivamente em cima do ex-primeiro-ministro, ex-estudante de Filosofia e actual vendedor de medicamentos na América Latina.
No mínimo, há o risco de o pormenor obscurecer o princípio. E o princípio é o de que nada aconselha a que A Vida na Terra seja comentada por caracóis, cangurus e rãzinhas. A circunstância de uma das rãs ostentar um passado particularmente repulsivo é um detalhe, não a autêntica questão. Os consumidores, que durante anos legitimaram a promiscuidade, carecem de argumentos para os queixumes de agora: aberta a porta do zoo, a bicharada em peso sai à rua e entra nos estúdios televisivos. Aqui, a selecção natural é uma falácia.
E se apetecer a algum leitor escrever-me a notar que, ao contrário dos bichos, os animais políticos se distinguem pela inteligência, recomendo que pense duas vezes. Ou uma: uma deverá bastar.
Ainda ontem fomos todos gregos. Depois passamos todos a ser islandeses, agora somos todos cipriotas. Convém respirar um pouco. Depois do aquecimento global, há o esquecimento global. A Islândia cobrou uma taxa de 100% aos depositantes estrangeiros e 50% aos nacionais pela desvalorização da moeda. Sobre a Islândia, a memória pode ser reavivada com a preciosa ajuda deste artigo.
Avaliando os programas, por Michael Seufert.
(…) O terceiro programa que conhecemos este fim-de-semana, o cipriota, passa por medidas nunca vistas e que cá só têm paralelo nas propostas do Bloco de Esquerda de taxar as fortunas. Ao “atacar” os depósitos bancários, os eurocratas assumem que estão dispostos às mais radicais medidas para “salvar” o euro. O programa cipriota, na ordem duns míseros 10 mil milhões de euro, será financiado no que aos bancos diz respeito por cerca de 5 mil milhões tirados aos depositantes. Repare-se nas ordens de grandeza: em Portugal, um programa de 77 mil milhões usou cerca de 12 mil milhões (ca. de 15%); no Chipre, de 15 mil milhões, um terço é para a banca. Repare-se também que em Portugal os bancos terão de devolver o dinheiro utilizado (e tudo indica que não se chegará a utilizar o total do disponibilizado) a juros pouco simpáticos, enquanto que no Chipre a solução parece passar por devolver, pelo menos metade, a partir dos lucros da exploração do gás natural (que ainda tem de provar a sua rentabilidade). Ironia das ironias, tudo indica que no Chipre o problema dos bancos está relacionado com fundos de dívida grega que foram “perdoados” e que deixaram os bancos cipriotas a descoberto.
Aquilo que parece é que a troika olhou para o problema dos países endividados e desenhou formas de imitar um processo de desvalorização da moeda. Cá contraiu a procura interna, no Chipre foi mesmo ao dinheiro depositado. Em ambos os casos estamos perante efeitos que se verificariam se a moeda desvalorizasse. O desastre é sempre menor que seria sem programa mas, mais uma vez, vale a pena perguntar se conhecemos bem as consequências dos vários programas. Pior ainda, o programa na Grécia teve efeitos que agora atingem de forma muito particular os cipriotas – um efeito que com certeza os cipriotas não conheciam.
Face a tudo isto posso bem dizer que não sei se quero mais Europa como solução. A Europa é responsável por vários dos momentos que levaram a todo este imbróglio: incapacidade em desenhar uma zona Euro que equilibrasse as várias economias, conivência e até incentivo de níveis de despesa e endividamento associado incomportáveis, programas assentes em previsões irrealistas e agora a colocação em causa da confiança no sistema bancário dos estados-membros. (…)
Pode não parecer mas o movimento cívico Que se lixe a troika! Queremos as nossas vidas marcou (de ontem para hoje) manifestações relâmpago, para Lisboa, Porto e Aveiro. A TSF acabou de fazer directos junto dos manifestantes na residência oficial do Primeiro-Ministro. Segundo a jornalista no local, os manifestantes rondavam os 40. Empolgado, o companheiro entrevistado sublinhou que ainda não sabe quando acaba o apelo. Antes da emissão passar para o Porto ouve-se em segundo plano uns batuques e depois a Grândola. No Porto, a manifestação já acabou afirma o jornalista mas não o espírito, conclui para o microfone o manifestante resistente. Em Aveiro, a manif continuará a decorrer, a crer na página do Que se lixe a troika! Queremos as nossas vidas. Incompreensivelemnte não houve som da Veneza nacional. Pelo que sou levado a concordar com o Pertinente, com mais 2 ou 3 manifs do que-se-lixe os promotores lixam-se e o PSD ressuscita.

Adenda: Em linguagem diplomática, as palavras do ministro dos negócios estrangeiros sírio são um aviso claro ao vizinho libanês.
O “Desafio Moçambique” está de parabéns. Celebra 10 anos de existência, nos quais foram apoiados cerca de 300 alunos moçambicanos, graças aos missionários no terreno e ao apoio de 280 padrinhos. Foram 10 anos de grande crescimento que começou na missão de Mapinhane e que se foi alargando para outras missões: Mecanhelas, Guiúa, Mambone e, futuramente, Massinga e Entre-Lagos.
Neste momento, como forma de celebrar este aniversário, pretende-se alargar o projecto. Alargar para outras missões de Moçambique mas, também, para outros países. Assim sendo, o projecto irá iniciar este ano de 2013 sob um novo nome: ESTUDA LÁ.
Ao longo do ano lectivo os afilhados escrevem algumas cartas onde se apresentam ao seu padrinho, revelam as classificações trimestrais obtidas em cada disciplina e se transitam ou não de ano.
O projecto aprecia o seguimento do afilhado de ano para ano. Ou seja: dá preferência a que os alunos continuem sempre com o mesmo padrinho, salvo situações de abandono escolar, chumbo ou conclusão do ensino. Nestes casos, a equipa organizadora compromete-se a procurar outro aluno carenciado em substituição. Para esse efeito, é revista e estudada anualmente a situação financeira e familiar de cada aluno abrangido por este projecto.
Caso o padrinho deseje mandar uma carta para o seu afilhado, deverá enviá-la em formato digital para o mail estudala@adgentes.org.pt, para posteriormente ser reencaminhada para Moçambique. Caso envie carta manuscrita, a organização não se responsabiliza no caso desta for desviada do seu destino. Quanto a outros bens materiais não será possível enviá-los, porque provavelmente a encomenda não chegará ao seu destino por motivos alheios ao projecto e também porque é demasiado oneroso esse mesmo envio, uma vez que os donativos efectuados pelos padrinhos se destinam em exclusivo aos afilhados e servem precisamente para a aquisição de todo o material necessário em território moçambicano.
Futuros padrinhos e madrinhas, o investimento no futuro de um jovem moçambicano (para o ensino secundário ou universitário) é de 50€ por ano (e é dedutível no IRS).
Faça a transferência do valor correspondente para o NIB 0010 0000 40970130002 34, ou envie um cheque à ordem de Ad Gentes para:
Ad Gentes – Associação Leigos Missionários da Consolata
Avenida Cidade de Lisboa – Quinta do Castelo
2735-206 Cacém
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A TSF acaba de pedir a opinião de José Manuel Pureza sobre o que espera do novo Papa. O intelectual de Coimbra, espera – quase ipsis verbis – que o Papa estimule as pessoas a olhar para Jesus como um homem absolutamente extraordinário, cujo estilo de vida deve ser seguido. O melhor mesmo ficou para o fim: José Manuel Pureza, espera que o Papa seja capaz de promover a modernidade com o estilo de vida de Jesus.
What does it say about our world when the election of a new Pope becomes front and centre in the media while the wiping out of an entire Christian neighbourhood, razed to the ground by a Muslim mob, gets little or no coverage?
Artigo de Tarek Fatah.