Mensagem de Natal ao Banif

Espero que todos nós saibamos estar à altura das nossas responsabilidades, contribuindo para um país mais justo, humano e solidário.

António Costa.

Nova oportunidade para os críticos televisivos

Zuhair Kutb foi condenado a quatro anos de prisão (dois serão efectivos). Está impedido de escrever durante década e meia e de sair da Arábia Saudita por um período de cinco anos. Foi ainda multado em mais de 26 mil dólares. O crime do escritor saudita? Ter defendido na televisão a transformação da Arábia Saudita numa monarquia constitucional.

 

António Costa e a ala podemos socialista

Em Espanha, o PP ganhou as eleições. Por cá, o António Costa já deu os parabéns ao Podemos e reafirmou que esta vitória lhe dá ainda mais força força para seguir na mesma linha?

Leitura dominical

Como receber refugiados: um guia alternativo, a crónica de Alberto Gonçalves no DN.

António Costa, que a Providência colocou ao nosso serviço, garantiu que o Estado tomará posse da TAP a bem ou a mal. Será, naturalmente, a mal, o que além de permitir que possamos voltar a optar por viajar pelo triplo do preço para um vigésimo dos destinos disponíveis, terá o divertido bónus das indemnizações. É que os actuais proprietários, gente decerto mesquinha, não devem encarar o assalto – chamemos-lhe reivindicação patriótica – com bonomia, pelo que talvez recorram aos tribunais por pirraça. E a menos que o Dr. Costa a pague do seu bolso, ou do bolso dos companheiros de luta que o ampararam até ao poder, a despesa recairá sobre o fatal contribuinte. Por sorte, e a dádiva de 60 cêntimos na sobretaxa, não nos custará muito amealhar uns milhões adicionais para reaver a “companhia de bandeira” (sic) e, cito de novo, as caravelas do século XXI. De resto, precisaremos destas para rumar à Venezuela, o inevitável destino de um país entregue a alucinados e que, de futuro, o mundo civilizado tratará com nojo. Adeus, Ocidente: Portugal vai pelos ares.

Compreender o putinismo XXXIII

TOPSHOTS Russian President Vladimir Putin takes part in a joint press conference with EU Council president and European Commission President on January 28, 2014 following an EU-Russia summit at the EU Headquarters in Brussels. "The EU needs +to clear the air+ with Russia at this summit as sharp differences over the Ukraine crisis and eastern Europe test relations", a senior EU official said. AFP PHOTO / GEORGES GOBETGEORGES GOBET/AFP/Getty Images

 AFP PHOTO / GEORGES GOBETGEORGES GOBET/AFP/Getty Images

O essencial da conferência de imprensa do Presidente da Santa Mãe Rússia, Vladimir Putin.

Sepp Blatter deserves Nobel peace prize

O novo herói espanhol

heroi

Los tuits del agresor de Rajoy: “Voy a hacer un atentado en sede del PP”
El menor de edad que ha sido detenido este miércoles después de pegarle un puñetazo al presidente del Gobierno, Mariano Rajoy, contaba con una cuenta en Twitter en la que publicaba mensajes de alto contenido violento, entre ellos uno del 13 de diciembre del año pasado en el que aseguraba que iba a atentar contra la sede del PP.    “Voi (sic) a hacer un atentado en sede del PP” es uno de los comentarios de este joven recogidos por Europa Press de su cuenta personal de Twitter.  (…)

 

A telenovela do PCTP-MRPP merece o Emmy

Garcia Pereira

Os Liquidadores Alistaram-se como Lacaios da Cofina, pelo Camarada Arnaldo Matos.

A família Garcia Pereira, as duas sandrinhas, Domingos Bulhão e o Alberto da Damaia alistaram-se como lacaios ao serviço da Cofina. A de Odivelas já se tinha alistado há muito tempo, arrastando o pateta do marido para as páginas das revistas cor-de-rosa do Grupo, com a ideia de o transformar num socialite de calças do tipo Lili Caneças. Para quem não conhece o grupo mediático onde esta canalha acaba de assentar praça, cumprir-me-á esclarecer que a Cofina é a maior sociedade de gestão de participações sociais (holding) de títulos de imprensa da direita fascista em Portugal, proprietária de cinco jornais (Correio da Manhã, Record, Jornal de Negócios, Destak e Metro), de cinco revistas (Flash!, TVGuia, Máxima, Vogue e Sábado) e de um canal de televisão, o CMTV, além de participações menores dispersas por outros órgãos ditos de comunicação social, como o Expresso e a TVI.

Desde que resolvi denunciar os patifes que encabeçam a corrente pequeno-burguesa reaccionária dos liquidadores, já recebi – e recusei liminarmente – onze convites de diferentes órgãos da dita comunicação social para entrevistas, incluindo cinco convites do Grupo Cofina, três da Sábado.

Ora, precisamente a Sábado da semana passada concedeu à família Garcia Pereira, Domingos Bulhão, à sobrinha Sandra Raimundo e ao desgraçado Alberto da Damaia a capa da revista e sete folhas profusamente ilustradas, onde a canalha pôde vomitar com avonde o seu ódio aos comunistas, à classe operária, ao PCTP/MRPP e à revolução portuguesa.

Quanto aos familiares de Garcia Pereira, que não são nem nunca foram militantes do PCTP/MRPP e nada têm a ver com o comunismo e com o movimento operário, cabe-me unicamente agradecer-lhes os insultos e calúnias que acharam dever bolçar sobre a minha pessoa, usando para local do vómito as páginas de uma revista fascista, controlada pelos Serviços de Informações Estratégicas de Defesa (SIED) – a nova Pide, nem menos – e um conhecido informador dessa polícia, encapotado de jornalista, o bufo Fernando Esteves, que também me pretendeu entrevistar e a quem mandei à merda, mandando também explicar–lhe que não falo com bufos da Pide.

Centro-me apenas em dois comentários, com relação às declarações do Domingos Bulhão e do triste Alberto da Damaia.

Domingos Bulhão era membro do comité permanente do comité central do Partido, responsável pelas contas, e desapareceu levando o dinheiro e os documentos do Partido, criando uma situação extremamente perigosa para a existência legal do PCTP/MRPP.

O Partido seguiu Bulhão até ao sítio onde ele se encontrou com o pide Fernando Esteves, no Centro Comercial Colombo, em Benfica. Domingos Bulhão saberá muito bem porque deveu encontrar-se com o pide clandestinamente. Em devido tempo, falaremos do caso, porque estamos a averiguar se Garcia Pereira, amigo íntimo de Bulhão, conhecia ou não estes encontros que já vêm de antes da sua suspensão do comité permanente do comité central.

No Centro Colombo, em encontro clandestino, Bulhão disse ao bufo Fernando Esteves que eu humilhara e enxovalhara Garcia Pereira, com uma carta que lhe enviei quando Garcia Pereira se preparava para abandonar as tarefas do Partido, fugindo para férias.

No meu modo de ver, não há nada de humilhante nem de enxovalhante na minha carta de 28.07.2015 a Garcia Pereira. Não passa de uma carta a um camarada sobre algumas divergências na preparação da campanha eleitoral, que estava realmente em perigo. E foi assim que ele, Garcia Pereira, a entendeu. Publico de seguida a minha carta a Garcia Pereira e a resposta de Garcia Pereira à minha carta, já que o pide Fernando Esteves, que com certeza terá as duas em seu poder, fornecidas por Bulhão, procurou manipular o caso.

Leitura complementar: Direito de resposta de Sandra Raimundo.

Nada III

Escreve, animado, o assessor de imprensa do ex-44, Nuno Fraga Coelho no Twitter.

 

Leitura complementar: Nada e Nada II.

 

 

Nada II

Escreve o assessor de imprensa do ex-44, Nuno Fraga Coelho no Twitter

Leitura dominical

Feira de horrores, a crónica de Alberto Gonçalves no DN.

A estratégia do Ocidente contra o terrorismo evolui sem parança. Até há pouco, digamos até aos crimes de San Bernardino, Califórnia, a técnica utilizada era a tradicional: a cada matança obviamente perpetrada em nome de Alá, media e políticos “responsáveis” começavam por fingir que aquilo era um acontecimento fortuito e adiavam tanto quanto possível referir as ligações dos assassinos ao islão. Quando finalmente se tornava embaraçoso manter o estado de negação, lá aparecia um editorial a culpar a venda livre de armas, um discurso a apelar à fraternidade universal, um ensaio académico sobre o fanatismo religioso em sentido muito genérico e nada ofensivo para uma religião em particular.

As coisas mudaram. Agora, pelos vistos, já não há embaraço que nos impeça de aguentar a negação por tempo indefinido. Há dias, um sujeito que gritara “Isso é pela Síria!” e apunhalara três pessoas numa estação do metropolitano londrino viu-se repreendido por uma das testemunhas: “Tu não és muçulmano, pá.” A frase, como usa dizer-se, tornou-se viral. Em questão de horas, o Twitter em peso desatou a publicar a hashtag (não me perguntem) #YouAintNoMuslimBruv. Segundo um frequentador da dita “rede social”, tratou-se da “resposta mais londrina ao ataque que se possa imaginar”. Outro proclamou a hashtag perfeita, dado que é “real”, “inclusiva” e “enfraquece a causa terrorista”. No fundo, toda a gente ficou feliz, excepto talvez as vítimas e, com certeza, o terrorista.

Daqui para a frente, sempre que um psicopata, perdão, um jihadista rebentar algures com duas dúzias de inocentes, será corrido a hashtags que lhe recusam a própria identidade. O homenzinho bem poderá berrar que frequenta a mesquita (#IssoQueriasTu) e que venera o Profeta (#NãoHáDúvida) e que recita o Corão (#DevesRecitarDeves) e que vai a Meca uma vez por ano (#SóSeForesANado) e que possui documentos a comprovar a filiação no Estado Islâmico, com estágio remunerado na Síria e tal (#ContaEssaHistóriaAOutro). Nada nos convencerá da sinceridade da sua crença. Claro que, enquanto punimos com a humilhação os homicidas que, coitados, julgam ser muçulmanos, morreremos que nem tordos. Mas vale a pena. Entretanto, proponho lançarmos a hashtag #AosOcidentaisNinguémTomaPorParvos. E, de seguida, acreditarmos nela.

Etapas para alcançar a pás no mundo

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Momentos antes de acabar com a guerra universal, a colectividade desportiva e cultural Stop the War Coalition tem tempo e espaço para concretizar alguns dos seus sonhos mais húmidos: culpar os governos ocidentais pelo ataque terrorista que ceifou a vida a 130 pessoas em Paris, glorificar o espírito solidário e internacional do Estado Islâmico e apelar a uma última guerra santa perfeitamente pacíficadora e legítima – a destruição de Israel.

Síria: back to basics XXVI

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Vale a pena ler o artigo The West’s Dilemma: Why Assad Is Uninterested in Defeating Islamic State, de Christoph Reuter.

In the fight against Islamic State, the West is considering cooperating with the Syrian army. There’s a hitch though: Assad’s troops aren’t just too weak to defeat IS — they also have no interest in doing so.

(…) Elsewhere, attacks by Assad supporters and by Islamic State have likewise taken place with astonishing temporal and geographic proximity to each other. Near the northern Syrian city of Tal Rifaat in early November, for example, an IS suicide attacker detonated his car bomb at an FSA base, though without causing much damage. Just half an hour later, two witnesses say, Russian jets attacked the same base for the first time.

Unsurprising Cooperation

Was it a coincidence? Likely not. There have been dozens of cases since 2014 in which Assad’s troops and IS have apparently been coordinating attacks on rebel groups, with the air force bombing them from above and IS firing at them from the ground. In early June, the US State Department announced that the regime wasn’t just avoiding IS positions, but was actively reinforcing them.

Such cooperation isn’t surprising. The rebels — in all their variety, from nationalists to radical Islamists — represent the greatest danger to both Assad and IS. And if the two sides want to survive in the long term, the Syrian dictator and the jihadists are useful to each other. From Assad’s perspective, if the rebels were to be vanquished, the world would no longer see an alternative to the Syrian dictator. But the rebels are also primarily Sunni, as are two-thirds of the Syrian populace — meaning that, from the IS perspective, once the rebels were defeated, the populace would be faced either with submission and exile, or they would join IS. (…)

A pobreza do profeta Thomas Piketty

profeta

De uma vez por todas, os terroristas não são activistas. Os terroristas não se enganaram quando planearam e decidiram assassinar. Os terroristas não foram enganados por quem matam. Os terroristas não são profetas que pela internet, com umas roupas e gestos relativamente cool procuram acabar com as desigualdades que atormentam Thomas Piketty . Os terroristas islâmicos matam inocentes e quando alcançam o poder, provocam pobreza e espalham a crueldade. A este propósito Vale a pena ler o artigo de Benjamin Weingarten, intitulado  Did Inequality Cause ISIS? Thomas Piketty thinks so.

More fundamentally, Piketty succumbs to the widely held belief that the global jihad can be understood through a Western prism rather than on the jihadists’ own terms. This Western prism is obscured by a materialist screen, which assumes that all peoples are ultimately driven by the same motives, desires, and ambitions—namely economic ones. We in the West believe that a love of freedom is sown into the hearts of all men, and that we all seek a good job, a nice house, and a fine education. But liberty is not a universal ideal; upper-middle-class values aren’t shared by everyone. For the pious Muslim, according to the jihadists, the great overarching goal is to bring the whole world into Dar al-Islam, the House of Islam, ruled by Sharia under Allah. Subscribers to theopolitical Islamic-supremacist ideology are expansionistic because it is their religious duty to be so.

To understand the jihadis’ goals better, Piketty and his ilk might put down their economics texts and consult a core Islamic-supremacist text such as Sayyid Qutb’s Milestones or an essential work on Sharia law like Reliance of the Traveller. They could pick up a briefing or book on jihadis’ beliefs from Stephen Coughlin, a military intelligence officer with expertise in Sharia and the global jihad. They could watch any ISIS propaganda video. Or they could simply note that in practically every jihadist attack, the perpetrators are reported to yell Allahu Akbar, not “workers of the world unite!”

Jihadists are willing to subordinate earthly concerns in the name of Allah. Turning back the jihadist tide will require the West to remove its blinders and examine the jihadists’ worldview honestly. The United Nations Climate Change Conference, held in Paris just days after ISIS murdered 129 people, surely did nothing to shake the jihadis’ belief that they are on the winning side of a battle with an unserious enemy. Nor are they likely concerned with the force of history, despite progressive proclamations that jihadis are “on the wrong side” of it.

That Piketty would come to such an ill-conceived conclusion that jihadism is attributable to “inequality” may be a mere reflection of his myopia—indeed anyone heavily invested in a particular area of study may imagine linkages in other areas. Maybe we shouldn’t be surprised that a socialist interprets the jihad according to first materialist principles. But it should disturb us that many in the Western elite—including President Obama—either share such sentiments or are willing to mislead us for political purposes.

Como escreveu Alberto Gonçalves no Correio da Manhã, a propósito dos atentados de Londres, “A angústia dos terroristas não provém da fome ou da injustiça, mas da insuportável inadequação do mundo deles ao nosso mundo. Com variantes, o Ocidente conquistou nos últimos séculos a laicização do Estado e da vida corrente. Semelhante processo valeu-nos perplexidades, “erosão moral” e, sem dúvida, um imenso avanço tecnológico. Em certo sentido, a modernidade entregou-nos a nós próprios, o que é, à falta de melhor, uma definição possível de liberdade. Inúmeros muçulmanos não a percebem. Alguns não a toleram. O Corão não prega o respeito pelos infiéis. Pior: o Corão exige estrita observância, e a ausência de uma hierarquia religiosa deixa os critérios dessa observância ao cuidado de pregadores avulsos, o que convida ao zelo e ao fanatismo.”

Leitura dominical

Caras-de-pau, a crónica de Alberto Gonçalves no DN.

(…) Por cá, talvez porque os disparates que emite estão em dialecto só vagamente próximo do português, talvez porque o peso da periferia seja maior em Lisboa do que em Atenas, o Dr. Costa teve de contentar-se com o que havia. Por um lado, não havia interesse da Paris Match, da Burda Moden e do suplemento desportivo do The Guardian. Por outro, os media indígenas têm censurado inexplicavelmente o Dr. Costa, vergonha manifesta na escassa cobertura das respectivas gafes, perdão, intervenções. Embora não veja “telejornais”, garantiram-me que, para citar caso recente, as atoardas, perdão, os assertivos bitaites do Dr. Costa acerca da Turquia e da NATO não foram destacados em nenhum. Sobrava a imprensa da especialidade, leia-se a especialidade do Dr. Costa, leia-se a Caras, na qual a espécie de chefe desta espécie de governo apresentou a família a uma nação ansiosa.

Valeu a pena esperar. Ao exibir Fernanda (esposa), Pedro e Catarina (filhos), o “marido atento” e o “pai carinhoso” mostrou a “faceta privada”, precisamente aquela que as pessoas costumam escarrapachar nas páginas das revistas populares. Pirosice sem limites? Nada disso. Visto que o Dr. Costa é dado a tropeçar nas sílabas e na verdade, além de “extremamente inteligente” (palavras de Fernanda), aproveitou uma entrevista em princípio superficial para permitir à cônjuge revelar em código a visão que ele possui da realidade, o seu método de acção política e os truques a que recorre a fim de alcançar qualquer coisa similar a uma carreira.

Ficámos por exemplo a saber que o Dr. Costa “não constrói projectos sozinho” e que “os outros estão sempre na sua cabeça” (tradução: derrotado nas “legislativas”, o Dr. Costa ouve vozes – as dos leninistas que lhe puxam os fios). E que “quando os miúdos eram pequenos, precisávamos de ir jantar fora uma vez por semana para falarmos” (tradução: os encontros secretos, as conversas em recato e os acordos conspirados à socapa são passatempos antigos). E que o Dr. Costa “está sempre a enviar-nos SMS” (tradução: os jornalistas insolentes que se cuidem). E que, a propósito dos filhos adultos, o Dr. Costa acha difícil “largar os pintainhos” e “deixá-los voar” (tradução: à conta de impostos, “investimento”, falências, favoritismos, habilidades, excentricidades, proibições e silêncios forçados, este Portugal com tiques venezuelanos não irá longe). E que o Dr. Costa “gosta muito de cozinhar, mas falta-lhe começar a arrumar a cozinha” (tradução: após instaurar o pandemónio, é melhor que alguém venha pagar a despesa).

Não admira que o Dr. Costa “procure sempre ouvir a Fernanda” sobre as “questões fundamentais”. Nós também tivemos de o fazer para confirmar as piores suspeitas: com a família resignada à necessidade de espalhar o “bem comum”, o novo emprego do Dr. Costa é “uma aventura”, ainda assim irrisória se comparada com a nossa. Acrescente-se, a título ilustrativo da lisura de processos, que a casa (o “refúgio”) onde o agregado recebeu o fotógrafo da Caras é um palacete alheio, que Sua Excelência ocupou com a mesma jovialidade com que penetrou o de São Bento. (…)

Compreender o putinismo XXXII

A Embaixada russa em Londres possui uma conta na rede social Twitter e por aquilo que lá vai postando, pode muito bem ser a responsável pelo argumento original do próximo filme de Steven Seagal.

Leitura dominical

A nova ordem, a opinião de Alberto Gonçalves no DN.

(…) A nova ordem está na fresquíssima secretária de Estado da Igualdade ou da Fraternidade, que em tempos explicou no Facebook: “Como sabem eu [sic] não tenho por hábito fazer sensura [sic], mas não tulero [sic] insultos (…)”. E está no sensor, perdão, censor que saltitou da ERC para a tropa, com escala pedagógica a norte. E está na sugestão do Sr. Seixas da Costa, personalidade conhecida por zelar pela educação parisiense do Eng. Sócrates e por se indignar com a falta de “estrelas” Michelin em Portugal: “A ideia não será popular, mas não seria a ocasião para se introduzir uma transparência total nas redes sociais acabando com o anonimato?” E está no assombroso Dr. Ferro. E no nobilíssimo Dr. César dos Açores. E em sujeitos que passeiam títulos e pêlos nas orelhas em simultâneo. Quem é essa gente, Deus do céu?

Não vou ao ponto de dizer que a nova ordem é a consagração dos clientes da taberna: é a consagração dos indivíduos que, expulsos da taberna, desataram a frequentar caves maçónicas compatíveis com o seu nível. Privados de uma reles ideia, a não ser a da impunidade “natural”, exibem petulância directamente proporcional à rudeza que os define. Por cá, a espécie é igualmente apelidada de “elite”. E ninguém se ri, até porque dá vontade de chorar.

Ao que tudo indica, a “direita” ficou sinceramente escandalizada com a jovialidade com que o PS traiu os próprios “princípios”, aliou-se às beatas de Lenine e, após 40 anos de ténue civilização, enxovalhou a data fundadora do regime. Ou a “direita” perde a virgindade ou não volta a levantar-se. O único “princípio” do PS é a convicção profunda e feroz de que nasceu para mandar nisto, custe o que custar. E, se custa muito resignarmo-nos à arrogância de rústicos, a eles custa pouco partilhar o poder com quem partilha a descrença na democracia e a crença na superioridade inata. Só espanta que o arranjinho demorasse tanto. A nova ordem, feita de brutalidade, retórica de 4.ª classe (sem exame), intolerância, comparsas, falências, delírios, respeitinho e a terminal anexação do país pelo Estado, é um projecto velho.

Almas gémeas

Putin e Erdoğan quando estavam disponíveis para o amor e a paz.

Putin e Erdoğan quando estavam disponíveis para o amor e a paz.

As relações entre a Rússia e a Turquia após o abate de avião de guerra russo vivem um momento teen. A Santa Mãe Rússia protesta e bloqueia as importações de vegetais, galinhas e, imagina-se, de perús de origem turca. Um dos elos queixa-se que ele não devolveu a minha chamada. O outro continua à espera do pedido de desculpas. O primeiro faz birra e magoado avisa que o amor não pode brincar com o fogo. Longe vai o paraíso.

Leitura complementar: As voltas que o mundo dá.

“De maneira que isto, por aqui fora, era tudo putas”

joaosoares

Memorável forma de estar e ser de S. Exa. o Ministro da Cultura, por Margarida Bentes Penedo.

(…)

Foram os últimos a chegar, e vinham do lado de cima. Ouviam com atenção a aula de história que o presidente desenvolvia, gesticulando, parando para apontar, provocando gargalhadas espontâneas e acenos de cabeça. Pareciam um grupo de crianças, as gravatas a esvoaçar, os casacos desapertados como os bibes no recreio. “De maneira que isto, por aqui fora, era tudo putas”, foi a parte que ouvi quando já estavam a poucos metros.

De seguida, deram-se as apresentações. Trocaram-se apertos de mão e os vereadores trocaram olhares cúmplices e divertidos. De pé, todos dispostos em bateria, semicerraram os olhos e fizeram silêncio por uns segundos, contemplando os rectângulos de tinta colorida, concentrados a apreciar. Da boca socialista do presidente que, apesar de calado, nunca tinha chegado a fechá-la, saiu uma decisão: “Vermelho está fora de questão. Epá, para vermelho já me basta as gajas uma vez por mês”.

Aturdida com a sensibilidade do poeta, com o coração enaltecido por sentir os destinos da cidade entregues a este homem enorme, distraí-me das razões que levaram à exclusão da outra cor. Mas foi assim que em Lisboa, ao fundo do Parque Eduardo VII, para servir a Feira do Livro e os aflitos do ano inteiro, nasceu um edifício de casas de banho da cor das flores dos jacarandás.”

As voltas que o mundo dá

Russia

A Ucrânia deixou de ser o inimigo número 1 da santa mãe Rússia. Em menos de 24 horas, a Ucrânia foi substituída em todas as notícias que vêm da Rússia. Deputados, governantes, especialistas e trolls vários quase que desprezam a Ucrânia. Aparentemente a ladaínha dos nazis mais o golpe fascista da Ucrânia apoiado pelos EUA entrou em hibernação.

Passado e futuro daquele que não chegou a ser Secretário de Estado do Desporto*

José Vieira e os sócios do Benfica apostaram no futuro.

José Vieira e os sócios do Benfica apostaram no futuro.  Os menos progressistas podem ser levados a substituir Benfica por Portugal e Vale e Azevedo por António Costa.

José Eduardo Fanha Vieira: Futuro e passado

SÓCIO, ADVOGADO E ESPECIALISTA EM DIREITO DESPORTIVO

SOB a égide da presidência do dr. João Vale e Azevedo, os sócios do Sport Lisboa e Benfica tomaram uma das decisões mais importantes na história do clube: a constituição de sociedade desportiva anónima para o futebol profissional.

Quando a actual Direcção assumiu a presidência do Sport Lisboa e Benfica, encontrou o clube numa situação económico-financeira muito difícil. O passivo do clube, sobretudo a dimensão do passivo a curto prazo, a inexistência de recursos económicos, a completa ausência de uma estrutura organizacional competitiva e, não menos importante, a falta de competitividade da equipa de futebol, constituíram motivo suficiente para adiar a transformação do Sport Lisboa e Benfica numa sociedade anónima desportiva.

O trabalho entretanto desenvolvido permitiu não só reduzir o passivo do clube, como reorganizar a sua estrutura funcional e de serviços, além de proporcionar à equipa de futebol as condições para lutar pelo título em pé de igualdade com os nossos adversários. Por outro lado, também a aposta feita (e ganha) no lançamento da marca “Benfica” constituiu motivo que, hoje, nos permitem dizer que temos um Sport Lisboa e Benfica mais forte e capaz de fazer jus aos seus pergaminhos. (…)

O Sport Lisboa e Benfica reassumiu a sua dignidade e a sua posição no quadro do desporto em Portugal, um clube dos benfiquistas e livre dos espartilhos impostos por grupos económicos.

A transformação do Benfica em sociedade anónima desportiva foi o passo que completou a modernização do clube e que lhe permitirá criar as estruturas para competir com qualquer clube europeu. (…)

O dr. Vale e Azevedo percebeu, em devido tempo, que as sociedades desportivas em Portugal, para desenvolverem a sua actividade, necessitavam de quatro coisas: de um plano, de comercializar os seus serviços, de pessoas e de dinheiro. (…)

É, pois, perante estas opções que cabe aos sócios do Sport Lisboa e Benfica escolher entre a continuidade rumo ao futuro e… o regresso ao passado.

*O Secretário de Estado da Juventude e do Desporto é João Wengorovius Meneses. Pelo erro, as minhas desculpas.

 

Leitura dominical

Flower power, a crónica de Alberto Gonçalves no DN.

A nossa sorte é que apenas uma ínfima minoria dos muçulmanos decide castigar-nos à bomba ou à bala. O nosso azar é a imensa quantidade de muçulmanos que, para dizer o mínimo, não se incomodam demasiado com tão simpático passatempo. Na terça-feira, em Istambul, durante um jogo de futebol entre a Turquia e a Grécia, o minuto de silêncio pelas vítimas de Paris foi violado pelos gritos de “Alá é grande”. No mesmo dia, em Dublin, homenagem idêntica no Irlanda-Bósnia suscitou nos adeptos “visitantes” um berreiro em louvor da Palestina. É estúpido recusar a existência dos islâmicos moderados? É ainda mais estúpido acreditar incondicionalmente no peso dessa moderação.

Há cerca de um ano, uma sondagem apurava que perto de 40% dos muçulmanos franceses tinham opinião positiva acerca do ISIS. Na Alemanha, 46% da população muçulmana manifestava tendência similar. E no Reino Unido a percentagem subia para 54%. Contas por alto, os três países citados “integram” pelo menos sete milhões de pessoas que, em nome do Profeta ou do que calha perturbar as suas cabecinhas, defendem o assassínio, a tortura, a decapitação, a violação, a escravatura e os massacres em geral de “blasfemos” e “apóstatas”. Para cúmulo, note-se que as questões da sondagem estavam limitadas ao ISIS, logo desconhece-se o apoio popular a colectividades recreativas como o Hezbollah, a Al-Qaeda, o Hamas, o Boko Haram e etc.

Em primeiro lugar, estas ligeirezas deviam enterrar em definitivo o mito do islão “moderado”. Não importa recuar quinze séculos e descobrir que não há passagem do Alcorão a convocar matanças para concertos rock ou restaurantes: importa que uma parcela suficiente dos seus seguidores actuais comete matanças assim, e que uma parcela assustadora as ache legítimas. E que, salvo especialíssimos casos, os restantes devotos primam pelo silêncio, fruto da indiferença ou do medo ou de razões de que nem suspeitamos.

Depois, convém reparar que, ao contrário do que consta, a ameaça não nos bate à porta: entrou na sala e refastelou-se no sofá com à-vontade. Não é preciso ser grande estratega militar para desconfiar que, perante o brutal crescimento das comunidades muçulmanas neste lado de Bizâncio, bombardear alvos, por exemplo na Síria, não resolve tudo. Mas reagir do modo frequentemente demonstrado nos últimos dias não resolve nada.

Em Paris, perante as câmaras e a multidão que cantava Imagine, uma das maiores aglomerações de banalidades, cretinices e embaraços alguma vez musicados, um homem discutia os atentados com o filho quase bebé. “São homens maus, papá”, lamentava o pequeno. “Sim, mas há homens maus em todo o lado”, respondia o pai. “Eles têm armas e podem disparar porque são muito maus”, insistia o pequeno. “Não há problema, eles têm armas mas nós temos flores”, argumentava o pai. “Mas as flores não fazem nada, servem para…”, desesperava o pequeno. “Claro que fazem”, interrompia o pai, “olha toda a gente a colocar flores ali: servem para combater as armas”. “Servem para nos proteger?”, pasmava o pequeno. “Sim”, triunfava o pai.

O nível da argumentação vigente desceu a tal ponto que até uma criança o acha pateta. Com as melhores ou as piores das intenções, as pessoas repetem clichés apalermados que, longe de ajudarem a Europa a sair da situação em que caiu, dizem um bocadinho sobre a apatia que a deixou aqui. E dizem imenso sobre a tresloucada cegueira que a deixará sabe Deus, perdão, Alá onde.

De acordo com a cartilha omnipresente, é proibido confundir os muçulmanos com o terrorismo. E é obrigatório ignorar que são os muçulmanos, os “maus” e a vasta maioria dos “bons”, que respectivamente alimentam e toleram a confusão. Tolhidos por acusações de “discriminação”, sofremos em silêncio (ou com cânticos de “paz” e patranhas ecuménicas) uma vaga discriminatória talvez sem precedentes e sem remédio. Enquanto o islão não cumprir a modernidade, o futuro da Europa, talvez do Ocidente, não promete. Esperemos sentados. Ou agachados, para fintar as balas.

 

Enquanto houver gueto, a Hasna levará a bomba

Hasna num momento descontraído. Imagem de Simob Aston/Mail Online

Hasna num momento descontraído. Imagem de Simob Aston/Mail Online

Hasna Ait Boulahcen, gosta de banhos de imersão. Rapariga extrovertida, curte álcool e cigarradas. Não dispensa a companhia da rapaziada e de chapéus à cowboy. Só pode ser uma vítima do gueto, coitada. 

Leitura recomendada

Caim e Abel em Paris, a opinião de Paulo Tunhas n’Observador.

(…)A partir daqui, a “análise fina” de Isabel Moreira leva-nos mais longe. A história, diz-nos, repete-se, e lembra, sapiente historiadora, a criação, “a partir dos anos 20 do século passado”, do judeu como um “alvo fictício”. (Permito-me notar que a palavra “fictício” aqui não se encontra lá muito bem empregue: o “alvo”, infelizmente, foi muito real. Mas, enfim, percebe-se o que quer dizer.) E é movida pelo seu saber histórico que se dirige àqueles que “por vezes sem intenção, por vezes sem consciência, por vezes movidos por uma ignorância compreensível”, partilham o “discurso da extrema-direita europeia” e se promete oferecer-lhes uma “desconstrução sem paternalismos”. Eu, por acaso, até achei a referência à inconsciência e à ignorância (ainda por cima “compreensível”) um bom bocado paternalista, mas isso é coisa de pouca monta, comparada com os benefícios da “desconstrução” a vir.

Há uma coisa muito curiosa no artigo de Isabel Moreira. Tanto para o PCP como para o Bloco de Esquerda, o eclipse das vítimas e dos carrascos enquanto carrascos resultava de um argumento mais ou menos explícito e surgia como uma espécie de conclusão. Aqui é como se carrascos e vítimas desaparecessem à primeira linha. Alguém poderia até suspeitar que os actos terroristas do dia 13 não lhe suscitaram verdadeiro interesse. Daí o passar directamente à conclusão. Para o PC e para o Bloco, a consideração do sofrimento deve permanecer arredada de qualquer juízo político. Para a “análise fina” de Isabel Moreira, não há sequer consideração do sofrimento.

Ah, é verdade: a palavra “islamismo” não aparece no artigo (como, de resto, em nenhum dos três textos). Nem a palavra “muçulmano”, apesar dos muçulmanos serem, para Isabel Moreira, como é óbvio, as vítimas eleitas do terror fascista que, ela sabe, aí virá. A sua única nomeação, indirectíssima, aparece, de forma paradoxal, pelo recurso à figura dos judeus. Não deixa de ser curioso.

A acabar. É urgente rever a Bíblia. Ou, se se quiser, desconstruí-la “sem paternalismos”. Por estes tempos, para a esquerda portuguesa, foi Abel que matou Caim. Graças a Deus, há maioria no Parlamento.

Nova oportunidade para os críticos de cartoons XV

Os desenhos de Hadi Heydary são uma ameaça ao regime iraniano

Os desenhos de Hadi Heydary são uma afronta à segurança do regime iraniano

Desenhar a Torre Eiffel e mostrar solidariedade às vítimas dos atentados de Paris dá direito a prisão. No Irão moderado.

Prémio hot para o deputado socialista da legislatura

TBR

O senhor deputado socialista Tiago Barbosa Ribeiro não está habituado ao escrutínío sobre o que escreve nas redes sociais. De seguida, apresento um “best of” de como as coisas saem nas redes sociais ao promissor deputado, no calor da discussão.

Cavaco, a lástima irresponsável.cavaco a lastima irresponsavel

Calvão, o abjecto.

Calvao o abjecto

Cavaco, o irresponsável.cavaco o irresponsavel

Cavaco, a lástima.

Cavaco, a Lástima

Passos, o molusco.

Cavaco, o Gangster

Jornalistas, os palhaços.jornalistas os palhacos

José Rodrigues dos Santos, o pulha reincidente.JRS javardo pulha

Martins da Cruz, o miserável.Martins o miserável

Paulo Portas, o irredutível mentiroso.Portas o irredutivel mentiroso

Rangel, o bonzo

Rangel o bonzo

Raposo das cavernas.

Raposo das caverna

Sérgio Monteiro, o mafioso.

sergio o mafioso