Leitura dominical

A banalização da palermice, a crónica de Albero Gonçalves no DN.

(…) Aconteceu durante o jogo de futebol entre o Real Madrid e a Juventus. O “melhor do mundo”, como é constitucionalmente obrigatório dizer, recebeu a bola perto da baliza e, em vez de chutar, fez um passe disparatado para um adversário. Perante isto, o locutor (da TVI, salvo o erro) não se conteve e saltou excitadíssimo da hipotética cadeira: “Que generosidade de Cristiano Ronaldo!”

Em matéria de patriotismo, julgo que não se pode ir mais longe. Mas deve imitar-se o exemplo e estendê-lo ao resto. De agora em diante, a política fiscal do governo será referida enquanto um modelo de altruísmo, concebido para relativizar o baixo poder de compra dos búlgaros. As propostas económicas da oposição são um paradigma do desprendimento, dado que prometem arrasar o que resta do país apenas para que os gregos não se sintam tão isolados. Os esforços sindicais para promover falências constituem um esforço de solidariedade para com os já desempregados. E o nacionalismo amalucado e oco do locutor em causa é, também, a consagração da benevolência, visto impedir que Marinho e Pinto, Sampaio da Nóvoa e Paulo Morais digam asneiras sozinhos. Até na pequenez Portugal é enorme.

Outros mares de imigrantes

Emigrantes de Rohingya. Foto: Christophe Archambault/Agence France-Presse — Getty Images

Emigrantes Rohingya. Foto: Christophe Archambault/Agence France-Presse — Getty Images

A avaliar pelas reportagens a Malásia e a Indonésia estarão a planear uma resposta, um sistema de quotas para acolher os imigrantes.

Sobre o desmancho ortográfico

Nada melhor do que a opinião de Vasco Graça Moura.

O Acordo Ortográfico significa a perversão intolerável da língua portuguesa.(…)

Mas o que ninguém pode é passar em claro que o AO leva ao agravamento da divergência e à desmultiplicação das confusões entre as grafias e faz tábua rasa da própria noção de ortografia, ao admitir o caos das chamadas facultatividades. Sobre tudo isso existe, de há muito, abundante material crítico, com destaque para os estudos essenciais, demolidores e, note-se, não contrariados, de António Emiliano. (…)

Esse vocabulário comum nunca existiu. Não há notícia de que esteja em vias de ser elaborado, nem de encontros de instituições ou órgãos competentes dos oito países de língua portuguesa para tal efeito. (…)

O AO não está nem pode estar em vigor. A vigência de uma convenção internacional na nossa ordem interna depende, antes de mais, da sua entrada em vigor na ordem internacional. Terá o AO começado a vigorar no ordenamento internacional quando há Estados subscritores que ainda não o ratificaram, decorridos mais de 20 anos sobre a sua celebração? E esse mesmo facto não inviabilizará o próprio AO, por impossibilidade manifesta do fim que ele se propunha e que era o de alcançar uma “unidade” ortográfica aplicável a todos aqueles Estados?

Por outro lado, e quanto ao chamado segundo protocolo modificativo, que não foi também ratificado por todos os Estados que o subscreveram, poderá a ratificação por três desses Estados sobrepor-se aos ordenamentos constitucionais dos restantes e vinculá-los a todos, levando-os a acatar, por esse expediente trapalhão, algo que eles como Estados soberanos também não ratificaram? Significará isto uma vigência do protocolo na ordem externa, de modo a que ele possa vigorar em Portugal ou aplicam-se ao caso os mesmos princípios que acima referi?

Uma outra ordem de questões prende-se com um pressuposto essencial. O art.º 2.º do AO exige que, antes da sua entrada em vigor, os Estados signatários tomem, através das instituições e órgãos competentes, as providências necessárias com vista à elaboração “de um vocabulário ortográfico comum da língua portuguesa, tão completo quanto desejável e tão normalizador quanto possível, no que se refere às terminologias científicas e técnicas”.

Esse vocabulário comum nunca existiu. Não há notícia de que esteja em vias de ser elaborado, nem de encontros de instituições ou órgãos competentes dos oito países de língua portuguesa para tal efeito.

Sendo assim, como é que se pode sustentar a vigência e aplicabilidade do AO?

Por último, está mais do que demonstrado o risco de a língua portuguesa, tal como a falam os mais de 50 milhões de pessoas que não seguem a norma brasileira, vir a ser muito desfigurada, na relação entre grafia e oralidade, em especial no tocante à pronúncia.

 

Podemos de droga em droga

Em Espanha, o Podemos pretende acabar  de vez com a “intoxicação neoliberal“, através  da criação de “escolas de espectadores” com o objectivo de formar bons e “novos públicos”.

A nível externo, segundo reza um relatório militar boliviano, o partido progressista espanhol foi financiado por Hugo Chávez. Para apimentar a relação ibero-americana, a união ideológica estendia-se igualmente ao tráfico de droga, funcionando o Podemos como o braço amigo do tráfico venezuelano.

epa04490774 Leader of Spanish Podemos party, Pablo Iglesias (C), reacts following his election as the party's Secretary General during the closing ceremony of the constituent assembly in Madrid, Spain, 15 November 2014. It was announced during the assembly that Pablo Iglesias would become the left leaning Spanish Podemos party's first Secretary General after he and his team won by a large majority of votes in the online election which took place between 10 to 15 November.  EPA/CHEMA MOYA

Imagem: EPA/CHEMA MOYA

Soares, sempre fixe

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Na mais recente coluna de opinião no DN, o “pai da democracia” passa pelo Nicolau Santos – o homem que trouxe às luzes da ribalta o Professor Baptista -, assinala o Dia da Europa apelando à eterna esperança para que possam ser ultrapassados “os partidos ditos liberais e os mercados usurários que tanto têm desgraçado a Europa”, relembra ao mundo que David Cameron não só é um isolacionista como tem manifestamente poucos amigos e ainda tem espaço para elogiar o Papa Francisco e exigir um pedido de desculpas pela detenção do 44.

José Sócrates continua na prisão, desde há quase seis meses, sem ter sido acusado e julgado.

O juiz Carlos Alexandre foi o principal responsável pela sua prisão no convencimento, julgo eu, de que estava a fazer um grande serviço. A verdade é que, até hoje, não se conseguiu apurar qualquer motivo que justifique essa prisão. Nem sequer foi ouvido.

O juiz Carlos Alexandre e o procurador Rosário Teixeira tentaram encontrar um motivo para que fosse julgado por qualquer ato que tenha praticado. Nunca o conseguiram. Daí que qualquer pessoa lúcida reconheça que deve ser posto em liberdade quanto antes e com os devidos pedidos de desculpa.

Talvez por isso Carlos Alexandre esteja agora tão crítico em relação ao que ele diz que lhe tem vindo a suceder, sem saber porquê. Diz que está a ser maltratado por gente que desconhece. E começa a estar um pouco nervoso na sua vaidade. O melhor para todos seria que libertasse quanto antes José Sócrates e lhe apresentasse as devidas desculpas.

É preciso criar um partido que unifique a Frente Nacional

Imagem: Le Monde/AFP/Boris Horvat

Imagem: Le Monde/AFP/Boris Horvat

Assinala-se com alguma pompa a iniciativa do sénior Le Pen de unificar a diversidade dos nacionais-socialistas franceses.

Jean-Marie Le Pen anuncia que creará su “propia formación” tras ser suspendido del Frente Nacional

Descoberta a mão invisível divina

Fonte: Wikipedia

Fonte: Wikipedia

Saudi Arabia’s oil minister Ali al-Naimi: ‘Only Allah can set the price of oil’

Saudi Arabia’s oil minister has turned to divinity over the issue of slumping prices in oil, claiming that “it’s up to Allah”.

Speaking to CNBC, oil minister Ali al-Naimi said that “no one can set the price of oil – it’s up to Allah”.

Saudi Arabia is the world’s biggest producer of oil and, while oil prices have been staying low on the market, the country has decided to increase its production of the substance rather than cut it.

Sanctions currently placed on Iran could soon be lifted as part of international nuclear negotiations, which would mean the country’s crude oil would come back on to the market and cause prices to plunge further.

 

Descoberto mais um inédito do “pai da democracia”

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Os discursos de Passos Coelho, a ajuizada opinião sénior de Mário Soares.

O mundo está perigoso e extremamente difícil. Como antes talvez nunca tenha acontecido. No plano da natureza, com os tufões, os tremores de terra, os incêndios e a queda violenta das águas, como voltou a acontecer no Chile. Mas não só.

As guerras desenvolvem-se em vários continentes com o fundamento em divergências entre as religiões. No Oriente, os muçulmanos não deixam de fazer estragos, e Israel, sob a direção do ditador insuportável e perigoso, Benjamin Netanyahu, radicaliza posições. (…)

É necessário e urgente que os geólogos e outros cientistas intervenham, impondo-se também o apoio dos políticos e dos governantes que queiram defender a Terra contra os mercados usurários.

É preciso combater os efeitos decorrentes das ações agressivas contra a natureza que favorecem fenómenos como o que ocorreu no Nepal, onde morreram até hoje cerca de sete mil pessoas, afetando mais de oito milhões de pessoas. (…)

Fashion victims no Irão

Graças a Deus, os homens criaram a regulação dos cortes de cabelo.

Jagged haircuts have become fashionable among all strata of Iran’s youthful population in recent years, but have divided opinion and been deemed by the authorities as western and un-Islamic.

“Devil worshipping hairstyles are now forbidden,” said Mostafa Govahi, the head of Iran’s Barbers Union, cited by the ISNA news agency.

“Any shop that cuts hair in the devil worshipping style will be harshly dealt with and their licence revoked,” he said, noting that if a business cut hair in such a style this will “violate the Islamic system’s regulations”.

As well as tattoos being banned, solarium treatments and the plucking of eyebrows – another rising trend among young Iranian males – will not be tolerated, the report said.

Mr Govahi blamed unauthorised barbers for offering the spiky hairstyles and other treatments.

“Usually the barber shops who do this do not have a licence. They have been identified and will be dealt with,” he said.

O Soares continua fixe

Foto de LUÍS PARDAL/GLOBAL IMAGENS

Foto de LUÍS PARDAL/GLOBAL IMAGENS

Mário Soares continua em grande forma. Entre muitas outras preciosidades repetidas semanalmente, o meu destaque vai para a revolta da Natureza provocada pelos mercados usurários. Depois não se queixem dos vulcões cuspirem fogo e dos sismos abanarem a crosta terrestre um pouco por todo o lado, com consequências verdadeiramente desastrosas. Tragédias à parte, as opiniões do pai da democracia.são de leitura obrigatória e deviam constar do plano nacional de leitura.

O mundo está cada vez pior. A natureza está a revoltar-se contra as agressões sobre a Terra que os mercados usurários lhe estão a causar.

O que se passou recentemente no Chile é um exemplo de grande gravidade. Mas não só no Chile, também agora no Nepal, com repercussões na Índia, China e Bangladesh, onde um sismo de grande proporções vitimou milhares de pessoas.

Não podemos ver estes factos como meros fenómenos naturais. Mas atenção, se não se agir contra, a Terra, a nossa Casa Comum, corre grandes riscos…

Compreender o putinismo XXIV

Maus é mau.

Maus é mau.

Putin apoia a cultura.

How Putin Got Russians to Start Censoring Themselves

Anxious to comply with a law against Nazi propaganda, bookstores in Moscowhaving been pulling copies of the comic book Maus. Art Spiegelman’s Pulitzer Prize-winning book, which uses cats and mice to depict the horrors of the Holocaust, is not exactly pro-Nazi, but it does feature a swastika on its cover, and the store owners pulling it say they didn’t want to run afoul of a government directive mandating the removal of fascist symbols from the city ahead of the May 9 Victory Day celebrations, which commemorate the defeat of Nazi Germany.

 

Leitura dominical

Portugal é uma loucura, a crónica de Alberto Gonçalves no DN.

O Dr. Costa lembrou que foi através do “investimento” público que os EUA chegaram à lua. O PS já lá vive há imenso tempo. Descontadas ocasionais incursões pela realidade, o princípio das recentes sugestões para a economia é o de sempre: se o dinheiro é escasso, gasta-se mais. Dito assim, parece absurdo. Na prática, é mesmo absurdo, não só que alguém se lembre de elevar tamanho disparate a um programa político como, sobretudo, que alguém leve o disparate a sério.

Nisto, o PS não está sozinho – embora o pormenor de se autointitular o “partido do rigor” o torne um caso particularmente grave. Os restantes partidos também não. O ar que se respira no país é propício a alucinações, e o nonsense é língua franca. Há dias, vi na televisão um artista de variedades (que não vale a pena nomear: o discurso em voga varia pouco) atacar a Sra. Merkel sob o pretexto de que Portugal tem “uma história de séculos” e o português é falado nos “quatro cantos do mundo”. Aliás, a prova de que as coisas não andam bem é que o filho do tal artista de variedades (“um músico talentosíssimo”, na apreciação do pai) não arranja contratos com as autarquias. Um escândalo, de facto. No dia seguinte, um conhecido académico pedia que seguíssemos o exemplo da Grécia, cuja população sufragou a recusa de cedências à Alemanha e à “Europa”. Pelo meio, PCP e BE arrastaram 17 infelizes para protestar contra um acordo de comércio entre os EUA e a UE.

Em suma, a austeridade é um tique evitável. O progresso e a felicidade exigem que o Estado semeie verbas avultadas em seu redor. O fornecimento das verbas é uma obrigação dos contribuintes alemães. Se os alemães rezingam, damos-lhes com o Viriato e Aljubarrota na cabeça. Se continuam a implicar com ninharias, recorremos a citações de Camões e de Pessoa, repletas de referências à saudade e ao mar salgado. Se, incrivelmente, nem isto resultar, desatamos a apelar aos formalismos: nós, que somos soberanos, exigimos viver à custa de estrangeiros hostis, que têm é de calar-se e patrocinar-nos o orgulho. Negócios, apenas com os estrangeiros amigos e falidos, tipo Venezuela.

Enormidades do género produzem-se a todas horas de todos os dias. E quase ninguém estranha nada, quase ninguém contraria a demência que se instalou por cá. Provavelmente, porque até os que armazenam um vestígio de bom senso percebem que quando se chega a este ponto é escusado esperar melhoras. Na falta de remédio, Portugal resiste graças a paliativos. Os paliativos não eliminam lunáticos.

Compreender o putinismo XXIII

ss

O mais importante papel de Vladimir Putin. No entanto, desconfio que a criatura do Kremlin desconhece o poder que o Steven Seagal tem nos canais televisivos nacionais.

#pensaremgrande II

beja

Não sejamos tímidos. Exijamos um aeroporto de Beja em cada cidade portuguesa. Afinal, há uma mina inesgotável de ouro no Rato.

Leitura dominical

Os nossos homens (e mulheres) em Belém, a opinião de Alberto Gonçalves no DN.

Para início de conversa, tenho a agradecer aos pilotos da TAP a consideração que me dedicaram. Com duas viagens marcadas na companhia, gostei de ver o início da próxima greve aprazado para logo depois da primeira e o fim para o dia anterior à segunda. Muito, muito obrigado.

Egoísmo? Sorte? Não é nada disso. Se fosse, Portugal em peso não estaria comigo na defesa da TAP e dos seus funcionários contra os ventos da privatização. A TAP, já se sabe, é bandeira, caravela nas nuvens, baluarte da soberania, símbolo nacional em suma. A TAP é perfeita, donde não admira que toda a gente goste dela. Toda a gente, excepto, somente, os próprios pilotos, que criticam os maus resultados financeiros da empresa. E a administração, que diz que assim a empresa não vai longe, no sentido contabilístico além do literal. E os agentes turísticos, que prevêem um prejuízo desmesurado em função da “paralisação”. E os 300 mil passageiros que ficarão em terra entre os dias 1 e 10 de Maio. E os milhões de contribuintes, que temem a factura destes e doutros folguedos. E o governo, que se quer livrar daquilo quanto antes. E os investidores, que fogem da TAP como um talibã do deboche.

Tirando estas irrelevâncias, a TAP é querida pela generalidade das pessoas, leia-se o povo, que na sua sabedoria sabe valer mais uma empresa no Estado do que alguns aviões privados a voar.

Um toque de humanidade

Pela borda fora. O motivo não podia estar mais nobremente justificado.

Muslims who were among migrants trying to get from Libya to Italy in a boat this week threw 12 fellow passengers overboard — killing them — because the 12 were Christians, Italian police said Thursday.

Italian authorities have arrested 15 people on suspicion of murdering the Christians at sea, police in Palermo, Sicily, said. The original group of 105 people left Libya on Tuesday in a rubber boat. Sometime during the trip north across the Mediterranean Sea, the alleged assailants — Muslims from the Ivory Coast, Mali and Senegal — threw the 12 overboard, police said.

Other people on the voyage told police that they themselves were spared “because they strongly opposed the drowning attempt and formed a human chain,” Palermo police said. The boat was intercepted by an Italian navy vessel, which transferred the passengers to a Panamanian-flagged ship. That ship docked in Palermo on Wednesday, after which the arrests were made, police said.  The 12 who died were from Nigeria and Ghana, police said.

Da Turquia, com rancor

Turkey outrage after Pope Francis describes Armenian mass killing by Ottoman soldiers as ‘genocide’

Pronto, para desanuviar tensões imperialistas e evitar mais uma cruzada não podia o Papa Francisco, retirar a palvra “genocídio” e substituí-la como uma “vontade em exterminar de forma sistemática os arménios”?

Foi para isto que se fez o 25 de Abril

25abril

O camarada não tem nada de verdadeiramente interessante para fazer cumprir o ideal do 25 de Abril? Marque já na sua agenda, um romaria solidária a Évora. Incluí a realização de um cordão humano cujo mote é JOSÉ SÓCRATES sempre!

Leitura dominical

Voar como o Jardel, a crónica de Alberto Gonçalves, no DN.

Ao entregar democraticamente a Câmara Municipal de Lisboa a um adjunto, António Costa declarou–se empenhado em, de agora em diante, “servir Portugal e os portugueses”. O Dr. Costa pode e deve ser responsabilizado por muitas enormidades. Porém, esta não é nada original. Nos modernos e esclarecidos tempos que correm, ainda não há político que evite atoardas do género: todos fingem acreditar que as suas carreiras, ambições, manhas e naturezas são exclusivamente dedicadas ao bem comum. A artimanha mediria a altíssima conta em que tais espécimes se têm se de facto não medisse a baixíssima conta em que têm o eleitorado.

A verdade é que os políticos dizem barbaridades assim porque esperam, com certa propriedade, haver uma audiência para as ditas. Ao contrário do que tantas vezes se refere, o problema das democracias, e da nossa em particular, não é a descrença de inúmeros cidadãos na política: é a crença, ou fé cega, de outros tantos. Bastante pior do que o cinismo é a ingenuidade com que se continua a engolir patranhas evidentes, a aplaudi-las em comícios e a legitimá-las nas urnas. Por incrível que pareça, há mesmo criaturas que levam a sério a citada declaração de intenções do Dr. Costa (ou, insisto, de qualquer um, incluindo os que simulam combater a hipocrisia dos políticos através de uma bonita conversão à política). Em matéria de probabilidades teóricas, seria mais verosímil a descoberta de pinguins em Marte ou de um tratado de oratória assinado por Jorge Jesus. Não é o que acontece na prática.

O que acontece é este desgraçado estado de coisas: no Portugal de 2015, uma percentagem demasiado significativa da população vota com o entusiasmo e as ilusões de 1975. Sintoma de atraso? Sem dúvida. Puro Terceiro Mundo? Não sei. No Brasil, que em princípio corresponderia melhor ao conceito, abundam os candidatos vitoriosos a cargos públicos que já não acham necessário recorrer às historietas do “serviço” à comunidade ou do “espírito de missão” para acabar eleitos. Lá, com frequência, a sinceridade basta à eleição.

Veja-se o caso de Mário Jardel, antigo futebolista conhecido pelos golos e pelos assumidos excessos em matéria de narcóticos. Em Outubro passado, concorreu a deputado do Rio Grande do Sul sob o único pressuposto de que precisava de “manter a cabeça ocupada”. A troco da franqueza, 41 mil pessoas ofereceram-lhe o lugar, numa tocante demonstração de maturidade cívica. Só isto bastaria para fazer do Sr. Jardel e respectivos votantes exemplos a seguir. Mas a história não termina aqui: após dois meses na assembleia estadual, nos quais nunca abriu a boca ou maçou o povo com a apresentação de uma proposta, a cabeça voltou a desocupar-se, o Sr. Jardel demitiu as dezenas de assessores e foi-se embora. Em suma, a perfeição. E uma goleada aos nossos políticos, que além de impostores nunca se calam e quase nunca desaparecem.

Compreender o putinismo XXII

Brejnev

Não se aguenta tanto totalitarismo.

“Kiev used truly totalitarian methods, attacking freedom of the press, opinion or conscience,” the Russian foreign ministry said in a statement, also accusing Ukraine of “rewriting history”. Ukraine’s parliament voted on Thursday to ban communist-era and Nazi symbols in a bid to break with the country’s past.

Serão presidencial e televisionado

André Azevedo Alves será um dos convidados do Porto Canal, num especial-informação sobre as eleições presidenciais. O debate do Porto Canal, para além do AAA, conta com as participações do jornalista Jorge Fiel e do professor José Palmeira, da Universidade do Minho..A partir das 23 horas.

Obrigado, Rui Moreira

Quero acreditar que a peça do NYT sobre Lisboa só se tornou realidade porque o mayor da Invicta fartou-se de desbravar caminho pela imprensa internacional.

O imperialismo sem limites

Churrasco não islâmico patrocinado pela família Koch

Churrasco não islâmico patrocinado pela família Koch

Os irmãos Koch tentam envenenar a malta do Estado Islâmico com paletes de galinhas não-halal.

O rublo desvalorizou um bocadinho

Clicar para aumentar a conversa do troll.

Clicar para aumentar a conversa do troll.

Entrevista a um troll avençado pró-Kremlin. Aviso à navegação: pela causa, há turnos de 12 horas.

Leitura dominical

O que eles inventam, a opinião de Alberto Gonçalves no DN.

Não importa que as diferenças que as separam (a imigração, só e só até certo ponto) sejam muito menos do que as semelhanças (a aversão ao capitalismo, à liberdade, aos EUA, a Israel e no fundo ao Ocidente em geral): ao contrário das vitórias ou meias-vitórias da extrema-esquerda, que prometem sempre regenerar a Europa, as vitórias ou meias-vitórias da extrema-direita ameaçam sempre destruir a Europa.

Porém, este nem sequer é o maior mistério com que se deparam os infelizes que seguem a actualidade pelos “telejornais”. Enigma a sério é o facto de os eleitores inquiridos nas televisões jamais terem votado no partido “racista” e “xenófobo” que acaba de conseguir vinte ou trinta por cento nas urnas. Veja-se por exemplo o recente caso francês, no qual cada transeunte surgido nos noticiários se mostra preocupadíssimo com a ascensão da Frente Nacional, aliás iminente para aí desde 2002. Onde estão os cidadãos que possibilitaram a dita ascensão? À semelhança do Yeti, nunca ninguém os viu, ou se os viu é incapaz de provar a respectiva existência.

Das duas, uma: ou os simpatizantes da FN habitam em catacumbas, saindo à luz do dia exclusivamente para depositar o voto, ou todos os actos eleitorais favoráveis à extrema-direita são uma gigantesca fraude, que por insondáveis motivos as autoridades deixam passar impune. Também há a hipótese de boa parte do jornalismo andar de rastos, mas isso já me parece demasiado rebuscado.