“socialismo é liberdade e abundância” II

NM1

Os verdadeiros socialistas detestam algumas formas de controlo de natalidade e determinadas formas de protecção.

The $755 Condom Pack Is the Latest Indignity in Venezuela

Venezuelans who already must line up for hours to buy chicken, sugar, medicines and other basic products in short supply now face a new indignity: Condoms are hard to find and nearly impossible to afford.

“The country is so messed up that now we have to wait in line even to have sex,” lamented Jonatan Montilla, a 31-year-old advertising company art director. “This is a new low.”

A collapse in oil prices has deepened shortages of consumer products from diapers to deodorant in the OPEC country that imports most of what it consumes, with crude exports accounting for about 95 percent of its foreign currency earnings. As the price the country receives for its oil exports fell 60 percent in the past seven months, the economy is being pushed to the brink with a three-in-four chance of default in the next 12 months if oil prices don’t recover.

The impact of reduced access to contraceptives is far graver than frustration over failed hookups. Venezuela has one of South America’s highest rates of HIV infection and teenage pregnancy. Abortion is illegal.

“Without condoms we can’t do anything,” Jhonatan Rodriguez, general director at the not-for-profit health group StopVIH, said by phone Jan. 28 from Venezuela’s Margarita Island. “This shortage threatens all the prevention programs we have been working on across the country.” (…)

 

Em Abril do ano passado, nas farmácias estatais cubanas não se encontravam preservativos. Era possível encontrar o popular método anti-concepcional em lojas cubanas vocacionadas para os turistas que os vendiam à unidade, pelo simpático preço de um dia de trabalho de um cubano: cerca de um dólar e trinta cêntimos.
Na altura, na esperança de diluir a falta de profilácticos no mercado, as autoridades sanitárias cubanas aprovaram a venda de mais de um milhão de preservativos com o prazo de validade expirado. No entanto, as mesmas autoridades garantiam que o material estava em perfeitas condições e que as embalagens apresentam um erro nas datas de validade.
Leitura complementar: “socialismo é liberdade e abundância

Mahmoud Charlie Abbas, o novo crítico dos cartoons

abbas

As forças blasfemas atacam onde menos se espera.

Palestinian president Mahmud Abbas has ordered an investigation into a drawing of the Muslim Prophet Mohammed which appeared in a West Bank newspaper, local media reported Tuesday.

The cartoon, which appeared Sunday in Al-Hayat al-Jadida, depicted what appeared to be a giant Mohammed standing on top of the world, sprinkling grains of love and acceptance from a heart-shaped satchel.

Palestinian news agency Wafa quoted Abbas as deeming it “necessary to take deterrent measures against those responsible for this terrible mistake.” (…)

Abbas joined world dignitaries including Israeli President Benjamin Netanyahu on a symbolic march through the streets of Paris days after the attack. (…)

Leitura dominical

Eurofestival, a crónica de Alberto Gonçalves no DN.

Há longos anos que a UE treme ante a perspectiva de um partido de extrema-direita chegar ao poder de um dos seus Estados membros. Se tal acontecesse, garantiam-nos que seria o Apocalipse – e isto nas visões mais optimistas.

Ora o suposto Apocalipse acabou de acontecer e, à semelhança de outras calamidades como a gripe suína e as vacas loucas, as profecias eram manifestamente exageradas. A julgar pela satisfação maldisfarçada da maioria dos noticiários e da generalidade da imprensa, o advento na Grécia de umas criaturas com inclinações “fascizantes” é até motivo de júbilo. Não falo apenas do Syriza, acrónimo para Coligação da Esquerda Radical. Falo também da coligação com a direita radical com a qual o Syriza formou governo.

Os Gregos Independentes, ou Anel, partilham com o Syriza o patriotismo, a repulsa pelo “neoliberalismo” e o orgulho no parasitismo local. De brinde, acrescentam-lhe saudáveis doses de xenofobia e ódio racial. Parece que Panos Kammenos, o senhor do Anel, é dado a teorias da conspiração, aliás um sucesso garantido entre trapaceiros ou ignorantes. Em Dezembro passado, acusou os judeus, especialmente os judeus, de fuga fiscal. Não tarda, introduzirá “Os Protocolos dos Sábios do Sião” nos currículos escolares. Para já, o objectivo é submeter os currículos à doutrina Ortodoxa Cristã.

A coisa promete. Segundo inúmeros especialistas, promete mesmo “abalar” a Europa e orientá-la rumo ao fim da austeridade. Por algum motivo que os especialistas não alcançam, os malvados líderes do “sistema” meteram na cabeça que teríamos de empobrecer. Os populistas do Syriza e do Anel preparam-se para demonstrar que é preferível ser rico, principalmente quando o conseguimos à custa do trabalho alheio. Por agora, fica demonstrado que, afinal, os maluquinhos da extrema-direita não representam perigo nenhum – desde que devidamente acompanhados por maluquinhos da extrema-esquerda.

Talvez um dia, em Portugal, a rapaziada do PNR veja abolido o preconceito que injustamente lhe dedicamos. É questão de esperar que um dos sessenta e sete movimentos da esquerda radical precise da direita homónima para formar governo. Tenciono esperar sentado, a contemplar os ventos que sopram de Atenas para ensinar a solidariedade à Europa. A exacta Europa que os nacionalistas do Syriza e do Anel querem acima de tudo destruir: a geopolítica é assim complicada.

Somos todos Syrisa & Co II

Russia might bailout Greece. Quem o diz é o ministro das finanças russo, Anton Siluanov.

Well, we can imagine any situation, so if such [a] petition is submitted to the Russian government, we will definitely consider it, but we will take into account all the factors of our bilateral relationships between Russia and Greece, so that is all I can say. If it is submitted we will consider it, (…).

A minha dúvida é se a hipotética ajuda russa será dada em rublos, notas de monopólio ou em caviar.

Entretanto, as históricas tensões entre a Grécia e a Turquia conheceram um novo impulso.

Leitura compelmentar: Somos todos Syrisa & Co.

Farmville terrorista

bokoharam

‘Suicide bomber’ camels, goats, cows and donkeys are being prepared to carry out attacks for Boko Haram, says Nigerian government.

Em Agosto, o líder do grupo terrorista nigeriano Boko Haram, Abubakar Shekau, proclama o califado na localidade de Gwoza, no Nordeste da Nigéria, no estado de Borno. “Graças a Alá, os nossos irmãos alcançaram a vitória em Gwoza, que a partir deste momento faz parte do califado islâmico.” A declaração com a duração de mais de uma hora, foi transmitida em vídeo e constituíu o primeiro passo na concretização do objectivo de implantar a lei e o estado islâmico na Nigéria. Na altura, cerca de 100 pessoas, entre os quais 35 polícias, desapareceram. Em jeito de aviso às autoridades nigerianas, Abubabar Shekau, informou que os islamitas resistirão a qualquer tentativa que seja feita no sentido de os desalojar das zonas ocupadas.
O grupo terrorista Boko Haram tem intensificado durante o último ano as suas acções na zona Norte do país, de maioria muçulmana. Para atingirem os seus objectivos, assassinam não só quem representa alguma forma de ameaça e matam para servir de exemplo, queimando pessoas, casas e igrejas.

Somos todos Syrisa & Co

Dugin

A cooperação que vem de longe, promete animação.

New Greek Government Has Deep, Long-Standing Ties With Russian ‘Fascist’ Dugin.

Europe-watchers understood immediately that the new leftist Syriza-led government in Greece could shatter the European Union’s fragile solidarity condemning Russian aggression in Ukraine.

But recently leaked e-mails are revealing some of the extent and duration of Syriza’s ties with Kremlin-connected Eurasianist ideologue Aleksandr Dugin and Russian oligarch Konstantin Malofeyev, who is believed to have bankrolled much of the separatist movement in Ukraine.

Anton Shekhovtsov, a researcher who studies far-right politics in Europe, says that sympathy for Russia by Syriza and its coalition partner, the right-wing Independent Greeks party, goes far beyond the norm for Greece.  “Pro-Russian sentiment is quite widespread in Greece overall,” Shekhovtsov says. “But these two parties — their foreign policy is overtly, openly pro-Russia. And the fact that the new government’s prime minister, Alexis Tsipras, his first contacts were with the ambassador of Russia in Greece, that means probably they will be trying to establish more significant cooperation with Russia.”

 

Así es el socio de Syriza en Grecia: un partido germanófobo, racista y antisemita.

Griegos Independientes, el aliado de Syriza en el Gobierno, destaca por su radical discurso contra alemanes, inmigrantes y judíos.

 

International Politics and the Eurasianist vision

Lecture of Alexander Dugin held in the University of Piraeus (Greece), Department of International and European Studies. The lecture took place the 12th of April 2013 in the context of the Russian Foreign Policy course.

Adenda: Um artigo mais sobre a ligação entre Alexander Dugin e o Syriza. Desta vez com (mais) fotografias.

 

Visitas que fazem sentido

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A Rússia confirma a visita do Querido Kim Jong-un a Moscovo. Em Maio, a delegação norte-coreana terá a oportunidade de  trocar notas, experiências e impressões ao mais alto nível político com as autoridade russas sobre como governar  países em guerra, falidos e sem comida.

O aristocrata republicano em grande forma

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O Che Che nacional continua sem amigos e família que o estimem e cuidem.

Foi em outubro de 2013 que li o livro de Stephen Emmott, professor ilustre da Universidade de Cambridge, Dez Mil Milhões – Enfrentando o Nosso Futuro.

Apercebi-me então do que seria a dramática situação do planeta se a ganância da globalização dos mercados continuasse, sem regras, em busca do petróleo, furando a terra e provocando trágicas consequências nos oceanos, a que infelizmente temos vindo a assistir nos últimos anos.

Daí, seguramente, a razão por que o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, um político de uma inteligência e visão extraordinárias, fez baixar o preço do petróleo por toda a parte, tentando ao mesmo tempo limitar a fúria dos oceanos e a consequente formação de gelo que este ano, excecional, atingiu as duas costas dos Estados Unidos e outros continentes.

No ano passado, o mar, em Portugal, destruiu grande parte das nossas praias. Mas se este ano isso se repetisse – e não gostaria que isso acontecesse – ficaríamos sem praias e sem turismo.

Daí que seja necessário que os cientistas que ainda nos restam e que se interessam por esta área se imponham e responsabilizem o governo pela prevenção dos impactos negativos das alterações climáticas, que tendem a agravar-se.

70 anos

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Auschwitz.

Hoje a RTP 1 pelas 23.30 h, exibirá a “A Noite Cairá” de Alfred Hitchcock. Trata-se de um documentário que revela imagens dos campos de concentração nazis. A maior parte do filme rodado em 1945 baseia-se no  campo de concentração de Bergen-Belsen. Alfred Hitchcock montou o filme mas por decisão dos Aliados e dada a brutalidade reproduzida na película, acabaria por ficar nos arquivos.

Compreender o putinismo XIV

URSS

Back in USSR.

The Association of Tour Operators of Russia (ATOR) has issued a reminder through Russian media that a new rule for foreign tourists comes into effect as of January 26, obligating them to list the cities, towns and other inhabited areas they plan to visit while in Russia.

Russia’s Federal Migration Service is also requiring proof of an invitation to visit these settlements and the name of the person or organization giving the invitation.  All types of visas must have this information on them.

As complicações de Tarik Kafala

Terrorismo é demasiado ofensivo.

The Islamists who committed the Charlie Hebdo massacre in Paris should be not be described as “terrorists” by the BBC, a senior executive at the corporation has said.

Tarik Kafala, the head of BBC Arabic, the largest of the BBC’s non-English language news services, said the term “terrorist” was too “loaded” to describe the actions of the men who killed 12 people in the attack on the French satirical magazine.

Mr Kafala, whose BBC Arabic television, radio and online news services reach a weekly audience of 36 million people, told The Independent: “We try to avoid describing anyone as a terrorist or an act as being terrorist. What we try to do is to say that ‘two men killed 12 people in an attack on the office of a satirical magazine’. That’s enough, we know what that means and what it is.”

Mr Kafala said: “Terrorism is such a loaded word. The UN has been struggling for more than a decade to define the word and they can’t. It is very difficult to. We know what political violence is, we know what murder, bombings and shootings are and we describe them. That’s much more revealing, we believe, than using a word like terrorist which people will see as value-laden.” (…)

Leituras complementares: Pequeno mas cuidadoso exercício de limpezaNão são separatistas, são assassinos IV.

Leitura dominical

Um erro crasso, a opinião de Alberto Gonçalves no DN.

Não tenho nenhuma admiração, ou sequer respeito, pelo Dr. Mário Soares. Não acho que a democracia lhe deva grande coisa, embora desconfie que o Dr. Mário Soares deva imenso à democracia. O Dr. Mário Soares é o produto de uma elite paroquial, convencida sabe-se lá porquê de que nasceu para apascentar o povo. Raramente notei no Dr. Mário Soares um vislumbre de sensatez ou sabedoria, virtudes que a manha e a arrogância não substituem. O protagonismo que o Dr. Mário Soares assumiu no regime é um sintoma do respectivo – e relativo – falhanço: aquilo que convém estimar e preservar no país de hoje existe apesar do Dr. Mário Soares e não graças a ele. O Dr. Mário Soares, em suma, envergonha-me um bocadinho.

Estas considerações ajudam-me a lidar despreocupadamente com as sucessivas atoardas do homem. Quando, há semanas, o homem completou 90 anos, não faltaram por aí comentadores empenhados em despejar-lhe louvores em cima. Dias volvidos, os mesmos comentadores regressam, pesarosos, com o “mas” que nesta matéria arrastam desde o Paleolítico: o Dr. Mário Soares é um venerável portento, mas – um “mas” choroso e magoado – espalhou-se ao comprido ao chamar “salazarista convicto” a Cavaco Silva, uma alucinação tão descabelada que atrapalhou os mais fiéis.

A verdade é que para o Dr. Mário Soares se espalhar ao comprido basta-lhe abrir a boca. Excepto talvez pelo ocasional “Bom dia!” ou “Boa tarde!”, não me lembro que dali saíssem muitas frases com fundamento ou sentido. Aliás, o disparate sobre Cavaco Silva surgiu no intervalo de recorrentes visitas a Évora, onde costuma elevar José Sócrates ao estatuto de “preso político”. Quase em simultâneo, desejou a vitória dos populistas do Syriza nas eleições gregas. Pouco antes, mostrara-se em cuidados com o destino do banqueiro que, além dos contribuintes, lhe patrocinava a fundação. Se continuarmos a recuar na cronologia, houve as declarações na morte de Eusébio, a sugestão para as massas deporem o governo através da violência, os elogios aos tiranetes da América Latina, a recomendação ao diálogo com a Al-Qaeda e as enormidades que calharam, sempre orientadas pela natureza democrática que define o Dr. Mário Soares. A “energia” que lhe admiram na vetusta idade tem um nome: ressentimento, o ressentimento a tudo o que se assemelhe ao Ocidente civilizado em cuja História imaginou, com típica noção da realidade, ficar.

Não ficou. Do alto de uma carreira de facto esgotada na oposição estratégica ao PREC, fora a inépcia governativa e o rancor que ensaiou na presidência, o Dr. Mário Soares perdurará na história com minúscula que os portugueses escrevem há muito, cheia de gralhas e erros crassos. Ele é apenas um dos maiores.

Compreender o putinismo XIII

Foto: AP

Foto: AP

Na Rússia, a fome voltou a ser patriótica.

Russian Deputy Prime Minister Igor Shuvalov, speaking at the World Economic Forum in Davos, on Friday warned the West against trying to topple President Vladimir Putin and said that Russians are ready to sacrifice their wealth in Putin’s support.

Russia has for the past year been sliding into recession amid a slump in its energy export prices as well as Western sanctions against Moscow’s role in the conflict in Ukraine that has claimed more than 5,000 lives. Questions have been raised in Russia and abroad whether the price that ordinary Russians are having to pay for the annexation of Crimea is too high.

Shuvalov, who is believed to be one of the richest men in the government, said that what he considers the West’s attempts to oust Putin will only unite the nation further.

“When a Russian feels any foreign pressure, he will never give up his leader,” Shuvalov said. “Never. We will survive any hardship in the country — eat less food, use less electricity.”

Shuvalov’s comments triggered pithy remarks on Russia social media including an opposition activist who posted photos of Shuvalov’s Moscow, London and Austria homes to illustrate where the deputy prime minister would experience the hardships he described.

Críticos da Sétima Arte em alta

AE

Apesar da confusão do crítico oriundo da Coreia do Norte, a crítica ao filme “A Entrevista” não pode deixar de ser clara.

O filme A Entrevista já rendeu muita dor de cabeça à Sony, por provocar a ira do regime norte-coreano e de hackers que invadiram o sistema de segurança da empresa em novembro passado. Agora, o longa é responsável por tirar o sono dos organizadores do Festival de Cinema de Berlim, já que o governo de Kim Jong-un acredita que o filme terá sua estreia em Berlim durante o festival, porque ambos acontecem no mesmo dia, 5 de fevereiro. “Esse filme claramente instiga o terrorismo“, diz um trecho do comunicado em tom de ameaça emitido pela emissora estatal norte-coreana, que também afirma que se A Entrevista for para a Berlinale, a Alemanha será vista como uma aliada dos Estados Unidos. Entretanto, o evento já divulgou a sua lista de filmes, e A Entrevista não está entre eles.

De regresso à normalidade lunática II

Foto: Maan Images

Foto: Maan Images

Hamas e Fatah de costas voltadas. E ontem estavam tão bem. Em Julho do ano passado, uma vez mais, os dois principais movimentos palestinianos apesar de terem acordadado na construção de um governo de unidade nacional palestiniano regressam aos confrontos políticos. Na altura, um dos principais líderes do Hamas em Gaza, acusou o governo de unidade palestiniano de ignorar a Faixa de Gaza e reafirmou o que era esperado – é possível que o Hamas volte a retomar o controlo político e militar da área. O autor das ameaças foi Abu Marzouk, dirigente político do Hamas que negociou o acordo de reconciliação nacional com a Fatah. Abu Marzouk responsabilizou também o Presidente Mahmoud Abbas pelo agudizar do conflito.
Sete anos após a última guerra civil palestiniana, a 23 de Abril último, o movimento islamista Hamas e a Autoridade Palestiniana assinaram o acordo de reconciliação nacional que instituíu a 2 de Junho um governo de unidade nacional transitório formado por seis meses, composto por tecnocratas cujos obejectivos maiores passam por incrementar a economia local e preparar as eleições, prevista para… Janeiro de 2015.
De regresso ao mundo real, o que desplotou na altura as critícas do Hamas foram os incumprimentos financeiros aos mais de 50 mil funcionários públicos afectos ao Hamas na Faixa de Gaza que deixaram de receber os seus salários, anteriormente pagos pelos islamistas. O Hamas pediu ainda a demissão dos quatro ministros do governo de unidade nacional que se encontram colocados no território da Faxa de Gaza  em protesto pela falta de pagamentos e pelo facto de Mahmoud Abbas nunca ter visitado Gaza após o acordo de constituição do governo de unidade nacional.
A História tem todas as condições para voltar a repetir-se. Hoje um carro explodiu. já tinha acontecido este espisódio, Terça-feira.

União de facto

Quando os meios justificam os fins: a esquerda radical perante a jihad, a opinião de Rui Ramos no Observador.

Para uma parte da esquerda radical europeia, os jihadistas são o elemento de confronto violento necessário para destruir a democracia liberal e o capitalismo. São os Baader-Meinhof com o Corão. (…)

À esquerda, o radicalismo assentou sempre no culto da violência, concebida como o grande recurso emancipador (George Sorel, em 1908, explicou o que havia a explicar a esse respeito). Fechada a loja dos Baader-Meinhof e das Brigadas Vermelhas, esse culto pôde parecer — como em Violence, de Slavoj Zizek (que, curiosamente, nunca cita Sorel) — um mero devaneio intelectual, sem passagem para a acção: uma espécie de American Psycho (ou, neste caso, Marxist Psycho). O fanatismo armado da jihad mudou tudo, como no poema de Yeats (“a terrible beauty is born”…). Zizek ainda espera substituir o Corão por Marx no bolso dos jihadistas. Mas isso seria apenas um bónus. O que o excita, no caso do Charlie Hebdo, é que, finalmente, há “paixão” contra a democracia liberal. Não são os “bons” (a esquerda radical doutorada em Marx e em Lacan) que manifestam essa paixão? Algumas das suas vítimas são até camaradas de radicalismo? Paciência. Sigamos a paixão, neste caso: o jihadismo. (…)

Leitura recomenda sem “mas”

O ódio ao indivíduo, de Paulo Tunhas no Observador.

De Dominique de Villepin a Ana Gomes, a nossa querida especialista acional no desporto da não-subtileza, não faltou gente para pôr nas nossas sociedades a culpa pelos atentados de Paris. No fundo, os terroristas não passam de criancinhas de que não soubemos cuidar devidamente. Como sempre, a culpa é dos pais, isto é, da sociedade. Que tão grandes génios sejam incapazes de pensar de outro modo que não seja pela mais barata cartilha sociológica só pode surpreender quem andar mesmo muito distraído.

Mas disto já falaram, e bem, várias pessoas, tal como dos muitos “mas…” que se ouviram logo a seguir ao atentado. “Sou a favor da liberdade de expressão, mas…” – e a seguir vem qualquer cláusula que impõe limites. Bom, qualquer pessoa que pense pensa com “mas…”, senão não pensa, o problema é quais são os “mas…”. E neste caso são maus “mas…”. São “mas…” que vêm do medo, sem dúvida, que dita um nunca visto respeito pelas outras culturas. Não duvidemos por um só instante que não fosse o medo esse respeitinho completamente fingido não existia. Mas vêm também da rejeição daquilo que se afirma como singular, da individualidade.

Essa rejeição é um factor potente nos “mas…” que se ouviram, tal como nas explicações “sociológicas”. No primeiro caso teme-se literalmente a liberdade que faz os indivíduos. Se alguns dos desenhos do Charlie tinham graça era exactamente porque exibiam uma liberdade que reflectia a individualidade do autor. No segundo caso, também é a individualidade que se nega, na medida em que se reduz os terroristas a puros produtos da nossa sociedade, sem vontade autónoma. Dir-se-ia que há muita gente que não gosta de indivíduos. Os terroristas certamente não gostam. Os que acham que a sociedade é inteiramente responsável pelas acções de cada um e aqueles que têm medo de tudo aquilo que se distingue do fundo comum – que individualiza, precisamente – parece que também não.

Parabéns, Charlie Hebdo

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Mohammed Hussein, o Grande Mufti de Jerusalém, condenou como um insulto o novo cartoon que retrata o Profeta Maomé. na edição recorde do jornal satírico Charlie Hebdo.

“This insult has hurt the feelings of nearly two billion Muslims all over the world. The cartoons and other slander damage relations between the followers of the (Abrahamic) faiths,” he said in a statement.

The mufti, who oversees Jerusalem’s Muslim sites including Islam’s third holiest, the Al-Aqsa mosque compound, slammed the “publishing of cartoons ridiculing the Prophet Mohammed, peace be upon him, and the disregard for the feelings of Muslims.”

O longo braço da Mossad implica com a estética na China

Foto: Athit Perawongmetha/Reuters

Foto: Athit Perawongmetha/Reuters

The capital of China’s most Muslim region has banned residents from wearing the burqa in “an effort to curb growing extremism”.

Auto-caricatura

No programa da RTP Prós & Contras discute-se o terrorismo que fustigou a França. Dois cartoonistas convidados quando tiveram tempo de antena não perderam a oportunidade para apontar o dedo ao Primeiro-Ministro israelita, Benjamin Netanyahu.

Nova oportunidade para os críticos de cartoons VII

Gaddafi

A paródia do regime sírio tem pernas para andar. De acordo com a agência de notícias síria, o país condena o ataque terrorista ao jornal Charlie Hebdo. Deixando de lado as alucinações e de regresso à realidade, não deixa de ser assinalável o progresso humanista do regime de Assad no que toca ao cartoonista que ousou caricaturar (não o profeta mas) o querido líder. Alguns dos trabalhos de Ali Ferzat podem ser vistos aqui.