O Insurgente

Junho 24, 2007

Um poema para domingo

Filed under: Cultura — Pedro Sette-Câmara @ 16:07

Macao
W. H. Auden

A weed from Catholic Europe, it took root
Between some yellow mountains and a sea,
Its gay stone houses an exotic fruit,
A Portugal-cum-China oddity.

Rococo images of Saint and Saviour
Promise its gamblers fortunes when they die,
Churches alongside brothels testify
That faith can pardon natural behaviour.

A town of such indulgence need not fear
Those mortal sins by which the strong are killed
And limbs and governments are torn to pieces:

Religious clocks will strike, the childish vices
Will safeguard the low virtues of the child,
And nothing serious can happen here.

O melhor artigo sobre P2P até agora

Filed under: Economia,Política — Pedro Sette-Câmara @ 06:07

Tim O’Reilly:

I have watched my 19 year-old daughter and her friends sample countless bands on Napster and Kazaa and, enthusiastic for their music, go out to purchase CDs. My daughter now owns more CDs than I have collected in a lifetime of less exploratory listening. What’s more, she has introduced me to her favorite music, and I too have bought CDs as a result. And no, she isn’t downloading Britney Spears, but forgotten bands from the 60s, 70s, 80s, and 90s, as well as their musical forebears in other genres. This is music that is difficult to find — except online — but, once found, leads to a focused search for CDs, records, and other artifacts. eBay is doing a nice business with much of this material, even if the RIAA fails to see the opportunity.

(…)

A similar data point comes from Jon Schull, the former CTO of Softlock, the company that worked with Stephen King on his eBook experiment, “Riding the Bullet”. Softlock, which used a strong DRM scheme, was relying on “superdistribution” to reduce the costs of hosting the content–the idea that customers would redistribute their copies to friends, who would then simply need to download a key to unlock said copy. But most of the copies were downloaded anyway and very few were passed along. Softlock ran a customer survey to find out why there was so little “pass-along” activity. The answer, surprisingly, was that customers didn’t understand that redistribution was desired. They didn’t do it because they “thought it was wrong.”

E este último parágrafo? O que acham? Será que os portugueses agiriam como os consumidores americanos? Quanto aos brasileiros (sou brasileiro, moro no Rio), não tenho muita certeza…

Uma pergunta, porém, não me sai da cabeça: aquilo que está no HD do meu computador não é meu?

Junho 23, 2007

Mario Vargas Llosa no Opinion Journal

Filed under: Comentário,Cultura — Pedro Sette-Câmara @ 17:28

Lá, o texto completo; aqui, comentário:

LIMA, Peru–”This is a story that often repeated itself,” Mario Vargas Llosa says. “If a father was a businessman, he was a man who had to be complicit with the dictatorship. It was the only way to prosper, right? And what happens is that the son discovers it, the son is young, restless, idealistic, believes in justice and liberty, and he finds out that his vile father is serving a dictatorship that assassinates, incarcerates, censors and is corrupted to the bone.”

Mr. Vargas Llosa could have plucked this scenario from his personal recollections of living under dictatorial rule in Peru. But he tells this story to make a more universal point: Dictatorships poison everything in their grasp, from political institutions right down to relationships between fathers and sons.

Verdade, claro. Mas há algo que falta escrever: como um estado superficialmente não-ditatorial, mas cuja burocracia se estende por todas as áreas da vida humana, envenena as relações? Imagine um pai burocrata bem remunerado que tem um filho com um ideário liberal. Ou um pai empresário de médio porte que tolera a opressão burocrática em nome do bem-estar da família e tem um filho que se opõe a tudo isto. O caso não seria particular, mas bastante comum. Já existe algum romance que mostre burocratas bem remunerados distantes do povo que oprimem?

Aliás, nunca pensei que o objetivo do socialismo ou do comunismo ou mesmo da “social-democracia” fosse beneficiar a todos… O objetivo é sempre beneficiar uma casta burocrática, como na Revolução Francesa: saem os nobres, entram os revolucionários, depois faz-se um acordo e a opressão aumenta.

During the 1990 presidential campaign Mr. Varga Llosa emphasized the need for a market economy, privatization, free trade, and above all, the dissemination of private property. He didn’t exactly receive a welcome reception. “It was a very different era, because to speak of private property, private enterprise, the market–it was sacrilegious,” he says. “I was fairly vulnerable in that campaign,” he continues, “because I didn’t lie. I said exactly what we were going to do. It was a question of principle and also . . . I thought it would be impossible to do liberal, radical reforms without having the mandate to do them.”

Não deixa de ser bonito ver a unidade entre vida e arte, a unidade que os esquerdistas milionários jamais tiveram: o escritor tenta ganhar a eleição pela palavra. Mas as eleições são ganhas por imagens, por impressões. Não por debates. Não é possível que exista uma democracia em sentido forte, ateniense, digamos, mesmo em países relativamente pequenos como o Peru. Deve haver alguma proporção entre candidatos e eleitores para que o debate possa realmente fazer sentido, e não se referir a abstrações como o PIB ou a segurança de milhões de pessoas. Qualquer um está habilitado a discutir a oportunidade de cortar ou não uma árvore em sua própria rua, ou a necessidade de trocar o asfalto. Mas cada vez mais acho que discutir políticas que vão afetar milhões de pessoas é mais insano que… Não sei, não consegui pensar em nada que pudesse comparar-se. Um dos pontos principais da democracia e da liberdade há de ser a pouca extensão do território. Só assim é possível vigiar o governo.

Mr. Vargas Llosa discovered that this phenomenon was hardly limited to Latin America. “I went to Iraq after the invasion,” he tells me. “When I heard stories about the sons of Saddam Hussein, it seemed like I was in the Dominican Republic, hearing stories about the sons of Trujillo! That women would be taken from the street, put in automobiles and simply presented like objects. . . . The phenomenon was very similar, even with such different cultures and religions.” He concludes: “Brutality takes the same form in dictatorial regimes.”

Did this mean that Mr. Vargas Llosa supported the invasion of Iraq? “I was against it at the beginning,” he says. But then he went to Iraq and heard accounts of life under Saddam Hussein. “Because there has been so much opposition to the war, already one forgets that this was one of the most monstrous dictatorships that humanity has ever seen, comparable to that of Hitler, or Stalin.” He changed his mind about the invasion: “Iraq is better without Saddam Hussein than with Saddam Hussein. Without a doubt.”

Claro que a partir do que eu disse no parágrafo acima, o “Iraque” é uma abstração. Mas os relatos ouvidos por Vargas Llosa se referem a casos particulares, reais, praticados por indivíduos contra indivíduos. E uma coisa é discutir, como fiz acima, a situação ideal, a proporção ideal entre candidatos e eleitores, a extensão territorial ideal. Outra coisa é discutir casos concretos e é muito insensato negar um bem real porque ele não é tão bom quanto um bem imaginário. Esta é, sob muitos aspectos, a armadilha socialista, a insistência no suposto bem que não existe e que legitima males supostamente provisórios. Sensato, enfim, é dizer: o ideal seria x, mas não se pode negar que y real é melhor do que z real.

Junho 21, 2007

O nazismo não passa de um socialismo ocultista e gay

Filed under: Política — Pedro Sette-Câmara @ 17:07

Não custa recordar: Pink Swastika – Homosexuality in the Nazi Party.

Quase tudo sobre o movimento gay

Filed under: Brasil,Política — Pedro Sette-Câmara @ 17:05

Algumas vezes aparecem artigos que nos dispensam de dizer o que queríamos dizer. Este artigo de José Maria e Silva é um deles.

O trecho final:

Uma prova de que o movimento gay não está lutando por tolerância e, sim, exigindo leniência com seus atos imorais é o Projeto de Lei 5.003, de 2001, chamado de “Lei Anti-Homofobia”, de autoria da deputada federal Iara Bernardi, do PT de São Paulo. Aprovado pelo plenário da Câmara em 28 de novembro do ano passado, o projeto criminaliza praticamente qualquer tipo de crítica aos homossexuais, equiparando-as ao crime de racismo. Com substitutivo final do deputado Luciano Zica, também do PT de São Paulo, a “Lei Anti-Homofobia” — que deverá ser aprovada em caráter definitivo pelo Senado — poderá desencadear uma verdadeira perseguição religiosa no país. Pastores e padres não poderão mais dizer que o homossexualismo é pecado sob pena de serem acusados de “homofobia”.

Aliás, é o que já está acontecendo na prática. Em Rancho Queimado, um município com apenas 2.842 habitantes, em Santa Catarina, o pastor Ademir Kreutzfeld, da Igreja Evangélica Luterana do Brasil, está sendo acusado de homofobia. Em novembro de 2006, o jornal O Tropeiro, de Rancho Queimado, publicou uma matéria especial em que procura mostrar o homossexualismo como algo natural. Tão natural, segundo a matéria, que seria comum nas sociedades antigas e nas culturas indígenas. Usando seus direitos de consumidor e de líder religioso, o pastor Ademir Kreutzfeld ligou para comerciantes locais, questionando o patrocínio para aquele tipo de reportagem.

Os comerciantes ficaram escandalizados com a matéria e retiraram os anúncios. O responsável pelo jornal, um ativista gay de Santa Catarina, transformou uma democrática disputa entre grupos de pressão da sociedade — muito comum em qualquer país desenvolvido — num caso de “homofobia”. Ele deu queixa contra o pastor numa delegacia, e o delegado, em vez de informar que a Lei Anti-Homofobia ainda não foi aprovada, aceitou a queixa, intimando o pastor, que teve de se explicar. E o pastor está sendo processado.

Enquanto isso, por ocasião da visita do Papa ao Brasil, o Grupo Gay da Bahia, liderado pelo antropólogo Luiz Mott, queimou fotos de Bento XVI, numa clara incitação à violência física. E o que é mais grave — queimou as fotos do Papa justamente na porta da Catedral da Sé, em Salvador, numa óbvia invasão da propriedade alheia. Um pastor não pode pedir — pacificamente — que um comerciante deixe de patrocinar um jornal gay, mas os gays podem invadir um templo e queimar — violentamente — a foto de um religioso. Ou seja, antes mesmo de aprovada a Lei Anti-Homofobia, já estamos sob a égide da ditadura gay. (José Maria e Silva)

E durante a “parada gay” de SP um homem vestiu-se de Papa e distribuiu camisinhas como se fossem hóstias. Ainda estamos esperando, é claro, que algum gay público condene este excesso e o de Luiz Mott.

Junho 1, 2007

Manuel Bandeira fala dos comunistas

Filed under: Brasil,Política — Pedro Sette-Câmara @ 02:27

“Itinerário de Pasárgada”. Seleta de prosa, p. 332

Os comunistas aproveitaram a ocasião para praticar mais uma daquelas sordícies em que são mestres (…) Palavra de comunista não merece fé nem resposta? Era o que eu pensava. Vi, porém, neste caso que todo o cuidado com eles é pouco.

Maio 31, 2007

A oposição dos fatos

Filed under: Comentário,Política,União Europeia — Pedro Sette-Câmara @ 15:17

Em que pese a minha leve francofobia – devida ao burocratismo e ao “racionalismo”, bem como aos “filósofos” vanguardistas que este país envia ao mundo – tenho que admitir que os programas de debates franceses são os melhores. Aqui no Brasil, discordar de alguém é um ato de suprema incivilidade, punível com o ostracismo e os mesmos olhares que merecem o ovo da serpente. Mas já vi vários programas em que autores ouviram resenhas negativas ao vivo e responderam a elas, num clima de tensão natural mas jamais de incivilidade. A mesma coisa sucedeu na entrevista que Jean-Marie Le Pen concedeu à TV5 recentemente, que vi anteontem. Bem-humorado (nunca o tinha visto falar e, como todos, imaginava um sujeito nervosinho e sisudo), chegou mesmo a dar uma ótima resposta quando o entrevistador lhe perguntou quem seria a grande oposição a Sarkozy: “Os fatos. Se ele diz que vai fazer tudo isso mesmo, os fatos serão oposição suficiente.”

Mais bolsas, mais funcionários públicos

Filed under: Diversos,Internacional — Pedro Sette-Câmara @ 15:04

Eis um dos muitos artigos da Chronicle of Higher Education que eu gostaria de ler por inteiro. Infelizmente, ainda não tenho acesso… São estes capitalistas malditos que só pensam na mais-valia, em ganhar dinheiro e em explorar as pessoas. Que ousadia, escrever artigos importantes e querer cobrar por eles!

Replacing Student Loans With Grants Appears to Encourage More Graduates to Choose Public-Service Work

By PAUL BASKEN

An initiative by a major university to replace loans with grants in the financial aid it offers to low-income students has led more of its graduates to choose public-service careers, a study found.

The study, funded by the private National Bureau of Economic Research, concluded that an extra $10,000 in student debt reduces the likelihood that a graduate will take a job in a nonprofit organization, government, or an educational field by about 5 to 6 percentage points.

Maio 27, 2007

Chavismo na chamada

Filed under: Internacional — Pedro Sette-Câmara @ 19:57

Nesta tarde – são 3h51 PM aqui no Rio de Janeiro – vejo no portal Terra, um dos maiores do Brasil, a chamada Fim da concessão à TV amplia segurança em Caracas. Claro que quem lê pensa que é a TV que causa problemas à segurança da cidade, como se a selvageria do capitalismo estivesse matando as pombinhas da revolução. Not so.


terra

Lendo a notícia, vemos que…

A população de Caracas vive com incerteza e expectativa o fim de semana em que será concretizada a resolução do governo venezuelano contra a emissora RCTV. O temor é que ocorram, nas ruas da capital, ações violentas provocadas tanto por grupos que apóiam o governo quanto por opositores.

Na noite da última sexta-feira, 25, a sede da emissora Globovisión sofreu uma ação de um grupo de jovens chamado “Coletivo Alexis Vive”, que pichou a fachada da emissora e se auto-qualificou como revolucionário, supostamente de apoio ao governo Chávez. Além da RCTV, a Globovisión também mantém uma postura de oposição ao governo venezuelano. “Quando eu vi que haviam elevado o contingente de policiais e da Guarda Nacional nas ruas de Caracas, eu me senti mais protegido. Mas isso não foi suficiente pra evitar esse ato de vandalismo”, afirmou o diretor geral de Globovisión, Alberto Federico Ravell, em entrevista à RCTV. “Não vamos mudar nossa linha editorial porque nos atacam e nos ameaçam ou porque vão fechar a RCTV”, avisou Ravell.

Ah, tá. Então na verdade foi um grupo de pichadores independentes que apóia Chávez que começou a baderna…

Abril 26, 2007

Islam libertário

Filed under: Religião — Pedro Sette-Câmara @ 13:00

Entre os objetivos listados na missão do Minaret of Freedom Institute:

  • Expor os muçulmanos nos EUA e no mundo islâmico às idéias do livre-mercado.
  • Ensinar economia aos líderes religiosos e comunitários muçulmanos e mostrar-lhes que a liberdade é uma condição necessária, ainda que não suficiente, para a criação de uma boa sociedade.
  • Promover o estabelecimento do livre-mercado e da justiça (um interesse comum essencial do Islam e do Ocidente).

Abril 18, 2007

Nova ortografia unificada do português

Filed under: Cultura — Pedro Sette-Câmara @ 17:18

Informa o Diário de Lisboa sobre a próxima mudança ortográfica:

Com as modificações propostas no acordo, calcula-se que 1,6% do vocabulário de Portugal seja modificado. No Brasil, a mudança será bem menor: 0,45% das palavras terão a escrita alterada. Mas apesar das mudanças ortográficas, serão conservadas as pronúncias típicas de cada país.

Pessoalmente, não gosto destas mudanças e gosto das diferenças entre o português brasileiro e o europeu. Qualquer pessoa é capaz de perceber, e não só pela ortografia, quando é que um brasileiro ou um português escrevem, e estas outras diferenças continuarão a gritar.

Sempre tive amor por Portugal, onde nunca pisei, e meu ingresso no Insurgente aumentou muito meu contato com o português europeu. Hoje já vejo bem algumas diferenças de uso mais gritantes na norma culta escrita:

1. Os portugueses usam o artigo definido sempre que podem. Os brasileiros só costumam usá-los na frente de nomes não-próprios, à exceção de alguns países (como em Portugal: “a França”, “o Japão”, mas nunca “o Portugal”).

2. Os portugueses não apenas usam “tu” como sabem usá-lo. O costume no Brasil é falar e escrever “você” e misturá-lo com pronomes de segunda pessoa.

3. Os portugueses não gostam do gerúndio. Como dizer “estou a comer” é *muito* afetado no Brasil, não consigo deixar de rir quando vejo uma criança falando assim na RTP.

4. Os portugueses são muito mais tolerantes com a inserção direta de vocábulos anglos e gauleses que os brasileiros.

De todo modo, é claro que o sucesso da nova ortografia dependerá da adesão das empresas editoriais. Curioso será ver como os blogueiros – “bloggers” em Portugal – vão reagir. Aqui no Insurgente acredito que as coisas continuarão como estão: cada um continuará escrevendo o que quer e como quer.

Março 19, 2007

Nelson Rodrigues

Filed under: Brasil,Cultura — Pedro Sette-Câmara @ 16:52

Não sei se Nelson Rodrigues é conhecido em Portugal, mas, se não é, deveria ser. Você encontra mais frases dele aqui e aqui:

Na velha Rússia, dizia um possesso dostoievskiano: — “Se Deus não existe tudo é permitido”. Hoje, a coisa não se coloca em termos sobrenaturais. Não mais. Tudo agora é permitido se houver uma ideologia.

Quando os amigos deixam de jantar com os amigos [por causa da ideologia], é porque o país está maduro para a carnificina.

Antigamente, o silêncio era dos imbecis; hoje, são os melhores que emudecem. O grito, a ênfase, o gesto, o punho cerrado, estão com os idiotas de ambos os sexos.

[Até o século XIX] o idiota era apenas o idiota e como tal se comportava. E o primeiro a saber-se idiota era o próprio idiota. Não tinha ilusões. Julgando-se um inepto nato e hereditário, jamais se atreveu a mover uma palha, ou tirar um cadeira do lugar. Em 50, 100 ou 200 mil anos, nunca um idiota ousou questionar os valores da vida. Simplesmente, não pensava. Os “melhores” pensavam por ele, sentiam por ele, decidiam por ele. Deve-se a Marx o formidável despertar dos idiotas. Estes descobriram que são em maior número e sentiram a embriaguez da onipotência numérica. E, então, aquele sujeito que, há 500 mil anos, limitava-se a babar na gravata, passou a existir socialmente, economicamente, politicamente, culturalmente etc. houve, em toda parte, a explosão triunfal dos idiotas.

Outrora, os melhores pensavam pelos idiotas; hoje, os idiotas pensam pelos melhores. Criou-se uma situação realmente trágica: — ou o sujeito se submete ao idiota ou o idiota o extermina.

O sujeito que lê ou ouve um esquerdista leu e ouviu todos os esquerdistas.

Eu considero a ONU uma delinqüente da pior espécie.

A grande tragédia da carne começou quando o homem separou o sexo do amor. Como não somos vira-latas, nem urramos no bosque, o sexo sem amor é um progressivo suicídio.

A mulher não é inferior ao homem. Só o fato de ser mãe a torna superior. A mulher só se inferioriza quando, para imitar o homem, começa a dizer palavrões.

A olho nu, qualquer um percebe a ascensão social, econômica, política do idiota. Outro dia, passou por mim um automóvel das Mil e Uma Noites, sim, um desses Mercedes irreais, com cascata artificial e filhote de jacaré. Lá dentro, ia um idiota flamejante.

Março 14, 2007

Segundo o prefeito do Rio, Lula cria a KGB brasileira

Filed under: Brasil,Política — Pedro Sette-Câmara @ 23:49

Publiquei isto n’O Indivíduo, mas parece-me que o texto merece ser espalhado…

Isto foi circulado hoje pelo eterno alcaide carioca a partir da lista eletrônica que é seu “ex-blog”.

Pessoalmente, não gosto de Cesar Maia. É autoritário, para dizer o mínimo. Mas é o único político brasileiro de que consigo me lembrar que produz um discurso coerente do início ao fim. E um dos poucos a quem você não tem vontade de dizer: “Cala a boca e me traz um café.”

Negrito e link minha por conta.

UMA ESCOLHA MINISTERIAL EXTREMAMENTE GRAVE! DZERZHINSKI, BERIA, HIMMLER, HEYDRICH, HEINRICH MULLER, TARSO GENRO!

01. Hindenburg e as demais forças políticas alemãs convergentes se dobraram ao partido nacional socialista – nazi – e aceitaram uma coalizão majoritária com Hitler como chanceler (primeiro ministro). A 30 de janeiro de 1933, jurou perante o Reichstag. A composição do governo surpreendeu a seus aliados. Hitler não quis saber do ministério da economia, nem das forças armadas naquele momento. Queria o controle da polícia. A partir desta foi controlando o próprio Estado por dentro, investigando, reprimindo e eliminando seus opositores. Construiu a Geheime Staatspolizei – conhecida resumidamente como Gestapo – sua polícia secreta, sem farda, que atuou com o poder de uma força armada paralela, sem limites. Inicialmente dirigida por Himmler, e em seguida por Heydrich a partir de 1936 e por Muller em 1939, impôs o terror de Estado a seus adversários políticos e aos que perseguia, usando a eliminação física como penalidade banal.

02. Uma vez no poder a fins de 1917 os bolcheviques organizaram o exército vermelho sob o comando de Trotsky. Para isso chamaram de volta vários oficiais do exército do Czar, especialistas em organização militar. Mas a Polícia deveria ser uma força pura composta exclusivamente de militantes comunistas treinados e automaticamente leais às ordens recebidas. Assim foi criada a Cheka – comissariado extraordinário para o combate à contra-revolução e a sabotagem. Foi sucedida pela GPU – administração política do Estado – e pela KGB que aos moldes da Gestapo e sob o comando de Beria, impôs o terror de Estado e a eliminação física de seus adversários dentro e fora do partido, na lógica estalinista.

03. Para construir e dirigir a Cheka foi chamado Félix Edmundovich Dzerzhinski, polonês de nascimento membro do partido na Lituânia e um dos fundadores do Partido na Polônia em 1900 e que foi transferido ao Partido Bolchevique em 1917, assim que foi solto de uma condenação a prisão de cinco anos. Lenin se referia a Dzerzhisnki como “herói, revolucionário profissional comunista e destacada personalidade do Partido Comunista e do Estado Soviético”. Sua importância pode ser medida pela recente inauguração de seu busto por Putin em novembro de 2005.

04. A entrega por Lula da Polícia Federal a um militante partidário como Tarso Genro é fato de extrema gravidade. Será entregar os arquivos, as investigações e a ação da Polícia Federal a um militante político-ideológico que não terá limites para levar as informações para o setor de inteligência do PT, que ficou a descoberto nas eleições de 2006. Que não terá limites em direcionar as operações da Polícia Federal no sentido de seus adversários políticos. Que assombrará as empresas com essa possibilidade tornando os pedidos de financiamento do Partido como ordens implícitas. Que entrará inevitavelmente na vida privada de seus adversários através dos grampos – ditos autorizados. Que trará os meios de comunicação sob o risco de suas operações.

05. Essa decisão equivale potencialmente ao que ocorreu na Alemanha Nazi e na Rússia Bolchevique. Será transformar a Polícia Federal -de fato- num braço da Gestapo, da KGB petista. Nunca em tempos democráticos os governos brasileiros ousaram tanto. Nunca na história política do Brasil em tempos de democracia – desde o Império – se designa para chefiar o ministério da justiça e portanto a Polícia, um militante partidário ideológico. A vocação autoritária de Lula-PT crescentemente nítida se torna agora transparente e translúcida. Que os partidos políticos e os lideres sociais, sindicais e empresariais que não rezam na cartilha petista se cuidem, pois vem aí a Cheka brasileira. Tarso Genro: Lenin, Coração e Mente! Não se trata de crítica, mas de uma publicação sua. Quem viver, verá!

06. A tempo! Entre 14/11/2001 e 3/4/2002 um antigo militante no partido do governo ocupou o ministério da justiça. Foi o suficiente para uma central de grampos cercar a candidata a presidente que se igualava nas pesquisas a Lula. Um dinheiro caixa 2 foi localizado e a candidatura dela desmontada. Coincidência? Reforça a lógica descrita acima? E foram só 4 meses no ministério.

Março 9, 2007

Uma anedota de totalitarismo balofo

Filed under: Brasil,Política — Pedro Sette-Câmara @ 19:46

Hoje o jornal O Globo traz uma historinha interessante. Cá no Rio de Janeiro, no bairro do Leblon, uma senhora de 108 quilos bebia suas cervejas e comia suas bananas fritas quando percebeu que era chamada de gorda pela mesa ao lado. Em vez de derramar-lhes cerveja na cabeça, mandá-los pastar ou admitir-se gorda complementando que este era um pecado menor do que a grosseria daqueles que dela zombavam, decide processá-los. E ainda arremata: “Fui ofendida. Não sou gorda porque quero.” Mas a senhora é gorda porque quer. Toma cervejas e come bananas fritas. Nada contra. Apenas admita que essa é a conseqüência da sua dieta, que a senhora pode mudar se quiser. Não é culpa do governo nem de forças cósmicas.

Um dia eu achei que as pessoas gordas seriam a fonte restante de alegria num mundo politicamente correto em que as pessoas contam calorias. Afinal, Hitler era vegetariano, Rousseau era esquelético. Já Bernanos e Chesterton, verdadeiras bolotas. Agora já começo a perder as esperanças na gordura, a última transgressão à ética de quem não é magro por ser monge ou asceta, mas porque acha que só tem corpo e não tem alma.

Fevereiro 24, 2007

O melhor vídeo de todos os tempos

Filed under: Cultura — Pedro Sette-Câmara @ 00:00

Fevereiro 19, 2007

Reunião de católicos e anglicanos conservadores?

Filed under: Diversos — Pedro Sette-Câmara @ 04:29

Escrevi de uma vez para O Indivíduo, mas acho que também cabe aqui…

Update às 21h no Rio de Janeiro: publiquei o texto abaixo assim que a nova edição do Times saiu na internet, na madrugada desta segunda; agora, perto das 21h, o boletim da Zenit vem jogar uma certa água fria.

O Times desta segunda traz um artigo sobre a possível reunião da ala conservadora da Igreja Anglicana – aquela que não engoliu os sacerdotes gays e a ordenação de mulheres – com a Igreja Católica Romana:

Numa declaração de 42 páginas preparada por um comissão internacional composta por membros das duas igrejas, os anglicanos e católicos são instados a estudar maneiras de reunir-se sob a autoridade papal.

Esta declaração, que vazou para o Times, está sendo considerada pelo Vaticano, onde os bispos católicos preparam uma resposta formal.

Ela vem no momento em que os arcebispos responsáveis pelas 38 províncias da Comunhão Anglicana reunem-se em Dar es Salaam, na Tanzânia, para tentar evitar um cisma em função da ordenação gay e de outras doutrinas progressistas que dominam setores da igreja ocidental.

(…)

Na Inglaterra e no País de Gales, a Igreja Católica ultrapassará a Anglicana em número de fiéis pela primeira vez desde a Reforma, graças aos imigrantes de países católicos.

(…)

Os anglicanos também são instados a começar a rezar pelo Papa durante as preces de intercessão nos serviços eclesiásticos, e os católicos são instados a rezar publicamente pelo Arcebispo da Cantuária…

O Dr. Rowan Williams, Arcebispo da Cantuária, é uma figura misteriosa. É verdade que ele não é druida honorário, como eu cheguei a pensar; é verdade que ele é poeta (não li os poemas); e também é verdade que ele apoiou a ordenação de mulheres. Pelo pouco que conheço da ala conservadora da Igreja Anglicana (High Church ou Anglo-Catholic), ela me parece sobretudo um clube intelectual, creio de poetas como T.S. Eliot, W.H. Auden e Geoffrey Hill. Também é verdade que tradicionalmente o Arcebispo da Cantuária é o “pai espiritual” dos monarcas ingleses; mesmo que isso não tenha acontecido em seu “mandato”, gostaria de saber o que pensa o Dr. Rowan Williams de o Príncipe Charles ser o patrono do Centro de Estudos Islâmicos da Universidade de Oxford e de ter escrito o prefácio do livro sobre Shakespeare do Sheik Abu Bakr, também conhecido como Martin Lings.

Talvez o que incomode os anglicanos mais conservadores não seja só a aceitação do homossexualismo e a ordenação de mulheres.

Ceticismo da Igreja quanto a Ion Pacepa

Filed under: Política,Religião — Pedro Sette-Câmara @ 00:29

Um artigo da Zenit põe em questão o depoimento publicado na National Review sobre a fabricação do mito do “Papa nazista”:

Regarding the verification of what the Soviets were able to acquire from the Vatican Secret Archives, Father Gumpel doubts the documents in question were available.

Father Sergio Pagano, prefect of the Vatican Secret Archives, wrote to Father Gumpel explaining that during the years Pacepa describes “the letters of Pius XII were no longer in the Vatican Secret Archives. The documents they were interested in were to be found in the archive of the Secretary of State.”

Father Gumpel speculated that Soviet spies, unfamiliar with how things work in the Vatican, must have easily confused “the Vatican Secret Archives with the Archive of the Secretary of State.”

Fevereiro 15, 2007

Honestidade sobre o que é um retrocesso

Filed under: Cultura,Política — Pedro Sette-Câmara @ 16:16

A idéia de que não há problema moral em “interromper uma gravidez voluntariamente” – seja por conveniência ou para agradar alguma variação de Moloch – é muito mais antiga do que a idéia de que a vida humana deve ser preservada. Mesmo se considerarmos apenas a marcha do tempo, e não a idéia idiota de que algo é melhor simplesmente por ser mais recente, retrocesso é voltar à mentalidade pagã em que os habitantes dos úteros eram protegidos quase que só pela bondade.

O Rio de Janeiro assusta

Filed under: Brasil — Pedro Sette-Câmara @ 13:23

Moro em Copacabana, a 45 minutos de carro do Complexo do Alemão, sem sair da cidade.

No Terra:

“Isso aqui assusta”. Foi assim que oficial da FNS [Força Nacional de Segurança, que está realizando uma intervenção no Rio], vindo do Pará, definiu ontem os confrontos no Alemão. Outro agente, que se protegia atrás de um poste, teve ferimento leve no rosto porque uma bala atingiu cimento.

Estados Unidos da Europa

Filed under: Política,União Europeia — Pedro Sette-Câmara @ 12:55

Mesmo os mais americanófilos precisavam admitir que a Europa tinha autoridade para criticar o Estado policial em que os EUA estão-se transformando.

Não mais. Veja em tradução no UOL, ou vá direto ao original, no International Herald Tribune:

Os governos europeus estão preparando uma legislação para forçar as empresas a manterem dados detalhados sobre o uso da Internet e do telefone pelas pessoas, algo muito além do que os países serão obrigados a fazer, segundo uma diretriz da União Européia (UE).

Na Alemanha, uma proposta do Ministério da Justiça basicamente proibirá o uso de informação falsa para a criação de conta de e-mail, tornando ilegal a prática padrão na Internet de criação de contas com pseudônimos.

Uma lei esboçada na Holanda igualmente irá além do que exige a UE, neste caso obrigando as companhias telefônicas a guardarem os registros de exatamente onde alguém está durante toda uma conversa por telefone móvel.

Esperemos que nossa amada República Tcheca não entre nessa.

Chávez multa humorista

Filed under: Internacional,Política — Pedro Sette-Câmara @ 11:42

Prender e torturar, além de representar um custo, não pega bem. Cobrar impostos é muito melhor, sob todos os aspectos. Em O Globo:

CARACAS – Um dos principais humoristas da Venezuela foi punido ontem por “violar a honra, reputação e a vida privada” de Rosines Chávez Rodrigues, de 9 anos, filha do presidente da Venezuela, Hugo Chávez. A multa de US$ 18.600 foi imposta à editora Mosca Analfabeta, responsável pela publicação de um editorial de jornal assinado pelo sátiro Laureano Marquez, baseado num diálogo entre o presidente Chávez e sua filha.

No editorial, ele afirma que o governo de Chávez é “como um cavalo branco correndo por um caminho desconhecido com o corpo direcionado para a direita, mas com a cabeça voltada à esquerda”. Ele também sugeriu que a menina perguntasse a seu pai sobre o investimento do cavalo na nova compra de armas.

Fevereiro 12, 2007

Até na Espanha já se fala do terceiro mandato de Lula

Filed under: Diversos — Pedro Sette-Câmara @ 14:21

Juan Arias, em El Pais:

Prácticamente, aún no ha comenzado el segundo mandato de Lula, que, según la Constitución, debería ser el último. Pero, para hacer posible una segunda reelección, algunos círculos barajan la posibilidad de una reforma constitucional, aprobada mediante un plebiscito popular sin pasar por el Parlamento. El rumor se ha extendido desde hace unas semanas en los ambientes políticos y lo ha sacado a la luz con autoridad Elio Gáspari, considerado el analista político más prestigioso e independiente del país. Para confirmarlo, la prensa brasileña tuvo acceso la semana pasada a un documento del sector mayoritorio del PT, preparado en vísperas del tercer congreso del partido celebrado en julio, en el que por primera vez se plantea la posibilidad de que el presidente de la República pueda obtener poderes para poder convocar plebiscitos populares sin pasar por el Parlamento. Los responsables del documento niegan que estén pensando en la posibilidad de un tercer mandato para Lula, pero es difícil negar que la puerta queda abierta. Y la polémica, servida.

Fevereiro 9, 2007

Retórica e mistério

Filed under: Diversos — Pedro Sette-Câmara @ 15:09

Se há uma coisa que chama a atenção na política, é a pura e simples vacuidade dos discursos. O vazio vem da tentativa de ser inócuo: os políticos estão mais preocupados em não desagradar do que em agradar. Por isso, quando surge um tema que leva as pessoas a expor o que realmente pensam – como o aborto – ele é chamado “polarizador” e parece algo excepcional.

Pois hoje eu li nas resenhas do Bryn Mawr a respeito de um livro escrito aparentemente por um straussiano que discute o lugar da retórica na vida pública:

“This book aims to challenge…conventional wisdom…Its guiding motivation is the thought that a politics of persuasion — in which people try to change one another’s minds by appealing not only to reason but also to passions and sometimes even to prejudices — is a mode of politics that is worth defending”

Se até hoje lemos discursos feitos por políticos na antigüidade, se mesmo discussões no parlamento foram retratadas em filmes e peças de teatro como exemplos de sagacidade e bom uso da linguagem, e hoje temos a pura democracia midiática, até que ponto não caímos na mais refinada sofística? Não sou a favor do fim do sufrágio universal, mas menos ainda sou a favor de evitar questões pertinentes. Não endossaria uma solução de elitismo straussiano, mas bem que gostaria de ver políticos que fossem exatamente o contrário do mocorongo Lula e do abominável Chávez.

Agora, o mistério. O autor da resenha é um homem chamado Bruce e ele é professor da Texas Woman’s University. Como assim?

Hillary x Giuliani?

Filed under: Diversos — Pedro Sette-Câmara @ 13:49

Peggy Noonan tem um comentário mui interessante:

But it is significant that in Mrs. Clinton’s case, for the past 30 years, from 1978 through 2007–which is to say throughout most, almost all, of her adulthood–her view of America, and of American life, came through the tinted window of a limousine. (Now the view is, mostly, through the tinted window of an SUV.)

From first lady of Arkansas through first lady of the United States to U.S. senator, her life has been eased and cosseted by staff–by aides, drivers, cooks, Secret Service, etc. Her life has been lived within a motorcade. And so she didn’t have to worry about crime, the cost of things, the culture. Status incubates. Rudy Giuliani was fighting a deterioration she didn’t have to face. That’s a big difference. It’s the difference between the New Yorker in the subway and the Wall Street titan in the town car.

Janeiro 27, 2007

What’s left, ou o que sobrou da esquerda (segundo um esquerdista)

Filed under: Política — Pedro Sette-Câmara @ 15:41

Nick Cohen no Guardian:

Why is it that apologies for a militant Islam which stands for everything the liberal left is against come from the liberal left? Why will students hear a leftish postmodern theorist defend the exploitation of women in traditional cultures but not a crusty conservative don? After the American and British wars in Bosnia and Kosovo against Slobodan Milosevic’s ethnic cleansers, why were men and women of the left denying the existence of Serb concentration camps? As important, why did a European Union that daily announces its commitment to the liberal principles of human rights and international law do nothing as crimes against humanity took place just over its borders? Why is Palestine a cause for the liberal left, but not China, Sudan, Zimbabwe, the Congo or North Korea?

E estas, é claro, são apenas algumas perguntas. A verdade é que o esquerdismo na Europa e na América Latina hoje não passa de um mero sentimento patológico de anti-americanismo. Afundados em mentiras, soterrados por contradições como estas acima, a esquerda tenta criar um mundo novo porque já não tem a menor possibilidade de se relacionar com o mundo real.

Muita gente gosta de rir dos fiéis religiosos porque supostamente eles não teriam dúvidas. Pois eu conheço muitos religiosos e eles questionam sempre a sua religião, estudam, pesquisam, e até mesmo debatem consigo mesmos: “E se eu for um idiota e tudo isto for falso?”. Não se deve, é claro, entender “questionar” como “acusar”, mas como “perguntar”. Esta atitude é possível porque, para estas pessoas, entre as quais espero me incluir, o amor à verdade, ou à idéia de verdade, de certo modo precede o amor a Cristo ou à religião.

Mas eu nunca vejo um esquerdista questionar-se como Nick Cohen começa a fazer agora, já velho. A esquerda simplesmente ama a idéia de que, por ser “a esquerda” supostamente tem alguma superioridade moral, gozando aquela confortável sensação de marginalidade. É por isso que nada lhe resta a não ser o anti-americanismo: é o meio de reter alguma aura de resistência. Acredito que, justamente por essa vaidade patológica, a esquerda ainda há de fazer muito mal ao mundo, como fez na URSS e naquela Alemanha dominada pelo Partido Nacional-Socialista.

Janeiro 26, 2007

Um ex-KGB que tentou transformar Pio XII em nazista fala

Filed under: Diversos — Pedro Sette-Câmara @ 22:00

Na National Review:

In my other life, when I was at the center of Moscow’s foreign-intelligence wars, I myself was caught up in a deliberate Kremlin effort to smear the Vatican, by portraying Pope Pius XII as a coldhearted Nazi sympathizer. Ultimately, the operation did not cause any lasting damage, but it left a residual bad taste that is hard to rinse away. The story has never before been told.

Janeiro 20, 2007

Meio & mensagem

Filed under: Cultura — Pedro Sette-Câmara @ 13:37

O André comenta o post do blog da Atlântico que anuncia o “desancamento” dos blogs por J.P. Coutinho, desancamento merecido por sua supostamente indevida seriedade.

A acusação não é nova; antes, é periódica. E eu sempre me pergunto: por acaso alguém espera que todos os livros sejam engraçadinhos? Ou alguém diz que todos os livros e todos os programas de TV e todos os filmes ficaram mais ou menos sérios? E se há livros sérios e leves, por que os blogs também não podem variar de tom? Será que a dificuldade de publicação é que deve ditar a seriedade do conteúdo?

Claro que um leitor pode reclamar que os blogs de que gostava já não são como dantes. Normal: Jorge Manrique já dizia em priscas eras que a nuestro parescer / cualquiera tiempo pasado / fué mejor. Mas querer que o conteúdo de um blog permaneça mais leve só porque se trata de um blog é um absurdo.

Janeiro 16, 2007

Meditação sobre o destino de Portugal

Filed under: Cultura,Portugal — Pedro Sette-Câmara @ 06:53

No século XIX, Almeida Garrett popularizou a tese de que foram as estrofes finais dos Lusíadas, que instavam Dom Sebastião a realizar feitos estupendos ao mesmo tempo que o “profetizava”, que levaram o rei a empreender a batalha de Alcácer.

Pois pensemos o seguinte. Camões chega do Oriente, paupérrimo, com os Lusíadas embaixo do braço. Procura a família de Vasco da Gama, que o deixa, com o perdão do trocadilho infame e irresistível, a ver navios. Então fica implorando uma tença do rei. Esta necessidade de uma tença há de ter, digamos, “inspirado” ao menos parcialmente aquelas estrofes. E por não ter obtido dinheiro nem dos Gama e ter demorado a recebê-lo da coroa, inspirou Dom Sebastião ao desastre.

É certo que havia a peste em Lisboa e as coisas estavam difíceis. Mas suponhamos que Camões tivesse algum espírito capitalista e pensasse: “A família do Vasco da Gama não me pediu para escrever nada e não tem nenhuma obrigação comigo. Sofri uma pena injusta de degredo, é verdade, mas sou um homem capaz e posso arrumar um emprego qualquer para sustentar a mim e à minha mãe, ainda que modestamente. A poesia eu escrevo quando quero. E basta.”

Pois se Camões tivesse, então, tentado arrumar um emprego, talvez não tivesse havido o Alcácer.

Eu sei que é uma hipótese repleta de imaginação, mas acho que tem lá seu simbolismo.

Janeiro 15, 2007

Um processo nos EUA… contra o Vaticano?

Filed under: Política,Religião — Pedro Sette-Câmara @ 01:36

Suit against Vatican can proceed:

A federal judge in Louisville issued a “historic” decision yesterday by refusing to dismiss a lawsuit against the Vatican that alleges a cover-up to protect priests who molested American children.

“This is the first and only case which has as its sole objective holding the Vatican financially accountable for all of the childhood sexual abuses committed in the U.S.,” said Louisville attorney William McMurry, who filed the suit in 2004 on behalf of three men who allege abuse dating as far back as 1928.

Bem, é claro que o juiz é um retardado. Mas isso não impede que coisas aconteçam. O Vaticano tem um lugar delicado na política mundial por ser também um Estado independente. As pessoas que não sabem que esta independência territorial é fruto de lutas e negociações, e que pensam que o mundo deve ser recriado integralmente, hão de ter problemas para entender o que se passa.

Janeiro 12, 2007

Os velhos e os novos-ricos do Brasil

Filed under: Brasil,Cultura — Pedro Sette-Câmara @ 01:19

Eu não sou de postar cá o que posto no Indivíduo; se acontece, é antes o contrário. Mas queria muito ter comentários de portugueses a respeito, e saber se ocorre algo semelhante aí na Europa.

Ontem conversei muito com um amigo (que não tem blog nem nada) sobre um dos fenômenos que mais me chamam a atenção no Rio de Janeiro: a extrema diferença cultural entre os velhos e os novos-ricos.

Se você vai – quase digo ia, porque eles estão literalmente morrendo – à casa de um velho-rico, morador de qualquer bairro do Rio, chamaria a sua atenção o amor pelas coisas do Brasil. Ele se orgulharia de te oferecer um biscoito delicioso produzido por uma obscura senhora numa cidade de algum interior. Mostraria os móveis e explicaria a sofisticada técnica com que são produzidos por algum excelente artesão de sei lá onde, mas no Brasil. Falaria, com os olhos brilhando, sem a menor afetação, com admiração verdadeira, de como as pessoas em tal lugar do Brasil encontraram um jeito fantástico de se adaptar às suas circunstâncias, e riria até com algum orgulho da engenhosidade delas. E lembraria coisas que seus pais, avós e tios fizeram, e as pessoas que conheceram, transmitindo a sensação de uma grande comunidade, que começava invariavelmente na família. Tudo isto em pleno português, em português que hoje seria considerado literário, com a rara intromissão de uma palavra estrangeira, que viria sempre acompanhada de alguma explicação – “como falam os italianos, isso é…”

Se você vai à casa de um novo-rico, ou mesmo de um rico novo, a primeira coisa que você nota é que a cada cinco palavras portuguesas vem uma inglesa, freqüentemente adaptada, e não estou falando dos termos informáticos: até hoje, minhas favoritas foram bypassar (to bypass, mas com o sentido português de “passar por cima”: “ele vai me bypassar” significa ele vai armar alguma coisa sem o meu conhecimento) e bullshitagem, que eu não preciso explicar. Pais, avós, tios nunca são mencionados, mas sim os médicos com tratamentos modernos, os psicólogos, os personal trainers e, naturalmente, as coisas sempre adquiridas em exagero. Chama a atenção como um velho-rico tem a noção perfeita da sua necessidade ou desejo e então procura o que melhor lhe atende, e um novo-rico tem um pressentimento de um desejo e já quer comprar o melhor e maior objeto da sua categoria. A impressão que você tem é que, se ele pudesse comprar um foguete para levar as crianças à escola que fica no mesmo bairro onde ele mora, ele compraria.

Isso não significa, é claro, que estes novos-ricos não sejam boa gente, não sejam simpáticos, legais etc. Mas é nítido que eles, que enviam seus filhos a escolas bilíngües, não sentem a menor relação com o Brasil. É até fácil de entender que, num país que só demonstra ojeriza a um empresário que trabalha, e deposita esperanças em burocratas que só parasitam, eles, até por prudência, prefiram lembrar-se constantemente de que só estão aqui porque estão ganhando dinheiro e porque, acredite, até para muitos deles morar numa metrópole americana ou européia com o mesmo padrão de vida sairia caro demais.

Porém, a ruína de qualquer lugar com toda certeza começa pela elite. Eu não sei o que sucedeu com a geração dos meus avós que não soube replicar-se, mas sei que a geração dos meus pais já se acredita um novo começo, já se sente desligada da tradição, descompromissada com todo o passado, e que a geração imediatamente posterior a essa não só tem um descompromisso idêntico como é composta de pessoas que acreditam que, por ter ganhado dinheiro, são, como dizem os americanos, os “mestres do universo”, os novos jesuítas que com seus gráficos e planilhas vão “modernizar” o Brasil – desde que, é claro (e nisso eles têm razão) o Brasil não encha muito o saco.

Eu, aos 29 anos, sou apenas um sujeito perplexo, procurando uma saída particular, pessoal, e os mais novos já parecem estar completamente integrados naquilo que julgam ser uma grande cultura internacional anglo-falante.

Se eu fosse um romancista, escreveria sobre isso.

Dezembro 28, 2006

Chávez tira do ar emissora oposicionista

Filed under: Internacional,Política — Pedro Sette-Câmara @ 20:41

O nosso presidente Lula disse que Hugo Chávez era “um grande democrata”.

Pois o “grande democrata” vai cancelar a licença de transmissão de um canal de TV:

O Governo da Venezuela não renovará a licença de transmissão da “Radio Caracas Televisión” (RCTV) quando esta terminar, em março de 2007, anunciou nesta quinta-feira (28) o presidente Hugo Chávez, que acusou o canal de ser “golpista”.

“Não haverá nova concessão para esse canal golpista de televisão que se chamou ‘Radio Caracas Televisión’”, disse Chávez durante seu discurso de fim de ano à Força Armada Nacional no pátio da Academia Militar, em Caracas.

“Não será tolerado nenhum meio de comunicação a serviço do golpismo, contra o povo, contra a nação, contra a independência nacional, contra a dignidade da República”, acrescentou.

Sabemos que este tipo de coisa também é desejado pelos totalitários do PT no Brasil. Lula já falou em “controle social” da imprensa.

A solução? Francamente, transmissões piratas. O governo não “possui” as ondas de TV da mesma maneira que possui carros de polícia.

Para a internet, já temos a solução: hospedar tudo nos EUA.

Dezembro 25, 2006

Pela missa tridentina

Filed under: Religião — Pedro Sette-Câmara @ 18:30

Intelectuais franceses fazem um manifesto pela missa de sempre.

É imensa a alegria de ver que o primeiro nome é o de René Girard.

Dezembro 16, 2006

The shareef don’t like it

Filed under: Cultura — Pedro Sette-Câmara @ 02:05

Political correctness is for sissies.

Dezembro 10, 2006

Conservadores e religiosos ajudam muito mais aos pobres

Filed under: Economia,Internacional,Religião — Pedro Sette-Câmara @ 15:47

Deu no New York Sun:

But the idea that liberals give more is a myth. Of the top 25 states where people give an above-average percentage of their income, all but one, Maryland, were red — conservative — states in the last presidential election.

“When you look at the data,” says a professor at Syracuse University, Arthur Brooks, “it turns out the conservatives give about 30 percent more. And incidentally, conservative-headed families make slightly less money.”

(…)

“Religious Americans are more likely to give to every kind of cause and charity, including explicitly non-religious charities. Religious people give more blood; religious people give more to homeless people on the street.”

Aí estão os números a comprovar o que o bom senso obriga a suspeitar: se você pensa que o problema é não termos um sistema perfeito de governo que impeça as pessoas de ficar pobres, você fica delirando e nunca ajuda ninguém. Se você admite que a desigualdade é algo natural e inevitável, assume a responsabilidade para si e prontifica-se a ajudar pessoas reais, específicas, individuais, e não a reverter estatísticas. Além disso, como – isto me parece uma constante universal – o desejo de ajudar os outros é sempre inversamente proporcional ao desejo de proclamar a necessidade de ajuda, aí está: quem quer ajudar simplesmente o faz. Os conservadores e religiosos são as formigas do bem, e os esquerdistas as cigarras.

Dezembro 7, 2006

O PT a favor do genocídio sudanês

Filed under: Brasil,Internacional,Política — Pedro Sette-Câmara @ 12:49

Veio pelo ex-blog do eterno alcaide Cesar Maia:

Brasília acaba de emprestar seu aval ao pior genocídio em curso no planeta: o massacre de Darfur, que já matou mais de 200 mil pessoas e deixou 2,5 milhões de refugiados no Sudão. Na terça-feira, no Conselho de Direitos Humanos da ONU, o Itamaraty se absteve de votar uma resolução que exigiria do Sudão o julgamento dos responsáveis pelo morticínio. A resolução acabou derrotada por 22 a 20 e 4 abstenções. Diplomatas sudaneses mal continham a satisfação diante do voto brasileiro.

Novembro 20, 2006

Preconceito anti-intelectual: ciao, Italia!

Filed under: Cultura,Religião — Pedro Sette-Câmara @ 12:17

Deu no New York Times, com tradução do UOL:

O último papa foi alvo de algum humor, embora não a este ponto. E à medida que as piadas aumentaram, os principais jornais se apressaram a defender o direito de se fazer piadas sobre religião. “É difícil resistir à vontade de fazer uma gozação com um papa que parece ter sido criado em bibliotecas, e não no meio do povo”, opina Francesco Merlo, colunista do jornal “La Repubblica”.

Não me espanta que haja piadas sobre o Papa – fiquei mais espantado de elas já não existirem. Mas espanta a este sul-americano que um colunista de um jornal italiano de prestígio como o La Repubblica possa demonstrar tanto preconceito anti-intelectual. Não consigo ver qual o problema de alguém parecer ter sido “criado em bibliotecas”. Eu me arriscaria a dizer que grande parte dos melhores homens de todos os tempos pareceriam ter sido “criados em bibliotecas”. E o conhecimento e a sabedoria deveriam inspirar algum a reverência, não a zombaria. Talvez a idéia de sabedoria do Sr. Merlo seja um livro de Paulo Coelho, algo mais “popular”. Talvez seja a Britney Spears, porque ela afinal não parece ter nada a ver com as bibliotecas. O que consterna, enfim, é ver um colunista de jornal identificar-se com as opiniões do lumpen mais lumpen. Ciao, Italia!

Novembro 15, 2006

Como a religião erigiu o ocidente

Filed under: Cultura,Política,Religião — Pedro Sette-Câmara @ 23:32

royal5large.jpg

(…)
Yet Dawkins is not wholly ready to accept even his own arguments. He seems quite pointlessly enraged at the beliefs of religious people, who in his system are only the necessary products of blind natural forces. And his belief faces a further challenge from within: why do human beings show a near-universal disposition to believe something that neo-Darwinism claims is unreal? Nowhere else does a false picture of the world in which we live aid our chances of survival.

(…)
We in the modern West are the heirs of a long religious and philosophical tradition that sees the human person as a free and rational being. Indeed, the whole complex of modern views on human rights, free economies, and democratic liberty depends on an almost dogmatic assertion that, whatever physical elements shape us, we are something more and quite different than the unbreakable chain of causal necessity that we observe in nature. This sense is so deeply ingrained in us that it is hard for a Westerner to believe that the very notion of free will did not exist until it emerged under Christian auspices with Saint Augustine in the fourth century. The full realization of what that view of the human person means for social organization took more than a thousand years to come to fruition. Even then, it was not clear that freedom was up to the task.

(…)

O novo ateísmo

Filed under: Cultura,Política,Religião — Pedro Sette-Câmara @ 23:05

Na Wired (o link vai para a página 2 da matéria):

“How much do we regard children as being the property of their parents?” Dawkins asks. “It’s one thing to say people should be free to believe whatever they like, but should they be free to impose their beliefs on their children? Is there something to be said for society stepping in? What about bringing up children to believe manifest falsehoods?”

É verdade que logo depois de dizer isso Dawkins rejeita a idéia de criar um Comissariado das Boas Idéias, mas também é verdade que ele sugere que se continue a pensar em meios de retirar dos pais a educação de seus filhos. Afinal, a sociedade tem que se meter (“step in”).

Creio que me tornei um liberal por causa de pessoas como Dawkins. Seus argumentos contra a existência de Deus são puramente retóricos. Creio que temos o direito de desprezar-nos mutuamente e de proibir nossos filhos de brincarem entre si.

A liberdade é desagradável. As pessoas vão fazer coisas feias, coisas de que você não gosta, coisas que você acha até aberrantes.

A liberdade à americana de que gostamos é uma invenção cristã.

A matéria ainda diz:

The New Atheists will not let us off the hook simply because we are not doctrinaire believers. They condemn not just belief in God but respect for belief in God. Religion is not only wrong; it’s evil. Now that the battle has been joined, there’s no excuse for shirking.

O mesmo pensamento que havia por trás dos piores sistemas totalitaristas que já existiram. Gostaria de saber se o sr. Dawkins ou o jornalistam apóiam as perseguições religiosas que houveram em nome do ateísmo em todos os países onde o esquerdismo mostrou todo seu esplendor, como a URSS ou a China.

O melhor do Brasil vai mesmo para os EUA

Filed under: Brasil,Economia — Pedro Sette-Câmara @ 22:51

Do Washington Post:

Between 40,000 and 50,000 people from Governador Valadares are estimated to be living in the United States, most of them illegally. About 60 percent of the money flowing through the city is directly or indirectly linked to those relatives, city officials estimate.

“There are a lot of neighborhoods here built solely with the money sent back from the U.S.,” said Raimundo Santana, editor of the Immigrant, who recently returned after living legally in Massachusetts for eight years. “You see a lot of homes with additions and parts that have been remodeled, all from their relatives.”

Eu já tinha reproduzido um artigo sobre como os emigrantes brasileiros enviam mais dinheiro ao país do que o governo gasta com seus programas sociais, mas não custa lembrar que a ganância dos burocratas ainda afugenta as pessoas mais ousadas, mais empreendedoras e mais ativas da nossa modorra econômica.

Vivi nos EUA e nunca conheci um brasileiro que não estivesse lá por razões exclusivamente econômicas. Todos gostariam de voltar e sofrem muito com a saudade. Mas preferem que a vida siga adiante, em vez de tê-la estancada pelos impostos, regulações e idiotices dos nossos governantes.

Novembro 6, 2006

Governo quer prender por quatro anos usuário anônimo de internet

Filed under: Brasil,Política — Pedro Sette-Câmara @ 12:08

Segundo a Folha de São Paulo de hoje, o governo brasileiro deseja mandar para o xilindró por um período de dois a quatro anos o “usuário não-identificado” de internet.

A desculpa – fraudes no sistema bancário – é tão fantasticamente esfarrapada que realmente há de testar o grau de subserviência do povo brasileiro a seu governo. Os usuários já são identificados pelo IP. Além disso, quem ficar a favor de uma tal medida perderá qualquer força moral para se opor ao Patriot Act e até mesmo às fantásticas inspeções de bagagens a que somos submetidos nos EUA.

Aqui embaixo podem ler a matéria completa.

(mais…)

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