O Insurgente

Setembro 17, 2011

O passo seguinte: sermos multados se numa operação stop não apresentarmos os recibos de todos os objectos que viajam no carro e nos ocupantes do carro. E talvez criar uma base de dados com os gostos sartoriais e musicais de cada um, para averiguar futuras inconsistências suspeitas.

Filed under: Justiça,Portugal — Maria João Marques @ 17:17

«O que diz a Focus? Que em veículos particulares mandados parar em operações-stop da GNR, neste caso na A1, os seus ocupantes não foram só sujeitos aos habituais testes de alcoolemia, mas interrogados sobre que CD tinham no carro, tendo o leitor de CD sido sujeito a uma “busca”. Depois disso, as suas roupas foram identicamente sujeitas a “busca” para se saber quais as marcas e qual a origem, onde tinham sido compradas. Uma agente feminina estava presente para realizar idêntica busca nas roupas das senhoras. Uma peça de roupa comprada na Feira de Espinho e com marca suspeita levou à identificação de quem a usava. O objectivo destas “buscas” era, como se compreende, identificar artigos contrafeitos, CD copiados e roupas de marcas falsas. Os identificados, numa prática que a GNR confirma ser habitual, não eram feirantes, nem comerciantes de loja aberta, que pudessem estar a cometer qualquer crime fiscal, eram cidadãos comuns, podia ter sido qualquer um de nós.»

Pacheco Pereira, via Helena Matos, que de resto tem razão no título: as nossas forças de segurança não se dão a tanto trabalho à procura de bens roubados; nestes casos o trabalho a que se dão, e até o fazem rapidamente, é arquivar as queixas e informar disso os queixosos.

(Note-se que as mercadorias já estão obrigadas a circular nos carros comerciais acompanhadas de guia de transporte, guia de remessa ou factura.)

Setembro 7, 2011

Conversa de socialista

Filed under: Brasil,Economia,Internacional,Política Fiscal,Portugal — Maria João Marques @ 22:11

Hoje ouvi no rádio que o ex-presidente Lula da Silva, um dos gurus da nossa comunicação social, afirmou que deve haver mais comércio entre o Brasil e Portugal. Descontando o cliché das visitas oficiais ou para-oficiais, alguém considerou estas palavras de Lula merecedoras de ondas radiofónicas, porventura por demonstrarem as boas intenções e/ou a visão estratégica (com a finíssima subtileza do cliché) do guru socialista.

Ora eu, parte de uma empresa que compra ao Brasil, que este ano começou a vender ao Brasil e que planeia no próximo ano criar uma empresa no país do Senhor Lula, quero dizer ao Senhor Lula e aos jornalistas que tão acriticamente o ouvem e reproduzem, para que numa próxima vez possam contextualizar as palavras do senhor com a sua prática: 1) A melhor forma de aumentar o comércio entre Portugal e Brasil é o estado brasileiro e o estado português saírem da frente das empresas dos dois países. 2) Ajudaria muito ao aumento do dito comércio se o senhor Lula e a senhora que lhe sucedeu não aplicassem impostos sobre impostos às importações que, em alguns casos, leva a que os produtos (os portugueses também) saiam da alfandega brasileira acrescidos de uma carga fiscal de mais de 90% do preço CIF. 3) Que as empresas de importação no Brasil precisam de certificação para poderem importar, com critérios tão inteligentes como os do nosso INCI que o Tomás aqui descreve. 4) Que se a carga fiscal, no Brasil do senhor Lula e da senhora Dilma, não fosse tão astronómica para as importações, os pobres brasileiros (ainda numerosos) poderiam beneficiar dos preços mais baixos que a produção na China, Índia e afins torna possíveis.

Setembro 4, 2011

Porque da outra vez não se deu suficientemente cabo da economia

Filed under: Política,Portugal — Maria João Marques @ 20:03

Louçã diz que é preciso “novo 25 de Abril na economia”

Agosto 25, 2011

Não sei quem me agonia mais

Filed under: Nanny State Watch,Política Fiscal — Maria João Marques @ 17:48

Se esta gente que, sob capa da preocupação pelo próximo, advoga que lhes seja retirada uma maior porção do seu rendimento pelo estado, sabendo como sabem que os estados sempre lhes irão pagaros irão proteger da concorrência, sempre lhes darão acesso fácil aos governantes de forma a deixarem-se influenciar pelos seus interesses totalmente, claro, altruístas ou a destruir os empecilhos burocráticos e legislativos com que os pequenos sem os ouvidos dos governantes têm de se haver.

Ou se os tolinhos que tanto apreciam o gesto do parágrafo acima, sem perceberem que quanto mais os estados retirarem a qualquer cidadão mais legitimados se sentem para tirarem aos restantes, incluindo aos ditos  tolinhos. E que também não percebem que a voracidade do estado pelos recursos criados pelos indivíduos – como a caso português mostra à saciedade e também com partidos que até se dizem de centro-direita – se não é travada pelos próprios indivíduos, não pára, engole-os.

Que nostalgia dos tempos em que quem era ‘rico’ e considerava a sua obrigação natural ajudar os que menos tinham, agia de facto para ajudar quem menos tinha – antes pagavam os estudos aos rapazes de famílias pobres da aldeia e ofereciam o enxoval às raparigas que casavam,…; agora podem perfeitamente criar bolsas de estudos para atribuir a estudantes de baixos rendimentos, financiar instituições que acolhem crianças sem família e por aí adiante. Dantes faziam e nem lhes ocorreria referir estes gastos que tinham. Agora pedem para o estado lhes aumentar os impostos; sempre dá boa publicidade entre os tolinhos e lhes garante deferência em negócios futuros.

Agosto 19, 2011

Senhora Ministra, contagie, e depressa, se faz favor, os seus colegas de governo com o vírus privatizador

Filed under: Nanny State Watch,Política,Portugal — Maria João Marques @ 15:33

O fim da Parque Expo são boas notícias mas não podem deixar de ser apenas o início. Porque ao fim de mês e meio de governo não deixa de ser alarmante a falta de notícias sobre a muito prometida mas ainda por concretizar redução brutal na despesa pública.

Agosto 10, 2011

Leitura recomendada a todos os que estão muito (ou mesmo só um poucochinho) espantados porque a esquerda gosta de puros e simples criminosos

Filed under: Blogosfera — Maria João Marques @ 18:39

Agosto 8, 2011

Um comentador a que urge dar a reforma

Filed under: Media,Portugal — Maria João Marques @ 15:42

O Nuno tem razão em tudo o que diz. Miguel Sousa Tavares, romancista falhado e comentador alucinado a acompanhar uma sobranceria moral e intelectual fundamentada em sabe-se lá o quê da mente iludida do senhor, é uma das pessoas que retrata da melhor forma a mediocridade, quando não falta de seriedade militante, da maioria da nossa comunicação social. Como eu sou amiga de expressar a minha opinião através da forma como gasto o meu dinheiro, desde que o senhor Tavares começou a escrever no Expresso uma página inteira (mas mesmo que fossem duas linhas) que eu não compro o semanário. E a SICN só é vista quando o dito comentador não ensombra o cenário.

Julho 22, 2011

das boas notícias

Filed under: Economia,Política,Portugal — Maria João Marques @ 12:50

Estou em crer que Álvaro Santos Pereira nos trará boa parte das melhores notícias deste governo. Começou bem, afirmando que a política económica deste governo será um corte com a política socialista (de partido e de facto) que consistia em distorcer a economia para favorecer sectores ou empresas (ou interesses) que o governo entendia promover, usando para tal os impostos de sectores e empresas que pretendia desincentivar. E o incómodo (difuso) que o ministro tem gerado na nossa comunicação social – a precisar de uma reforma geracional semelhante à que foi levada a cabo no governo, como revela o medo do ‘experimentalismo’ deste governo expresso por tantos, sabendo-se como se sabe que manter o status quo deu tão bom resultado no país - mostra bem que está no caminho certo.

Desde logo, a redução significativa da TSU é uma muito boa notícia, a ser aplicada a todas as PME, não fazendo discriminação entre exportadoras e não-exportadoras, até porque ninguém garante que uma expressa que não exporta hoje não exportará amanhã e convém não criar distorções que impeçam empresas que vendem no mercado português de se internacionalizarem. O aumento do preço dos transportes é outra boa notícia. Já na questão da legislação laboral, estou com alguma dúvidas. Fiquei com a ideia que havia vingado a proposta do CDS de permitir novos contratos de trabalho para trabalhadores que estavam no último contrato, de forma a evitar o seu despedimento por empresas que num cenário incerto não queiram assumir o vínculo perpétuo de mais um trabalhador efectivo. Não entendo por que voltou a discussão daquela ideia aberrante do contrato único de trabalho. E se é necessário reduzir as indemnizações em caso de despedimento, a constituição do tal fundo (uma ideia estapafúrdia do desgoverno sócrates) é bom que seja abandonada e felizmente não avança já. Por outro lado, é fulcral que a alteração das leis laborais não seja deixada nas mãos de juristas e académicos – os primeiros tendem a criar procedimentos que tornem os advogados como parte essencial da relação laboral (na minha experiência, todo e qualquer mudança de qualquer pequenino pormenor tem de ficar escrito, sendo redigido pelos advogados) e não entendem que as PME ou não têm recursos para pagar nesta escala a advogados ou, se têm, seriam mais produtivas se usassem esses recursos noutras áreas. É necessário desburocratizar a legislação laboral para que as empresas não percam tempo a preencher quadrozinhos e fichas, e informar este e aquele e ir carimbar este mapa e o outro, há que dar uma ensaboadela aos mal-encarados funcionários da ACT, há que perceber que nem sempre o trabalhador deve ter tratamento preferencial - na relação, por exemplo, entre uma empresa com dez trabalhadores e um trabalhador sindicalizado, é o último que é a parte forte -, há que acabar com a vergonha de um contrato de trabalho a termo ser considerado sem termo sempre que o trabalhador o conteste (depois de o assinar e concordar com as suas condições), há que assumir a liberdade negocial e dar primazia aos contratos de trabalho entre as partes face à legislação laboral geral, enfim, há muito que fazer além de reduzir indemnizações.

Julho 19, 2011

Se faz favor, quando é que vem a parte do liberalismo?

Filed under: Economia,Política,Política Fiscal,Portugal — Maria João Marques @ 23:38

Eu estou entusiasmadíssima por, finalmente, termos um governo liberal e que vai governar de forma diferente e vai fazer mudanças e reformar o Estado e essas coisas todas.

É certo que a primeira coisa que fez não foi lá muito diferente dos dois ciclos governativos anteriores: aumentar impostos, desta vez substituindo aumento do IVA por saque ao subsídio de Natal. Mas, claro, foi só porque o governo foi obrigado (não havia nenhuma, nenhuma outra opção) devido às más contas do governo anterior (o que pensando bem também foi a desculpa de Durão e Sócrates).

E é certo que ainda não pararam as notícias de aumentos de impostos. Quem comprar algo de mais de 100.000€ (se for uma casa de 102.000€ é, como se sabe, um casarão) vai ser taxado se não explicar direitinho de onde lhe veio o dinheiro - sim, porque nisto de impostos parece que o ónus da prova já está invertido; não, não é o fisco ou o ministério público que têm a obrigação de provar que o dinheiro foi adquirido de forma ilícita e também fica por explicar se é um tribunal que decide se um contribuinte justifica bem de onde lhe veio o dinheiro ou se isso vai ser um poder discricionário do fisco com a garantia de que o contribuinte poderá reclamar – depois, claro está, de a administração fiscal lhe ir à conta bancária buscar o imposto que decidiu que tem direito. Isto a mim parece-me totalitarismo fiscal, mas não, não cedo perante a tentação e repito o mantra ‘o governo é liberal, o governo é liberal’ até, finalmente ver a luz.

Continua sendo certo que além de impostos o governo – com a ajuda dispensável do PR – se prepara para aumentar as taxas moderadoras no SNS, esperando assim espantar ainda mais utentes para as seguradoras de saúde, tudo porque não consegue poupar noutro lado para transferir recursos financeiros para pagar as despesas de saúde que, previsivelmente com o envelhecimento da população, aumentarão mesmo com boa gestão. Isto à primeira vista dá a entender que este governo, tal como os anteriores, resolve todos os problemas transferindo coercivamente recursos individuais para a posse do Estado, o que é a antítese do liberalismo, mas depois o mantra acima mencionado ajuda a recentrar-me.

É ainda certo que as medidas enfaticamente anunciadas para o lado da receita não foram acompanhadas de nada parecido do lado da despesa. Tirando a poupança no ar condicionado de Assunção Cristas, as luzes e os computadores desligados à noite no ministério de Álvaro Santos Pereira e os cartões de crédito e carros de serviço ao fim-de-semana que tiraram aos ministros – tudo coisas obrigatórias neste período mas, enfim, peanuts - nada se vê de relevante na diminuição da despesa. A reorganização do mapa municipal novecentista, essencial, já foi – muuuuito corajosamente – recusada.

Mas estes pensamentos são obras do tentador, porque o governo é muito liberal, e tem a cabeça e o coração nos sítios certos, quando aumenta impostos pretende tornar o estado mais pequeno e mais sustentável. Isto é tudo por culpa do sócrates. Os coitadinhos que lá estão agora não têm mesmo outras opções.

Mistério da fé.

Junho 30, 2011

Coisas que o meu olfato sugere que vamos ‘aprender’ nos próximos tempos com a blogosfera liberal e de direita em geral

Filed under: Política,Política Fiscal,Portugal — Maria João Marques @ 23:05

Um aumento de impostos feito pelo PS é socialismo puro e duro; um aumento de impostos feito pelo PSD é liberalismo do mais puro e cristalino.

Um aumento de impostos pelo PS aumenta o peso do Estado na economia; um aumento de impostos pelo PSD é o bom caminho para o emagrecimento do estado, tal como prometido em campanha.

Um aumento de impostos por um governo socialista é recessivo; um aumento de impostos proposto pelo PSD é a medida acertada, responsável e mesmo, mesmo o que um país estagnado há dez anos (por acaso sintoma da incontinência despesista de governos sucessivos, paga recorrendo sempre a aumentos de receita) necessita.

Um aumento de impostos socialista retira liberdade aos indivíduos; um aumento de impostos social-democrata é, no fundo, uma libertação das famílias e empresas, afinal toda a gente sabe que o PPC é favorável ao cheque-ensino, que de resto será muito necessário quando nem as famílias de classe média-alta, de tão taxadas, conseguirem pôr os filhos no colégio sem apoio estatal.

Como diziam os gauleses, só falta mesmo o céu cair-nos em cima da cabeça.

(O link acima está, aparentemente, maluco; para quem não o conseguir abrir, ia dar ao post abaixo do CGP ‘É difícil ser liberal em Portugal’.)

Começamos mal

Filed under: Diversos — Maria João Marques @ 15:54
 
Quando teremos, finalmente, um governo que entenda que endireitar as contas públicas não se faz pelo lado da receita???? Lamento, mas para além dos aumentos de impostos exigidos pela troika, nenhum aumento de imposto adicional deve existir. O PSD já sabia que Sócrates e Teixeira dos Santos têm uma grande elasticidade no conceito de verdade, pelo que já não pega o argumento – usado e estafado por Durão Barroso e por Sócrates – ‘afinal as contas estavam piores do que nós pensávamos’.

Por estas e por outras é que o CDS devia ter ficado de fora do governo, para não dar cobertura a estas formas estranhas de consolidação orçamental.

Junho 16, 2011

Estranho conceito de dinheiro. Ou de tostões.

Filed under: Cultura,Política,Portugal — Maria João Marques @ 16:05

«Pilar del Rio garantiu à Lusa que a Fundação Saramago  não recebeu “nem um tostão do Estado” e assim continuará. Gostava de acreditar, mas ela própria se desmente na entrevista.»

Vai-se a ver e a propensão para a esquerda gastar o dinheiro dos contribuintes (ao qual chama dinheiros públicos ou tostões do Estado) é nada mais do que uma incapacidade de perceber o que é o dinheiro. Parece que além das notinhas e das moedinhas em que podemos tocar nada é dinheiro.

Junho 6, 2011

Mitos

Filed under: Legislativas 2011 — Maria João Marques @ 00:22

Pela primeira vez um primeiro-ministro eleito perdeu umas eleições legislativas em que de novo se candidatou.

Indícios

Filed under: Legislativas 2011 — Maria João Marques @ 00:19

O CDS teve as suas melhores votações nos meios urbanos e nas secções dos eleitores mais jovens.

Junho 5, 2011

Já se vêem vantagens

Filed under: Legislativas 2011 — Maria João Marques @ 23:40

O inglês técnico de PPC é bastante melhor do que o inglês técnico de sócrates.

E a maioria sociológica de esquerda?

Filed under: Legislativas 2011 — Maria João Marques @ 23:13

É certo que PSD defende sobre si próprio com assertividade (pelo menos) que não é de direita, mas os seus eleitores fiéis serão, de facto, de direita e vai buscar (a espaços) o eleitorado de centro que tanto vota à esquerda como à direita. Em todo o caso, nos tempos de Cavaco Silva, PSD e CDS somados tinham cerca de 56% dos votos. Esta noite, e com um líder do PSD que não entusiasmou, PSD e CDS somados (e com proporções totalmente diferentes), têm mais de 50% dos votos. Cavaco Silva, no seu tempo, era visto (erradamente) como um reaccionário; PPC é visto (erradamente) como um liberal. Lamento, mas é conveniente informar os jornalistas e comentadores políticos – esses sim em maioria absoluta de esquerda – que os eleitores tanto votam à esquerda como à direita e que talvez devam deixar de apresentar o país como um espelho seu.

Pensando já no futuro

Filed under: Legislativas 2011 — Maria João Marques @ 22:14

O PSD teve uma boa vitória (os upsides e os downsides ficam para depois). Há algumas directrizes simples que, parecendo que não, serão importantes para a governabilidade do país: i) é conveniente que Passos Coelho seja impedido de cantar em frente a câmaras de televisão e telemóveis avulsos nos próximos quatro anos; ii) ao senhor presidente da câmara municipal de Caldas da Rainha, que começou logo a noite profetizando uma maioria absoluta do PSD e referindo a descida de votação do provável parceiro de coligação do PSD, deve ser explicado o significado da expressão ‘o silêncio é de ouro’.

Diziam que não eram os outros partidos a escolher o líder do PS

Filed under: Legislativas 2011 — Maria João Marques @ 21:25

e tinham razão. Quem escolheu o líder que não querem no PS foram os eleitores.

Notas do discurso de derrota: 1)Sócrates reconhece que afinal terá feito alguns erros. 2) Até ao fim Sócrates está mal. Impunha-se que, tal como Manuela Ferreira Leite e Pedro Santana Lopes fizeram, honrasse o mandato de deputado à AR que os eleitores que continuam iludidos lhe confiaram.

Hip-hip Hurrah

Filed under: Legislativas 2011 — Maria João Marques @ 21:08

José Sócrates demite-se esta noite do cargo de secretário-geral do PS

Enquanto o champanhe não me tolda a escrita

Filed under: Legislativas 2011 — Maria João Marques @ 21:06

Desta vez nem me incomodava com uma subida do BE se tal se fizesse à custa de votos no PS. Mas como o PS vai ter um derrota humilhante – e merecidamente humilhante – ter o BE a descer é um bónus muito bem-vindo.  Ideal teria sido ter o BE com estes resultados e o PS abaixo dos 25% but you can´t always get what you want.

Junho 3, 2011

Helena Matos acabou de me tirar a paz de espírito durante uns tempos

Filed under: Legislativas 2011,Política,Portugal — Maria João Marques @ 23:38

Ouvi agora Helena Matos na TVI24 referir a possibilidade de sócrates se candidatar à presidência da república em 2016. É certo que eu ainda não recuperei da estupefacção pela vitória da criatura mais daninha da democracia portuguesa com maioria absoluta em 2005 e pela repetição da vitória (ainda que com menos fulgor) em 2009. Em sócrates mistura-se a arrogância (vinda de quem nunca na vida fez algo que não movimentar-se nos meandros lodosos dos aparelhos partidários), a incompetência mais atroz, a boçalidade intelectual, a má-criação, o  pretensiosismo provinciano de quem de súbito se vê num mundo cool, a obstinação, a falta de escrúpulos no uso e abuso do poder, a intolerância, a glorificação da imagem (de um conteúdo oco) e mais umas tantas características dispensáveis nos titulares de cargos políticos. Uma pessoa como sócrates presidindo a um governo deu na calamidade do que deu. É certo que um PR tem muito de corta-fitas, contudo até agora só elegemos pessoas com qualidades intrínsecas que os tornavam suportáveis na presidência – concorde-se ou não com a aplicação ideológica de cada um às suas qualidades. Ter um político radioactivo como sócrates na presidência, ou o risco disso, é algo que nunca me havia ocorrido, de tão disparatada é a ideia. Mas de um PS que protegeu sócrates até há quinze dias e que é inteiramente cúmplice do desastre económico e do pântano moral do país, de facto, tudo se deve esperar. E em especial deve-se esperar o absurdo.

Vamos ganhar as eleições, diz Sócrates

Filed under: Legislativas 2011 — Maria João Marques @ 12:43

«Ao contrário de Passos, que acaba a corrida eleitoral com o trunfo na mão de um partido aparentemente unido, José Sócrates chega ao fim rodeado apenas pelos que já não o podem deixar.

As multidões que ainda o apoiam nas arruadas são genuínas expressões do PS popular e interclassista que sobreviveu à modernidade da política espectáculo e que, nestas eleições, revelou uma dedicação à causa do partido apenas comparável à do PCP. Mas, à parte dos militantes de base que, como se podia ouvir por estes dias, se dispõem a viajar de Vila Flor de Trás-os-Montes até Santa Maria da Feira para apoiar Sócrates, uma boa parte das figuras gradas do PS anteciparam as férias e resguardaram-se para o virar de página que as sondagens auguram no PS.

Depois de um Soares distante e mais preocupado em alimentar a memória do partido do que o seu futuro próximo, Sócrates chega ao final da campanha sem os históricos ao seu lado. Os seus ex-ministros ou titãs como Jaime Gama esforçam-se por ser discretos. Para não aparecer só, Sócrates teve de convocar figuras gastas e sem densidade política, como Manuel Pinho, para não aparecer mais só.»

Uma direita de extrema-esquerda

Filed under: Legislativas 2011 — Maria João Marques @ 01:12

Surpreende-me a verdade folclórica que é agora apregoada pela blogosfera de que o PSD está à direita do CDS. Assim de repente só me ocorre que, à direita do CDS, o PSD apenas tenha o programa de privatizações, e eu nunca discordo de uma privatizaçãozita. Mesmo havendo – e não há – outras evidências de direitismo do PSD, três singelas realidades mostram como o PSD é e pretende continuar a ser um partido de centro-esquerda.

A primeira: nenhum partido de direita poderia ter como candidato pela capital do país (e a presidente da AR) uma pessoa que mostra simpatias pelos terroristas do Hamas.

A segunda, e ainda mais importante: nenhum partido de direita propõe tornar mais rígida a legislação laboral terminando com os contratos a prazo – algo que nem o definitivamente esquerdista PS propõe e que é digno de constar no programa do BE. (Deixemos de lado o facto de esta proposta ir contra as coisas moderadamente inteligentes que PPC disse na primeira vez que se candidatou no PSD e até as coisas pouco inteligentes que propôs já líder, há uma eternidade - um ano). Perante a proposta de PPC, o código de Bagão Félix é um clímax de liberalismo. Ora a legislação laboral é, sem rival, a legislação mais estúpida deste país (que tem a sua dose de leis estúpidas), é imobilista, desincentiva o mérito e o esforço, faz perpetuar a pobreza nas gerações, é inimiga da produtividade, uma verdadeira calamidade para as PME, ajuda ao aumento do desemprego; que se pretenda tornar o cenário pior é para mim inimaginável em qualquer partido que pretende ser governo, quanto mais para um partido que pretende governar à direita.

A terceira: um partido de direita que pretenda baixar a TSU não o faz depois de ter viabilizado o novo código contributivo (que aumentou enormemente as contribuições para a segurança social e não apenas para os recibos verdes) nem o faz aumentando impostos sobre o consumo; um partido de direita baixa a TSU reduzindo a despesa noutro lado e alocando a folga que daí resulte para compensar a perda de receita na Segurança Social. O PS aumentou a despesa corrente como se não houvesse amanhã; não será, portanto, muito difícil cortar essa mesma despesa.

Correlação inversa entre instrução e voto no PS: não espanta

Filed under: Educação,Política,Portugal — Maria João Marques @ 00:03

Escreve João Gonçalves: constata-se uma relação inversamente proporcional entre a tralha socrática e a literacia. Quanto maior esta for menos hipóteses tem a referida tralha de “penetrar” na alma do cidadão. Percebe-se perfeitamente por que é que Sócrates apostou tudo em manter a cidadania na pior das ignorâncias, aquela que pressupõe uma ética, apesar das “novas oportunidades”, das toneladas de betão para cima das escolas e dos “magalhães” sem uma orientação pedagógica mínima.

Junho 1, 2011

A ver

Filed under: Política,Sondagens — Maria João Marques @ 22:34

Um gráfico dinâmico de Bernardo Caldas com as várias sondagens desde 2005.

Maio 31, 2011

É a democracia a nascer no Médio Oriente

Filed under: Internacional,Médio Oriente — Maria João Marques @ 19:23

«Um general egípcio admitiu que foram feitos “testes de virgindade” a mulheres detidas durante as manifestações de Março – e defendeu mesmo a prática dizendo que se destinava a evitar que as manifestantes dissessem, mais tarde, que tinham sido violadas pelos militares. (…)

A Amnistia Internacional tinha alertado para os maus tratos a que tinham sido submetidas as mulheres que se tinham manifestado às mãos dos militares: choques eléctricos, espancamentos, revistas sem roupa, ameaçadas com acusações de prostituição e forçadas a submeterem-se a um teste de virgindade.

“Estas raparigas não eram como a sua filha ou a minha”, disse, citado pela CNN. “Estas eram raparigas que estavam acampadas com rapazes na praça Tahrir, em tendas com cocktails Molotov e drogas”, afirmou. “Não queríamos que dissessem que as tínhamos atacado sexualmente ou violado, por isso queríamos provar que já não eram virgens”, argumentou. “Nenhuma era.” (…)
Uma das vítimas nomeadas no relatório da Amnistia Internacional contou à estação norte-americana CNN o que aconteceu depois de soldados fardados a terem levado para o museu na praça Tahrir. Amarraram-na, obrigaram-na a ficar no chão, bateram-lhe, deram-lhe choques, chamara-lhe prostituta.»

Eu não percebo se o dito general referido na notícia acredita na impossibilidade de uma mulher que não é virgem ser violada ou se considera que violar uma mulher que já não é virgem não tem mal nenhum. De qualquer modo, é elucidativo.

Maio 28, 2011

Depois do inglês técnico…

Filed under: Diversos — Maria João Marques @ 00:29

temos problemas com o português técnico.

Maio 27, 2011

Parece que Faro estava cheia de gente maledicente que não reconhece como a governação de sócrates tem sido um sucesso; em suma: gente anti-democrática que teima em demonstrar e expressar a sua opinião, gente que não merece a democracia

Filed under: Diversos — Maria João Marques @ 01:23

«Ainda antes de o secretário-geral do PS, José Sócrates, abandonar o Largo da Pontinha, onde se realizou o comício, os agentes da polícia começaram a identificar alguns dos elementos que empunhavam cartazes e que assobiavam em reacção aos discursos dos oradores.

Quando José Sócrates entrou no carro para deixar Faro, centenas de apoiantes socialistas rodearam o seu líder a gritar “PS, PS”.

A uma pergunta de um jornalista sobre o carácter daquela manifestação, o secretário-geral do PS lamentou que existam pessoas “que não sabem respeitar a democracia”.

“Acho absolutamente lamentável o que aconteceu. Enfim, é gente a quem a democracia deu direitos, mas que não sabem usá-los”, afirmou, em resposta à SIC.»

(Os bolds são meus.)

E não é curioso que todas as notícias tenham por título que houve um detido nas manifestações anti-socráticas, dando a ideia de grupos de foras-da-lei, em vez de destacarem em título a contestação que ocorreu?

Não vou – muito apropriadamente estarei na festa de fim de ano do five-year-old – mas ficam avisados

Filed under: Agenda,Livros — Maria João Marques @ 00:49

Maio 25, 2011

E isto é, perante as previsões da UE, a perspectiva optimista

Filed under: Economia,Internacional,Portugal — Maria João Marques @ 15:54

 

«A economia portuguesa deverá contrair-se 2,1 por cento este ano e 1,5 por cento no próximo, estima a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), que está mais otimista que Bruxelas também quanto à taxa de desemprego

Meanwhile, «a economia mundial deve crescer 4,2 por cento este ano e 4,6 por cento em 2012».

Maio 19, 2011

Eu tenho uma proposta que vai trazer grandes poupanças de custos: em vez de se gastar tempo e recursos julgando alguém, simplesmente pergunta-se se o suspeito é de esquerda ou de direita

Filed under: Justiça — Maria João Marques @ 21:26

Ainda a propósito de Strauss-Kahn. Já se tinha percebido que os ditadores de direita são diferentes dos ditadores de esquerda: os primeiros são execráveis, os segundos são aceitáveis. Também já havíamos sido informados que só há corruptos de direita; os corruptos que venham da esquerda são gente gananciosa (i.e., de direita) que esteve na esquerda ao engano. Agora somos informados que quem comete crimes sexuais ou é de direita ou foi vítima de uma armadilha. De facto nem entendo porque gasta a Europa tantos recursos investigando e tentando provar a culpa dos suspeitos do que quer que seja, quando basta saber a posição ideológica para se aferir a culpa.

Há muito que estou convencida que há muita enfermidade mental por diagnosticar no mundo

Filed under: Internacional,Justiça — Maria João Marques @ 15:12

Esta querela transatlântica sobre os actos de Strauss-Kahn num hotel em NY roça o delírio. Então: para muitos franceses (e portugueses, pelo que se ouve na televisões de gente que devia ter um módico de juízo e lê em blogues) quer se tenha tratado de sexo consensual ou de violação, que por um acaso que pelos vistos não interessa nada é um crime, são actos da vida privada de SK. Ora pela lógica destas luminárias, um crime só é um crime se for realizado no espaço público. E quem considera o contrário é sem dúvida um bota-de-elástico. Assim, para estas luminárias, eu posso esfaquear o meu marido enquanto ele dorme no quarto conjugal; o meu marido pode bater-me todos os dias; tanto o meu marido como eu podemos espancar os nossos filhos com frequência até os deixarmos inconscientes e a necessitar de visitas ao hospital; o meu marido pode violar a empregada doméstica e eu posso, se for necessário repreendê-la, aplicar-lhe uns correctivos dolorosos. Tudo isto é lícito desde que suceda na privacidade de nossa casa. Um maravilhoso mundo novo.

Maio 17, 2011

Ataques do PSD ao CDS: novo flop comunicacional

Filed under: Legislativas 2011,Política,Portugal — Maria João Marques @ 09:30

Estava em tempos de as hostes sociais democratas perderem um bocadinho de tempo antes de responderem à pergunta ’o que vamos fazer de seguida?’. É que até aqui, e desde as directas de 2010, não têm acertado uma – o que de resto agora os obriga a disparar para todos os lados. Sempre fui de opinião que partidos que admitem (e, pelos vistos, até desejam) coligar-se devem evitar o espetáculo de comadres zangadas em tempos eleitorais – porque não é uma mensagem coerente para o eleitorado e o eleitorado agora está particularmente atento. E estas picardias entre PSD e CDS, ao contrário do que se pensa no PSD, penalizam mais o PSD que o CDS – desde logo porque acrescentam incoerência a uma mensagem que tem sido (desde 2010) tudo menos consistente. Pedro Passos Coelho tem falhas sobre as quais não adianta alongar agora. Mas como (e ao contrário de tantos passistas nas europeias e legislativas de 2009) não quero que o PS vença as eleições, aqui vão algumas notas.

Quanto ao programa, já nada há a fazer se não tentar virar a atenção para os resultados da governação PS. Quanto ao líder, por favor retirem-no de situações embaraçosas, já que PPC não se poupa a si próprio. Os portugueses elegeram uma vez um líder mole e dialogante (Guterres), mas depois de dez anos de Cavaco, quando se considerava que i) Cavaco e Guterres eram próximos ideologicamente (certo) e ii) que a prosperidade estava aí para durar (errado). As circunstâncias por agora são diferentes e os eleitores querem alguém com pulso. Um diletante que aparece nas televisões a cantar (ainda há minutos vi PPC a cantarolar com uma capa de universitário posta) não é a pessoa que precisamos para chefiar um governo; agora não procuramos simpatia e cordialidade. E quem vai, qual cordeiro sacrificial, assistir a uma conferência em que o conferencista o desanca e que no fim aparece sorridente perante a humilhação sofrida e aludindo ao bom que é haver diversidade de opiniões, enfim, tem mais perfil para padre de paróquia do que para primeiro-ministro nas circunstâncias actuais.

Portanto: concentrem-se nos ataques ao PS. Em vez de explicarem isto e aquilo do programa, lembrem a taxa de desemprego; falem das contradições (tantas!) de sócrates; num tempo de crise, lembrem casos como o de Rui Pedro Soares que ganhou balúrdios só porque serviu o PS, lembrem os números do défice de sócrates, comparem a dívida pública em percentagem do PIB entre 2005 e 2011, digam quanto cada português deve ao exterior, nomeiem institutos e fundações criados pelos desgovernos sócrates, refiram quantos portugueses perderam apoios sociais, etc. etc., etc.. Enfim, portem-se como o maior partido da oposição se quiserem ser vistos – e votados – como tal.

Maio 12, 2011

Caríssimas, é caso para dizer: se alguma de vós for violada, é bom que tenha a ‘sorte’ de levar também uns valentes tabefes

Filed under: Justiça — Maria João Marques @ 23:58

Leio no DN «Segundo a maioria de juízes, os actos sexuais dados como provados no julgamento de primeira instância não foram suficientemente violentos. Agarrar a cabeça (ou os cabelos) de uma mulher, obrigando-a a fazer sexo oral e empurrá-la contra um sofá para realizar a cópula não constituíram actos susceptíveis de ser enquadrados como violentos» e, não sendo dia das mentiras, nem sei que fazer com a perplexidade.

Não deixo de lado que a legislação sobre violação seja tão estúpida quanto outras leis sobre assuntos apesar de tudo mais inócuos, mas que se considere que o acto em si não é uma violência atroz (física e psicológica) sobre quem é violado e se necessite de actos de violência física simultâneos para condenar alguém por violação – dando-se por provados o não consentimento da mulher e a violação – é algo que, enfim, não consigo sequer qualificar.

O facto é que sentenças absurdas são inúmeras, sobretudo em casos que envolvam menores ou mulheres violadas. Foi o  que reduziu a pena a um violador de um rapaz de treze anos porque este teve uma erecção durante a violação. Foi o juiz que mandou para a Rússia com uma mãe alcoólica uma criança que nem russo falava ou entendia, tudo porque a senhora que sempre cuidou da criança o irritava. São os vários casos em que apesar de todas as evidências de violações ou abusos sexuais os molestadores e violadores são objectivamente favorecidos nos tribunais. E é agora uma mulher grávida que foi violada mas em que é indiferente o seu consentimento na relação sexual, uma vez que o violador se calhar até nem lhe provocou nenhuma nódoa negra.

Eu não sei que raio de formação têm os juízes, mas nenhuma reforma da Justiça produzirá Justiça enquanto se mantiver gente como esta a proferir sentenças.

Maio 9, 2011

Comunicação social criticando josé sócrates: o mundo ao contrário

Filed under: Media,Política,Portugal — Maria João Marques @ 23:40

Foi necessário vir o senhor Munchau escrever no Financial Times o quão surreal foi a comunicação de josé sócrates na semana passada sobre o acordo obtido com o FMI/UE/BCE para a maioria dos comentadores e jornalistas portugueses ousarem expressar opinião parecida. Até aí, a comunicação onde sócrates explicou o que não constava do acordo – depois de ser a provável fonte de várias notícias informando de cenários ainda mais catastróficos de forma a que o resultado final até parecesse simpático por comparação, e deixando de lado, por simpatia para com os nossos martirizados canais auditivos, muito outras coisas que não constam do acordo (sei lá, que não constava do acordo uma taxa proibitiva a pagar por casais que tenham mais do que um filho, ou que também não constava a concessão a privados da gestão da Assembleia da República, ou outras ideias semelhantes) – era comentada como uma declaração incompleta que não esclarecia nada do acordo do governo com a troika (até a comentadoria pró-socialista se envergonhou de apoiar o conteúdo da comunicação socrática) mas como, claro!, uma comunicação muuuito eficaz na forma.

Abril 13, 2011

No jornalismo e no comentário político, tal como na vida, vergonha na cara faz muita falta

Filed under: Media,Política,Portugal — Maria João Marques @ 23:23

Estive agora a ouvir na SICN os comentários de Helena Garrido, António Costa Pinto e Nicolau Santos (três ex-embevecidos com Sócrates e a sua política despesista, portanto). O que ocupou o tempo de comentário destas alminhas e o que as escandaliza é a exigência do PSD em conhecer a realidade das contas públicas. Os três até assumiam que, de facto, o PS está a mascarar a execução orçamental – algo não difícil, dadas as notícias de que o défice de 2011 seria de 5,6% se não se tomarem medidas adicionais, contrariando os 4,6% apresentados pelo PS, mais a sua conversa de que a execução orçamental está a correr muito bem e as medidas do PEC4 para 2011 seriam só para obterem uma ‘folga’. Mas, lá está, o que indigna e aquilo contra o que batalham não é a vigarice nas contas públicas do PS. Não, o que é mesmo grave é que o PSD – e eu, já agora, como cidadã, eleitora e contribuinte – pretenda saber exactamente o tamanho da vigarice do PS. Isto, sim, é anti-patriótico e levanta desconfianças nos negociadores do FMI – bem, como, claro está, nos eleitores alemães, por exemplo, que não despregam os olhos dos canais de notícias ou dos ecrãs dos computadores para seguirem sem falhas as andanças e palavras de Pedro Passos Coelho. Já um governo dando informações incorrectas sobre as contas públicas é indiferente ao FMI e ao eleitor alemão.

É corrente dizer que os nossos políticos não são grande coisa. A maioria dos jornalistas que temos é pelo menos tão má.

Abril 11, 2011

Este senhor merecia uma comenda no 10 de Junho

Filed under: Portugal — Maria João Marques @ 01:06

Pelo teor conhecido das intervenções dos últimos anos e por afirmações evidentes (ou que deveriam ser evidentes) como esta de não caber ao estado assegurar a felicidade individual.

Abril 8, 2011

Caro Tomás, apesar do cliché do país sociologicamente de esquerda, os portugueses não são todos socialistas

Filed under: Blogosfera — Maria João Marques @ 12:25

Alguns portugueses já sabiam. Os portugueses de esquerda é que só descobriram por estes dias. E estou certa que nem todos.

O pior dos dois mundos: obrigada, josé sócrates.

Filed under: Política,Portugal — Maria João Marques @ 09:34

Este nosso pm é de facto um habilidoso. Vamos ter o FMI e austeridade a doer à séria. Mas só depois de termos aceite pagar juros pelos nossos títulos de dívida pública na vizinhança dos 10%, que nos trarão encargos bem pesados nos próximos anos. Alguém menos dotado que sócrates talvez nos conseguisse pôr ou só intervencionados pelo FMI ou só pagando juros estratosféricos; raras pessoas teriam talento para conseguir conjugar estas duas tão agradáveis realidades. Por isso fico sem palavras na hora de agradecer a josé sócrates tanto desvelo na defesa dos interesses nacionais.

Só vos digo: se este PS tiver mais de 25% dos votos nas próximas legislativas (e já estou muito caridosa), Portugal é um país sem vergonha.

Abril 7, 2011

Não é de esperar que o embate com a realidade faça tremer os crentes socialistas

Filed under: Política,Portugal — Maria João Marques @ 23:33

Não há volta a dar: quanto mais o estado cresceu, quanto mais se aumentaram as prestações sociais, menos o país cresceu. Sabe-se que para muitos um país de funcionários públicos e de gente que de uma forma ou doutra recebe uma prestaçãozinha (ou duas) paga pelo dinheiro dos contribuintes é um cenário maravilhoso, perseguido com afã desde 1995 – ano em que o esbanjador Guterres nos dava a conhecer a sua paixão pela educação propondo não uma revisão dos conteúdos assim ou assado mas tão somente que a Educação devia gastar 6% do PIB e nunca menos do que isso (o que nos deveria ter ensinado que as paixões socialistas são inevitavelmente prosaicas e se concretizam em aumentos das mesadas). Mas por muito bonito que seja esse cenário que glorifica os serviços públicos (multiplicando-os) e o Estado Social, e que haja alucinados que se ofendem quando alguém ventila a possibilidade de estarmos a gastar demais, argumentando que os países nórdicos (países com PIB per capita semelhante ao nosso, portanto) isto e aquilo (vem-me à memória António Costa há uns anos dizendo que não tínhamos estado social em excesso porque na Suécia quando alguém tinha de ir depor em tribunal recebia do estado o ordenado desse dia), é conveniente começarem a reconhecer: a riqueza que o país produz não dá para pagar a tanto funcionário público, a tanta empresa pública, nem para pagar tanta prestação social. Donde, há que reduzir em tudo. Mas não esperemos em demasia. O não crescermos desde 2000 é mascarado com os problemas da crise internacional de 2008 (criada pelos malvados neo-liberais); o necessitarmos de uma intervenção do FMI deve-se apenas à presente crise política e nunca ao crescimento descontrolado da despesa pública a par de supostas consolidações orçamentais que sabe-se lá como terminavam sempre com aumentos da despesa pública; o não termos dinheiro é consequência das acções dos tais malvados neoliberais, que apesar de malvados e neoliberais têm a obrigação de emprestar dinheiro baratinho a gente socialista moralmente superior, e jamais a não termos mesmo dinheiro porque não produzimos e não crescemos devido ao estado estrangular tudo.

Enfim, a realidade nunca foi amiga do socialismo. E a produção de riqueza também não.

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