O Insurgente

Março 22, 2010

Afinal, não se souberam grandes verdades

Filed under: Política,Portugal — jtcb @ 22:07

O reality show afinal foi fraquinho.

Tivemos um senhor simpático de cabelos brancos que diz falar para professores universitários e assadores de frangos.

Tivemos duas comadres que se atiraram aos pescoços uma da outra.

E, por último, um rapaz bem parecido com um sorriso de plástico.

Seja qual for o PSD que nasça na sexta-feira, não deverá ser muito entusiasmante.

PS: quanto a mim, o debate decidiu-se no fim, com a questão do PGR. As duas comadres ficaram-se pelas tricas tácticas. O rapaz do sorriso plástico tem razões para sorrir.

Zangam-se as comadres…

Filed under: Política,Portugal — jtcb @ 21:11

Bonito ajuste de contas entre Aguiar Branco e Rangel.

Vai valer a pena assistir até ao fim ao reality show que a RTP está a passar.

Ai vai, vai!…

Março 20, 2010

Carta de S.S. Bento XVI

Filed under: Diversos,Justiça,Religião — jtcb @ 16:40

A ler. Aqui.

Março 15, 2010

Só uma perguntinha

Filed under: Política,Portugal,XXXI Congresso do PSD — jtcb @ 12:19

Sobre o Congresso do PSD tenho apenas uma pergunta: aquele partido está hoje melhor ou mais forte que na sexta-feira passada? Creio que a resposta é óbvia, e não pode deixar de ser um claro e rotundo não.

Das intervenções dos candidatos a líder não ficou uma única ideia digna de registo.

Das reformas estatutárias ficou apenas a ideia sinistra da lei da rolha.

Ouviu-se por lá dizer que o Governo estava ferido de morte. Estará seguramente. Mas… e o PSD?

PS: Numa paráfrase a uma daquelas pérolas futebolísticas muito repetidas, apetece-me dizer: Portugal estava à beira do abismo e o PSD tomou a decisão acertada: deu um passo em frente.

Março 14, 2010

Estes romanos são doidos!

Filed under: Comentário Internacional,Internacional,Política — jtcb @ 23:56

Enquanto cá no burgo o pessoal se entretém em congressos de candidatos a candidatos, lá pela Gália os bravos gauleses continuam a resistir ao invasor.

Afinal, a grande ofensiva, sob o nome de código “voto de protesto” falhou. O grande partido, que representa (ainda que silenciosamente) mais de metade dos eleitores franceses, chama-se abstenção.

Esperava-se uma grande vitória do PS. Se calhar eu fui o único que não a vi, porque a imprensa continua a afirmá-la. Mas eu nunca fui grande espingarda nas contas. Desculpem-me, mas não consigo perceber. Já pedi aos senhores jornalistas para me explicarem isto devagarinho, mas não a consigo ver. É que, de 29% para 27% não vai assim uma distância tão grande. Mas, se calhar o problema é mesmo meu.

Ainda por cima a meio do mandato Sarkozy/Fillon e a meio de uma crise financeira que continua a ameaçar colocar a economia francesa em muito maus lençóis.

Vá-se lá perceber…

Novembro 15, 2009

Importa-se de repetir?

Filed under: Media,Política,Portugal — jtcb @ 21:56

Na TSF:

O antigo Presidente da República, Mário Soares, afirmou este domingo, que a investigação do caso “Face Oculta”, como questão política, não passa de um «problema comezinho».

E mais:

No final, o antigo Presidente da República sublinhou que «é preciso que a Justiça não seja uma Face Oculta».

Desculpem lá a pergunta (que eu fiquei um pouco zonzo com isto…) mas, este Mário Soares é aquele que toda a gente identifica como o Pai da Democracia? É que se é, então tudo começa a ficar mais claro…   Deve ser uma doença hereditária.

Outubro 18, 2009

Liberdade e liberalismo: brevíssimo apontamento

Filed under: Política,Teoria — jtcb @ 00:45

O post do André Azevedo Alves chamou-me a atenção para um outro, do João Miranda, em que se discute a interessante relação entre liberdade e democracia liberal. Neste pode ler-se que:

Os regimes seriam melhores se se pudesse escolher tudo? Não. Seriam piores. As democracias liberais são regimes em que a liberdade dos governados é maior porque determinadas escolhas políticas lhes estão vedadas.

Concordaria e subscreveria a última frase se se lesse, por exemplo: “as democracias liberais são regimes MELHORES porque determinadas escolhas políticas estão vedadas.”

A liberdade é um ingrediente indispensável de qualquer liberalismo, mas é apenas um dos ingredientes. Outro, que não lhe é menos fundamental é a ideia do governo limitado; é a ideia de que a liberdade — qualquer que seja a forma que assuma, desde a vontade intitucionalizada dos governantes até à individualizada dos governados — não pode ser ilimitada.
A quantificação das liberdades nunca poderá ser um critério suficiente para aferir da bondade de um regime liberal.

Outubro 15, 2009

His master’s voice

Filed under: Internacional,Política — jtcb @ 16:36

Para quem tivesse dúvidas acerca de quem manda na Rússia, aqui fica o esclarecimento:

Asked by reporters about possible differences with Mr. Medvedev on Iran, Mr. Putin said late Wednesday, “Our president determines foreign policy. If Dmitry Anatolievich [Medvedev] said [sanctions are] inevitable, they’re inevitable. But if you look closely at all his statements and the context he made them in, you’ll be convinced that there’s no steel-and-concrete determination toward sanctions.”

Setembro 29, 2009

O cão mordeu

Filed under: Política,Portugal — jtcb @ 22:56

Costuma-se dizer que cão que ladra, não morde. A excepção (pelo que acabámos de ouvir pela boca do Ministro da Presidência)  acabou de confirmar a regra.

Que diabo, afinal o Dr. Alberto João Jardim tinha razão? O país endoidou?

O resumo da novela: o PR pôs-se a jeito; o Governo não perdoou.

Senhoras e Senhores, preparem-se: a procissão ainda vai no adro. E nós nunca assistimos a uma situação destas. Não há precedente. E este não é um fait-divert da política quotidiana. É a própria sobrevivência do regime que bem pode estar em causa.

“Cortar o mal pela raíz”?

Foram ultrapassados os limites da moral e da decência

Filed under: Política,Portugal — jtcb @ 21:20

Pois bem, esta, a meu ver, é a afirmação mais importante de todas.

Também aqui não fiquei esclarecido. Fica-me a pergunta:

POR QUEM ?

Revelação bombástica!

Filed under: Política,Portugal — jtcb @ 21:16

O senhor Presidente da República é um info-excluído.

Será verdade? Será verdade que o PR não sabe que os computadores com ligações externas estão todos eles potencialmente sujeitos a ameaças externas? Todos, desde este donde escrevo até aos da NASA ou da Casa Branca? Será verdade?

Eu recuso-me a acreditar.  E mais: recuso-me a aceitar que o PR acredite que eu acredito nisso.

Setembro 28, 2009

O fiel da balança

Filed under: Legislativas 2009,Política,Portugal — jtcb @ 00:43

O CDS está hoje numa posição extraordinariamente privilegiada que poucos alvitrariam até à contagem final dos votos. Mas o privilégio, na medida em que pode viabilizar a constituição de uma coligação (de incidência governamental ou parlamentar) de maioria absoluta constitui um risco.

A decisão estratégica é clara, mas muito delicada.

Da viabilização o CDS pode reforçar a sua imagem de partido do chamado “arco governativo”. Ontem com o PSD, amanhã com o PS, o CDS pode tornar-se no “marido ideal”, como diria Wilde, dos casamentos políticos em Portugal. Nesta linha o CDS poderá afirmar-se como um parceiro de confiança, mas estará sempre numa posição precária — esta é uma posição normal em sistemas como o alemão, o belga ou o holandês, mas que não tem história em Portugal.

Por outro lado, da inviabilização, o CDS pode capitalizar nos votos da oposição ao centro-direita do PS, tornando-se na força política de referência quando o ciclo governativo socialista chegar ao fim.

A tentação da primeira hipótese pode ser enorme, mas o risco não é menor. A opção pela segunda hipótese pode parecer mais aliciante — sobretudo para líderes ambiciosos como Portas –, mas comporta a incerteza da contenda que PS e PSD irão travar no contexto das eleições presidenciais.

Em qualquer caso, a estratégia do CDS não pode deixar de passar por um esforço de ocupação da terra queimada pelo PSD. Cabe ao CDS demonstrar que, ao contrário daquilo a que este país está habituado, não fará sentido manter vivos dois partidos sociais-democratas no activo. A tarefa é hercúlea. Temo bem que impossível. Mas, foi este cenário que se abriu hoje ao CDS. Oportunidades destas não se repetem muitas vezes. 

Sobretudo porque, como hoje ficou bem visível, o PSD parece um partido desorientado, orfão, sem uma liderança política forte e carismática capaz de entusiasmar e mobilizar as suas hostes. E, como a história o demonstra à saciedade, nenhum partido português depende tanto do seu líder como o PSD. Em boa verdade, o PSD pode até ainda não se ter apercebido disso, mas pode muito bem estar hoje a ser entalado numa tenaz que acabará por asfixiá-lo.

Setembro 27, 2009

Uma lança em África!

Filed under: Legislativas 2009 — jtcb @ 23:33

Agora sim, parece que se confirma. Tardou, mas arrecadou.

Parabéns Micha!

Louça remodela Governo

Filed under: Legislativas 2009 — jtcb @ 22:40

Fantástico exemplo de arrogância humildade democrática: Louçã acaba de anunciar a remodelação da Ministra da Educação. Terá tido a delicadeza de, ao menos, informar previamente o eng. Sócrates?

Quem ganhou?

Filed under: Legislativas 2009 — jtcb @ 22:21

Neste país normalmente todos ganham. Nestas eleições parece-me que há dois vencedores claros.

1º – O CDS, o BE e, sobretudo, a abstenção. Estes 3, sobem claramente à custa do descontentamento

2º – O PS, que ganha, embora perca votos.  Mas, como está claro para todos, ganha por falta de comparência do adversário.

Prémio do discurso monocórdico

Filed under: Legislativas 2009 — jtcb @ 22:07

Atribuído ex-aequo à Avó Manuela e ao Camarada Jerónimo.

Então e o MEP ?

Filed under: Política,Portugal — jtcb @ 20:44

Continuo curioso relativamente ao resultado da promessa de Esperança para Portugal.

Será que cumprem o sonho?

Mas, como de costume, é sempre a mesma coisa. Pouco se diz sobre os pequenos partidos. Nada sobre os brancos e nulos — que são, dos pequenos partidos aqueles que mais crescem.

Mais um sinal de safixia?

A ternura dos 40 e a maldição dos 30

Filed under: Política,Portugal — jtcb @ 20:29

Querem lá ver que, afinal, o PSD acaba por voltar a não chegar aos 30% ?

Será possível?

A confirmarem-se estas projecções, então eu não andava lá muito enganado quando insistia que nestas eleições não iamos ter um ganhador, mas um grande perdedor. Depois de 4 anos? Depois deste Governo?

Mas, enfim, são só projecções.

Já os dados da abstenção, são mais seguros. Mas não menos preocupantes

A vitória da abstenção?

Filed under: Política,Portugal — jtcb @ 19:59

A confirmarem-se as projecções da afluência às urnas, poderemos dizer que estamos perante um cenário de auto-asfixia democrática.

Setembro 25, 2009

A herança da Avó Manuela

Filed under: Política,Portugal — jtcb @ 14:22

Eu sei bem que até ao lavar dos cestos é vindima. Mas, receio bem que se ninguém trouxer um milagroso balão de oxigénio ao PSD, a auto-asfixia seja inevitável.

Feliz ou infelizmente, o grande momento desta campanha foi o debate televisivo que colocou Sócrates e Louçã frente a frente. Essa foi a única ocasião em que vi o Inquisidor-mor do Bloco encostado à parede. O contraste com a converseta anterior entre o fogoso Francisco, o enfant-terrible da esquerda, e a Avó Manuela, que no seu tom complacente lá ia repetindo “concordo, concordo”, foi impressionante. Foi esse o momento, creio eu, em que o sempre confiante Sócrates, virou o curso da campanha, ganhando votos junto de um eleitorado que, apesar de descontente com o Governo, viu, talvez pela primeira vez, a verdadeira face do Bloco.

Se antes da campanha me parecia que a hipótese da vitória do PSD se ficaria a dever à derrota do PS, hoje penso exactamente o oposto. Se o PS vencer as eleições, espero que o eng. Sócrates tenha o bom gosto de ser o primeiro a fazer o telefonema da praxe, agradecendo à Avó Manuela a enorme gentileza que o seu partido lhe fez.

Receio bem que esta, por seu turno, tenha o triste destino que muitos Avós têm neste país ingrato: uma vez esgotados os seus préstimos à família, despacham-na para uma casa de repouso e lá ficam os herdeiros entretidos em processos de partilhas fratricidas.

Setembro 22, 2009

“Iniciativas Pífias”

Filed under: Media,Política,Portugal — jtcb @ 10:25

Vale a pena ler o editorial do Público de hoje. Este é um texto que, como lá se escreve, “será lido com mil lupas”.

Para além do muito que se escreverá sobre a execução sumária do assessor do PR, ou sobre as declarações de óbito de campanhas partidárias, temo que a questão que é aqui verdadeiramente importante acabe por ser asfixiada no meio da tempestade permanente em que a nossa democracia se vai tornando. E a questão é verdadeiramente importante porque envolve directamente o exercício da mais alta magistratura deste país. Se admitirmos os 3 “factos essenciais” apresentados naquele editorial como verdadeiros, então o melhor que podemos esperar é que tudo não tenha passado de uma enorme novela alimentada por um assessor. Nesse caso, a demissão é plenamente justificada, embora tardia, e carece de uma justificação plena por parte do próprio PR para que não subsistam dúvidas.

Este é o cenário feliz. O outro arrisca-se a não ter fim — ou, no pior dos cenários a arrastar a nossa democracia para o que um antigo PM já designou como um “pântano”. Não há justificação para a possibilidade de a Presidência ter estado sob escuta dos serviços de informação do Estado. Também não haverá justificação para que, existindo essa suspeita, e existindo ela há 17 meses, o PR não se tenha lembrado de nada melhor que promover uma denúncia à comunicação social. Se isso fosse verdade — possibilidade em que me recuso a acreditar — isso equivaleria à admissão por parte do PR de que as instituições do Estado não funcionam, ou que estão irremediavelmente comprometidas. Isso equivaleria à declaração de falência do Estado de Direito Democrático. Do qual, afinal, o PR é o responsável último.

Setembro 21, 2009

Desconcertante

Filed under: Política,Portugal — jtcb @ 00:04

Confesso que cada vez tenho menos interesse em acompanhar as campanhas eleitorais. O debate político neste país é, em regra, relativamente pobre e, em vésperas das eleições, tende a cair abaixo de qualquer limiar mínimo de pobreza.

Quando eu era mais miudo deitava a mão a tudo o que me chegava. Chegava até a ler os programas e declarações de princípios dos partidos. Não perdia um tempo de antena na televisão e chegava mesmo a ficar acordado a ouvir os radiofónicos. Reconheço hoje a infantilidade. Mas guardo desses tempos alguma nostalgia. Gostava especialmente dos partidos mais pequenos e radicais — desde a AOC ao MIRN — que, pelo menos para mim, só apareciam nestas alturas. Os tempos de antena iam-me dando notícias de pessoas que eu não conhecia pessoalmente, mas que, como os actores ou apresentadores de televisão (quem não se lembra dos locutores de continuidade?), eram-me relativamente familiares. Uma delas, para mim talvez a mais emblemática, era a Carmelinda Pereira, recorrente candidata do POUS. Era ela e mais um camarada — um curioso sujeito de barbas um tanto ou quanto façanhudas. Apareciam os dois. Sempre os dois. Eram quase como os bons pais de uma família modelo dos anos 50.

Voltei hoje a ver a Carmelinda Pereira num noticiário de campanha. E fiquei contente. Afinal a senhora continua bem e com saúde, graças a Deus. É sempre reconfortante quando vamos sabendo, ainda que de quando em quando, que aqueles que nos são queridos estão bem. Um tudo nada mais envelhecida, é certo, mas bem. Com o mesmo ar de genuína convicção que ostentava nos anos bastante mais quentes da mocidade da nossa democracia. O cabelo bem penteado e dourado era uma nota indesmentível e tranquilizadora de como aquela senhora soubera acompanhar o andar dos tempos. Mais tranquilizador ainda foi perceber que, no plano político, a senhora mantinha a mesma fé. Concluí, na minha mais pura ingenuidade conservadora, que a senhora soubera adequar-se às circunstâncias. Mais ou menos como os rivais do Bloco que lá vão tirando partido dos benefícios fiscais, investindo em produtos financeiros que servem, afinal, para subsidiar a banca, e que até concorrem às grandes ofertas da Bolsa. Mais ou menos. Mas, confesso a parcialidade, a Carmelinda Pereira sempre me pareceu mais autêntica. Mais genuína. Um pouco como o secretário-geral do PCP, que afirma nem sequer ter conta bancária. A isso sim, chamo política de verdade.

Mas, o que ouvi hoje foi absolutamente desconcertante. Foi como que o desfazer de um castelo de memórias que trazia desde a minha mais tenra infância. Ouvi-a pugnar pela “mobilização de todos os recursos para salvar as empresas”.

Desculpe, como disse? Salvar as empresas?

Ó maldito capitalismo que tudo engoles no teu abraço mortal!… Até esta já nos levaste…

Junho 22, 2009

Em defesa de quê?…

Filed under: Blogosfera,Comentário,Política,Portugal — jtcb @ 01:03

Em defesa de quê?… da liberdade? que é isso?

Há muito tempo que já nos despedimos desse conceito (para não dizer que nos despimos desse preconceito) que é a liberdade individual.

A notícia que o Rui Carmo publicou no seu post em defesa da liberdade, e as reacções ao dito, são disso bom exemplo. A ideia de que o controlo não atenta contra a liberdade porque é para o nosso bem revela uma aceitação pueril de um paternalismo que não fica bem a pessoas adultas.

O argumento da segurança é extraordinário. Sobretudo quando é esgrimido por uma certa esquerda que costuma acusar a direita de ser securitária.

Mas o pior dos argumentos, aquele que desce ao grau zero da discussão, é aquela velha ameaça velada: quem não deve não teme…

Qual é, afinal o objecto da liberdade? Stuart Mill já o esclareceu há precisamente 150 anos: “a natureza e os limites do poder que pode ser legitimamente exercido pela sociedade sobre o indivíduo”.

Obviamente, poderemos sempre discutir qual é essa natureza e quais são esses limites. Essa seria, aliás, “a questão vital do futuro”. O que não podemos é fazer crer que nem a natureza, nem os limites são relevantes se a liberdade for suprimida para o nosso próprio bem. A não ser que aceitemos que alguém sabe, melhor que nós próprios, o que é o nosso bem. Mas, nesse caso, não passamos de criancinhas.

Junho 18, 2009

A socialização da Liberdade

Filed under: Comentário — jtcb @ 18:44

Escreve o Professor João Cardoso Rosas que

“A esquerda começou por ser liberal, durante o século 19, para passar depois, especialmente no século 20, a ser socialista. Esta é, em termos esquemáticos, a história da esquerda na Europa.”

Esta é, afinal, a história que Hayek muito bem contou em “The Road to Serfdom”.  E é uma história extraordinariamente interessante e instrutiva. É essa história que faz daquele pequeno livro uma obra enorme: a história da socialização da liberdade — que é, para o efeito, sinónimo da socialização do indivíduo.

Junho 13, 2009

Irão os eleitores mudar o Irão?

Filed under: Internacional,Médio Oriente,Política — jtcb @ 00:54

Vale a pena ficar atento às contagens de votos que ainda decorrem.

A hipótese do senhor Mir-Hussein Mousavi suceder ao presidente em exercício, Ahmadinejad, e assim recuperar a esperança reformista que se esfumou no mandato de Khatami, parece ser real.  Isto se, segundo se diz, os resultados das eleições não passarem de mera ficção.

Se for esse o caso, e se, porventura, os eleitores iranianos conseguissem eleger um presidente moderado, capaz de reatar o diálogo internacional, e se esse retomar da via reformista não fosse travado pelo Conselho da Guarda Revolucionária, então talvez o Irão pudesse afirmar-se como uma democracia decente. E o que é talvez ainda mais importante: talvez o Irão pudesse constituir-se num verdadeiro farol de democracia para o Médio Oriente.

Maio 28, 2009

Renascimento

Filed under: Blogosfera,Comentário,Política — jtcb @ 16:07

Está alguém em casa?…

Então, se dão licença, vou entrando.

Muito boas tardes a todos. Folgo muito em reler-vos novamente.

Depois de um longo período de “auto-reclusão-dissertativa”, apetece-me regressar ao mundo dos vivos e fazer aquilo que não faço há muito tempo: apetece-me deixar de escrever sobre a liberdade e (re)começar a escrever livremente. Quis o destino que a data do meu renascimento Insurgente fosse o dia 28 de Maio.

Na nossa História nacional este dia marca uma revolução. Mas este é também o dia do nascimento de alguém que ficou tristemente célebre por uma invenção que marcou a História europeia. Esse alguém foi o senhor Joseph-Ignace Guillotin.

A criação deste senhor, a famigerada guilhotina, constitui uma boa metáfora dos tempos modernos: ela constitui um verdadeiro avanço na arte de matar. O seu antecessor fora o machado. Este, porém, requeria alguma perícia da parte de quem o manejava. Com a guilhotina a morte passou a ser uma coisa mais limpa, rápida, e terrivelmente eficaz. Indolor. E, assim alegavam os seus defensores, mais humana.

Quis o destino que a guilhotina ficasse para a História como uma das imagens de marca de uma revolução que se pretendia libertadora.

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