O Insurgente

Agosto 9, 2011

12.7×33mm

Filed under: Comentário,Justiça,Nanny State Watch — João Luís Pinto @ 11:36

As pequenas dimensões (entre outras) que protegem nos EUA e condenam no Reino Unido (e por cá) as vitimas de um motim.

Agosto 5, 2011

Segue forte o combate implacável do governo à despesa pública

Filed under: Política,Portugal — João Luís Pinto @ 15:50

Numa cerimónia na Amadora, o ministro da Solidariedade e da Segurança Social anunciou hoje cerca de 50 medidas que fazem parte do Programa de Emergência Social (PES). [...] O PES vai custar 400 milhões de euros no primeiro ano [...]

Adenda: Utilizando a excelente métrica que este governo já nos proporcionou, podemos portanto avaliar este Programa de Emergência Social (para já) em 0,4 cortes de 50% de subsídio de Natal, nos moldes já definidos e aprovados.

Agosto 4, 2011

O legislador isento

Filed under: Double standards,Justiça,Política,Portugal — João Luís Pinto @ 14:04

Código Penal – Artigo 306.º

Abuso e simulação de sinais de perigo
Quem utilizar abusivamente sinal ou chamada de alarme ou de socorro, ou simuladamente fizer crer que é necessário auxílio alheio em virtude de desastre, perigo ou situação de necessidade colectiva, é punido com pena de prisão até l ano ou com pena de multa até 120 dias.

Os deputados, mesmo no exercício da sua competência de fiscalização do governo, estão isentos do cumprimento da lei?

Podem, por exemplo, simular um assalto para ver qual o tempo de resposta da polícia?

Julho 11, 2011

As sessões de “open mike” na UE continuam a render grandes tiradas

Filed under: Comentário,Economia,Internacional,Política,União Europeia — João Luís Pinto @ 14:33

“A comissária europeia para a Justiça, Viviane Reding, propôs hoje o desmantelamento das três principais agências de rating norte-americanas, a Standard & Poor’s, Moody’s e Fitch, em declarações ao jornal alemão Die Welt.”

“O Comissário Europeu para os Mercados Financeiros, Michel Barnier, propôs hoje o reforço significativo das regras aplicadas às agências de notação financeira, impedindo-as de avaliar o rating dos países que beneficiam de um plano de ajuda internacional.”

Em completo desnorte, esta Comissão Europeia, e cada vez mais, como clube de bons burocratas estatistas e de pendor totalitário que é, a demonstrar a ira e o descontrolo que por lá vai passando por (vejam lá) ainda haver coisas que conseguem escapar ao seu controlo.

Julho 8, 2011

Mate-se o mensageiro (4)

Filed under: Comentário,Economia,Política,Portugal — João Luís Pinto @ 01:15

Continuando-se, agora em versão comunitária:

Zé Aníbal, ciente dos estragos causados pelas confissões do Tó Sovina, e das portas consequentemente cada vez mais fechadas do comércio que desde aí tem tido que enfrentar, decide partir para o contra-ataque.

Mesmo depois de ter cortado lá por casa uma refeição à mulher e aos filhos, um preço desgraçado a pagar pelo infortunado Zé Aníbal para poder continuar a beber o seu copito básico e essencial de single malt nos serões difíceis cada vez mais frequentes, a vida parece cada vez mais insuportável, e uma reacção impõe-se.
(mais…)

Julho 6, 2011

Mate-se o mensageiro

Filed under: Comentário,Economia,Política,Portugal — João Luís Pinto @ 12:36

O Zé Aníbal, individuo de gostos refinados, é um moço lá do bairro. Todas as semanas, são finas as iguarias que vêm das mercearias do bairro, e enchem o olho os artigos vindos das lojas de electrodomésticos.

Há muito que o Zé Aníbal resolveu o problema do pagamento dos seus gostos pouco frugais: se o vencimento não chegava e os gostos teimavam em se manter refinados, tudo se resolveu no dia em que descobriu que isso se resolvia com uma assinatura no livro de fiado nas lojas do bairro. O dinheiro recebido ao fim do mês pagava assim as dívidas do passado de que o Zé Aníbal já nem se lembrava bem, e todos os meses a chegada de novos carregamentos de coisinhas boas aguçava o apetite. Não havia problema: bastava mais uma assinatura em mais uma linha e prontos.
(mais…)

Junho 22, 2011

Dúvidas linguísticas

Filed under: Brasil,Comentário,Cultura,Diversos,Portugal — João Luís Pinto @ 12:26

Um homem que usa a palavra “presidenta” é um “idioto”?

Junho 20, 2011

Eis senão quando…

Filed under: Comentário,Justiça,Política,Portugal — João Luís Pinto @ 18:04

… durante a limpeza de Primavera na Procuradoria (sim, porque o timing é tudo), eles aparecem num jarro guardado em local remoto, esquecido e seguro.

Maio 31, 2011

Alguém consegue distinguir os anos de governação PSD dos PS? (2)

Filed under: Comentário,Política,Portugal — João Luís Pinto @ 18:16

Alguém consegue distinguir os anos de governação PSD dos PS?

Filed under: Comentário,Política,Portugal — João Luís Pinto @ 14:02

Maio 12, 2011

As minudências da política portuguesa

Filed under: Comentário,Economia,Política,Portugal — João Luís Pinto @ 11:58

Enquanto prossegue penosamente a campanha para o lugar de capataz/chefe de gabinete do FEEF cá pelo burgo, continuam afanosamente as hostes a tentar persuadir os impressionáveis eleitores portugueses de que são todos diferentes e de que têm programa de governo para além daquele que assinaram há alguns dias.

A questão da TSU, génese dos mais recentes problemas capilares colectivos, é disso bom exemplo.

No PSD, aquele que se propõe como principal alternativa ao descalabro socialista que temos, assistimos ao responsável pelo seu programa eleitoral, menos de uma semana depois da sua apresentação pública, a exibir publica e efusivamente a sua própria reserva mental em relação ao seu conteúdo, metendo pés pelas mão quando é chamado a objectivar os meios pelos quais pretende atingir o “seu” objectivo de redução da TSU. Mais: a não ter uma palavra (nem por sua iniciativa nem, diga-se em abono da verdade, por solicitação de algum jornalista) sobre porque é que é suposto e porque faz algum sentido serem os consumidores portugueses a subsidiarem fiscalmente a actividade empresarial – em última instância subsidiando os consumidores estrangeiros (partindo do princípio optimista de que a descida da TSU alguma vez vai chegar aos preços), sobre porque é que a diminuição de receitas da Segurança Social não é acompanhada sim por igual diminuição de despesas da Segurança Social ou porque é que num cenário em que são precisos superavits orçamentais se anda a brincar às transferência entre impostos.

Nem mesmo sobre porque foi negociada uma “promoção da competitividade” por via da TSU e não, por exemplo, do IRC, acabando-se desta maneira por criar uma distorção do mercado em que as empresas com uso intensivo de mão-de-obra (aquelas que na sua maioria, em termos de exportação, são empresas irremediavelmente arruinadas pela concorrência asiática em produtos em que domina esse factor de produção) são privilegiadas em detrimento das empresas intensivas em capital ou exportadoras de produtos associados a produtividades e valores acrescentados bem maiores.

Acabamos por voltar, em parte, aos “bons velhos tempos” do PSD, que sinalizam uma mudança de clientela do estado dos votos “baratos” de reformados, beneficiários de prestações sociais e da cumplicidade com as grandes empresas, clientelas típicas do governo socialista, para uma clientela sustentada nas PME e na pequena burguesia, que historicamente sustenta os sociais-democratas. O construtivismo social e eleitoral por via fiscal são os mesmos: mexe-se no afamado “mix” de impostos, aumenta-se em última instância a cobrança a uns para dar a outros, umas vezes mexendo no volume total de impostos, outras não.

O compromisso com a verdade, em contraposição ao zero absoluto reinante e face à história recente, vai já apresentando as suas brechas e fazendo pensar sobre se afinal valerá sequer a pena levar alguma destas propostas, intenções e compromissos públicos a sério, e não a considerá-las tão somente como fragmentos de uma pantomina eleitoral que nos vai embalando dia-a-dia até à realidade dos factos do pós-eleições.

É esta a “alternativa” que aparentemente nos querem oferecer. Eu, por mim, fico pelo programa de governo do FEEF, já que colectivamente temos aparentemente mesmo direito aos políticos que merecemos.

Maio 11, 2011

Na defesa da quota do secretário geral

Filed under: Blogosfera,Comentário,Política,Portugal — João Luís Pinto @ 15:43

Por estes lados escreve-se no mesmo texto sobre Câmara Corporativa e “insinuações, insultos e calúnias”. Naturalmente, as dos outros.

A assinatura, de redundante, não era necessária.

Maio 9, 2011

Verborreias selectivas

Filed under: Comentário,Política,Portugal — João Luís Pinto @ 11:05

O presidente Cavaco que, lembre-se, caminha para o 6º ano de cooperação estratégica com a Bancarrota Sócrates e que presidiu aos governos que, antes do descalabro dos governos Sócrates, mais contribuíram para a dívida pública portuguesa, gosta muito pouco de falar e de intervir no exercício das suas funções, mas muito de abrir a boca quando devia estar calado.

Maio 2, 2011

Vencedor do dia

Filed under: Diversos,Internacional,Política — João Luís Pinto @ 10:40

Uma estratégia de corrupção das fundações das democracias liberais ocidentais, de disseminação do terror e de martírio conclui-se assim com a concretização de todos os objectivos.

Abril 18, 2011

A educação de Nobre

Filed under: Comentário,Política,Portugal — João Luís Pinto @ 11:10

Fernando Nobre recuou na decisão de renunciar ao cargo de deputado caso não seja eleito Presidente da Assembleia da República, declarada em entrevista ao semanário Expresso, dizendo que “na altura certa” falará com o líder do PSD e avaliará “qual o melhor lugar para servir Portugal”.

Público.

Está assim concluída a primeira lição de política partidária portuguesa do dr. Nobre: as verdades ficam para depois das eleições.

Abril 6, 2011

Coisas para que serve o “banco de fomento”

Filed under: Comentário,Política,Portugal — João Luís Pinto @ 01:34

Abril 5, 2011

Da falta de vergonha “progressista”

Filed under: Blogosfera,Comentário,Portugal — João Luís Pinto @ 11:18

Esta decisão da CNDP proibindo algumas perguntas do Censo sobre relações homosexuais é lamentável, revelando até que ponto o fundamentalismo reaccionário contra a recolha de dados pessoais chegou entre nós.
É evidente que as perguntas em causa têm elevado interesse sociológico e estatístico. Sendo anónimos os dados do Censo, que mal havia em recolhê-los?

Os questionários a que Vital Moreira se refere devem ser com certeza diferentes dos meus. No que lá tenho para responder, bastante parecido com o que abreviadamente apresento acima, a primeiríssima pergunta é “Nome e Apelido”. No cabeçalho, a preencher pelo recenseador, estão os dados que permitem fazer o cruzamento da minha informação pessoal (incluindo o tal nome e apelido) com a morada georeferenciada (lembre-se que uma das outras vertentes deste Censos é o cadastro e a georeferenciação dos edifícios) onde vivo e associar-me ao agregado onde me insiro.

Uma pergunta interessante para Vital Moreira responder seria sim o que acha do facto de este censo em curso, contrariamente aos que o antecederam, ter deixado de ser anónimo e passar a solicitar dados que permitem inequivocamente identificar o autor das respostas. Deve ser uma nova variante de anonimato socrático.

Abril 1, 2011

Mais uma vitória contra os “falsos recibos verdes”

Filed under: Diversos,Portugal — João Luís Pinto @ 11:00

Depois de terem denunciado, no início de Março, as precárias condições de trabalho, com salários em atraso e “falsos” recibos verdes, ontem os funcionários do Museu do Design e da Moda (Mude), em Lisboa, receberam um e-mail, a meio da tarde, a informar a cessação dos contratos.

Público.

Março 14, 2011

Má sorte não serem “colonos”…

Filed under: Comentário,Double standards,Internacional,Política — João Luís Pinto @ 15:37

… e a decapitação ser mais mediática que a pulverização à distância por peças de artilharia.

Eight children, seven women among dead in IDF shelling

Eight children and seven women were among the dead, the Palestinain Health Ministry said, adding that 17 of the victims were members of the al-Ottomana family.

Khaled Radi, a Palestinian Health Ministry official, said all of those killed were civilians. According to witnesses, the victims were sleeping when the 15-minute barrage of shells first hit.

The victims were identified as Fatma Ahmed al-Ottomana, 80, Sanaa Ahmed al-Ottomana, 35, Naima Ahmed A al-Ottomana, 55, Masoud Abdullah al-Ottomana, 55, Sabah Mohammed al-Ottomana, 45, Samir Masoud al-Ottomana, 23, Fatma Masoud al-Ottomana, 16, Arafat Sa’ad al-Ottomana, 16, Mahdi Sa’ad al-Ottomana, 13, Mohammed Sa’ad al-Ottomana, 14, Sa’ad Majdi al-Ottomana, 8, Mahmoud Ahmed al-Ottomana, 13, Malik Samir al-Ottomana, 4, Maisa Ramzi al-Ottomana, 4, Nihad Mohammed al-Ottomana, 33, Mohammed Ramadan al-Ottomana, 28, Minal Mohammed al-Ottomana, 35, Saker Mohammed Adwan, 45, and Sa’adi Abu Amsha.

Haaretz.

Ao que parece, Samir al-Ottomana (4 anos) e Maisa Ramzi al-Ottomana (4 anos) não estavam a ser utilizados pelos seus pais como carne para canhão para proselitismo e como forças de ocupação em zonas de interposição.

Os dias em que o Ministério Público e a Polícia assobiam para o lado

Filed under: Comentário,Justiça,Portugal — João Luís Pinto @ 12:00

Nada como ser camionista ou proprietário de empresa de camionagem para beneficiar de particular indulgência e do oportuno distanciamento do Ministério Público e das forças que supostamente zelam pela segurança de todos e pelo cumprimento da Lei:

Artigo 154.º
Coacção
1 – Quem, por meio de violência ou de ameaça com mal importante, constranger outra pessoa a uma acção ou omissão, ou a suportar uma actividade, é punido com pena de prisão até três anos ou com pena de multa.
2 – A tentativa é punível.
[...]

Artigo 544.º
Conceito e proibição de lock-out
1 – Considera-se lock-out qualquer paralisação total ou parcial da empresa ou a interdição do acesso a locais de trabalho a alguns ou à totalidade dos trabalhadores e, ainda, a recusa em fornecer trabalho, condições e instrumentos de trabalho que determine ou possa determinar a paralisação de todos ou alguns sectores da empresa, desde que, em qualquer caso, vise atingir finalidades alheias à normal actividade da empresa, por decisão unilateral do empregador.
2 - É proibido o lock-out.
3 – Constitui contra-ordenação muito grave a violação do disposto no número anterior.

Artigo 545.º
Responsabilidade penal em matéria de lock-out
A violação do disposto no n.º 2 do artigo 544.º é punida com pena de prisão até 2 anos ou com pena de multa até 240 dias.

Leitura adicional: Animais glorificados.

Os Dispositivos Electrónicos de Matrícula só vão servir para cobrar portagens

Filed under: Comentário,Justiça,Política,Portugal — João Luís Pinto @ 11:11

A introdução de portagens nas antigas auto-estradas sem custo para o utilizador (Scut) levou o Governo a aprovar cinco novos sinais de trânsito. O mais inovador é um que informa que o utente está a circular numa via sujeita a fiscalização de velocidade. O controlo é feito através de radares instalados nos pórticos de cobrança electrónica das portagens naquelas vias, que registarão a velocidade instantânea dos veículos. Estes dados, no entanto, não servirão para multar os infractores, garantiu ao PÚBLICO fonte oficial do Ministério da Administração Interna.

Tal situação não impede que, a poucos metros de distância dos pórticos ou no interior das vias actualmente com portagem, haja uma patrulha da Brigada de Trânsito da GNR a controlar excessos de velocidade. Os radares dos pórticos das Scut só servirão para punir os “aceleras” quando estiver concluído o plano nacional de radares nas auto-estradas, sistema que envolverá, além da aquisição do equipamento, a legalização da recolha e tratamento dos registos dos infractores, através da Comissão Nacional de Protecção de Dados.

Público.

Com os devidos cumprimentos do Partido Socialista e do Partido Social Democrata, que o tornaram possível, aos magotes que acorreram em massa à compra dos referidos dispositivos.

Fevereiro 15, 2011

Those were the days

Filed under: Blogosfera,Comentário,Internacional,Política — João Luís Pinto @ 11:33

Nada como juntar bons amigos para discutir os saudosos velhos tempos de Ben Ali na Internacional Socialista: Só convidam socialistas?, por Helena Matos.

Fevereiro 8, 2011

Promoção das exportações

Filed under: Economia,Política,Portugal,Teoria — João Luís Pinto @ 11:16

Os kalkitos são um produto de sucesso no mercado português e espanhol. Num determinando instante do tempo, Portugal consome toda a sua produção interna de kalkitos, que é de 100 000 unidades, sendo que o mesmo acontece em Espanha, que consome 400 000 unidades. Cada unidade custa no mercado 10€, sendo que estamos portanto perante um mercado que vale no total 5M€.

A produção de kalkitos em Portugal e em Espanha custa exactamente o mesmo, e nas circunstâncias presentes ambos os mercados são auto-suficientes. Os custos de transporte são de 1€ por unidade entre os dois países. Os consumidores de kalkitos são bastante sensíveis ao preço, e portanto a existência de custos de transporte significativos retira a possibilidade de a produção portuguesa penetrar no mercados espanhol (e vice-versa).

Portugal decide promover as exportações. O estado decide oferecer os custos de transportes às empresas portuguesas, e apoiar em 1€ a venda de cada kalkito. De modo a poderem beneficiar desse incentivo, que lhes permite possivelmente entrar num mercado quatro vezes superior ao seu tradicional, os empresários portugueses optam por colocar a sua produção de 100 000 unidades no mercado espanhol ao preço de €9 por unidade, sendo que a factura que cabe ao estado e ao contribuinte fica a ser de €200 000. O mercado espanhol responde efusivamente, consumindo toda a exportação portuguesa, que passa a ter uma quota no mercado espanhol de 25%.

O governo exulta e desdobra-se em inúmeras acções de campanha apresentação de resultados no terreno junto da fileira do kalkito, apresentando os números de 100% de internacionalização da produção portuguesa.

Partindo do princípio que até se consegue, por via da importação, suprimir a necessidade de consumo nacional de kalkitos ao mesmo preço unitário, qual é a conclusão óbvia? Que os contribuintes portugueses acabaram de subsidiar os consumidores espanhóis de kalkitos em €100 000. E as transportadoras até podem ser espanholas.

Fevereiro 4, 2011

Legislador ordinário

Filed under: Comentário,Justiça,Portugal — João Luís Pinto @ 18:26

Parece que o ministro da Justiça está muito satisfeito consigo próprio por a nova lei do divórcio não ter tido as repercussões que se lhe antecipavam.

O problema é que isso muito provavelmente acontece porque já nem os juízes ligam aos devaneios legislativos da assembleia.

Janeiro 31, 2011

Fundamentalismo Justiceiro

Filed under: Justiça,Media,Portugal — João Luís Pinto @ 14:05

O Correio da Manhã lançou uma petição visando a criação de um novo crime de enriquecimento ilícito.

(…)

Em bom rigor, não se trata de um novo crime mas apenas de um expediente processual em que se presume como ilícita a proveniência daqueles bens e se obrigam os visados a provar a sua origem lícita. Os factos integradores da pretensa ilicitude (corrupção, tráficos, furtos, etc.) já não precisariam de ser provados pela acusação, devendo, ao contrário, os factos integradores da licitude ser provados pelos suspeitos. A justiça já não teria de provar a desonestidade dos acusados, estes é que teriam de demonstrar a sua honestidade.

(…)

Salvaguardando as devidas proporções é bom lembrar que algumas das grandes tragédias da humanidade começaram em nome de elevados desígnios colectivos; que algumas das piores formas de servidão e de alienação começaram sob o entusiasmo inebriante de ideologias da libertação; que as maiores ofensas à dignidade humana foram perpetradas por religiões que proclamavam o amor ao próximo; e que as piores injustiças foram sempre feitas em nome da perfeição da justiça.

Ignorar ou subvalorizar esses ensinamentos é o primeiro passo para alimentar novos fundamentalismos, o mais perigoso dos quais é, hoje, o fundamentalismo justiceiro.

Marinho Pinto, no JN.

Este senhor ainda tem alguma réstia de credibilidade e de autoridade?

Filed under: Comentário,Política,Portugal — João Luís Pinto @ 11:21

A CGD não avançou com a redução de salários este mês. Apesar de obrigada pelo Governo a cortar pelo menos cinco por cento dos custos com remunerações, já a partir de Janeiro, o banco estatal pagou os vencimentos por inteiro.

O Governo impôs às empresas públicas um corte de, pelo menos, cinco por cento nos custos com remunerações totais ilíquidas, mas, tal como a CGD, também a TAP não vai cumprir as ordens em Janeiro.

Apesar de a CGD, a TAP e a NAV não terem aplicado as reduções em Janeiro, o Ministro das Finanças garantiu hoje no Parlamento que “toda a gente sofrerá o corte”.

CMVM e Banco de Portugal contornaram regras impostas no OE nos vencimentos pagos em Janeiro, mas as Finanças garantem que não vai haver excepções nestes casos.

A Função Pública começou o ano com o congelamento de todas as progressões nas carreiras das administrações públicas. Todavia, só este mês foram publicados em Diário da República meia centena de despachos que determinam a mudança de nível de remuneratório para mais de duas centenas de funcionários.

Confiança no Euro

Filed under: Economia,União Europeia — João Luís Pinto @ 11:01

A Energias de Portugal deverá realizar hoje uma emissão de obrigações com uma maturidade de três anos em francos suíços.

De acordo com a Bloomberg, a eléctrica deverá emitir 100 milhões de francos suíços (78 milhões de euros), pagando um “spread” de 250 pontos base acima da taxa de juro de mercado.

Jornal de Negócios.

Janeiro 28, 2011

O Guarda Fronteiriço

Filed under: Double standards,Médio Oriente,Política — João Luís Pinto @ 15:32

JIM LEHRER: The word — the word to describe the leadership of Mubarak and Egypt and also in Tunisia before was dictator. Should Mubarak be seen as a dictator?

JOE BIDEN: Look, Mubarak has been an ally of ours in a number of things and he’s been very responsible on, relative to geopolitical interests in the region: Middle East peace efforts, the actions Egypt has taken relative to normalizing the relationship with Israel.

And I think that it would be — I would not refer to him as a dictator.

Entrevista de Joe Biden à PBS.

Jogar em campo viciado

Filed under: Comentário,Educação,Política,Portugal,Teoria — João Luís Pinto @ 14:23

Como bem referia o Carlos hoje de manhã no Twitter, o tipo de posição assumido pela proclamada “direita” em Portugal em relação à problemática do papel das escolas privadas e dos seus contractos de associação com o estado contribui para tornar bem clara a distinção entre direita conservadora e direita liberal. E para ver em qual delas se inclui a generalidade dos arautos da direita nacional.

Ao aceitar jogar argumentativamente no campo em que o discurso socialista ardilosamente a colocou, mordendo com voracidade o isco do papel das escolas privadas associadas ser somente aceitável numa lógica supletiva da escola pública, a tal direita aceita jogar, dolosamente ou não, num terreno em que tem uma derrota argumentativa praticamente garantida.

Aceitando de bom grado colocar na primeira linha esse argumento de supletividade, e não o argumento de que a prestação dos serviços é perfeitamente separável do seu pagamento, que é injustificável um monopólio do estado nessa prestação de serviços e na escolha de quem, do lado privado, tem ou não o direito a usufruir de subvenções públicas (e por que critério), e que deve ser uma escolha dos pais-contribuintes o estabelecimento – público ou privado – onde o seu filho aprende e onde o dinheiro dos seus impostos é entregue, podemos ver mais uma vez como o discurso liberal está longe da linha da frente do confronto político e é ostracizado até pela generalidade dos intervenientes identificados com a “direita”.

Janeiro 25, 2011

Read my lips

Filed under: Educação,Política,Portugal — João Luís Pinto @ 18:03

Instrumentalizar crianças para obter vantagens ou com qualquer outro objectivo de propaganda é infringir um princípio ético“.

O que seria se lhe tivesse chamado “jornalismo travestido”

Filed under: Comentário,União Europeia — João Luís Pinto @ 12:21

A tensão a que os escândalos sexuais estão a sujeitar o primeiro-ministro italiano teve ontem uma manifestação visível e pública. Silvio Berlusconi telefonou para um programa de televisão, onde se discutia o caso que envolve Ruby Rubbacuori, e insultou o apresentador: “Um programa nojento, dirigido de forma desprezível, vil e repugnante”.

Público.

Se todos pagarmos, pagamos menos

Filed under: Comentário,Economia,Política,Portugal — João Luís Pinto @ 11:54

Parece que andam por aí uns tolinhos novos do “se todos pagarmos, pagamos menos” e do “o estado somos todos nós”. Aqui fica a panorâmica da realidade:

Dados: Valores em Milhões de Euro, DGO/MFAP – Relatório/publicação “Conta Geral do Estado” e Eurostat / Institutos Nacionais de Estatística – Contas Nacionais Anuais, via Pordata

Dados: Relatório Combate à Fraude e Evasão Fiscais 2008, MFAP, 2009

Janeiro 24, 2011

Eleições (3)

Filed under: Comentário,Política,Portugal — João Luís Pinto @ 11:57

O mercado secundário das obrigações do tesouro abriu e segue estável nos 6,9%. O mesmo valor de sexta-feira.

Eleições (2)

Filed under: Comentário,Política,Portugal — João Luís Pinto @ 11:52

As atribulações com a votação e o cartão do cidadão decorridas no dia de ontem, e a ausência de repercussões, de responsabilização e mesmo de crítica e de revolta substanciais em relação a elas, demonstra o quão fácil é roubar uma eleição em Portugal.

Para ser mais fácil só falta mesmo o voto electrónico.

Eleições

Filed under: Comentário,Política,Portugal — João Luís Pinto @ 11:45

Ficou comprovado que maioria qualificada dos eleitores portugueses se esteve borrifando para a eleição do presidente da república.

O “presidente de todos os portugueses” vale menos de 25% das escolhas dos eleitores portugueses para ocupar o cargo.

Janeiro 16, 2011

O bom comentário que faltava

Filed under: Comentário,Internacional,Política — João Luís Pinto @ 18:48

You know when it came to that situation [Wikileaks], it was actually based on espionage, and when it comes to the security of our nation, we have to focus on security first and then people’s right to know, because it’s so important that everybody who’s in our borders is safe and so we can’t let things like that happen, and they must be handled properly [...]

Janeiro 15, 2011

Ministros do Mar

Filed under: Comentário,Política,Portugal — João Luís Pinto @ 00:35

Janeiro 12, 2011

Populismo jurídico (4)

Filed under: Blogosfera,Justiça,Portugal — João Luís Pinto @ 14:13

Trata-se de uma iniciativa tão inútil quanto demagógica, por diversas razões, apesar dos apoios de peso que já recebeu e continuará seguramente a receber nos próximos dias. Só faz sentido criar um novo tipo de crime quando uma conduta social, ainda não punida criminalmente, passa a justificar tal punição. Não é isso que sucede com o proposto crime de “enriquecimento ilícito”.

A ler, por Carlos Loureiro no Blasfémias, que partilha do meu repto de que se apresente “UM exemplo de um caso de enriquecimento ilícito que seria punido (merecendo sê-lo) pelo texto da petição que o não seja já”.

Leituras adicionais: Populismo jurídico, Populismo jurídico (2), Populismo jurídico (3), A criminalização do “enriquecimento ilícito” e o aumento da corrupção, “Mas essa não é a questão essencial…”.

Janeiro 6, 2011

Populismo juridico (3)

Filed under: Blogosfera,Comentário,Justiça,Portugal — João Luís Pinto @ 15:59

Paulo Pinto Mascarenhas acha que é “desagradável” debater permanentemente com adjectivos e pré-conceitos.

Eu diria outra coisa: mais desagradável ainda é ter de ir a tribunal e eventualmente ser condenado por uma acusação legalmente sustentada em adjectivos e pré-conceitos.

Como resposta ao meu desafio, recebi o seguinte.

Eu respondo: Todas. Aceito que possa estar enganado, mas não me lembro de qualquer condenação definitiva em tribunal de um político ou equiparado por enriquecimento ilícito – e se conheço investigações e até processos em que foram suspeitos e até constituídos arguidos.

É natural que não sejam conhecidos condenados por algo que não é crime.

De resto, pela minha parte encerro a troca de argumentos. A minha posição já está suficientemente explanada, além de que continuo ciente, como já referi, que iniciativas destas não procuram ir ao encontro de argumentos racionais e de Justiça, mas sim a promover um espírito de turba que não me interessa alimentar nestes termos.

Trata-se afinal de tentar resolver o problema da Justiça não funcionar, se calhar mais por falta de vontade dos seus agentes do que por falta de meios, tentando chegar a resultados removendo a Justiça do processo.

Sem dúvida que eliminado todas as garantias de um Estado de Direito a um processo se chegaria a resultados expeditos. Nem precisava de haver processo.

Não me parece que seja por aí.

Populismo jurídico (2)

Filed under: Blogosfera,Comentário,Justiça,Portugal — João Luís Pinto @ 12:43

Em relação à reacção de Paulo Pinto Mascarenhas, tenho pouco a acrescentar ao que foi dito pelo Miguel. Mas, continuando imbuído do espírito construtivo da casa, em relação ao texto da petição (que sou acusado de desconhecer), acrescento:

O titular de cargo político ou equiparado que, durante o período de exercício das suas funções ou nos três anos seguintes à respectiva cessação, adquirir, por si ou por interposta pessoa, quaisquer bens cujo valor esteja em manifesta desproporção com o seu rendimento declarado para efeitos de liquidação do imposto sobre o rendimento de pessoas singulares e com os bens e seu rendimento constantes da declaração, aditamentos e renovações, apresentados no Tribunal Constitucional, nos termos e prazos legalmente estabelecidos, é punido com pena de prisão de 1 a 5 anos.

Esta singela passagem constitui, na sua essência, a defesa de que seja possível utilizar métodos indiciários (“quaisquer bens cujo valor esteja em manifesta desproporção com o seu rendimento declarado para efeitos de liquidação do imposto”) para efeitos criminais. Ora se esse mecanismo é legalmente aceite para questões tributárias, não faz qualquer sentido o seu uso para questões criminais, por se julgar (como deve ser num Estado de Direito) que viola o princípio da presunção de inocência e que o silêncio e a falta de colaboração do arguido não afasta o ónus da acusação de provar todos os elementos constitutivos do crime.

Mais: removida essa presunção, o que sobraria não seria muito distinto do crime de fraude fiscal, que já é agravado se “[o] agente for funcionário público e tiver abusado gravemente das suas funções”, e que aliás já tem como pena prisão de 1 a 5 anos.

Poderia até estar a discutir-se a inclusão de um agravamento semelhante e do crime de fraude fiscal nos crimes da responsabilidade de titulares de cargos políticos, o que claramente não é a intenção. A intenção é clara, independentemente dos artifícios linguísticos na sua redacção, e é a de se criar um novo crime sustentado em métodos indiciários que coloque no acusado o ónus de rebater com prova efectiva esses meros indícios.

Acho que não é preciso ser jurista (eu não o sou) para concluir o mesmo da leitura da petição. Mas compreendo a posição de Paulo Pinto Mascarenhas (que também julgo que não o é), mesmo não a achando aceitável. Já se torna difícil de compreender a posição dos diversos juristas que acompanham a defesa dos termos da mesma.

Quem não deve, não teme, já dizia o povo e eu concordo. É ser populista ser contra a corrupção? Pois estão sou populista.

Para além do “quem não deve, não teme”, que é por si só uma tese e todo um repositório de argumentação para os mais diversos abusos perpetrados em nome dos mais elevados desígnios (desígnios esses geralmente defraudados, como bem alerta o André e o Tomás), cumpre dizer que ser populista não é ser contra a corrupção. Ser populista é achar que para se ser contra a corrupção se justificam todos os meios, e que se justifica em nome da “eficiência” e de atingir esse fim ultrapassar todo um conjunto de regras básicas de um Estado de Direito.

P.S.: Mantenho o desafio (ainda não respondido) aos proponentes da petição de descreverem uma situação de “enriquecimento ilícito” que não seja coberta e tipificada pela actual legislação.

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