O Insurgente

Janeiro 16, 2011

Farto desta gente

Filed under: Economia,Política,Portugal — Helder Ferreira @ 00:35

Cavaco também quer trabalhadores do privado a pagar a crise
“Não sabe que as reduções de rendimentos só foram aplicadas a funcionários públicos? Não percebo” Professor Doutor Aníbal Cavaco Silva, economista, Presidente da República.

Então não percebe nada de coisa nenhuma. A falta de vergonha na cara do candidato a Presidente da República e actual detentor do cargo, ao fazer uma afirmação do calibre da frase acima, merece resposta. Merece a resposta de mais de seiscentos mil desempregados que têm estado a pagar a crise que ele ajudou a criar. Se há coisa que não esperava é tamanha desfaçatez e falta de respeito pelas pessoas que lhe fizeram a carreira. Não é admissível que desvalorize o sacrifício de milhares de empresas e de tanta gente que não sabe se chega ao fim de 2011 com rendimento sequer. Como compara o sacrifício da redução de salário de alguns com o das pessoas que todos os dias deixam de o ter? Se não percebe, no mínimo, que não ofenda de forma tão gratuita quem tem sido atingido com mais dureza pelas dificuldades criadas pela casta de que ele faz parte.

Sugestão: ele e o resto da casta de eleitos que fixem os salários nas empresas privadas. Que decidam por mim quanto hei-de pagar às pessoas que contrato.

Dezembro 27, 2010

Arroz de cabidela

Filed under: Diversos — Helder Ferreira @ 22:15

* 1 galinha ;
* 0,5 dl de azeite ;
* 3 colheres ( sopa ) de vinagre ;
* 1 cebola grande ;
* 2 dentes de alho ;
* 100 gr de toucinho ;
* 1 folha de louro ;
* 1 malagueta ;
* 1 tigela de arroz ;
* Sal q.b.

Confecção :

Aproveite o sangue da galinha deitando-o numa tigela com três colheres de sopa de vinagre para que não coalhe.
Numa panela ponha a refogar no azeite a cebola e os alhos picados.
Junte-lhe a galinha cortada aos bocados pequenos e os miúdos ( excepto o fígado ), o toucinho cortado, o louro e a malagueta cortada ao meio.
Refogue tudo, tempere com sal e deixe estufar em lume brando.
Cubra a carne com água quente, tape a panela e deixe cozer até a galinha ficar macia.
Depois de cozida retire a galinha e rectifique a água para que fique na proporção de 3/1 para a cozedura do arroz. Assim que levantar fervura junte o arroz.
Três ou quatro minutos antes de ficar pronto junte o sangue, misture-o bem, junte também a carne e deixe apurar.

The Raven

Filed under: Livros — Helder Ferreira @ 21:59

Once upon a midnight dreary, while I pondered weak and weary,
Over many a quaint and curious volume of forgotten lore,
While I nodded, nearly napping, suddenly there came a tapping,
As of some one gently rapping, rapping at my chamber door.
`’Tis some visitor,’ I muttered, `tapping at my chamber door -
Only this, and nothing more.’

Ah, distinctly I remember it was in the bleak December,
And each separate dying ember wrought its ghost upon the floor.
Eagerly I wished the morrow; – vainly I had sought to borrow
From my books surcease of sorrow – sorrow for the lost Lenore -
For the rare and radiant maiden whom the angels named Lenore -
Nameless here for evermore. (mais…)

Dezembro 24, 2010

Santo Natal, rapaziada

Filed under: Diversos — Helder Ferreira @ 02:23

But there is one thing that I have never from my youth up been able to understand. I have never been able to understand where people got the idea that democracy was in some way opposed to tradition. It is obvious that tradition is only democracy extended through time. It is trusting to a consensus of common human voices rather than to some isolated or arbitrary record. The man who quotes some German historian against the tradition of the Catholic Church, for instance, is strictly appealing to aristocracy. He is appealing to the superiority of one expert against the awful authority of a mob. It is quite easy to see why a legend is treated, and ought to be treated, more respectfully than a book of history. The legend is generally made by the majority of people in the village, who are sane. The book is generally written by the one man in the village who is mad. Those who urge against tradition that men in the past were ignorant may go and urge it at the Carlton Club, along with the statement that voters in the slums are ignorant. It will not do for us. If we attach great importance to the opinion of ordinary men in great unanimity when we are dealing with daily matters, there is no reason why we should disregard it when we are dealing with history or fable. Tradition may be defined as an extension of the franchise. Tradition means giving votes to the most obscure of all classes, our ancestors. It is the democracy of the dead. Tradition refuses to submit to the small and arrogant oligarchy of those who merely happen to be walking about. All democrats object to men being disqualified by the accident of birth; tradition objects to their being disqualified by the accident of death. Democracy tells us not to neglect a good man’s opinion, even if he is our groom; tradition asks us not to neglect a good man’s opinion, even if he is our father. I, at any rate, cannot separate the two ideas of democracy and tradition; it seems evident to me that they are the same idea. We will have the dead at our councils. The ancient Greeks voted by stones; these shall vote by tombstones. It is all quite regular and official, for most tombstones, like most ballot papers, are marked with a cross.

Orthodoxy, G. K. Chesterton

Dezembro 17, 2010

Terminus Chronicles*

Filed under: Economia,Política,Portugal — Helder Ferreira @ 22:16

Estar fora” hoje é uma coisa muito relativa, esta coisa da net é ubíqua e um gajo acaba por nunca estar verdadeiramente “fora”. Seja como for, estive uns dias fora deste jardinzinho e ao regressar casa fiquei na dúvida se teria sido teletransportado para outro planeta. Se fui, espero que isto seja Marte, que sempre é um deus que dá algum jeito no meio de uma aflição. Pois parece que fomos teletransportados eu, a minha família e mais três países inteiros que atravessei a conduzir acima da velocidade máxima que a lei permite em cada um deles.
Vem isto a propósito da ideia do seguro para financiar o despedimento dos novos trabalhadores. Parece-me óbvio que mexer num detalhe – o despedimento – do código do trabalho, sem cuidar de todo o edifício regulatório do mesmo, mais da Justiça, da burocracia e, no fundo, de todos os impedimentos ao crescimento da economia e do emprego, já é imbecil quanto baste e não resolve coisa nenhuma. Agora esta ideia do tal seguro não tem ponta por onde se pegue. De há muito que se sabe que as empresas estão na generalidade subcapitalizadas. A isso soma-se agora dificuldades de liquidez, falta de crédito e tesourarias completamente desbaratadas. Pois alguém que, estou seguro, detém uma inteligência superior e a melhor das boas vontades, lembra-se de lançar mais um imposto sobre o trabalho com a declarada intenção de facilitar a contratação e a criação de emprego. Go figure.
Aqui neste planeta está um frio do caraças e é curioso que a Zon, a Vodafone, as Finanças e o condomínio conseguem enviar-me as contas na mesma.

 

*Ver “Foundation” de Isaac Asimov

Dezembro 13, 2010

Da liberdade de saber ou da cobiça do pensamento dos outros

Filed under: Media,Religião — Helder Ferreira @ 00:50

Wikileaks, a eterna cobiça do pensamento dos outros por Susana Toscano

Li há imensos anos um conto de que esqueci o autor e que, a propósito da tecnológica febre Wikileaks que agora nos devora, ressuscitou na vaga memória que guardei dele.
Contava a história de um homem que não suportava a incerteza sobre a sinceridade das palavras que os outros lhe dirigiam. Suspeitava de tanto entendimento, de tanta cortesia, duvidava que não houvesse muito mais maus pensamentos e maus instintos do que aqueles que eram confessados e vivia a suspirar por um mundo de franqueza e de transparência. Ele não se contentava com as aparências, queria saber se cada um dizia exactamente o que pensava, sem nenhuma espécie de ocultação, era disso, acreditava ele, que dependia a felicidade sem sombras. E vivia tão amargurado com as suas dúvidas que um dia um mago lhe deu o dom de ler os pensamentos alheios, com a condição de nunca deixar que os outros conhecessem essa sua capacidade, teria que apanhar os outros desprevenidos para lhes captar os segredos. (mais…)

Dezembro 8, 2010

Ácido

Filed under: Cartoons,Videos — Helder Ferreira @ 23:39

 

O site www.adultswim.co.uk é uma mina

Novembro 18, 2010

The dark side of the (Ground)force

Filed under: Economia,Política,Portugal — Helder Ferreira @ 00:57

Na história dos despedimentos na Groundforce em Faro tudo tresanda, cheira pior que um traque horas depois de se ingerir uns grelos salteados. Concluiu-se rapidamente que os trabalhadores eram uns calões cheios de regalias, trabalhavam três horas e meia por dia, eram demasiados, etc. Foi num suspiro que desapareceram das notícias. Por um lado há alguma verdade nisto, falta saber que raio de incentivos (e quem os cria) é que existem neste tipo de empresas para que as coisas sejam diferentes.

Ora bem. A estrutura accionista das duas empresas de handling – a Portway e a Groundforce -  é de ir às lágrimas. No meio de um labirinto de compra daqui, vende dali, percentagem por aqui, percentagem por ali, ajeita assim, costura assado, no fim da história, são as duas detidas por esse magnífico empresário: o estado. Para início de conversa porque é que o estado, por vias travessas, quelhos e becos, detém duas empresas concorrentes? Faltam jobs for the boys?

Enquistados de marxismo requentado e estupidez, não vendo para lá da luta de classes que, vinte anos depois, suscita na melhor das hipóteses um bocejo na pior, uma raiva surda contra eles próprios, os sindicatos fartam-se de gritar pelos direitos adquiridos, contra o patronato e as administrações. Não lhes ocorre, porque ainda vivem em 1846, que o que exigem tem a consequência lógica do que acontece neste caso. Nem quero procurar saber quantos administradores existem na Groundforce por trabalhador que é para não me irritar ainda mais. Os sindicatos podiam perfeitamente estar a ganhar isto se percebessem um mínimo de concorrência e de mercado, mas não. Aquelas cabeças não vão mais longe que a interpretação do Álvaro Cunhal da Revolução de 1383-1385

Para ajudar à festa, o esquema está montado de maneira que a Autoridade da Concorrência vela para que…não haja concorrência. Os 336 trabalhadores despedidos dispõem-se a criar uma nova empresa de handling para concorrer com a Portway e a Groundforce – não esquecer que o proprietário tanto de uma como de outra é o bendito estado – em Faro mas…não podem.

Depois a culpa é do neoliberalismo, dos patrões, da Merkel, dos especuladores, dos bancos e assim. Aguentem-se.

Novembro 16, 2010

Every man for himself! Run for the hills!!

Filed under: Economia,Política — Helder Ferreira @ 22:06

Espanha repete que situação do país não é igual à da Irlanda e Portugal

Portugal não precisa de ajuda e é diferente da Irlanda – Teixeira dos Santos

“Portugal não vai pedir ajuda só porque a Irlanda o faz”

Austria Witholds Funds To EU Greece Bailout Package, Says Greece Hasn’t Met Commitments To EU On Public Finances
Finland Opposes Aid To Ireland

Novembro 13, 2010

De regresso à terra

Filed under: Política,Portugal — Helder Ferreira @ 21:15

Nos últimos dias tenho ouvido e lido da imanência do regresso à terra, ao cultivo. De como inevitavelmente todos regressaremos à agricultura e de como é urgente esse regresso quais filhos pródigos. Da intemporalidade da vida simples do campo. Deve ser isso a tal da New Age que nos há-de salvar a todos. Seja como for, tanta conversa sobre o regresso à terra, lembrou-me um post de 2004 (tanto tempo?) no incontornável Jaquinzinhos do João Caetano Dias. É assim que se dá cabo do que se quer preservar: sufoca-se.

O Monstro das Bolachas por João Caetano Dias

Para que é que precisamos de um Ministério da Agricultura? Para distribuir subsídios contrata-se um banco, que o fará com eficácia alocando meia dúzia de funcionários. Uma ou duas funções necessárias de fiscalização concessionam-se. Testes laboratoriais fazem-se nas universidades. Fazia-se uma boa limpeza.

Acontece que este ministério é um excelente representante da burocracia à portuguesa. É assim “O Monstro das Bolachas”: (mais…)

Novembro 12, 2010

Da legitimidade e da abestunta

Filed under: Educação,Portugal — Helder Ferreira @ 23:42

Ontem de manhã ouvi na rádio uma coisa a propósito da educação sexual nas escolas. Um senhora dizia que há casos de pais que querem saber o que é ensinado, outros que não se interessam, outros ainda que recusam que os filhos assistam a aulas da dita educação. A seguir ouvi que um senhor da CONFAP – Confederação Nacional da Associaçõs de Pais terá dito que não tem conhecimento de recusas por parte dos pais e que “isso seria ilegítimo”. Ilegítimo. Esta abestunta (um bichinho, primo da abécula, que voa a dois milímetros do chão com os tomates a roçar pela água) diz que é ilegítimo os pais quererem para os filhos a educação que entendem melhor para eles e terem uma palavra a dizer sobre o assunto. A abécula do senhor da CONFAP é que sabe. A transviatura terá filhos, ao menos?

Novembro 10, 2010

Pois II

Filed under: Economia,Política,Portugal — Helder Ferreira @ 00:22

Hoje ouvi Pina Moura e Vítor Bento a desdramatizar* a questão do recurso ao FMI – Fundo Europeu de Estabilização Financeira. Dos meus parcos conhecimentos do assunto, não vejo de facto qual seria o problema. Se o Orçamento de Estado para 2011 já foi obviamente condicionado e, de certa forma, imposto por intervenção externa, de que é prova o pára-arranca da negociações PS-PSD com viagens a Bruxelas do PM e do Presidente do PSD, qual é exactamente o problema? Só vejo vantagens. Por um lado a possibilidade de financiamento a um custo muito mais baixo durante o necessário ajustamento que, a bem ou a mal, vai ser feito, por outro um controlo mais efectivo da execução orçamental, da qual tudo depende. Pesados os prós e contras, quanto mais adiarmos esse recurso, mais duro será o ajustamento. É melhor não esperarmos até estarmos encostados à parede.

Leitura complementar: Pois

 

* certinho, direitinho que não tardamos a pedir ajuda

Novembro 9, 2010

Não há nada como o futuro*

Filed under: Política,Portugal,Teoria — Helder Ferreira @ 22:53

Big Bang! E seis biliões de pessoas, entre elas dez milhões de portugueses, tinham emprego, viviam bem, eram felizes na terra do leite e do mel, do Estado Social. De repente, apareceu o capitalismo, o neo-liberalismo e as políticas de direita. Os empregos desataram a ser destruídos, apareceu a pobreza, a destruição do Estado Social, o caos, a fome e a peste.

É mais ou menos assim não é?

Nota: estive a ver a SICn.

* os amanhãs que cantam ou a teleologia colectivista

Pois

Filed under: Economia,Política,Portugal — Helder Ferreira @ 00:21

Vade retrum FMI por Manuel Castelo- Branco

O penúltimo parágrafo do post:

No entanto, impedir a entrada do FMI, é absolutamente critico. Só a disciplina orçamental, aceleração das reformas, corte na despesa corrente, anulação dos investimentos já comprometidos, deverá ser um imperativo nacional.

Ou seja, só o impossível, a bold, pode impedir a entrada do FMI aka Fundo Europeu de Estabilização Financeira. Sendo assim andamos a perder tempo porquê?

Nota: há ainda a aparente possibilidade de a China substituir o FEEF embora a um preço mais elevado.

Novembro 7, 2010

Smaug

Filed under: Desporto,Livros — Helder Ferreira @ 23:20

O Tolkien está no meu top três e, depois do bom trabalho feito para o cinema com O Senhor dos Anéis,  mal posso esperar que apareça O Hobbit. Sempre quero ver o que fazem com o Smaug, um dos meus personagens favoritos vá lá saber-se porquê.

Outubro 27, 2010

Porquê? ou The Hedgehog and The Fox

Filed under: Economia,Educação,Portugal — Helder Ferreira @ 23:57

Com certeza haverá outras razões porque o actual Ministro das Finanças é considerado um técnico competente, ou porque apesar de o Estado já consumir 50% da pouca riqueza que produzimos anualmente se considera não ser ainda suficiente, ou porque os dirigentes de ambas centrais sindicais preparam uma greve geral contra o Orçamento Geral do Estado para agora estarem muito preocupados por o mesmo orçamento não ser aprovado. Mas o que de facto revela porque Portugal tem tão baixo índice de empreendorismo e risco, porque é um país de “funcionários” cheios de direitos adquiridos, porque os portugueses fazem filas para adquirir a Via Verde ou o DEM para pagar a iniquidade das SCUTS, o que o revela, dizia, são a maioria dos comentários as estes quatro posts no Blasfémias.
Ajudar as micro-empresas por Carlos Loureiro
Legislar preços numa economia de mercado por João Miranda
Legislar preços numa economia de mercado II por João Miranda
Porquê? por João Miranda

A ignorância nos comentários é tão atroz que dá vontade de fugir. E é com gente desta, obrigatoriamente com um mínimo de educação formal, que se espera desenvolver um pais? Gente que não faz ideia sequer do que significa o trade-off entre preço e prazo de pagamento? Gente que demonstra não saber sequer fazer uma conta aritmética? Pode pedir-se-lhes que saibam qual é o custo de oportunidade na relação taxa de juro-desconto-prazo de pagamento, que arrisquem, que criem empresas e emprego, que saibam um mínimo de como se gere e qual é o papel das empresas? Como?
Se alguém espera que seja a educação formal e putativo empreendorismo que fará desenvolver o país, é melhor esperar sentado. Por mim, confio mais em alguém com a 4ª classe que conheça o valor do trabalho e se preocupe em ganhar dinheiro, que nesta classe educada e justificadamente ignorante.

 

Adenda meio off-topic: acabo de perceber que o CDS vota contra o Orçamento e lamenta o desfecho das negociações entre PS e PSD, assim à maneira das centrais sindicais. Definitivamente endoideceram todos de vez e o que me chateia mesmo é que não encontro as chaves do manicómio.

I WANT EVERYONE TO REMEMBER WHY THEY NEED US

Filed under: Portugal — Helder Ferreira @ 00:05

“I want every man, woman and child to understand how close we are to caos” Soa tanto a Orçamento 2011, não soa? Government 101.

Outubro 26, 2010

Break the law. Are you with me?

Filed under: Portugal — Helder Ferreira @ 01:26


Pendurem roupa na varanda, atravessem fora das passadeiras, mijem na rua, não respeitem limites de velocidade, paguem ao ESTADO fora de prazo, não paguem as SCUTS, não peçam facturas, não registem os filhos antes dos seis meses, taguem a AR, a Fundação Mário Soares e o Palácio de S Bento, passem na Via Verde sem pagar, não declarem ofertas em dinheiro, fumem nos bares e cafés, cuspam no chão, não peçam número de contribuinte para os bebés, aldrabem os contadores da EDP e das Águas e a box da Zon e da MEO, deixem caducar o BI, vão às putas, passem de carro ou de mota a queimar o vermelho, passem cheques carecas ao ESTADO.

Outubro 23, 2010

quis custodiet ipsos custodes?

Filed under: Agenda — Helder Ferreira @ 23:38

V

There is something terribly wrong with this Country, isn’t there?

Filed under: Agenda — Helder Ferreira @ 22:45

 

Remember, remember, the fifth of November…

Outubro 21, 2010

É cortar a direito

Filed under: Economia,Política,Portugal — Helder Ferreira @ 23:53

Quando o PSD lançou a iniciativa Cortar Despesas, pareceu-me uma boa iniciativa. Queixamos-nos tanto de que os Partidos estão longe das pessoas e aí está uma proposta para nos ouvir.

Saiu o relatório final e dei-lhe uma vista de olhos na diagonal sendo que me parece que há muitas propostas válidas, outras nem por isso. Detive-me na página treze em duas propostas:

  • Venda de medicamentos em unidose – o Sá Peliteiro pode explicar melhor que eu mas, dadas as regras existentes, a unidose sai mais cara que venda em caixa. Basta, por exemplo, que cada medicamento vendido tenha obrigatoriamente que ser acompanhado pela respectiva bula no “respeito” pelo princípio da informação ao consumidor. Ora em muitos casos é mais caro o fabrico da bula que do comprimido! “-Ah mas nesse caso não precisa bula”, “-Então e a lei serve para quê? Para nada? Se não precisa de bula para um comprimido, precisa para seis porquê?”. Por outro lado, ainda dentro das regras, a embalagem é inviolável desde o fabrico à venda ao consumidor na tentativa de garantir a fiabilidade do anunciado. Na unidose, não há a garantia* de que o comprimido comprado é o comprimido anunciado. Entre outras questões que se levantam que outros poderão explicar melhor.
  • Limitar a 10% as derrapagens nas obras públicas – salvo excepções que aparentemente configuram nuns casos, corrupção, noutros poucos, problemas reais, a maior parte das derrapagens devem-se ou à ineficiência e incumprimento de prazos dos serviços do estado na concessão de licenças e aprovação de projectos ou à prática terceiro-mundista destas de criar dificuldades para poder vender facilidades. Os exemplos são muitos, demasiados. Em vez de focar as derrapagens, mais vale focarem-se na eficiência/eficácia dos serviços burocráticos do estado, esses sim os maiores responsáveis pelo despautério nas obras públicas.

* Não que isso me preocupe, um selo de garantia de qualquer organismo do estado ou reconhecido por este não vale o papel em que for impresso. A única garantia que me interessa é a do mercado.

Outubro 20, 2010

Desemerdem-se

Filed under: Economia,Política,Portugal — Helder Ferreira @ 01:13

Andava a ruminar um post sobre a redução da despesa pública e eis que o Gabriel Silva se antecipa. Julgo no entanto que há algo a acrescentar. A proposta não é assim tão crua. Há uma razão prática para que seja exequível, aliás, não anda longe do que foi feito na Nova Zelândia quando da crise por que passou aquele país no início dos anos 90.

O Ministro das Finanças lida com grandes números, não faz ideia quanto gasta a Repartição de Finanças de Mafamude em papel higiénico ou ajudas de custo, ou a Ministra  da Saúde, quanto gasta o Centro de Saúde de Alguidares do Meio em seringas, pensos, medicamentos e horas extraordinárias. Uma coisa é certa, quanto mais baixo dentro da hierarquia do Estado estiver a decisão maior é o conhecimento dos potenciais desperdícios e/ou possibilidades de poupança.

Se no topo da hierarquia for tomada a decisão que dê por onde der todo e qualquer serviço do Estado tem que cortar 15% nas suas despesas, sendo que esse corte desce pela hierarquia abaixo, nada impede a exequibilidade da decisão. Há-de chegar ao escriturário que ele próprio tem que cortar. Se no fim faltarem 5% e tiver que chegar às despesas com pessoal (já descontando ajudas de custo, horas extraordinárias, etc) a escolha é simples: ou todos levam um corte de 5% nos salários ou 10% vai para o olho da rua.

O que o Ministro das Finanças tem que dizer aos outros é: cada um leva um corte de 15% no orçamento. Desemerdem-se.

Outubro 13, 2010

M.A.D.

Filed under: Economia,Política,Teoria — Helder Ferreira @ 23:00

Em resposta a este artigo na Reuters, Donald Boudreaux, professor na  George Mason University, escreveu o seguinte comentário, que achei melhor traduzir por me soar mais familiar em português. Pré-acordo ortográfico.  A retórica proteccionista tem subido de tom ultimamente, antes que seja tarde, dedico esta tradução a todos os adeptos do neo-proteccionismo (termo ouvido a Paula Teixeira da Cruz, esse génio) que parecem não ter aprendido nada nos últimos duzentos e trinta e quatro anos.

Se os governos combatessem guerras reais da mesma maneira que combatem guerras comerciais, isto seria a transcrição dos comunicados entre os líderes das nações em guerra:

Líder de Absurditopia (A): Digo-te, líder de Estupídia – exigimos que pares de ocupar esse pedaço de território em disputa. Se recusares, não teremos outra escolha senão fuzilar os nossos próprios cidadãos.

Líder de Estupídia (E) Não nos assustas! A terra é nossa. E se vocês fuzilarem mesmo o vosso povo, não vos enganeis, que nós começaremos imediatamente – e tão cruelmente como vós – a matar o nosso próprio povo. O nosso lema nacional é a coragem!

(A) Ah! Deixa-te de bluff! Eu não faço bluff. Corajosamente, acabo de ordenar às nossas tropas que liquidem a sangue frio dez por cento dos meus compatriotas. Toma lá esta.

(E) Como te atreves a atacar-vos desse modo! Não nos deixas escolha a não ser atacar-nos. Acabo de ordenar que o exército Estupidiano liquide quinze por cento de Estupidianos inocentes aqui em Estupídia. Embrulha, põe-lhe um laço e manda p’a casa!

(A) És cruel e desumano ao prejudicar-nos dessa maneira matando o teu povo. Assim, instruo todos os meus compatriotas Absurditopianos que cometam suicídio! Só então vocês malvados Estupidianos receberão o que andam a pedir e nós Absurditopianos a teremos a justiça que nos é devida.

(E) Não nos podes vencer, seu Absurditopiano! Escuta e escuta bem. Acabo de ordenar que todos os meus concidadãos – todos os Estupidianos! – cometam suicídio. Veremos quem emergirá vitorioso!

….

E um longo, longo silêncio.

Outubro 12, 2010

Dez anos

Filed under: Economia,Portugal — Helder Ferreira @ 21:36

Juro que me faz confusão o alarido à volta da aprovação do OE 2011. Sendo possível que caso o Orçamento não seja aprovado, se precipite o caos financeiro, não vejo como evitá-lo. Nada me diz que sendo aprovado o caos não se imponha na mesma.Pelo contrário, porque as contas são o que são, a realidade não se compadece com boas intenções e embora nós, portugueses, não estejamos habituados, a propaganda vale pouco na hora de os investidores se atravessarem.
São dez anos de estagnação, dez anos em que houve inúmeras possibilidades de atalhar o problema, mais de dez anos em que não faltaram avisos que a trajectória das contas públicas e do endividamento não eram sustentáveis.
Antes mesmo destes dez anos e até há pouco tempo, a ordem era gastar, gastar, gastar. Disto são exemplos o Centro Cultural de Belém, a Expo 98, o Euro 2004, as SCUT, a Auto-estrada do Pinhal Interior, o NAL, o TGV e o diabo a quatro. Gastos de ricos em casa de pobres. Porsches para quem mal ganhava para uma bicicleta.
Nestes dez anos tivemos Guterres que, quando percebeu até que ponto tinha enfurecido o monstro (em boa verdade não foi o seu criador), resolveu dar à sola. Barroso assim que apanhou uma oportunidade pôs-se a andar, Santana Lopes nunca chegou a perceber coisa nenhuma nem o que andava ali a fazer e acabámos por chegar ao descalabro completo e à total incompetência dos Governos de Sócrates. Este, mesmo não percebendo nada de coisa nenhuma a não ser dos seus próprios desejos e caprichos, lembra as discussões entre o Calvin e o Hobbes em que o primeiro, um miúdo de seis anos, quer ser o “ditador vitalício” e mandar na barraca da árvore. Faz birra, pega-se com o tigre de peluche e nunca resolve coisa nenhuma. Vai atirando bolas de neve à miúda vizinha e espalhando as folhas do Outono que o pai tem uma trabalheira a juntar.
A experiência destes dez anos devia fazer-nos reflectir sobre a urgência de resolvermos a nossa vida e nesta o Orçamento de 2011 é um detalhe. Anda-se a empurrar com a barriga e a defesa da aprovação de um OE que ninguém conhece é só mais um episódio. E daqui a seis meses quando se tiver que aprovar um Orçamento…como é que era? suplementar, não era? Voltamos ao mesmo? É aprovar ou o caos? E daqui a um ano ainda haverá Fundos de pensões para maquilhar as contas? E de chantagem em chantagem, empurram-se os problemas até à miséria final.
Em 2001, depois dos disparates inacreditáveis dos Governos de Guterres, podia ter-se começado a resolver isto e não teríamos chegado a este ponto. Mesmo que politicamente difícil, era financeira, social e economicamente muito menos duro. Não faltaram avisos. Agora, a cada dia – sim, dia – o problema complica-se. Não é uma questão de quanto pior melhor, pelo contrário. Mais vale começar já, que daqui a seis meses quando há-de ser muito, mas muito mais duro. Escolham. Seis meses são cento e oitenta dias, é demasiado tempo.

Setembro 26, 2010

Da verdade e da tanga

Filed under: Economia,Política,Portugal — Helder Ferreira @ 01:12

Há uns tempos disse a Pedro Passos Coelho que se, com ele o afirmava, fosse verdade que as políticas implementadas pelo seu PSD fossem avaliadas pelos resultados, ele teria o meu voto. Se há coisa que cansa é isto de faz-se qualquer coisa, não resulta, significa que é preciso fazer mais do mesmo. E repete-se indefinidamente sem nunca se perceber que o problema é precisamente a primeira iniciativa e consequentes repetições. Por enquanto PPC tem cumprido e pedir a avaliação dos efeitos dos PECs I e II parece-me bem.

Dito o acima garanto uma coisa: se o PSD viabilizar um Orçamento de Estado que aumente impostos, quer por votar a favor quer por abstenção, não conte com o meu voto nunca. Como contribuintes, nem eu nem a minha empresa aguentamos mais.

Setembro 18, 2010

O Admirável Portugal Socialista

Filed under: Educação,Política,Portugal — Helder Ferreira @ 00:36

O Tomás gosta muito do Senhor Primeiro Ministro. O Tomás gosta muito também do PS. O PS ajuda as pessoas, é um Partido amigo das crianças e dos jovens sem oportunidades. O Tomás gostava de estudar medicina mas não pode porque teve que trabalhar para ajudar os pais.
Quando a cria cá de casa acabar o 12º Ano inscrevo-o nas Novas Oportunidades

Setembro 16, 2010

Venda-se! (5)

Filed under: Economia,Portugal — Helder Ferreira @ 22:23

Localização privilegiada de frente para o Atlântico, delimitação estável há quase 900 anos, condóminos pacatos, otários e amorfos, território rectangular, mulheres bonitas e simpáticas, boa gastronomia. Clima ameno todo o ano. Barato. Urgente. Desconto para o ofertante que levar as onze ilhas.

Agosto 26, 2010

Eu hoje não acordei assim

Filed under: Blogosfera,Media,Portugal — Helder Ferreira @ 00:54

Cara Carla, no limite, toda a coragem é física.

Agosto 25, 2010

A experiência de Mark Boyle e o capitalismo II

Filed under: Double standards,Economia,Media,Política,Teoria — Helder Ferreira @ 20:40

The Nation That Lost Its Jobs, But Got Them Back

By Gene Callahan

[Posted November 20, 2003]

Once upon a time, there were two hippies, Jerry and Sarah. Tired of the rat race of modern life, they found a deserted valley in a remote region of the world. They moved there, with their four children. They declared that the area was now the independent kingdom of Lost Valley and seceded from the surrounding nation. Amazingly, it let them go.

The family lived a harsh life at the margin of subsistence. Everything that they needed, besides the few tools and amenities they brought in with them, they had to produce themselves. Having shovels, rakes, wheelbarrows, quality seeds, and so on made their life a good bit easier than it would have been otherwise, but it was hardly comfortable. Things did ease a bit as the children grew and did more work. (mais…)

Agosto 22, 2010

The right not to be offended

Filed under: Internacional,Política,Religião — Helder Ferreira @ 23:31

This is all about hate and Islamaphobia. – Ron Paul

De todos os políticos vivos, Ron Paul seria o último que eu esperaria ver utilizar um termo tão pobre. Não me habituei a que usasse falácias no debate e numa frase apenas encaixa várias. Uma pena.

Um erro comum entre liberais e conservadores é desprezarem os símbolos, sendo que os primeiros tendem a racionalizar tudo e os segundos a desprezar o que não entendem. Coisa que esquerdistas e colectivistas avulsos não fazem. Os adversários de liberais e conservadores conhecem bem o valor dos símbolos e utilizam-nos sempre que podem. A simbologia das coisas é importante, é através dela que a comunicação é feita. Uma letra é um símbolo, um número é um símbolo.  Neste caso não é honesto/minimamente inteligente querer branquear a simbologia da construção de uma Mesquita no Ground Zero e reduzi-la a uma questão de “direitos de propriedade” absolutos*.

O  que está em causa é antes de mais um símbolo. O local escolhido não o foi obviamente por acaso e o contexto não é despiciendo. Não sou parte interessada e limito-me a pôr-me no lugar de uns e outros. Por um lado há que olhar a simbologia da construção da mesquita com o cuidado que merece, por outro, os direitos de propriedade de quem a quer construir são indiscutíveis e não podem ser negados pelo aparato coercivo do estado, seja da cidade do Estado ou federal.  Não é uma questão simples mas, em última análise, ou a sociedade americana/nova-iorquina resolve por si a coisa ou os promotores têm o direito de a construir. Se há uma parte da sociedade contra a construção têm uma coisa simples a fazer: pôr o dinheiro onde põem a boca. Nem precisam comprar o imóvel, basta abrirem um red light district à sua volta. Comprem a vizinhança, abram bares gays, talhos de carne de porco, um canil ou dois, uma igreja (as igrejas nunca se importaram de conviver com a devassidão, pelo contrario), uma sinagoga, um bordel, casas de penhores e de agiotagem, um casino e um supermercado sem carne halal. Se não o fizerem merecem o que a Mesquita do Ground Zero representa.

Agora não me venham com ódio e islamofobia, isso é conversa para calar quem discorda. Os festejos no dia 11 de Setembro de 2001 nos países muçulumanos foram cristianofobia, americanofobia, ocidentalofobia, newyorkofobia, foram o quê? Ha, já sei. A justa celebração pela reparação do sofrimento dos povos, essa entidade mítica.

*No Atlas Shrugged de Ayn Rand, o logotipo dos cigarros fumados pelos heróis da coisa é um cifrão. Até a Rainha dos Absolutos sabia que os símbolos são importantes e não abdicava deles.

Agosto 21, 2010

Casa de borla. Grátis. Oferecidas. Mais baratas que um pastel de nata. Ninguém quer?

Filed under: Economia,Política,Portugal — Helder Ferreira @ 02:49

É aproveitar rapaziada. É tão bom, não é? No Destreza das Dúvidas

LEGALMENTE OBRIGADAS PELA CMP A MULTAS E OBRAS DE MILHARES DE EUROS, RECEBENDO RENDAS BAIXÍSSIMAS VOLTAMOS A QUERER DAR AS CASAS SITAS NO PORTO, NA R. DA CORTICEIRA, N.º 57 A 73
1.º AOS SRS. INQUILINOS
2.º À CMP / SRU / JUNTA, ETC.
3.º A INSTITUIÇÕES
4.º A QUEM AS PRETENDER
CONTACTAR MAIL: manuel.veludo.2258@adv.oa.pt
Tele/Fax 22 332 5354

Isto não é ficção. É a cópia fiel de um anúncio publicado no Jornal de Notícias a 15 de Agosto de 2010. Pode ser que alguma das pessoas que tanto defende a Lei do Arrendamento esteja interessada em alguma destas casas.

Agosto 19, 2010

Why I am not a conservative. Ácido 19810

Filed under: Política,Videos — Helder Ferreira @ 23:17

Há trinta anos, este tipo era atacado pelos Conservadores da época ao ponto de testemunhar no Congresso americano. Quem são os conservadores agora?

Agosto 17, 2010

Socialismo e sociopatia

Filed under: Economia,Justiça,Política,Teoria — Helder Ferreira @ 23:39

Tradition means giving votes to the most obscure of all classes, our ancestors. It is the democracy of the dead. Tradition refuses to submit to the small and arrogant oligarchy of those who merely happen to be walking about. All democrats object to men being disqualified by the accident of birth; tradition objects to their being disqualified by the accident of death. Democracy tells us not to neglect a good man’s opinion, even if he is our groom; tradition asks us not to neglect a good man’s opinion, even if he is our father.

Gilbert K. Chesterton

O meu avô materno, falecido em 2009, nasceu em 1911 e foi agricultor até ficar confinado a uma cadeira de rodas em virtude de problemas nas articulações nas pernas. Aos onze anos ficou órfão de pai e, sendo o mais velho de oito irmãos, tornou-se o sustento da casa. Ao longo da vida e à custa de muito trabalho foi acumulando terras e tornou-se um pequeno proprietário. Há cerca de vinte anos fez partilhas e dividiu o que tinha por seis filhos. Fê-lo nessa altura porque, sensatamente, quis evitar problemas entre os descendentes (que como sabemos são vulgares nas questões de herança) e assistir com a autoridade necessária à divisão do que possuía. Quando faleceu, o meu avô deixou dezoito netos e vários bisnetos, com tendência para aumentar o número de herdeiros.
Hoje de manhã ouvi um programa de rádio em que se discutiam os incêndios. Um senhor de nome Duarte qualquer-coisa chamava a atenção para a pulverização da propriedade em Portugal, dizendo que há cerca de meio milhão de pequenos proprietários, o que dificulta por um lado, o controle da responsabilidade pela manutenção dos terrenos/ florestas privadas e, por outro, a própria manutenção. E associava a desertificação do interior também à dimensão dessas propriedades. Concluía que a expropriação desses terrenos poderia ajudar à solução de prevenção ao agregar as propriedades tornando mais fácil o seu cuidado. Daí que “não lhe pareceria mal” que o Estado cumprisse a “ameaça” do Ministro da Agricultura António Serrano.

Isto é um exemplo cristalino do funcionamento do estado socialista. Em três gerações e à custa de uma ideia muito particular (eu diria abjecta) de igualdade, fraternidade e solidariedade, rebenta com uma tradição de heranças que, como se comprova, tinha justificação, ao mesmo tempo que destrói se necessário um país inteiro. Os responsáveis pela pulverização da propriedade e consequentes problemas não são nem mais nem menos que os governantes, o estado e a idiotice socialista. Quando a consequência da irresponsabilidade, da insensatez e do abuso bate à porta e, de acordo a cada vez mais óbvia sociopatia socialista, quer resolver roubando à descarada aqueles que já tinha roubado uma, duas, três vezes. É o admirável mundo novo dos sociopatas, mais conhecidos como socialistas ou, eufemisticamente, como social-democratas.

Agosto 14, 2010

Seiscentos e vinte e dois euros e cinquenta cêntimos II

Filed under: Economia,Política,Portugal — Helder Ferreira @ 22:28

Comentário de Luís Serpa a este post:

Há uns anos era obrigatório “dar entrada” (e “dar saída”) de uma embarcação de recreio num porto nacional, mesmo se em proveniência de outro porto nacional; essa prática sempre me irritou, por duas razões: a) se eu viesse de comboio ou de automóvel ninguém me pedia para “dar entrada” ou “saída”; b) os organismos onde era preciso “dar entrada” (Capitania, Alfândega e Polícia Marítima – enfim, o antecessor desta) eram muitas vezes longe dos portos.

Regra geral não cumpria essas formalidades, mas quando era obrigado, por qualquer razão a cumpri-las (entrada. Saída nunca fiz) dizia que o barco vinha de Madrid, Paris, Berlim, Timbuctu, Samarkanda, e assim por diante.

Acreditem se quiserem, mas em anos desta coisa nunca – nunca – ninguém estranhou que uma embarcação de vela entrasse no porto de, por exemplo, Figueira da Foz em proveniência de “Madrid”.

O costume. Velejar entre Berlim e Figueira da Foz com passagem por Madrid é um belo retrato da burocracia que nos sufoca. E dos burocratas.

Agosto 13, 2010

Seiscentos e vinte e dois euros e cinquenta cêntimos

Filed under: Economia,Política,Portugal — Helder Ferreira @ 23:18

Já devia ter desistido de acreditar que exista alguma racionalidade nas leis ou que quem as faz tivesse inteligência superior a uma amiba. Quase todos os dias sou atropelado por leis, decretos e assim, que não lembram ao mafarrico. A última foi há dois dias. Recebi uns papeis a comunicar que fomos multados em 622,50€, cortesia da GNR de Sines, porque na factura da mercadoria que seguia numa viatura da transportadora não estaria indicada a hora de carga.

Ora a coisa funciona mais ou menos assim: quando existem remessas a enviar, solicitamos a recolha a uma transportadora com quem temos contracto. Quando chega o motorista ao nosso armazém temos prontos os volumes e respectivos documentos que os acompanham – facturas. Supondo que são recolhidos cerca das quatro da tarde, seguem para o armazém da própria transportadora e no dia seguinte pela manhã (em outra ou outras viaturas) fazem o trajecto necessário até serem entregues nos clientes. Posto isto, 1) Não faço ideia da hora exacta a que a transportadora recolhe os volumes no nosso armazém 2) Estou ainda mais longe de saber a que horas saem das instalações da própria.

A partir de agora passamos a escrever nas facturas as horas de recolha mais estapafúrdias que nos ocorrer, dependendo da disposição. Pode ser às duas da manhã, às seis da tarde, ao meio dia, às onze da noite ou à meia noite e quinze.  Desde que esteja uma hora qualquer na factura já não somos multados. A alternativa é imprimir cento e cinquenta facturas na altura da recolha mas aí a hora já não bate certo, quando os volumes saírem já passou meia-hora desde a impressão da primeira.

De caminho, as alimárias que se lembraram disto podem ir ter filhos pela barriga das pernas enquanto a gente investe como se não houvesse amanhã.

Junho 25, 2010

Utilizador Pagador III

Filed under: Economia,Media,Política,Portugal — Helder Ferreira @ 00:08

A anestesia já nem sequer é surpreendente, o que surpreende é esta espécie de lobotomia colectiva. Já ninguém pensa. Não existe classe de utilizador de serviço ou infraestrutura pública que a pague como o automobilista o faz. Mas não, não chega. Faz de conta que não pagam nada para circular nas estradas e vá de invocar o princípio utilizador-pagador. Está tudo burro ou implantaram-vos um chip à nascença?

Junho 24, 2010

Utilizador pagador II

Filed under: Economia,Política,Portugal — Helder Ferreira @ 23:57

Receitas do Estado pagas pelo utilizador-pagador segundo o site da Direcção Geral do Orçamento:

Imposto sobre produtos petrolíferos e energéticos  - 2.561.000.000€ Dois mil quinhentos e sessenta e um milhões de euros;

Imposto Sobre Veículos – 981.000.000€ Novecentos e oitenta e um milhões de euros;

Imposto Único de Circulação – 130.000.000 € Cento e trinta milhões de euros;

Multas por infracções do Código da Estrada - 97.459.384€ Noventa e sete milhões, quatrocentos e cinquenta e nove mil, trezentos e oitenta e quatro euros.

Total pago anualmente pelo utilizador-pagador das vias rodoviárias portuguesas (descontando outras coisas que também pagam): 3.769.459.384€ Três mil setecentos e sessenta e nove milhões, quatrocentos e cinquenta e nove mil, trezentos e oitenta e quatro euros.

Quando falam do princípio utilizador-pagador nas SCUTs falam exactamente de quê? É que os utilizadores já as pagam e bem. Otários, é o que é.

Utilizador pagador

Filed under: Economia,Media,Política,Portugal — Helder Ferreira @ 23:34

Por Rodrigo Moita de Deus

Contribuinte – Gostava de comprar um carro.
Estado – Muito bem. Faça o favor de escolher.
Contribuinte – Já escolhi tenho que pagar alguma coisa?
Estado – Sim. De acordo com o valor do carro (IVA)
Contribuinte – Ah. Só isso.
Estado – e uma “coisinha” para o por a circular (selo)
Contribuinte – Ah!
Estado – e mais uma coisinha na gasolina necessária para que o carro efectivamente circule (ISP)
Contribuinte – mas sem gasolina eu não circulo.
Estado – Eu sei.
Contribuinte – mas eu já pago para circular.
Estado – claro.
Contribuinte – então vai cobrar-me pelo valor da gasolina?
Estado – também. mas isso é o IVA. o ISP é outra coisa diferente.
Contribuinte – diferente?
Estado – muito. o ISP é porque a gasolina existe.
Contribuinte – porque existe?
Estado – há muitos milhões de anos os dinossauros e o carvão fizeram petroleo. e você paga.
Contribuinte – só isso?
Estado – Só. Mas não julgue que pode deixar o carro assim como quer.
Contribuinte – como assim?
Estado – Tem que pagar para o estacionar.
Contribuinte – para o estacionar?
Estado – Exacto.
Contribuinte – Portanto pago para andar e pago para estar parado?
Estado – Não. Se quiser mesmo andar com o carro precisa de pagar seguro.
Contribuinte – Então pago para circular, pago para conseguir circular e pago por estar parado.
Estado – Sim. Nós não estamos aqui para enganar ninguém. O carro é novo?
Contribuinte – Novo?
Estado – é que se não for novo tem que pagar para vermos se ele está em condições de andar por aí.
Contribuinte – Pago para você ver se pode cobrar?
Estado – Claro. Acha que isso é de borla? Só há mais uma coisinha…
Contribuinte – Mais uma coisinha?
Estado – Para circular em auto-estradas
Contribuinte – mas eu já pago imposto de circulação.
Estado – mas esta é uma circulação diferente.
Contribuinte – Diferente?
Estado – Sim. Muito diferente. É só para quem quiser.
Contribuinte – Só mais isso?
Estado – Sim. Só mais isso.
Contribuinte – E acabou?
Estado – Sim. Depois de pagar os 25 euros acabou.
Contribuinte – Quais 25 euros?
Estado – Os 25 euros que custa pagar para andar nas auto-estradas.
Contribuinte – Mas não disse que as auto-estradas eram só para quem quisesse?
Estado – Sim. Mas todos pagam os 25 euros.
Contribuinte – Quais 25 euros?
Estado – Os 25 euros é quanto custa.
Contribuinte – custa o quê?
Estado – Pagar.
Contribuinte – custa pagar?
Estado – sim. Pagar custa 25 euros.
Contribuinte – Pagar custa 25 euros?
Estado – Sim. Paga 25 euros para pagar.
Contribuinte – Mas eu não vou circular nas auto-estradas.
Estado – Imagine que um dia quer…tem que pagar
Contribuinte – tenho que pagar para pagar porque um dia posso querer?
Estado – Exactamente. Você paga para pagar o que um dia pode querer.
Contribuinte – E se eu não quiser?
Estado – Paga multa.

Junho 18, 2010

Cacofonia

Filed under: Economia,Justiça,Política,Portugal — Helder Ferreira @ 01:04

Vou insistir. Ainda não percebi a retroactividade do aumento do IRS. O imposto incide sobre o rendimento anual, não é sobre rendimento mensal e só é devido em Março do ano seguinte ao qual diz respeito esse rendimento. A retenção mensal na fonte não passa de um pagamento por conta e só faz sentido por uma questão de eficiência na cobrança do imposto (e é um adiantamento que dá jeito do caraças ao estado). De acordo com a conferência de imprensa que ouvi ao Ministro, o aumento só se aplica para a parte do rendimento auferido após a data de entrada em vigor da Lei (ou do Decreto Lei ou lá o que é). Daí o mesmo Ministro ter dito que o aumento sobre o rendimento de 2010 seria de “apenas” 0,58% e não de 1% (1/12*0,7). Ora se o dito aumento só incide sobre a parte do rendimento de 2010 auferida após a entrada em vigor do “coiso”, não consigo, mesmo, perceber onde está a retroactividade. Pode até existir, mas não é de certeza pelas razões que tenho lido e ouvido.

Nota: mesmo que incidisse sobre o rendimento de todo o ano, tenho sérias dúvidas que houvesse retroactividade. O ano só acaba a 31 de Dezembro.

Maio 21, 2010

Guterraram

Filed under: Diversos,Economia,Política,Portugal — Helder Ferreira @ 00:26

Nestes dois dias, a administração fiscal deve ter andado mais à toa que uma galinha sem cabeça. Quando o Secretário de Estado dos Assuntos Fiscais (SEAF) disse que o novo IRS se aplica ao rendimento de todo o ano, disse uma evidência. Business as usual. Ora veio o PM que, pelos vistos, percebe tanto disto como eu de física quântica, dizer que não, não senhora só conta a partir de Junho ou Julho (não sei bem a partir de que mês se referia e suspeito que ele também não). Imagino que tanto o SEAF como os funcionários da DGCI e muito especialmente os que cuidam do sistema informático, hão-de ter estado à beira de um colapso ao ouvi-lo. Mas resolveu-se à portuguesa e lá veio o pobre do Ministro das Finanças desenrascar o Engenheiro Sócrates. Afinal o aumento da taxa não é de 1%, é de 0,58%. Ou seja: dividiram o aumento por doze meses e multiplicaram-no por sete – Junho a Dezembro. Para vocês para quem a aritmética é uma chatice aqui vai: (1/12)x7=0,58. Esta merda é de ir às lágrimas. De riso ou de choro.
Já agora, o Governo aumentou a Taxa Autónoma em 2009, taxa (é na realidade um imposto porque não corresponde a serviço nenhum) que incide sobre despesas como ajudas de custo, refeições, compras de automóveis, estadias, etc, com efeitos retroactivos a Janeiro de 2008. Na altura, não me lembro onde andavam as virgens ofendidas com a pretensa retroactividade do IRS, que não existiria a não ser que fosse aumentado para os rendimentos do ano anterior. Mas pimenta no cu dos outros é rebuçado, não é meninas?

Leitura complementar: Matemáticas Fiscais por jcd

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