Sobre Carlos Guimarães Pinto

Economista, consultor de gestão e comentador de coisas.

Uma grande vitória de Marcelo será uma enorme derrota da direita

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Algures no país real, marido fora, o canalizador sai de casa da vizinha às duas da manhã. Ela, em roupão de cetim, mal apertado, afirma ofegante que teve uma «inflitração». O marido acredita. A alternativa é pior.

Em Portugal existe um conjunto de eleitores que tudo o que têm em comum é não serem socialistas. Noutros países, este tipo de pessoas está espalhado por todos os quadrantes ideológicos e todo o tipo de partidos. Mas em Portugal convencionou-se chamar a este grupo de pessoas a “direita” (a partir de agora sem aspas).

Marcelo Rebelo de Sousa decidiu que tinha estes votos no bolso e que, por isso, iria lutar pelo eleitorado de Marisa Matias e Sampaio da Nóvoa.  Fê-lo porque pensa que basta estar um passito à direita do candidato mais próximo para garantir o voto de toda a direita. Marcelo tomou para si, várias vezes, a retórica da vergonha em pertencer à direita (ou seja, vergonha de não ser socialista). Alinhou o seu discurso com o daqueles que faliram o país e o farão novamente.

Dar-lhe uma vitória retumbante à 1ª volta é validar a ideia de que só essa retórica ganha eleições. Dar-lhe uma vitória retumbante à 1ª volta é enviar a mensagem ao PSD e ao CDS de que a melhor estratégia para ganhar eleições é ocupar o espaço à esquerda deixado vazio pela radicalização do PS.

O espectro partidário português já é profundamente desequilibrado hoje. Se a táctica de Marcelo for premiada nas urnas, ainda mais desequilibrado se tornará. Se o grande receio em não votar Marcelo é que Nóvoa ganhe as eleições numa segunda volta (practicamente impossível), imagine o que será uma eleição só com Nóvoas daqui a uns anos. É para isso que o voto em Marcelo contribuirá: para que haja cada vez menos alternativas não socialistas.

Enquanto a direita não demonstrar que o seu voto também pode ser perdido e que, por isso, também vale alguma coisa, continuará a ser negligenciada por candidatos e partidos. Não votar Marcelo à primeira volta é um pequeno passo para evitar isso. Com as eleições praticamente decididas (à primeira ou à segunda volta), a perda de votos à direita por parte de Marcelo é a única mensagem positiva que poderá sair de dia 24.

Para lutar por um espectro partidário que a represente, a direita tem que demonstrar nas urnas que não está no bolso de qualquer candidato que se apresente como mal menor. A direita tem que demonstrar que o seu voto também precisa de ser conquistado. A direita de bolso, que vota em todos os candidatos que se posicionam um passito ao lado do PS, tem o espectro partidário que merece.

Resumo das suas opções nas presidenciais

Se vota religiosamente no PCP, tem motivos redobrados para ir votar no padre que o PCP lançou para estas.

Se acha que a aliança PS-BE-CDU foi uma grande ideia a repetir no futuro,mesmo que o PS ganhe com maioria absoluta, tem Sampaio da Nóvoa para escolher.

Se é do PS, mas não gosta de António Costa e sente uma pequena vergonha de Sócrates, tem Maria de Belém.

Se acha que o Varoufakis é o maior, tem Marisa Matias.

Se gosta de teorias da conspiração e demagogos inconsequentes, tem Paulo Morais.

Se deseja tanto ver um empresário a presidente que nem se importa que seja um socialista enpedernido, tem Henrique Neto.

Se tem por hábito encher o seu Facebook com fotografias do pôr-do-sol e frases profundas, Jorge Sequeira é o seu candidato.

Se acha que a iliteracia é a única desculpa aceitável para se ser socialista, tem o Tino de Rans.

Se insistir muito em ir votar, mas nenhum dos candidatos anteriores o motiva, tem aquele Cândido, o único que não nos torrou a paciência nos debates.

Se votou PaF nas últimas eleições e está a pensar votar Marcelo desta vez, lembre-se que está frio, a televisão por cabo tem uns bons filmes e que terá outra oportunidade para votar nele na segunda volta. Para quê fazer o esforço de ir votar duas vezes, quando o pode eleger votando apenas uma vez?

Portugal, país de mar, marinheiros,…

… e portos geridos pelos sindicatos do PCP.

Maiores portos do Mundo

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(via @RuiJCCRodrigues)
E, por isso também, o único país Europeu com costa oceânica sem um porto na lista dos maiores do Mundo. A verdade é que com o PCP a mandar no governo, mais depressa a Suiça terá um porto nesta lista.

Quem manda no Ministério da Educação?

c945992f6987949512b50a0821220398A maioria dos alunos muda de professor e escola no final do 4º ano. Uma prova nesta altura de passagem de ciclo avalia não só os alunos, mas também as escolas e os professores. É a comparação dos resultados de final de ciclo que permite perceber o efeito dos professores e escolas na performance dos alunos. Obviamente que nem professores nem escolas gostam de um sistema que os avalie.

O ministro marioneta Tiago Brandão Rodrigues decidiu acabar com a prova da quarta classe e lançar provas no final do 2º, 5º e 8º anos (precisamente a meio de cada ciclo). Percebem agora quem manda no Ministério da Educação?

Abaixo as almofadas não homologadas

Lembra-se de quando ia de visita a Lisboa e se arriscava a ficar num apartamento cuja empregada de limpeza não estava devidamente certificada? Daquelas férias no Algarve em que ficou numa casa com mais garfos do que colheres? Lembra-se de ter sido obrigado a marcar uma estadia pelo AirBNB, a Uber dos alojamentos? Esses dias estão a acabar. O governo do PS-BE-PCP chegou para nos proteger de dormir em almofadas não homologadas.

Agora, ide votar, empenhados, em Marcelo

ng4639284Depois da medida Bolivariana do governo do PS para fazer um favor ao PCP, que ficará muito caro a todos e contribuintes e utilizadores dos transportes públicos, Marcelo reagiu dizendo que a reversão das concessões dos transportes públicos não iria afectar a confiança dos investidores em Portugal porque os contratos ainda não estavam finalizados e há muitos outros sectores abertos ao investimento. Agora, ide, votai para dar uma estrondosa vitória na primeira volta ao futuro presidente da República Bolivariana Portuguesa.

Menos um voto, Henrique Neto

Se ontem Marcelo conseguiu ultrapassar Marisa pela esquerda, hoje Henrique Neto saltou pela berma tal foi a vontade de demonstrar que é mais socialista, mais despesista do que a candidata bloquista. É importante que Marcelo não ganhe à primeira volta, mas não será votando em Henrique Neto que contribuirei para isso. Vou prestar mais atenção ao Tino.

Debate Henrique Neto – Marisa Matias hoje na SIC Notícias

1457589_996994033690606_7099031626848449389_nDepois de ontem, Marcelo Rebelo de Sousa ter conseguido o feito de ultrapassar pela esquerda a candidata da extrema esquerda, hoje é a vez de Henrique Neto a defrontar. Na SIC Notícias às 21.30.

O PS, as portagens e a nova geração de socialistas

É difícil não admirar o percurso e a visão de Tiago Barbosa Ribeiro, o mais promissor jovem deputado do PS com apenas 32 anos. Foi um dos jovens turcos que preparou a chegada de António Costa ao PS. Quando as sondagens ainda diziam que António Costa ganharia com maioria absoluta, e a ideia ainda fazia tremer quase todo o PS, foi ele o primeiro a falar de uma união das esquerdas. Sendo ele próprio ex-militante do Bloco de Esquerda, fez parte do grupo de ex-militantes e apoiantes que prepararam o caminho internamente para o que viria a acontecer.

O agora deputado estreou-se no parlamento com uma intervenção sobre as portagens na A3 ou A4. Com a linguagem colorida a que nos habituou falou do aumento das portagens na A3 e A4 “à socapa e à sorrelfa”.

Este foi um assunto que marcou o discurso de Tiago Barbosa Ribeiro nos últimos 4 anos. Em 18 de Janeiro de 2013, TBR dizia que as portagens eram “um plano de austeridade para o Norte“.

Cinco dias depois queixava-se que as portagens empurravam empresas para a Galiza.

Já em 2012 se queixava de as portagens aumentarem 2%.

Mas andemos um bocadinho mais para trás até 2010. Era Sócrates primeiro-ministro e Tiago Barbosa Ribeiro vice-presidente do PS Porto e deputado municipal pelo PS. Nessa altura o PS Porto veio a público defender a introdução de portagens em todo o país. Tiago Barbosa Ribeiro concordou em nome “dos interesses do país e da região”

Chegou a dizer mesmo numa entrevista que era a favor “de um princípio geral de utilizador-pagador” e que as “portagens nas SCUT devem avançar rapidamente”. O Algarve era uma particular prioridade para o agora deputado:

E ele até viu na introdução das portagens uma oportunidade para o Porto:

Mas isto era em 2010, com o PS a ter que governar e o grande buraco das SCUTs prestes a ser revelado. É que Tiago Barbosa Ribeiro não tem só visão e extremismo ideológico, tem também outra qualidade que lhe permitirá chegar longe dentro do PS: a capacidade de defender arduamente opiniões opostas consoante o partido que está no poder.

Henrique Neto – Marcelo Rebelo de Sousa 21.30 na SIC Notícias

Depois de ontem ter humilhado o candidato do PCTP-MRPP, Sampaio da Nóvoa, hoje é a vez de Henrique Neto debater com Marcelo Rebelo de Sousa. Hoje às 21.30 na SIC notícias. A não perder.

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Comparação dos contratos dos 3 grandes com as operadoras de telecomunicações

Para que não restem dúvidas, apesar da confusão jornalística e da propaganda clubística, fica aqui um quadro resumo dos acordos dos três grandes com a NOS (Sporting e Benfica) e MEO (F.C.Porto).

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Fontes:
Comunicado da NOS à CMVM em relação ao contrato do Benfica
Comunicado da NOS à CMVM em relação ao contrato do Sporting
Comunicado da FCP SAD em relação ao contrato com a MEO

Notas:
1) O Sporting comunicou ainda um valor acrescido pelos direitos televisivos das 3 épocas antes do acordo com a NOS entrar em vigor. Esse valor é de 69 milhões pelas 3 épocas (23 milhões por época). Somados aos 446 milhões do contrato com a NOS dá os 515 milhões anunciados pelo Sporting. O contrato com a NOS para os direitos de transmissão é para os 10 anos seguintes.
2) O Benfica tem um contrato de patrocínio com a Emirates de valor não comunicado, mas que se estima ser de 8 milhões/ano.

Uma televisão, um governo, um presidente

A resolução prematura do BANIF serve dois propósitos essenciais. O primeiro e mais importante é o de evitar o mecanismo de resolução que entrará em vigor daqui a 11 dias e que penalizaria grandes depositantes e obrigacionistas em vez dos contribuintes (já agora, seria uma investigação jornalística interessante saber quem são esses grandes depositantes e obrigacionistas). O segundo é o de alimentar a narrativa política de que havia uma bomba prestes a explodir deixada pelo anterior governo (como se os problemas do BANIF não fossem públicos há meses).

Mas a encenação tinha que ser bem feita. Não podia parecer que a resolução estava a ser feita à pressa, mas que era resultado de uma situação de emergência. A sensação de urgência tinha que pairar no ar. A TVI cumpriu esse papel na perfeição, dando a notícia do iminente colapso do BANIF (o pedido de desculpas posterior só trouxe um toque mais teatral à questão). O serviço veio da mesma estação que nessa semana transmitiu os monólogos de José Sócrates em prime-time e que se prepara para eleger um presidente da República. Já sabemos qual é a nova estação do regime.

O banco cai, o contribuinte paga, o buraco nasce

BankBailoutCartoonEXAMINERCaiu mais um. A embrulhada financeira em que o país se meteu na primeira década do século continua a revelar-se em todo o seu esplendor. Ano após ano, todas as tentativas de varrer os problemas para debaixo do tapete mostraram-se infrutíferas, adiando apenas o inevitável.

O que fascina neste caso do BANIF é que hoje temos um governo apoiado por extremistas de esquerda que andaram anos a clamar que deveria ser dado prioridade às pessoas e não aos bancos. Pegando nessa retórica, vamos aos factos: as pessoas pensionistas vão receber 70 cêntimos de aumento em 2016, o BANIF banco receberá 2,2 mil milhões; as pessoas trabalhadoras vão continuar a pagar uma (reduzida) sobretaxa, o BANIF banco receberá garantias de algumas centenas de milhões de Euros.

Mas o que mais impressiona neste caso é que, ao contrário de 2014, hoje existe a possibilidade de resolução que pouparia os contribuintes. Ou melhor, esse mecanismo entrará em vigor daqui a meros 11 dias. Se a resolução fosse feita dentro de 11 dias seriam os obrigacionistas e grandes depositantes a pagar pelo buraco do BANIF. A pressa em fazer uma resolução teve apenas um objectivo: salvar os obrigacionistas e grandes depositantes. Quem fica a perder: os contribuintes ou, na dialética esquerdista, o estado social.

Uma frente de homens decentes contra o colectivismo de interesses

Henrique Gomes, o secretário de Estado da energia que se insurgiu contra as rendas das PPPs energéticas e que acabou por ser demitido.
Luis Campos e Cunha, o ministro das finanças de Sócrates que foi demitido após 9 meses por se insurgir contra a aposta nas grandes obras públicas.
Nuno Crato, o ministro da Educação que, vindo de fora da máquina partidária, colocou Relvas fora do governo e afrontou todos os interesses corporativistas na educação.
Medina Carreira, que andou a avisar durante anos para a falência do estado português.

O que têm todos estes homens em comum para além de afrontarem os interesses instalados com um grande custo pessoal? Todos apoiam a candidatura de Henrique Neto à presidência.

PS elimina taxa que nunca existiu

hqdefauddltA sobretaxa de IRS para quem ganha menos de 7 mil euros por ano nunca existiu. Quem ganha o salário mínimo esteve sempre isento.

Mas a mesma imprensa que nos tenta meter o candidato Marcelo pela goela, também nos tenta convencer que o PS eliminou uma taxa que não existia. Haverá sempre quem caia nestas esparrelas.

Daniel Bessa apoia a candidatura de Henrique Neto

Depois de Medina Carreira, é agora a vez de Daniel Bessa apoiar o único candidato que soube, desde cedo, criticar a gestão danosa de José Sócrates. O único candidato que, não sendo de extrema esquerda também não teve nenhuma ligação a Ricardo Espírito Santo. Enfim, um candidato para quem sabe votar pela sua cabeça e não como o manipulam para votar (o que provavelmente significa que terá poucos votos).

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Porque ganham tanto os trabalhadores das empresas públicas? (II)

O Economista InsurgenteHouve um outro grupo de economistas que, apesar de não ter o currículo de um Mário Centeno, também explicou de forma simples porque é que as empresas públicas pagam tão bem e têm tão grandes prejuízos. Foi num livro lançado no ano passado, mas que ainda dará uma grande prenda de Natal este ano:
(…)Um outro foco de poder nas empresas de transportes públicos são os próprios trabalhadores. Ao contrário dos clientes, os trabalhadores podem causar efetivo dano aos membros da gestão da empresa, através de greves e manifestações. Os prejuízos de uma empresa de transportes têm pouco impacto na imagem dos governantes, mas uma grande greve que paralise cidades faz com que percam eleitores. Sem pressão do lado dos custos (suportados pelos contribuintes), a gestão de uma empresa de transportes públicos tenderá sempre a tentar agradar aos trabalhadores, para dessa forma evitar problemas para os políticos que os colocam à frente dessas empresas. Custe o que custar. E tem custado bastante: No final de 2013 a dívida acumulada das empresas públicas de transportes ultrapassava já os 17 mil milhões de Euros (Fonte: Jornal de Notícias), ou seja cerca de 1700 euros por português, ou cerca de 3400 euros por português a trabalhar.

Em resumo, temos um enorme problema de incentivos. A gestão de uma empresa de transportes públicos tem apenas incentivos a agradar ao poder político e, consequentemente, aos trabalhadores. Os trabalhadores, com tamanho poder negocial, têm fortes incentivos a exigir as melhores condições possíveis para si, independentemente do serviço prestado. O resultado desta situação é o esperado: As empresas de transportes públicos oferecem boas condições salariais e bons horários de trabalho aos seus funcionários, oferecem ainda um conjunto de cargos de gestão apetecíveis para quem consiga agradar aos partidos de poder. No final, as empresas de transportes públicos tornam-se num centro de custos que serve a todos os envolvidos (trabalhadores, gestores e políticos), excepto aqueles que deveria servir em primeiro lugar: Os clientes, e aqueles que suportam os custos, os contribuintes.(…)

Porque ganham tanto os trabalhadores das empresas públicas?

Os maquinistas do Metro de Lisboa ganham em média 2500 Euros por mês, bastante acima da média salarial do país, principalmente tendo em conta que muitos deles não têm mais do que o 9º ano. Como se explica esta situação? Não é muito complicado. Na verdade há um economista português que já explicou a situação em 2001 de forma simples e clara. Num estudo em que concluiu que os homens ganhavam mais 13% no público do que no privado e as mulheres 26.5%, esse economista explicou a razão de tal acontecer:

Ainda assim, haverá outras razões (menos recomendáveis) que também tenderão a gerar prémios salariais e que são observacionalmente equivalentes às mencionadas acima: mera extracção de rendas junto dos contribuintes; comportamento burocráticode maximização da dimensão (orçamental) dos departamentos públicos; extracção de rendas decorrentes de situações de monopólio do produto; vantagens adquiridas por situações de assimetria de informação; obtenção de vantagens eleitorais, etc.

Ou seja, os maquinistas podem ganhar mais do que os trabalhadores do privado porque vivem dos impostos destes últimos e a gestão pública não tem qualquer incentivo a controlar custos. O autor desta explicação? Mário Centeno (estudo aqui), que ainda acrescenta:

Não sendo possível avaliar a influência de todos estes factores, parece, em todo o caso, seguro avançar com a proposição de que o regime salarial dos funcionários públicos é mais vantajoso do que o dos trabalhadores do sector privado. Esta conclusão é reforçada pela constatação da quase inexistência de saídas voluntárias na função pública e pela indicação de fluxos de candidatura muito significativos sempre que são colocadas a concurso vagas na função pública

Mas isto foi, certamente, bem antes de ter visto a luz e os amanhãs que cantam.

Jerónimo patroa manda cancelar a greve do metro

hqdefaultJerónimo Costureira marcou uma greve de 6 dias. Assustou os portugueses. Agora o governo de Jerónimo patroa quer que os portugueses lhe dêem crédito por anular uma greve originalmente marcada por Jerónimo Costureira. Todo um surrealismo PRECiano.

Jerónimo patroa, Jerónimo costureira


O Jerónimo patroa faz parte da coligação de apoio ao governo. O Jerónimo Costureira organiza uma greve de 6 dias no Metro para pressionar o governo. O Jerónimo Patroa negociou o programa de governo. O Jerónimo costureira organiza uma manifestação para exigir a mudança de política que Jerónimo Patroa diz já ter negociado.

Isto vai ser muito divertido.

A burrice do dia

burro-shrekOs comentários de que que os “cofres” afinal não estão cheios porque o anteriorgoverno gastou tudo em Novembro e a reserva orçamental é de apenas 61,2 milhões de Euros.

Primeira burrice: quando se fala em “cofres cheios” fala-se em reservas financeiras do tesouro. Essas estão a rondar os 10 mil milhões de Euros (eram virtualmente zero em 2011 quando a Troika veio). O relatório da UTAO nem sequer menciona essas reservas, que se até subiram ligeiramente em 2015.

Segunda burrice: aquilo que a UTAO fala realmente é o montante que todos os anos é reservado no orçamento de estado para “despesas extraordinárias”. Esse montante é composto por duas componentes: 533,5 milhões na dotação provisional e 411,9 milhões na reserva orçamental, totalizando 945,4 milhões. Destes 945,4 milhões foram gastos até ao fim de Novembro 630, ou seja, pouco mais de dois terços do orçamentado para o ano inteiro. Do total do montante para despesas extraordinárias para o ano todo, ainda sobra 1/3 apenas para o último mês do ano. Bem sei que temos um governo PS-BE-CDU, mas mesmo assim não será de esperar que num mês se gaste em despesas extraordinárias metade do que se gastou em 11 meses.

A FENPROF acha que o trabalho dos outros é fácil

lazy-mistakesA FENPROF vai hoje ao parlamento pedir para que a profissão de professor seja incluída na lista de profissões de desgaste rápido, de forma a que os professores se possam reformar mais cedo que os outros trabalhadores sem penalização. A FENPROF acha que você, enfermeiro, contabilista, gestor, recepcionista, empregado de mesa, engenheiro de minas, cabeleireiro, tem uma vida fácil e por isso deve trabalhar mais anos do que um professor do ensino básico, não só para pagar a sua reforma, mas para pagar a antecipação da dos membros da FENPROF. Segundo a FENPROF, um professor que comece a trabalhar aos 23 anos, que tenha férias de Natal, de páscoa, mais dois meses no Verão, deve poder reformar-se aos 59 anos sem penalização enquanto você, leitor empregado de limpeza, deve esperar até aos 67 anos (ou quem sabe até aos 68 porque se uns beneficiam mais alguém terá que beneficiar menos).

A FENPROF vai hoje ao parlamento dizer que você, caro leitor, trabalha menos que um professor. Veremos se os partidos aí representados concordarão com eles. Pode ser que um dos partidos em quem votou concorde que a vida do caro leitor é bastante mais fácil que a de um professor e o condene a trabalhar mais um pouco para que os professores possam reformar-se mais cedo.

O homem de Costa nas presidenciais

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Um candidato conhecido por não gostar de Passos Coelho. Um potencial presidente que, garantido o apoio da direita, passará 5 anos a tentar agradar ao eleitorado de esquerda para garantir a reeleição. Costa tem o seu candidato. Resta a dúvida: sendo ele o candidato de Costa, em quem pode votar quem não quer dar uma vitória a Costa?

O fim da sobretaxa de IRS

Não se espera nada mais que isso do governo PS/CDU/BE. CDU e BE no parlamento votaram sempre contra os diplomas relacionados com a sobretaxa. Por diversas vezes falaram da sobretaxa como “um roubo” aos trabalhadores. Não será possível que o PCP e o BE compactuem com este roubo, ou será? Também não deverão encontrar obstáculos do lado do PS que nunca votou a favor da sobretaxa de IRS e António Costa há um ano até dizia que teria muito prazer em devolver a sobretaxa em 2016.
Está tudo bem encaminhado. A necessidade da sobretaxa de IRS foi sempre tida como uma imposição da direita austeritária. À esquerda, o assunto nem deveria ser discutido: a sobretaxa de IRS é para acabar.

Adeus ao socialismo das contas certas

dreamstimefree_29476Despede-se hoje aquele que terá sido o governo menos mau da República. Tendo entrado numa situação politicamente difícil, sendo contestado quase desde o princípio, e sem espaço orçamental para comprar votos, conseguiu ainda assim fazer algumas reformas absolutamente necessárias e libertar a economia de alguns pesos mortos. Era um país que se dizia estar no mesmo barco que a Grécia e que meros 3 anos depois estava a crescer, a criar emprego e com uma balança externa equilibrada. Claro que parte do mérito se deve a ter partilhado o governo do país com a Troika durante a maioria do mandato. O último ano, já sem a troika, foi o pior ano de governo em que o espírito reformista desvaneceu.

Mas não vale a pena criar ilusões. Este foi também um governo socialista. A despesa pública praticamente não se mexeu. O ano de 2014 foi o segundo ano da história económica portuguesa com mais despesa pública. Apenas na loucura de 2010 o governo de José Sócrates gastou mais do que foi gasto em 2014 pelo governo de Passos Coelho. 2015 será, provavelmente, ainda pior. O défice é mais baixo, mais graças a um enorme aumento de impostos. Cada português, incluindo reformados e crianças, paga hoje mais 500 Euros de impostos por ano do que em 2010. Ao contrário dos socialistas da dívida que agora voltam ao governo, estes socialistas não deixarão uma grande conta para a próxima geração. Mas socialismo de contas certas não deixa de ser socialismo. O país continua a ser um destino indesejado para novos investimentos. Este continua a ser um país em que os pequenos negócios são abafados pela regulação e pela máquina fiscal (algo que piorou bastante nos últimos 4 anos). Continua a ser um país em que o sonho de qualquer trabalhador é um contrato sem termo na função pública. É, cada vez mais, um pais em que a máquina fiscal está acima da lei, algo que os socialistas das contas certas não só não contrariaram, como reforçaram. A competência maquiavélica de Paulo Núncio será uma arma mortal para a economia com a esquerda radical no poder.

Os socialistas das contas certas foram um mal menor para o país, mas não deixaram de fazer parte do problema. Até já.

A hipoteca da menina Teresa

madonna-300x400A famíla Azevedo Pires é muito respeitada. Eles são os maiores empregadores da zona, donos de escolas, hospitais e há quem diga que até controlam a polícia e o tribunal da terra. Uma das herdeiras, a Teresa, é conhecida por esbanjar a fortuna da família em festas e bebidas para os amigos. Não tem grandes hábitos de trabalho e gasta muito mais dinheiro do que ganha. Cansada de receber os namorados em casa dos pais, decide avançar para a compra de casa. Não tendo grandes rendimentos próprios, dirige-se ao banco para pedir um empréstimo. O gerente do banco recusa esse crédito apontando a falta de rendimentos e as dívidas que a menina Teresa já acumula no cartão de crédito. A menina Teresa, desesperada, relembra o gestor do banco que pertence à família Azevedo Pires: “O meu nome é Teresa Azevedo Pires como pode ver pelas minhas iniciais no pedido de empréstimo: TAP”. Muito bem, diz o gestor de conta, se os seus pais vierem cá dar uma garantia pessoal, terei todo o gosto em garantir esse empréstimo. Os pais, claro, habituados a fazerem as vontades todas à Teresinha, acederam e ofereceram a sua garantia pessoal.

Os anos foram passando, mas a menina Teresa não mudou. Continuava a gastar mais do que ganhava. A casa, com falta de manutenção, também se foi degradando e já valia bastante menos do que a menina Teresa devia ao banco. Apesar disso, graças à garantia dos pais da Teresa, o banco ia renovando os empréstimos. Mas os pais estavam preocupados com a Teresa. Sabiam que já não podiam pagar mais as obras da casa da Teresa. E que, sem isso, eventualmente, a casa iria ruir e a Teresa acabaria na rua. Com a fama de galdéria que tinha, e com os anos e estilo de vida a retirarem-lhe beleza, a probabilidade de ela casar era cada vez menor.

Do nada, surge um pretendente. Como a Teresinha tinha fama de galdéria lá na terra, o pretendente só podia vir do estrangeiro. Os vizinhos riam-se às escondidas do pretendente que tinha vindo de fora casar com a maior galdéria da aldeia. O pretendente ser estrangeiro também não agradou aos amigos xenófobos dos pais. O pretendente não prometeu uma grande festa de casamento ou uma vida de luxo: apenas que avançaria para a remodelação da casa que estava já a cair aos bocados, a começar pela canalização que a Teresinha se queixava estar enferrujada. A Teresinha, já com muito menos saída do que nos seus anos áureos e sem vontade de ficar solteira e na rua, aceitou a proposta de casamento. Os pais, ansiosos por se livrarem do peso da filha e do risco de a verem um dia a viver na rua, suspiraram de alívio e o casamento fez-se.

O assunto parecia resolvido quando se começaram a ouvir comentários na taberna: o gajo casou-se com a filha, mudou-se para a casa dela, mas a garantia do empréstimo continua com os pais. Come a filha e os pais ainda pagam para isso, comentava-se na taberna. Os pais foram ao banco exigir que a garantia pessoal fosse extinta. O gestor do banco informou-os que o banco não tinha nada que ver com a vida pessoal da Teresinha. Ela ter-se casado não era um problema do banco. Ele só tinha dado o empréstimo mediante a garantia dos Azevedo Pires. Enquanto o empréstimo não fosse pago, a garantia mantinha-se. Os pais foram então confrontar o marido da filha. Encontraram-no com a cabeça enfiada na canalização (da casa), e confrontaram-no com a situação do empréstimo. Ameaçaram-no que se não pagasse aquele empréstimo e pedisse outro sem a garantia da família que anulariam o casamento. O marido então lembrou os pais que já tinha investido bastante na recuperação da casa, que ainda iria investir mais, e que não tinha nada a ganhar em falhar as prestações da casa. O empréstimo será pago a seu tempo e a garantia pessoal nunca será exercida, dizia ele, mas para já remodelar a casa é mais importante. Mas se quiserem, anula-se mesmo o casamento, que eu ando a descobrir umas histórias sobre a vossa filha que não me agradam muito e a remodelação da casa está a custar bastante mais do que esperei.

Os pais assustados perante a perspectiva de verem a sua filha solteirona a viver na rua, foram-se embora. O sacana do brasileiro tem razão, diz o senhor Azevedo Pires à mulher, a garantia pessoal sempre esteve lá e agora até é menos provável que seja exercida, pelo que é melhor não fazermos muito barulho. A taberna continuará a ser a taberna, independentemente do que nós façamos.

O PCP precisa de poder. O PS ajuda. Os portugueses pagam.

ng4271552O PCP quer ter empregos bem remunerados para oferecer aos seus militantes, e os portugueses pagam. Pagam directamente no preço bilhetes dos transportes públicos e indirectamente com os seus impostos para subsidiar os défices que se avolumam ano após ano.
O PCP quer continuar a fingir que tem poder nas ruas e que pode parar o país com greves, apesar de quase ninguém aderir a elas. O PCP ordena então aos seus subordinados nas empresas de transportes que façam greve, obrigando assim os milhares que lhes pagam os salários e que querem trabalhar a contribuir para os números da greve. Greves que não são lutas laborais, porque feitas por uma classe privilegiada, mas demonstrações de força do PCP. E os portugueses pagam. Pagam com faltas ao trabalho, com mais trânsito nas ruas, com mais acidentes e poluição. Pagam no dia das greves e nos dias seguintes quando pessoas fartas de repetidas greves sem sentido, desistem de utilizar os transportes públicos.
O governo anterior deu os primeiros passos para evitar que os portugueses continuem a pagar pela sobrevivência política do PCP, concessionando os transportes públicos. Fazendo com que as empresas de transportes públicos se comportem como empresas normais, preocupadas em servir os clientes em vez de agendas partidárias. Mas António Costa quer ser primeiro-ministro custe o que custar, aceitará qualquer preço que o PCP lhe imponha. Ainda mais porque não é ele, mas os contribuintes, a suportar esse preço. As concessões vão ser revertidas. E os portugueses vão voltar a pagar. Continuarão a pagar os custos de sempre de subsidiar os tachos e a agenda partidária do PCP e ainda pagarão a indemnização que as concessionárias recebrão.
Os portugueses ficarão mais pobres, os salários serão ainda mais baixos e os impostos mais altos. Tudo porque Costa quer ser primeiro-ministro e só o consegue devolvendo ao PCP o poder de infernizar a vida dos portugueses.