O Insurgente

Janeiro 9, 2009

Deputados-padeiros

Arquivar em: Comentário, Nanny State Watch — Michael Seufert @ 7:12 pm

Em tempo de crise, vá lá de dar cabo dos prazeres da vida às pessoas:

Deputados socialistas querem reduzir sal no pão

O mero facto de o teor de sal no pão (mas qual “pão” quantas centenas de diferentes pães existem!?) ser passível de se tornar alvo de lei mostra o alcance dos tentáculos do estado. Já há mais de um ano os deputados demonstraram o seu apetite em nos dar cabo do mesmo. Entretanto devem ter andado preocupados com o tamanho dos pacotes de açúcar oferecidos nos cafés.

Global Warming

Arquivar em: Diversos — Michael Seufert @ 10:14 am

Aqui na FEUP está a nevar…
Deve ser do aquecimento global.

Janeiro 7, 2009

Um bocadinho menos Horatio Caine, p.f.

Arquivar em: Comentário, Portugal — Michael Seufert @ 7:40 pm

«“criar no espírito dos magistrados e órgãos de polícia criminal (OPC) (…) dúvida séria” sobre se teria sido Carlos Cruz ou o alegado sósia a praticar os crimes que estavam a ser investigados» dá direito a um ano de prisão?

Provavelmente não estou a perceber bem a notícia. É certo que ali uma actuação pouco clara: Inês Serra Lopes é filha de um dos advogados de Carlos Cruz, e foi arranjar uma intermediária para fazer chegar as fotos ao processo, o que é no mínimo de duvidosa seriedade, mas escapa-se-me onde é que isto pode constituir matéria criminal.

Na verdade, não devem estar os investigadores dum crime sempre alerta para qualquer facto que possa pôr em causa a sua linha de investigação?

Parece que chamar a atenção para factos dessa natureza… dá prisão. Está tudo doido.

Proteger os consumidores

Arquivar em: Economia, Nanny State Watch, Política, Portugal — Michael Seufert @ 12:13 pm

Os comentários a este post, bem como as justificações da Autoridade da Concorrência para obrigar a Zon a não oferecer bilhetes para os cinemas Lusomundo, mostram o problema da intervenção do estado em fixação de preços, promoções e demais campos da economia privada.

Desde logo porque se parte do princípio que o consumidor segue um padrão idealizado pelos reguladores. A oferta de bilhetes pela Zon só prejudica a Medeia, se o consumidor seguir um padrão de muitos possíveis. A saber: vou uma vez por semana ao cinema à Medeia, mas como a Zon passa a oferecer bilhetes e passo a ir à Lusomundo e deixo de ir à Medeia.

Só que o consumidor não é um autómato, e nem sequer é idealizável por burocratas, para estes preverem as suas acções. Há por exemplo o cinéfilo que tem que contar os seus tostões. Como tal, quando quer ir ao cinema, escolhe metade das vezes a Zon, metade das vezes a Lusomundo. Mas gostaria de ir mais vezes. Com a nova promoção, pode ir uma vez por semana de graça à Lusomundo, e as restantes vezes fazer as escolhas que entender, consoante o seu orçamento. Se mantiver o seu padrão de escolhas a Medeia não nota a influência da promoção da Zon. Mas até pode passar a ir sempre à Medeia, por “esgotar” a sua vontade de filmes Lusomundo com as ofertas da Zon. Neste caso a Medeia acaba por beneficiar dos bilhetes grátis para a concorrência.

Há ainda o cliente que não vai ao cinema, começa a ir graças às ofertas da Zon, ganha o gosto e passa a ir à Medeia quando esta apresenta um filme de que gosta.

E há ainda o cliente que vai ao cinema quando quer e pode, conforme os filmes mais gosta, e as salas que lhe apetece. Com a oferta vai à Lusomundo mais vezes, odeia os cinemas e reconhece que a Medeia tem o melhor serviço, facto que publicita entre os amigos.

E há o cliente que… Enfim, há para todos os gostos!

Para a AdC e a Medeia, oferecer bilhetes aos clientes Zon, lesa os consumidores. Não se percebe como é que receber um bilhete de cinema gratuito por semana, só por ser cliente Zon, pode lesar o consumidor. O que lesa de certeza é deixar de o receber. Mais, não se vê como é que proibir a promoção interefere na “posição dominante” da Zon.

Curioso é que a Medeia também oferece bilhetes.  Quem pagar 5€ + 175€/ano, recebe o máximo de dois bilhetes por dia. Simplesmente na oferta da Medeia não há acesso TvCabo incluído.

Janeiro 5, 2009

Frases da entrevista de Sócrates na SIC

Arquivar em: Comentário — Michael Seufert @ 10:20 pm

Não vi tudo, mas retive:

«O critério para fazer investimento público… é o investimento ser bom ou mau!»

«Não quero arriscar a falência dum banco em Portugal.»

«O investimento do estado é moralmente obrigatório.»

Além disso uma irritante obsessão por “aqueles que acham que o estado não deve fazer nada” e pelo facto de que “ninguém conseguia antecipar a crise”.

Bruxelices

Arquivar em: União Europeia — Michael Seufert @ 1:23 pm

Este texto, além de começar com uma frase - assustadoramente - programática, é ele todo um manual sobre o que está mal na Europa e como os Bruxelistas a andam a matar.

O último Conselho Europeu, por exemplo, serviu para «dar à Irlanda a oportunidade de provar que a democracia directa pode funcionar, desde que os cidadãos estejam informados e conscientes das verdadeiras questões em jogo.» Belo jogo, esse da democracia directa: só funciona se o resultado for o previamente combinado em Bruxelas.

Patrícia Cadeiras defende, com todo o direito, o Tratado de Lisboa no qual aliás colaborou como assessora da presidência portuguesa. Pode ser que por isso o seu espírito crítico esteja toldado, mas não é sério, como têm feito todos os Bruxelistas, transformar a ratificação numa obrigação dos estados-membros. Se a ratificação é apenas para inglês ver, acabe-se com as ratificações e dê-se a Bruxelas o poder para compulsivamente obrigar à implementação dos tratados.

Janeiro 4, 2009

Adoro frases programáticas

Arquivar em: Blogosfera, Nanny State Watch, União Europeia — Michael Seufert @ 10:29 pm

Dezembro 26, 2008

É gastar, ó faxabor!

Arquivar em: Comentário, Internacional — Michael Seufert @ 1:01 am

O dinheiro do pacote de ajudas americano era para salvar bancos. Mas como em casa que dá esmola, os pobres nunca faltam, as empresas automóveis também queriam uma fatia do dinheiro dos contribuintes norte-americanos. Foram pedinchar, mas o representantes dos contribuintes decidiram que não davam.

Mas tudo tem solução!

Federal regulators will permit the financing arm of General Motors to become a bank and gain access to billions of dollars in government aid, a crucial step that will help ensure the survival of the company.

Espetáculo!

Dezembro 24, 2008

Feliz Natal

Arquivar em: Diversos — Michael Seufert @ 3:34 pm

A todos os pseudo-indivíduos que constituem o Colectivo Insurgente e a todos os leitores deste pasquim, um Feliz Natal, com todos o que amam e com muita saúde.

O meu irmão deve aterrar no Porto daqui a meia-hora, entretanto chegarão os meus tios, que este ano o Natal é cá em casa; os meus pais já chegaram ontem, e assim se junta a família para um Natal como deve ser.

Dezembro 22, 2008

Ponzi-coisas

Arquivar em: Cartoons, Teoria — Michael Seufert @ 12:12 pm
Madoff-vs-Social-Security

Via Mark Perry.

Dezembro 21, 2008

Serviço público

Arquivar em: Videos — Michael Seufert @ 11:02 pm


A música da publicidade do Corte Inglês. Lisa Mitchell - Neopolitan Dreams

Dezembro 20, 2008

Não percebi

Arquivar em: Blogosfera, Comentário, Portugal — Michael Seufert @ 7:30 pm

Este texto é escrito por Augusto Santos Silva, ou é escrito sobre Augusto Santos Silva?

Dezembro 18, 2008

Salário mínimo é ilegal

Arquivar em: Portugal — Michael Seufert @ 12:51 am

De acordo com a decisão do Tribunal do Comércio de Lisboa, “a fixação dos preços faz parte da liberdade contratual do prestador do serviço e do respectivo cliente”.

Não encontra este tribunal “qualquer justificativo para que seja imposto (por uma entidade terceira que não está inserida no circuito prestador/comprador) ao primeiro, e consequentemente, também ao segundo”.

Para o Tribunal do Comércio de Lisboa, “a fixação do preço deve resultar apenas e tão só do livre jogo do mercado, tendo embora que respeitar certas regras e princípios, regras essas que visam regular o funcionamento do mercado e não colocar-lhe entraves e introduzir-lhes distorções”.

(destaque, um bocado parvos, no original)

OK, só se refere ao salário mínimo dos dentistas, mas é um começo…

Dezembro 16, 2008

And now for something completely different

Arquivar em: Diversos — Michael Seufert @ 8:12 pm

É favor escrever “french military victories” no campo de pesquisa do Google, e carregar “Sinto-me com sorte”
:D

Dezembro 13, 2008

Coisinhas simples (?)

Arquivar em: Economia, Teoria — Michael Seufert @ 3:36 pm

Aumentar o investimento público para criar emprego, é como levantar a mesada ao filho para aumentar a riqueza da família.

Dezembro 12, 2008

Adoro frases programáticas

Arquivar em: Diversos, Media, Nanny State Watch, Política, Portugal — Michael Seufert @ 5:17 pm

«Ainda por cima é a RTP, a televisão pública, a fazer uma coisa destas. E, depois, logo à noite, não sai a reportagem.»
Ana Jorge ministra da Saúde, ao jornalista que ousou fazer perguntas “que não estavam combinadas”.

Dezembro 10, 2008

Keine Macht den Fhelern

Arquivar em: Blogosfera, Diversos — Michael Seufert @ 11:22 pm

Wie Rita Dantas netterweise hier erwähnt, hat sich bei einigen Texten der Serie “Steuerzahlen macht frei” der Fehlerteufel eingeschlichen. Es gab tatsächlich einen Buchstabentausch, der sich dann wohl durch copy-and-paste verbreitet haben muß. Während in diesem Text der Titel noch stimmt, erscheint ab ebendem das ‘a’ mit dem ‘h’ vertauscht. (Zur Strafe Hélder, schreibst Du den Titel fünfzig-mal auf. Copy-and-paste gilt nicht!) Ohne unsere aufmerksame Leserin wäre der Fehler ungesühnt davongekommen. Und trotzdem bleibt ein grammatischer Fehler, den die Leserin erwähnt, unentdeckt.

Para aqueles com fracos conhecimentos de línguas estrangeiras, uma tentativa de tradução:

Os eros são uma merda

Como a Rita Dantas simpaticamente aqui refere, o demónio dos erros inflitrou-se nalguns posts da série “Steuerzahlen macht frei”. De facto houve uma troca de letras, que se deve ter propagado por copy-and-paste. Enquanto neste post o título ainda está bem, nos subsequentes o ‘a’ e o ‘h’  aparecem trocados. (De castigo Hélder, escreves o título cinquenta vezes. E não vale copy-and-paste!) Não fosse a nossa atenta leitora, a troca das letras teria ficado impune. Ainda assim fica por descobrir um erro gramatical que a leitora refere.

Dezembro 5, 2008

As maravilhas do investimento público

Arquivar em: Comentário, Economia, Teoria — Michael Seufert @ 2:14 pm

Uau, espectáculo, segundo a teoria tão em voga de que o investimento público é bom para a economia, esta notícia que dizer que a Casa da Música foi 230% melhor para o país do que a estimativa inicial, viva!

Ricardo Sebastião, em comentário a este post.

Dezembro 4, 2008

Outra canção de amor - sem pretensões

Arquivar em: Diversos, Videos — Michael Seufert @ 10:52 pm

Jarabe de Palo - Agua

Còmo quieres ser mi amiga
si por ti darìa la vida,

(mais…)

Ainda a ignorância na política

Arquivar em: Economia, Política, Teoria — Michael Seufert @ 11:22 am

Lembra o Tiago Loureiro:

Normalmente, a desculpa da criação de emprego aparece para esconder a duvidosa utilidade da construção de determinado empreendimento.

Mais do que isso, acreditar que os empregos criados pelas obras públicas representam um aumento linear no número de pessoas empregadas é falsa. O dinheiro dos contribuintes gasto para criar um emprego no âmbito das obras públicas, é dinheiro que deixa de ser utilizado para gerar emprego noutra área qualquer. Bastiat explica isso muito bem.

Bastiat, esse perigoso neo-liberal do século XIX.

A ler também: A ignorância na política

Uma canção de amor - sem pretensões

Arquivar em: Diversos, Videos — Michael Seufert @ 12:00 am

Uma canção de amor - sem pretensões

Dire Straits - Romeo and Juliet

A lovestruck romeo sings the streets a serenade
Laying everybody low with a lovesong that he made
Finds a convenient streetlight steps out of the shade
Says something like “You and me babe how about it ?”
(mais…)

Dezembro 2, 2008

A ignorância na política

Arquivar em: Economia, Política, Teoria — Michael Seufert @ 6:36 pm

José Sócrates ficou muito satisfeito com o plano de relançamento da Economia proposto pela Comissão Europeia. É pena, mas não é nada de novo. Para Sócrates este plano é a tábua de salvação das obras de regime que quer impôr ao país na figura do novo aeroporto de Lisboa e do TGV. Quando a maré da opinião pública podia virar contra a megalomania do primeiro-ministro, vem a CE rematar com o pior dos argumentos: o investimento público cria empregos.

Já sabemos que Sócrates dá muito valor ao show e às palavras, e pouco à substância e à verdade, mas o que é demais é moléstia. Poderemos achar que é má fé, ou ignorância que levam o primeiro-ministro e os oficiais de Bruxelas a defender este disparate. Em qualquer dos casos, estamos perante mais um exemplo de como os tempos que vivemos (no passado e no presente) nada têm de liberais e, ainda pior, são pautados por uma profunda ignorância de matérias económicas - dos decisores e da inerte opinião pública.

No pensamento político em geral e no económico em particular, considero ser fundamental a existência dum quadro de pensamento que sustente as nossas afirmações. Esta moda que se instalou do falar sem pensar e do dizer sem saber é um sintoma da mediatização ou sound-biteização da vida política no mundo. Os governos parece que decidem conforme lhes dá: Sócrates quer o carro eléctrico, as eólicas e as grandes obras públicas, mas não se percebe qual o fio condutor para as políticas. Qual é o modelo económico que orienta o pensamento de Sócrates? A sensação é que não há nada a médio-longo prazo. “As eólicas ajudam à independência energética”, “imaginem uma cidade inteira só com carros eléctricos, sem poluição e sem ruído”. Sou só eu que acha isto muito pobre?

Mas o que mais preocupa é quando as justificações dadas demonstram que o pensamento que apesar de tudo há, é um pensamento errado e que prejudica o país.

Voltemos à questão da criação de emprego. Alguém realmente acredita que o governo gastar dinheiro em nome dos contribuintes cria emprego? Se fosse assim tão fácil, o mais lógico seria entregar todo o dinheiro aos governos, para eles se encaregarem da criação de emprego. A única cabeça pensante nesta matéria foi mesmo Manuela Ferreira Leite , quando disse que acreditava que tais obras públicas apenas baixariam o desemprego de ucranianos ou cabo-verdianos. Expressou-se mal, porventura, mas MFL tem razão: o efeito de obras públicas sobre o desemprego é o de empregar quem trabalha na construçao civil. Isto parece uma verdade de La Palisse mas não é. A questão é que nos esquecemos do reverso da medalha: por cada emprego criado na construção civil não é criado um emprego noutra área da economia.

O dinheiro não cai do céu. Logo o dinheiro gasto pelo querido governo em obras públicas deixa de ser gasto pelo governo (ou, percamos a cabeça: pelos cidadãos) noutra coisa qualquer. Isso faz com que o efeito para o desemprego seja zero. Pior, é de supor que seja negativo: alguém tem que organizar um esquema para recolher o dinheiro, alguém é pago para o recolher, depois tem que ser gasto dinheiro em estudos e esquemas para distribuir esse dinheiro pela obras. Estes burocratas (e estes sim criados pela intervenção estatal) não produzem qualquer serviço ou bem útil para a economia, e também nunca entram nas “contabilizaçãoes” de empregos gerados pela bondade do governo em gastar o dinheiro dos outros.

Claro que os empregos não-criados por intervenção estatal não têm sindicato, não têm lóbi nem amigos do primeiro-ministro no conselho de administração (razão pela qual também os prejudicados pelo salário mínimo não se “vêem”). Por isso o dinheiro gasto em obras públicas será sempre “bem gasto”: há ali obra, há substância, há visão, há futuro, há emprego! Sócrates de peito feito a lançar a primeira pedra de Alcochete-Jamé e a declarar o fabuloso investimento que o estado fez, o esforço que o estado investiu (esforço alheio, evidentemente) e a quantidade estupenda de empregos criados, tudo isto é visível, palpável e faz capas de jornal. E se não gera emprego, gera aplausos de alguns idiotas úteis

Dezembro 1, 2008

Why are Wages low in developing countries?

Arquivar em: Economia, Internacional, Teoria — Michael Seufert @ 9:22 pm

Porque hoje é…

Arquivar em: Portugal — Michael Seufert @ 5:52 pm

E porque hoje é…

Arquivar em: Diversos — Michael Seufert @ 1:38 pm

Novembro 27, 2008

Não sei porquê…

Arquivar em: Blogosfera, Comentário, Desporto — Michael Seufert @ 10:32 pm

Mas achava que o Paulo Pinto Mascarenhas ia fazer um post com um tipo qualquer a surfar ou a golfar. Afinal não. Mas se precisares de ajuda, tenho a certeza que o Hélder dá uma mãozinha…

Novembro 26, 2008

E do nada, um raio de lucidez

Arquivar em: Nanny State Watch, Portugal — Michael Seufert @ 10:11 pm

8 December, No means No!

Arquivar em: Internacional, Política, União Europeia — Michael Seufert @ 9:28 pm

Neo-liberais duma figa (3)

Arquivar em: Economia, Internacional, Política, Teoria — Michael Seufert @ 3:38 pm

As mais hilariantes [reacções à crise financeira] são aquelas que não reconhecem que o rei vai nu. São reacções que branqueiam o que se está a passar, continuam a defender cegamente a economia de mercado desregulada e a liberalização financeira total que levou o sistema à ruína.

António Costa e Silva no Blogues da Fundação Res Publica

Provavelmente eu e o António íamo-nos dar bem. Eu pelos vistos faço-o rir e ele faz-me, pelo menos, sorrir. Como já escrevi no passado, não temos, nem nos mauzões dos EUA, um sistema liberal. Achar que sim, é não saber muito sobre o liberalismo. Não tem mal nenhum, mas ajuda a querer discutir o liberalismo.

No von Mises Institute, temos uma abordagem ainda mais aprofundada. O autor, George Reisman, conclui que «The ability of the media to ignore all of the massive government interference that exists today and to characterize our present economic system as one of laissez faire and economic freedom marks it as, if not profoundly dishonest, then as nothing less than delusional.» Como o António Costa e Silva associa capitalismo laissez-faire à “direita”, aponto mais uma característica que Reisman esqueceu: a ignorância.


The utter absurdity of statements claiming that the present political-economic environment of the United States in some sense represents laissez-faire capitalism becomes as glaringly obvious as anything can be when one keeps in mind the extremely limited role of government under laissez-faire and then considers the following facts about the present-day United States:

(mais…)

Princípio de Seufert

Arquivar em: Economia, Teoria — Michael Seufert @ 1:36 pm

Haverá um princípio de Peter para os impostos?

É de mim, ou os impostos são aumentados, aumentados e aumentados, até que, em tempo de crise, alguém reconhece que faz sentido baixá-los - temporariamente - para incentivar a economia?

Formulo, portanto, o princípio de Seufert para os impostos:

Numa sociedade em que o estado fornece a maior parte dos serviços públicos, os impostos são aumentados até a economia entrar em crise. Uma baixa de impostos nessa situação será temporária, de modo a poder ser reposto rapidamente o nível de impostos que permite a maximização de receita pública, antes de nova crise.

Tem graça como é que só se reconhece a bondade da baixa de impostos em tempo de crise, ignorando os seus benefícios quando a economia floresce. A economia está constantemente agrilhoada pelos impostos, e quando cresce, cresce apesar dos impostos. Aquele benefício que se reconhece em tempo de crise corresponde a um diferencial face ao crescimento possível em tempo de crescimento e alta de impostos.

Claro que essa baixa só tem efeitos positivos se for feita mantendo o deficit constante, isto é, baixando a despesa pública. Senão, o que se está a fazer é a pedir a baixa dos impostos emprestada, para esta vir a ser paga pelos impostos futuros. O que acontece é que em crise nunca são eliminados postos de trabalho na função pública. Antes pelo contrário, os estados acham que é esta a altura de incentivarem a criação de postos de trabalho via investimento público, desconhecendo que apenas mudam o dinheiro de bolso mas não de impacte na economia e portanto não estão a criar coisa nenhuma.

Novembro 21, 2008

Ainda a venda de órgãos

Arquivar em: Comentário, Teoria — Michael Seufert @ 4:38 pm

O tema da venda de órgãos, tal como já referi neste post, é polémico e geralmente gera reacções muito vivas.

O Luís Marvão, por exemplo, acusa o “Mundo Insurgente” de estar nos “antípodas do Humanismo”. E de ser reducionista por reduzir a vida humana à “liberdade de poder comprar e vender”.

Já o LPedroMachado, achava que eu estava a reeditar o pensamento das campanhas pró-aborto, ao dar como argumento a existência dum mercado negro para mudar a lei.

Em relação à comparação do aborto, a questão é sempre a mesma: se damos ou não à criança o estatuto de ser humano vivo. Se não damos, então nada de mal em abortar, se damos, então tudo mal.

Nesta questão dos órgãos trata-se do mesmo: não vejo nada mal em tirar dos meus órgãos para os dar a outrém. E não vejo o que é que o estado tem a ver com isso. Mas se falarmos em ir roubar um rim a um vagabundo para o vender (ou oferecer, já agora), então é algo completamente diferente, porque estamos a violar o direito de cada um à sua auto-determinação. (Se quisermos falar em auto-propriedade: estamos a violar a sua propriedade.)

Nos casos voluntários, onde há mútuo consenso, apenas a vontade de um terceiro impede a legalização. Dois indivíduos entendem-se e chegam a acordo, mas o estado mete a colher e proíbe esse entendimento de se concretizar. (Mas permite a doação voluntária entre familiares.)  A questão moral deve ser julgada como o Carlos Novais a põe: por condenação social e não estatal. Pessoalmente, faz-me muita confusão que alguém venda ou compre um órgão.

Já os casos de roubo de órgãos serão sempre ilegais e imorais, haja a criminalidade associada que houver, porque é fundamento do estado proteger a vida do seu humano. E se abstrairmos a vida como direito de propriedade dum indivíduo sobre si mesmo, falaremos do dever do estado (outro dever fundamental) a proteger a propriedade privada. No fundo portanto, são ambos lados da mesma moeda. (Admito, caro Luís, que isto não pareça muito humanista. Mas na minha opinião é. Isso, claro, não vincula mais ninguém aqui no Insurgente, e nem sei o que pensam os meus caros colegas sobre estas coisas.)

Tão pouco isso tem que ver com reduzir a vida humana à liberdade de comprar e vender. Mas se falar em reduzir o estado a essa esfera e à protecção da propriedade, já era um grande passo. A vida humana esgota-se nisto? Claro que não. Mas o estado não se devia preocupar com a vida humana para além duma esfera muito reduzida. O resto é com os humanos…

Novembro 20, 2008

Peak Oil

Arquivar em: Economia — Michael Seufert @ 3:01 pm

Transplante de órgãos remunerado

Arquivar em: Internacional, Teoria — Michael Seufert @ 12:41 pm

Singapore is to allow compensation for kidney transplants and for eggs. A government proposal has been approved by a bioethics committee and legislation will be introduced early next year. The committee declared that reimbursement for kidney donation was acceptable as long as it is not “an undue inducement, nor amounting to organ trading”.

(via)

São boas notícias para os singapuranos. O facto de haver um mercado ilegal para órgãos humanos, como aliás é reconhecido pelo governo de Singapura, é esse mercado ser… ilegal. Como com as drogas, a ilegalização da venda dum bem não acaba com a procura, apenas aumenta os preços e, no caso dos órgãos, incita às más condições e à violência. Claro que a oferta e a procura não se encontrarão no ponto ideal, porque o governo decidiu fixar os preços, e porque não se trata bem dum mercado, mas dum sistema de conpensações a quem decida doar. Igualmente difícil será definir “fim indevido” e “tráfego de órgãos”.

Em todo o caso a medida permite cumprir um, polémico, fundamento da sociedade livre, que é a auto-propriedade, isto é, a propriedade do indivíduo sobre si mesmo.

Novembro 18, 2008

Ponto de ordem à mesa!

Arquivar em: Política, Portugal — Michael Seufert @ 9:25 pm

Manuela Ferreira Leite estava a ser irónica, como se percebe da gravação da TSF.

O empolamento das declarações, obrigado Luís Filipe Menezes, pode parar e podemo-nos concentrar na questão no que ela queria dizer: A Sócrates, o que dava jeito, era meio anito sem “rua”.

Novembro 17, 2008

On the lighter side…

Arquivar em: Educação, Política, Teoria, Videos — Michael Seufert @ 10:18 pm

Dedicado a Marilu Rodrigues.

ADENDA: O vídeo inicial não aceitava embedding. Obrigado André.

Tem graça…

Arquivar em: Diversos — Michael Seufert @ 9:09 am

Novembro 10, 2008

BREAKING NEWS

Arquivar em: Diversos — Michael Seufert @ 10:08 pm

Associação de consumidores denuncia:

Bancos têm estratégias para subir margens de lucro

A mesma associação vai agora investigar se há mais empresas com essas estratégias, e como as combater.

Peter Schiff on motor city

Arquivar em: Economia, Teoria — Michael Seufert @ 1:17 pm

Ou, porque é que o governo nunca pode salvar empregos, apenas proteger os mais influentes à custa dos menos influentes.

Novembro 7, 2008

Serviço Público

Arquivar em: Comentário, Media, Portugal — Michael Seufert @ 12:08 pm

A RTP está a assinalar os 75 anos de “A Canção de Lisboa“, e mostra estas duas cenas:

É pena é serem cenas d’”O Pátio das Cantigas“.

Novembro 6, 2008

Bem visto

Arquivar em: Comentário, Internacional — Michael Seufert @ 12:00 am

O Paulo alerta aqui para algo que provavelmente irá acontecer:

mais cedo ou mais tarde seremos “nós” a defender Obama dos seus actuais apoiantes.  Roma não pagava a traidores, e a esquerda europeia tem parecida atitude quanto a americanos.

Novembro 5, 2008

Sócrates em grande

Arquivar em: Política, Portugal — Michael Seufert @ 5:58 pm

Na AR Sócrates acaba de dizer que o estado não ia nunca buscar o depósito da Segurança Social (ADENDA: no BPN), porque sabe que os seus depósitos, tal como o dos portugueses, estão garantidos.

Por quem?

Yes We Can!

Arquivar em: Política, Portugal — Michael Seufert @ 5:21 pm

A mudança é possível. Basta acreditar.

Está aí a vaga de fundo para as próximas campanhas eleitorais:

outdoor-8x3mnew_final2

Daqui.

Let’s call it a night

Arquivar em: Eleições EUA 2008 — Michael Seufert @ 3:03 am

Algures noutra zona horária o Carlos deverá estar a acordar e vai pegar nisto de fresco.

A ele e aos restantes insurgentes resistentes, votos de bom posts!

Done deal

Arquivar em: Eleições EUA 2008 — Michael Seufert @ 3:01 am

Com as recentes projecções confirma-se a vitória de Obama.

Nada de novo, mas ainda assim foi emocionante acompanhar os resultados. Mesmo sem um candidato que me entusiasmasse, estas eleições foram um evento espetacular.

Não deve ter havido recentemente dois candidatos tão fortes nos EUA. E ganha aquele que, a meu ver, é o mais fraco e o mais over-hiped. Como graçola relembraria que ganha o que - de longe - mais dinheiro gastou e o que mais influência teve nos media. O mais capitalista, portanto.

Mas a campanha de Obama foi a campanha do século XXI: pouca substância, muita emoção. Muitos estereótipos, pouco carácter. Vamos ver mais disso nos próximos anos, em todo o mundo.

O que também veremos é a ressaca da Obamania na Europa socialista. Obama é, apesar de todas as políticas que promete, um tipo de direita na nossa concepção. Assim sendo todos os que vêem nele uma espécie de messias dos americanos fixes, vão (como nunca fizeram com Kennedy, mas deviam) perceber que Obama é, primeiro, líder da América. E a América de Kennedy produziu Nixon, a de Carter deu Reagan e da de Clinton veio Bush.

São todas a mesma.

Ohio

Arquivar em: Eleições EUA 2008 — Michael Seufert @ 2:35 am

Ohio para Obama.

“Nunca nenhum republicano ganhou sem o Ohio.”

Nem hoje…

Minnesota

Arquivar em: Eleições EUA 2008 — Michael Seufert @ 2:09 am

O Minnestoa para Obama é a primeira contradição com a previsão de Karl Rove que previa um landslide a favor de Obama.

E a previsão de Rove era o Minnesota para McCain…

Mais ainda…

Arquivar em: Eleições EUA 2008 — Michael Seufert @ 2:01 am

Rhode Island, Michigan, Wisconsin, Minnesota, New York para Obama, Wyoming e North Dakota para McCain.

Alabama

Arquivar em: Eleições EUA 2008 — Michael Seufert @ 1:59 am

McCain, no surprise.

Vêm aí 15 estados…

Pensilvânia

Arquivar em: Eleições EUA 2008 — Michael Seufert @ 1:41 am

Com a CNN ficam todas as cadeias a projectar a vitória de Obama na Pensilvânia.

A noite começa a acabar.

Quanto ao sistema

Arquivar em: Eleições EUA 2008 — Michael Seufert @ 1:30 am

Acho que o colégio eleitoral faz todo o sentido.

O winner-takes-it-all não me agrada, mas penso que deve ser competência dos estados…

CNN

Arquivar em: Eleições EUA 2008 — Michael Seufert @ 12:18 am

Estou a seguir a CNN na televisão.

Acaba de haver um momento Star Wars… Só visto.

Virginia

Arquivar em: Eleições EUA 2008 — Michael Seufert @ 12:07 am

Se o Indiana cair para McCain (nos resultados contados McCain acaba pela primeira vez por ultrapassar Obama), poderá ser a derrota republicana na Virgínia a ditar o tom da noite.

Indiana

Arquivar em: Eleições EUA 2008 — Michael Seufert @ 12:02 am

Taco-a-taco.

Entretando a CNN da a vitória de Obama no Vermont, e de McCain no Kentucky.

Nenhuma surpresa…

Novembro 4, 2008

Primeiros resultados

Arquivar em: Eleições EUA 2008 — Michael Seufert @ 11:04 pm

Agora mesmo, às seis da tarde Eastern Time, fecharam as urnas no Indiana e no Kentucky.

Os primeiros resultados vão aparecer agora.

Ambos os estados deverão votar McCain. Se perder um dos dois, isso deverá significar que vai perder a eleição.

Uma longa noite

Arquivar em: Eleições EUA 2008 — Michael Seufert @ 10:50 pm

Esta noite promete ser particularmente longa. A CNN mostrou filas de várias horas à porta das secções de voto na Virgínia…

Countdown

Arquivar em: Eleições EUA 2008 — Michael Seufert @ 10:38 pm

Quando este relógio chegar às 6 pm, deveremos ter as primeiras projecções.

Está quase.

Novembro 3, 2008

Liberalismo aplicado

Arquivar em: Internacional, Teoria — Michael Seufert @ 11:21 pm

Bravo(s)

Arquivar em: Comentário, Internacional, Política — Michael Seufert @ 10:43 pm

Há democracias e democracias. Veja-se a Alemanha, por exemplo:

No Land de Hessen, o SPD não conseguiu maioria para governar nas últimas eleições do estado. Nem com o apoio dos Verdes chegava. Com o apoio do Partido de Esquerda já dava, mas isso tinha sido prometido aos eleitores que não iria acontecer. Promessa é promessa!

Mas políticos são políticos, e Andrea Ypsilanti foi tentar na mesma ser eleita Ministra-Presidente na Assembleia Legislativa de Hessen. A panela estava feito, e os deputados do SPD, dos Verdes e do Partido de Esquerda garantiam - à justa! - a sua eleição.

Não fora uma deputada do SPD decidir que não apoiaria a mentira eleitoral: com o apoio do PE não!

Dagmar Metzger tornou-se assim numa espécie de menina-feia da SPD, mas de rainha da palavra dada. Votaria contra - e admitiu-o, ao contrário de quem fez algo parecido a Heide Simonis de Schleswig-Holstein em 2005 - e fez com isso eleger Roland Koch da CDU, o mais votado, aliás. A senhora Ypsilanti decidiu não ir a votos e meditar no rumo a tomar.

Tudo teria acabado aqui, não fora a senhora Ypsilanti ter muita crença no seu projecto. A senhora não o iria fazer por menos, e ia esta terça-feira novamente a votos para ser eleita na Assembleia Legislativa. Montou-se uma campanha de pressão à deputada maverick, com congressos à mistura e mais o diabo a sete. 98% dos delegados do SPD ao Congresso extraordinário aprovaram o rumo que a senhora prosseguia.

Mas também não foi desta que foi a votos: juntaram-se três deputados à senhora Metzger, fizeram mea culpa de terem aprovado a aventura à primeira, e declararam não poder aceitar a eleição da senhora. A mentira eleitoral não passa em Hessen.

O Pedro Arroja explicará porque é que isto acontece num país (neste caso estado federal) protestante, e cá, país católico, nunca aconteceria. Mas não me sai da cabeça que há de ter algo que ver com o facto de três dos quatro deputados terem sido eleitos em ciclos uninominais e como tal terem de facto uma cara perante o seu eleitorado.

E para não ser muito mau, dois links em inglês.

Preconceitos

Arquivar em: Comentário, Internacional, Política — Michael Seufert @ 8:37 pm

(…) o voto em Obama pode estar sobrestimado se, para encobrir um eventual preconceito racial, muitos eleitores não estiveram a revelar o seu verdadeiro sentido de voto

André Freire, no Público de hoje.

Freire não explica muito bem, mas só pode estar a falar de preconceito racial de quem pergunta. Quem responde à sondagem dizendo que vota em Obama quando não o quer, tem medo do preconceito de quem está a perguntar.

Outubro 29, 2008

SMV

Arquivar em: Comentário, Economia, Política, Teoria — Michael Seufert @ 4:29 pm

Ainda sobre isto, gosto particularmente da ideia de que “não deveriam sequer existir ainda empresas a praticar salários mínimos“.

O SMN existe, mas, para o Bruno, está algures acima do valor do SMV, que é o que todos conhecemos.

Um tipo já está proibido de receber menos do que o SMN, mas não deveria, sequer, aceitar esse valor, mas sim um outro secreto, do conhecimento de alguns que não o próprio interessado…

Outubro 19, 2008

Resultados e pequeno comentário

Arquivar em: Comentário, Política, Portugal — Michael Seufert @ 10:30 pm
Partido Votos % Mandatos
PS 45.070 49,96 30
PPD/PSD 27.309 30,27 18
CDS-PP 7.853 8,70 5
PCP-PEV 2.831 3,14 1
B.E. 2.976 3,30 2
MPT 684 0,76
PPM 424 0,47 1
PDA 619 0,69

Conferir aqui.

De destacar a subida do CDS, de dois para cinco deputados e a entrada para a Assembleia Regional de PCP, BE e PPM. Este último com um deputado no Corvo, que por cinco votos não foi do CDS, tendo bastado 75 para o eleger.

A introdução do círculo de compensação beneficiou, como seria de esperar, os partidos mais pequenos (PC e BE elegeram todos os seus deputados neste ciclo). Isto deveria acordar algumas consciências nos partidos fora do centrão para a vantagem do sistema de compensação. Na eminência duma jogada PS-PSD para uninominalizar os círculos eleitorais - uma medida que vejo com bons olhos, mas que parece ter motivações menos boas no Bloco Central - os partidos pequenos devem olhar para um círculo nacional como a forma de fugirem à sua extinção. Ao invés de combaterem a reforma eleitoral, devem entrar na sua negociação para garantir que, à imagem da Alemanha, no círculo nacional (ou em círculos distritais) possam ser eleitos metade dos assentos da AR.

Retratos dum país(país?)…

Arquivar em: Comentário, Portugal — Michael Seufert @ 8:15 pm

A página oficial com os resultados das eleições de hoje encontra-se em:

http://www.eleicoes2008.azores.gov.pt

Está alojada no site azores.gov.pt, página do governo regional. Assim mesmo. Com z.

Kim Jong-Ill?

Arquivar em: Internacional — Michael Seufert @ 8:07 pm

Outubro 18, 2008

Grande vídeo

Arquivar em: Diversos, Internacional, Política, Videos — Michael Seufert @ 1:22 pm

McCain pode não ganhar as eleições, mas ganharia - à falta de melhor - o meu voto depois deste discurso.

Parte 2:

(Por e-mail, obrigado André)

O nosso estado não se recomenda

Arquivar em: Comentário, Política, Portugal — Michael Seufert @ 1:09 pm

Luís Rainha escreveu, a propósito deste oportuno post da Helena Matos, que não há nenhum mal nos vídeos que apareceram sobre as “formações” do Magalhães (conferir aqui outros).

Das duas uma: ou o LR não percebeu o que está a ver, ou está, com todo direito, a contribuir para o fim deste estaminé a que chamamos Portugal.

Vale portanto a pena contextualizar: Salvo algum vídeo, mais oportunista, pós-produzido estamos a assistir a vídeos produzidos no contgexto duma “formação” para professores aprenderem a usar o Magalhães. O Paulo Carvalho, que esteve presente, descreve:

Eis que pelas 14 horas iria começar uma das melhores sessões de circo a que os meus olhos assistiram até hoje. O speaker de serviço que ostentava na lapela uma identificação de uma empresa que não conheço, mas que nem era do ME nem da Intel nem da JP Sá Couto, apresentou as três senhoras que tinham vindo expressamente dos States, com chancela da Intel, para nos brindarem com uma sessão de trabalho inolvidável. Eis que aparecem 3 senhoras com ar de quem está reformado há 20 anos, nos EUA, mas que em Portugal estariam no auge da carreira. Depois das simpatias ao país e de demonstrar que nada de útil iriam transmitir, resolveram propor aquilo que as trouxe ao, pensam elas, Burkina Fasso da Europa. Desde logo me demarquei e senti vontade de abandonar a sessão, mas os colegas… ah e tal… esquece isso… e tal…. Não te enerves… isto é sempre assim… e tal! Continuei a assistir e a incredulidade ia aumentando.

Aquelas 3 senhoras, acham que uma sessão de trabalho com a Intel é propor a 200 professores que inventem uma cantiga ao Magalhães, e se possível com teatro à mistura. Como eu e mais alguns colegas (muito poucos) mostrámos alguma estupefacção pelo que se estava a passar, uma das senhoras americanas apressou-se a dizer, bem alto e em tom ameaçador, que quem não participasse não seria incluído no sorteio de um Magalhães que iriam oferecer.

Isto em si é deplorável? Não. Nada mais natural para uma sessão de vendas, que pôr as pessoas a criar jingles promocionais. Mas, o leitor recordar-se-à, não é de uma sessão de vendas que falamos. É duma acção de formação. Uma formação, pelo que se percebe, compulsiva, para que os docente possam replicar as maravilhas que aprendem junto dos miúdos (Estou a ver a cena: o professor a fazer cantigas e teatros na aula sobre o Magalhães, para a miudagem ficar com mais uma razão para não querer ficar de fora).

Recapitulando: numa acção de formação para a qual os professores são convocados, passa-se uma tarde a compôr canções com um aspecto “bem-disposto e folgazão“  ridículo e triste, para poder ganhar um Magalhães. A carneirada em que se transformaram os professores, em vez de mandar as delegadas de propaganda aonde elas mereciam, entraram no joguete afim de juntar um portátil às pens que já tinham levado - os que chegaram a tempo.

Parece-me razões mais que suficientes para lamentar “o que está a acontecer”. Porque o que está a acontecer é a sujeição do país a uma gigantesca máquina de propaganda, que estupidifica e arrebanha os portugueses. E ninguém se parece incomodar muito.

Por estas e por outras razões, Portugal continua a não esta recomendável.

ADENDA: Publiquei este post por engano, antes de estar terminado, as minhas desculpas. Se está a ler estas linhas, é porque já está a ver o post completo.

Outubro 16, 2008

O lado negro da força…

Arquivar em: Economia, Internacional, Política — Michael Seufert @ 9:10 pm

Memory Police

Arquivar em: Nanny State Watch, Política, União Europeia — Michael Seufert @ 1:40 pm

Outubro 15, 2008

“Vem tudo por aí abaixo que parece arroz-doce…”

Arquivar em: Diversos — Michael Seufert @ 4:27 pm

Outubro 14, 2008

Saúde Pública

Arquivar em: Comentário, Nanny State Watch, Política, União Europeia — Michael Seufert @ 4:33 pm

Há uns tempos raciocinei aqui que o estado se deveria preocupar com os casos de Saúde Pública, em que Saúde Pública seriam aquelas doenças/agentes aos quais o cidadão se podia expôr sem saber. Na altura instalou-se a confusão nos comentários e não foi possível aprofundar o tema.

Hoje importa falar de novo dele, por iniciativa do Big Brother da Comissão Europeia. No âmbito da “protecção do consumidor” (contra si próprio) a CE descobriu que há um problema com os aparelhos de música pessoais. Parece nem sequer estar envolvida a pasta da Saúde, mas só posso concluir que seja um problema de Saúde Pública.

O problema?

Listening to personal music players at a high volume over a sustained period can lead to permanent hearing damage, according to an opinion of the EU Scientific Committee on Emerging and Newly Identified Health Risks (SCENIHR) released today. The scientific opinion shows that 5-10% of personal music player listeners risk permanent hearing loss, if they listen to a personal music player for more than one hour per day each week at high volume settings for at least 5 years.

Ok, entendi. Acho que é do senso comum, mas nunca será demais repetir: ouvir música no iPod aos berros pode dar problemas na audição. Até há um comité científico da UE que o confirma!

Qualquer pessoa normal parava aqui. Mas os nossos eurocratas não eram os nossos eurocratas se não ficassem com aquele formigueiro na ponta dos dedos, e encontram sempre alguma coisinha para regular.

The European Commission asked for the scientific study, because of increasing concerns over threats to hearing, particularly for adolescents and children from leisure activities such as the use of personal music players. Based on this scientific evidence, the Commission is organising a conference in early 2009 in Brussels to evaluate the findings of the Scientific Committee with Member States, industry, consumers and other stakeholders and to discuss the way forward. The seminar will address precautions that users can take, as well as technical solutions to minimise hearing damage and the need for further regulations or revisions of existing safety standards to protect consumers.

Toca a gastar os impostos em reuniões e comissões e tudo o mais, para depois regular minuciosamente o volume dos nossos leitores de mp3. Obrigado - literalmente.

PS: Claro que: «Personal music player users can already take certain very practical precautions, such as checking their device to see if a maximum volume can be set so as to keep the volume lower, or they can lower the volume manually, and they can take care not to use the personal music player for prolonged periods in the interest of their hearing.» Mas isso agora não importa.

Todos os destaques são meus.

Outubro 13, 2008

Óbvio

Arquivar em: Comentário, Economia, Teoria — Michael Seufert @ 10:17 pm

João Galamba acha que o facto de o mercado (financeiro) ter, pelo menos hoje, aprovado as intervenções estatais dos últimos dias, é uma grande coisa, e que entala os liberais que dão sempre razão ao mercado.

Pede o ilustre economista que os liberais venham explicar este aparente contrasenso. E veio bater à porta certa: é que os liberais têm alguns maus hábitos. Um deles é analisar as acções dos indivíduos face aos incentivos que lhes são oferecidos. Outra, é não concentrar a sua avaliação com base no curto prazo, ou nos efeitos para uma amostra dos intervenientes do mercado.

Acredito que o João Galamba apenas está a querer provocar e que é suficientemente esperto para perceber o que se está a passar, mas para não dar numa de “eu-sei-mas-não-digo“, cá vai muito rapidamente:

Os governos um pouco por todo o mundo acabam de garantir que as dívidas entre bancos estão garantidas pelo dinheiro dos contribuintes. Na Alemanha cada alemão (contribuinte ou não) manda 5000€ para o prego. Em Portugal estão cerca de 12% do PIB em jogo. Nos EUA o Estado ofereceu-se para comprar activos pelos quais nenhum privado se interessava.

Não sei exactamente do que é que o João estava à espera, mas enquanto estes dinheirinhos durarem os financeiros não devem ficar propriamente tristes. Os contribuintes acabam de entrar no mercado em força, e a comprar/garantir o que todos querem vender. A reacção é óbvia.

É exactamente por isto que o estado deve ficar fora dos mercados: porque quando entra beneficia sempre um interveniente. Se o João acha que os liberais ficam contentes quando os mercados enriquecem à custa dos contribuintes, não deve ter prestado tanta atenção quanto precisava

Estado casamenteiro

Arquivar em: Política, Portugal — Michael Seufert @ 8:54 pm