Parece que finalmente, ou pelo menos por um tempo, podemos estar descansados com os avanços neoliberais do PSD na revisão constitucional que agora é tempo de orçamento.
E começa muito bem a discussão com a promessa de o Governo se demitir se não houver orçamento para 2011. Promessas… já ninguém acredita no que quer que seja. E estas ameaças vêm à baila porquê? Porque PPC decidiu armar-se em virgem ofendida e recusar aumentar os impostos, afinal toda a gente sabe como ele detesta impostos a não ser claro quando é para salvar a nação dos maléficos especuladores estrangeiros. Nesse caso um aumentozinho de IVA até pode ser positivo.
Ora resta saber se a virgem ofendida faz o seu papel até ao fim, e nesse caso tem que bradar aos céus que foi enganado quando se comprometeu em aumentar o IVA e o governo falhou em reduzir a despesa. Meus caros, se é para fazer este papel o jovem candidato a PM não pode estar disposto a viabilizar o PEC III porque já sabe o que a casa gasta - os portugueses normais já o sabem há 36 anos mas o rapaz só percebeu este verão, é um bocado lento mas não quer dizer que seja má pessoa.
A outra hipótese é claro, em vez de bradar aos céus a ofensa que sofreu, é gritar que o céu nos vai cair em cima. Os especuladores estão já nas Berlengas com as carabinas apontadas ao continente e o FMI está a abastecer nos Açores antes de aterrar na (velhinha – que triste fado o nosso, podíamos ao menos receber os senhores num aeroporto digno do colossal esbanjamento público) Portela. Aí mete o seu chapéu de patriota, pede uns quantos sacrifícios (aos outros) e tomem lá que levam com a mesma dose do costume.
Teixeira dos Santos tem apenas razão numa coisa: se PPC quiser mesmo ser homenzinho e bloquear o aumento de impostos tem de dizer “onde quer poupar 4500 milhões de euros”, mais de preferência. E nesse caso não vale a pena estarmos a falar de acabar com “institutos” que isso é bonito e toda a gente gosta. Pois, vamos ter de falar de coisas que nem toda a gente gosta, vamos ter que falar em acabar com ministérios inteiros em vez de pequenos institutos. E claro, vamos ter mesmo de ir ao bolso do Estado Social: no ensino público, no apoio aos “mais desfavorecidos” e também na saúde o que faz com que a discussão da revisão constitucional seja altamente redundante. Isto obviamente só será possível se ainda alguém o estiver a ouvir depois de falar em cortes salariais para a função pública… pois é, se calhar aumentar os impostos é mais fácil. Os senhores do FMI que depois façam os cortes. Também há mães assim, que quando a criança se porta mal em vez de lhe darem uma palmada simplesmente dizem “olha que depois digo ao teu pai que te portaste mal”. O PSD é a mesma coisa: o FMI que faça o papel de mau.