Maio 24, 2012
Renegociação das PPP’s acaba mesmo antes de começar ?
Ainda e sempre, em estado de negação. Por Samuel de Paiva Pires.
Um ano depois e continuamos nisto: com a falência ao virar da esquina. Por muito bem intencionado que Álvaro Santos Pereira seja – e acredito que é – não há vontade política para anular os contratos das PPPs porque os interesses instalados continuam a acreditar lunaticamente nas promessas de Guterres e de Sócrates, e recusam-se a acordar para a realidade. E assim, continua a não haver vontade política para mudar de um rumo que levará o país ao desastre final.
PPPs: o fim das renegociações. por Paulo Morais.
O Decreto-Lei n.º 111/2012, de 23 de Maio, que tem por objecto a definição de normas gerais aplicáveis à intervenção do Estado na definição, concepção, preparação, lançamento, adjudicação, alteração, fiscalização e acompanhamento global das parcerias público -privadas determina que “da aplicação do presente diploma não podem resultar alterações aos contratos de parcerias já celebrados, ou derrogações das regras neles estabelecidas, nem modificações a procedimentos de parceria lançados até à data da sua entrada em vigor.”
Maio 23, 2012
Os modestos cortes nas rendas do sector energético
Sobre os cortes divulgados no passado dia 17 de Maio: Medo do Monstro!
O Governo divulgou hoje uns cortezinhos nos custos do sistema eléctrico. Segundo as notícias, o corte permitirá poupar cerca de 1800 milhões de euros até 2020. Segundo esta outra notícia, a distribuição de cortes, entre 2012 e 2020, será a seguinte:
Cogeração: 700 M€
Garantia de Potência: 335 M€
Mini-hídricas: 300 M€
CMEC e CAE: 280 a 300 M€
Eólicas: 100 a 200 M€Agora, confronte-se isto com o que a ERSE definiu como Custos de política energética, ambiental ou de interesse económico geral e de sustentabilidade de mercados incluídos nas tarifas para 2012 (pag. 29 e 33), apenas para 2012:
Sobrecusto da PRE: 1295 M€
Sobrecusto das eólicas: 538 M€
Sobrecusto da cogeração “fóssil”: 428 M€
Sobrecusto da cogeração FER: 107 M€
Sobrecusto da PRE fotovoltaica: 59 M€
Sobrecusto da PRE hídrica: 56 M€
CMEC: 296 M€
Sobrecusto CAE: 134 M€
Garantia de Potência: 60 M€Por aqui facilmente se percebe que isto são apenas cortezinhos! No maior sobrecusto de todos, a eólica, praticamente não se belisca: o corte até 2020 é menos de metade do sobrecusto que vamos ter que pagar apenas este ano! No total, o que eles pensam poupar até 2020 nem dá para pagar 80% das rendas, só deste ano!
Era uma vez a “Florida da Europa”…
Nada melhor para tornar Portugal na “Florida da Europa” do que aplicar aos reformados estrangeiros os mesmos padrões de extorsão fiscal que são aplicados aos nativos…
E assim o país segue na via do agravamento das políticas fiscais relativamente à era Sócrates, anulando inclusivamente algumas das (poucas) medidas positivas que haviam sido tomadas nesse período: Governo começa a cobrar impostos a reformados estrangeiros
Deviam estar isentos, mas a Administração fiscal tem uma interpretação diferente da lei. Reformados estrangeiros passam a pagar imposto
Isaltino prescrito, Relvas averiguado, lontra capturada
Um verdadeiro espírito livre (3)
Subsídios para a compreensão do spin doctoring situacionista. Por Samuel de Paiva Pires.
Leitura complementar: Um verdadeiro espírito livre (2).
Miguel Relvas e as pressões sobre jornalistas
Um patinho chamado Miguel Relvas. Por Henrique Raposo.
O meu velho ensinou-me uma máxima: se faz quá-quá e se abana o rabinho , então é bem capaz de ser um pato. E, neste caso do Público, há mesmo uma multidão de penas em redor do dr. Relvas. O problema não é a ameaça do blackout ao Público, uma hipótese meramente académica que infantilizaria, caso fosse concretizada, todos os membros do governo. O problema está na hipotética ameaça à vida privada de uma jornalista. As pressões são coisas normais no jogo entre o poder democrático e contra-poder jornalístico. Mas a retaliação sobre a vida pessoal de uma jornalista não é uma pressão. É uma entrada a pés juntos que dá direito a vermelho. Nenhum erro de um jornalista merece semelhante tratamento. Se for verdade, Relvas passa a ser o patinho feio, isto é, deixa de ter condições para ser ministro. Vem nos livros.
(via SPP: Onde há fumo, há fogo)
Leitura complementar: O caso Miguel Relvas e a crónica hipocrisia da direita instalada (num sítio mal frequentado); Um sítio mal frequentado, já dizia Eça; A direita hipócrita e Miguel Relvas; A Crónica Hipocrisia da Direita Instalada; Uma oportunidade para Passos Coelho; A improvável demissão de Miguel Relvas e a fragilização da posição de Pedro Passos Coelho.
SpaceX’s Falcon 9
SpaceX’s Falcon 9 Launches to the Space Station
This fire-breathing Dragon can fly. Pictured above yesterday, SpaceX Corporation’s Falcon 9 rocket capped with a Dragon spacecraft lifted off from Cape Canaveral, Florida, USA. The successful launch was significant not only because it demonstrated that a private company has the ability to re-supply the International Space Station (ISS), but also that spaceflight has taken a significant step away from being an endeavor that only big governments can do with public money. If all continues as planned, the robotic Dragon will dock with the ISS this weekend. Over the next two weeks, the ISS Expedition 31 crew will then unload Dragon and refill it with used scientific equipment. In about three weeks, the ISS’s robotic arm will then undock Dragon and move it to where it can fire its rockets. Soon thereafter the Dragon capsule is expected to reenter the Earth’s atmosphere, deploy its parachutes, splash down in the Pacific Ocean off the coast of California, and be recovered.
(agradeço ao leitor Mentat a indicação do link)
Taxa moderadora para o aborto: o mínimo dos mínimos (2)
Passo positivo mas muito pequeno. Por Maria João Marques.
Está muito bem, mas não entendo por que razão não se propõe o fim da realização de abortos no SNS. É ignóbil gastar recursos dos (depauperados) contribuintes em procedimentos deste género, inclusivé quando poupanças são feitas com quem está, de facto, doente.
Relembro que o referendo que deu cobertura política à legalização do aborto não deu qualquer cobertura ao uso de recursos estatais para a prática de abortos.
Leitura complementar: Taxa moderadora para o aborto: o mínimo dos mínimos; Para subsidiar abortos não falta dinheiro…; Para subsidiar abortos não falta dinheiro… (2); 3 de Maio de 2012: o aborto ainda é gratuito em Portugal.
Maio 22, 2012
Taxa moderadora para o aborto: o mínimo dos mínimos
Embora o fundamental seja a completa, grotesca e bárbara desprotecção legal da vida humana antes do nascimento, a isenção de pagamento de taxa moderadora quando há opção pelo aborto é algo simplesmente inconcebível, mas aparentemente há quem apoie a manutenção da situação actual: CDS defende taxas moderadoras para abortos, Mulheres Socialistas condenam
Teresa Caeiro disse à agência Lusa que a ideia é dar “equidade e justiça” no sistema de pagamento de taxas moderadoras entre este acto médico e outros. “Este acto médico é sempre isento do pagamento de taxa moderadora, ao contrário do que acontece com o tratamento de outras doenças e a realização de outras cirurgias, como tirar um apêndice ou um tumor, uma hérnia discal ou uma intervenção ao coração”, explicou.
Leitura complementar: Para subsidiar abortos não falta dinheiro…; Para subsidiar abortos não falta dinheiro… (2); 3 de Maio de 2012: o aborto ainda é gratuito em Portugal.
Diagrama de Nolan
Via Juliano Torres, a quem agradeço a sugestão, aqui fica o Diagrama de Nolan na versão dos Estudantes Pela Liberdade.
Em breve este diagrama estará disponível em mais de 10 línguas.
Máximas para um país onde não faltam rastejantes
Mudam-se os tempos, mudam-se os abrantes.
Maio 21, 2012
Fakebook
Popularidade e notoriedade não implicam necessariamente criação de valor, mas pelo menos o casamento já deve estar pago: Acções do Facebook abriram no vermelho e estão em queda.
Um verdadeiro espírito livre
Coisinhas simples. Por Rodrigo Moita de Deus.
Miguel Relvas lida com jornais e jornalistas há mais de uma década. Se fosse pessoa para fazer o que acusam já todos teríamos dado por isso.
Já que estou numa de contrariar aproveito para esclarecer o resto. Por Rodrigo Moita de Deus.
Só hoje li a entrevista de Vasco Rato à sábado por causa da ongoing. Sobre o assunto tenho uma opinião diferente da maior parte do pais. Caso fique provado que silva Carvalho utilizou o SIED para beneficiar empresas portuguesas em negócios internacionais acho que o serviço merece uma condecoração da presidência da republica.
Liberdade de imprensa. Por Rodrigo Moita de Deus.
Tenho para mim que a liberdade é o mais importante dos valores. E defenderei sempre a liberdade em qualquer circunstância. Sempre que a liberdade estiver ameaçada.
Change
Muito dependerá das opções e métodos de implementação, mas considerando as condições objectivamente existentes no terreno, é perfeitamente razoável que deixe de se insistir em ignorar a realidade linguística de Timor-Leste e que haja uma alteração de curso: Taur Matan Ruak propõe que Português seja ensinado como língua estrangeira
Taur Matan Ruak já tinha afirmado em entrevista ao PÚBLICO que o Português, como língua oficial, tinha sido uma opção política que veio para ficar. Nesta segunda-feira salientou-o de forma oficial, já como Presidente da República, perante Cavaco Silva e a comunidade portuguesa que se encontra no seu país. E disse-o de forma absolutamente inequívoca.
“Para que não restem dúvidas: nós fizemos uma opção política, estratégica e identitária. O Português está para ficar”, afirmou numa recepção que Cavaco Silva ofereceu à comunidade lusa em Timor, precisamente na escola Ruy Cinatti, a escola portuguesa de Díli.
O Presidente de Timor-Leste tinha, porém “um reparo crítico”, mas “com genuíno espírito construtivo” a fazer. “Nesta fase, e para que numa década o panorama linguístico esteja, de facto, alterado, o ensino do Português deve assumir características de ensino de língua não materna, de língua estrangeira. Não pode nem deve ser administrado como língua mãe.”
É a primeira vez que Taur Matan Ruak assume politicamente esta posição, que, a concretizar-se, significaria uma alteração completa no ensino do Português no país, onde frequentemente surgem polémicas sobre se a língua de Camões deve ou não ser a língua oficial.
O Presidente de Timor não explicou como o processo seria feito. Se, por exemplo, o ensino deixaria de ser todo feito em Português e este passaria a ser uma disciplina.
Bolhas no ensino superior
Uma coisa é certa: admitindo que nos EUA, com um regime de empréstimos, existe de facto uma bolha, então em Portugal, com um regime assente essencialmente no financiamento por via de despesa pública, essa bolha será muito pior: As Novas Oportunidades e a bolha educativa
Nos EUA em particular, os diferentes subsídios e incentivos atribuídos pelo governo federal, de acesso a crédito bancário para financiar a frequência universitária, levaram já à formação de uma bolha monstruosa de um milhão de milhões de dólares (1 trillion). Não é assim de estranhar que se verifique um fenómeno crescente de incumprimento dos graduados que não conseguem empregos (quando conseguem) com uma remuneração suficiente que lhes permitam pagar as dívidas contraídas.
(…)
Em Portugal, como em outros países, essa bolha também existe. Não sabemos quantificar é o tamanho dela, pois o ensino superior público, apesar das propinas, é quase “gratuito”. Os números verdadeiros estão algures “enterrados” na dívida pública.
Maio 20, 2012
Em Oeiras, houve um verdadeiro leão em campo, mas jogou pela Académica…
Na primeira grande final à frente do Sporting, Sá Pinto perde, num jogo em que o emprestado Adrien Silva fez uma exibição de grande nível.
A mediática telenovela de Miguel Relvas (3)
Depois de Passos Coelho ter saído em defesa de Miguel Relvas, nova reacção da Direcção Editorial do Público, cuja credibilidade – reconheça-se – é pouco mais que nula. Ainda assim há alegações factuais que seria muito importante esclarecer: Miguel Relvas, o jornalismo e o caso das secretas
Na carta que enviou para a Entidade Reguladora da Comunicação (ERC), com a qual pretendeu antecipar a averiguação já anunciada sobre o exercício de ameaças à jornalista do PÚBLICO que tem acompanhado o “caso das secretas”, o ministro Miguel Relvas dedica-se a teorizar sobre a qualidade do seu jornalismo, referindo a publicação de “várias peças noticiosas tendentes a construir uma narrativa que os factos não confirmam em pormenores decisivos” e sobre a prevalência de um “jornalismo interpretativo” que visa “construir um quadro narrativo inicial e tudo fazer depois para que a realidade se adapte a esse quadro”.
Sexismo progressista
Reproduzo de seguida um texto enviado pelo leitor Fernando Gomes da Costa:
Sexismo de rosto progressista
Segundo o JN, o actor e realizador norte-americano Sean Penn apelou, este sábado, durante uma cerimónia em Cannes, às mulheres presentes para fazerem greve de sexo em solidariedade com todas as mulheres no Haiti. (mais…)
Passos Coelho em defesa de Miguel Relvas
Sem grande surpresa, mas com custos inevitáveis em termos de credibilidade política, Pedro Passos Coelho sai em defesa de Miguel Relvas: Relvas acusa PÚBLICO de “jornalismo interpretativo”, Passos nega ataque à imprensa
O ministro Adjunto e dos Assuntos Parlamentares, Miguel Relvas, acusou o PÚBLICO de fazer “jornalismo interpretativo”, segundo a documentação enviada à Entidade Reguladora da Comunicação Social (ERC), que vai esta semana analisar o caso das ameaças feitas pelo governante ao jornal e à jornalista Maria José Oliveira. A jornalista sublinha que “em nenhum momento da exposição [do ministro] existe uma explicação para as ameaças que foram feitas”.
Já o primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, rejeitou, neste domingo, que o ministro tenha “atacado a imprensa” e defendeu que “o Governo tem privilegiado muita transparência”.
Leitura complementar: O caso Miguel Relvas e a crónica hipocrisia da direita instalada (num sítio mal frequentado); Um sítio mal frequentado, já dizia Eça; A direita hipócrita e Miguel Relvas; A Crónica Hipocrisia da Direita Instalada; Uma oportunidade para Passos Coelho; A improvável demissão de Miguel Relvas e a fragilização da posição de Pedro Passos Coelho.
Pressões sobre jornalistas em Portugal
Os telefonemas de governantes para as redacções.
Sobre telefonemas de ministros a redactores de jornais, sobre assuntos públicos e que lhes interessam há muito por onde escolher.
O caso Miguel Relvas e a opção pela auto-descredibilização
Tudo fenómenos compreensíveis, mas que nem por isso deixam de ser lamentáveis: Do contorcionismo à fragilização do governo e da blogosfera de direita. Por Samuel de Paiva Pires.
Leitura complementar: O caso Miguel Relvas e a crónica hipocrisia da direita instalada (num sítio mal frequentado); Um sítio mal frequentado, já dizia Eça; A direita hipócrita e Miguel Relvas; A Crónica Hipocrisia da Direita Instalada; Uma oportunidade para Passos Coelho; A improvável demissão de Miguel Relvas e a fragilização da posição de Pedro Passos Coelho.
O caso Miguel Relvas e a crónica hipocrisia da direita instalada (num sítio mal frequentado)
No que diz respeito ao caso Miguel Relvas, concordo com isto e com isto, mas, infelizmente, concordo ainda mais com isto.
Sendo certo que há algum oportunismo neste post do Sérgio Lavos, importa reconhecer que no essencial ele tem, no essencial, toda a razão.
O problema não é só que há quem prefira o rastejar à verticalidade: é que há muitos figurões e figurinhas do regime que só sabem rastejar e desconhecem em absoluto a própria noção de verticalidade.
Leitura complementar: Um sítio mal frequentado, já dizia Eça; A direita hipócrita e Miguel Relvas; A Crónica Hipocrisia da Direita Instalada; Uma oportunidade para Passos Coelho; A improvável demissão de Miguel Relvas e a fragilização da posição de Pedro Passos Coelho
Uma tragédia em curso em Timor
Seria apenas cómico, se não fosse trágico tendo em conta o cenário de predação dos recursos colectivos de Timor-Leste, tanto por elites internas como por parasitas externos: Xanana Gusmão diz que o povo está satisfeito e não podia exigir mais
Visão muito diferente tem Mari Alkatiri, secretário-geral da Fretilin e antigo primeiro-ministro.
“O povo não está satisfeito, continua marginalizado e a pobreza cresce”, afirmou.
Alkatiri afirma mesmo que a pobreza tem crescido: “No passado dizia-se que 80 cêntimos [de dólar] por dia chegavam para tirar as pessoas da pobreza extrema. Hoje não chegam dois dólares”.
A corrupção é apontada pelo líder da Fretilin como um dos problemas mais graves. “A corrupção grassa pelo país. Todos os dias se vê pessoas que tinham pouco e agora têm carros e casas de luxo. A corrupção em Timor tem uma característica especial: é feita às claras, toda a gente sabe, é feita às claras é transparente”.
Infelizmente, também em Portugal não faltam cúmplices deste triste estado de coisas dez anos depois da independência em Timor. A independência de Timor-Leste tem sido um empreendimento lucrativo para algumas pessoas dentro e fora do país, mas infelizmente não para a larga maioria do povo timorense.
Leitura complementar: Evitar que Timor se torne um Estado falhado; A miséria da população como sinal de uma governação falhada.
Ratos do céu
Subscrevo, ainda que no meu caso aplicando o apelo ao Porto: Odeio pombas. Por PPM.
Ainda agora vi mais um destes ratos do céu a largar o almoço em cima do meu carro. Não se pode mandar prender quem lhes atira – muitas vezes da janela – pão molhado e outros restos nojentos que têm em casa? E não se pode promover um pombicídio regulado? Fica aqui o meu apelo ao Presidente da Câmara de Lisboa e às autoridades competentes: não se pode exterminá-las?
Christie 2012 (ou 2016)
Governor Christie and Mayor Booker: Don’t Worry, We’ve Got This
Maio 19, 2012
Thatcher on public money
Um video recomendado tanto à oposição como – talvez ainda mais – ao governo e à maioria que actualmente o sustenta.
Thatcher: There is no such thing as public money
Leitura complementar: Dívida pública, bailouts e asfixia fiscal.
A improvável demissão de Miguel Relvas e a fragilização da posição de Pedro Passos Coelho
Embora compreenda os posts do Gabriel Silva e do Rui Carmo, tenho sérias dúvidas que este caso acabe na demissão de Miguel Relvas. Mas, independentemente do desfecho a esse nível, uma coisa é certa: o Governo sai fragilizado. Essa fragilização é especialmente notória no que diz respeito a Pedro Passos Coelho que, ao ter de segurar Miguel Relvas, evidencia que é neste momento Relvas a figura com mais peso político no interior do Governo.
Mas mais grave é a equivalência que se pode começar a estabelecer por via de vários eventos recentes entre algumas das práticas do actual Governo e os piores processos vigentes durante os governos Sócrates. O que tem segurado a imagem do Governo é em larga medida a ideia de que, por muitos erros que estejam a ser cometidos, há uma diferença de credibilidade face ao Governo anterior. Se essa mais-valia for perdida, tudo ficará mais complicado, para a governação e para o país.
Top posts da semana
Aqui fica o ranking dos posts d’O Insurgente mais votados dos últimos 7 dias. A lista foi obtida multiplicando o número total de votos de cada post pela respectiva classificação média:
1 – A cultura ignorante
2 – Mário Soares, o Arauto do Austeridade
3 – Uma breve história dos manifestos de esquerda
4 – O porquê da falta de empreendedores em Portugal
5 – A propósito de “oportunidade”, Passos Coelho perdeu uma de estar calado
A miséria da população como sinal de uma governação falhada
Não é bom sinal quando, dez anos depois, o que mais impressiona é o estado de miséria em que vive grande parte da população. Ainda para mais considerando os vastíssimos recursos naturais de que o país dispõe e os fluxos de financiamento internacionais que têm sido dirigidos para Timor-Leste: Cavaco emocionado e impressionado com a pobreza em Timor
Bastou a Cavaco Silva viajar entre o Aeroporto de Díli e o Palácio de Lahan, num percurso de cerca de dez quilómetros, para perceber a dimensão da pobreza em Timor. O Presidente da República elogiou os progressos feito pelo país em dez anos de independência, mas ficou impressionado com os miseráveis bairros da capital timorense.
Evitar que Timor se torne um Estado falhado
Numa altura em que se comemoram os dez anos de uma independência lutada e sofrida, é importante levar a sério esta preocupação expressa pelo novo Presidente de Timor-Leste: Taur Matan Ruak: “Com pobreza não há arma que garanta a segurança”
Combate à pobreza e mudança das mentalidades dos que esperam que o Estado lhes dê tudo são as prioridades do novo Presidente de Timor-Leste. Taur Matan Ruak, que hoje toma posse à meia-noite (16h em Portugal), a hora em que, há dez anos, foi restaurada a independência do país, não quer olhar para o passado.
Diz que os heróis já foram homenageados e que agora Timor não tem “tempo para olhar para trás”. Critica os governantes por não terem envolvido os timorenses nas suas decisões, especialmente os que vivem nas zonas rurais, que considera estarem “totalmente esquecidos”.
Na entrevista ao PÚBLICO na sua casa, situada no topo de uma colina de Díli, com uma vista extraordinária para o mar e para a cidade, o quinto presidente de Timor-Leste desde a declaração unilateral da independência em 1975, diz que outra grande mudança a realizar no país é nas mentalidades. “As vezes as pessoas pensam que o estado resolve tudo e isso não é verdade. Os cidadãos têm de se envolver mais.”
Os vastos recursos associados ao petróleo e os volumosos pacotes de financiamento internacionais que têm chegado a Timor têm fomentado práticas de clientelismo interno e externo, desperdício de recursos, corrupção, dependência face ao Estado e impedido em larga medida o desenvolvimento económico.
Se o rumo dos últimos anos não for invertido e continuar a predação dos recursos colectivos de Timor-Leste tanto por grupos internos como por parasitas externos, é de temer o pior, nomeadamente que a situação em Timor degenere a ponto de o território se poder vir a tornar um Estado falhado. Dez anos depois da independência, essa deveria ser a principal preocupação subjacente às comemorações.
Michael Seufert: uma excepção à regra
Felizmente, nem todos alinham pelo padrão de mediocridade geral na Assembleia da República: O que fazem os cinco deputados mais novos do Parlamento
Já Michael Seufert, deputado do CDS e líder da Juventude Popular, é solteiro e estuda Engenharia Electrotécnica e de Computadores. O centrista faz parte da comissão parlamentar de educação, ciência e cultura e traz na agenda preocupações com o pagamento das ex-SCUT para turistas ou a derrapagem com as parcerias público-privadas.
“É fundamental para os jovens encontrarem emprego, terem onde habitar e terem espaço para o seu projecto de vida. Julgaria importante um contrato de emprego mais flexível para os jovens”, diz o deputado do CDS. Michael Seufert defende também a liberalização das rendas e sublinha que o mais importante é que “o Estado deixe de se endividar à custa das gerações futuras que, por causa do endividamento passado, o vêem cada vez mais negro”.
Creio no entanto que a notícia está errada no que diz respeito à actual liderança da JP.
Barragem do Tua: tem a palavra Francisco José Viegas
Regresso ao mundo real: o irrealismo de uma barragem. Por José Manuel Fernandes.
É talvez altura de Francisco José Viegas, que é um homem do Douro, provar que não tem falta de peso político por não ser ministro. Ou de Álvaro Santos Pereira se recordar de algumas das coisas que escreveu no livro que publicou algumas semanas antes de ir para ministro, onde defendia um modelo de desenvolvimento para Portugal que não passava por mais cimento, antes pelo tipo de desenvolvimento local que uma obra como a da Foz Tua compromete de forma irreversível. O que se pede ao Governo não é que “preste esclarecimentos” à UNESCO, é que se antecipe à decisão do UNESCO e decida ele mesmo a paragem das obras.
A direita ignorante e a esquerda dos amanhãs que cantam
Um contributo para a compreensão do estado comatoso de Portugal: “Ser de esquerda é, como ser de direita…” Por Samuel de Paiva Pires.
Maio 18, 2012
Abram alas para o crescimento, versão Obama-Hollande…
A mediática telenovela de Miguel Relvas (2)
A reacção da Direcção Editorial do Público: O PÚBLICO e as pressões de Miguel Relvas
Num telefonema à editora de política do jornal, na quarta-feira, Miguel Relvas ameaçou fazer um blackout noticioso do Governo contra o jornal e divulgar detalhes da vida privada da jornalista Maria José Oliveira, de quem tinha recebido nesses dias um conjunto de perguntas relativas a contradições nas declarações que prestara, no dia anterior, na Comissão de Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias.


