O Insurgente

Março 23, 2011

Sabática

Filed under: Insurgentologia — Adolfo Mesquita Nunes @ 10:53

Caros leitores d’O Insurgente,

Desde que, em 2004, comecei a escrever na blogosfera, assumi sempre o compromisso de não fazer política partidária através dos blogues. Com excepção do circunstancial Rua Direita, procurei sempre evitar que a minha condição de militante activo do CDS interferisse com a minha presença na blogosfera, sobretudo em blogues colectivos. Eventualmente não o terei conseguido fazer tão bem quanto quereria, mas acreditem que foi sempre minha vontade não comprometer o CDS com os meus escritos nem comprometer os blogues onde escrevo nos meus combates partidários ou eleitorais. Não saberia, aliás, estar de outra forma num blogue colectivo assim como nunca conseguiria lidar com a circunstância de os leitores me estarem a ler com a convicção de que teria propósitos partidários mais ou menos ocultos.

A minha recente eleição para membro da Comissão Executiva do CDS não vem mudar nada nesta minha vontade e nesta minha postura. Mas a natureza do cargo permite que muitos leitores possam questionar-se, agora de forma mais directa, sobre se aquilo que escrevo, e estaremos seguramente num ano em que a política nacional (e eventualmente eleitoral) vai dominar o debate, se destina ou não a ser uma extensão dos meus propósitos enquanto dirigente do CDS. E essa circunstância, por mais que a tentasse evitar ou desmentir, é tanto quanto baste para que eu considere a necessidade de suspender a minha actividade blogosférica n’O Insurgente. Essa é aliás a atitude mais natural em quem, como eu, tem tentado preservar os blogues colectivos onde escrevo da minha vida partidária.

Continuarei por cá como leitor e como autor que não escreve (ou pelo menos, como autor que não escreve sobre política) porque esta é também a minha casa. E porque aquilo que aqui se escreve, mesmo quando não subscreva, está normalmente mais perto do que penso do que em qualquer outro blogue onde se discuta política.

Por enquanto estarei, a título individual, no Aparelho de Estado a escrever sobre política.

Muito obrigado por tudo!

Janeiro 25, 2011

Indignações Selectivas

Filed under: Double standards,Educação — Adolfo Mesquita Nunes @ 18:33

A Ministra da Educação diz que é indigno usar crianças em protesto. A participação das crianças no protesto é «indigna, acima de tudo, porque se utilizaram crianças, o que é o exemplo do que não se deve fazer nunca quando o objectivo é a educação», diz a Ministra. Supõe-se que a indignidade a que se refere a Ministra esteja relacionada com a gratuitidade da participação das crianças, já que, se bem me recordo, o Governo Socialista nada tem contra a contratação de crianças como figurantes em apresentações de planos tecnológicos e outras coisas que tais
(também publicado no Delito de Opinião)

Rui Pereira ainda é Ministro? (2)

Filed under: Justiça,Media,Política,Portugal,Presidenciais 2011 — Adolfo Mesquita Nunes @ 12:51

O direito ao voto não está, ao que parece, incluído no impressionante conjunto de direitos garantidos pelo Estado Social Português.

Janeiro 10, 2011

O caso que poderia ser mas não é (2)

Filed under: Política,Portugal,Presidenciais 2011 — Adolfo Mesquita Nunes @ 07:57

Não considero que a honestidade de um político possa fundamentar a sua recusa em prestar esclarecimentos sobre os seus actos com repercussão política. É que essa honestidade só pode ser reconhecida, quanto a esses actos, depois de os mesmos estarem esclarecidos. O que equivale a dizer que essa conversa da honestidade tanto serve a táctica do honesto como do desonesto.

Nesse sentido, e apenas nesse Maria João, comparo a reacção de Cavaco, via Alexandre Relvas, às reacções típicas de Sócrates. Um e outro apostam na sua honestidade para se escusarem a responder às legítimas questões com que, sobre alguns dos seus actos, têm vindo a ser confrontados.

Não está aqui em questão, note-se, a minha percepção de que Cavaco Silva é honesto nem a minha percepção de que Sócrates o não é. Essas percepções autorizam-me dirigir primeiro a minha atenção para os casos que envolvem Sócrates, mas não me autorizam a considerar ilegítimas ou inaceitáveis as perguntas daqueles que preferem dirigir questões a Cavaco, sendo certo que, evidentemente, considero que podem retirar-se conclusões acerca das prioridades de cada um.

Cavaco Silva explicou pouco ou quase nada (note-se que Cavaco paradoxalmente já remeteu para notícias do Expresso publicadas apesar da falta dos seus esclarecimentos) apostando na percepção de que a maioria de nós tem (eu também) de que ele é honesto. É uma estratégia perfeitamente natural para quem, como Cavaco, conhece o nosso eleitorado. Mas não considero que o candidato tenha esclarecido convenientemente a questão (o que não significa que, a final, se veja que nada havia a temer – coisa que, lá está, só pode saber-se depois e não antes de os contornos do “caso” se saberem) e é com algum enfado que o vejo actuar com a mesma estratégia de Sócrates.

Janeiro 7, 2011

O caso que poderia ser mas não é

Filed under: Política,Portugal,Presidenciais 2011 — Adolfo Mesquita Nunes @ 11:45

Estou entre aqueles que considera que Cavaco Silva deu explicações insuficientes, e até contraditórias, sobre o “caso” SLN. Não basta o próprio saber, com absoluta convicção, que nada fez de ilegal ou politicamente reprovável. E estou também entre aqueles que considera que a reacção de Alexandre Relvas foi excessiva, quase ao género Sócrates, já que não basta de falar de campanha suja quando, de facto, pouco foi dito ou explicado.

Mas já não estou entre aqueles que não se conformam com o facto de o “caso” SLN, por mais interessante ou sumarento que seja, estar, apesar de tudo, a passar ao lado da marcha triunfal de Cavaco.

Na verdade, o que impede o “caso” SLN de ferir de morte a candidatura de Cavaco Silva não é o facto de o assunto não ter sido analisado, discutido e investigado, que foi e está a ser. Nem é o facto de Cavaco cultivar um perfil apolítico, porque a verdade é que Cavaco Silva a ser escrutinado pelo “caso” e diariamente confrontado com o mesmo.

O que impede o “caso” SLN de ferir de morte a candidatura de Cavaco Silva é o facto de os portugueses se estarem nas tintas para o assunto, seja porque o consideram acima de qualquer suspeita, seja porque o assunto lhes é indiferente, seja porque, como aliás têm demonstrado ao longo de toda a governação Sócrates, se estão positivamente a borrifar para estas coisas de (i)legalidades.

Se querem que este caso faça baixas políticas, têm primeiro que mudar de povo.

Janeiro 6, 2011

Os perigos da criminalização do enriquecimento ilícito (1)

Filed under: Justiça — Adolfo Mesquita Nunes @ 10:44

Os sinais de politização da nossa justiça penal são tão preocupantes que, como escrevi já no Aparelho de Estado, é com muita surpresa que vejo tanta gente, e tanta gente que admiro, a aderir à ideia de criminalização do enriquecimento ilícito. A inversão do ónus da prova que essa criminalização sugere (o que, só por si, seria o suficiente para travar a ideia) outra coisa não faria que não agravar essa politização, oferecendo um poder manifestamente exagerado a quem actualmente investiga em Portugal.

Dezembro 20, 2010

500 milhões

Filed under: Economia — Adolfo Mesquita Nunes @ 15:10

Governo injecta 500 milhões no BPN

O Estado, muito menos o Governo, não injecta dinheiro na economia, como parece sugerir o título do Público. Para injectar o que quer que seja na economia, o Estado tem antes de retirar da economia o que vai injectar na economia. Parece confuso não parece? É por isso mesmo que a coisa passa.

Paradoxo do Dia

Filed under: Double standards,Política,Portugal — Adolfo Mesquita Nunes @ 13:59

Os socialistas zelotas do Estado Social, sempre em nome dos mais pobres e carenciados contra os vilões do neoliberalismo do patronato, consideram que o tema da pobreza, sobretudo quando argumentado por quem não lhes copia o amor ao Estado, é demagogia para retirar dividendos políticos.

Dezembro 7, 2010

E vai chamar-se Câmara Corporativa?

Filed under: Política,Portugal — Adolfo Mesquita Nunes @ 11:32

Um novo semanário ligado ao socialista Rui Pedro Soares e tendo como director Emídio Rangel, fundador da TSF e ex-director da SIC e da RTP, deverá avançar no primeiro trimestre do próximo ano.

Dezembro 6, 2010

Socialista que se preza

Filed under: Portugal — Adolfo Mesquita Nunes @ 13:57

Na aprovação da remuneração compensatória para os funcionários públicos açorianos, Carlos César comporta-se coerentemente como um socialista, o que aliás faz todo o sentido: despesa pública em absoluto desrespeito pelos contribuintes mesmo quando tudo à sua volta desaba. José Sócrates fez o mesmo no país, durante anos, e continuaria a fazê-lo acaso encontrasse a mais pequena margem para o efeito. Poupem-nos os socialistas , por isso, ao papel de virgens púdicas da contenção da despesa e aplaudam o homem que, no arquipélago, continua a aplicar a receita socialista.

Novembro 24, 2010

Piquetes de greve e bullying sindical (2)

Filed under: Justiça,Política,Videos — Adolfo Mesquita Nunes @ 17:22

The experts…

Filed under: Economia — Adolfo Mesquita Nunes @ 12:27

All The Experts are generally wrong. In the 1920s, they were for returning to gold at the pre-war rate. In the 1930s, they were for appeasement. In the 1940s, they were for nationalisation. In the 1950s they were for state planning. In the 1960s, they were for child-centred teaching. In the 1970s, they were for price controls. In the 1980s, they were for the ERM. In the 1990s they were for the euro. (…)

Maybe, just maybe, it’s time to stop trusting the people who got us into this mess.

Daniel Hannan

Novembro 15, 2010

Tresloucadas justificações

Filed under: Política,Portugal — Adolfo Mesquita Nunes @ 19:02

Só a histórica complacência com que a opinião pública e publicada brinda o PS permite que as recentes e tresloucadas derivas socialistas (o Michael Seufert faz aqui um bom apanhado) na tentativa de justificar o estado a que a sua governação desde 1995 nos trouxe passem, nos dias que correm, por declarações políticas aceitáveis ou sequer normais. 

Apostado em beneficiar da mesma complacência que o autorizou a multiplicar-se em nomeações políticas de fim de festa ou que o autorizou a manter na vice-presidência da bancada socialista, por desejo do moderado Francisco Assis, um ladrão de gravadores de jornalistas, o PS  acha-se agora no direito de inventar as mais absurdas desculpas para fugir às suas responsabilidades. E nesse jogo vale tudo, até mesmo comparar a Alemanha de Merkel à Alemanha de Hitler.

O problema do PS, enquanto actor de soluções para os problemas do país, não é apenas, embora bastasse já, o apoio e a manutenção de Sócrates no Governo. O problema do PS está, acima de tudo, na sua insuportável tentação para se sentir dono e herdeiro do regime, a quem os portugueses devem, em nome de glórias passadas, prestar vassalagem. As tresloucadas justificações são um mero retrato disso mesmo.

Novembro 12, 2010

As explicações de quem acha que não tem nada a explicar

Filed under: Portugal — Adolfo Mesquita Nunes @ 17:55

Vale bem a pena ler a resposta do INPI à notícia hoje publicada no Correio da Manhã, com o seguinte título: 20 mil euros para estar no Twitter. E vale bem a pena porque, no meio de justificações meramente formais próprias de quem acha que não tem grandes explicações a dar, a despesa em causa se torna absolutamente injustificável para quem saiba o que é o twitter, quer nos tempos que correm, quer tendo em conta os serviços desenvolvidos ao abrigo do contrato assinado que poderiam, e deveriam, ser assegurados pelos funcionários do próprio INPI. Se o INPI não sabe o que pode interessar divulgar, no âmbito da propriedade intelectual, quem mais poderá?

Novembro 7, 2010

The End

Filed under: Portugal — Adolfo Mesquita Nunes @ 20:19

Tolerante como poucos, o português aceita ser iludido, ludibriado e governado por incompetentes, razão pela qual em Portugal os governos não chegam ao fim por terem iludido, mentido ou governado mal. Mas se há coisa que o português não suporta é sentir-se injustiçado pelo governo. O crescente sentimento de injustiça, e não qualquer outra coisa, é a sentença de morte do Governo Sócrates.

Novembro 5, 2010

O Estado Frei Tomás

Filed under: Economia — Adolfo Mesquita Nunes @ 12:30

É deliciosa esta ideia de Teixeira dos Santos de que a PT deve preocupar-se mais com as contas do desvario socialista do que com o interesse dos seus accionistas, atrasando o pagamento de dividendos só para pagar mais imposto. Mas se a coisa é mesmo para levar a sério, porque é que o Estado não decide, também ele, e sob as mãos de Teixeira dos Santos, dar o exemplo e atrasar todos os seus consumos para 2011, para pagar mais IVA e assim ajudar às continhas da Nação? Será porque a coisa não faz qualquer sentido?

Novembro 4, 2010

Carta Branca

Filed under: Portugal — Adolfo Mesquita Nunes @ 13:59

Nunca me convenceu essa teoria de que um mau Orçamento é sempre preferível a Orçamento nenhum. Mas mesmo que lhe visse méritos, e não vejo, sempre disse que essa não era a verdadeira opção que tínhamos em cima da mesa: “o desafio que nos espera não é a escolha entre um péssimo Orçamento ou Orçamento nenhum. É a escolha entre permitir que estes irresponsáveis continuem a executar Orçamentos, sejam eles quais forem, ou travar este desvario despesista enquanto é tempo“. 

De facto, o problema do nosso Governo socialista, assim como dos governos socialistas em geral, nunca está no papel. No papel, aliás, é que o socialismo faz todo o sentido, enfeitado que está com a realidade a mudar ao ritmo dos decretos. O problema do nosso Governo socialista está, sempre esteve, na concreta execução orçamental das suas políticas. É por isso que não espanta que os mercados continuem a olhar para este país com o mesmo receio que olhavam na semana passada.

Sejamos sinceros, se nenhum de nós acredita que os incapazes socialistas que nos governam vão ser capazes de lidar com os desafios do futuro, por que razão haveriam os mercados de acreditar em tal capacidade apenas porque foi aprovado um papel?

A viabilização do Orçamento não foi, por isso, um favor feito ao interesse nacional, como os mercados o demonstram. Foi uma carta branca conferida a um Governo que gasta muito e gasta mal para que continue a fingir que executa ou que sabe conter-se nas despesas. Aliás, as recentes declarações de José Sócrates sobre o TGV estão aí para evidenciar até onde vai o autismo do Governo e até onde está José Sócrates disposto a levar a sua iliteracia económica.

Os dois discursos do PSD

Filed under: Política,Portugal — Adolfo Mesquita Nunes @ 11:24

Durante a discussão e aprovação parlamentar do Orçamento de Estado para 2011 na generalidade, o PSD recorreu escusada e simultaneamente a dois discursos (e, já agora, a duas estratégias) nem sempre convergentes. Ainda assim, nenhum dos discursos falou verdade.

De facto, de um lado tivemos o PSD que está, que viu vantagem na negociação orçamental, e que se orgulhou de ter minimizado, assim viabilizando, o dramático impacte do Orçamento. De outro lado tivemos o PSD que esteve, que não via qualquer vantagem na negociação orçamental, e que se afirmou penhor do interesse nacional na convicção de que um mau Orçamento é preferível a Orçamento nenhum.

Nem de um lado nem do outro ouvimos aquilo que todos sabem e que não envergonha ninguém. O Orçamento foi viabilizado apenas porque, mercê do nosso particular calendário eleitoral, a sua inviabilização não faria cair o Governo.  Não viria mal ao Mundo que a estratégia fosse assumida e poupava-se o país a um discurso, nos dois dias da discussão do Orçamento, que poucos perceberam e que os próprios mercados não relevaram.

Outubro 29, 2010

Contra-sensos

Filed under: Política,Portugal — Adolfo Mesquita Nunes @ 16:12

O Rui Albuquerque evidencia, com rigor, o contra-senso de alguém poder encarar um governo recheado de venerandas figuras do bloco central como sendo um governo de salvação nacional. Esse contra-senso, alimentado por quem de direito, é apenas o primeiro passo para o objectivo final: outorgar aos obreiros do Estado Social… o estatuto de reformistas do Estado Social.

Na verdade, ao contrário do que seria de supor e de esperar numa ordem política decente, a reforma (vamos, por agora, adoptar o termo “reforma”) do Estado Social não será feita, ou sequer inspirada, por aqueles que, há anos, prevendo e antecipando, defenderam por vários motivos (uns utilitaristas outros não) a falência do modelo. A “reforma” do Estado Social será encomendada, precisamente, aos cultores do dito, os mesmos que se recusaram sequer a perceber os mais dramáticos sinais da sua falência.

E os primeiros sinais já aí estão, com os cúmplices do socratismo a dar o dito por não dito e fazerem-se surpreendidos com as mentiras e omissões do Primeiro-Ministro e Ministro das Finanças. Esses cúmplices, socialistas até à medula, começam já a falar da reforma do Estado Social, prontos a aparecer como os salvadores da pátria. E não duvidemos por um segundo: serão eles, como sempre, se alguém não lhes puser travão, a “reformar” o Estado Social.

É também por isso que, como o Rui Albuquerque bem refere, quanto menos governo, melhor.

Cosmopolitismo de terceiro mundo

Filed under: Política,Portugal — Adolfo Mesquita Nunes @ 12:00

Lisboa não resiste às primeiras chuvas e deixa-se afogar como uma pequena povoação de uma qualquer Venezuela chavista. O centro da cidade, que os socialistas querem sem carros e cheio de comércio e vibrante juventude, inundou. O pequeno comércio da Baixa, que os socialistas querem proteger e manter, inundou. O trânsito, que os socialistas querem desviar até se tornar impossível andar de carro no centro, inundou. Este é o retrato de uma Lisboa que gasta milhões em concertos e festas ao melhor espírito cosmopolita mas que se esquece de limpar as sarjetas para prevenir as inundações.

Outubro 22, 2010

Os cúmplices (3)

Filed under: Economia — Adolfo Mesquita Nunes @ 15:39

De onde vem este consenso, sobretudo entre os economistas que comentam e opinam, sobre o triste resultado, na economia nacional, das políticas públicas socialistas? De onde vem este consenso, que hoje nos entra pela televisão, jornais e rádio, que assevera a maquilhagem, durante anos, das contas públicas pelos socialistas? De onde vem este consenso, partilhado por quem há anos comenta e analisa e detalha a economia, sobre o triste estado da nossa situação orçamental?

Pode haver quem se esqueça do que a esmagadora maioria desses senhores, supostamente esclarecidos, supostamente especialistas, andou a dizer nos últimos anos. Ou do desdém com que olhavam para quem ousasse alertar para a realidade que hoje se conhece. Mas eu não me esqueço.

E é por isso com nojo, exactamente – nojo – , que os vejo hoje, com ar grave e sério, a atestar o estado de emergência orçamental. Como se o estado de emergência tivesse surgido do nada. Como se o estado de emergência não tivesse surgido com a sua activa cooperação. Como se, afinal de contas, eles não tivessem sido parte da encenação socialista que nos trouxe até aqui.

Outubro 21, 2010

Novo Insurgente: Tiago Loureiro

Filed under: Insurgentologia — Adolfo Mesquita Nunes @ 13:05

Quem nos segue na nossa página do Facebook já saberá que a partir de hoje contamos com um novo membro n’O Insurgente, o Tiago Loureiro. Alguns conhecê-lo-ão da blogosfera já que, apesar dos 24 anos, não é propriamente um novato nestas andanças, tendo eu tido a sorte de com ele poder contar, por exemplo, no Rua Direita.

Por ser meu amigo, e só por isso, cabe-me a tarefa de o apresentar aos leitores d’O Insurgente. Mas o Tiago não entra hoje para O Insurgente por ser meu amigo, que agradeço; ou por ser um fanático de Jorge Palma, que é sinal de bom gosto; ou sequer por ser sportinguista, que lamento.

O Tiago entra hoje para O Insurgente, como espero que muitos entrem no futuro, porque, como cada um dos que aqui está, à sua maneira, tem más relações com o socialismo e preza demais a liberdade. E gosta de explicar porquê.

Cada um terá as suas razões para se afastar do socialismo e prezar a liberdade. No caso do Tiago, como ele próprio diz, sendo capitalista não praticante (ao que parece, o dinheiro não lhe sobra nos bolsos), sempre preferiu ser ele gastar mal o dinheiro. É um excelente motivo, a juntar a todos os outros que ele por aqui evidenciará.

O Tiago logo explicará, se tiver vagar, o papel que a blogosfera desempenhou na sua tomada de consciência política. Mas posso garantir-vos que a sua entrada hoje, neste blogue, me dá uma particular sensação de recompensa. E digo-o sem qualquer paternalismo. Antes pelo contrário. Terão ocasisão de perceber porquê.

Outubro 19, 2010

Desculpe??

Filed under: Economia,União Europeia — Adolfo Mesquita Nunes @ 23:07

A Comissão Europeia veio, ao que parece, e em comunicado, sugerir a criação de um novo imposto, desta feita europeu, para aumentar os recursos próprios da União. O objectivo, segundo diz a Comissão, é reduzir as contribuições dos Estados-membros.

Não entendo.

Se o dinheiro dos Estados vem dos contribuintes, qual é a necessidade de reduzir a contribuição dos Estados-membros, já que é o mesmo contribuinte que paga?

E já agora, se o contribuinte é o mesmo, a criação deste novo imposto envolve a proporcional redução das cargas fiscais nacionais? Ou o objectivo, vai lá ver, não é tanto o de reduzir a contribuição dos Estados-membros mas, isso sim, o de agravar ainda mais a carga fiscal dos contribuintes?

Outubro 9, 2010

O beco sem saída de Passos (3)

Filed under: Portugal — Adolfo Mesquita Nunes @ 13:35

Passos Coelho não é, nem está, obrigado a viabilizar o Orçamento de Estado. Ele tem, aliás, amplos motivos de ordem política, económica e financeira, para o não aprovar. E existem outros partidos que o podem fazer (embora destes se exija um voto favorável e não, como ao PSD, uma mera abstenção). Porque considero então que, tendo esta ampla liberdade, Passos Coelho está num beco sem saída?

Porque, de forma absurdamente desnecessária, Passos Coelho se colocou na boca do lobo. Chamou a si, desde o começo, o protagonismo do destino do Orçamento. Assumiu, antes de qualquer outro, o papel de condição necessária de viabilização do Orçamento. Apagou, de forma deliberada, qualquer papel dos restantes partidos da oposição na construção de uma qualquer solução. Apareceu, desde o primeiro dia, a condicionar a discussão orçamental, antecipando votos e posições, centralizando em si o procedimento de aprovação do documento. Passos centralizou no PSD a oposição e a solução para o país.

Com esta temerária estratégia, Passos desviou o centro da discussão. Em vez de termos começado o folhetim orçamental por olhar para o Orçamento e para o Governo, olhámos, por vontade do próprio, para Passos e para o PSD. Em vez de termos começado a discutir o Orçamento num plano parlamentar, discutimo-lo, por vontade do próprio, ao sabor das posições e medidas de Passos e do PSD.

Bem ou mal, justa ou injustamente, o que hoje politicamente se discute são os humores do PSD quanto ao Orçamento. Isto não teria grande mal se os protagonistas fossem outros. Acontece que o país já conhece Sócrates e a sua teimosia e esperava que Passos também a conhecesse. De Sócrates, o país não espera que ceda. Já de Passos a coisa é diferente. É por isso que centralizar o Orçamento em Passos tem a dimensão que tem: é dele que se espera uma resposta, pois que de Sócrates já todos sabemos, e soubemos, que não cederá. É nas mãos de Passos que está a solução.

De nada vale agora apelar para o parlamento ou para as outras forças políticas. De nada vale agora insistir na necessidade de encontrar uma solução que ultrapasse o PSD. Politicamente o eleitorado foi conduzido, por Passos, ao ponto em que estamos: o PSD viabiliza o Orçamento? É esse o beco de Passos. Tome a decisão que tomar, é ele o responsável.

Dito isto, mantenho que considero que todos aqueles que, como eu, consideram que este Orçamento deve ser, a manter-se o que vem sendo anunciado, chumbado, estão a exigir demais de Passos com a conversa de que só é sério e capaz e de fibra se inviabilizar o Orçamento.

Outubro 7, 2010

O beco sem saída de Passos (2)

Filed under: Diversos,Política,Portugal — Adolfo Mesquita Nunes @ 09:38

Se o PSD estivesse mesmo à procura de espaço para inviabilizar o Orçamento, como esta notícia do DN procura dar conta, a convicção, anunciada pelo FMI, de que as medidas de austeridade anunciadas pelo Governo vão empurrar Portugal para a recessão, seria como ouro sobre azul para Pedro Passos Coelho. Oferece-lhe, como se ela ainda fosse necessária, a confirmação de que as medidas apresentadas pelo Governo são más e insuficientes para injectar credibilidade na nossa economia.

As coisas não são, no entanto, o que parecem. A notícia do DN não retrata propriamente a vontade de o PSD encontrar espaço e fundamento para inviabilizar o Orçamento. Antes pelo contrário, ela retrata, isso sim, a recente estratégia do PSD para encontrar espaço para o viabilizar. A estratégia, que seria boa se tivesse sido posta em prática desde o começo do folhetim orçamental, passa, por um lado, por fazer crescer o peso do PSD nas negociações do Orçamento e passa, por outro lado, por criar a imagem de um partido livre (e não encurralado, como efectivamente está) nas suas opções e confiante na sua liderança.

Se assim é, toda e qualquer notícia que acentue o disparate de Orçamento a apresentar pelo Governo terá por condão a diminuição do espaço político que Passos Coelho agora tenta criar. Essas notícias, que Passos agradecerá nos meses de execução orçamental, são agora dispensáveis para quem, como ele, procura aclimatar-se às irrenunciáveis pressões para viabilizar o Orçamento, que aqui já descrevi e para onde remeto. 

Se Passos Coelho estiver, como em minha opinião está, num beco sem saída, estas notícias não só lhe diminuem o espaço político como oferecem, a quem já espreita, boas oportunidades para questionar a liderança de Passos, dizendo aliás dele o que Passos disse de Manuela Ferreira Leite…

Outubro 4, 2010

Os cúmplices (2)

Filed under: Portugal — Adolfo Mesquita Nunes @ 14:14

Tenho chamado várias vezes a atenção, aqui n’O Insurgente, para o papel dos cúmplices do Governo na criação de uma ilusão colectiva que retrata Portugal como um país em crescimento e não como um país à beira do abismo. Faço-o não para desresponsabilizar o Governo, que é efectivamente o primeiro e último responsável pelo estado de coisas, mas para tentar ajudar a explicar o sucesso da estratégia de ilusão e o seu papel na carreira governativa dos socialistas.

Ao contrário do PSD, cujas chamadas elites se apressam a criticá-lo assim que lhes cheira a algo que lhes coloque o nome em risco (basta ver, por exemplo, a forma como sem grande problema se dedicaram a criticar os Governos de Durão, de Santana ou mesmo de Cavaco), o PS beneficia de uma espécie de cumplicidade das suas chamadas elites (filiadas ou não), que impede ou dificulta que o país acorde para a realidade.

Essa cumplicidade pode ser passiva, passando pelo absurdo, mesmo quando ruidoso, silêncio, como pode ser activa, passando pela despudorada e desonesta defesa de teses e teorias que se sabem falsas ou ilusórias. Há episódios para todos os gostos, desde o silêncio perante um deputado que furta gravadores a jornalistas, até à defesa despudorada de políticas despesistas e eleitoralistas que agora, também com a sua despudorada defesa, são revogadas. 

De uma forma ou de outra, a governação socialista passa assim sem que alguém insuspeito, e por isso das suas próprias fileiras (partidárias ou ideológicas), diga que o Rei vai nu. É por isso, essencialmente por isso, que a opinião pública, beneficiando aliás de uma certa preguiça da comunicação social, vai tomando como exagerada ou histérica a reacção da oposição às políticas ruinosas dos socialistas.

Manuela Ferreira Leite soou demasiado alarmista, não tanto porque do PSD lhe faltou apoio, mas porque o povo não estava preparado para que o estado de coisas que ela relatou pudesse existir sem que, do lado dos senadores e das reservas do país, se ouvisse um “ui” sequer. Se a situação fosse tão desesperada como Manuela Ferreira Leite a pintava, evidentemente que uma enorme mole de gente sábia e respeitável, mesmo do lado dos socialistas, estaria igualmente a alertar o país para o país. Se essas reservas estavam caladas, Manuela Ferreira Leite estava apenas a fazer oposição. Simples.

É por isso que entrevistas como a que hoje é feita a Henrique Neto fizeram falta, não agora, momento em que o país começa a acordar, mas durante os meses em que a estratégia da ilusão funcionava em pleno e era necessário trazer a público todos aqueles que, sendo insuspeitos porque não ligados a qualquer outro partido, estavam na disposição de cumprir a sua função de elite.

Era então que apetecia ler, de um histórico do PS, que “Sócrates iludiu, durante cinco longos anos, todos os reais problemas da economia através de um optimismo bacoco e inconsciente. Não o fez apenas por ignorância, mas para servir os interesses da oligarquia do regime, através da especulação fundiária e imobiliária, das parcerias público-privadas, dos concursos públicos a feitio, das revisões de preços e de uma miríade de empresas, institutos, fundos e serviços autónomos, além das empresas municipais. Regabofe pago com recurso ao crédito e sem nenhum respeito pelas gerações futuras”. Agora vem tarde.

Outubro 1, 2010

O beco sem saída de Passos

Filed under: Política,Portugal — Adolfo Mesquita Nunes @ 10:37

São vários os apelos, mais na blogosfera do que propriamente na opinião publicada, dirigidos a Passos Coelho pedindo-lhe que não viabilize o Orçamento de Estado. Entendo esses apelos, ciente de que também estou que este Orçamento, conhecidas que são as suas linhas gerais e tendo em conta o autismo com que temos sido brindados pelo Governo, é absolutamente insuficiente para resolver os problemas com que nos defrontamos. Mas será justo, do ponto de vista político, pedir a Passos Coelho que o faça?

No actual calendário político, e depois de o Presidente da República ter, na prática, sancionado o Orçamento, uma inviabilização do Orçamento conduziria a um período de meses sem eleições. Nesse período, como me parece natural, os mercados reagiriam de forma muito negativa à instabilidade criada em Portugal, agravando em muito a situação económica do país . Instabilidade essa que não depende só da inviabilização do Orçamento mas também, ou talvez sobretudo, da especial vocação nacional para arrastar processos eleitorais durante meses.

Pode exigir-se a Passos Coelho que, durante esses meses, apareça, pela propaganda socialista e pela especial actuação política do Primeiro-Ministro, como a razão de todos os males e como o rosto de todos os aumentos (juros, dívida, desemprego…)? Como pode Passos Coelho defender-se, num país político dominado por uma propaganda socialista (a mesma que considera impensável a inviabilização do Orçamento) dos ferozes ataques que vai sofrer? Não tenhamos dúvidas: chumbado o Orçamento, tudo o que vier de pior a seguir será culpa de Passos. Diariamente o Governo o dirá e diariamente a propaganda o repetirá.

Consideram alguns, e eu percebo, que a fibra política de Passos Coelho ver-se-ia precisamente aí. Nesse seu gesto de pensar no país e não nas eleições. Talvez seja. Mas se esse gesto de pensar o país conduzir a um novo e legitimado governo socialista, serve-nos a fibra de muito pouco. Infelizmente, penso que Passos Coelho está num beco sem saída. Sobretudo quando o Presidente da República, a quem tudo se admite em prol da reeleição, sancionou o Orçamento.

Adenda: Não contesto, de forma alguma, que os mercados também reagirão a um mau Orçamento. O que apenas procuro dizer aqui, com este cenário, é que sem Orçamento e com um Governo em roda livre durante meses, os mercados vão reagir negativamente. E a culpa, sendo apenas do Governo, vai morrer casada com Passos, atenta a propaganda socialista. Já uma reacção negativa dos mercados a este Orçamento culpará apenas o Governo.

Setembro 30, 2010

Da austeridade

Filed under: Portugal — Adolfo Mesquita Nunes @ 10:47

As medidas anunciadas ontem pelo Governo seriam de austeridade se não se traduzissem, afinal de contas, na correcção de um conjunto de desvarios em que o Governo se deixou enredar nos últimos tempos, mesmo quando a crise já estava instalada. Assim sendo, as medidas anunciadas pelo Governo deveriam ter outro nome qualquer. Medidas de correcção de disparates eleitoralistas, por exemplo.

Setembro 29, 2010

Demitam-se sff

Filed under: Política,Portugal — Adolfo Mesquita Nunes @ 23:49

As medidas de austeridade anunciadas pelo Governo deveriam, se aquilo fosse um Governo normal, determinar a demissão (a pedido próprio ou por iniciativa do Primeiro-Ministro) de uns quantos ministros. Não porque esses ministros sejam maus (nem é isso sequer que está em causa) mas, isso sim, porque esses ministros  foram desmentidos lapidar e categoricamente.

As medidas de austeridade não podem ser aplicadas por, ou estar à mercê de, ministros que, durante meses, mesmo quando a inevitabilidade de medidas de austeridade estava à vista de todos, negou as vantagens e a necessidade e urgência das políticas de austeridade, chegando mesmo, em alguns casos, a alertar para os perigos de tais medidas.

Manter António Mendonça no Governo (ou Vieira da Silva ou Santos Silva ou o próprio Teixeira dos Santos) a aplicar medidas de austeridade será qualquer coisa de parecido a pedir a um pirómano que vá para a floresta fazer limpeza de prevenção de fogos.

Socialismo português pelos próprios (2)

Filed under: Política,Portugal — Adolfo Mesquita Nunes @ 22:28

Se precisarmos que o FMI nos salve, talvez essa seja de facto a nossa salvação.

A nossa salvação, já há muito que por aqui se sabe mas é sempre bom contar com o apoio de Almeida Santos, passa pelo reconhecimento de que este Governo é incapaz. Esperemos que o Presidente da República tenha tomado boa nota da coisa.

Socialismo português pelos próprios (1)

Filed under: Política,Portugal — Adolfo Mesquita Nunes @ 22:25

O povo tem que sofrer as crises como o Governo as sofre” (não, o link não é para o Inimigo Público, é mesmo para o Público a sério).

Talvez alguém pudesse explicar a Almeida Santos que, ao contrário do povo, que é feito de gente, o Governo, que é um ente, não tem dinheiro próprio. Vai daí, qualquer sofrimento que o Governo possa sentir com a crise não deixa de ser psicológico (e, espera-se, já agora, cheio de remorsos). Quem paga a crise, com ou sem sofrimento psicológico dos socialistas, é o povo mesmo.

Setembro 28, 2010

Não é uma opção

Filed under: Economia,Portugal — Adolfo Mesquita Nunes @ 11:20

O que tem de ser política e economicamente demonstrado ao eleitorado, e nisto a oposição tem falhado constantemente, não é tanto que o aumento dos impostos é algo de indesejável para a nossa economia, algo que qualquer eleitor entende (embora não necessariamente concorde) mas, isso sim, que esse aumento de impostos não é já, por força da nossa situação económica, sequer uma alternativa.

Aquilo que deve ficar política e publicamente evidenciado, e está longe de o estar, é a impossibilidade de um aumento de impostos em Portugal ter qualquer efeito positivo na vida das pessoas, mesmo quando considerado o seu (inexistente) efeito positivo na economia nacional.

Setembro 25, 2010

Temos Presidente?

Filed under: Política,Portugal — Adolfo Mesquita Nunes @ 20:38

O Ministro das Finanças já confessou que não sabe como fazer o Orçamento e não sonha como possa cortar-se na despesa. O Primeiro-Ministro já demonstrou que não consegue entender-se com qualquer um dos partidos portugueses, seja ele qual for e tenha ele o líder que tiver. Os partidos da oposição já assumiram a indisponibilidade para aprovar um Orçamento de Estado como aquele que o Governo pretende apresentar e o Governo já antecipou que a oposição serve para assinar de cruz e não para sugerir alterações.

Senhor Presidente da República, esperemos bem que a sua chamada dos partidos a Belém seja, por fim, para exercer os poderes que constitucionalmente lhe foram conferidos para impedir a absoluta marginalização do interesse nacional e não para, afinal de contas, encenar uma qualquer aparência de normalidade na triste situação em que nos encontramos. Se for para conversa de chá, que venha Alegre, que ainda declama uns poemas que podem ser musicados e ainda se consegue fazer um sarau.

Setembro 24, 2010

Encenações do regime

Filed under: Portugal — Adolfo Mesquita Nunes @ 11:30

Ainda há quem, parecendo acreditar que José Sócrates é confiável parceiro em negociações, insista na necessidade de Passos Coelho, em nome da responsabilidade e do sentido de estado e de toda essa conversa altamente produtiva, se sentar de novo à mesa das negociações para aprovar o novo Orçamento.  É oferecer-lhes uma visita guiada à confiável governação de José Sócrates, homem de uma só palavra. Em pouco tempo perceberão que é precisamente o sentido de estado a determinar que se não converse com o primeiro-ministro. 

Mas há ainda quem, sabendo da impossibilidade de manter uma confiável negociação com José Sócrates, dizendo à boca pequena que o primeiro-ministro não tem palavra, prefira manter a encenação do regime e do funcionamento das instituições e, sem pudor, insista na manutenção das negociações. É oferecer-lhes uma visita guiada às democracias formais que por este Mundo abundam. Em pouco tempo reconhecerão ser lá que o seu discurso da responsabilidade mais faz sentido.

Uns e outros enchem a boca com Portugal e com o interesse nacional. Mas Portugal e o interesse nacional não vivem de aparências. Seria por isso preferível que uns e outros pedissem a Passos Coelho que se limitasse, como Marcelo fez com Guterres, a aprovar o Orçamento de Estado sem qualquer interferência e em jeito de carta branca. O interesse nacional ficava comprometido à mesma mas, ao menos, dispensávamos a encenação.

Setembro 20, 2010

Os cúmplices

Filed under: Double standards,Economia,Portugal — Adolfo Mesquita Nunes @ 11:13

O Miguel Morgado relembra, e bem, todos aqueles que, do alto do seu estatuto académico e profissional, deliberadamente se prestaram a servir a tese de que o investimento público em tempo de crise é a receita ideal para sair da dita. Que a disparatada tese seria negada pela força da realidade, já se sabia. O que não se esperava era que a coisa fosse reconhecida pelo Governo em pleno Diário da República.

Fica por isso a descoberto o papel de todos aqueles que emprestaram a sua credibilidade para alimentar um logro. Um logro de consequências económicas nefastas e que teve implicações políticas. Sendo de esperar o ar de espanto com que alguns em público aparecerão, como se nada fosse, seria bom que se lhes recordasse o estatuto que envergam e de que não devem fugir: cúmplices. E se do Governo se espera que doure a pílula da sua triste governação, disfarçando a mentira com a treta da confiança, já desses cúmplices se esperava que o brio profissional os impedisse de credibilizar e alimentar o que era visivelmente um disparate.

Seria aliás interessante que se analisasse o papel desses e de outros cúmplices na sobrevivência deste Governo. Tem sido a sua cumplicidade, complacência e cooperação que tem permitido ao Governo ostentar qualquer coisa de vagamente técnico. Sem eles, o logro já teria sido desmascarado há mais tempo. Sem eles, o país teria poupado muito tempo e dinheiro.

Obrigado pois a: (mais…)

Setembro 14, 2010

Na melhor das hipóteses

Filed under: Política,Portugal — Adolfo Mesquita Nunes @ 11:16

Já ouvimos de tudo para justificar a embrulhada constitucional do PSD: encontros e desencontros, precipitação e erros de comunicação, rascunhos e esboços. Na melhor das hipóteses, sendo a pior a constatação de que o PSD não sabe o que quer ao certo para o país, falta coragem neste PSD para assumir o que entende ser necessário para salvar o país do buraco em que se encontra. Talvez seja isso, e não outra coisa qualquer que rapidamente se apressarão a encontrar os estrategas da comunicação, a justificar a queda do PSD nas sondagens.

Setembro 7, 2010

Falta de vergonha na cara

Filed under: Economia,União Europeia — Adolfo Mesquita Nunes @ 21:40

A propósito de uma eventual proposta de criação de um imposto europeu, acabo de ouvir Durão Barroso dizer, textualmente, o seguinte: ” Agora vamos ser completamente honestos: se estamos numa situação em que os Estados-Membros têm uma grande pressão sobre os seus orçamentos, se eles não podem manter ou aumentar a contribuição para a União Europeia, e se a União Europeia precisa de fundos para levar a cabo os seus objectivos, de algum lado têm de vir esses recursos”.

É muito comum, mesmo entre os contribuintes, esta ideia de que os Estados-Membros têm dinheiro. Mas não têm. O dinheiro que têm provém, directa ou indirectamente, dos contribuintes. Portanto, com toda a lata deste Mundo, aquilo que Durão acaba de sugerir é nada mais nada menos do que a total asfixia fiscal dos europeus: já esmagados pela necessidade de alimentar as vorazes máquinas do Estado Social em que vivem, são agora obrigados a alimentar a voraz máquina de uma constelação institucional que nunca referenderam ou validaram e que, em tempos de crise, prefere atingir os cidadãos a reformar-se.

Julho 16, 2010

O país que não existe

Filed under: Economia — Adolfo Mesquita Nunes @ 16:19

Não é propriamente relevante que o Primeiro-Ministro invente, num debate como o debate do estado da nação, um país que não existe senão na sua cabeça. Podemos gostar ou não da invenção, mas o certo é que ela se insere, apesar de tudo, no âmbito do combate político natural e da especial vocação, que qualquer primeiro governante tem, para estimular os cidadãos.

O que é verdadeiramente relevante, e preocupante, é que os documentos norteadores do país, como os orçamentos e os pec’s apresentados pelo governo socialista, sejam também eles parte da construção de um país que não existe. É que se discursos dourados podem em tese animar os cidadãos, orçamentos e pec’s irreais têm o efeito contrário. Uma economia assente em previsões falsas ou fantasiosas é uma economia doente e que não recolhe a confiança de quem investe. Uma economia enquadrada por documentos desenquadrados é uma economia em falência.

É pena que José Sócrates teime em desconhecer a realidade que intuitivamente  quer esconder.

Julho 12, 2010

O governo em permanente caso de força maior

Filed under: Cultura,Portugal — Adolfo Mesquita Nunes @ 14:38

Não percebo, sinceramente que não, este autêntico levantamento contra as declarações de Gabriela Canavilhas relativamente ao Director-Geral que ela se escusou de demitir. Elas espelham, até em menor grau e com menor espalhafato, a prática socialista de sacudir, uma e outra vez, a água do capote.

Não há crise, não há desemprego, não há falências, não há incompetências, não há atrasos ou derrapagens que lhes sejam imputáveis. Tudo vem de fora ou dos outros ou do tempo ou da conjuntura ou da oposição ou do botaabaixismo ou até, mesmo volvidos não sei quantos anos, do Santana. Nada, absolutamente nada, que possa correr mal é da sua responsabilidade.

Estamos pois perante um governo em permanente invocação de casos de força de maior. Perante isto, Canavilhas não surpreende em nada. Surpreenderia, isso sim, se estivesse caladinha ou, melhor ainda, se estivesse a tentar resolver as trapalhadas que os antecessores lhe deixaram de presente.

Julho 8, 2010

Até já invocam a Thatcher!

Filed under: Double standards,Economia,Política,Portugal — Adolfo Mesquita Nunes @ 16:24

Não deixa de ser engraçado que a frente avançada contra o neoliberalismo venha agora a invocar a herança Thatcherista das golden shares como argumento a favor do uso que dela fez o Estado Português na PT (veja-se, por exemplo, o post do João Galamba a este respeito).

Engraçado não só pelo irónico paradoxo a que o desespero já conduz (a Thatcher, meus senhores! já invocam a Thatcher!) mas também pelo desconhecimento do contexto da criação das golden shares. Na verdade, o instrumento das golden shares surgiu para tentar convencer, precisamente, os socialistas a aceitar o processo de privatizações (palavra também essa utilizada para suavizar a ideia de des-nacionalizações) empreendido por Thatcher e que se veio a revelar num dos mais importantes mecanismos de desenvolvimento económico do país.

Mas se é Thatcher que é invocada, invoque-se e analise-se e compare-se então a utilização em concreto do instrumento. Isso sim, seria um bom debate e esclareceria as coisas. Queres começar, João, por invocar uma utilização de golden share por Thatcher semelhante à de José Sócrates?

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