tratar das feridas

Is China Finally Coming to Terms With Its Horrific Past?

‘While the Party has chosen to selectively forget the most gruesome excesses of the Cultural Revolution, some ordinary Chinese are pushing to reveal the gruesome and extremely personal cost of the Cultural Revolution. Using blogs, paid advertisements, and television appearances, some participants in the horrific crimes of the era have begun publicly apologizing to their victims and calling on their countrymen to do the same.

The most shocking story to emerge during the recent wave of apologies came from lawyer Zhang Hongbing. In 1966, at the age of 13, Zhang joined his school’s Red Guard unit, making him a footsoldier in the struggle to persecute those who deviated from Maoist orthodoxy. In 1970, Zhang publicly denounced his mother, Fang Zhongmou, for slandering Mao during an argument with Zhang’s father. In a letter titled “Exposing the heinous crimes of counter-revolutionary Fang Zhongmou,” Zhang demanded his mother be shot. Several weeks later, she was publically executed.’

Estes são os temas que presentemente me têm entretido, mas não interessam só aos nerds da revolução cultural. Em boa verdade, o imbróglio ideológico (e económico e social e…) chinês pode ser melhor entendido se formos estando atentos ao que vai sendo dito, sobretudo oficialmente e pelos netizens, sobre a revolução cultural. Por um lado, têm surgido em catadupa as confissões e pedidos de desculpa de antigos guardas vermelhos que participaram em violências várias durante a revolução cultural (aqui um exemplo, que me foi enviado pelo Rui Carmo), desde filhos da elite comunista (relembre-se: os criadores e as primeiras fileiras de guardas vermelhos, tornando os ataques aos seus socialmente mais modestos professores uma estranha, ou não, luta de classes num país comunista) aos ex guardas vermelhos de origens mais humildes. Esta necessidade de pedir perdão tem-se tornado atividade tão intensa que um site liberal organizou um concurso de confissões de ex guardas vermelhos. Mas além de intenso, este reavivar das feridas da revolução cultural é tão problemático, legitimidade-do-regime-wise, que as autoridades prontamente persuadiram os donos do site a abandonarem a ideia. No entanto, as próprias das autoridades não se coíbem de usar os fantasmas da revolução cultural se for em seu benefício. Na espécie de crackdown aos livre-opinadores chineses que o partido comunista tem patrocinado nos últimos tempos, para limitar as opiniões críticas que circulam na internet, lembraram-se de equiparar os ‘rumores’ da internet aos omnipresentes dazibao da revolução cultural - os posters de grandes caracteres onde se faziam, anonimamente ou não, acusações de toda a espécie a toda a gente. Que, não raras vezes, significavam perseguições para os visados mas nunca castigos para quem escrevia falsas acusações. Dá para tudo, a revolução cultural, bem entendido.

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5 pensamentos em “tratar das feridas

  1. Lucklucky, obrigada pelos links. Muito interessantes, sobretudo para mim que estou precisamente a estudar as memórias da revolução cultural.

  2. A história de um filho que entrega para execução a mãe é normal quando ondas ideológicas fanáticas (sim, porque não existe outro nome para isto) invadem um país.

    Em Espanha, durante a Guerra Civil, irmão matou irmão por este se encontrar do outro lado das trincheiras. Sobrinho mandou prender o tio por este pertencer a uma grupo ideológico diferente.

    E na Venezuela, onde a imagem de Chávez apareceu numa parede, tenho a certeza que chamar uma autêntica parvoíce sem sentido será fuzilado.

  3. Se está muito interessada nas memórias da Revolução Cultural, pesquise «o Arquipélago Sem Nome» (é mesmo assim que se chama em Mandarim). Pode também ler algo das várias transições da China no livro «Cisnes Selvagens».

  4. O interessante é que este assassinos de milhões, guardas prisionais, mandatários de partidos comunistas nunca foram a julgamento. Nada se fala, nada se lê na imprensa escrita, nada se vê na televisão: um apagamento total.

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