Ideias verdadeiramente importantes

Do artigo de Ricardo Reis, em Dinheiro Vivo.

Há poucas semanas, saiu um livro de dois académicos, Anat Admati e Martin Hellwig, com um argumento poderoso: aumentar os rácios de capital dos bancos, dos atuais 3% a 10% para 30% a 50%, era a melhor forma de garantir a estabilidade do sistema financeiro. Provavelmente, esta pequena medida seria superior aos milhares de páginas de novos regulamentos sobre o sistema financeiro que vão entrar em vigor nos EUA e na Europa.

(…)

A objeção mais frequente é que os bancos iriam cortar o crédito à economia por não conseguirem obter o capital necessário. Esta falácia tem uma tradição tão longa, que o Nobel da Economia de 1985 premiou quem a rebateu. O que determina se um banco ou outra empresa faz um investimento é a sua rentabilidade. Obrigar o banco a ter mais capital apenas exige que tenha menos dívidas. Os investimentos de uma empresa grande cotada na Bolsa podem ser financiados com capital ou com dívida: reduzir um, aumenta o outro, mas não muda o investimento.

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3 pensamentos em “Ideias verdadeiramente importantes

  1. ««Esta falácia tem uma tradição tão longa, que o Nobel da Economia de 1985 premiou quem a rebateu. O que determina se um banco ou outra empresa faz um investimento é a sua rentabilidade. Obrigar o banco a ter mais capital apenas exige que tenha menos dívidas. Os investimentos de uma empresa grande cotada na Bolsa podem ser financiados com capital ou com dívida: reduzir um, aumenta o outro, mas não muda o investimento.»»
    .
    A rentabilidade do investimento num banco é tanto maior quanto maior for a alavancagem. Forçar o aumento dos rácios de capital só permite manter a rentabilidade do capital se o banco eliminar os empréstimos menos rentáveis. Como é óbvio, só se investe em capital de um banco se a rentabilidade for superior à de emprestar dinheiro a esse mesmo banco. Logo, e como se tem visto em Portugal, o aumento do capital dos bancos leva forçosamente à redução global do crédito. O que é desejável, mas muito doloroso.

  2. A longo prazo, parece-me, não. O ponto essencial, parece-me, é o de que a menor alavancagem permite ao sistema financeiro regressar àquilo que deve ser, um intermediário entre a poupança e o investimento, e não um exorbitante multiplicador monetário.

  3. “Como é óbvio, só se investe em capital de um banco se a rentabilidade for superior à de emprestar dinheiro a esse mesmo banco. Logo, e como se tem visto em Portugal, o aumento do capital dos bancos leva forçosamente à redução global do crédito. O que é desejável, mas muito doloroso.”

    Caro JM, Vc. não complique nem baralhe a cabeça do sr. Jorge Costa.

    Ele quer redução da alavancagem bancária mas atribuiu os seus efeitos recessivos, que acontecem em Portugal como bem aponta, ás políticas fiscais do Governo. Está a ver a coisa? Ele quer políticas que são recessivas mas não assume as suas dores. Para isso usa as previsões falhadas do Gasparov e atribuiu isso à suposta incompetência do Gasparov.

    O JM não pode complicar demasiado os problemas senão o sr. Jorge Costa tem uma apoplexia. Está a ver a coisa? Deixe-o viver na sua visão do mundo das sebentas económicas. O Gasparov cá estará para arrostar com os efeitos dos que vivem no mundo das sebentas teóricas da gestão da coisa pública. ehehehehehh

    Apaga, apaga com o sabão-rosa. lol

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