A preferência pela inflação está-nos a custar

Os olhos da cara. No fundo é este gráfico, traçando a evolução do deflator do PIB em Portugal e na Alemanha, nos últimos 17 anos, que está em causa no problema amplamente discutido aí em baixo. Os preços em Portugal aumentaram 50%. Na Alemanha 14%, no mesmo período. Encarecemos mais de 30% em relação à Alemanha. Até podemos continuar a preferir a inflação. O que se provou foi que continuar a preferi-la e viver com os alemães na mesma moeda não é possível. E a ideia de que não está devidamente estabelecido que uma inflação moderada é sem si mesmo perniciosa cai, pelo menos como princípio genérico, pela base. Moderada em relação a quem, se tivermos a mesma moeda?

Preços e competitividade

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7 thoughts on “A preferência pela inflação está-nos a custar

  1. Mas o que é a Deflação?

    É muito importante perceber de facto o que quer dizer o conceito, para não cairmos na asneira.

    Von Mises no seu livro “Teoria da Moeda e Crédito”

    “a diminution of the quantity of money (in the broader sense) which is not offset by a corresponding diminution of the demand for money (in the broader sense), so that an increase in the objective exchange-value of money must occur.”

    O que nos diz este paragrafo é que Deflação é uma diminuição da quantidade de moeda disponivel que não é acompanhada por uma diminuição da quantidade procurada de moeda.

    O efeito deste fenómeno é uma quebra de preços, a realidade é que hoje as palavras inflação e deflação foram corrompidas e servem para referir a uma subida ou descida do nível de preços.

    Mas será tão terrível como pintam a maioria dos economistas o fenómeno da Deflação?

    Antes de analisarmos essa temática, temos de perceber que o actual sistema fiat é um sistema inflacionario, isto é, o sistema montado após 1973, assenta num continuo aumento da massa monetária, ou não tivessem a capacidade de criar dinheiro do nada os Bancos e os Governos.

    Simplificada mente quando ocorre um Boom, motivado por um aumento do crédito não assente em poupança, existe uma queda das taxas de juro induzindo o empreendedor(1) em erro, quer sobre o que o consumidor de facto ambiciona, quer no valor que os factores de produção valem. Além que este acontecimento leva a que os empreendedores invistam em bens de capital em vez de bens de consumo (2), enquanto a bolha durar estes continuaram a investir em fases mais afastadas do consumo, aumentando a extensão da produção.
    Mas como esta produção é desfasada do que os consumidores realmente querem, estes querem mais bens de consumo e menos bens de capital, quando a bolha finalmente estoira e os empreendedores percebem que julgaram mal os desejos dos consumidores.
    As taxas de juro(3) são fundamentais para perceber como é que os empreendedores, treinados a “ler” os incentivos do mercado, se enganam profundamente

    Como anteciparam mal os futuros lucros e ao procurarem factores de produção oferecendo valores que agora se revelam terem sido demasiado elevados, incorrem em perdas.

    A realidade é que toda a economia é afectada por esta bolha crediticia criada pelo Estado (autoridade monetária), ao afectar a estrutura de preços, cria Malinvestments(4), que o empreendedor só se apercebe aquando do estoirar da bolha.

    Mas o que é que isto tudo tem a ver com a deflação?

    Bem se a situação anterior ao Bust vigoravam determinada estrutura de preços, e que agora se revelam incorrectos, estes deveram corrigir para os seus reais valores.

    Se o empreendedor, oferecia salários demasiado elevados para a nova realidade estes terão de cair.
    Se o empreendedor agora compreender que os preços que cobra pelos seus produtos é demasiado elevados na nova realidade terá de os baixar, senão o fizer irá acumular stock e as perdas serão ainda maiores.

    A economia deverá toda recolocar se às novas realidades do mercado.

    Mas a deflação implica perdas do empreendedor, SIM é o custo que este terá de suportar por ter tido má visão, relembrar que o empreendedor a sua missão é ver oportunidades no mercado e agir em conformidade, se viu mal deve ser punido (neste caso a culpa não é só dele dado que foi manipulado pelo Estado), a punição a falência. Verdade que este novo patamar de preços levará a falências e a desemprego, mas o custo de as manter é muito superior.

    Mas e os trabalhadores? que culpa tem eles? Nenhuma, mas se nas novas realidades os seus trabalhos não são economicamente sãos porque deverão estes manter um emprego que não é economicamente, para a nova realidade, sustentável?
    A sua manutenção irá apenas criar desemprego noutras áreas que seriam as que estariam a contratar, bem como criar desemprego nos que infelizmente perdem o seu trabalho ,devido há tentativa de manter tudo como no Boom.

    O processo de emprego não é um processo macro mas micro.

    A economia deve ajustar para a nova realidade económica, uma em que o crédito diminuiu, todas as politicas seguidas para procurar manter os preços artificialmente elevados levaram apenas a um aprofundar da crise, a um aumento do desemprego e a uma economia cada vez mais fraca.

    O processo de ajustamento é algo demorado, mas sólido.

    Em teoria as coisas são mais fáceis de compreender, na realidade torna se mais complicado e complexo.
    Mas o que vemos hoje é que todas as medidas tomadas pelos diferentes Bancos Centrais foram uma tentativa desesperada de manter o Status Quo, a impressão monetária foi utilizada para fazer subir o preço dos Activos, repararam que as Bolsas estão a bater novos máximos pré crise, mas que nada de substancial mudou na economia real nos últimos anos.

    A resposta há crise em 2008 foi não deixar o mercado se reajustar mas antes procurar insuflar a bolha outra vez, mas a realidade tem destas coisas, por muito que queiramos lutar contra ela, esta ganha sempre.

    Marvin King ex Governador do Banco de Inglaterra afirmou que o QE nada resolvia, e que este tinha sido a maior transferência de riqueza dos que menos tem para os que mais tem. Foi Este que disse, que não fazia ideia se o que fizeram era bom ou mau, apenas que tinham de fazer alguma coisa.

    Outro aspecto que temos de focar é que a inflação/deflação são calculados pelo Estado, e são altamente manipulados. Por exemplo nos USA e UK não entra para a estatística o preço da energia e da comida.
    Em Portugal, o cabaz utilizado a mim diz me pouco, dado que os produtos electrónicos estão sempre a descer de preço e nestas circunstâncias ainda mais, mas os de primeira necessidade tem aumentado, quanto mais não seja pelo aumento dos impostos.

    O aumento dos impostos leva a uma aumento dos preços ao consumidor (aumento do IVA), mas a uma diminuição da quantidade procurada (aumento dos impostos sobre rendimento, etc…), a lei da oferta e da procura leva-nos a concluir que menos procura menos o preço tende a descer.

    O actual principal problema é o Estado, os politicos tem destas coisas, pensam que conseguem dirigir economias com milhões de pessoas, e encetam politicas desfasadas da realidade, levando a que o ajustamento demore mais tempo, levando a que a dor seja maior.

    Todos achamos que sabemos o que deve ser feito, mas a realidade é que não temos acesso a toda a informação nem conseguimos antecipar todo e qualquer cenário, é que a beleza da humanidade é isto mesmo, Ser Criativo, descobrir coisas que ainda não forma pensadas, criadas. A fuga ao fisco demonstra bem esta nossa característica criativa.

    A deflação criada por novas circunstâncias do mercado é positivo, terá as suas dores, mas isso é assim mesmo, mas será fundamental.

    (1) empreendedor é a peça fundamental na teoria austríaca, Ele é o responsável pelo investimento produtivo, Este agente é o responsável por ver oportunidades de negócio no mercado e agir em conformidade com estas, é Ele que irá procurar e contratar os diferentes factores de produção.

    (2) A teoria austríaca apresenta, ao contrário das outras correntes, uma teoria sobre o capital, sendo que este é um fenómeno de Etapas, muitas vezes referido como bens de ordem superior, dado estarem mais afastados do consumidor. Aconselho a ver um video do Prof Huerta de Soto no youtube sobre o ciclo económico explica de forma magistral muito superior ao que eu iria conseguir

    (3)A taxa de juro não é mais que o preço do futuro, isto é, exprime a preferencia intertemporal do aforrador, todos temos uma preferencia maior pelo presente do que pelo futuro, e só estamos dispostos a prescindir (em situações normais) de consumo presente por um consumo futuro maior, por isso a taxa de juro é positiva, quanto maior for a preferencia pelo futuro menor será a taxa de juro, quanto maior a preferencia pelo consumo presente maior será a taxa de juro. A taxa de juro não é mais que um preço.

    (4) investimentos não rentáveis para as reais condições do mercado, apenas rentáveis para a situação de bolha.

    Filipe Silva

    http://viriatosdaeconomia.blogspot.com/2013/03/como-o-vivendi-ja-postou-aqui-existe.html

  2. Não percebo o que este gráfico representa, podem-me explicar? O que está no eixo vertical?

  3. @ filipe silva: ufa, ainda bem que não publicou a versão longa da análise!
    O texto está correcto, mas com alguns erros gramaticais devido à sua excessiva dimensão.

    Seria mais simples escrever algo do género:

    “Durante uma década os Estatistas (políticos e banqueiros centrais) enganaram o povo imprimindo dinheiro fictício para satisfazer as suas mentiras aos eleitores e manterem-se no poder.

    Quando finalmente os mercados (esses especuladores maléficos ao serviço do Grande Satã) perceberam que os Estatistas estavam a imprimir papel, e não a criar riqueza, a conta chegou sob a forma de uma crise financeira.

    Conclusão dos Estatistas: não imprimimos o suficiente, vamos imprimir mais!”

  4. Uma pergunta, este índice representa preços no consumidor? É que a perda de competitividade face à alemanha dever-se-ia medir pela inflação salarial. Por outro lado os preços em Portugal eram bastante mais baixos do que os preços na alemanha, pelo que à medida que foram sendo eliminadas barreiras é normal que, pelo menos nos bens transaccionáveis houvesse convergência.
    Enfim, como se diz aqui pelos meus lados, in god we trust, all others: Bring data!

  5. Esses mercados são tão inteligentes que só perceberam ao fim de uma década o sistema monetário em que vivem…que génios!

  6. Estes preços, como indico no post, são os preços do deflator do PIB, e o gráfico dá a evolução comparada dos níveis de preços na economia desde 1995, ano em que o défice externo estve próximo do equilíbrio. Em 1995 o nível de preços é igualado a 100 em ambos os países. Em 2012, o nível português (149,9) é dividido pelo pelo nível alemão (114,2) e o quociente, se se mantiver constante a taxa de câmbio nominal, dá o multiplicador da apreciação/depreciação cambial, que é o indicador de tendência de competitividade relativa por excelência. A economia portuguessa sofreu, com esta medidada, uma apreciação real de 31,2% ao longo de todo este período.

  7. Pingback: O euro não só não nos forçou a reformar como tornou o adiamento das reformas possível. Chegou o dia do juízo | O Insurgente

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