A ilusão

Há quem esteja muito entusiasmado com a possibilidade destas eleições autárquicas servirem de antecâmara para uma aproximação efectiva entre o PS e o BE que, após as eleições legislativas, permita uma coligação. É, naturalmente, uma ilusão – nitidamente correlacionada com a insatisfação de muitos deputados socialistas com a liderança de Seguro. Isto porque o principal obstáculo a essa aproximação é o próprio BE, que não tem qualquer interesse nessa aproximação – o que é evidente pelos termos que estabeleceu: rasgar o memorando e dizer não à troika. Pode o PS rasgar o memorando que assinou? Não pode. Pode o PS rejeitar o diálogo com as instituições internacionais que constituem a troika? Não pode. E, não podendo, não há margem para os dois partidos se aproximarem. O BE não é, nunca foi, um partido de compromissos. Tudo isto é óbvio. Só não vê quem não quer.

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9 pensamentos em “A ilusão

  1. Poder pode, e penso que é o que vai acabar por acontecer. A vergonha já não é característica do PS, faz muito tempo.

  2. Um partido que não se consegue entender em relação a quem o lidera, pode alguma vez entender-se com quem quer que seja? O BE é um tiro no pé.

  3. Diz Cristo: “Pode o PS rasgar o memorando que assinou? Não pode.” Olhe que pode, olhe que pode, Cristo.

    Cristo ainda parece acreditar que os politicos tem alguma nocao de dignidade, moral ou palavra. Nao tem, nenhum deles. So vivem em funcao daquilo que lhe garanta o maior numero de votos e uma possivel tomada de poder. E’ so isso mesmo que lhes interessa: PODER!

  4. Os socialistas, mesmo depois de Portugal ter sido obrigado a arregaçar as mangas para fazer as reformas que nunca nenhum partido foi capaz de executar em democracia decidiram pelos vistos aproveitar o momento para se juntar a uma malta que vive na ilusão.

    Teimam mesmo em não cair na real.

    Com esta joint-venture PS/ BE acredito que agora vão andar por aí a tirar umas passas de charro (alguns é mais álcool) e a cantarolar para ir mantendo entretida a nação…

  5. Exemplos de partidos e movimentos meramente “de protesto”, que quando a ocasião de integrarem governos recuaram: Syriza, os nacionalistas flamengos da Bélgica, ou o do Beppe Grillo. São partidos-folclore, como o BE.

  6. Renovo a pergunta feita ao Insurgente aqui há dias: Quantas pessoas leva a Praça do Vaticano por m2 ?

    João Pedro

  7. “Cristo ainda parece acreditar que os politicos tem alguma nocao de dignidade, moral ou palavra.”

    Precisamente. E além disso coisas ditas impossíveis terão de acontecer.

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