Portugal socialista (2)

Na sondagem hoje apresentada, sobre eventuais cortes na despesa pública, os “sondados” parecem rejeitar os cortes naqueles que são os pricipais agregados da depesa corrente. É revelador da mitologia criada (e alimentada) em torno da despesa do estado. Por mais escandalosas que sejam as PPP’s, e que se deva fazer algo para reduzir as rendas concedidas, o seu encargo anual é relativamente reduzido face às despesas ditas “sociais” e com pessoal do estado. Nuca é demais recordar que estas representam cerca de 3/4 da despesa corrente.

É pena que não tenham também perguntado se os entrevistados aceitavam aumentos (ou ao menos a manutenção) da carga fiscal de forma a evitar reduções que rejeitam. Mas suspeito que iriamos confirmar o diagnósitico do Prof João César das Neves.

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29 thoughts on “Portugal socialista (2)

  1. Creio que seja inevitável cortes naquilo que se costuma chamar o “estado social”. Contudo, as PPP’s têm que ser zeradas antes, aliás deveria ter sido uma das primeiras medidas deste governo. Estou convencido que o país foi deliberadamente trafulhado por uns quantos governantes e empresas pelo que prová-lo e consequentemente anular os negócios por motivos de vício e reverter as verbas já pagas seria o exigível.

  2. É verdade, mas actualmente (se não estou em erro) as PPP representam um encargo anual de 400-500 milhões. Não sendo propriamente trocos não seria “zera-las” que resolveria o problema orçamental. E se as nacionalizassemos teriamos sempre encargos com custos operacionais e serviço da dívida, pelo que o valor seria sempre muito diferente de zero.

  3. As PPPs representam 1,3 mil milhões de euros (2013). Estão lá (estradas, hospitais, metro do sul do tejo, travessia ferroviária da ponte 25 de Abril), não há como “zerá-las”.
    Se as nacionalizássemos, ficaria mais barato, desde que (e isto é muito importante) de seguida as concessionássemos – caso contrário, o camarada Arménio Carlos tomava logo conta da operação.

  4. Pode até ser que sejam 400-500 milhões, mas pelo que tenho visto escrito e dito será sempre a subir. Zera-las não satisfaz, mas alivia. Como poderia ser feito, não sei, não tenho os conhecimentos necessários para dizer algo de jeito mas, parecendo-me que o país tendo sido ludibriado, quem nos ludibriou deve arcar com todas as consequências. Uma espécie de “olho por olho, dente por dente” que serviria de lição para outras tentativas semelhantes.

  5. “Pode até ser que sejam 400-500 milhões, mas pelo que tenho visto escrito e dito será sempre a subir.”

    Se não me engano, (e se no mapa que vi estava tudo contabilizado – o que é de duvidar) no auge serão 1500 milhoes.

  6. “As PPPs representam 1,3 mil milhões de euros (2013). ”

    Provavelmente o número que tenho na cabeça serão apenas as rodoviárias. Julgo que são essas as mais gravosas.

    “Se as nacionalizássemos, ficaria mais barato, ”
    É bem possível. O que é um mito é achar que se anula o custo por completo. Imagino que mesmo reduzindo a factura esta será sempre significativa.

    “caso contrário, o camarada Arménio Carlos tomava logo conta da operação”
    O aparelho político-partidária que costuma sobreviver à volta destas coisas também causa bastante dano. Mesmo sem a ajuda dos sindicatos. Mas há que garantir um pouco de “paz social” para que todos possam roubar calmamente o contribuinte.

  7. O Cesar das Neves não percebeu o essencial: assim que o capitalismo se mostrar incapaz de oferecer algumas amenidades como o Estado social e passar a oferecer só desamparo, precaridade e desemprego é o próprio sistema que corre riscos. Vocês nunca entenderam que o Estado social é o melhor amigo do capitalismo.

  8. Despesas sociais? PPP’s? Conheço gente a pontapés que acha que o problema económico se resolve despedindo parte dos deputados. Alguma dessa gente é formada em gestão de empresas!
    Já foi tempo de cair no erro de tentar demonstrar que isso não dá para a cova de um dente.

  9. É óbvio que assim seja. Os próprios partidos que hoje estão no governo andaram durante anos a criticar as “gorduras” (termo que acho deplorável) do Estado e quando questionados sobre tais gorduras davam sempre os mesmos exemplos: PPP’s, Fundações, Institutos, as Secretárias, os Motoristas e os automóveis dos Ministros, etc.. Quanto à necessidade de reestruturação do Estado e à redução de pessoal que implicava, nem pensar! Que não, não seria necessária, bastaria negociar reformas antecipadas e outros chavões análogos!
    Também acho que a reforma do Estado seria a chave para ultrapassarmos as nossas atuais dificuldades mas tal reforma terá sempre efeitos somente a médio prazo pelo que sempre seriam necessárias medidas de curto prazo quer pelo lado da receita (que foram largamente exploradas) quer pelo lado da despesa onde estarão incluídas as tais PPP’s, Fundações, Institutos, etc. e que praticamente estão na mesma. Porquê? Porque mexe com os pequenos e médios interesses instalados nos partidos que temos. Enquanto esta situação não for alterada não sairemos, como diz o Povo, “da cepa torta”.

  10. “Vocês nunca entenderam que o Estado social é o melhor amigo do capitalismo.”
    Nota-se pelas vezes que o leva à falência. O que faria então se fosse inimigo

  11. Como queira Miguel. Continuem com a desmobilização do Estado social e depois vejam o que acontece. Não venham é dizer depois que os outros é que defendem o quanto pior melhor.

  12. Fazemos assim. Sempre que se acabar o dinheiro pagamos em notas de monopólio, Ou conchinhas da praia. Tudo em nome da “paz social”

  13. Miguel, estou convencido que se perguntássemos aos portugueses se queriam subida de impostos ou em alternativa cortes no estado social a maioria preferia a subida de impostos. Pela simples razão que essa maioria não paga impostos. Foi com base nesta evidência que o Obama, nos US ganhou o seu segundo mandato…

  14. Desde que fossem outros a pagá-los. Pelo que se viu por cá ninguém está dispostos a pagar pelos seu amado “estado social”. Aliás, é precisamente essa a crítica que faz o JCN. Que aliás advoga para o estado um amplitude bastante superior à que defendo. A diferença é que ele sabe que isso tem custos que terão que ser pagos pelos contribuintes.

    Mas eu até proponho algo diferente. Dêm o direito de opção às pessoas no SNS, Seg Social e noutros progrmas onde é perfeitamente possível o opt-out. Quem quiser participar paga a sua quota que até pode ser de acordo com os seus rendimentos. Organizam-se como bem entenderem. Os outros seguem a sua vida.

  15. @Miguel Noronha (15:
    Há uma opção que pode ser mais fácil de digerir.
    Cada um poderia indicar para que serviços estaria disposto a contribuir com os seus impostos, retendo a contribuição para os serviços para os quais não estaria disposto a contribuir. Poderia até pôr-se a hipótese de cada um destinar a sua contribuição de uma forma cuja composição seja a que está de acordo com as suas convicções.
    Naturalmente que não estiver disposto a contribuir para o SNS (por ex.) teria acesso ao SNS de uma forma completamente diferente daquela que os que contribuem teriam.

  16. Concordo, excepto na saúde onde em casos extremos (ex. oncologia) não existe rendimento individual ppassível de suportar esses custos.

  17. “Há uma opção que pode ser mais fácil de digerir”
    Prefiro ser eu a escolher a forma como quero contratar serviços de saúde. Para mim é a única que proprociona uma boa digestão.

  18. @Miguel Noronha (18):
    Exactamente, caso decidisse não contribuir para o SNS (por ex.) a escolha do fornecedor de serviços de saúde e a sua modalidade seria da sua única e exclusiva responsabilidade. Como, aliás, já é.

  19. “Como, aliás, já é.”
    Excepto na parte em que sou sempre obrigado a financiar o SNS quer o use quer não.

  20. @Miguel Noronha (20):
    Exactamente, mais uma vez. Conforme reflicto, os contribuintes não querendo usufruir de um serviço prestado pelo “estado” não o pagariam por sua conta e risco. No entanto isto coloca um problema, quem paga os cuidados de saúde (p. ex.) de quem não tem rendimentos suficientes para poder contribuir? Isto é um problema.

  21. Perguntam a mil e tal fulanos o que e’ que eles “acham” e a reportagem conclui que e’ o que “os portugueses” acham. E ainda se o concluissem porque este mil e tal acharam exactamente a mesma coisa… Nem por sombras. Concluiram isso porque a “maioria” dos inquiridos achou isso. E’ isso que importa no colectivismo coercivo: o que a maioria acha e o que quer quer seja que a maioria ache, ha que forcar a minoria que nao achou a engolir e a pagar. Esta-se mesmo a ver que a democracia tem muito a ver com “liberdade”…

  22. JLeite,

    quem paga os cuidados de saude de quem nao tem rendimentos suficientes para contribuir sao aqueles que legitimamente e voluntariamente se preocupam com quem nao tem rendimentos suficientes para pagar os seus cuidados de saude. Ha muita gente que se preocupa e que com certeza, voluntariamente, ajudaria os mais pobres. Os socialistas, por exemplo, que estao sempre preocupados com os pobres. O que nunca deveria ser solucao e’ alguns acharem que podem forcar outros a pagar por esses cuidados de saude, caso essas pessoas nao queiram pagar. Por muito que voce ache mal, imoral, injusto, etc. isso nunca poderia ser justificativo para forcar alguem a entregar os frutos do seu trabalho. E’ isso que o estado faz, pela mao dos politicos. Sob uma pretensa “caridade” e “preocupacao com os pobrezinhos e desprotegidos”, usa a forca e rouba (e’ esse mesmo o termo) ao Ze’ para entregar ao Manel. O estado e’ um autentico “Robin dos Bosques”. E’ um assaltante.

    Esta o amigo JLeite legitimamente preocupado em saber quem e’ que iria ajudar os pobrezinhos? Comece por perguntar a quem o amigo JLeite conhece melhor: VOCE MESMO. Pergunte-se: “Caso nao houvesse a mama do estado, o que e’ que EU FARIA para ajudar os pobres?” Com certeza o amigo JLeite faria muitas coisas: doar voluntariamente algum do seu dinheiro, doar algum do seu tempo, alguma da sua experiencia profissional, etc. Do mesmo modo, muitas milhares de pessoas fariam o mesmo. Algumas nao o fariam, mas muitas fariam.

    Por isso, para responder a pergunta, quem ajudaria os pobres se o mama-estado desaparecesse? A resposta e’ simples: O JLeite, O Fernando Ferreira, O Miguel Noronha, o M. Miranda, o Comunista e tantos outros. :)

  23. “Por isso, para responder a pergunta, quem ajudaria os pobres se o mama-estado desaparecesse? A resposta e’ simples: O JLeite, O Fernando Ferreira, O Miguel Noronha, o M. Miranda, o Comunista e tantos outros”

    – já se o Estado perder a polícia e o exército… enfim lá terá o Fernando que dar corda aos sapatos ou clamar pela reposição do poder do Estado.

  24. Quando se ouve alguns liberaloides a bramir contra o fisco fico sempre com a impressão que a emigração é ilegal em Portugal. Se a carga fiscal é assim tão pesada, meus amigos, porque é que votar com os pés não é uma boa opção? Vocês até defenderam a sugestão do Coelho para “sairmos da zona de conforto.” Algumas sugestões:

    1 Hong Kong 89.3 -0.6
    2 Singapore 88.0 0.5
    3 Australia 82.6 -0.5
    4 New Zealand 81.4 -0.7
    5 Switzerland 81.0 -0.1
    6 Canada 79.4 -0.5
    7 Chile 79.0 0.7
    8 Mauritius 76.9 -0.1
    9 Denmark 76.1 -0.1
    10 United States 76.0 -0.3

  25. E que tal imigrar você para Cuba, Venezuela ou um qualquer paraíso socialista onde o governo está “ao serviço do povo”?
    (estava a pensar que eu ia referir a Coreia do Norte? Enganaou-se!)

  26. Epá. Tem razão. Não o estava a reconhecer.
    Você não consegue mesmo viver sem isto.

    Até à próxima.

  27. OdeSempre,

    Eu nao precisei do seu conselho, ja bazei para um desses 10 que voce recomendou ha muito tempo. E olhe que nao me tenho saido nada mal. Sou muito mais prospero do que alguma vez fui em Portugal.
    Devo tudo a minha capacidade profissional, empenho e a liberdade que existe no pais que escolhi para viver. :)

    De qualquer maneira, os estatistas, mamas e colectivistas como o OdeSempre usam sempre o argumento do “quem esta mal que se mude”. Por acaso o pais e’ mais seu do que de qualquer outro portugues? O pais e’ mais de 2000 portugueses do que de 1 portugues? nao me parece que seja. Entao porque e’ que esses 2000 se acham no direito de inventar “leis” e “regras” que vao extorquir o outro portugues? Com que direito se acham de dizer “se estas mal muda-te”? Quem esta mal sao esses 2000, que apenas por serem numericamente mais numerosos, se acham no direito de dirigir, regular e taxar os outros todos. Da mesmo para dizer a esses 2000: “mudem-se, para um sitio onde so possam legislar, regular e taxar as vossas proprias vidas”!

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