À primeira vista parecem pobres. E mal agradecidos

Pobres e mal agradecidos

Mas não são. E nem é muito complicado perceber o cérebro destes professores. O FMI e a troika, que querem ver «fora daqui», são o que permite ao país sobreviver. De outro modo, estaria sem dinheiro, talvez para lhes pagar os salários. Mas pobres é que os professores não estão. Consta que têm mesmo, quando comparados com os seus congéneres da OCDE, isto é, das nações mais ricas do mundo, prémios salariais consideráveis (Cf. pág. 21/76). Serão então parvos? Parvos e mal agradecidos? Também não (deixando de lado a piadinha alarve do homem da manifestação). Percebem que o sistema está a rebentar pelas costuras e que eles serão, enquanto corporação, grémio de interesses particulares, «losers» no que quer que se faça para o racionalizar. É natural que resistam, reajam, impeçam, esperneiem. E abominem o mensageiro. Para quem não teve paciência para abrir o link recomendado, aqui fica o ponto em questão, graciosamente vertido em português por este vosso servo:

O Ministério da Educação emprega cerca de 230 mil trabalhadores (dos quais, cerca de 160 mil são professores, incluindo professores universitários). Estes números são elevados comparativamente com outros países, particularmente tendo em conta o número decrescente de estudantes, dadas as tendências demográficas. De acordo com estatísticas recentes, o rácio de estudantes por professor é muito mais baixo do que na maior parte dos outros países e, sem reformas adicionais, deverá cair ainda mais, em resultado da evolução demográfica (ver secção VI). Além disso, os salários na educação estão acima da média da OCDE, particularmente no segmento mais bem remunerado da escala, com um prémio de 25% em relação à remuneração média dos professores primários dos países membros daquele organização, 11%, no caso dos professores do ensino secundário, e 15%, no ensino universitário.

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31 thoughts on “À primeira vista parecem pobres. E mal agradecidos

  1. “Há primeira vista” parece que o Estado ainda não investiu o suficiente na literacia dos portugueses…

  2. E temos o DavC mais uma vez como aliás todos os soci@listas – que nos dizem que o nosso dinheiro não interessa para nos aliviarem dele mais facilmente- a paradoxalmente julgar que o dinheiro é que resolve os problemas.

  3. Lá estava o tradicional desfile: imenso tempo as TV dedicam a estas “marchas”. Um pobre de espírito com uma boina à Che e umas matronas a correr para lamber o metalúrgico da Soeiro Pereira Gomes. Estes burrinhos deviam experimentar a vida que um professor tinha nos paraísos de Leste (contado na 1ª pessoa). Como pode um país progredir com professores delirantes e ignorantes como estes?

  4. Eu também já fui prof. do ensino básico e secundário e durante os anos que exerci nunca percebi porque é que:
    – Um horário lectivo completo era de 21h semanais
    – Durante as chamadas interrupções lectivas os profs apesar de estarem ao serviço, não apareciam na escola.
    – Os profs não eram reconduzidos a darem as mesmas disciplinas aos mesmos anos, ano após ano, transformando horas de preparação em horas lectivas.
    – Porque é que os programas mudavam com frequência fazendo com que os profs tivessem argumento no sentido de transformar horas lectivas em horas de preparação
    – Porque é que os alunos sem aproveitamento num período não tinham aulas suplementares durante as referidas interrupções lectivas.
    – Porque é que profs profissionalizados e com vários anos de serviço estavam deficientemente preparados do ponto de vista científico, pois era comum socorrerem-se de outros que não tinham os mesmos pergaminhos pedagógicos, para lhes explicar matérias de Matemática, Físico-Química, Física ou Química no que a mim diz respeito.
    Nunca percebi e supondo que continua a acontecer, continuo sem perceber.

  5. JLeite,

    Se você foi realmente professor primário e secundário e não percebeu porque é que: “- Um horário lectivo completo era de 21h semanais”, então ainda bem que deixou de ser professor, pois quase de certeza era muito mau.

    Um professor decente usa as outras 19 horas em: preparar aulas, preparar testes, corrigir testes, atender pais, reunir com os alunos extra aulas, reunir com os outros professores, directores e serviços das escolas, etc.

    Se acha que é normal dar mais de 4 horas de aulas por dia, eu não acho. Seja no Estado ou no privado, seja no secundário ou no Universitário.

  6. “nunca percebi porque é que:
    – Um horário lectivo completo era de 21h semanais”

    Eu é que percebi que, só para começar, você não preparava as aulas. Se preparasse as aulas perceberia imediatamente que a carga de trabalho é bem maior do que as 21h.

  7. Se um fulano de direita aludisse ao género de linguagem que Arménio Carlos utilizou para falar do homem do FMI, tinhamos pandeireta até fins de Março.

  8. “De acordo com estatísticas recentes”? e a nota de rodapé? recente é quando?

    E já agora, ó “eu também fui prof”, a carga lectiva sempre foi de 22h, e não de 21h. Quando mentir esconda o nariz atrás de um lenço, mas dos grandes.

  9. O que João José Cardoso diz não é exacto. Para os professores que só leccionavam ensino secundário, normalmente os com mais tempo de serviço, a carga lectiva oficialmente estipulada era de apenas 20 horas semanais.
    Havia uma redução especial da carga lectiva nessa situação, que até era bastante frequente. Penso que essa norma terá sido revogada no final do governo de José Sócrates.

  10. Não percebi é ainda aquele folclore do PREC: esta malta anda no passado. Sacudam o pó. Acharam que o autocarro de suínos despistado na A1 era uma intentona para os autocarros deles não irem à manif a qual, digamos, não reuniu 8 mil. Esta é de chiqueiro.

  11. Argumento há professores a mais . Aqui está a substância da sem razão que nos trouxe até à presente tragédia lusa (quase grega).. Natalidade ? Ou se resolve esta questão ou estamos em vias de extinção !… Então haverá professores a mais ? Há 2 milhões de alunos que só fizeram o 9º ano ou até sequer nem chegaram ao 12º !
    E o ensino profissional. ? E a colaboração com o mundo da lusofonia ? Então há professores a mais ? ´E não estará de rastos a literacia deste “sitio” tão mal frequentado que passa o seu “reveillon” a ver a “Casa dos Segredos” ?…
    Questões de pormenor ? Só quem não foi verdadeiramente professor (se possível a todos os níveis de ensino ) é que poderá “masturbar-se” ao longo destes comentários !…Os pormenores são tão diferentes de professor para professor , de escola para escola , de região para região ,, etc.
    A Educação e o resto (saude e justiça) , no seu todo , é uma questão global a resolver para a qual o que há a mais é a falta de engenho e arte . Querer e Saber . Não é suficiente querer !.Mas com aldrabões(vulgo desonestos) e incompetentes nunca lá chegaremos com luz ou sem luz ao fundo dum imaginário túnel.. dixit. .

  12. “há professores a mais” ? Há médicos a mais ! Há enfermeiros a mais ! Há engenheiros a mais ! Há licenciados a mais ! “Um Povo que não se governa nem se deixa governar ” na sua versão ora actualizada …

  13. @António (6):
    Sim, fui prof do ensino básico e secundário, nunca leccionei o primário, já vai para aí uns 10 anos.
    A decência do professor mede-se não pelo tempo que leva a preparar as aulas, a corrigir testes, a preparar aulas prática e laboratoriais, atender pais, reunir com estes e com aqueles, mas pelos resultados obtidos.
    Não se é melhor prof porque se anda ano após ano a preparar sempre os mesmos conteúdos lectivos, como se tal fosse necessário, não se é melhor professor quando se passa mais tempo que o necessário a corrigir testes, muito menos se é melhor professor se se passar mais tempo com os pais dos alunos, com os colegas de profissão e de escola.
    Digo-lhe ainda que o ensino é de muito má qualidade caso passe mais tempo com outras pessoas/actividades do que com os alunos.
    Digo-lhe também que os programas forem estáveis, os professores reconduzidos ano após ano nas mesmas disciplinas, 6 horas lectivas diárias são perfeitamente exequíveis.
    Conforme mencionei, vai para 10 anos que já não sou professor, se o horário completo era de 21h, 22h, 20h, a diferença não é relevante, era essa a ordem de grandeza.
    Digo-lhe ainda que:
    -“reunir com os alunos extra aulas”, nunca vi isso acontecer com os meus colegas a menos que eles fossem interceptados pelos alunos nos corredores das escolas entre aulas ou então quando se iam embora.
    -“atender pais” é uma tarefa que está direccionada aos directores de turma, quem não o é não tem tais reuniões. Adiciono que os directores de turma normalmente reservam uma hora, por semana, pare esse efeito.
    -“reunir com os outros professores” – Só tive reuniões com outros colegas uma vez por período e aconteceu nas reuniões de avaliação.
    -“directores e serviços das escolas” – Não sei o que isso é, nunca tal me aconteceu nem vi acontecer.
    Resumindo:
    O sr. reserva tempo a mais para tarefas que não concorrem directamente para o trabalho de um professor, que é o de ensinar alunos.

  14. @Comunista (7):
    “Eu é que percebi que, só para começar, você não preparava as aulas. Se preparasse as aulas perceberia imediatamente que a carga de trabalho é bem maior do que as 21h”
    Está a falar do que não sabe. Não só preparava aulas teóricas como práticas assim como laboratoriais, fui prof de Físico-Química, Física e Química, assim como de técnicas laboratoriais.
    Também lhe digo que o assunto não me levava muito tempo, pois o que precisava de saber para dar as aulas não era aprendido para dar as aulas. Dava aulas porque me era reconhecida competência cientifica para o efeito, as matérias foram aprendidas quando era aluno. Nunca, enquanto professor, precisei de aprender nenhum assunto para dar as aulas. Certamente por isso, nunca precisei de tanto tempo para preparar aulas.

  15. @João José Cardoso(9):
    “E já agora, ó “eu também fui prof”, a carga lectiva sempre foi de 22h, e não de 21h. Quando mentir esconda o nariz atrás de um lenço, mas dos grandes.”
    Informo-o que fui prof durante cerca de 10 anos e já vai para cerca de 10 anos que não o sou. Durante o tempo em que fui prof nunca, repito, nunca tive um horário completo, foi sempre de 12, 10, 15, 8 horas semanais. Se não tenho presente o nº de horas correcto para um horário completo decorre do tempo que passou desde que fui prof. pela última vez e do facto de nunca ter experimentado tal horário avassalador.
    Desejo agora, que o lençol em que desejou que eu metesse o meu nariz e a minha mentira chegue para cobrir o seu desconhecimento.

  16. Já agora, outra coisa que nunca compreendi. Porque é que os professores mais experientes têm menos horas de aula? Não devia ser ao contrário?
    À medida que a experiência aumenta reduz-se a contribuição laboral dessa pessoa e carrega-se em quem tem menos experiência?
    Faz sentido?

  17. JLEITE
    Se percebi bem , não precisava de preparar as lições !… Lamento , mas não fico a pensar que tenha sido um bom ou óptimo professor . Mau ? Não tenho elementos para o afirmar .
    (Nem há métodos eternamente perfeitos nem os alunos são sempre os mesmos , por exemplo…)

  18. JLeite, você nunca foi professor, vendeu umas aulas em horário incompleto, que não é bem a mesma coisa. E afinal ” Um horário lectivo completo era de 21h semanais” era uma afirmação falsa. Como serão tantas outras, para um professor propriamente dito: duas reuniões por período é privilégio (legal) em algumas (poucas) escolas para quem está em part-time. No mínimo um grupo e um departamento êm de reunir 2 vezes por período, e já vamos em 6, fora que os concelhos de turma também são intercalares, fora os disciplinares.
    De modo que é natural que por um lado nunca tenha precisado de se actualizar cientificamente (eu quando sai da faculdade também não, ou melhor, fazia-o naturalmente nas minhas áreas de investigação), ache que aulas uma vez preparadas duram para a vida, e tenha a ingenuidade de achar que os alunos podem ter aulas extra no Natal ou na Páscoa (excepto tratando-se de crianças pequenas que os pais precisam de quem as guarde). Não percebeu que as pausas lectivas são fundamentais para os alunos descansarem, brincarem,etc, mas é natural, é preciso formação pedagógica com umas base de psicologia para perceber o que é um adolescente.
    Também é natural que não compreenda que as reduções de tempo lectivo por idade salvaguardam a qualidade do ensino, porque fisicamente se torna impraticável leccionar 22h a partir de certa idade.

  19. @economista:
    Não disse que não precisava de preparar aulas, mas o facto de ser sabedor dos conteúdos programáticos minimiza o tempo necessário para esse efeito. Não percebeu bem.
    Reconheço que tem razão quando diz que “Não tenho elementos para o afirmar”
    Os alunos não são sempre os mesmos, também é verdade, mas os objectivos a atingir são.

  20. @João José Cardoso (20):
    Tive sorte, desde que saí da faculdade, a matemática, a física e a química não mudaram.
    Tem razão, nunca fui professor, no sentido em que nunca tive um vínculo definitivo com o ministério. Não fazia o mesmo trabalho que os que não eram contratados, passava mais tempo na escola que os definitivos, normalmente estava no laboratório onde os alunos sabiam que me podiam encontrar, tinha experiências sempre montadas sobre a matéria que estava a ser leccionada e os alunos apareciam não só para tirar dúvidas sobre a matéria, como para pôr as mãos nas experiências. Nunca vi nenhum colega, daqueles que eram profissionalizados, fazer tal coisa.
    O lençol que me destinou ainda chega?

  21. @João José Cardoso (20):
    Os meus colegas profissionalizados de então também tinham um discurso e linha de argumentação semelhante à que apresenta, no entanto faltavam muito, no fim das aulas fugiam da escola, nunca preparavam aulas realmente práticas, nunca cumpriam os programas, nunca promoviam visitas de estudo fora dos tempos lectivos a locais onde os assuntos leccionados estavam a ser utilizados, etc.
    Reparo agora que o sr. deve ser professor, mas um professor a sério, daqueles que estão vinculados. Acertei?

  22. JLeite
    Compreendi todos os seus anteriores lamentos . Passei pelo mesmo, felizmente apenas um ano
    E não estava tão degradado como agora . Só por isto , bons ou maus , os professores merecem o nosso respeito .Mas será que esta degradada sociedade civil merece ter bons professores ?.
    P.S.
    1. Tive um professor catedrático de matemática (conhecedor dos conteudos) que nos dizia que levava 3 horas a preparar uma aula de 1 hora !…
    2. Os alunos não são sempre os mesmos e os OBJECTIVOS também não .

  23. @economista (24):
    O prof. que referiu, para dar a mesma aula ano após ano, levava sempre 3h para a preparar? No primeiro ano até admito que precise de mais, depende da complexidade do assunto e do estado de preparação prévia dos alunos, No segundo ano, certamente que precisa de menos, e no terceiro ainda menos e por aí adiante. Sendo economista, como se intitula, sabe certamente que a repetição de uma tarefa tem impacto positivo ao nível dos ganhos de eficiência e da eficácia com que ela é efectuada.
    “Os alunos não são sempre os mesmos e os OBJECTIVOS também não”, não sei de que objectivos está a falar, enquanto prof. só tinha um, o de que os alunos ficassem conhecedores dos assuntos leccionados. Não sei nada de outros objectivos.
    “Compreendi todos os seus anteriores lamentos”, verifico que não percebeu o que escrevi. Não me lamento, nem procuro piedade de ninguém. Lamentos são os daqueles que acham que 20, 21 ou 22h lectivas são muitas e que portanto tudo o que seja aumentar essa carga horária está fora de causa. Muitos dos que têm horário completo nas escolas e que acham que já é um esforço sobre-humano, ainda dão mais umas horas em centros de explicações, ou em casa, a maior parte das vezes em horário que se se for ver bem a coisa seria devido à escola onde leccionam.
    Sempre entendi que os profs deveriam desempenhar o seu trabalho no local de trabalho, na escola, para o efeito deveriam ter instalações adequadas para o efeito. Com horas para entrar e para sair. Enquanto prof. não tinha essas instalações, mas desenrascava-me utilizando um dos laboratórios. Assim como assim, só eu é que lá dava aulas.
    “Mas será que esta degradada sociedade civil merece ter bons professores?” – Sim merece pois é ela que os paga e se não obtiver o que paga pensará como qualquer outro que vai às compras e é enganado no peso do que compra. Os alunos também merecem, só não merecem ter maus professores.

  24. “Mas pobres é que os professores não estão. Consta que têm mesmo, quando comparados com os seus congéneres da OCDE, isto é, das nações mais ricas do mundo, prémios salariais consideráveis”. Por acaso somos o único país do mundo que apresenta como topo de carreira um vencimento que não é recebido por um único professor. Há zero professores nesse escalão. Assim, é fácil dizer que ganham bem. Até podiam lá pôr que os professores ganham um bilião por dia. Não há um único professor a receber o vencimento que o ministério indica como topo de carreira e nunca houve (simpático, não é?)

    Além disso, os dados que o FMI foi buscar estão errados, como já sabe. Assim, não há aquele famoso rácio de aluno/professor – experimente visitar as turmas de qualquer escola para ver os alunos que há dentro sala – e os salários, como sabe, foram cortados… Tudo coisas, que, como homem atento, tem conhecimento de certeza.

  25. JLeite

    Com o devido respeito , faço minhas as palavras do Rei D. Juan Carlos..
    Acabo por concluir que na verdade foi também um “mau” professor (não porque eu o tenha sido também , durante um ano apenas , onde me foram distribuídas N disciplinas com um horário completo .disperso pelas 24 horas do dia …) .mas porque é um “mau” professor aquele que se limita a que “os alunos ficassem conhecedores dos assuntos leccionados” …E ainda porque utiliza sempre o mesmo método de ensino !… E escondido no seu recanto laboratorial e assim sem “objectivos” alheio ao mundo escolar que o rodeia .
    E mais nos diz que “a repetição de uma tarefa tem impacto positivo ao nível dos
    ganhos de eficiência e da eficácia com que ela é efectuada” . que mais não passa de uma visão “empalada” de um ultrapassado fordismo/fayolismo !…No limite , recordo um professor que dava as aulas “vomitando” textos “ipsis verbis” iguais aos dos anos anteriores . Um prodígio de memória .
    E ainda mais lamento que “masoquistamente” considere que uma degradada sociedade civil que insulta e agride os professores merece ter bons professores e sobretudo porque ela paga (ou não paga?) impostos para pagar os empréstimos feitos para pagar os salários dos professores.
    E por agora também me calo porque o silêncio tantas vezes é como o ouro como sugere o Ilustre Monarca .

  26. JLeite (16)

    A questão não é que você saiba a matéria mas que você prepare mecanismos para saber se os alunos estão a entender a matéria aula a aula – é aqui que a preparação é necessária. É preciso traçar objectivos e meios, estratégias, para avaliar se os objectivos foram cumpridos não apenas do lado do professor – se falou de X e Y – mas do lado dos alunos – se perceberam esse X e Y.

    As turmas depois não são, entre si, homogéneas, umas podem assimilar mais depressa do que outras, e por vezes é preciso mudar de estratégia, inclusive chegar a métodos diferentes daqueles rotinados, para tentar chegar a esta ou aquela turma que tenha mais dificuldades.

    Isto sem falar de turmas que podem ter muita indisciplina e que podem ser um autêntico inferno para os professores que, por sua vez, tentam ainda assim, fazer o seu trabalho. Os alunos não podem ser despedidos.

    Para que conste não sou professor.

    E quem é professor universitário sem nunca o ter sido, por exemplo, no secundário não pode pensar que é a mesma coisa. São diferentes. Na Universidade o professor pode concentrar-se quase exclusivamente nos conteúdos, no secundário por muito que se deseje que seja assim, não o é – até porque não estão ainda a lidar com adultos e é-lhes pedido que tomem isso em consideração.

  27. @economista(27):
    Não vou utilizar as palavras de outros, as minhas servem e bastam. Porque não lê?
    “normalmente estava no laboratório onde os alunos sabiam que me podiam encontrar, tinha experiências sempre montadas sobre a matéria que estava a ser leccionada e os alunos apareciam não só para tirar dúvidas sobre a matéria, como para pôr as mãos nas experiências” Não estava escondido em recanto nenhum, estava exposto em lugar conhecido.
    O papel do professor deve começar e acabar no ensino daquilo que lhes é destinado que ensine. Se não o fizerem não terão cumprido a sua tarefa.
    Porque não lê? Se lesse não teria chegado à conclusão que “…E ainda porque utiliza sempre o mesmo método de ensino”, onde escrevi algo que lhe desse a liberdade de chegar a essa conclusão?

    “mais não passa de uma visão “empalada” de um ultrapassado fordismo/fayolismo !…No limite , recordo um professor que dava as aulas “vomitando” textos “ipsis verbis” iguais aos dos anos anteriores . Um prodígio de memória .” É verdade, a repetição de uma tarefa tem um impacto positivo na eficácia e eficiência com que ela é efectuada, vejo isso todos os dias no meu trabalho. Quando se começa a fazer algo de novo, inicialmente leva bastante tempo, sucessivamente vai reduzindo o tempo necessário para a fazer e a qualidade do trabalho efectuado vai aumentando, é assim e não vejo necessidade de ter preconceitos relativamente a isso. Além do mais é desejável que assim seja, aumento da eficiência aliado ao aumento da eficácia. Para que conste, o meu ramo não é exigente do ponto de vista da memória, recorre mais à lógica e ao raciocínio a partir que conhecimentos básicos.
    “sobretudo porque ela paga (ou não paga?)” Mas há dúvidas? Quem é que paga os salários dos professores? Dos professores e restantes funcionários públicos? Quem é que fornece o dinheiro para que o “estado” pague os salários, a ADSE e a CGA? Olhe, só com a minha contribuição há vários (3 ou 4) que têm salário, ADSE e terão(?) reforma, e até lhe digo que eu não a terei.
    Quase a rematar digo-lhe que mau profissional é aquele que lhe sendo atribuída uma tarefa básica a não cumpre de maneira satisfatória, por ter estado preocupado e ter dedicado demasiado recursos a aspectos acessórios

  28. @Comunista (28):
    A minha contenção permite-me afirmar que me não posso queixar dos resultados obtidos, quer ao longo do ano quer em situações avaliações nacionais.
    Mais um, porque não lê?
    Onde dei a entender que os métodos eram sempre os mesmos?
    Quanto a problemas disciplinares, não sei o que isso é. E olhe que tendo sido um contratado fiquei sempre com as sobras, as turmas que os prof. a sério não quiseram. Deve ter sido por chegar sempre mais tarde que os profs residentes.
    Quanto ao nível universitário, não posso dizer nada, passei por lá como aluno.

  29. COMUNISTA
    (sem ideologia q.b. ) dou-lhe os meus pontos . Um retrato perfeito . Tive as duas experiências . Hoje, a primeira jamais a desejaria Na primeira , então “auto-convencido” tive logo a primeira desilusão aquando do primeiro teste . E o Director bem me avisou , “não chega perguntar se perceberam ” …
    P.S.
    E igualar as dificuldades do ensino da fisico-quimica ao ensino p.e. da contabilidade. é o mesmo que considerar equivalente a ida à Lua com a ida a Jupiter …
    Curiosidade: Naquela escola havia um manual pedagógico para todas as disciplinas excepto para a contabilidade !…

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