Uns sabem, outros inventam

O Daniel Oliveira está convencido que o milhão (mais coisa menos coisa) do BANIF saiu dos impostos. É provável. Mas de certeza que não foi dos nossos.

Este dinheiro sai de um montante de 12 mil milhões de euros que faz parte do pacote original negociado (ainda pelo anterior governo) com a “troika”. Está reservado únicamente para processos de recapitalização bancária e náo pode ser usado para outros fins. Conforme os represenantes dos crédores já tiveram oportunidade de realçar quando surgiram propostas nesse sentido.

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23 thoughts on “Uns sabem, outros inventam

  1. É verdade. Pelo menos parte. Mas se os actuais acionistas não pagarem o banco é vendido a terceiros. Só numa situação extrema (a falência do banco) será perdido o valor investido. E resta saber se, fruto do acordo de recapitalização, o estado não é um credor preferêncial nesse caso.

  2. sim, mas tb existem motivos ideológicos por tras do facto desses 12000 milhoes nao poderem ser usados para outros fins… As alineas são e devem ser discutiveis.

  3. Pode ter a ideologia que quiser. Os credores já deixaram bem claro que não aceitam a sua utilização alternativa. Eu por mim, devolvia-o.

  4. Depois de ler este post fico mais descansado porque afinal quem vai pagar esses 12 mil milhões (e respectivos juros e comissões) há de se ser o Cristo Rei e já não vai ser preciso cortar dinheiro que para a educação, a saúde, etc…

    É bom saber que esses 12 mil milhões é só para banca. É bom saber que PS, PSD e CDS protegem os seus amigos. É tão bom uma amizade assim…

  5. “(…)afinal quem vai pagar esses 12 mil milhões (e respectivos juros e comissões) há de se ser o Cristo Rei e já não vai ser preciso cortar dinheiro que para a educação, a saúde, etc”
    Com ou sem dinheiro para o BANIF, com ou sem 12 mil milhões será sempre necessário proceder a cortes na depesa primária. São questões perfeitamente separadas

    A não ser que algum beifeitor (o Cristo Rei?) garanta os montante necessários para financiar os défices indefinidamente e sem juros e comissões.

    “É bom saber que esses 12 mil milhões é só para banca.”
    Eu não sou favorável a esta operação mas sabe o que acontecia aos depositantes se o banco fosse liquidado?

  6. ” mas sabe o que acontecia aos depositantes se o banco fosse liquidado?”

    Sei… eram cobertos os depósitos e juros vencidos até 100 mil aeurios por depositante pelo FGD, como manda a lei…

    Agora o que eu queria que me explicassem é porque é que eu compro um banco qu vale 70M€ em bolsa por 700M€… E se o estado o reprivatizar pelo triplo (200M€, 8 veezes o preço do BPN) do seu valor actual eu vou ficar a arder com 500 M€…

    E isto admitindo que não haverá mais buracos para o accionista que eu agora sou assumir…

  7. “Sei… eram cobertos os depósitos e juros vencidos até 100 mil aeurios por depositante pelo FGD, como manda a lei”

    Eventualmente. Isto se o FGD tiver dinheiro para isso. Até isso se resolver muita conta iria ficar congelada.

    “Agora o que eu queria que me explicassem é porque é que eu compro um banco qu vale 70M€ em bolsa por 700M€… E se o estado o reprivatizar pelo triplo (200M€, 8 veezes o preço do BPN) do seu valor actual eu vou ficar a arder com 500 M€…”

    Porque o problema do BANIF era necessitar de fundos adicionais para cumprir os rácios de capital. Podia comprar o banco em bolsa mas depois tinha na mesma de “injectar” o remanescente. Pior. Ia ficar mais caro porque ia tomar a posição dos accionistas actuais.

    “E isto admitindo que não haverá mais buracos para o accionista que eu agora sou assumir…”
    Pois. Isso é o problema destas operações.

  8. Porra, ó Miguel, eu que sou meio estalinista sou mais liberal que você.

    Se o estado acha que a falência do banco é mais onerosa que a injecção de capital, lança-se uma opa por 100 M€ (mais 30%), através do mercado de capitais, e faz-se o aumento de capital ou empresitmos ou o que seja, à posteriori. Assim o banco fica meu e eventualmente posso geri-lo vende-lo quando der lucro (já sei as normas europeias e afinas complicam)…

    Agora se a TAP vale 30M€ e o BPN limpinho também e eu admito que (milagre!) o BANIF valha (ou a %que eu comprei) daqui a uns anos 200 M€ eu vou ficar SEMPRE a arder com 500M€… e isso é que me chateia, pá!

  9. Até pode ser que o dinheiro não seja do contribuinte português, se tiver sido à custa dos €12E9 da ajuda externa, mas sendo portugual (minúscula propositada) cheira-me que acabará por ser na hora de devolver o dinheiro a quem o emprestou.
    Melhor teria sido deixá-lo cair se não conseguisse ir de encontro ao requerido pelas regras pelos seus próprios meios.
    Nesta espécie de país não seria a primeira vez que o contribuinte é chamado a tapar o buraco final. E se a lógica se mantiver, não será a última.

  10. “Porra, ó Miguel, eu que sou meio estalinista sou mais liberal que você”
    Não se chateie. Se isso o incomoda pode ficar com o título.

    “Se o estado acha que a falência do banco é mais onerosa que a injecção(…)
    Mas desta forma o estado também fica dono do banco. Mas acho que o objectivo é recapitalizar o banco e não ficar com ele.

    “eu vou ficar SEMPRE a arder com 500M€… ”
    Não sei como chegou a essa verba,

  11. ““eu vou ficar SEMPRE a arder com 500M€… ”
    Não sei como chegou a essa verba,””

    Admitindo que tudo o resto (empréstimos, burcos negros etc.) corre bem eu compro capital social do BANIF no valor de 700M€ e, como já expliquei em cima admito vender, eventualmente um dia a 200 M€ ( e acho que estou a ser simpático, mas claro que se o vender por 5 mil M€ acabo com o defiit nesse ano). Dá um saldo de 500 M€… ( ou precisa de voltar á Buisness School com a camarada Varela?)

  12. “Mas desta forma o estado também fica dono do banco. Mas acho que o objectivo é recapitalizar o banco e não ficar com ele.”

    Vamos lá voltar à escola…

    Se o BANIF precisa de dinheiro, emite obrigações, pede um empréstimo, vai à dona branca, etc…

    Se vende/cede acções/capital social por 700 M€, a mim, enquanto simpático contribuinte tem de me conferir o poder correspondente à minha posição accionista. ou não?

  13. Se o Sr. Zeca Marreca quer arbitrar valores… Podia também dizer 100, 200 ou 300 M€.
    Se não comprar o capital social e tudo correr bem não perde nada e empata menos dinheiro. Não vejo qual a vantagem dessa solução.

  14. “Se o BANIF precisa de dinheiro, emite obrigações, pede um empréstimo, vai à dona branca, etc…”
    Parece que tentou mas não conseguiu. Daí a necessidade de recorrer à troika. Eu estou contra, etc, etc. Pensava que já tinhamos ultrapassado essa.

    “Se vende/cede acções/capital social por 700 M€, a mim, enquanto simpático contribuinte tem de me conferir o poder correspondente à minha posição accionista. ou não?”
    Não sei quais os previlégios das açcões do estado. E não esquecer que não é (pelo menos para já) o estado português que mete lá o dinheiro.

  15. O tempo parece esta para comentários azedos, muitas vezes mal fundamentados, como se pode ver por aqui.
    Também há gente que, deliberadamente, não distingue um caso de polícia (BPN), em que o regulador não quis ver o que se estava a passar, com um caso em que as coisas correram mal e os accionistas não se mostraram capazes de resolver o problema, que, tudo o indica, exigia solução diferente do que a “simples” entrega do Banco à falência, como poderia ter acontecido no BPN, se o caso não estivesses tão complicado, com grande culpa das nossas autoridades, como disse.
    Eu sei que os portugueses, na generalidade, vêm a frequentar, nos últimos dois anos e através dos meios de comunicação social, cursos intensivos de gestão, de economia e de finanças, mas, parece-me, que a esmagadora maioria ainda não está preparada para comentar assuntos desta natureza, pelo que devia, neste particular, guardar algum recato. Receio, todavia, que lhe esteja na massa do sangue botar faladura sem restrições, e daí os disparates sem conta com que nos vemos, todos os dias, confrontados. Há que ter paciência…

  16. “Uns sabem, outros inventam” é um título muito bom para o que está a acontecer: os baqueiros mais os empregados que tem no governo sabem bem o que estão a fazer para colocar o Estado a financiar os buracos da banca e os boys do insurgente inventam uma história que apesar de em tudo ser idêntica à história que contavam do BPN eles prometem que não é. Gostaria de saber que parte do roubo dos depósitos dos clientes do Banif pela administração do Banif é que não é crime? Um banco que faliu é um banco que não tem o dinheiro que os clientes lhe confiaram. O que é que o banco fez a esse dinheiro? Porque é que o presidente do Banif, agora funcionário público, não é destituído dos seus bens como começo de conversa para tapar o buraco que abriu no banco? Se eu tiver uma dívida a um banco não perco a casa, se for preciso? Perco. Já muitos em Portugal perderam. Porque razão o presidente do Banco tem os seus bens intactos?

  17. “Gostaria de saber que parte do roubo dos depósitos dos clientes do Banif pela administração do Banif é que não é crime?”
    Quem é que roubou? Conte lá essa

    “.Um banco que faliu é um banco que não tem o dinheiro que os clientes lhe confiaram”
    Nesse caso todos os bancos que trabalham com reserva fracionária estão falidos.

    ” O que é que o banco fez a esse dinheiro?”
    Empresta-o. Presumo que já tenha ouvido falar em crédito.

    Convinha que procurasse saber mais um pouco sobre a reserva fracionária e o multiplicador do crédito.

  18. reserva fracionária e o multiplicador do crédito falar de bancos sem perceber este esquema é o mesmo que nada…

  19. Ou seja, você coloca o seu dinheiro no banco, o banco empresta-o e perde-o. Vai da aí o Estado cobra-lhe impostos para colocar no banco o dinheiro que você já tinha colocado antes e você diz que é o crédito, que tem que ser e coisa e tal. No meio disto o presidente do banco continua satisfeito da vida sem responder por nada e se for preciso ainda vem dar conselhos sobre economia e finanças à pátria. Ao menos o Baptista da Silva ainda se arrisca a ir preso já o gajo do Banif não só não arrisca nada como ainda é capaz de falar e discursar sobre as virtudes do risco.

  20. Se está à espera que eu defenda as virtudes da reserva fracionária vem bater à porta errada.
    Os depósitos e aplicações de exigibilidade imediata deviam funcionar apenas como guarda de valores e não deviam ser remuneradas.

  21. Pois. Do “outro lado” só se fez um “bailout” bancário monstruoso. O do Bankia custou 4.5 mil milhões de euros. E não foi um mero problema de não cumprirem os requesitos de capital. No total pediu 39.5 mil milhões para serem usados já. A nós, para o mesmo efeito deram-nos 12 mil milhões a maior parte dos quais ainda não foram utilizados.

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