Sobre a cegueira ideológica acerca das escolas com contrato de associação

O ataque às escolas com contrato de associação. Por Alexandre Homem Cristo, no i.

Numa excelente reportagem da TVI, a jornalista Ana Leal alertou para uma série de situações nas escolas com contrato de associação do Grupo GPS. Através da sua investigação, levantaram-se suspeitas de tráfico de influências. Denunciaram-se abusos aos direitos dos professores. Reportaram-se riscos para a segurança dos alunos. Fizeram-se acusações de selecção de alunos e de alteração administrativa das suas notas. E foram sugeridos usos indevidos de verbas obtidas através de financiamento público. Ninguém duvida que são acusações graves. E que se deve proceder a uma investigação profunda. De resto, essa está já a ser feita. Confrontado com as denúncias, no Verão passado, o Ministério solicitou a realização de auditorias. A primeira iniciou-se a 29 de Setembro e está agora a ser concluída. Em circunstâncias normais, o assunto ficava por aqui, aguardando-se pelas conclusões e pelas consequências que daí adviriam. Mas este não é um caso normal.

Num país onde domina o pensamento de matriz socialista, o desprezo pelas escolas com contrato de associação é antigo e doutrinário. Por isso, perante a reportagem de Ana Leal, a esquerda radical congratulou-se. Estava ali, à sua mercê, toda a argumentação que não conseguira nos relatórios sobre o custo por aluno, publicados pelo Tribunal de Contas e pelo Ministério. Bastava agarrar no caso do Grupo GPS, que só tem 13 escolas com contrato de associação, e extrapolar para as dezenas de outras escolas com contrato de associação. Assim foi. Na sua narrativa propagandística, o caso do Grupo GPS transformou-se numa “história exemplar” de como funcionam todas estas escolas. A expressão é de Daniel Oliveira (Expresso online, 5.12.2012), digno representante deste pensamento. Ora, a generalização é, por definição, abusiva: ninguém questiona, por exemplo, a legitimidade de eleições num regime democrático porque, numa aldeia, foi violada uma urna de voto. Pouco importa. O manifesto contra os privados na educação estava lançado.

Escusado será dizer que o financiamento a operadores privados na rede pública não é uma invenção portuguesa. Que, em Portugal, essas escolas representam apenas 4% do total. Que, em quase todos os países europeus, essa percentagem é muito superior – 47% na Bélgica, 70% na Holanda, 13% na Dinamarca, 25% em Espanha, 21% em França, 13% na Hungria e 16% no Reino Unido (cf. Eurydice, Key Data on Education 2012). Toda essa contextualização é inútil perante o preconceito estatizante. Contudo, talvez valha a pena esclarecer dois pontos.

O primeiro é que, ao contrário do que a esquerda prefere acreditar, os alunos não são desviados para as escolas com contrato de associação. Se, ao seu lado, há uma escola estatal com vagas, isso significa que os pais e os alunos tiveram por onde escolher e preferiram a escola com contrato de associação. Essa escolha é, de resto, um bom indicador sobre a qualidade e a confiança no trabalho dessa escola. O segundo é que, do ponto de vista do sistema, o que a reportagem da TVI nos recorda é o mesmo com que, em outras áreas, já fomos confrontados: falta fiscalização. Não é normal que, com o nosso dinheiro, o Estado financie escolas (as estatais e as privadas) sem que exista um mecanismo de prestação de contas. A impunidade não pode reinar, como sempre aconteceu na gestão dos fundos públicos. Na educação, como em outras áreas. É isso que tem de mudar.

A lição é esta e é fácil de assimilar: atacar as escolas com contrato de associação é errar o alvo. É que, se as irregularidades do Grupo GPS são fáceis de sancionar e corrigir, a impunidade com que são geridos os dinheiros públicos continuará, mesmo que se acabe, como sonha a esquerda, com os privados na educação. Porque essa impunidade pode existir nos privados, mas existe sobretudo no próprio Estado. Sim, a lição é que precisamos de mais fiscalização na gestão dos dinheiros públicos. Nos privados, mas também no Estado.

 

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39 thoughts on “Sobre a cegueira ideológica acerca das escolas com contrato de associação

  1. Se, ao seu lado, há uma escola estatal com vagas, isso significa que os pais e os alunos tiveram por onde escolher

    Sim, mas significa também que o Estado está a financiar estruturas duplicadas, supérfluas.

    É como no Ribatejo, onde há três hospitais (Abrantes, Tomar e Torres Novas) a pequena distância uns dos outros. Está mal, porque é dinheiro gasto pelo Estado em estruturas que se duplicam.

    Ou é como as três autoestradas Lisboa-Porto. Elas também são boas, porque permitem ao automobilista escolher em qual circular, mas são condenadas por todos como um gasto supérfluo de dinheiro público.

  2. “Sim, mas significa também que o Estado está a financiar estruturas duplicadas, supérfluas”
    Quem financia são os contribuintes e não o estado. E se os pais escolheram a outra escola que está a ter um gasto superfluo é o estado.

  3. A Ana Leal, antes de mais, apresenta e representa um tipo de jornalismo praticamente extinto.
    Hoje a regra é receber da Lusa, fazer copy/paste, adicionar umas asneiras, se possível, e fazer manchetes. Ou passar ao comentarismo.
    Ninguém se quer escaldar, ou seja, o país tem patentes e graves problemas de funcionamento e liberdade de expressão, que quase só se discutem em casos como o do visionamento dos vídeos na RTP, amplificados por outras motivações.
    O mais relevante da reportagem parece-me idêntico ao problema da Segurança Social hoje reportado pelo mesmo canal: perante queixas relacionadas até com morte de familiares naqueles lares, nem resposta há, alegadamente.
    Isto daria uma comissão de inquérito em qualquer país do centro da Europa por gente dos vários quadrantes políticos.
    Simplesmente, silêncio. Pior: assim que passa na TV saem todos da toca a alta velocidade, fazem cara de muito preocupados e tomam decisões instantâneas. Até no próprio local: é para fechar.
    E vem a polícia, para proteger, no epílogo.
    Na educação, com a violência o comportamento do passado é exactamente o mesmo.
    Ninguém sabe de nada porque ninguém que sujar-se nem ter problemas na vida, nem má classificação. Faz-se de conta e atira-se para debaixo do tapete.
    Talvez não por acaso, a Ana Leal teve o cuidado de referir que estas organizações se fizeram munir de gente de mais de um partido.
    Temos com a corrupção o mesmo problema que temos com o racismo. Não é nada connosco. Está-nos no sangue.

    É por isto que hoje dia muita gente, em vez de recorrer à justiça, chama a TVI. É rápido, é barato e funciona.
    E isto é um país doente!

  4. “Um liberal a defender a subsidio dependência…que lindo!”

    Muito pelo contrário. Trata-se de devolver aos pais o poder de fazer escolhas ao nível da educação dos seus filhos.
    Contrariamente à (verdadeira) subsidio-depedência não são os burocratas nem os políticos que fazem a escolha.

  5. Miguel Noronha,
    nturalmente, havendo duas escolas, tal como havendo dois hospitais, tal como havendo duas autoestradas, há sempre quem escolha uma e quem escolha a outra. Nunca vai toda a gente para o mesmo lado.
    A questão é se o Estado se deve permitir oferecer tanta escolha, à custa dos contribuintes.
    Eu acho que não. Acho que o Estado deve fornecer em quantidade razoável: uma escola, um hospital, uma autoestrada. Não deve financiar mais estruturas. Quem quiser ter mais estruturas, que as pague do seu bolso. Não devem ser os contribuintes a pagar uma escolha desnecessária.

  6. Eu repito. Quem paga não é o estado são os contribuintes. Ainda que ache que compete ao estado assegurar o acesso daí não decorre que seja necessário o financiamento de infra-estruturas. Precisamente por questões de eficiência e de liberdade de escolha é melhor subsidiar a procura que a oferta. Quem sabe se a diversidade é ou não desnecessária são os utilizadores e não um qualquer burocrata ou politico.

  7. A “liberdade de escolha” na educação tem piada. Sobretudo, porque já existe: que eu saiba, o Estado não proíbe que os investidores privados abram quantas escolas quiserem por esse país fora. E se o mercado funcionar, basta oferecerem melhores servições que a escola pública para vingarem num mundo capitalista. E também acho piada porque no fundo o que os liberais querem é que quem frequente a escola pública financie o ensino público e o ensino privado. Bonito.

  8. Liberdade de escolha não existe.

    Primeiro – os Currículos são definidos pelo Ministério. Logo Liberdade de escolher o quê?
    Segundo – os Pais(ou encarregados) gastam dinheiro a financiar escolas que não querem.
    Terceiro – a cultura que permite isto impede a diferença por isso é que a educação é uma aposta de casino com o estado a forçar todos a apostarem numa única casa da roleta.

    Os resultados da aposta especulativa e totalitária – pois é única- estão à vista. O investimento em educação nunca foi tão grande e o crescimento nunca foi tão medíocre.

  9. Sergio Lavos,
    e porque nao o seguinte:
    Quem quiser fequentar o ensino publico, paga o ensino publico;
    Quem quiser frequentar o ensino privado, paga o ensino privado (mas nao o publico);
    Quem nao tiver filhos nao paga o ensino dos filhos dos outros.
    Esta e’ a combinacao mais justa. Nem os “contribuintes subsidiam os privados” nem os “privados sao forcados a pagar o publico”, nem os restantes sao forcados a pagar por um servico que nao usam.

  10. 1) A reportagem da TVI fala muito com os professores para ter a opinião deles, ora se em sí isto não é um problema como seria a marca de falta de profissionalismo não o fazer, também é verdade que pouco sabemos sobre as reais condições de trabalho. Dizem que eram obrigados a fazer não sei quantas horas, que tinham de fazer tarefas que não tinham nada a ver com o seu trabalho etc., eu não digo que estejam a mentir, mas os únicos documentos que a TVI apresenta são contratos onde a entidade patronal pede que os empregados façam mais de 7 horas diárias. Mais nada, não diz que seriam despedido caso recusassem, que serão obrigados a fazer mais de 8 horas diárias (que é o limite máximo) etc. Nada. Pode ter havido pressão, mas não há nenhuma prova escrita, e mesmo assim caso as pressões tenham sido verbais eu acho estranho a sindicalista da FENPROF não ter dito nada acerca de isso (a culpa nesse caso deve-se mais à TVI que à sindicalista é certo).
    Além disso apetece-me dizer que caso as condições de trabalho sejam efectivamente tão más porquê que o sindicato não age?

    2) Os donos e responsáveis daqueles colégios são claramente umas bestas ao quadrado. Mas o problema não é eles serem assim, o problema é o Estado dar-lhes dinheiro sem contrapartidas. A culpa é mais do Estado que anda a subsidiar aquela gentinha, sem os controlar correctamente e as pessoas não terem controlo sobre isso. A culpa não é do “ultraneoliberalismo” mas claramente dos políticos, do Estado, do intervencionismo estatal. Àlias se o sistema fosse liberal o financiamento daquelas escolas estariam dependentes da vontade dos paises, ou seja se os paises estariam descontentes com o ensino tirariam os seus filhos da escola e as escolas perderiam as receitas correspondentes. Agora não é o caso.

    3) Dizem que o Estado está a ser prejudicado, mas mesmo assim as escolas privadas custam 4011 euros a menos que as públicas depois das reformas recentes. Agora há quem contraponha que as privadas não aceitam os deficientes, os alunos mais fracos, não fornecem o material necessário, quando os directores não o desviam. Pois mas o problema deve-se outra vez que as escolas recebem mesmo que não tenham alunos! Se, mais uma vez, o financiamento dependesse dos pais e dos alunos o problema viria a reduzir-se.

    Isto não é um Portugal privadissimo ou ultraneoliberal, é um Portugal privado privilegiado pelo Portugal público que rouba os outros Portugal privados.

  11. Caro fernando ferreira:

    isso é um verdadeiro Ovo de Colombo! Diga-me como poderá ser concretizado. É que, repare-se, agora temos:

    – Toda a gente paga o ensino público.
    – Alguns frequentam o ensino público pelo qual pagaram.
    – Alguns frequentam o privado e pagam 2 vezes – o público e o privado.
    – Alguns frequentam o público e também pagam 2 vezes – o público e as escolas com contrato de associação.
    – Alguns não frequentam qualquer grau de ensino (nem os seus descendentes) e pagam o público E TAMBÉM o privado (as escolas com contrato de associação).
    – Ninguém lucra com o ensino público – mas há privados a lucrarem com os subsídios que o Estado – isto é, todos os contribuintes – lhes paga. E ainda por cima apenas alguns beneficiam desses subsídios – quem frequenta escolas com contrato de associação, que pelos vistos têm uma tendência para seleccionar os seus alunos.

    Alguma direita quer o cheque-ensino. Como é que isso passaria a funcionar:

    – Toda a gente paga o ensino público – infraestruturas, professores, funcionários, etc.
    – Alguns continuariam a frequentar o público e receberiam um cheque do Estado para isso.
    – Alguns frequentariam o privado e receberiam um cheque para isso – mas não deixariam de pagar as infraestruturas do público.
    – Alguns frequentariam o público recebendo um cheque mas também contribuíram através de impostos para o funcionamento do privado e para pagar os cheques de quem andasse no privado.
    – Alguns não frequentariam qualquer grau de ensino (nem os seus descendentes) e continuariam a pagar as infraestruturas do público, os cheques-ensino do público e os cheques-ensino do privado, tudo através dos seus impostos.
    – Ninguém lucraria com o ensino público – mas haveria privados a lucrarem ainda mais com os cheques-ensino pagos pelo Estado – isto é, todos os contribuintes. E ainda por cima, apenas alguns beneficiariam desses subsídios – os privados iriam continuar a selecionar os seus alunos.

    Agora diga-me, é esta segunda hipótese o seu Ovo de Colombo?

  12. Por isso mesmo o melhor é o estado dar o voucher às familias e deixar que aos privados parte das infraestruturas actuando apenas de forma subsidiaria e saindo quando a oferta se torna redundante. Acha mal?

  13. ” Alguns não frequentariam qualquer grau de ensino (nem os seus descendentes) e continuariam a pagar as infraestruturas do público, os cheques-ensino do público e os cheques-ensino do privado, tudo através dos seus impostos.”
    Parece-me que está aqui a defender o opt-out do sistema público de ensino. Também me parece bem.

  14. @Sérgio Lavos,

    “A “liberdade de escolha” na educação tem piada. Sobretudo, porque já existe: que eu saiba, o Estado não proíbe que os investidores privados abram quantas escolas quiserem por esse país fora. E se o mercado funcionar, basta oferecerem melhores servições que a escola pública para vingarem num mundo capitalista. E também acho piada porque no fundo o que os liberais querem é que quem frequente a escola pública financie o ensino público e o ensino privado. Bonito.”

    Caro Sérgio, piada tem esse comentário.
    O lucklucky e o fernandojmferreira disseram já tudo.
    Se calhar o meu crivo apertado de voluntarista não me permite vislumbrar qualquer resquício de liberdade que o Sérgio refere — na educação, como noutras coisas.
    Devo precisar de mudar as lentes.

  15. Miguel, já sei que defende o out-put. Mas funcionaria? Aliás, pergunto: há algum país do mundo onde funcione? A sério, eu não sei. O mais próximo disso é o Paquistão, onde as escolas religiosas fundamentalistas substituíram o estado na educação das crianças. Com extraordinários resultados.

  16. Não me diga que também é especialista no Paquistão como o seu colega de blog. Não percebo muito bem essa analogia que pretende fazer mas pode sempre criar uma escola laica com um programa baseado no socialismo cientifico. Pode ser que tenha clientela.

    Mas posso estar a exagerar e o Sérgio ao contrário dos pais das crianças saberá melhor que eles fazer a escolha adequada.

  17. “Miguel, já sei que defende o out-put.”
    Também. Mas neste caso refiro-me ao opt-out.

  18. Sergio,

    a minha solucao e’ o opt-out (em ultima instancia o opt-out completo do estado, mas isso e’ outra historia).
    .
    Voce pergunta se o opt-out funcionaria. Porque nao funcionaria? Acha que o opt-in coercivo funciona? O que temos esta a vista: alunos mal formados, obrigados a permanecer na escola quer queiram, quer nao, um sector docente altamente corporativo e sindicalizado que nao se importa de sugar cada vez mais recursos, escolas a cair de podres e os grupos intervenientes e interessados na educacao cada vez mais uns contra os outros.Os politicos fazem a unica coisa que podem e sabem fazer, que e’ atirar mais dinheiro para os problemas, e’ assim que compram os votos. Uma coisa e’ certa: este sistema opt-in coercivo e’ que nao funciona DE CERTEZA!

    Outra ideia errada que eu penso que se tem do opt-out e’ que se ele existisse seria “cada um por si” e o que seria dos “pobrezinhos e desprotegidos”? Bem, sem a coercao do estado, nada impossibilitaria as pessoas que o desejassem, de formar um ensino cooperativo e dividiam os custos. Cada um dava um tanto, contratavam os professores e alugavam as instalacoes e os seus filhos aprendiam nesses escolas. Quem nao quisesse participar, nao era forcado. Quem nao tivesse filhos, nao pagava absolutamente nada, como e’ evidente. Nao vejo onde esta a dificuldade desta solucao.

    E os filhos de quem nao pode pagar? Bem, eu acredito que, numa sociedade livre, os custos do ensino seriam significativamente mais baixos e mesmo os mais pobres teriam mais possibilidades de pagarem a educacao dos seus filhos. Quem nao pudesse pagar, teria de recorrer a caridade. Tambem acredito que pudessem existir mais bolsas patrocinadas por empresas, especialmente se os alunos fosse bons ou muito bons. Em ultimo recurso, todos os socialistas que quisessem um ensino cooperativo poderiam sempre pagar pelo ensino dos pobres, ja que eles sao a sua primeira preocupacao. Mas espera, isso ja nao funcionaria porque os socialistas teriam de pagar do bolso deles e nao teriam ninguem a quem forcar esse pagamento, Crap…

  19. lol, opt-out, claro. Chama-se dislexia – não frequentei o ensino privado, portanto há deficiências que nunca foram corrigidas. Quanto a escolas laicas, supostamente são todas as públicas, até porque o Estado é laico. Preferiria que as escolas fossem religiosas, como no Paquistão? Já sei, preferiria que as pessoas pudessem escolher a escola onde querem colocar os filhos. Mas podem. Os Salesianos, por exemplo, não se queixam de falta de clientes…

  20. Não sei porque razão trouxe o Paquistão para a conversa. Não sei se jantou comida local. Mas se quer saber as minha filha mais velha anda numa escola religiosa apesar de eu ser agnóstico e até agora não há danos a reportar. Não sei qual é a sua experiência. Pode haver aí algum trauma.

  21. O fernando ferreira acredita em tanta coisa… Só facto de acreditar na caridade diz tudo. Todos os séculos que as crianças pobres dependeram da caridade alheia e que por isso não tiveram acesso à educação básica conspiram contra as suas crenças. O acesso universal à educação só é possível quando o estado toma como sua essa responsabilidade. É um dado empírico, não uma crença.

  22. Errado. Em Inglaterra o ensino básico já era generalizado antes de ser estatizado.
    Em Portugal, onde após a expulsão das ordens religiosas o estado assumiu estas funções a coisa andava bem mais atrasada

  23. E mesmo que a determinada altura em Portugal tivesse sido o estado a assumir essa função, neste momento o sector privado já tem capacidade mais que suficiente para o fazer.

  24. O Sergio quer dados empiricos? E que tal os varios estudos que existem que apontam para um rendimento de 30% para o welfare do estado contra 70% de rendimento para a caridade privada?

    Quer dizer, se o amigo Sergio descontar 300 euros por mes em impostos, apenas 90 euros chegam aos mais necessitados. 210 euros vao a vida em ministro, adjunto do ministro, assessor do ministro, secretarias, motoristas, instalacoes, telele, carro, funcionarios do ministerio e por ai adiante. Ja na caridade privada, caso o Sergio nao pagasse impostos e entregasse voluntariamente 300 euros por mes para as instituicoes que estivessem mais perto do seu coracao, o meu amigo veria 210 euros irem para quem precisa e apenas 90 euros em administracao. Mesmo que o meu amigo fizesse doaccoes de 150 euros ainda veria, em media, ir mais dinheiro para quem precisa do que no estado.

    O amigo gosta de desperdicar recursos? O dinheiro que o meu amigo ganha, nao lhe custa a ganhar? E’ que a mim custa e nao gosto de ver os frutos do meu trabalho deitados para o lixo ou a sustentar chulos.

  25. Miguel: não, o que diz de Inglaterra não é verdade. Apenas quando foi instituído o ensino obrigatório (público), no final do século XIX, é que o acesso à educação se começou a generalizar. Até aí, apenas os ricos podiam ir para escolas privadas. Os pobres dependiam da caridade da Igreja Anglicana e de um ou tro benfeitor privado, mas a maior parte das crianças pobres era analfabeta. Basta ler Dickens (e conhecer um pouco de História de Inglaterra) para saber isso.

  26. Dickens era um romancista e não é historicamente fiável. Leia E G West que era um espcialista em educação.

  27. Aliás, acho piada que dê a Inglaterra como exemplo, um país fortemente classista ao longo do tempo (ainda é) e que por isso tinha um ensino que refletia essa divisão de classes. As public schools (as escolas privadas) como Eton para a upper class e as escolas públicas para as lower classes. Estas últimas financiadas sempre pelo Estado, claro. Seja como for, as escolas privadas inglesas nunca precisaram de subsídio estatal: o fee que cobram sempre foi suficiente.

  28. Esta-se a contradizer. Afinal, parece que havia escola para todas as classes. Cuidado com essa coerência.

  29. Não li esse autor, e não quero insistir nem puxar dos galões, mas olhe que esta (a cultura e a História de Inglaterra) é a minha área de especialização. Julgo saber do que falo.

  30. Eu sou um mero amador mas li o autor. Mas também posso chamar aqui o autor do artigo que é especialista no tema para desempatar.

    Mas gostei de o ver puxar pelos galões.

  31. Havia escola para todas as classes a partir de um determinado período, sobretudo com a lei de Balfour no princípio do século XX, que estabelecia uma rede de escolas religiosas (sim, sim, eu sei) financiadas por impostos locais. E essa lei foi promulgada pelo Partido Conservador, by the way. Antes disso, não. Portanto, apenas quando houve um esforço do estado (imposição política e financiamento através de impostos) é que um maior número de crianças passou a ter acesso à educação.

  32. No sec XIX a escolaridade e a literacia já estavam a aumentar enormemente. Não foi o estado que impulsionou isso mas sim o crescimento económico.

  33. se para alguma coisa serviu (não vi, mas tb já me foi apontado como ex. da absoluta maldade do sector privado do ensino) foi para mais uma vez mostrar como o Big Brother Estado controla mal e porcamente a aplicação dos dinheiros do people… mas o dogma de o sector privado ser a ORIGEM DE TODO O MAL está inprinted nas mentes nacionais… são 50 anos de paternalismo salazarento e mais 35 de socialismo porreirista.

  34. “O acesso universal à educação só é possível quando o estado toma como sua essa responsabilidade. É um dado empírico, não uma crença”

    É verdade. Mas o facto de um Estado considerar que é do seu interesse “pagar” a educação, não implica que seja monopolista desse serviço. Pode ( e deve), se for vantajoso, contratá-lo a estruturas já existentes e construí-lo de raiz nos locais onde o mercado não funciona. O sistema liberal do cheque ensino é um exemplo de como isto pode ser feito de forma vantajosa. E funciona em países como a Suécia, a Dinamarca, etc.
    O facto de haver fornecedores privados que funcionam mal é natural. Fornecedores públicos também funcionam mal. A diferença é que os 1ºs são ( devem ser) rapidamente destruidos pelo mercado enquanto os 2ºs não têm essa prova real.
    Aliás é essa sempre a grande diferença entre o público e o privado. O privado que funciona mal, desaparece por simples darwinismo. O público que funciona mal, não desaparece. A prazo é sempre apurado um privado excelente, ao passo que no público se eternizam os casos de mediocridade.

  35. Privados pagos e sustentados por subsídios estatais e de um liberalismo puro…nessa prespectiva Portugal e um pais profundamente liberal…

  36. A sua confusão já foi amplamente esclarecida. Se não quis perceber, temos pena. É a vida.

  37. antónio, essa sua afirmação apenas revela que não tem a mais pequena ideia do que seja o liberalismo.

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