No Fio da Navalha

O meu artigo para o jornal i de hoje.

O futuro possível

A alternativa à subida dos impostos, quando a dívida pública é superior a 100% do PIB e os juros, que vencem sobre o dinheiro que nos emprestam, são parte considerável dessa dívida, não é fácil. Há quem – eu incluído – advogue um corte substancial na despesa do Estado. Infelizmente, se o governo não consegue reduzir a despesa pública para níveis que permitam não subir os impostos, o que defende a esquerda? Apenas menos austeridade. Ora, o que é que isso significa? Menos impostos, não será com certeza. Menos despesa também não, como facilmente se depreende.

É que a redução da despesa pública pressupõe um corte nos serviços do Estado, o fecho de inúmeros institutos públicos e o despedimento dos respectivos funcionários. Implica o fim de ajudas, subvenções e subsídios atribuídos a empresas e associações que, sem eles, não existiriam; a pessoas que, sem eles, não levariam a vida que levam. Esta austeridade seria dolorosa, destruidora e, por isso, nenhum político tem coragem de a implementar, e poucos portugueses de a referir.

Mas é isso que está em cima da mesa: ou pagamos mais impostos, ou o Estado gasta menos. Ou temos mais dinheiro no bolso e pagamos pelos serviços que escolhemos, ou entregamos parte do salário ao Estado e ele decide por nós. Como até agora, não vai ser possível continuar a viver. Ou pagamos impostos ou pagamos serviços. Ou saímos do euro ou aumentamos a produtividade. O melhor dos dois mundos não é mais possível.

About these ads

4 pensamentos em “No Fio da Navalha

  1. Caro André,

    dei de caras com isto no meu tempo-livre:

    Rothbard on the European Union:

    Em 1989, o Sr. Rothbard já adivinhava onde isto iria descambar. Lembrei-me de partilhar consigo, porque vinha a propósito.

    Saudações libertárias!

  2. O problema é que estamos plenos de políticos hipócritas e demagogos e covardes, que por isso mesmo se recusam a dizer isso na cara de todo nós, de forma indelével e inequívoca, olhos nos olhos.

  3. Continua o erro crasso de análise do problema economico portugues :

    – o problema principal é a falta de competitividade das empresas não é o deficit ou a divida publica !

    Primeiro há que baixar impostos sobre os sectores transacionáveis e emitir divida interna para “financiar ” essa descida !

    Estudem como é que se faz numa guerra !

  4. Pingback: Para que serve o governo? « O Insurgente

Deixar uma resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

WordPress.com Logo

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Log Out / Modificar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Log Out / Modificar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Log Out / Modificar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Log Out / Modificar )

Connecting to %s