Da superioridade absoluta da economia de mercado

“Da impossibilidade epistemológica do socialismo” de Samuel de Paiva Pires (Estado Sentido)

Uma economia socialista, ao acabar com o sistema de preços, impossibilita o processo que permite tornar explícito o conhecimento prático disperso, visto que os preços incorporam um conhecimento holístico, sistémico, “desconhecido e incognoscível por qualquer um dos elementos do sistema do mercado, mas dado a todos estes através da operação do próprio mercado”. Não existe qualquer outra forma de organização da economia que consiga rivalizar com o mercado enquanto gerador de conhecimento, já que é o único mecanismo que consegue utilizar eficazmente o conhecimento prático disperso tornando-o holístico – e é este conhecimento que é destruído quando se tenta planear ou corrigir os processos de funcionamento do mercado

LEITURAS COMPLEMENTARES: A cadeira do poder; O Projecto Cybersyn, Stafford Beer e os delírios totalitários do governo de Salvador Allende

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14 thoughts on “Da superioridade absoluta da economia de mercado

  1. É isso mesmo ! O sistema capitalista associado ao estado social é imbativel : alta produtividade, inovação, saude, educação e alto consumo !

  2. “Uma economia socialista, […]. Não existe qualquer outra forma de organização da economia que consiga rivalizar com o mercado enquanto gerador de conhecimento. […]”

    Nao está a dizer que a economia socialista é a única que consegue rivalizar com o mercado, pois nao?

  3. Os preços são o sistema de comunicação que possibilita a cooperação entre os agentes económicos e que os informam sobre os méritos das suas decisões.
    Quando os preços são manipulados pelos governos e pelas burocracias a qualidade desta informação perde-se, e o ecossistema torna-se disfuncional.
    De intervenção em intervenção, acaba-se sempre em investimentos ruinosos, decisões sem sentido e diminuição da produção de riqueza.
    Os esforços correctores e estimuladores autojustificam-se e os seus péssimos resultados são apresentados como deficiencias do mercado que necessitam sempre de mais regulamentos, taxas, subsídios e intervenções adicionais.
    Tal como na história do aprendiz de feiticeiro o feitiço vai-se complicando e o feiticeiro não sabe como fazer parar o processo.

  4. Deviam dizer isto às gasolineiras e às empresas do sector energético português. Quando são as próprias empresas que deviam concorrer entre si (com benefício para o consumidor) que “planeiam ou corrigem os processos de funcionamento do mercado”, o que fazer?

  5. Este exercício epistemológico parte do princípio ingénuo de que os preços numa economia de mercado refletem integralmente o tal “conhecimento prático” através de algo (que pérola transcendente) ““desconhecido e incognoscível por qualquer um dos elementos do sistema do mercado, mas dado a todos estes através da operação do próprio mercado””. Desculpem-me, mas estas preciosidades escapam a qualquer confirmação através do “método científico”, estando, portanto, no campo das “crenças e crendices”, ou, por outras palavras, dos espasmos intelectuais da “clubite ideológico”. Curem-se!

  6. Não é preciso ser tão “filosófico” só para dizer que os preços transmitem informação e que a manipulação destes distorce completamente o mercado.

  7. … e nada dizer sobre a “qualidade da informação”, que para mim é o ponto mais importante.

  8. ” ….refletem integralmente….”

    Quem é quem disse que reflectem integralmente? O mercado é uma aproximação.
    Qual é a idieia de colocar nos outros coisas que não disseram?

    Assim se vê o “Zé”:

    Só um aparte, aqui se vê o virtuosismo da privatização de bens públicos (nem que seja a sua gestão), um dos pontos bem impressos no neoliberal “consenso de Washington”: “A fatura da água dos bombeiros de Alcoentre disparou nos últimos meses. Dos habituais cerca de cem euros, passou para 600. Dizem que a empresa privada, que gere as águas do município, está a cobrar a água que é usada no combate à chamas. ”

    E então? Defende por exemplo que os Médicos e Enfermeiros não sejam pagos? E os Bombeiros?

  9. “Quem é quem disse que reflectem integralmente? O mercado é uma aproximação.”
    Se lesse bem compreenderia que eu estava a me referir ao que o texto acima citado (o do post) e não a dar uma opinião sobre o assunto (isto faço um pouco mais adiante no comentário que destaca). Realmente, “refletir intergralmente” é o que interpreto desta trasncedência “visto que os preços incorporam um conhecimento holístico, sistémico(…) já que é o único mecanismo que consegue utilizar eficazmente o conhecimento prático disperso tornando-o holístico”.

    E então? Defende por exemplo que os Médicos e Enfermeiros não sejam pagos? E os Bombeiros?
    O que eu referi foi que uma empresa privada que gere um bem público cobra a água que é usada para um emergência. É estúpido, demonstrativa da ganância que esta empresa privada e, arrisco, ilegal (não sei se sabe mas numa situação de emergência os bombeiros podem usar a água de uma piscina privava e o dono desta não pode recusar, nem apresentar a conta no quartel).

  10. Não leio “reflectir integralmente” nesse trecho. O Holismo aliás deixa os inputs em aberto, reconhece que as coisas estão sempre a mudar. a divergência temporal entre a ocorrência e a informação chegar a outros actores.

    “O que eu referi foi que uma empresa privada que gere um bem público cobra a água que é usada para um emergência. É estúpido, demonstrativa da ganância que esta empresa privada e, arrisco, ilegal (não sei se sabe mas numa situação de emergência os bombeiros podem usar a água de uma piscina privava e o dono desta não pode recusar, nem apresentar a conta no quartel).”

    A Água custa dinheiro tal como os Médicos,
    Está a dizer que a empresa não deve pagar a parte aos funcionários que permitiram que houvesse água para o incêndio?
    E o exemplo que dá é obviamente um exemplo de abuso de poder do estado. Paga imposto especial no IMI se tem piscina e depois é útil ao serviço publico e não recebe nada.

  11. O que eu referi foi que uma empresa privada que gere um bem público cobra a água que é usada para um emergência. É estúpido, demonstrativa da ganância que esta empresa privada e, arrisco, ilegal (não sei se sabe mas numa situação de emergência os bombeiros podem usar a água de uma piscina privava e o dono desta não pode recusar, nem apresentar a conta no quartel).
    .
    Errado. Podem usar em requisição, mas esta poderá ser depois cobrada à entidade requisitante, estando na lei as formas de arbítrio dos valores. É claro que ninguém de boa jaez e em mente sã irá cobrar a água aos bombeiros quando estes defendem o bem público. Mas pode fazê-lo, e seria completamente arbitrário não ter-se a possibilidade de ser ressarcido, mesmo quando a requisição ocorre numa emergência inevitável.

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