FMI e a Grécia

FMI quer cessar ajudas à Grécia, que poderá abrir falência em Setembro. Excertos:

A intenção do FMI de não libertar mais dinheiro do programa de ajustamento financeiro negociado com Atenas já foram comunicadas à União Europeia, garante o semanário alemão, citando fontes diplomáticas em Bruxelas.
(…)
Se a Grécia obtiver mais tempo para cumprir o programa de ajustamento financeiro, como o novo governo de Antonis Samaras exige, isso custará à UE e ao FMI mais 50 mil milhões de euros, segundo cálculos da troika.
Acontece que muitos governos da zona euro já não estão dispostos a emprestar mais dinheiro a Atenas, e a Finlândia e a Holanda condicionaram futuras ajudas à participação do FMI.
(…)
A confirmar-se a notícia do “Der Spiegel” sobre o fim da participação do FMI nas ajudas financeiras, a única solução para a Grécia será, no entanto, abrir falência em Setembro e regressar à antiga moeda, o dracma, ensaio sem precedentes na Zona Euro que deverá abalar profundamente a economia helénica, e afectar também os parceiros europeus.

É bom recordar o que o líder do FMI para a Europa em Março dizia:

Ou seja, o FMI deixou de acreditar na Grécia.

Para Portugal este episódio terá uma vantagem: vai mostrar a quem defende que não se pague a dívida as consequências reais dessa decisão. No fim das contas, a desgraça da Grécia pode ser o melhor que nos podia acontecer.

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17 pensamentos em “FMI e a Grécia

  1. Mas alguém acredita mesmo que a saida da Grécia é possível sem acabar a zona euro e a União Europeia? Às vezes sinto-me em 1914…

  2. Há 15, 10 ou 5 anos já se sabia o que era a Grécia. Estas instituições que lhe emprestaram dinheiro tinham nas mãos relatórios com todos os problemas estruturais que o país tinha.

  3. Sai a Grécia, Portugal, Espanha… talvez Itália. E depois? Não vejo Cavaco Silva a ter força moral e pessoal para comandar o navio.

  4. É que isto de viver com défice 0 e com excendetes vai dar problemas. Já estou a ver novelas de inconstitucionalidade e tal…

  5. Com Portugal fora do euro e sem crédito externo teremos de viver sem fundações da treta. Com uma moeda desvalorizada pouco poderemos importar. Mas assim até haverá mais emprego nos campos e nas fábricas para os milhares de funcionários públicos que terão de ser despedidos. E cuidado. A Esquerda domina a imprensa, e pelo que vejo, até está dentro do CDS/PP. Vamos formar um verdadeiro partido conservador e liberal?

  6. Isso é uma pergunta a sério…
    Eu penso que SIM. Mas nesta altura, Libras, Francos Suíços e outras moedas de países com banca forte… eu evitava.
    Se tem que ter uma moeda fiduciária, que esta seja asiática.
    Mas eu prefiro ouro, como já escrevi em tempos.

  7. Para Portugal este episódio terá uma vantagem: vai mostrar a quem defende que não se pague a dívida as consequências reais dessa decisão. No fim das contas, a desgraça da Grécia pode ser o melhor que nos podia acontecer.

    Ou não…

  8. Ou não. Muito mais do que o pagamento da dívida deste ou daquele estado, o que está em causa é a própria União Europeia. Enquanto uma unidade económica e monetária permitir “fuga” de capitais dentro de si mesma e a ausência de uma estratégia económica, permitir que uns beneficiem com a desgraça dos outros, não há união alguma. Aquilo a que estamos a assistir é a um processo de concentração de capital nos países credores, fundamentada com a “fábula” dos preguiçosos do sul que enganaram os ingénuos do norte. No final, todos vamos perder. De pouco nos vale gozar este (curto) momento em que são os gregos a estar na corda bamba.

  9. As empresas portuguesas que estão a vender obrigações de dívida em euros, se o euro acabar, o que acontecerá? Vão à falência?

  10. Não. A dívida será redenominada em Euros.
    As da Zon até já falam nisso abertamente no prospecto.
    A única desvantagem é que dinheiro em conta pode usar rapidamente para comprar algo de valor, enquanto que esse investimento está muito mais “preso” e portanto a probabilidade de ter de aceitar a desvalorização oficial é grande (sim, porque ao converter de Euro para Escudo, todos os que tenham Euros vão perder dinheiro…).

  11. Que desilusão, pensei que no momento em que a Nova Democracia, PSOK, e aliados ganhassem as eleições (ao defender abertamente o cumprimento das directrizes troikianas e a jurar que queriam pagar tudo a todos) as circunstâncias iriam mudar. Pelo menos, foi que eu pensei, lendo os editoriais e notícias da imprensa (económica e não só) de referência e de variadíssimos blogs cá do burgo à beira-mar plantado. Enfim, iludi-me.

  12. A divida publica portuguesa com esta estratégia económica é impagável, só pode ser refinanciada com a ajuda da “troika” !

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