London Debt Agreements

Em 1953, a RFA renegociou a sua dívida com os credores, esticando os prazos, indexando os juros às exportações e lançando um precedente para o que Portugal deveria agora estar a fazer. Certo? Errado.

O Tratado de Versailles terminou a Primeira Guerra Mundial lançando imposições de reparações sobre a República de Weimar (a Alemanha de 1991 a 1933), herdeira do Reich alemão do pré-Grande Guerra. Fonte de muita polémica desde sempre, é hoje mais ou menos unânime que essas reparações (de resto habituais na maioria das guerras anteriores) eram incomportáveis para a Alemanha, criando uma situação económica insustentável. Essa situação criou um solo fértil para os partidos radicais que, desde o fim dos anos 20, tornaram o país na prática ingovernável (não obstante tentativas dos países da Entente em amenizar os pagamentos, vide Plano Dawes e Plano Young). Quando em 1933 um dos campos toma, na figura de Hitler, o poder, o Tratado de Versailles era um dos alvos a abater. Daí ao default das reparações e das dívidas da guerra de 1914-1918 foi um passo curto. Usando vários esquemas o Reichsbank e o governo alemão trataram de “pendurar” as dívidas.

Seguiu-se, é sabido, nova guerra com uma nova abordagem no epílogo. Com o Plano Marshall os países fustigados pela guerra recuperam rapidamente, mas para a RFA (a metade alemã que ficou do lado de cá da Cortina de Ferro), rapidamente surgiu a necessidade de se financiar externamente. Como credibilizar-se? Voltando a pagar responsabilidades assumidas.

De facto, cedo Adenauer percebeu que tinha de credibilizar internacionalmente a RFA para conseguir obter financiamento externo, terminado o Plano Marshall. Para tal o primeiro passo era reconhecer dívidas que a Alemanha, oficialmente, tinha deixado de pagar. Nas negociações que se seguiram, e que culminaram no que ficou conhecido como London Debt Agreement, houve uma série de ajustamentos (nomeadamente no que dizia respeito a dívidas de entidades que deixaram de existir – como a Prússia – a dívidas de privados, a dívidas de municípios que tinham ficado na outra Alemanha ou ainda a questão de como contabilizar o arresto de bens alemães no estrangeiro durante e após a 2ª Guerra Mundial). Tirar daqui a conclusão de que houve um perdão de 50% da dívida e facilidades de pagamentos é uma conclusão precipitada.
A Alemanha foi a Londres para pagar mais, não para pagar menos – e assim credibilizar-se face aos mercados.

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7 thoughts on “London Debt Agreements

  1. Conclusão – o que precisamos é, primeiro de um governo que deixe de pagar as dívidas; e, depois, que esse governo seja substituido por outro que se predisponha a pagar as dívidas, mas em condições mais favoráveis.

    Assim temos o melhor de dois mundos – menos dívidas a pagar e credibilidade.

  2. “A Alemanha foi a Londres para pagar mais, não para pagar menos – e assim credibilizar-se face aos mercados.”
    .
    credibilizar-se face aos mercados!!?? que entidades abstractas são essas!!?? que destruiram o meu país !!?? os mercados não gostavam da II-Republica e apoiaram a sua destruição económica…até ao ultimo vestigio económico desse periodo de Ouro de Portugal…os Mercados disseram para que o estado português se endividar…e o estado português, como bom aluno, endividou-se! os mercados disseram que o Portugal devia vender o seu ouro, para fomentar a embriaguez do crédito bancário, e o Estado português para se credibilizar perante os Mercados, vendeu, como bom aluno que é…o “Professor” Mercado, que afirmou que o Estado Português para se credibilizar perante “Si”, devia entrar na Zona Euro…e Portugal entrou, como bom aluno que é do Srº Professor Mercado…os Mercados!!??…os Mercados!!??…o Soros e companhia…quem tem a capacidade de manipular os mercados, tem um poder de controlar e manipular os Estados…aliás, o Professor Mercado prepara-se para defender a Moeda Ibérica ! O Euro acabou…A Espanha já o fez explodir…a instabilidade social, que vai aumentar a uma velocidade alucinante, em Espanha vai ser completamente arrasadora, se no final da era Zapatero, que era de esquerda, foi o que foi, dá para imaginar o que será agora com o que a esquerda espanhola designa de, Governo dos Franquistas…e como a nossa esquerda, a esquerda trólaró, tem o espirito imitador, avizinham-se tempos escaldantes tambem em Portugal, o primeiro sinal, será dado quando a UGT romper o acordo que celebrou com o Governo e já não falta muito…eu nem acredito que Portugal não aproveite a elaboração da Troika II para a sua saida da zona euro…
    .
    P.S.- vocês deputados vão de férias, sem terem “fechado” o dossier das parcerias publico privadas!!?? eu não acredito se tal for verdade…é inacreditavel !

  3. “é hoje mais ou menos unânime que essas reparações (de resto habituais na maioria das guerras anteriores) eram incomportáveis para a Alemanha, criando uma situação económica insustentável” – a situação economica na altura era caótica, mais ou menos como a actual.
    “Com o Plano Marshall os países fustigados pela guerra recuperam rapidamente” – apesar de alguns insurgentes o contestarem. Foi o boom económico, com o estado social, não foi, o mal dos nossos actuais problemas, não é?
    Então como é que fazemos se nos quiserem dar um doce? pedimos para nos baterem com mais força?

  4. factos : A Alemanha Nazi destruiu a Europa e os Nazis mataram uns 30 milhões de pessoas.

    Como recompensa pela derrota dos Nazis a Europa e o Mundo emprestaram dinheiro à RFA a juros baixos e a muito longo prazo e deram-lhe algum a fundo perdido e perdoaram uma parte da divida passada.

    A Alemanha em 2012 já não se lembra disso.

  5. Os factos de um troll possuem uma componente médica interessante para analisar de forma científica.

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