Quem não se sente…

Declarações minhas sobre a Segurança Social provocaram respostas muito demonstrativas da pequenez de algum “debate” de ideias em Portugal. Não sei em que é que a minha idade e habilitações qualificam ou desqualificam o que eu penso. As ideias devem (deveriam?) valer por si e não por quem as profere. Se acaso fosse um doutorado em direito de trabalho a propor o que eu propus (que haja um esquema de opting-out da segurança social para os primeiros empregos) isso tornaria a ideia espectacular? Creio que há bons argumentos para discordar desta ideia (conheço alguns e gostarei de conhecer mais) que não passem por atacar o mensageiro. Mais ainda quando esse ataque é plenamente baseado em assunções mal construídas como as que o Daniel Oliveira tem.

Aliás, o Daniel constrói uma imagem mental sobre mim que consubstancia uma forma de defesa que vejo muitas vezes à esquerda: as ideias são tão “más, horríveis, anti-sociais, etc.” que só podem ter sido proferidas por um monstro. (À direita isto também se faz, mas há normalmente uma condescendência para as ideias da esquerda de que são bem-intencionadas. Ao contrário, assume-se muito mais que as ideias da direita são sempre mal-intencionadas.) Não vou aqui rasgar vestes sobre porque é que não sou o monstro que o Daniel parece pintar (ok, admite que eu até devo ser “uma excelente pessoa”, obrigadinho). Mas há questões objectivas que posso aqui relevar. Não fará a diferença para muita gente e não chegará a tantas pessoas quanto os escritos do Daniel, mas quem não se sente não é filho de boa gente.

O Daniel diz que fiquei, no CDS, com a pasta do empreendedorismo. É mentira e seria, concedo, muito pobre que o CDS fizesse isso quando está cheio de empreendedores. O Daniel deve estar a referir-se ao facto de ser, na Comissão de Educação, relator parlamentar (da Comissão, não do partido) para a “educação para o empreendedorismo”. É um bocadinho diferente, convenhamos, e mesmo assim poderia estar underqualified. A elaboração de relatórios passa por estudar um tema para apresentar, neste caso à 8a Comissão, uma súmula do estado da arte sobre esse tema como ponto de partida para iniciativas legislativas dos grupos parlamentares. Ser relator não exige propriamente um conhecimento profundo prático sobre as matérias a analisar (exige capacidade de análise e síntese), mas com certeza que ajuda. Aceitei esse desafio também porque acompanhei nos quatro anos em que estive no Conselho Directivo da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto a criação e os primeiros passos do Mestrado de Inovação e Empreendedorismo Tecnológico. Não tive nada que ver com esse processo nem estive envolvido em qualquer processo de decisão, mas acompanhei por ser tema frequente nas reuniões com muito interesse e com a certeza de que mais projectos desse tipo podem ajudar a criar uma cultura empreendedora que se calhar falta em Portugal. O conhecimento que tenho é limitadíssimo, mas poderá ajudar. Quando tiver o relatório pronto tenho gosto em o enviar para quem quiser.

O Daniel acha «que alguém que nunca teve um emprego e não ocupou o tempo que não gastou a trabalhar a estudar deve ter um pouco de pudor quando manda centenas de milhares de jovens que estão desempregados criarem o seu próprio emprego.» Aqui cai em dois erros. Primeiro não mandei ninguém criar o seu emprego nem mando (e recomendar só a uma mão cheia de pessoas) nada a ninguém. O que me limitei a dizer foi a constatar o que considero um facto: que faço parte duma geração que «fatalmente, vai cada vez mais criar o seu próprio emprego e não andar à procura na indústria ou noutros sectores”». E O Daniel diz «nenhum país vive exclusivamente de empresas unipessoais. Nenhum país dispensa técnicos especializados que podem não ter especial talento para os negócios, mas sem os quais os negócios não vão longe» Eu disse mais: «“Fazer a diferença está reservado a poucos”, (…) o “auto-emprego e o empreendedorismo não são uma panaceia para resolver os problemas em massa”.» Segundo, é mentira que nunca tenha tido um emprego. O Daniel fala de cor, como se nos conhecêssemos ou como se me conhecesse, mas está mais importado em preencher a sua imagem mental que construiu sobre mim do que em saber se sim ou se não. Diz o Daniel que começou a trabalhar aos 17. Parabéns. Eu comecei aos 16 e não deixei mais até me ir despedir a seguir a ter sido eleito em 2009 (lembro-me bem da despedida, tirei esta fotografia, na ocasião). Ao fim-de-semana, nas férias, às vezes em tempos de aulas, estive dez anos a tratar da conquistar a minha independência e a “fazer a minha vida” – e como já não sei onde vai parar alguma mente mais perturbada, que se registe que ainda não tinha qualquer actividade política quando comecei a trabalhar nem nunca houve qualquer ligação entre estas vidas. Não é uma coisa que carregue comigo como uma medalha ou como um facto de especial relevo, mas para o Daniel – e para o Sérgio Lavos, já agora – parece mais importante quem diz do que aquilo que diz. Eu acho que não me qualifica ou desqualifica para pensar o que penso, e para dizer o que penso.

Acho aliás algo indigno em ter de fazer esta espécie de auto-de-fé. Não se trata de cumprir, ou deixar de cumprir, o dever de prestar informações que considero que tenho como titular de cargo público – nada a opôr. Trata-se sim de ter de vir a público por causa de mentiras que são espalhadas sem que os seus autores se tenham dignado a sequer perguntar-me o que quer que seja. Presumem determinadas coisas que encaixam na sua mundividência, limitadíssima como se vê, e toca lá de pregar essas presunções – mentiras, mesmo – aos ventos (O Sérgio Lavos fala mesmo em “contradições que têm de ser expostas“. A sério: WTF???). E há algo de perverso nisto. Não conheço nem o Daniel nem o Sérgio o suficiente para o presumir nos seus casos, mas há certamente quem aja com um intuito muito concreto (e na verdade o intuito concreto é pouco relevante, as consequências são reais): puxa-se outra pessoa para a lama para que se cale ou tenha vergonha de voltar a falar. O visado ou vem a público para esclarecer ou faz de conta e deixa passar. No Bloco a coisa vai nos genes dos dirigentes. Um dia Louçã também disse a Paulo Portas, que não podia falar de aborto porque não tinha filhos. Portas que poderia responder sem expor o seu íntimo ali naquele debate? Tinha de se justificar porque é que não tem filhos? Explicar que mesmo assim tem capacidade para falar dum tema que toda a sociedade debatia? Nenhuma saída é boa. O Daniel chama a isto o mundo dos crescidos. Talvez seja, mas no mundo das crianças eu brincaria com os meninos que não estão no meio da lama a tentar sujar os outros.

Creio que cumpro os doutos critérios do Daniel Oliveira e do Sérgio Lavos para falar de Segurança Social, para investigar o Empreendorismo e para dizer o que penso – a menos que agora adaptem os seus critérios, o que muitas vezes também se vê acontecer. Mas o importante não é isso. O importante é que as ideias possam ser discutidas pelo seu mérito intrínseco e não pelo demérito – ou pseudo-demérito – de quem as profere.

PS: Não escrevia no Insurgente há muito tempo – deixei quando fui eleito presidente da Juventude Popular, nesse percurso que, na óptica do Daniel Oliveira, comecei em 2000 para fazer carreira. Sempre assumi na JP e no CDS posições fora do mainstream democrata-cristão – que, aliás, não sou – muitas delas aqui escritas para serem lidas por quem achar que joguei a minha intervenção cívica com intenção de fazer carreira. Hoje é um dia tão bom como outro qualquer para começar a acrescentar mais alguns textos a esse rol.

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34 thoughts on “Quem não se sente…

  1. O Daniel disse alguma mentira? Ele apenas disse que pimenta no cú dos outros para nós é refresco. Para quando a reforma dos deputados aos 65 anos e o fim de algumas regalias para deputados que limitam ao “senta-levanta”? E para quando os círculos uninominais para acabar com esta palhaçada dos deputados que surgem por arrasto ao cabeça de lista? Eu também fui trabalhador-estudante e concluí o curso no tempo previsto sem apoio financeiro dos meus pais.

  2. Responder ao Daniel Oliveira é simplesmente perder tempo.

  3. Os métodos do Oliveira estão num catálogo muito velho de mais velhos truques desonestos. Bastava em 5 ou 6 palavras – ou, literalmente, o mais próximo disso – esclarecer as questões.
    O que for além disso, seja o que for, é ganho do Oliveira.

  4. Michael,

    Li com atenção a sugestão que fizeste a respeito das contribuições p’ra famigerada segurança social. Concordo contigo. Acho perfeitamente exequível que se alterem os regimes de tributação (sob os diversos títulos) como medida de combate ao desemprego. É preferível haver um jovem ‘desprotegido’ empregado, do que desprotegido e desempregado. Parece-me óbvio, sobretudo para quem pretende combater o flagelo, apoiar a geração à rasca. No entanto, os comentários surgiram nas redes sociais e depois no debate corrente. A maioria eram depreciativos, no entanto, infundamentados. Muitos preferiam maltratar o autor do que criticar construtivamente a ideia. Eu tenho uma visão heterodoxa e radical acerca do mercado de trabalho e também destes ditos sistemas sociais, injustos, inúteis e sobrevalorizados; Mais, em democracia repleta de direitos, também o tenho para fazer todas as afirmações sem nunca as corroborar – Sem nunca ter criado uma empresa, realizado um investimento, haver sido empreendedor. Tenho o direito de defender publicamente aquilo que nunca fiz.

    No entanto, também sou militante do Partido Socialista e numa convenção decorrente sábado passado, ouvi várias referências à tua intervenção. Um camarada chamou-me à atenção ‘mas tu já viste o que aquele idiota do CDS veio propor?’. Tive de lhe explicar que já privara com ‘aquele idiota’ por duas ocasiões, que era um tipo impecável e sobre quem tinha a melhor das opiniões, e que a proposta (o âmago da política) fazia todo o sentido com a taxa de desemprego a roçar os 40 %, permitindo simultaneamente melhores condições de contratação para os patrões, e melhores salários para os funcionários. Em vez de respostas, só recebi olhares de desdém. São as mesmas pessoas que valorizam o António Costa, o Marcos Perestrelo e uma bartolada doutros grandes estadistas Xuxas – Com o argumento de que adbicaram duma carreira profissional para liderar partidos e movimentos mui honrados – que te apontam o dedo, fundamentalmente por pertenceres a outra família política. Acredito nem terem parado para pensar na insignificância da segurança social face à imperiosidade de combater o desemprego. Acredito nem terem parado para pensar.

    Como tantos outros, Daniel Oliveira ou Sérgio Lavros, não pretendem fazer política. Quanto a ti, só te posso desejar que continues o bom trabalho. Não queria ser simplista, mas vozes de burro não chegam ao céu.
    Um abraço e bem-vindo de volta à blogosfera

  5. Daniel oliveira não escreve artigos: ele rosna, às vezes, artigos; e outras, infelizmente a maioria, ele defeca artigos. Responder-lhe não é perder tempo – ler esta resposta é um prazer sem fim.

    É ler Daniel Olveira que é uma incurável perda de tempo.

  6. Uma inutilidade perder tempo com o “azeitona”
    Um pobre diabo que só vomita disparates.
    Gostei do nível da sua resposta.
    Marca a diferença entre a sua pessoa e o azeitero

  7. Ah, trabalhou 10 anos na Sandeman, ao fim-de-semana, nas férias e mesmo em tempo de aulas… É estranho, eu aos 16 anos, claro que não devia ser tão brilhante como o Seufert, só conseguia arranjar trabalho em cafés ou nas obras. E a tempo inteiro que part time praticamente não existia. De resto noto que a sua resposta é bem fraca e foi mesmo só para não ficar calado. Afinal a “voz de burro” não só chegou ao céu como foi certeira. Continuará a ser um politico “profissional” completamente desligado da realidade da qual “o conhecimento que [tem] é limitadíssimo.” O Centrão agradece e os donos darão a devida recompensa.

  8. “É estranho, eu aos 16 anos, claro que não devia ser tão brilhante como o Seufert, só conseguia arranjar trabalho em cafés ou nas obras.”

    A avaliar pelo resto do seu comentário, provavelmente tem razão em relação ao seu brilhantismo.

  9. Não obstante a retidão da resposta a Daniel Oliveira (ao contrário dos colegas de blog que foram, digamos, muito pouco delicados nos qualificativos ao Daniel), acho estranho que aqueles que aplaudem a resposta do Michael (pela sua postura, penso eu) são os mesmos que na mesma frase insultam o Daniel. Não haverá por aqui alguma contradição?

  10. Meu caro Micha,

    Com a franqueza que me conheces, sabias que não podia deixar de te dar os parabéns pela resposta que dás a quem quer jogar o teu bom nome na lama. De facto, só uma pessoa com uma verticalidade como tu estaria à altura de responder a esses dois senhores da forma que respondeste. Concordo contigo nas considerações que teceste sobre SS e Empreendedorismo. De facto criar uma empresa não é para todos (eu próprio passei por uma experiência dessas).
    Claro que depois há os comentários de apoio, outros mais sarcásticos… mas se estivéssemos todos de acordo a vida não teria piada. O contraditório faz falta. Mas manter o nível também é indispensável.
    De facto a elevação que usaste no teu post foi de tal forma grande que temo que os destinatários de tal prosa não consigam entender o que dizes… mas isso, como diria um certo amigo comum, habemos pena!

  11. A psicologia comportamental identificou uma particularidade humana muito curiosa: o bottom line trap. Em suma, nós decidimos algo na nossa cabeça, seja, “Comunismo é bom” — o bottom line da questão — e adaptamos as premissas e os argumentos por forma a que consigamos justificar essa conclusão — o bottom line.

    O Daniel Oliveira padece, de forma crónica, desse mal. Aos 14 anos chegara à conclusão que socialismo é bom, e toda a gente que queira ganhar dinheiro, é má. Logo, capitalistas, aqueles que fazem render e acumulam capital, são maus. Credores, maus. Mercados, bichos papões. Aos 43, deriva outro bottom line, desta feita que o Michael é mau. O Micha terá de viver com isso. Viver com uma opinião má do Daniel não me parece tão somente exequível, como recomendável.

    Seja de pessoas ou de ideias, o bottom line thinking é redutor e castrador. O ideal seria partir do oposto. Recolher dados, experiências, formação, literatura, história, e chegar a um conjunto de princípios e conclusões. Eu em quase 3 décadas ainda continuo a descobrir os meus. O Daniel, na sua clarividência, descobriu aos 14 anos. ‘Nuff said.

  12. Uma excelente resposta, o que não muda o facto de esta questão continuar a não passar de uma discussão de recreio de escola.

  13. 1. A única referência que fiz à sua carreira no texto do Expresso foi curta e usava os dados biográficos oficiais que, por sua vontade, são públicos.
    2. A referência ao facto do senhor ter a pasta do “empreendedorismo” (abominável palavra) é do jornal “Público”, não minha.
    3. O texto era sobre o conteúdo (usando a sua posição como exemplo), e não sobre si. A sua pessoa só passou a ser o tema central do texto por vontade do Insurgente.
    4. Devo dizer que a forma como o seu partido fala de quem recebe o RSI ou o subsídio de desemprego é que é “puxa-se outra pessoa para a lama”. Nessa matéria, o CDS/PP é mestre: pegar em quem está em baixo e fazer dele bombo da festa.
    5. Não o considero, nem sei de onde raio possa ter tirado essa ideia, “um monstr”o. Saiba, e pode ficar espantado, que conhecendo, por coisas da vida, pessoalmente o líder do seu partido, que defende quase tudo aquilo que eu combato, tenho por ele uma sincera estima pessoal. Só para tentar explicar-lhe que, como sabem todas as pessoas de direita que privam comigo, não pinto assim tão facilmente caricaturas das pessoas. Fiz uma referência ao seu currículo (e não, mais uma vez, ao facto de não ter terminado o curso que eu, como já aqui disse, também não terminei) porque achei que, neste tema específico, ele era relevante. E continuo a achar.

  14. Dito isto, fiquei devidamente esclarecido sobre a sua carreira o que faz com que o meu texto tenha um erro, motivado pelo erro do seu CV ofical no Parlamento que, se me permite, aconselho a mudar.

  15. “Fiz uma referência ao seu currículo (e não, mais uma vez, ao facto de não ter terminado o curso que eu, como já aqui disse, também não terminei) porque achei que, neste tema específico, ele era relevante. E continuo a achar.”

    Exacto. A questão da competência só se coloca neste tema. Quanto o Daniel opina doutoralmente sobre tudo e um par de botas o cv torna-se irrelavante.

  16. “Ser relator não exige propriamente um conhecimento profundo prático sobre as matérias a analisar…”.

    Isso é bem verdade, a julgar pela sua intervenção, no ano passado, em representação do CDS, num encontro da APEVT. Foi confrangedor.

  17. Michael

    Nunca entendi muito bem essa expressão “Quem não se sente não é filho de boa gente” e até suspeito que é bem portuguesinha no sentido “pobrezinhos mas honrados”.
    “Snap out of it” é a sugestão que lhe posso dar relativamente à opinião alheia.

    Acredita ou não na sua ideia “um esquema de opting-out da segurança social para os primeiros empregos”? Parece-me que sim. Então, defenda-a.

    Ou o seu post também serve de pretexto para nos revelar a “pequenez do debate” em Portugal? Ou a estratégia personalizada da argumentação da auto-intitulada esquerda em Portugal?
    Acho que insistir em justificar-se perante o que considera “pequeno” e “personalizado” = argumentação de qualidade questionável, é perda de tempo.

    É melhor, a meu ver, centrar-se na sua ideia e defendê-la com argumentos fortes. à primeira vista, parece-me uma ideia excelente.
    Ana

  18. Relativamente a este episódio, não serviu para nada a não ser para demonstrar que o habitual pulha do Daniel Oliveira está seriamente incomodado com o bom trabalho desempenhado pelo Michael Seufert enquanto deputado e, diga-se de passagem, tem boas razões para isso. Continue.

  19. É curiosa a falta de enfase dos comentários no conteúdo da proposta de Michael Seufert.
    Em contraste nota-se uma abundância de comentários sobre a personalidade, e os canudos, que os protagonistas têem, ou não têem, ou deveriam que ter!. (tal como no caso Relvas).

    Com o à-vontade de quem há anos -até em comentário neste Blog- defendeu a necessidade de se encarar exactamente o mesmo conteúdo que a proposta de M.Seufert contém, noto ser esta forma, de analizar este caso, típica de uma sociedade minada por hierarquias, partidos, capelinhas ….

    Felizmente que até há -excelentes- comentários a avaliarem o tema da proposta de MS. É isso que assustas os danieles oliveiras …

    Eficiente a tática do ilusionista, tão querida de quem pretende distração do essencial …

  20. O Daniel Oliveira podia ao menos assumir a responsabilidade pelo que escreve. Mas nem isso. Tira conclusões sem conhecimento dos dados todos e depois culpa as poucas fontes que consultou.

  21. Expliquem-me só que tarefas fez na Sandeman com 16 anos? É que isso tresanda a cunha por todo o lado para a puxar de galão…
    Muitos conheço que foram para as vidimas nessa idade, valia algum mas ficavamos todos rebentados, porque é que me cheira que não foi esse o caso…

  22. O Daniel Oliveira é aquilo que chamo um pseudo intelectual com a mania que sabe tudo. Aliás basta ver o ar convencido como fala sobre todos os assuntos. Está convencido que o facto de ser jornalista lhe permite opinar sobre tudo. Direito obviamente que tem até porque até agora a asneira ainda não paga impostos

  23. Colocando à margem todas as questiúnculas relativas a currículos, profissões de fé política e quejandos, urge analisar a proposta sobre a perspectiva dos pressupostos que a fundamentam:

    – a suposta insustentabilidade do sistema de segurança social (sendo a proposta de “opt out” demonstrativa da tal “solidariedade intergeracional” que comanda os amanhãs cantados pelos protoliberais corporativos a quem o Michael presta vassalagem): em relação a esta matéria sugiro a leitura deste estudo http://som.eldoc.ub.rug.nl/FILES/reports/themeC/2003/03C28/03c28.pdf;

    -a presumível descomplexificação da burocracia e redução dos custos que tolhem o empreendedorismo autóctone (recomendo vivamente a leitura de Schumpeter para esclarecimento conceptual): sugiro uma análise aos obstáculos de crédito e ao derrube das assimetrias de entrada no mercado, as grandes e verdadeiras barreiras à inovação e por inerência ao empreendedorismo;

    – o aumento da empregabilidade pela redução de custos para o empregador: não lhe chegou a recente lição sobre o aumento exponencial do desemprego em função da “flexibilização laboral”? Einstein definiu a ignorância como a expectativa de resultados diferentes em função de semelhantes tentativas.

  24. Pingback: E ficamo-nos por um comentário? « O Insurgente

  25. “A avaliar pelo resto do seu comentário, provavelmente tem razão em relação ao seu brilhantismo.”

    A avaliar pela sua prestação neste blog ficamos esclarecidos em relação ao seu.

  26. Caro Michael, confesso que fui uma das pessoas que de certa forma se indignou com as suas declarações (ainda que obviamente não me reveja neste tipo de discurso ofensivo) sobre os jovens e a SS e sobre o empreendedorismo. Não vale a pena estar aqui a apresentar o meu ponto de vista, porque os blogs nem sempre são o melhor espaço para debater questões com esta complexidade. Só gostaria de chamar a atenção para duas questões. A primeira relativamente à SS penso a sua mensagem excluí questões que me parecem pertinentes, nomeadamente o apoio à maternidade, uma visão de futuro dos jovens como nós e a protecção laboral. Nós somos jovens, mas podemos ficar doentes, podemos ter um acidente que nos incapacite para trabalhar, podemos querer ter filhos antes dos 30. E um dia vamos ser velhos e vamos precisar de uma estrutura de apoio. E, sim, provavelmente a SS por essa altura já entrou em colapso. Mas isso são outras questões, para as quais penso que o Pedro Mota Soares tem revelado uma visão de sustentabilidade bastantes interessante. Em relação ao empreendedorismo, eu confesso que por vezes esse tipo de discurso me faz alguma confusão. Por vezes, parece-me que se está a esquecer algo muito importantes – é que estamos a falar de pessoas. Quando ouço os “magos do empreendedorismo”, como uma vez lhes chamou Pacheco Pereira, sinto que estão a defender a lei da selva – eliminar a intervenção do Estado no sector do emprego, deixar o mercado fazer a sua seleção, deixar que os melhores mostram as suas capacidades. É quase como, os melhores, os mais capazes vencem, os fracos que se “amanhem”. E depois há esta confusão com empreendedorismo e áreas de estudo. Quem é das ciências, das engenharias, do marketing, da gestão são visto como potenciais empreendedores, quem vem das humanidades é tudo o que não interessa. Enfim penso que é uma questão que ainda precisa de muita reflexão e que por vezes se perde por meia dúzia de frases pouco amadurecidas.

  27. Desconhecia a ‘tua proposta’, mas após leitura cuidada, parece-me que vai sofrer do mesmo problema que muitas outras: “Não resolve todos os problemas da humanidade”!
    Para mim é simples, pergunta-se a alguém que está desempregado: “Preferes continuar desempregado ou ir trabalhar ‘sem a protecção da segurança social’? E a pessoa decide… Se fosse eu e precisasse de por comida em casa aceitava.

    Entendo contudo que esta ideia teria muitas particularidades que obviamente são impossíveis de debater num forum como este.

    Parabéns e continua o bom trabalho, ruido de fundo irá haver sempre, quanto maior for, melhor será a qualidade do teu trabalho.

  28. Esqueci-me de acrescentar ao meu comentário (Ana, 16:51) que eu não estou inserida na segurança social e sim prefiro isso a não estar empregada na área que escolhi. Contudo, penso que só porque tal opção me serve não tem que servir para a sociedade.

  29. Eu aceito tudo: divergências, controvérsias e até os insultos no calor do momento. Mas ser lobo em pele de cordeiro é próprio dos cobardes. E a cobardia tira-me do sério.

    Certa esquerda reserva para si – só para si – o papel de boazinha. Em nome desse papel mostra o seu humanismo. O seu tipo de humanismo.

    Reacções como aquelas de que Michael Seufert foi alvo são sinais. Convém não estarmos distraídos.

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