No que deu o choque socialista

Um dos vice-presidentes do PSD, Jorge Moreira da Silva disse, na entrevista que deu ao jornal Público (exlusivo assinantes ou em papel) que o “país precisa de um choque de empreendedorismo.” Não deixa de ser fantástico que os políticos ainda tenham, depois de todos os recursos que o estado e os seus governos já consumiram, o à-vontade para o discurso do dava-nos muito jeito se trabalhassem mais. Se se esforçassem mais. Se fossem geniais. Genial é, aliás, o termo. Pois só um génio, empreende no quer que seja, quando, e ainda antes de começar, é castigado com regras e impostos. Só alguém genialmente desinteressado, empreende para mais de metade daquilo que produz ir para os bolsos de quem, de ar sério, ponderado e reflectido, lhe diz que precisa de dar mais. E lhe diz ainda que a “mudança de mentalidades” se faz com “políticas públicas e fiscalidade”. Ou seja, com mais impostos e mais favorecimentos arbitrários.

As metas do défice público estão a derrapar devido à queda nas receitas. Com conversas como as do teor da entrevista que referi em cima, só merecem que desçam muito mais. Talvez assim percebam que o que o país precisa não é de mais gente disposta a trabalhar, mas menos gente disposta a ver nos outros uma árvore das patacas. Mais do que um choque de empreendedorismo, precisamos de um choque, sim, mas de fim de socialismo.

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7 thoughts on “No que deu o choque socialista

  1. Chego à conclusão que é mais fácil acabar com o “Alien” ou com o “Terminator”. Enquanto as pessoas não compreenderem que o direito de uma pessoa jamais pode acarretar uma obrigação a outra, não há hipótese de saír do “21st Century Plantation” como chama Allen West (Congressista Républicano da Flórida). O direito à liberdade de expressão, por exemplo, não obriga mais ninguém a nada, a não ser deixar-me falar. O direito à habitação, pelo contrário, obriga a alguém de me dar uma habitação, ou construindo uma para mim, ou abandonando uma habitação para eu a poder ocupar. Quando obrigamos alguém a dar-nos o que quer que seja, essa pessoa é o nosso criado…ou o nosso escravo…

    Deixo aqui uma explicação mais clara: http://www.youtube.com/watch?v=nrT0kBeld3Q

    O “desejo” ou “sonho” do empreendedorismo com a possibilidade de se arrancar os olhos ao empreendedor como recompensa pelo seu esforço não pode passar de desejo, a não ser que venha aí uma raça de masoquistas para nos salvar! Boa Sorte!!!

  2. Este discurso já só atrai espertalhões à cata de subsídios. Empreendedores a sério não são parvos e basta serem enganados uma vez para aprenderem.

  3. Acabei agora de transferir para a minha contabilista um valor pagar mais uma taxa (IES), assim a quente não podia estar mais de acordo… a frio tambem.

  4. Eu já tentei várias vezes. Chego sempre ao ponto em que vejo que não me compensa o trabalho. O Estado fica com mais de 50% do lucros do meu trabalho e dos meus colaboradores. A única coisa que me faz sonhar e persistir em montar o meu negócio ( estou perfeitamente preparado para falhar) é que se é para trabalhar 10 horas por dia, 25 dias por mês para ganhar 1000 euros limpos ao fim do mês ao menos que seja para mim. tudo que eu escrevi não é exagero e sim, sinto-me explorado. Explorado pelo Estado, pelo meu patrão e pela merda de sociedade civil que temos que aceita esta situação. É assim dizem-me. Assim? Não tem de ser assim, se tirarmos toda a burocracia que envolve um negócio, as pessoas ficam com pelo menos 8 horas por dia para vender o seu produto, não seria suficiente??? África, Ásia ou Caraíbas é a solução para jovens com ambições como eu, a Europa é a nova URSS.

  5. Esteve muito bem no programa. Interessante que, lido, tenha uma “agressividade” que se transforma em calma segura na fala. Foi até didáctico sem ser paterlusta. Os meus parabéns.

  6. Pingback: No que deu o Choque Socialista « Ricardo Campelo de Magalhães

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