Depois de Zelaya, Lugo

O Congresso Paraguaio correu com Lugo. A Esquerda Portuguesa já se indigna. Entretanto, alguns já se preparam para a “resistência”. E resistências do género costumam gerar guerras civis. Existem, neste processo, três coisas que não compreendo. A primeira é o porquê desta situação – a da deposição legal de um Presidente pela esmagadora maioria do congresso e do senado – ser um golpe de estado  e esta, a dissolução da AR -num contexto em que a sua maioria suportava um Governo, parte do Presidente da República – não o ser. A segunda é o porquê de, depois de uma posição bastante sensata por parte da Alemanha, que considera tudo isto  “um processo normal de mudança de governo”, o Governo Português vir mostrar preocupação com o impeachment. E para terminar, porque é que observamos um quantidade tão significativa de Estados numa empenhada tentativa de interferência no processo democrático do Paraguai ? E se fosse ao contrário ? Se fossem os EUA a tenta inverter um impeachment de um Presidente de Direita ? O Rossio encheria de manifestantes barbudos exigindo o fim do “Império”. A Dra. Ana Gomes indignar-se-ia publicamente na televisão, o Prof. Boaventura emitiria umas baboseiras sobre o retorno do fascismo, o Bloco finalmente voltaria a ter temas e a direita social-democrata – reparem bem na mixórdia de conceitos – mostrar-se-ia desconfiada do processo e confiante no retorno de Lugo. Enfim, tudo na mesma. O meu desejo ? Que caiam muitos mais, seja pelo voto, seja pela força. Como dizia Barry Goldwater, “a moderação em defesa da liberdade não é nenhuma virtude”.

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4 thoughts on “Depois de Zelaya, Lugo

  1. o porquê de o Governo Português vir mostrar preocupação

    É muito simples – Portugal, ao contrário da Alemanha, tem um interesse especial em ter boas relações com países da América Latina como a Argentina e o Brasil, países esses que não gostaram da destituição de Lugo. Portanto, Portugal decidiu, e bem, acompanhar a posição desses países.

  2. 1) O Mercosul estuda a possibilidade de expulsar o Paraguai por violação da cláusula democrática do bloco. O Paraguai mataria dois coelhos com um golpe só. Livraria-se do Lugo e do Mercosul.

    2) O afastamento do Lugo foi condenado fortemente pelos bolivarianos Hugo Chavez, Rafael Correa e Evo Morales. Os três mudaram a constituição dos seus países para tornarem-se ditadores de facto.

  3. “Como dizia Barry Goldwater, ‘a moderação em defesa da liberdade não é nenhuma virtude’.”

    Compare-se esta com outra célebre frase: “Imagine nothing to kill or die for.” O sonho de um “brotherhood of man” no “slave camp”…que giro! :P

    Não matar! Não matar! Não matar! Mas reconheça-se que sem liberdade a vida não tem qualquer valor!

  4. Pingback: Do império revolucionário cubano « O Insurgente

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