significado de implacável: que não perdoa

“Para saldar dívidas os hospitais do SNS exigem aos privados descontos de 15% sobre as facturas em atraso.”, ontem no Diário Económico.

Ou seja, o Governo, sempre tão lesto a rejeitar a reestruturação externa da dívida pública, está na prática a submeter as empresas portuguesas (grandes, médias e pequenas) a um “default” nominal e interno, que é precisamente o oposto daquilo que se advoga como alternativa preferível em casos de reestruturação de dívida (que, genericamente, é realizada de forma real, isto é, reescalonando pagamentos, assim deflacionando e diluindo a dívida no longo prazo, e perante os credores externos, que são aqueles que não pagam impostos no país devedor).

Quanto ao Ministro da Saúde, é curioso que a mesma pessoa que como responsável dos impostos era tão implacável com as empresas enquanto credor, queira agora ser o contrário enquanto responsável pelo devedor. É curioso…

About these ads

17 thoughts on “significado de implacável: que não perdoa

  1. Vergonhoso, vergonhoso, vergonhoso, vergonhoso, vergonhoso, vergonhoso, vergonhoso, vergonhoso, vergonhoso, vergonhoso, vergonhoso, vergonhoso, vergonhoso, vergonhoso, vergonhoso, vergonhoso, vergonhoso, vergonhoso, vergonhoso, vergonhoso, vergonhoso, vergonhoso, vergonhoso, vergonhoso, vergonhoso, vergonhoso, vergonhoso, vergonhoso, vergonhoso, vergonhoso!

  2. Muito bem .

    Este governo está a entrar no descalabro, num desprezo pelo sector privado inaceitável.

  3. Estas linhas traduzem bem a maior desilusão de um governo em que todos tanto acreditámos e ajudamos a eleger: pouco do que foi prometido é cumprido, os ideiais associados aos partidos do governo desapareceram e tudo o que vinha mal do anterior consulado continua em vigor – do plano hidrológico ao conceito das SCUTS, das entidades “reguladoras” e obsessivamente vigilantes, ao código contributivo dos trabalhadores independentes, das PPP’s aos crescentes abusos das “EMEL’s” deste país.

    Todos, mas TODOS os disparates e abusos socráticos foram mantidos, acompanhados por um sem-número de novas penalizações, sem qualquer contrapartida positiva a prazo.

    Já tenho alguma experiência de vida e, como português, nunca me vi tão encurralado e sem esperança como agora. E não é da crise, pois crises já vivi muitas e, quiçá, bem piores do que esta. Assusta-me este projecto sem nome e sem rosto que estão a impor no nosso país, a coberto de uma crise que, reafirmo, embora grave, não representa o fim do mundo.

  4. Se fosse só 15%… Não vos passa pela cabeça o descalabro em que isto já está….

  5. Caro Ricardo,
    Acresce outro problema, é que o MS orquestrou uma resposta conjunta por parte de todos os hospitais do sistema. Hospitais que por serem EPE’s têm autonomia. Esta prática seria criminal no sector privado. Imaginem que o Continente, o Pingo Doce e o MInipreço se juntam para exigir um “perdão” aos fornecedores, o que não seria…
    ABÇ
    Joaquim

  6. Ontem quando li a notícia lembrei-me exactamente do mesmo.
    Se fosse uma empresa a fazer isto (e há quem o faça…) caia-lhe a AdC e tudo o resto “em cima”. Mas para o estado as regras são sempre diferentes

  7. “Se fosse uma empresa a fazer isto (e há quem o faça…) caia-lhe a AdC e tudo o resto “em cima”. Mas para o estado as regras são sempre diferentes”

    Miguel,

    O problema é que quando é o Estado a prevaricar a malta habituou-se a encolher os ombros e a dizer “pois, para o Estado é assim”…

  8. Pois. Mas o maior problema é que o “arbitro” nestas situações é o próprio estado.

  9. Os rapaziolas do governo andam mesmo sôfregos… deve ser esta mais uma “Taxa de Solidariedade” como a do Cadilhe, solidariedade coerciva é a minha preferida!

  10. “Pois. Mas o maior problema é que o “arbitro” nestas situações é o próprio estado.”

    Pois, isto só lá vai com…
    :-)

  11. »»Miguel Noronha:
    “Se fosse uma empresa a fazer isto (e há quem o faça…) caia-lhe a AdC e tudo o resto “em cima”. Mas para o estado as regras são sempre diferentes…”«««

    »»Joaquim:
    “Esta prática seria criminal no sector privado. Imaginem que o Continente, o Pingo Doce e o MInipreço se juntam para exigir um “perdão” aos fornecedores, o que não seria…”«««

    »»»Manuel Costa Guimarães:
    “Se fosse só 15%… Não vos passa pela cabeça o descalabro em que isto já está….”«««

    Meus caros Insurgentes

    Não levem a mal o que vos vou dizer, mas confirmei neste post aquilo que sinto a maior parte do tempo – o desconhecimento da realidade é por vezes uma “bênção”.
    Só se escandaliza com esta pratica por parte do Estado, quem não sabe o que se passa “na rua”.

    Aliás, só o Manuel Costa Guimarães revela saber o que se passa na “vida real”.
    Se com um “desconto financeiro” ( é assim que se chamam estas “taxas”) só de 15%, os credores do SNS receberem o seu “dinheirinho”, JÁ, desconfio que ainda vão pedir a “beatificação” do Paulo Macedo e do Gasparzinho.
    E é fácil de perceber.
    Receber 85% agora, é muito melhor do que receber 100% “dia de São Nunca à tarde”, ou nunca receber.

    Há mais de 20 anos que tenho conhecimento destas práticas nos privados (só que, por vezes, a nota de crédito com o desconto financeiro aparecia, mas o correspondente pagamento não .
    E os “brilhantes” gestores que tinham a grande “competência” de praticar estes actos, tinham o caminho aberto para a uma grande carreira profissional.
    Alguns, sei eu, que acabaram em administradores.
    Quem não se dispunha a “aprender” estas “regras de gestão”, ou ia para a rua, ou ficava sempre na “cepa torta” ou demitia-se.

    Eu sou efectivamente um defensor da iniciativa privada, mas por experiência profissional, sei que não é um ambiente de “altas virtudes”.
    Aliás a “honestidade” nas empresas privadas é inversamente proporcional à dimensão da empresa.
    Uma empresa privada de grande dimensão, onde o Fundador da mesma, já não está no comando, não se distingue em nada duma empresa pública.
    .

  12. Caro Mentat (#12),

    Sem prejuízo do acerto das suas observações, pergunto-lhe: se o Estado fosse o primeiro a dar o (bom) exemplo, como deveria ser, não acha que todos os outros teriam um incentivo muito maior a seguir-lhe o exemplo?

  13. “…se o Estado fosse o primeiro a dar o (bom) exemplo, como deveria ser, não acha que todos os outros teriam um incentivo muito maior a seguir-lhe o exemplo?”

    Caro Ricardo Arroja

    Há assuntos em que sou um sonhador, há outros em que sou tão “terra a terra” que até eu me enjoo.
    Por isso a minha experiência diz-me que a resposta à sua pergunta é: Não!

    No entanto, é óbvio que o Estado, não só tem de dar bons exemplos, como tem efectivamente de comportar-se como “Pessoa de Bem”, o que não é o caso, nem infelizmente tenho esperança que venha a ser, nos tempos mais próximos.

    E porque é o Estado devia ser assim?
    Porque é essa a minha definição de Estado e só assim teria autoridade moral para castigar os desonestos.

    Com o actual Estado que temos, quem o rouba merece que se lhe aplique o provérbio – “Ladrão que rouba ladrão…”.

    Neste assunto em particular, (pagamento aos fornecedores do SNS), apesar de não ser área onde tenha experiência profissional, conheço moderadamente bem, quem esteja ligado ao negócio, pelo que sou levado a não ter pena nenhuma deles (talvez injustamente) e até achar que a taxa dos 15% é um bom negócio para todos e não é nenhuma “roubalheira”.
    .

  14. Efectivamemte, o Estado deveria dar o exemplo e pagar o que deve na totalidade e atempadamemte.
    Mas, na realidade, embora pagando sempre, ao pagar tarde, o Estado nunca paga na totalidade, em termos do valor actualizado.
    Os fornecedores-credores sabem-no perfeitamemte. Ma sabem também que o Estado escolhe fornecedores na base de trafico de influencias e nao discute preços. Uma parte significativa dos fornecedores-credores do Estado beneficia desta condiçao priveligiada e de margens de lucro elevadas. Isto faz parte do modelo economico estatista nao transaccionavel que tem sido dominante em Portugal.
    Nesta condiçoes, como diz o Mentat, se os ditos fornecedores tiverem a expectativa de receber no imediato 85% até sao capazes de achar que é um excelente negocio.
    Do lado do Estado, trata-se de procurar reduzir divida gerindo-a segundo critérios mais habituais no privado. Se permitir ir alterando os padroes de comportamento e o modelo economico, embora seja um pratica de negocios pouco elegante, porque nao ?!…

  15. Caro Mentat,

    Anteriormente, também seria da sua opinião de não ter peninha nenhuma, mas neste momento, além da obrigatoriedade nos descontos (ultrapassam os 15%), alteraram por completo as tabelas de preços (unilateralmente, como é costume), rebentando com as margens do negócio. O que acontece neste momento é o óbvio: baixam-se os padrões de qualidade e portanto a qualidade dos resultados. Vou ficar à espera dos números catastróficos de maus diagnósticos por falsos-positivos/negativos.
    Quanto a qualquer empresa privada receber a totalidade dos 85%, creio que é unânime que é uma mentira descarada do Estado Português, algo a que nos temos infelizmente habituado. Deixamos o Estado oprimir-nos até ao tutâno?

    Parece-me que estamos a entrar no livro de Orwell.
    Quando é que este roubo acaba?
    Ou mais importante ainda, como?

  16. Pingback: o incumpridor-mor « O Insurgente

Deixar uma resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

WordPress.com Logo

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Log Out / Modificar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Log Out / Modificar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Log Out / Modificar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Log Out / Modificar )

Connecting to %s