Consequências de uma diminuição da despesa pública acompanhada de redução no mesmo volume de impostos:
O que diminuía a despesa pública (procura estatal) aumentava o consumo e o investimento (procura privada).
Se consumo e investimento preferissem produtos e serviços importados, aumentariam as importações e não a produção.
Se os gastos públicos terminados fossem importação de produtos e serviços, diminuiriam as importações e aumentaria a produção.
Se as famílias e empresas pagassem dívidas ao estrangeiro, isso diminuiria a procura.
Se pagassem dívidas a empresas portuguesas, continuaria a aumentar consumo+investimento.
Se as famílias poupassem em vez de consumir, as empresas investiriam mais.
Com diminuição de IRC, ISP, TSU e mais umas taxinhas, as empresas portuguesas seriam internacionalmente mais competitivas e aumentariam a produção e a exportação independentemente do que sucedesse à procura interna que, de seguida e por este efeito, aumentaria também.
Com aumento do consumo e investimento, as empresas portuguesas conseguiriam economias de escala e racionalização dos custos, tornando-se mais competitivas internacionalmente e aumentariam a produção e exportação e, de seguida, aumentaria novamente o consumo e o investimento.
Como não há melhor incentivo à produção do que ficar com maior quinhão do que se produz, qualquer diminuição de impostos provoca aumento da produção.
Se os bancos constituíssem reservas com o dinheiro que as pessoas lhes entregaram como pagamento de dívidas ou fossem emprestar ao estrangeiro, o investimento não aumentaria tanto como diminuiria o consumo, logo a procura diminuiria.
As empresas fornecedoras do estado que deixassem de o ser iriam despedir pessoas, o que diminuiria a produção, o consumo e os ordenados.
As empresas fornecedoras de famílias e empresas iriam contratar pessoas, o que aumentaria a produção, o consumo e os ordenados.
Despedir leva tempo (tem que se esperar que terminem contratos a prazo, o despedimento colectivo também tem o seu tempo, antes de se despedir tenta-se encontrar novos clientes para manter o volume de vendas,…). Contratar também, e sucederia simultaneamente com o processo de despedimento noutras empresas.
Todo o efeito de aumento de produção pressionará os ordenados a subirem e todo o efeito de diminuição da produção pressionará os ordenados a diminuírem.
Etc., etc., etc..
No médio e longo prazo penso não haver qualquer dúvida de que a diminuição de impostos e de despesa pública terá efeitos positivos no crescimento económico.
No curtíssimo prazo, há inúmeros efeitos de sentido contrário a agirem simultaneamente. O mais provável, neste período, é que os efeitos se compensem e a produção fique na mesma ou com variações negligenciáveis num ou noutro sentido. Aos que presumem poder prever que efeito imediato este corte de imposto teria na procura e nos ordenados, deseja-se boa sorte. Também lêem as folhas de chá?
Pois é. A realidade é infinitamente complexa e está para além da nossa capacidade intelectual abarcar todos os elementos relevantes.
Este é o erro fundamental que todos os racionalismos e constructivismos cometem na arrogância de intervir, moldando o presente e o futuro a sua medida.
Os mais lúcidos destes engenheiros do social, já compreenderam implicitamente que o problema está no espírito humano e dedicam-se activamente a criar o “homem novo”, fazendo lavagens ao cérebro dos jovens para os preparar para a dependencia intelectual e material do Estado.
Comentário por ricardo saramago — Junho 14, 2012 @ 15:25
Muito bom post.
É incrivel como os candidatos a liberais preferem impostos altos , é absolutamente espantoso e leva a desconfiar muito do liberalismo desses candidatos a liberais !
Comentário por Paulo Pereira — Junho 14, 2012 @ 15:47
loool
finalmente Maria João!
O João Miranda pensa apenas nos efeitos a curto prazo da redução da despesa pública, ignorando as consequências a longo prazo!
Agora quer fazer propostas concretas de redução de impostos e da despesa pública?
Com maior redução da despesa do que a redução de impostos para eliminar o défice do orçamento…
Comentário por Carlos Ferraz — Junho 14, 2012 @ 15:58
Caro PP, sei que habitualmente estamos em desacordo, mas tanto na qualidade do post, como na classificação de certos políticos e governantes de “liberais”… estamos em total acordo.
Não há, que eu note, nenhum político ou governantes associados a cargos executivos que tenham comprovado quaisquer orientações liberais com medidas concretas, zicles, rien, nadie, nicles…
Estávamos e continuamos a estar num marasmo político que começa a feder.
Comentário por APC — Junho 14, 2012 @ 16:59