mais próximos do default

O agravamento das estimativas de recessão para a economia portuguesa em 2012 e, sobretudo, para 2013 são uma péssima notícia e o maior sinal de que a avenida actual, sendo necessária, não é suficiente para corrigir os desequilíbrios nacionais. E portanto terá de ser complementada com alguma coisa substancialmente “fora da caixa”, coisa essa que não se vislumbra ao nível do Governo nem da oposição nem da UE.

Ontem foram conhecidas as últimas projecções da Morgan Stanley para Portugal e que apontam para uma recessão de 4,0% este ano e 1,5% para 2013. A Economist, por seu turno, afina pelo mesmo diapasão: uma contracção de 3,9% este ano e 2,1% no próximo. E o Citigroup é ainda mais catastrófico: -5,8% só para este ano! Ou seja, quanto à tese governamental do regresso ao crescimento e aos mercados em 2013 estamos conversados, como o Primeiro Ministro, depois de muito assegurar que não, já começou esta semana a deixar escapar embora sem nunca admitir o óbvio: se pedirmos mais dinheiro emprestado (e eu reforço o termo emprestado), obviamente, teremos de nos sujeitar a mais austeridade.

Assim, entre os profissionais, começa a ganhar adeptos a ideia do “defaultarmos” já. A lógica é tentadora: mais vale um “default” enquanto nos sobram alguns activos do que um “default” ainda maior quando já não tivermos quaisquer activos. Em suma, seja um reescalonamento (ainda o meu cenário base) ou uma reestruturação nominal como a grega, o “timing” para a renegociação da nossa dívida (em face do agravamento macro económico) está a ser antecipado face ao que seria de esperar.

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18 thoughts on “mais próximos do default

  1. Qual é a novidade!?

    Eu devo andar a ler notícias diferentes do outros. No meu blog há meses que sabemos o que nos espera. E eu não inventei nada. Só trabalho a informação com as melhores análises e entendidos na matéria.

    A dúvida é saber se bastará fazer uma reestruturação parcial invés do default total. (creio que bastará parcial)

    Na UE está tudo pelas pontas de cabelos e basta agora algum país perder a cabeça e a coisa complica feio.

    E engraçado é ver quem anda por aí a cuspir para o ar a falar da Argentina ainda está sujeito…

  2. Vivendipt,

    Eu também tenho escrito exaustivamente acerca da iminência de uma reestruturação!!! E concordo, para já, um reescalonamento continua a parecer-me suficiente. Mas se continuarmos a pedir dinheiro emprestado, mais cedo ou mais tarde, acabaremos com um default nominal como a Grécia. Ou seja, o tempo corre contra nós.

    Agora, quanto ao post, não sendo (para a questão da reestruturação) relevante saber se o PIB cai 3 ou 4%, confesso, estou surpreendido com as previsões para 2013….mas se calhar, por ser português, não estou a conseguir ver a coisa com o discernimento necessário!

  3. Até ao fim do ano já saberemos se o nosso default vai ser em 2013.
    Depois em 2013 saberemos se vai ser em 2014 ou 2015.
    A questão já não é económica, nem financeira, mas sim política.
    Quando os grandes da UE decidirem o que fazer com Portugal, com o euro e com a União.
    Muita água ainda vai correr, crises nos mercados, crises geoestratégicas, eleições, catgástrofes naturais, guerras, tumultos, …
    Podemos ter a certeza duma coisa: Já demonstrámos sobejamente que em democracia não nos conseguimos governar.
    De 1820 a 1928 duas bancarrotas.
    De 1974 a 2011 duas bancarrotas

  4. Caro Ricardo,

    Sei bem do seu papel. E aliás o país teria ganho mais se tivesse tempo para explicar as suas ideias no programa prós e contras, mas lá tiveram que montar um circo, de cassetes ideológicas, mais impostos menos impostos, funcionários públicos contra reformados… Planear e estruturar um país é que nada.

    Infelizmente Portugal já caiu numa espiral recessiva de destruição de valor. Causas a levar em conta, o próprio peso do estado na economia e o valor incorporado das nossas exportações.

    Portugal tem pela frente uma década que muda de paradigma ou está condenado ao empobrecimento.

    Por fim, gostaria lhe deixar a sugestão de visita a este discreto blog onde a análise económica é tratada ao alto nível e onde são desmontados muitas das dúvidas atuais.

    contascaseiras.blogspot.com

    Cumprimentos.

  5. “Ontem foram conhecidas as últimas projecções da Morgan Stanley para Portugal e que apontam para uma recessão de 4,0% este ano e 1,5% para 2013.”

    estes Internacionais não sabem fazer previsões…1+1 =2…a recessão em Portugal, como era mais que obvio, vai estar na onda do que existiu na Grécia em 2011 ou ainda piores… pois a Espanha, a França, a Itália, os EUA…e em 2013…nem vale a pena fazer as projecções…a Grâ-Bretanha, que quer passar entre os pingos da chuba, tambem não se safa…enfim…

  6. O que está a acontecer deriva de várias conjugações globais que nos ultrapassam em tudo. Começou aqui há anos com a aliança contra natura do capitalismo chamado ocidental com o comunismo oriental chinês. Depois foi o enfraquecimento, até ao declínio, da indústria a nível mundial com a deslocalização das grandes empresas para a China da mão-de-obra a valores residuais, fruto dessa tal santa aliança. E foi acontecendo tudo, sendo que os donos do capital continuaram a encher o saco cada vez mais. E não nos esqueçamos que tudo isto foi acontecendo depois de ter acabado a guerra fria e de ter caído o muro.
    Aconteceu o sub-prime nos states que teve consequências por todo o lado como acontece com os sismos. Mas lá a justiça, aparentemente funcionou, que o diga o Madoff.
    Mas também é certo que o dinheiro barato – mais uma estratégia? – provocou crises de loucura em muitos países como o nosso e em nuestros hermanos com o crescimento da construção de habitação, de auto-estradas, de estádios de futebol e tudo o mais, muito para além das necessidades e os resultados estão à vista mas ainda não resolvidos.
    De qualquer forma, o dinheiro não desapareceu. Só que, mais rapidamente do que era habitual, passou a dirigir-se exclusivamente para os sacos grandes deixando os pequenos na penúria e cheios de dividas. A realidade é esta.
    E agora eu pergunto: – Se o pessoal não pode consumir, os grandes deixam de lucrar em termos normais. Só lhes resta matar o pessoal, à fome, à sede, a tiro, à bomba ou de qualquer outra forma e apoderar-se de tudo, mesmo pouco que seja dos pequenos todos que vão sucumbindo, e são muitos. Por isso até já há quem diga que o que está a fazer falta é uma guerra a sério, a nível mundial para limpar uns milhões largos de pessoas. Sim, pessoas.
    Mas isto pode levar uma volta. A História já tem dado muita volta e nem sempre no mesmo sentido. E atenção, a fome e a miséria não são boas conselheiras.
    Mas isto como está não pode acabar bem. E não vai durar muito.
    Quanto ao prós e contras nem me pronuncio. Quem ganha com aquilo é a senhora que dirige aquilo, que corta a palavra às pessoas e que à partida já sabia que nem todos podem falar quanto mais expressar, como queriam, as suas ideias.
    Isto está muito mau.

  7. Perfeitamente normal, mais se segue. Só quem julga que a riqueza do crédito ou da impressão de moeda é que vale alguma coisa sem produção posterior é que tem reacções como Paulo Pereira. Estão a ver as políticas que defendem e que foram aplicadas na última década a dar “brilhantes” resultados.

  8. Já antes um banco japonês(do qual não me recordo o nome) no fim do ano passado, estimava que a recessão fosse de 5%.
    Por isso estes valores não impressionam, claro que a nível pessoal estes números revelam realidades de pessoas muito difíceis, mas infelizmente para Portugal, inevitável.

    O que é importante é perceber como aqui chegamos, para podermos ter uma ideia de para onde devemos ir.

    Esta crise nacional, agravada pela crise internacional, foi motivada pelo nosso modelo socialista de organização social, o chamado Capitalismo de Estado, este teve o seu maior crescimento com o governo do nosso presidente da república Cavaco Silva e foi aprofundado pelos sucessivos governos.

    Em 2008 com o esvaziamento da bolha imobiliária dos USA que devido a securitização destas hipotecas realizadas pelos Bancos americanos e com o auxilio das agências de notação propagada pelo mundo, veio acelerar a nossa bancarrota, que alguns, entre os quais Medina Carreira já vinha avisando.

    É importante analisar o que foi feito em 2008, com o pânico instalado nos mercados financeiros, os seus intervenientes viram que o seu fim estava muito próximo, dado que já tinham se instalado nos diversos governos mundiais, através do lobbying salvaram a sua pele, fazendo com que por decisão politica a bolha que esvaziou passa-se para os Estados.

    Aqui entram os Keynesianos, os economistas main stream, os principais responsáveis pela nossa situação, em 2009 ouvimos o primeiro ministro de então, josé Socrates a dizer nestas alturas é preciso o estado gastar, para que a economia não caia, o que aconteceu tivemos uma contracção de 2,9% (se memória não me falha) e um deficit superior a 10%.
    O que aconteceu foi empurramos o problema com a barriga, nada resolvemos e ficamos com a divida.

    O Estado segundo estimativas tem um peso de 51% na economia, um peso superior ao da Suécia que é de 45%.

    O que deve ser feito?

    Reduzir o peso do Estado, isto claro, implica fechar serviços prestados pelo estado(hospitais, escolas, universidades,institutos, fundações, etc..), renegociar as PPP da forma que melhor servir os interesses da população, isto é, reduzir os encargos, estando em cima da mesa todas as hipóteses.
    Para que a despesa do Estado caia de forma significativa muito depressa para se poder baixar impostos.

    O investimento acontece quando existem condições para tal, que mais não seja possibilidade de gerar lucros. Devido a Portugal se encontrar numa depressão económica esta possibilidade em média não se encontra disponível. Logo resta-nos o caminho de gerar condições de atractividade para empresas se instalarem em Portugal para aqui produzir e exportarem e venderem noutros mercados, como se faz isso? oferecer melhores condições que os nossos concorrentes, seja menos impostos, mais estabilidade tributária, justiça célere e de baixo custo, condições de criação de empresas rápidas (licenciamentos, menos regulamentações, etc.), facilidade de despedir, entre outras.

    Vamos ter de fazer o chamado “hair Cut” da nossa divida, dado que não temos capacidade para pagar as dividas, o Estado esta a asfixiar a economia, e dado que a divida privada é enorme, vai se chegar a um ponto que o default massivo vai ser dado pelos privados, à banca.

    O estado está a obrigar, devido às sua politicas, as pessoas a libertarem se dos seus activos, principalmente ouro, que no futuro será necessário, dado que o Euro e Dólar deverão colapsar.

    Em relação ao comentário de que houve justiça nos USA revela um desconhecimento do que realmente se passou, ninguém foi julgado, o caso madoff é um caso diferente foi um esquema ponzi.
    Os goldman sachs, j.p morgan, morgan stanley e companhia continuam a operar como se nada tivesse acontecido, os bancos que eram to big to fall tornaram se ainda maiores.

    Mais cedo ou mais tarde o sistema fiat em que vivemos vai desmorenarse e teremos de regressar a um padrão qualquer, talvez o ouro.

    Os banqueiros controlam a economia, hoje não temos economia livre, não existem mercados, mas sim uma economia de direcção central exercida pelos banqueiros centrais do mundo. Estes pensam que conseguem prever e direccionar os comportamentos de milhões de pessoas, como sempre vão se enganar e o embuste mais cedo ou mais tarde vai ser descoberto, e ai a crise de 2008 vai parecer um mar de rosas

  9. Meus caros, o grande problema do país, aquele que não permite uma recuperação previsivel das forças de mercado na economia, está no endividamento privado. O resto é conversa que decorre sempre deste problema. Não conheço outro país civilizado com níveis de endividamento dos agentes da economia tão elevado. Julgo que é duas vezes e meia o PiB nacional.
    .
    Sendo assim, a única medida sensata que se impõem é dar condições imediatas para que as pessoas possam empreender e, com isso, gerar riqueza e emprego. Só a geração de riqueza e trabalho pode fazer pagar o endividamento de cada pessoa.
    .
    Para isso, várias medidas devem ser efectuadas, e todas elas pressupõem Tempo para consolidação de dividas. Tempo para que o estado possa pagar as suas contas num prazo muitissimo maior do que o actual e, com isso, reverta o ganho no Tempo em favor dos agentes, que são as pessoas, através de cortes acentuados nos impostos; nos impostos que incidem sobre os rendimentos e isenções ao empreendedorismo em sede de IRC por uma decada. Discriminar , agravando fiscalmente os produtos de consumo importados e desagravando os produtos de investimento importados. Duplicando o agravamento em produtos importados que temos possibilidade de produzir internamente tão eficientemente quanto os estrangeiros. Triplicar os produtos oriundos de paises que laboram com enquadramentos juridicos, ambientais e laborais abjectos, infrahumanos, e que fazem concorrencia desleal. Incentivar a organização de coooperativas comerciais que veiculem escala a alguns dos nossos produtos.
    .
    A actual estrutura da economia, assente na quantidade e qualidade de empresas que temos, não chega para reverter a situação. É necessário empreender muitissimo mais. A titulo de exemplo, precisavamos de multiplicar por 40 as fabricas de calçado para atingir um valor de exportação aceitavel. O mesmo quer dizer que precisamos de crescer em todas as industrias e serviços . Satisfazer o mercado interno substituindo importações e depois de ganhar massa critica, o mercado externo.
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    Quando se fala se o PiB ou as exportações crescem ou descem em Portugal estamos a falar de um mundo empresarial restricto a duas duzias de empresas que representam a quase totalidade da riqueza criada. E os politicos tomam medidas sistematicamente com vista a essas duas duzias de empresas. É isto que tem de melhorar, mudando. Aumentar a quantidade de empresas a operar no mercado. As que estão tem as suas capacidades utilizadas perto dos máximos possiveis. E para isso tem que se desalavancar as pessoas, de forma a motiva-las a investir; e sobretudo criar mecanismos de controlo para que no futuro não aconteça o mesmo regabofe consumista importador a que assistimos nas duas ultimas decadas.
    .
    A divida pública é impagavel. A privada corre sérios riscos de vir a ser impagavel para os bancos, uma vez que as pessoas não as podem suportar e reembolsar. Só será pagavel se à economia for dado cinco vezes mais tempo para a reembolsar e, dado o nivel de stock de divida, com juros muito inferiores. Isso só se consegue com POLITICA e não pelos mercados. E é de politicos que o Ocidente, e particularmente os paises do lixo, tem falta.
    .
    Rb

  10. Opinião assertiva Ricciardi!

    E sobre política vou deixar mais esta….

    No passado Salazar proibiu as maçonarias e as sociedades secretas.

    E atualmente, o que tem mais força em Portugal, o seu voto democrático ou o voto maçónico?

    Quando o cidadão ouve dizer que vive numa democracia, ele imagina que algumas tramas sórdidas que os políticos se envolvem são naturalmente corrigidas no momento de eleições, o que não é verdade.

    Bom fim de semana.

  11. Lá se vai a teoria da austeridade para o lixo.

    Quando é que o Passos e o Gaspar vão meter na cabeça que têm de baixar o IRC e a TSU nos sectores transacionáveis em simultâneo com o corte na despesa pública e emitir divida internamente com crédito fiscal como garantia adicional ?

    A chave aqui é a palavra simultâneo, 3 medidas em simultâneo

  12. Vivendipt Portugal não exporta muito mais para os países malvados – aqueles que provavelmente há 4 ou 5 anos chorava pela sua probreza – que você quer barrar?

  13. Pingback: a medir forças (2) « O Insurgente

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