A favor do Adolfo Mesquita Nunes e contra as palhaçadas (ainda que bem intencionadas)

Uma vez que acabei, de forma indirecta, por me referir a uma disputa interna do CDS na qual tenho pouco interesse, parece-me oportuno esclarecer dois pontos:

1 – Não obstante as públicas e profundas discordâncias que tenho com o Adolfo Mesquita Nunes no que diz respeito a várias questões ditas fracturantes, não tenho dúvidas de que ele é um dos melhores deputados da presente legislatura e uma das mais promissoras figuras no espaço não socialista em Portugal, pelo que só por um impulso suicida alguém com algum interesse no futuro do CDS enquanto partido não socialista poderá alimentar campanhas contra ele. Acresce que face à correcção, elegância e sustentação com que o Adolfo regra geral defende as suas posições, quaisquer cruzadas pessoais dirigidas contra ele assumem um carácter ainda mais injusto e descabido.

2 – Sem pôr em causa as genuínas boas intenções de muitos que assumem esse papel, estranho sempre manifestações de radicalismo anti-fracturante que não parecem questionar os fundamentos daquilo que estão a defender. A questão do casamento é porventura o melhor exemplo. Socorro-me para o efeito de uma passagem num texto que, apesar de não subscrever integralmente, considero expressar particularmente bem o tipo de desconforto que sinto face à emergência esporádica desse tipo de manifestações de radicalismo anti-fracturante: A Palhaçada

Mas a palhaçada só se encontra completa quando vemos um conjunto de gente ligada à Igreja a mover-se a favor da forma presente, o estilo séc. XIX, de casamento civil. Isso sim é algo que só ao nível da dupla Croquete e Batatinha…
Uma forma de casamento que é tomada como meramente contingente pelo Estado, que é dissolúvel por vontade de uma das partes, onde a dissolução do vínculo fundamental não é vista como falha mas como acto próprio da esfera de autonomia do indivíduo, torna-se, subitamente, a razão para a união de toda a boa sociedade do país.

Leitura complementar: Diogo Feio ficou constrangido ao ver um deputado do CDS a votar ao lado de Louçã e de Jerónimo de Sousa (nas votações relativas a alterações à legislação laboral nacional – por essa matéria estar, na sua opinião, sujeita a um princípio de disciplina de voto especialmente qualificado) mas não atacou João Rebelo e Adolfo Mesquita Nunes; Diogo Feio ataca João Rebelo e Adolfo Mesquita Nunes; A propósito das críticas de Diogo Feio.

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7 thoughts on “A favor do Adolfo Mesquita Nunes e contra as palhaçadas (ainda que bem intencionadas)

  1. Apoiado.André,
    O Adolfo, não obstante discordar dele profundamente em questões fracturantes, é a grande revelação da presente legislatura.
    Tanbém estranho e desconfio de manifestações de radicalismo anti-fracturante que não parecem questionar os fundamentos daquilo que estão a defender.
    Um abraço,
    Pedro Pestana Bastos

  2. Manifestar-se contra o politicamente correcto, é, hoje em dia, um acto de radicalismo.

    Quanto ao texto que apresenta, encontra-se semelhante no BE e afins:
    a) Só mesmo o Croquete e Batatinha (falta de capacidade intelectual).
    b) São as beatas (alienação por ideias retrógradas).

    É curioso definir o CDS como não socialista. De facto, pela positiva, não existe hoje definição de CDS.
    Eu, pelo menos, não faço ideia do que seja.

  3. Redução do défice é feita em 75% pelo lado da receita.

    notícia JN

    Este governo é liberal onde?

    Uma cambada de falhados.

    A troika pede 2/3 pelo lado da despesa e 1/3 pelo lado da receita.

    Será que não leram o memorando da troika?

    Na Grécia aconteceu isso ao ministro da economia…

  4. Se lhe chamam “questões fracturantes” por algum motivo será? Talvez por serem importantes e até justificarem a existência de certos partidos políticos, minoritários? Se o CDS também está (como inesperadamente aconteceu) fracturado nestas questões, imagine-se o efeito nos eleitores – fracturados estarão. Mas isso será uma outra história: as eleições ainda estão longe e o CDS mantém-se coligado e no poder. Entretanto, resta o PCP, unido contra a… fractura. Ironia.

  5. Pingback: Da ubiquidade do socialismo nesta triste nação falida « O Insurgente

  6. Considero igualmente o Adolfo Mesquita Nunes, uma lufada de ar fresco no nosso grupo parlamentar, assertivo e de facto com uma elegâcia e eloquência nos seus dicursos cativantes, precisamos de mais vozes iguais.

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