tendências e prioridades

“(…) a chaga do desemprego não é um exclusivo português nem grego nem espanhol – os três países da zona euro onde, por ordem crescente, a incidência é maior. Não, o desemprego é hoje um fenómeno europeu que, de acordo com o Eurostat, na zona euro já atinge 10,8% da população activa. São mais de dezassete milhões de pessoas, quase duas vezes a população de Portugal, angustiadas com o dia de amanhã. De resto, aquela taxa de desemprego é já bem superior à taxa mediana observada no conjunto das sessenta maiores economias do mundo, no qual a leitura (mediana) é de sensivelmente 7%. Ou seja, entre a Europa e o resto do mundo desenvolvido, a comparação dá-nos quase 11% contra 7% – uma diferença que começa a ser assinalável. E entre as catorze economias que, naquele mesmo universo das sessenta maiores, registam taxas de desemprego inferiores a 5%, nove são asiáticas e apenas quatro são europeias, sendo que destas só uma é que pertence à zona euro (a Áustria). Sem surpresa, a zona euro exibe hoje a taxa de desemprego mais alta desde a sua criação. E também sem surpresa a taxa de desemprego mais baixa do mundo desenvolvido encontra-se hoje na Tailândia, onde se situa nuns incríveis 0,4% da população activa”, no meu artigo desta semana na “Vida Económica”.

Mas, calma amigos, não desesperem, pois o novo chefe da missão do FMI em Portugal, o etíope Abebe Selassie [ndr], ainda há semanas, numa entrevista ao Jornal de Negócios, nos garantia que o desemprego era a sua grande preocupação…

[ndr]: a última missão de Selassie, antes de Portugal, foi na África do Sul onde a taxa de desemprego é de 24%!

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10 thoughts on “tendências e prioridades

  1. hoje o Estado Português vendeu divida, ao que “dizem” foi comprada a maioria pela Banca Nacional…que desvia dinheiro da ecónomia real para ir financiar o Estado…deve ser a isto que se chama liberalismo…não admira que o desemprego vá atingir valores dantescos…

  2. Só com um crescimento económico superior a 2% é que o desemprego começará a descer, como se comprova historicamente.

    A ideia de que a austeridade levará ao crescimento económico é a maior parvoice que existe no mundo da economia.

  3. A despesa pública parece também não ter feito grande coisa pelo crescimento. Veja-se a última década, por exemplo.

  4. A despesa publica só poderia ter feito alguma coisa pelo crescimento se não levasse ao aumento as importações .

    Para um mesmo deficit teria sido preferivel reduzir os impostos sobre as empresas para o valor mais baixo da U.E. ou da OCDE.

    Quanto mais tarde se fizer isso mais recessão, desemprego e pobreza teremos em Portugal.

    No entanto ainda hoje não existe uma politica económica que maximize a Balança Corrente, continua a vigorar a ideia que no Euro isso não interessa muito o que interessa é discutir décimas do deficit publico,

  5. “A despesa publica só poderia ter feito alguma coisa pelo crescimento se não levasse ao aumento as importações ”
    Pois. Se os “elefantes brancos” tivessem sido feitos com “inputs” nacionais teriamos assistido ao milagre económico português.

  6. Se as importações não tivessem subido então por definição as empresas portuguesas estavam a produzir mais e a pagar mais impostos (IRC, TSU e IRS dos alários) e por contabilidade nacional o deficit publico seria menor na exacta proporção da redução do deficit corrente.

  7. Claro. E por milagre toda aqueles recursos desperdiçados torna-se-iam em investimento rentável. Só mesmo por milagre.

  8. Não é milagre , é o capitalismo industrial moderno. que funciona da seguinte maneira num regime de moeda-fiat com moeda própria :

    a) Estado paga salários e paga a fornecedores bens e serviços com moeda-fiat .

    b) A partir deste momento os funcionários e fornecedores do estado gastam a moeda-fiat onde bem entendem na maioria em bens e serviços produzidos pelo sector privado

    c) Estado retira moeda-fiat com impostos e com emissão de divida, diáriamente.

    d) Banco Central intervem com compra de titulos ou emprestimos directos para manter taxa de juro na referencia escolhida

    e) Bancos aceleram o processo capitalista concedendo crédito às empresas e aos consumidores

    Este processo é interminável se a Balança Corrente estiver equilibrada, mesmo num regime de moeda externa como é este euro.

    No caso de moeda própria é a taxa de cambio que reflecte o interesse do exterior em “financiar” um eventual deficit corrente (EUA e UK ).

  9. Não entendo. A Albânia comunista ou a Coreia do Norte deviam ser riquissimos.

  10. É fácil, esses não são paises capitalistas.

    O capitalismo implica que a produção/prestação de bens e serviços de consumo e de investimento sejam realizadas por empresas privadas.

    O Sector publico não deve estar envolvido em actividades “comerciais”.

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