Numa altura em que se ensaiava uma tímida redução no défice público e que as contas nacionais já se encontavam na SCUT para o precipício, o antecessor de Cavaco Silva queixava-se da obsessão com o controlo do défice e que “t[inha] de haver dinheiro” para os projectos sociais. Agora é Cavaco Silva que avisa que “É impossível impor mais austeridade aos novos pobres“. Pois. Mas não há dinheiro e fraca obessão com o défice dos políticos do passado (incluindo o actual PR) não nos deixam grandes alternativas. Pode ser extremamente desagradável para alguns mas não havendo dinheiro é preciso cortar despesa. Agora não há escolha. Em finais do ano 2000, Cavaco Silva garantia [*] que “o problema orçamental português e[ra] muito grave” e que “Já não e[ra] possível dominar o monstro sem dor“. Dez anos passados de despesismo passados a dor vai ser muitissimo superior.
[*] Agradeço ao Luís Aguiar-Conraria por me ter recordado estas declarações

“Agora é Cavaco Silva que avisa que “É impossível impor mais austeridade aos novos pobres“. Pois. Mas não há dinheiro e fraca obessão com o défice dos políticos do passado (incluindo o actual PR) não nos deixam grandes alternativas. ”
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que vos deixaram sem alternativas!!?? que tal começarem pelas parcerias publico-privadas…
Comentário por tric — Março 1, 2012 @ 13:04
Exactamente tric, fico incomodado com este discurso de não existir alternativas… Há muito por onde cortar sem ser no dinheiro dos que criam riqueza… Talvez se devesse a começar a tratar o monstro pelas suas causas…
E já agora, reduzir “serviços sociais” estatais não é o mesmo que liberalizar, se não existir uma passagem intencional do público para a sociedade privada.
Comentário por tiago — Março 1, 2012 @ 13:13
A conversa dos “serviçps sociais” é a conversa de quem não quer reduzir a estrutura do Estado.
Como não querem cortar na dimensão gigantesca da burocracia e das multiplas entidades que reinam sobre tudo e todos, ficam-se por cortar vencimentos, aumentar impostos e cobrar taxas, sobre os serviços que já todos pagámos(e bem caro) com os nossos impostos.
Chamam-lhe com descaramento austeridade.
Comentário por ricardo saramago — Março 1, 2012 @ 13:38
A dimensão do estado não está a ser reduzida mas sim transferida para areas mais do gosto liberal: forças armadas, forças para-militares, forças de segurança e agencias de informação. Nada de novo, portanto. Mas Estatistas são sempre, sempre os outros.
Comentário por Alexandre — Março 1, 2012 @ 14:50
Cortar nas rendas fixas ao sector energético e estradas. Havia logo dinheiro para os pobres.
Comentário por Manuel Costa Guimarães — Março 1, 2012 @ 15:14
O Cavaco é a prova mais que provada da aliança clara entre Estatistas e Neotontos, ele que é simultaneamente o pai do Neotontismo português e do “monstro” burocrático.
PPP’s, Agencias, Institutos, EPE’s, IP’s, Gabinetes, Unidades de Missão, etc. , é tudo Estado Anti-Social que o Cavaco e o Passos querem manter á custa dos pobres e da classe média .
Comentário por Paulo Pereira — Março 1, 2012 @ 15:36
Claro que tem de haver dinheiro, diz a Constituição aprovada pelo PSD,PS e PCP
Comentário por oscar maximo — Março 3, 2012 @ 21:45
[...] do “reformismo” de Passos Coelho, dos recuos de Cavaco e do expansionismo fiscal de Rajoy, é a vez de Paulo Portas finalizar a semana [...]
Pingback por Vichyssoise à Portuguesa « O Insurgente — Março 4, 2012 @ 19:27
[...] “O Monstro” e que foi publicado no DN a 17/02/2000. Numa altura em que parecia estar genuínamente precupado com a trajéctoria insustentável da despesa pública. Na ciência económica há um modelo [...]
Pingback por No tempo em que “O Monstro” o preoupava « O Insurgente — Março 20, 2012 @ 11:02