O Insurgente

Fevereiro 20, 2012

Profecia Maia

Filed under: Diversos — Ricardo Arroja @ 16:04

“The Iranian government on Sunday ordered a halt to oil exports to Britain and France in what may be only an initial response to the European Union’s decision to impose sanctions on Iranian oil exports and freeze central bank assets in July (…) At the same time, according to the Mehr agency, an official at the Oil Ministry said Iran was seeking longer-term contracts of two to five years with other European countries, presumably to divide the European before the mebargo went into effect. If they did not agree, Iran could cut them off, too (…) Taken together, the 27 countries of the European Union are a big customer, representing 18 percent of Iran’s oil exports. Britain and Germany get about 1 percent of their oil from Iran, and France gets about 3 percent. Greece, Italy and Spain are much more reliant on Iranian oil. As Greece works through its grave debt problems it faces the greatest exposure, getting about one-third of its oil from Iran. Italy and Spain each get about 13 percent”, hoje no International Herald Tribune (página 4).

As notícias deste fim de semana são preocupantes e representam mais um episódio de uma escalada de tensões que tem tudo para culminar numa guerra ainda este ano. E só não se fala mais do assunto porque o Mundo inteiro anda entretido com o drama e a tragédia grega que, desgraçadamente, até poderão ser agravadas em resultado de uma guerra contra o Irão. É que a Grécia, como se não tivesse já problemas que chegassem, debate-se com um outro: a sua significativa dependência energética face ao Irão.

Mas regressando à iminência de um conflito militar entre o Ocidente e o Irão, as reportagens que tenho lido, em particular uma reportagem publicada na última edição da revista “Newsweek” (“A Dangerous Game”, página 24), fazem-me lembrar os artigos que, em finais de 2002, começaram a surgir a propósito de uma invasão do Iraque. Ou seja, parece-me, mas espero estar enganado, de que está em marcha uma ofensiva mediática que, por um lado, isole Teerão na cena internacional e que, por outro lado, prepare as opiniões públicas no Ocidente para a necessidade de (mais) uma maldita guerra preemptiva. A exemplo do que aconteceu no Iraque há quase dez anos, também no Irão não vejo qualquer mérito na teoria dos ataques preventivos que, sublinhe-se, quando acontecem retiram qualquer legitimidade ou superioridade ética e moral ao agressor. Mas a capacidade nuclear, mais do que um elemento de dissuasão, é hoje uma arma de arremesso e, portanto, com os israelitas amedrontados com a retórica (na minha opinião, inócua) de Ahmadinejad, tudo é possível. Das operações clandestinas (e terroristas) em território iraniano às picardias militares com o intuito de arrastar a América para a guerra, tudo é possível, em especial quando, da parte de Israel, temos um outro (e muito mais poderoso) fanático chamado Netanyahu.

Enfim, desgraçadamente, décadas depois, o Holocausto nuclear volta a estar em cima da mesa. E talvez ainda a tempo de fazer cumprir a célebre profecia Maia do 21/12/2012…

13 Comentários »

  1. Desde 79 que o Irão está oficialmente em estado de guerra com os EUA e com o mundo. Depois de Komeni ter iniciado a dado o sinal de partida para a nova ordem internacional da fatwa islamica sobre a cabeça de um blasfemo ” Salmond Ruschdi ” , que o irão não pára de financiar e promover o terrorismo internacional e o seu objectivo muito claro de erradicar israel do mapa através da bomba nuclear. Está na altura de colocar cobro a esta ameaça e pacificar o médio oriente .

    Comentário por joao carlos — Fevereiro 20, 2012 @ 16:11

  2. ” retorica inócua ” e “um outro fanático chamado Netanyahu” ….a sério ? pelos vistos os restantes países vizinhos do Irão não pensam assim. O Irão é um país com uma sorte tremenda. Pode levar a cabo atentados terroristas na Argentina, no Libano, em Israel, no Iraque, na Tailandia ( a semana passada ) etc., ir às Nações Unidas ameaçar erradicar outro país com a bomba nuclear…que continuam a ser considerados uma ameaça inócua, certo ? não há dúvida que a lógica da batata é arroja(da).

    Comentário por joao carlos — Fevereiro 20, 2012 @ 16:20

  3. Eu confesso que costumo vir aqui para me rir um bocado, todos nós precisamos de algum humor nas nossas vidas.
    Não estava era à espera de encontrar um post com o qual concordasse.
    Parabéns Ricardo Arroja, receio é que o publico alvo não se encontre aqui, como se pode verificar pelos comentários anteriores.
    Mas desconfio que vai ser divertido assistir ao desenvolvimento dos comentários.

    Comentário por mau — Fevereiro 20, 2012 @ 16:34

  4. [...] Ricardo, as tuas conclusões finais não batem certo com a realidade: por um lado, esqueces que boa parte dos problemas que existem no Médio Oriente se devem a um (renovado) conflito protagonizado pelo Irão e pela Arábia Saudita – a Síria é, disso e desde o ano passado, um palco privilegiado e a corrida ao armamento nuclear por parte dos sauditas é uma promessa caso os iranianos o procurem alcançar; por outro lado, dás demasiada importância ao poder de Israel caracterizas o PM de Israel como o extremista. No entanto, nunca o vi a querer e a anunciar extrair cancros. Sobre o extremismo político, valerá a pena passares uma vista de olhos sobre os Protocols of Palestinian Perfidy. Classificar isto: Share this:FacebookTwitterStumbleUponEmailMaisPrintDiggLinkedInGostar disto:GostoBe the first to like this . Deixe um Comentário [...]

    Pingback por O caos e bancarrota da Grécia não são responsabilidade de Israel « O Insurgente — Fevereiro 20, 2012 @ 16:35

  5. [...] e a bancarrota da Grécia não são responsabilidade de Israel”) que nada tem a ver com o que eu escrevi. Eu limitei-me a constatar que um eventual conflito no Irão será negativo para a Grécia que, [...]

    Pingback por O caos e a bancarrota da Grécia não são responsabilidade de Israel (2) « O Insurgente — Fevereiro 20, 2012 @ 17:08

  6. Quando num post se fala de Israel e Irão, de Ahmadinejad e de Netanyahu, e afinal o extremista é… Netanyahu!… estamos conversados quanto a ‘double standards’!
    Por momentos pensei estar no 5 Dias ou no Arrastão. Afinal ainda estava n’O Insurgente.

    Infelizmente, parece-me demasiado perigoso arquivar com o carimbo de “Inócua” a retória iranina.
    Sobretudo porque Israel não se pode dar ao luxo de correr o risco de estar errado.

    Além de que pouco tem de inócua a retória iraniana quando fomenta esse regime constantes guerras de atrito com Israel através dos seus proxies no Líbano e na Síria (Hezbollah, anyone?).
    A não ser que o Hezbollah seja uma organização humanitária, como por vezes nos querem fazer crer.

    Comentário por mggomes — Fevereiro 20, 2012 @ 17:56

  7. Agora pior ainda do que isso é conseguir escrever ‘retória’ duas vezes (duas!) em vez de retórica…

    Comentário por mggomes — Fevereiro 20, 2012 @ 17:58

  8. Quanto ao petróleo (crude) e o “poder” do Irão.
    Assim como há Convenções Internacionais que regem a utilização do bem Água, é óbvio que se não fossem os grandes interesses -produtores e não só- que continuam a encher os bolsos com o status quo na utilização -desta forma- do bem Petróleo, o cenário já teria mudado há muito.
    Quem lucra com presente estado do “negócio” crude dá autorização, e incentiva, o Irão para prosseguir com esta proveitosa, mas caricata, cena patética de virilidade.
    Se fosse a sério o Irão há muito tempo que até ofereceria o crude em troca de Paz.
    Talvez se lixe…

    Comentário por JS — Fevereiro 20, 2012 @ 19:43

  9. O Ricardo é o Chamberlain da civilização ou converteu-se à ideologia Islamo-Nazi que cultiva uma relação de amor profundo à morte, violência e ao ódio gratuito.

    Comentário por A. R — Fevereiro 20, 2012 @ 20:12

  10. “O Ricardo é o Chamberlain da civilização”
    :-) :-) :-)

    Comentário por Ricardo Arroja — Fevereiro 20, 2012 @ 20:21

  11. “ou converteu-se à ideologia Islamo-Nazi que cultiva uma relação de amor profundo à morte, violência e ao ódio gratuito.”

    Caro AR,

    Independentemente de podermos discordar em alguns aspectos do Ricardo, parece-me que será mais razoável não fazer presunções desse género.

    Comentário por André Azevedo Alves — Fevereiro 20, 2012 @ 20:35

  12. estás aqui estás no irão com o seann pean e o hugo chavez a defender a bondade do regime dos ayatholas….

    Comentário por jorge — Fevereiro 20, 2012 @ 21:44

  13. Gralha na citação: Está “mebargo” em vez de “embargo”.

    Comentário por corrector anónimo — Fevereiro 23, 2012 @ 14:45


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