Eurabia – A Islamização Europeia

De todos os ataques à sociedade ocidental, o mais grave talvez não seja algo que nós façamos directamente, mas uma das consequências necessárias do que nós fazemos.

O nosso modo de vida é atacado por pessoas de boas intenções que, querendo ajudar os seus compatriotas – com educação, saúde, energia e transportes “tendencialmente gratuitos” – tudo o que fazem é destruir esses mesmos sectores e empobrecer a sociedade.

Este ataque económico tem consequências:
1. A Economia estagna e foca-se em manter o emprego e a produção actual, não gerando crescimento e novos empregos a um ritmo necessário para absorver os jovens que saem das Universidades. Este é um barril de pólvora que em muitos países tem provocado revoluções.
2. A sociedade divide-se em 2 classes: os que são demasiado ricos e que, mercê dos seus meios conseguem evitar pagar muitos impostos e os que são demasiado pobres e que, mercê das suas necessidades, têm “direito” a “exigir” ao Estado. A classe média, contribuinte por excelência, soçobra perante o peso que lhe é imposto.
3. O ambiente desce em escala de importância (quem não tem boas condições de vida é muito mais egoísta) e, independentemente de opiniões políticas sobre o que deve ser feito, o que é certo é que muitas medidas básicas de eficiência e aproveitamento de recursos não são seguidas por falta de recursos e de interesse.
4. Os activos do país são vendidos, geralmente aos credores que momentos antes nos estavam a permitir manter um nível de vida antes possível, mas que entretanto com o peso das políticas sociais “gratuitas”…
5. A Demografia altera-se profundamente, com os casais jovens (os tais que têm altas taxas de desemprego e que têm de manter os privilégios “gratuitos” da geração dos “direitos adquiridos”) a decidirem adiar ou a simplesmente não ter filhos. Pensem nos vossos amigos que têm 30 a 40 anos.: têm filhos? Pensam ter?

Várias consequências daqui irão advir: domínio económico Chinês, ascensão Indiana e…

Este vídeo tem algumas previsões alarmistas, mas pensem por vocês e confirmem os dados:

Essencialmente, algumas noções parecem-me exageradas. Afinal, é sempre possível qualquer número de fertilidade, não é necessário 80 a 100 anos para inverter, e os 8.1 Árabes não têm a mesma Esperança Média de Vida, só para citar alguns. Mas a questão mantém-se, a Europa duplicará o número de Árabes em 20 anos e o número de não-muçulmanos diminuirá. Ao fim de 3 gerações (3×20 = 60 anos) assim, seremos vizinhos de vários estados muçulmanos.

E Portugal? Portugal vai sofrer mais com as outras variáveis. Nesta em particular, os Descobrimentos vão ajudar-nos: a nossa população já hoje se está a suster com Brasileiros e PALOPs e assim se deve manter. Mas a nossa vizinhança deverá mudar substancialmente e ainda antes de eu deixar este mundo.

And so what? Ok, vamos her muitos mais muçulmanos do que hoje temos. E depois? Que consequência terá esse facto matemático? Ao tornarem-se super-abundantes, não se irá a sua cultura esbater e tornar-se mais uma opção, sem grandes impactos políticos e sociais? Não se irá perder o fervor religioso numa vida dominada por problemas comuns como arranjar emprego, cozinhar, tratar a roupa e poupar para casa e carro? Pela minha parte, tendo a minha última namorada sido uma Turca que viveu toda a sua vida em Berlim, vi de perto como a religião se esbate e se acaba a: comer carne de porco (embora ela não admitisse a certas pessoas da comunidade), beber álcool e vestir roupas reveladoras. E nunca a vi rezar.O facto de eles se tornarem abundantes não significa muito se se tornarem moderados e integrados na cultura (sim, ela também não passava passadeiras no vermelho).

Pela minha parte, limito-me a dar referências. Sei da tendência da comunicação social e da blogosfera para os alarmismos e portanto olho para este como para todos os assuntos com desconfiança. O que é certo é que a demografia não ajuda. E eu olhando para os meus amigos e as taxas de natalidade dos que me são próximas fico um pouco preocupado. Mas no fim de tudo: “And so what?”

Referências:
– Sarkozy referido pela Jihad Watch,
– Eurabia no NY Times,
– Washington Times,
– Roterdão como Capital,
– YnetNews (Israel) sobre a Eurabia,
– Barcelona Declaration (comentário negativo) (processo)
– Eurabia na Wikipedia (& SIOE na Wikipedia),
– História com uma luz diferente, no Gates of Vienna,
– Exagero no Islam Watch (Alá na Europa),
– As 3 opções: Eurabia, guerra, integração
– Eurabia como tema de campanha na Holanda,
– O fim da Eurabia, no Finantial Times,
– Crítica ao argumento (2025 é muito cedo… 2060 é bem mais credível)

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33 thoughts on “Eurabia – A Islamização Europeia

  1. Artigo interessante. Só peca pelo vídeo cujos dados já foram mais que desmentidos. Árabes e turcos têm uma média de filhos que não passa dos 2,5, nos seus respectivos países. Duvido muito que a média suba para 8,1 porque decidiram vir para a Europa.

  2. É simples alterar a situação :

    a) Reduzir impostos sobre as empresas (IRC e TSU ) em 50% pelo menos de forma a torna-las mais competitivas em relação aos paises em desenvolvimento

    b) Ter 25 a 50% dos serviços de universais de saude e educação convencionados com operadores privados, de forma a conseguir concorrencia entre a operação privada e publica para ter mais qualidade ao menor preço.

    c) Aumentar o abono de familia para 150 euros por mês por filho, condicionado ao aproveitamento escolar e a um bom ambiente familiar

    d) Aumentar os impostos sobre combustiveis fosseis gradualmente todos os anos com uma escala determinada a 10 anos

    e) Simplificar o estado burocratico

  3. O Ricardo desvaloriza a provável islamização de vastas areas da Europa, com o argumento, altamente subjectivo de que teve uma namorada turca que não era uma boa muçulmana.

    Desculpe, Ricardo, mas o argumento é fraco e você sabe-o bem.É como aquela nova-iorquina que, entrevistada para uma cadeia televisiva, declarava indignadíssima que não percebia como é que Bush tinha ganho as eleições, já que ela não conhecia ninguém que tivesse votado nele.

    Há dias, um amigo usava esse mesmo argumento referindo, por exemplo, o período das invasões e migrações germânicas sobre o Império Romano que levaram, não à germanização da Romania, mas à romanização dos bárbaros.

    Os germanos, apesar de terem sido os maiores responsáveis pela destruição do governo imperial, não queriam substituir o Império por algo novo e, de facto, o direito, a moral, a economia, a moeda, o equilíbrio social, a língua, as artes, etc, mantiveram as referências romanas. Até a religião cristã, a religião do Império, acabou por desalojar o arianismo.

    Os reis bárbaros, quando vitoriosos, iam ao encontro dos vencidos, adquiriam os seus hábitos e os seus valores, governavam à romana, ou tentavam.
    Recesvinto, Rei dos Visogodos, proclamou em 634 um Liber Judiciorum, completamente tributário do direito romano. Sigismundo, Rei dos Burgúndios, dizia-se um soldado do Império.
    O Norte de Africa estava completamente romanizado e até os Vândalos, que ali se instalaram, aceitaram a vida tal como ela era, ao estilo romano.
    A imagem que melhor descreve a situação é a de um belo solar, cujo dono está ausente, e que foi dividido interiormente em vários apartamentos. Apesar dos sinais de decadência, apesar de já não existir um único proprietário, o edifício mantém-se de pé, com a sua original traça exterior.

    Mas com os árabes, nada disto se passou.
    Em 632, quando Maomé morreu, os grandes poderes da época eram o Império Bizantino, o Império Persa e, na Europa, os reis germânicos mantinham mais ou menos viva a ideia do Império Romano.
    Trinta anos depois já os árabes, galvanizados por uma nova religião, carregavam sobre o Norte de Africa, e entravam em Creta, Chipre e Sicília. O Mediterrâneo era deles e os Impérios Persa e Bizantino batiam em retirada.

    A questão que se coloca é: porque razão não foram os árabes absorvidos pelos valores de populações e regiões, muitas das quais com civilização superior, como tinha acontecido com os germanos?
    A mesma pela qual o argumento da sua namorada é falacioso.

    A razão é, claramente, religiosa. Os germanos nada tinham a opor ao cristianismo do Império, queriam apenas poder e o brilho que o Império projectava, eram como traças atraídas por uma lâmpada, mas os árabes combatiam por uma nova fé e foi a natureza dessa fé que impossibilitou a assimilação.
    Na verdade os árabes nada tinham a opor à civilização superior dos povos que conquistam, e assimilaram-na com grande rapidez, indo beber directamente ao legado helénico.
    Nem sequer pretendiam converter os conquistados, apenas que eles obedecessem a Alá. Ou seja, exigiam a simples e, para eles, natural, submissão de seres inferiores, degradados, desprezíveis, e abjectos.
    Onde chegaram, instalaram-se como dominadores. Os vencidos eram seus súbditos, pagavam impostos especiais (jyzia) e não faziam parte da umma, da comunidade dos crentes. Nenhuma fusão podia acontecer entre conquistados e conquistadores, nenhum esforço os vencedores faziam para agradar aos vencidos. Eram estes que tinham de ir ao encontro dos seus novos senhores e não podiam ir de outro modo que não fosse como servidores de Alá.
    A fé dos vencidos não era atacada, não merecia sequer a dignidade de ser rebatida. Era simplesmente ignorada, já que um predador não argumenta com a presa. E esta era a melhor maneira de afastar o vencido do seu estado de jahiliyyah e conduzi-lo a Alá e à dignidade da comunidade dos crentes.
    Tudo isto implica que onde o muçulmano se instalou como vencedor, a antiga civilização desapareceu. O germano romanizou-se ao entrar no Império. Os povos onde entrou o muçulmano, islamizaram-se, porque a rotura com o passado foi total. Uma nova língua, novos costumes, um novo direito (sharia), novos valores, instituições e, acima de tudo, uma nova religião, dominadora e intratável.
    A sociedade civil desapareceu, sendo substituída por uma sociedade religiosa e totalitária.
    Foi isto que aconteceu em todas as regiões onde o Islão chegou, desde a Pérsia a Marrocos. E esteve prestes a acontecer na Península Ibérica, não tivesse havido algumas circunstâncias fortuitas que impediram esse desfecho.
    Nada mudou na natureza do Islão, e é por isso que o seu argumento, a ideia que, de algum modo, as comunidades muçulmanas são como as outras, serão assimiladas, e acabarão por se converter aos nossos valores, às nossas leis, ao nosso modo de vida.é falacioso.
    Nada na História corrobora tal esperança, bem pelo contrário, pelo que a sua prevalência se deve apenas à profunda ignorância ocidental, relativamente aos fundamentos doutrinários do Islão.
    E, como dizia Sun Tzu, quem não conhece o seu inimigo, nem se conhece a si mesmo, perderá todas as batalhas.

  4. Caro Ricardo, acho que as tua taxas de fertilidade para os árabes estao um pouco inflacionadas. De acordo com a CIA a TFR mais elevada do mundo é de 7.60 no Níger. No entanto é verdade que os países que lideram o ranking sao, na sua maioria muçulmanos, mas mais importante, sao todos africanos.

    https://www.cia.gov/library/publications/the-world-factbook/rankorder/2127rank.html

    Por outro lado aqui à coisa de um mês li este artigo que me pareceu muito interessante e que diz que a TRF na China provavelmente é bastante inferior àquilo que as autoridades admitem o que significaria que, a médio prazo, eles também vao ter um problema geracional.

    http://www.demographic-research.org/volumes/vol25/26/

    Nao deixa de ser curioso que, os quatro paises com menor fertilidade do mundo têm todos una proporçao de populaçao chinesa muito grande.

    Abraço

  5. Lidador,
    Essencialmente pedi opiniões.
    No meu caso particular, conheci muitos muçulmanos (próximos da rapariga) que já eram mais Alemães que Árabes, e parece-me que é provável que muitos, preocupados com o seu dia-a-dia, se integrem.
    Mas é claro que podem sempre ser usados por radicais que os “incendeiem” contra as sociedades em que estão.

    Essencialmente, é um artigo para reflexão e o que peço é opiniões.

  6. Ricardo, isso já tinha sido apontado pelo p.
    No próprio artigo, a seguir ao vídeo, chamo a atenção para o vídeo ser um pouco “scaremonger”, embora concorde com a premissa geral de que o número de Árabes está a aumentar a um ritmo acelerado na Europa.

    A questão é as consequências desse aumento.

  7. “podem sempre ser usados por radicais que os “incendeiem” contra as sociedades em que estão.”

    Sim, mas isso é instrumental. Os radicais de qualquer ideologia fazem isso constantemente.
    O problema aqui, é que a generalidade dos analistas atados à correcção política, tratam tudo como se fossem bolas de bilhar. Uma acção aqui, dá uma reacção ali, do tipo carambola. E neste processo fazem por ignorar as características próprias de cada bola.

    O Islão não é uma bola qualquer. Já leva 1400 anos de existência e NUNCA foi assimilado por outras culturas. Contactou civilizações mais avançadas mas não adoptou os seus valores.

    Isto é único na História. Veja a China. Os bábaros do norte conquistaram a China e achinesaram-se.

    Com o Islão nada disso JAMAIS aconteceu e por razões que se podem encontrar na própria doutrina e no modo como encara o mundo.

    O caso do Libano , da Bósnia e do Kosovo, aqui mais perto, são bons exemplos do que acontece quando uma população muçulmana cresce e ganha predominância sobre as outras comunidades.

    Que razões objectivas há para acreditar que na Europa Ocidental se passará o contrário?
    Na verdade as notícias que nos chegam apontam precisamente para pior cenário. Há tempos jantei com um amigo sueco, dentista em Lisboa e casado com uma portuguesa. Falámos de Malmoe e a expressão dele foi interessante: “Malmoe já não é uma cidade sueca, mas sim árabe”. E isto com apenas 30 % de muçulmanos.
    Que espera das leis dos países quando maiorias muçulmanas se definirem em algumas regiões?

    Não lhe parece mais provável um cenário de balcanização do que a assimilação aos nossos valores?

    Veja o Egipto. Revolução, a imprensa a falar de jovens liberais a quererem um regime “como os da Europa”. Onde acabou o whishfull thinking? Numa esmagadora maioria absoluta de partidos islamistas, o mais “moderado” dos quais, a Irmandade, tem como objectivo ” a destruição da civilização ocidental a partir de dentro”

  8. Antes de mais, umas pequenas correcções na terminologia, assim como nas noções utilizadas em demografia, que julgo serem importantes:
    – A utilização do termo fertilidade, neste caso, não é adequada: a fecundidade consiste nos nascimentos relativos a mulheres em idade de procriar, enquanto a fertilidade refere-se à capacidade biológica de procriar. Não confundir com os termos utilizados em inglês: fecundidade em inglês é «fertility» e fertilidade é «fecundity»;
    – O indicador utilizado, por excelência, para medir a fecundidade chama-se índice sintético de fecundidade (ou indicador conjuntural de fecundidade, ou descendência média) e indica o número médio de filhos por mulher (o limiar mínimo para a renovação geracional é de 2,1);
    – A principal consequência de níveis baixos de fecundidade é o envelhecimento demográfico.

    Quanto ao presente artigo, reforço a ideia de um comentário já publicado: os próprios países islâmicos já possuem níveis de fecundidade baixos. Exemplificando com o caso da Turquia, segundo dados das Nações Unidas, nascem actualmente neste país, em média, 2,02 crianças por mulher. Isto é, a Turquia já não renova gerações e a tendência é para que o índice sintético de fecundidade continue a diminuir. De resto, os imigrantes de origem islâmica presentes nos países europeus estão sujeitos aos mesmos constrangimentos socioeconómicos que impedem os nacionais de terem (mais) filhos. Podemos admitir que as minorias étnicas têm, em média, ligeiramente mais filhos de os nacionais europeus, mas simplesmente por uma questão de subsídio-dependência que acaba por beneficiar a fecundidade.

    Na pior das hipóteses, estas comunidades poderão ter um peso significativo nos países europeus e multiplicar os casos de tensões étnicas graves que já se sucederam (exemplos: Londres o ano passado, subúrbios de Paris na década passada).

    Já que se falou também na China, este país vai realmente passar por grandes dificuldades demográficas, consequentemente, económicas e sociais. Isto é, vai sair bastante cara a política de “filho único” praticada durante as últimas décadas. Segundo dados das Nações Unidas, em meados deste século, a população chinesa estará mais envelhecida do que a própria população europeia (ler mais em http://equacaobase.wordpress.com/2012/01/13/envelhecimento-demografico-a-bomba-que-vai-transformar-politicamente-a-china/).

  9. O problema central é – ainda que se insista em assobiar para o lado… – a extrema dificuldade de integração não dos imigrantes de origem islâmica de primeira geração mas fundamentalmente da sua descendência.

    Os imigrantes de primeira geração conseguiram, na generalidade, uma integração sem problemas.
    A sua motivação era económica, de melhoria das suas condições de vida, de aproveitar as oportunidades que as sociedades europeias ofereciam e que as suas sociedades de origem negavam.
    Estes imigrantes não se viam como “árabes” (até porque nem todos o são) ou “muçulmanos”. Mais que realçar a diferença procuravam esbater as particularidades para almejar uma melhor integração. O que, em boa medida, conseguiram. Para seu e nosso benefício.

    O problema está na sua descendência (e na descendência desta…), nada e criada na Europa que teima em negar-se a integração, a pertença, refugiando-se numa quase mentalidade de ghetto que, sublimando a diferença, obstaculiza a sua integração.

    Não se podendo nem devendo generalizar o fenómeno (não se aplica, como é óbvio, a todos os descendentes de imigrantes) também não se pode, nem se deve omiti-lo: é um facto. Incontornável.
    A demografia, a crueza dos números, é que o torna, a meu ver, extremamente problemático. Um verdadeiro problema Crescente!

    Aos que insistem em olhar para o lado tentando ignorar o problema aconselho uma viagem de autocarro de Grimbergen para Bruxelas, passando por quarteirão atrás de quarteirão em que quase tudo está quase exclusivamente em árabe e em que poucas ou nenhumas mulheres – ainda que acompanhadas – se vêem nas ruas.
    Ou passear por certas zonas de Amesterdão e da Holanda em geral.
    E cruzar esses dados com a tendência de emigração para Israel de muitos judeus dos Países Baixos. É mesmo capaz de haver alguma relação… (ou será que não passam todos duns malvados sionistas, tal como nos ensinam os protocolos?)
    Ou, um pouco mais perto, visitar, entre outros, o bairro do Raval, em Barcelona.
    Ou Marselha, Malmö, etc, etc.

    So what?

    Este islamismo militante ou Islamofascismo é um fenómeno real com o potencial de disrupção das liberdades individuais a curto, médio e longo prazo. E isso é algo que, a nós Liberais, nos deveria preocupar.

    As liberdades religiosa (que inclui a liberdade de não ter religião…) e de expressão são conquistas de séculos que não devemos assumir como perenes.

    A liberdade de expressão, aliás, tem sido vítima frequente dos islamofascistas e dos seus idiotas úteis. Basta lembrar o caso Ezra Levant. Ou do cerco que se ia preparando a Oriana Fallaci antes da sua morte.

    So what?

    Como nota adicional, convém também não esquecer que este não é apenas um problema apenas europeu.
    Basto lembrar as “fronteiras sangrentas do islão” tal como as definiu Huntington.
    É abrir o mapa, começar na Ásia, e seguir as linhas de fronteira. Não haverá duas situações iguais, os contextos históricos serão seguramente diferentes… pero que los hay, los hay…

    Nem é preciso ir tão longe.
    Aqui mesmo, no vizinho mediterrâneo, onde entre loas à primavera árabe e aos amanhãs que cantam os arabistas do Público se esquecem do que vai significando ser Cristão Copta no Egipto.

    So what?

    Leitura recomendadíssima: autobiografia de Ayaan Hirsi Ali. Para se ter uma ideia do islão militante “cá” mas também “lá”. E para relembrar a sua luta pela tomada de consciência da realidade de assassínio frequente de jovens mulheres muçulmanas em crimes de “honra” cuja existência a sociedade holandesa teimava em aceitar.

    So what?

    ‘So what?’?!?!

  10. O que disse o mggomes é inatacável. E trata-se, de facto, e no limite de questões de identidade e pertença.

    O “nós” e o “eles” de que falava Carl Schmit, o “eles” como inimigo absoluto.
    Nós, neste tempo, (ainda) não reduzimos a equação a esse limite, mas os muçulmanos fazem-no sempre e desde sempre. E é por isso que apesar do seu atraso, apesar das contradições dos seus sistemas, crescem e ameaçam.
    O seu livro sagrado e a filosofia que enforma, são instrumentos fantásticos na conquista e na manutenção do poder.

    Nós, pelo contrário, decantámos um conjunto de valores que nos impedem de sentir a nossa própria pertença.

    Nem sempre fomos assim, mas agora é isso que somos. E se não acreditamos naquilo que somos, se não nos identificamos com algo comum, então não lutaremos, porque ninguém luta muito tempo por algo em que não acredita.

    Os muçulmanos têm claramente definidos os que são “deles” e os que não são. E identificam-se, sobretudo com a comunidade religiosa.
    Tem tudo para prevalecer sobre nós e nem é preciso terrorismo ou luta armada. O cocktail “demografia-democracia”, levará, paulatinamente, à alteração das leis que definem as nossas sociedades.
    Está a acontecer.

  11. F. David Cruz,
    Antes de mais, obrigado pelo comentário (aliás, os comentários a este post foram em geral muito informados e agradáveis de ler).
    Só uma pequena pergunta:

    Quando diz “De resto, os imigrantes de origem islâmica presentes nos países europeus estão sujeitos aos mesmos constrangimentos socioeconómicos que impedem os nacionais de terem (mais) filhos.”, esse argumento não é anulado pelo facto de esses imigrantes terem um nível de vida esperado mais baixo, e portanto decidirem ter filhas num patamar de rendimentos em que uma mulher “nacional” tendencialmente não o aceita?
    Ou seja, a minha namorada não aceita ter o 1º filho e recebemos mais do que alguns imigrantes que eu conheço que já têm vários. E isto não anula um pouco esse argumento?

  12. M G Gomes e Lidador,
    Vamos lá a ver: eu reconheço o vosso ponto de vista. Se viram o vídeo, poderão ter visto este vídeo:

    Conheço o argumento e respeito-o. A pergunta é se, com o aumento de números, não se diluirá a cultura.
    Claramente, vocês pensam que não, e que haverá uma luta interna na França e na Alemanha em breve.
    Eu tenho dúvidas, mas naturalmente reconheço a possibilidade desse cenário.

    Como eu vejo os números da demografia, o assunto preocupa-me, e também por isso o partilho e peço opiniões.
    A pergunta para vocês agora é: se a demografia é o que é, e se acreditam nesse cenário mais duro, o que acham que deveria ser feito na Europa para o impedir?

  13. “A pergunta é se, com o aumento de números, não se diluirá a cultura.”

    Penso ter respondido a isso, logo no 1º comentário, fazendo um paralelo com as migrações e invasões bárbaras sobre culturas e civilizações mais avançadas.
    O Islão é diferente e a especificação dessas diferenças não pode ser feita em duas linhas.

    O que se deve fazer, não é o que se pode fazer.

    O que se devia fazer era, nu e cru:

    1. Impedir qualquer imigração de muçulmanos.
    2. Dificultar a transmissão da msg islâmica e dos usos islâmicos considerados incompatíveis.
    3.Fazer um esforço para “demonizar” o Corão e a sua msg ( não é dificil, está lá tudo, preto no branco), da mesma forma que se fez com o Mein Kampf. Na verdade o Corão contém uma doutrina bem mais irracional e perigosa.
    4. Impedir a ostentação identitária de símbolos islâmicos.
    5. Acabar com a ideologia multiculturalista que garante respeitabilidade a todos os costumes, desde que sejam do “outro”.
    6.Criar possibilidades legais para retirar a cidadania e banir cidadãos que sejam considerados culpados de crimes religiosamente inspirado e motivados.
    8. Controlar os líderes religiosos ( como se fez na Turquia, com Ataturk)
    9. Rejeitar qualquer “reivindicação” cultural islâmica ( orientação das sepulturas, locais e horas para rezar, comida halal, respeito pelo Profeta, etc, etc)

    Algumas coisas estão a ser feitas. Outras jamais se farão.
    Assim, a menos que haja um acontecimento catastrófico, que origine um backlash generalizado ( um acto terrorista com armas de destruição massiva, por exemplo), a marcha parece-me imparável.

    As populações muçulmanas irão crescendo, as leis irão sendo alteradas e a natureza das nossas sociedades tb.

    É um processo lento mas imparável, a menos que a violência generalizada acabe com os tabus e com os paninhos quentes.
    O que acabou com o Islão na Península foi a guerra.

  14. Aquele terrorista anti-terrorista-islâmico que dizem que é maluco tem umas boas sugestões, podem inspirar-se lá. Isto está a ficar parecido com o anti-semitismo dos anos 30 na Alemanha em todo o seu esplendor.

    Dito isto, como não sou pela imigração livre, deve haver quotas e critérios para entrada, embora não me pareça que “islão” ou “aqueles têm mais filhos” seja critério.

  15. CN, os judeus não são prosélitos. Jamais tentaram impor a sua cultura aos outros. Na verdade eram/são acusados exactamente do contrário, de excusivistas, de elitistas, etc.

    Os judeus, na Alemanha e na Europa dos anos 30, não andavam a fazer terrorismo, não andavam a querer impor o judaismo, não andavam a fazer motins a atacar quem não segue as suas regras, não queriam alterar as sociedades hospedeiras, não eram sequer supremacistas.

    O que queriam, o que sempre quiseram, foi fazer a sua vida, ganhar dinheiro, educar os filhos e escapar das cíclicas perseguições.
    O que movia os alemães e os europeus contra os judeus era, basicamente, a inveja.

    Os muçulmanos na Europa, são outra loiça. Não suscitam inveja, mas sim medo, o que é uma coisa bastante diferente.
    Não querem passar despercebidos, querem mandar. Consequência do filtro religioso com que encaram o mundo.
    São supremacistas e nutrem profundo desprezo pelos nossos valores.

    A imigração é, muitas vezes positiva. A imigração islâmica é sempre negativa. Com ela vem uma tralha cultural inassimilável e perigosa.

    Quanto a Breivik, se leu o seu “manifesto”, deveria ter notado 2 coisas:

    1. A análise da situação é clara, documentada, profusamente referenciada, e objectiva. Na verdade ele limita-se a parafrasear vários especialistas.

    2. A sua modalidade de acção para resolver o problema, é idiota.

    A segunda não invalida a primeira, como muito em sabe. Aliás, no próprio mundo da política, análises de situação concordantes levam, naturalmente a propostas de solução diferentes.

  16. Lidador

    Vai-me desculpar, mas a desconfiança é grande de que os muçulmanos são problema porque existe um conflito territorial em Israel.

    Se Israel ficasse no meio de Hindus, tenho a certeza que iríamos ter milhões de razões para provar que o Hinduísmo incompatível com não sei o quê e teríamos relatos frequentes a ridicularizar e expor os seus costumes e a sua religião… pela direita.

  17. Ricardo Campelo de Magalhães,

    A questão que coloca é bastante pertinente. No entanto, o meu argumento não pretendeu, pelo menos em primeira instância, comparar a fecundidade dos nacionais com a dos imigrantes. Pretendi relacionar a fecundidade de uma determinada comunidade/grupo a residir no seu país de origem (menos desenvolvido) com uma mesma comunidade/grupo a residir num país de destino migratório (mais desenvolvido). Exemplificando, o índice sintético de fecundidade na Turquia é de 2,02 filhos por mulher, enquanto os imigrantes turcos a residir na Alemanha têm, em média, um número de filhos inferior ao verificado no seu país de origem. Esta situação deve-se, por exemplo, ao facto da escolaridade obrigatória no país de destino ser superior ao do país de origem, ao facto da idade permitida para entrar no mercado de trabalho ser mais baixa no país de origem do que no país de destino, entre outras situações que acabam por incrementar os custos dos pais com a educação.

    Neste sentido, acabamos por ir de encontro à sua questão. Isto é, o tal patamar de rendimentos em que um casal de imigrantes está disposto a ter um filho sobe e aproxima-se do patamar de um casal de nacionais.
    No entanto, apesar da importância dos rendimentos sobre a fecundidade, concorrem também outros factores de ordem cultural e social. Diria que os casos variam consoante a origem geográfica da comunidade imigrante.

    Concluindo, julgo que os níveis de fecundidade entre nacionais e imigrantes não sejam muito diferentes, embora admita que o número médio de filhos dos últimos seja ligeiramente superior. Infelizmente, por uma questão de não ser “politicamente correcto”, são escassos os dados estatísticos que permitem comparar estes dois grupos.

  18. “mas a desconfiança é grande de que os muçulmanos são problema porque existe um conflito territorial em Israel.”

    Se o CN ler as obras fundacionais de Qutb, Al Banna, etc, escritas antes de existir Israel, facilmente entenderá que nada disto tem a ver com Israel.
    Israel é um pretexto forte, apenas isso.
    E nem sequer é um “conflito territorial”, se fosse, resolvia-se com mais ou menos cedência aqui e ali.
    É um conflito existencial, os muçulmanos simplesmente não podem aceitar a existência no Dar Al Islam ( é assim que eles encaram aquela zona) de uma comunidade de infiéis não sujeita às regras do Islão.

    Podem aceitar judeus a viver ali, o Corão permite-o, mas como dhimmis, não podem aceitar que o Islão não tenha soberania naquele espaço.

    Se ler as Cartas do Hamas e da Fatah, facilmente entenderá o raciocínio.

    A causa do avanço e da violência muçulmana não é Israel, é o imperativo religioso, urbi et orbi, de fazer com que a “religião de Deus” se estenda a todo o mundo.

    Para a Europa, para o modo como as comunidades muçulmanas irão, aos poucos, pela via democrática, subverter as nossas sociedades, Israel não tem qualquer influência.

    Acha que os motins em França, Dinamarca, Suécia, Holanda, etc, se deveram a Israel? A reacção violenta às caricaturas deveu-se a Israel? O assassinato de Van Gogh, deveu-se a Israel? A fuga de deputada holandesa? Redeker? Salman Rushdie?

  19. uns é os caninos, outros as vacas, outros os porcos. Os chineses comem de tudo e eu que sou do porto, gosto de tripas.

  20. Claro. Não esquecer, contudo, em todos esses casos a questão da disputa territorial que lhes dá (mais) visibilidade.

  21. «Isto está a ficar parecido com o anti-semitismo dos anos 30 na Alemanha em todo o seu esplendor.»

    Falácia ignara e perversa.

    Em 1933 os negócios de proprietários judeus – incluindo consultórios médicos e de advogacia – foram alvo de um boicote organizado pelo partido nacional-socialista.
    Estará isto a ser feito em relação aos muçulmanos? Alguém o defende?
    Os judeus foram impedidos de exercer cargos no funcionalismo público. Professores de todos os graus de ensino, médicos, juízes, foram liminarmente despedidos.
    Estará isso a ser feito em relação aos muçulmanos? Alguém o defende?
    Aos veteranos de guerra judeus, que lutaram na Grande Guerra, foram retiradas as pensões.
    Estará isso a ser feito em relação aos muçulmanos? Alguém o defende?
    Foi criada uma cota máxima de 1% para estudantes judeus nas universidades alemãs.
    Estará isso a ser feito em relação aos muçulmanos? Alguém o defende?

    Em 1935 os judeus foram impedidos de se alistar na Wehrmacht. Os judeus foram proibidos por lei de casar com não-judeus. Foi-lhes retirada a cidadania alemã, pelo simples facto de serem judeus, independentemente da sua conduta. Deixaram de ser cidadãos e passaram a ser «súbditos do estado».
    Estará isso a ser feito em relação aos muçulmanos? Alguém o defende?

    Em 1938 os médicos «arianos» foram proibidos de tratar doentes «não-arianos», o que, associado à proibição de exercer medicina imposta aos médicos judeus, deixava a população judaica sem assistência médica.
    Estará isso a ser feito em relação aos muçulmanos? Alguém o defende?

    Carlos Novais: tenha vergonha.

  22. Relativamente à comparação entre o clima actual e a Alemanha dos anos 30 (o habitual passo introdutório para a velha comparação entre sionismo e nazismo… lá voltamos à Lei de Godwin…), concordará certamente que há diferenças manifestas entre as duas religiões/culturas!

    Como bem referiu o Lidador, os judeus não são prosélitos. Esse facto torna um bocadinho difícil a supremacia…
    Nunca tentaram os judeus impor os seus valores culturais/religiosos. Procuravam apenas poder segui-los de forma tão livre quanto possível (o que, como bem sabemos, poucas vezes aconteceu ao longo da história). Como é habitual em minorias claras (sejam elas étnicas ou religiosas) pode-se sem qualquer erro definir essas comunidades como francamente tolerantes, e perfeitamente integradas.

    Compara-se com o que se passa com o “islão de exportação” para a Europa, boa parte dele de inspiração salafista/wahabita.
    Será que não se pode, pelo menos em boa parte, aplicar alguns dos seguintes classificativos: supremacista, intolerante, confrontacional?
    Sublinho, não tomemos a árvore pela floresta… mas evitemos o erro simétrico!
    Não me parece que seja um fenómeno irrelevante, nem circunscrito a jovens ociosos (deve ser o estado que não os apoia suficientemente – coitados! -, assumamos a culpa colectiva e colectivista…) que haja zonas da Europa onde um número crescente mulheres não muçulmanas se sente mais protegido se sair à rua de lenço. Entre outras manifestações algumas avulsas outras mais sistemáticas de profunda intolerância cultural/religiosa (sublinho: não é uma questão estritamente religiosa, mas sobretudo cultural).
    E onde as mulheres são, com uma crescente e imoral conivência da nossa parte, tratadas abaixo de cão.

    O exemplo que obviamente o Ricardo melhor conhece talvez possa ser a referência na Alemanha, com a sua enorme comunidade turca com hábitos e tradições certamente diferentes dos muçulmanos do Magrebe/Médio Oriente e dos da Ásia.
    A Turquia é (era?…) um país com quase um século de separação clara entre Deus e César. Pode-se argumentar ser essa distinção de planos algo frágil pois fruto de decreto kemalista. Arreigada ou não, o certo é que existia. Poderá já não ser imposto como era, mas o secularismo continua a ser, no mínimo, tolerado. A religião não é factor condicionante da vida quotidiana.
    Tal como não o é certamente no Cristianismo nem no Judaísmo. Pode-se perfeitamente ser convictamente ateu e viver em Israel (e ser sionista!).
    Como se pode ser, assim maravilhosamente definiu Oriana Fallaci, um ateu cristão. Eu, por mim, assim me assumo.
    Foi certamente sangrento e tortuoso o caminho que nos conduziu a essa separação. Mas a Reforma, a vitória da esfera secular sobre a esfera religiosa, é o abismo que nos separa do islão mais tradicional e intolerante. Que não é o que se pratica na Anatólia.

    Compara-se com o Magrebe (Muslim Brotherhood, anyone?) e com a península Arábica.
    Alguém aí tem coragem de dizer que afinal é ateu?
    Vai uma apósta(ta)?

    Quanto às questões que o Ricardo pertinentemente coloca:

    1) Será que o aumento do peso relativo de uma comunidade árabe/muçulmana irá esbater as diferenças culturais/religiosas?

    Creio que se fizer a pergunta a um cristão libanês talvez receba uma resposta muito clara…
    Os Coptas do Egipto (os que sobrarem, se algum sobrar…) corroborarão.
    Vá descendo pela África oriental e repetindo a pergunta. A resposta é capaz de não sofrer grandes variações

    Creio efectivamente que a resposta seja um claro e rotundo NÃO.
    Pelo contrário, temo que o fenómeno se possa assemelhar mais à psicologia das claques de futebol: quando são poucos até se comportam… quando a massa humana atinge proporção significativa a coisa fica feia…
    Creio, aliás, que esse é um fenómeno cada vez mais visível, por mais que se insista em olhar para o lado.
    O vídeo que referiu (e que desconhecia), por sinal, é bem elucidativo.
    Ou vamos colocar o Londonistan de Melanie Phillips, entre outros, na prateleira com o carimbo de racista/fascista/nazi (é só escolher um, qualquer um deles chega para assassínio de carácter…)?

    2) Como combater o problema?

    Aqui as respostas são certamente mais difíceis, sobretudo quando se rejeita liminarmente a abdicação daquilo em que profundamente se acredita, a liberdade individual, sobretudo no plano religioso e de expressão (para mim só existe se for na versão take-no-prisoners: absoluta e incondicional).

    Mas teremos certamente de ser radicalmente intolerantes com a intolerância religiosa, em defesa dos nossos valores fundamentais.

    Tem de ser sempre homicídio – sem atenuantes! – quando se mata uma irmã apenas porque ousou namorar com um “infiel”.
    Nunca, nunca, mas mesmo nunca, cair na tentação de fechar aos olhos à implementação da sharia. Primeiro em coisas menores, até se fechar os olhos a isto.
    Ou à barbaridade – perdão!… manifestação cultural (pois temos de ser progressistas)…, da circuncisão feminina.
    Não se pode minimamente tolerar que alguém possa ser perseguido apenas porque decidiu ter uma religião diferente, ou simplesmente não ter religião nenhuma!

    E rejeitar – sempre! – o relativismo moral de quem nos quer convencer que os frutos do iluminismo Liberal não podem nem devem ser comparados com o obscurantismo medieval wahhabita, pois os contextos são diferentes, as culturas são muito particulares, etc, etc…

    Por último, permita-me o Carlos manifestar a minha total e absoluta discordância com a sugestão de que será Israel (o pequeno Satã…) a causa para o “ressentimento” árabe/muçulmano.
    Errado, meu caro! Nada mais errado.
    Eu sei que não faltam candidatos a Chamberlain prontos a sacrificar o enclave de Liberdade e Democracia no mundo islâmico que dá pelo nome de Israel.
    Que, convém sempre sublinhar, é o único estado da área em que qualquer árabe/muçulmano tem concreta liberdade política e religiosa. Isto é factual, não é uma mera opinião.
    Não será contudo a oferta sacrificial do estado judeu a acalmar a ira dos supremacistas islâmicos. Fazer de Israel a Checoslováquia dos tempos modernos serviria apenas para aguçar o apetite para algo mais suculento.
    E para sobremesa? Vai um Al-Andalus?
    [aqui, correndo o risco de levar com a citação do Niemöller, arrisco acrescentar: desde que deixem a Galécia em paz… Ou como se diz por cá: “Lebem” lá os mouros mas deixem o estádio do “Dragoum” em paz, carago!]

    Parafraseando Churchill (na conferência em Coimbra deu para perceber que não é grande fã de Sir Winston, pelo que não pude resistir à provocação) quem escolhe a desonra em troca de paz… apenas consegue a guerra!

    Até porque, da última vez que vi as notícias, não me parece que a faixa de Gaza se tenha propriamente convertido num modelo de Liberdade e tolerância.
    Ah!… Judeus traiçoeiros: deixaram aquilo entregue ao Hamas! E agora, quem é que vamos culpar?!?!

    É a velha questão das fronteiras sangrentas do Islão. Não chega culpar os judeus. Há que culpar também os cristãos. E os hindus.
    No fundo, “os outros”, na perspectiva “deles”.

    “Blowback”, como diria o Ron Paul? Nem por sombras.

    Aliás, costumo dizer que concordo com Ron Paul em quase tudo que tenha a ver com economia…
    Relativamente à política externa, costumo defini-lo pelas suas próprias palavras, várias vezes repetidas no “Liberty Defined”: tem razão em termos económicos mas está completamente errado relativamente à política externa. Completamente em linha com o que ele diria de mim!

  23. Meus caros, estão obcecados e essa onda de desconstrução do Islão podia ser feita com o judaísmo ultra-ortodoxo, como o hinduísmo e no final, o cristianismo. Só era necessário calhar a jeito. A direita não devia ir por aí. E insisto, bastava estar Israel no meio de Hindus e era a mesma coisa, o hinduísmo está carregadinho de maluquices que dava para pior.

  24. Quando faço a defesa de Israel e do seu modo de vida, não incluo certamente os haredim.
    Aliás, a auto-segregação dos haredim, a sua ghettização, mete-me tremenda confusão. Ainda assim, e em linguagem simplista, em certa medida os haredim querem mais que não os chateiem do que querem impor os seus valores (como os fundamentalistas islâmicos).
    Não se costumam fazer explodir, por exemplo. Costumam ter muitos filhos mas, neste caso, não se aplica a definição de “literal baby boom” que o Mark Steyn no seu peculir estilo cunhou…

    Agora, continuamos na questão da árvore e da floresta.
    A Israel moderna não é condicionada pelos haredim. É uma sociedade laica, secular e, sublinhe-se – ainda e sempre! – livre.
    É uma democracia. Liberal.
    E, até, cada vez menos socialista. Por mim, venha o Netanyahu e levem lá o Passos & Sus Muchachos (até porque creio que Coelho até é kosher).

    Não percebo como pode um Liberal vacilar quando de um dos lados está uma sociedade moderna, secular, liberal e de outro um atraso civilizacional de 5 séculos, obscurantista, intolerante, perverso mesmo.
    Não se trata de defender os judeus enquanto judeus (eu não sou judeu, já agora), mas o regime Liberal que instauraram.

    É como defender a Europa medieval em detrimento da Europa que Locke, Smith e outros ajundaram a refundar e de cujo legado beneficiamos.

    Mudemos de paragens.

    Há intolerância religiosa na Índia? Há. Mas menos explosiva (no sentido literal, pelo menos) que noutros sítios. E é de uma minoria que se trata. Posso andar distraído, mas não tenho ouvido falar com frequência de atentados terroristas perpetrados por indianos na Europa ou EUA, por exemplo.

    Assim como há intolerância religiosa nos EUA e em certos sectores europeus.
    É isso a norma? Sabemos evidentemente que não.
    São minorias e com peso muito reduzido nas sociedades em que se inserem, sem conseguir anular ou reverter o cariz eminentemente livre das mesmas.

    Não se trata de esquerda, direita ou centro.
    Mais estatista ou mais laissez faire é uma discussão que nós podemos fazer porque somos fundamentalmente livres (bem sei que, como Liberais, gostaríamos de o ser muito mais, sobretudo em termos económicos) e podemos discutir essas minudências relativas.
    Pentelhos, como diria o outro!

    A questão entre Israel e seus vizinhos é entre modernidade e obscurantismo, entre uma sociedade aberta e liberal e uma sociedade aprisionada nos grilhões da intolerância religiosa, sem qualquer liberdade pessoal BÁSICA, alimentada por um ódio fanático e irracional.

    Um liberal pode oscilar entre Rothbard e Friedman (eu se calhar sou mais Friedman…), mas nunca entre Rothbard e ‘Rottweiler’ (aqui o amigo Murray vence por KO técnico)…

  25. Da Índia nasceu o Paquistão por razões exclusivamente de ordem religiosa; afinal, os puros (Paquistão significa país dos puros) não podiam viver sob o domínio dos politeístas.
    A Índia acaba por ser um bom exemplo do contrário do que Carlos Novais parece pretender: também aí houve guerra e há uma tensão tremenda e ameaças de aniquilação só não consumadas devido ao efeito dissuasor do arsenal nuclear indiano.
    A Índia foi invadida e vítima de uma tremenda e implacável islamização.

    Com argumentos destes e doutros – tipo alguém de direita não deve fazer isto ou aquilo que o Carlos Novais desaprova (a direita não há-de lutar pela liberdade, pelos direitos mais elementares e opôr-se com todas as forças a quem os pretende sonegá-los?) – começo a pensar que o problema não é falta de vergonha.

  26. Querem transformar um conflito territorial:

    – num campeonato entre a minha religião é melhor que a tua (por acaso o catolicismo é melhor que as restantes)
    – num campeonato entre regimes políticos

    mas é um conflito territorial. O Iraque democrático mão abandonou as pretensões de disputar o Koweit tal como a Argentina democrática não abandonou as Malvinas.

    Misturar uma coisa com outra é pura ingenuidade ou não tirar nada da história.

  27. O CN, infelizmente, copia a pior esquerda. Em vez de tentar desconstruir os argumentos dos que o interpelam de forma racional, ignora-os e limita-se a repetir os chavões simplists em que parece acreditar.
    A capacidade humana para fechar deliberadamente os olhos, para que todos os gatos sejam pardos, espanta-me sempre. Neste caso duplamente, porque em tudo o resto, o CN parece ser perfeitamente racional.

  28. CN : “… mas é um conflito territorial.”

    Seja. É um conflito territorial. Entre duas partes, Israel e Palestina, que têm, cada uma, as suas razões e as suas emoções, as suas legitimidades e as suas arbitrariedades.
    Mas, dito isto, as duas partes não são equivalentes e indiferentes.

    De um lado, o de Israel, trata-se de uma sociedade democrática e liberal. Esta realidade decorre naturalmente de um processo político longo e complexo. Mas explica-se também pelo facto de Israel se filiar numa tradição cultural e civilizacional, a dita “Ocidental” (mas que poderia também ser classificada como “judaico-cristã” pelo contexto religioso em que se constituiu e desenvolveu), que evoluiu mais do que qualquer outra no reconhecimento da liberdade individual e da aceitação dos “outros” e da coexistência com outras tradições.

    Do outro lado, o Palestiniano, trata-se de uma comunidade estruturada na base de principios e sistemas políticos autoritários e intolerantes. Também aqui se deve levar em conta as vicissitudes políticas por que passou o movimento palestiniano, tão ou mais longas e complexas do que no caso de Israel. Mas o mais determinante é a circunstância da Palestina se inserir no contexto mais vasto do mundo árabe e muçulmano (sem ele a causa palestiniana nem sequer existiria). Neste espaço cultural e civilizacional são preponderantes valores mais colectivistas e totalitários, pouco respeitadores da liberdade individual e pouco receptivos à coexistência e ao compromisso com os “outros”. Esta realidade tem naturalmente muito a ver com o estádio de desenvolvimento histórico das respectivas sociedades. Mas tem sobretudo a ver com o papel e com as características da religião muçulmana, já á partida menos predisposta para uma evolução de tipo individualista e democrática, e desde há algumas décadas numa fase de afirmação fundamentalista e sectária de várias das suas componentes.

    Estas e outras diferenças foram muito bem invocadas e descritas por alguns dos comentadores anteriores.

    É efectivamente espantoso que o CN e outros, que se afirmam liberais (ou até mais do que isso !), sejam insensíveis a estas diferenças e acabem mesmo por tomar claramente partido a favor do lado mais iliberal contra o lado mais liberal.

    Na verdade, não se trata sequer de tomar partido por Israel e contra a Palestina. Israel não deve contar com um apoio incondicional. Tem de fazer concessões importantes e contribuir efectivamente para a existência e a viabilidade de um Estado palestiniano.
    O que não é aceitável, pelo menos de um ponto de vista liberal, é que se tome globalmente partido contra um pais livre e democrático e a favor de uma causa defendida por sectores e paises de caracter bem mais retrógrado e autoritário.
    Uma solução aceitável e sustentável do conflito pressupõe que o campo palestiniano evolua significativamente e se afaste sem ambiguidade das tendências intolerantes e extremistas que são hoje manifestamente dominantes. De qualquer modo, os palestinianos e o mundo muçulmano têm de aceitar sem reservas a existência do Estado de Israel e têm de mostrar que são efectivamente capazes de dar garantias reais e duráveis de que a segurança dos israelitas não será comprometida pelo terrorismo ou por uma “guerra santa de reconquista”.
    Enquanto tal não acontecer, a obrigação moral e o interêsse bem compreendido dos liberais e dos paises do “mundo livre” são de defender Israel face a todas as iniciativas que visem o seu enfraquecimento progressivo e, no final, o seu desaparecimento como sociedade livre e independente.

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