O Insurgente

Janeiro 22, 2012

Os “indignados” bons e os “indignados” maus…

Filed under: Comentário,Justiça,Media,Política,Portugal — André Azevedo Alves @ 23:42

A conclusão mais evidente que se pode retirar da cobertura mediática da violência no protesto organizado por 41 movimentos que terá conseguido reunir cerca de mil pessoas em Lisboa no Sábado é que os “indignados” de extrema-esquerda já ocuparam há muito as redações…

Nacionalistas provocam confrontos em manifestação contra medidas de austeridade; Movimentos de protesto: é só indignação ou já é política?; Violência entre indignados e nacionalistas numa manifestação em Lisboa; Confrontos entre ‘indignados’ e nacionalistas em Lisboa

Não entendo. Por Helena Matos.

a) Porque é uns são de extrema-direita e os outros são do movimento dos indignados. Os de extrema-direita não podem ser indignados?
b) E os definidos como indignados não são extremistas? Existe alguma razão para não os classificar como sendo de extrema esquerda?
c) Se os indignados são isso e apenas isso – indignados – qualquer um é indignado, logo o que temos aqui serão confrontos entre indignados tão intolerantes que têm de ser separados uns dos outros pela polícia

Leitura complementar: Quando os extremos se tocam, apedrejam e pontapeiam.

37 Comentários »

  1. Se a extrema esquerda é igual à extrema direita, se o nazismo é igual ao comunismo, então tirem daí as devidas consequências e passem a aceitar que a nossa democracia, que convive com o PCP e o BE no Parlamento, possa conviver também com um partido nazi representado no parlamento. Ou vocês admitem e delaram abertamente a disponibilidade objectiva para aceitar um partido nazi no parlamento ou então terão de aceitar a vossa própria conversa como sendo da treta.

    Portanto, sem merdas, escolham, tomem posição. Estão ou não, objectivamente, disponíveis a conviver com campanhas eleitorais e representações parlamentares de nazis?

    Comentário por Ramone — Janeiro 23, 2012 @ 03:35

  2. O planeta dos indignácaros.

    Comentário por Rio D'Oiro — Janeiro 23, 2012 @ 10:32

  3. Ramone:

    “Ou vocês admitem e delaram abertamente a disponibilidade objectiva para aceitar um partido nazi no parlamento”

    Já lá há 3: o BE, o PCP e o PEV.

    Comentário por Rio D'Oiro — Janeiro 23, 2012 @ 10:34

  4. [...] complementar: Quando os extremos se tocam, apedrejam e pontapeiam; Os “indignados” bons e os “indignados” maus… Classificar isto: Share this:FacebookTwitterStumbleUponEmailMaisPrintDiggLinkedInGostar [...]

    Pingback por A extrema-esquerda e os apelos à violência em Portugal « O Insurgente — Janeiro 23, 2012 @ 17:41

  5. Nem todos os indignados foram criados iguais, André. Deves saber isso.

    Comentário por Mats — Janeiro 23, 2012 @ 17:46

  6. “Estão ou não, objectivamente, disponíveis a conviver com campanhas eleitorais e representações parlamentares de nazis?”

    Já convivemos com representações parlamentares de trotskyista, estalinistas, maoístas, e gente que acha que a Coreia do Norte e Cuba são sociedade aceitáveis. Se existe liberdade de expressão para os apologistas de tiranias de um sinal, por que não existe liberdade de expressão para os apologistas de tiranias de outros sinais? São todas igualmente execráveis, e permitir os apologistas das tiranias de apenas um sinal branqueia-as e fá-las parecer menos abjectas do que realmente são (p.ex: “se permitem estes partidos e não outros, as tiranias “absolvidas/defendiadas” por estes não devem ser assim tão más”)

    Comentário por PedroS — Janeiro 23, 2012 @ 20:03

  7. Os indignados da extrema-direita não participaram que fique bem claro e deixo estas perguntas:
    -quem eram os novatos da psp de cabeça rapada que estavam contra marcha da indignação? a psp sabe ……….o mais engraçado é que nenhum deles foi indentificado……….porque será? Outra coisa estranha é os operadores de camara que filmaram tudo do inicio não facultaram as imagens á televisão porquê? será que as imagens foram apreendidas?

    Comentário por Zegna — Janeiro 23, 2012 @ 23:32

  8. PedroS, o valor político objectivo do seu comentário é o da disponibilidade para conviver com neonazis. O resto é conversa mole. De minha parte, fico informado quanto aos limites do aceitável que você coloca a si mesmo. Em todo o caso ainda, uma vez que os esquerdistas são, para a direita liberal, como “estrangeiros” talvez seja natural para vocês uma certa preferência pelos vossos primos neonazis e neofascistas – afinal, mesmo que distante, ainda são da vossa família.

    Comentário por Ramone — Janeiro 23, 2012 @ 23:39

  9. Ramone:

    ” da disponibilidade para conviver com neonazis. ”

    Qual disponibilidade qual carapuça. Fatalidade. Os nazis arcaicos são o PCP. Os nazis neo são o BE. Já lá estão, não há disponibilidade ou indisponibilidade. É uma fatalidade.

    Ambos nazis até na vertente anti-semita.

    Comentário por RD — Janeiro 23, 2012 @ 23:43

  10. RD, mais conversa mole. Ou seja, você é mais um que está prontinho para aceitar o convívio com neonazis…A sua conversa, objectivamente, ou seja, quer você queira quer não, reforça a posição dos neonazis. Politicamente, do seu comentário, é isto que importa.

    Comentário por Ramone — Janeiro 23, 2012 @ 23:49

  11. Ramone, o resto do meu comentário não é conversa mole: apenas acho que quem aceita (como os manifestantes dos tais 41 movimentos) a presença no parlamento de apologistas de Cuba e da Coreia do Norte não tem autoridade moral para advogar a proibição de qq partido político. Quanto a mim, sou claro: tt os partidos fascistas/neonazis como os partidos comunistas deviam ser igualmente proibidos. Liberdade de expressão para eles? sim. Liberdade de concorrer a eleições num ordenamento democrático? Não.

    Já agora, Ramone, porque não advoga tb a proibição de partidos estalinistas/maoístas/leninistas/trotskyistas, tendo em conta as perseguições políticas e os atropelos à liberdade de expressão que efectuaram ?

    PS: Gostaria que eu classificasse a sua (eventual) resposta à minha pergunta como “conversa mole”?

    PPS: para mim a esquerda democrática não é “estrangeira”: é perfeitamente legítima e natural. E considero insultuoso, Ramone, achar que a minha repulsa pela extrema-esquerda equivale a aceitar a extrema-direita. Lamento profundamente que a forma cordial com que sempre debati consigo não o tenha impedido de julgar o pior a meu respeito

    Comentário por PedroS — Janeiro 24, 2012 @ 09:37

  12. Ramone,

    Não é aceitar ou deixar de aceitar. É ser forçado a engolir sapos: os do PCP (+PEV) e do BE. Mais nazis é difícil. O que o caro está a tentar fazer é deixar a impressão que isso não acontece hoje e de há muitos anos. E os nazis que estão na Assembleia da República são da pior estirpe que a Terra pariu.

    Os nazis estão na Assembleia da República. Os anti-semitas estão na assembleia da república e, neste caso, numa boa parte do PS.

    Não insista que ‘eles podem aparecer’ porque isso é escamotear o nazismo instalado.

    Comentário por Rio D'Oiro — Janeiro 24, 2012 @ 10:04

  13. PedroS,

    “Quanto a mim, sou claro: tt os partidos fascistas/neonazis como os partidos comunistas deviam ser igualmente proibidos.”

    É isto aqui. Se devem ser ambos proibidos, devem ser também ambos permitido ou tolerados ou recebidos na antena pública. O que dá, politicamente, a equiparação do comunismo com o nazismo, em Portugal, é a promoção do nazismo. Objectivamente. Ou seja, não importa os seus sentimentos particulares mesmo em relação às suas próprias palavras, o que importa aqui é o que resulta politicamente independentemente da sua própria vontade.

    Você é livre de considerar isto conversa mole. O que me parece é que há à direita, nomeadamente esta aqui do insurgente, uma certa ignorância do político, do valor objectivo dos seus pronunciamentos. Na verdade, a defesa das relações particulares como essência da liberdade resulta nisto, na anulação do político, já que onde as relações são meramente particulares não há lugar para a política – no máximo haverá lugar para a polícia, mas já não para a política. Então, fazem-se pronunciamentos de sentimentos particulares que depois parecem causar surpresa quando são lidos em termos políticos – e digo isto porque no fundo presumo que vocês não estão a querer subjectivamente reforçar a posição dos neonazis, mas também não vou tomar esta presunsão a 100% e vou permitir-me uma certa desconfiança, ou seja, uma certa suspeita de haver efectivamente no vosso círculo um preferência pelos neonazis quando em confronto com comunistas e bloquistas.

    Comentário por Ramone — Janeiro 24, 2012 @ 13:57

  14. Concordo com a sua frase, se susbtituirmos apenas duas palavrinhas.

    O que dá, politicamente, a distinção do comunismo do nazismo, em Portugal, é a promoção do Comunismo. Objectivamente. Ou seja, não importa os seus sentimentos particulares mesmo em relação às suas próprias palavras, o que importa aqui é o que resulta politicamente independentemente da sua própria vontade.

    Ora eu acho que nenhuma das duas deve ser promovida. Só me surpreende (ou não) ver que o Ramone não se importe com a promoção de uma das ideologias, desde que a outra seja proibida. A liberdade de expressão é uma coisa muito bonita, desde que não se diga nada com que o Ramone antipatize ;-)

    Comentário por PedroS — Janeiro 24, 2012 @ 14:45

  15. PedroS, insisto no carácter objectivo do seu pronunciamento. Você diz que ambas deveriam ser proibidas mas o facto é que não são, e tanto assim é que os neonazis estavam lá e não foram presos apenas por estarem lá. Portanto, uma vez que não são proibidos a questão passa para o domínio em que ambos são permitidos – o que este “post” revela é que, neste cenário, há uma espécie de queixa de favorecimento dos indignados de esquerda, supondo que são comunistas e bloquistas, em relação aos indignados neonazis, do que resulta uma aliança táctica com os neonazis já que parece-me claro que da parte deles haverá uma queixa semelhante.

    “A liberdade de expressão é uma coisa muito bonita, desde que não se diga nada com que o Ramone antipatize”

    Eu não antipatizo com os neonazis, eu antipatizo com Passos Coelho ou Paulo Portas. Com os neonazis é inimizade mesmo, ou seja, a minha fronteira do aceitável não inclui o neonazismo. A minha fronteira do aceitável Inclui certamente o PS, o PSD e o CDS, já não inclui o pnr e afins. Como o nosso regime permite a sua existência institucional a oposição não pode ser apenas policial tem de ser também política e, nesta medida, estou ao menos atento aos que mesmo sem querendo podem servir-lhes como aliados – como é o caso deste post e dos seus pronunciamentos, assim como os do Rio D’ouro.

    Na II guerra o RU e os EUA preferiram aliar-se à URSS contra o nazis do que aliar-se aos nazis contra a URSS. As posições deste post, no entanto, parecem indicar que tal aliança não teve razão de ser, ou que uma aliança com os nazis contra a URSSS ou com a URSS contra o nazis seria a mesma coisa – eu insisto que não seria a mesma coisa. Se quer saber porque é que os comunistas têm ainda lugar na democracia pode então ir à história. A democracia deu-lhes lugar quando teve que escolher e percebeu que convive melhor com comunistas do que com nazis – coisa que vocês parecem esquecer quando equiparam uns com os outros, quando equiparam os neonazis, nesta manifestação, com os restantes.

    Comentário por Ramone — Janeiro 24, 2012 @ 15:32

  16. PedroS

    Chovendo no molhado,

    “A liberdade de expressão é uma coisa muito bonita, desde que não se diga nada com que o Ramone antipatize ;-)

    Exactamente o que praticava Estalide e Hitler mas o primeiro é filho da mãe.

    Comentário por Rio D'Oiro — Janeiro 24, 2012 @ 15:32

  17. “O que dá, politicamente, a distinção do comunismo do nazismo, em Portugal, é a promoção do Comunismo.”

    Na nossa sociedade os comunistas já há muito que estão representados no parlamento. Este é a condição objectiva. Temos comunistas no parlamento e não temos nazis. Como ambos se podem manifestar e até organizar em partidos políticos, a equiparação entre ambos apenas abre a disponibilidade para acrescentar aos lugares à esquerda do PS, onde está o PCP e o BE, uns lugares à direita do CDS para os neofascistas ou neonazis. No fundo, o que resulta deste post é, se temos comunistas porque não ter também neonazis? É isto que está por dentro do post da sra. Helena Matos e do sr. AAA que a chamou para aqui. Isto não é sequer inédito. Na Inglaterra, como sabemos, havia uma corrente política que estava disponível a conviver com o nazismo, talvez os autores deste post sejam sucedâneos dessa corrente.

    Comentário por Ramone — Janeiro 24, 2012 @ 16:27

  18. Ramone:

    “Temos comunistas no parlamento e não temos nazis.”

    Temos, são o PCP (PEV) e BE.

    Nazismo, estalinismo e maoismo são vérices do triângulo comunismo. Cada um com as suas nuances mas apenas nuances.

    Comentário por Rio D'Oiro — Janeiro 24, 2012 @ 17:04

  19. Na Polónia que é o país que mais legitimidade tem para falar sobre os dois regimes, pois esteve dividida pelos dois, julgo que se proibiu tanto Partidos Comunistas como Partidos Nazis, e a utilização de símbolos ligados a estes dois regimes em locais públicos. É um bom exemplo que deveríamos seguir.

    Comentário por por — Janeiro 24, 2012 @ 17:21

  20. Ok RD pode desconversar o que quiser.

    De minha parte julgo que já expus claramente a minha ideia nomeadamente sem desconversar nem fugir ao diálogo com outros intervenientes. Como presumo que somos todos aqui maiores de idade, cada um responde pelo valor político e alcance objectivo de suas posições na matéria em pauta. Em todo o caso, ignorância sobre este valor e alcance, quanto ao que está em pauta, já não podem alegar uma vez que o expus claramente.

    Comentário por Ramone — Janeiro 24, 2012 @ 17:46

  21. O caro Ramone milita para que passe ao lado que há uma corja de fascistas na AR – PCP(PEV) + BE. Pretende que esse facto seja esquecido reclamando que não deve acontecer o que já acontece.

    A manobra foi tentada … não pegou. Azar o seu.

    Comentário por Rio D'Oiro — Janeiro 24, 2012 @ 18:13

  22. RD, você já encaixou perfeitamente do lado daqueles que em Portugal a propósito da oposição ao PCP, PEV e BE são capazes de oferecerem terreno político aos neonazis, portanto as minhas advertências já não servem para si, servem sim para os que mantendo a sua oposição ao PCP, PEV e BE o façam, no entanto, sem ceder qualquer terreno aos neonazis.

    Comentário por Ramone — Janeiro 24, 2012 @ 18:28

  23. Erratum.
    Leia-se: “são capazes de oferecer”

    Comentário por Ramone — Janeiro 24, 2012 @ 18:29

  24. ” as minhas advertências já não servem para si, servem sim para os que mantendo a sua oposição ao PCP, PEV e BE o façam, no entanto, sem ceder qualquer terreno aos neonazis.”

    Esta lógica no fundo foi a que presidiu a política de Churchill nestas matérias, ou seja, sem deixar de ser um opositor ao comunismo o foi sem ceder a propósito disso qualquer terreno aos nazis. Isto, para a direita, que no entanto não pactua com qualquer tipo de cedência, objectiva ou subjectiva, com neonazis deveria ser suficiente para não mostrarem desconforto com as minhas posições aqui neste post. Enfim, talvez alguns, como o RD, sendo de direita, presumam em todo o caso terem alguma lição de fidelidade política à direita a dar a Churchill – enfim, se fosse vivo é claro.

    Comentário por Ramone — Janeiro 24, 2012 @ 19:21

  25. Caro Ramone,

    Os Nazis, em Portugal, têm terreno que se farta. Dezenas de lugares na AR. Se houver mais é pior mas se houver menos é melhor.

    Vir “avisar” que vêm aí os nazis, neo ou não, é pretender esconder que eles já estão instalados e pela estirpe que o caro Ramone aprecia.

    Se assim não fosse, o caro diria ‘era o que faltava admitir ainda mais nazis na AR’. Eu defendo essa, e o caro Ramone?

    Comentário por RD — Janeiro 24, 2012 @ 20:04

  26. RD, você já me sugeriu várias vezes que para você o grupo parlamentar do PCP, PEV e BE é, politicamente, idêntico a um grupo de skinheads neonazis e eu já respondi também várias vezes a essa sua tomada, portanto parece-me que entre nós só resta repetir as mesmas coisas. Deste modo, de minha parte, só o posso remeter infinatamente ao comentário nº 20 levando em conta o resto do que já disse aqui nos vários comentários que fiz. De sua parte, você faça e pense o que quiser.

    Comentário por Ramone — Janeiro 24, 2012 @ 20:48

  27. Caro Ramone,

    Os skinheads estão tanto relacionados ao racismo como uma lontra a um tiranossauros rex. São apenas uma cambada de imbecis que não sabem o que dizem nem dizem o que sabem porque nada sabem.

    O PCP, BE e PEV são organizações nazis encartadas que apoiam uma ideologia que como nenhuma outra praticou o genocídio a níveis que se apoximam dos 100 milhões de vítimas. Entre estes 100 milhões encontram-se as vítimas do nazismo.

    Comentário por RD — Janeiro 24, 2012 @ 21:09

  28. Não percebo nada destas discussões e por isso çago-me nelas…Sei, isso sim, que marxismo-Leninismo, só por cima do meu Cadáver…?! Uns tantos sabem e até me são confins, geneticamente falando… ( PORREIRO…PÁ…?)

    Comentário por Amadeu Campos — Janeiro 25, 2012 @ 13:26

  29. Acho que afirmar que Comunismo = Regime de Estaline é de uma probreza incrivel.

    Querem comparar ideologias? Remetam-se aos livros e proíbam aquela que subscreve a eugenia, a existencia de raças inferiores ou superiores e a subjugação ou extermínio das inferiores.

    Mas admito que a proíbição de uma ideologia sempre me fez comichão pois prezo a liberdade de expressão. Ideias não devem ser proíbidas a menos que incitem directamente á violência ou a outro qualquer incumprimento da lei.

    Comentário por Alexandre — Janeiro 25, 2012 @ 15:57

  30. Alexandre:

    “Acho que afirmar que Comunismo = Regime de Estaline é de uma probreza incrivel.”

    Não é não porque os seguidores do comunismo na época de Estaline e nas que se seguiram e que continuam estacionados na AR nunca deram a mão à palmatória. Mesmo depois da queda do muro apenas concederam que haveria “desvios”.

    Ainda há pouco tempo choraram baba e ranho a morte do querido líder da Coreia do Norte país onde, pelas suas palavras, eles não sabiam se não haveria democracia.

    Ainda há pouco tempo Rta Rato, uma das ideo-descendentes de Estaline declarava que não estava bem a ver o que teria sido a queda do muro de Berlim.

    Comentário por Rio D'Oiro — Janeiro 25, 2012 @ 16:15

  31. Quanto à questão da diferença entre comunismo e nazismo, podemos dizer que quanto à historiografia da repressão, ou seja, isolando este aspecto e verificando a sua manifestação no tempo, temos que admitir que de facto têm semelhanças – Estaline e Hitler quanto a este aspecto mostram-se idênticos. Mas as semelhanças param aí. Quanto ao conceito, à ideia, comunismo e nazismo já não são semelhantes. O comunismo tem na sua matriz uma concepção dialéctica da história de modo que sendo fieis à sua própria base conceptual os comunistas de hoje de um lado não podem rejeitar que o Estalinismo, nas suas várias versões, incluindo o norte-coreano, pertence à história do comunismo mas de outro lado o Estalinismo que foi o universal é agora um unilateral, ou seja, de um lado temos o estalinismo do outro lado temos o projecto comunista actual e no meio o programa que faz o trânsito de um a outro.

    Um partido comunista que mantenha no seu programa o estalinismo é um partido comunista morto-vivo, uma vez que a história já rejeitou essa interpretação, mas um partido comunista que negue que o estalinismo fez parte da história do comunismo é também um partido alienado de si mesmo, é uma abstracção utópica que, nessa medida, pode facilmente recair naquilo mesmo que rejeita, pois que o terrorismo é precisamente o mecanismo político mediante o qual se tenta passar directamente da utopia, ou da ideia abstracta, à realidade.

    O PCP, parece-me, tenta laborar dentro da base dialéctica do comunismo e nessa medida de um lado não rejeita que o Estalinismo faz parte da sua história mas de outro lado já unilateralizou o estalinismo. A fazer fé no seu programa vemos que nele já não consta a ditadura do proletáriado, o totalitarismo da propriedade estatal, mas uma versão que é hoje semelhante ao que foi a social-democracia europeia, ou seja, a coexistência da propriedade estatal com a propriedade colectiva e a propriedade privada.

    No entanto, é também verdade que a URSS está ainda muito fresca na memória e que temos ainda regimes como os da Coreia do Norte que na medida em que se têm como comunistas reforçam o repúdio ao comunismo no nosso meio; de modo que, olhando para o panorama, os comunistas hoje basicamente não têm hipóteses de conquistar o poder de modo que a sua acção terá se ser, a meu ver, semelhante ao que Lenin chamava com algum desprezo oportunismo – oportunismo que não significa, neste caso, em minha opinião, o que entendemos em termos morais, mas sim, em termos políticos: o de verificar a cada momento que oportunidades aparecem para fazer avançar propostas suas e conquistas de eleitorado.

    O nazismo já não é dialéctico. Para ele a verdade é a raça e quem não for da raça está excluído da verdade. No comunismo mais repressivo, como o estalinismo, em que a verdade era a tese do Partido, ainda assim, conceptualmente, a mesma pessoa pode estar dentro da verdade num momento e fora dela noutro momento podendo ainda reentrar e voltar a saír – embora concretamente no estalinismo real não fosse assim, já que à primeira desconfiança que estivesse fora já era purgado, morto ou enviado para a sibéria.

    Já no nazismo, como a verdade é a raça, quem não é da raça já está fora e nunca poderá entrar, e quem é da raça já está na verdade mesmo que não queira, ou seja, a verdade é lhe imposta no nascmento; ou seja, um burguês poderia teoricamente passar para o proletariado, um proletário passar para a burguesia, já um judeu ou qualquer outro povo fora da raça não pode, para os nazis, deixar de ser judeu ou deixar de estar fora da raça, ou seja, deixar de estar para sempre excluído da verdade.

    Em resumo, os comunistas, na medida em que sejam fieis à sua própria base conceptual, estão obrigados a aprender com a sua própria história e a modificar as suas ideias e projectos a partir daí, já o nazismo, uma vez que a verdade é a raça e a raça é fixa, não há como acrescentar ou tirar nada – um ariano é um ariano, um judeu é um judeu e não há mais nada a fazer senão reprimir o judeu e promover o ariano. Ou seja, no comunismo há abertura para os comunistas criticarem a sua própria política, já quanto aos nazis esta a bertura não existe – é por isso que vemos diferenças entre vários partidos comunistas quanto ao que melhor interpreta o comunismo, enquanto entre os nazis estas diferenças são apenas de táctica, ou seja, se convém ou não fazer guerra neste ou naquele momento, se convém exterminar ou deportar…

    Comentário por Ramone — Janeiro 25, 2012 @ 17:39

  32. Ramone:

    “Quanto ao conceito, à ideia, comunismo e nazismo já não são semelhantes.”

    São semelhantes. O comunismo pretende que o estado controle toda a sociedade através do partido o nazismo também. O comunismo pretende controlar directamente toda a sociedade o nazismo indirectamente permitindo a existência de propriedade privada apenas enquanto ela obedecer cegamente ao partido.

    A diferença está. no caso no nazismo, em permitir a existência de propriedade privada mas apenas enquanto instrumento embutido na cadeia de comando. O comunismo faz o bypass à propriedade privada nacionalizando-a.

    Quanto ao resto, do culto de personalidade ao anti-semitismo são iguais. Não é por acaso que o nazismo se reclamava do socialismo.

    Comentário por Rio D'Oiro — Janeiro 25, 2012 @ 18:01

  33. RD, mesmo o comunismo mais ortodoxo depende na sua base de uma classe revolucionária, não depende só do partido. Sem essa classe revolucionária o partido, por si só, não conquista o poder. Hoje, propriamente, na Europa e em Portugal na América, já não existe o proletariado em que foi assente o marxismo ortodoxo de modo que mesmo que não quisessem os partidos comunistas têm que rever as suas ideias de sociedade. Já do outro lado, continuam, para quem assim o queira, a existir raças, continua a ser possível para um nazi falar de alemães/portugueses/franceses/etc puros e impuros.

    Para os comunistas, hoje, já não é possível falar de proletariado, uma vez que este já não existe, hoje na sua base falam de trabalhadores, falam de pequenas e médias empresas, falam de empresas estatais – opõe-se fudamentalmente ao predomínio do grande capital sobre a economia e à perda de posição do Estado em empresas públicas estratégicas.

    Comentário por Ramone — Janeiro 25, 2012 @ 18:11

  34. Já agora, uma classe revolucionária forma-se quando um conjunto significativo de pessoas que tendo passado a viver de forma miserável deixaram de crer no sistema vigente e passaram a julgar melhor arriscar a vida numa luta de morte contra o sistema vigente do que a permanecer nele. Se essa classe de gente de tal forma miserável que está disposta a matar e a morrer for maior, que os que não estão dispostos a matar e a morrer pelo sistema vigente a revolução passa a ter grandes possibilidades de vingar.

    A moral da história é, se não querem revoluções tratem bem as pessoas, porque a sitação pode chegar a um tal ponto em que proclamações das virtudes da economia liberal se tornam inúteis e só a voz das armas e a disponibilidade para matar e morrer passa a ser ouvida.

    Comentário por Ramone — Janeiro 25, 2012 @ 19:10

  35. corrijo:

    Se essa classe de gente de tal forma miserável que está disposta a matar e a morrer for maior que os que estão dispostos a matar e a morrer pelo sistema vigente a revolução passa a ter grandes possibilidades de vingar.

    Comentário por Ramone — Janeiro 25, 2012 @ 19:20

  36. Ramone:

    “RD, mesmo o comunismo mais ortodoxo depende na sua base de uma classe revolucionária, não depende só do partido”

    Não depende de base coisa nenhuma, a base é rectórico-instrumental. É tudo treta.

    A “base” é curcunstancial e intrumentalizada de início ao fim.

    Comentário por RD — Janeiro 25, 2012 @ 20:40

  37. Comunismo ou socialismo e nazismo são filhos da mesma mãe; diferem-se apenas no “marketing”; ao fundo, igualam-se às ações. Ambos são fortemente estatizantes, opressores, materialistas e ateus.
    O primeiro defende a primazia absoluta do Estado, o governo do proletariado, termo hoje considerado obsoleto, substituído por governo de trabalhadores. Indispõem-se contra pequenas, médias e grandes empresas, igualmente capital e empresas estrangeiras, por considerarem de o capital se sebrepor ao trabalho, em detrimento dos trabalhadores e enfraquecimento de Estado, o qual o socialismo considera como um “deus todo poderoso” a dispor de como lhe aprouver de disciplinamento de toda a sociedade. Os diversos partidos socialistas são facções em que cada um tenta melhor praticar a chamada ” Tese do Partido”, uma espécie de bíblia do socialismo. Os exegêmeosmplos de sua performance são Cuba e Coréia do Norte, etc.
    O nazismo atribui-se os itens estatizante, opressor, materialista e ateu; difere no aspecto “raça”, sendo “ariano” é puro; todas as mais impuras, exterminadas ou escravizadas, dependerá de decisão no caso e na questão propriedade privada, à medida de se enquadrar na aceitação do modelo governamental é permitida. Irmãos .

    Comentário por Isayas — Março 31, 2012 @ 12:59


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