José Gomes Ferreira é jornalista?

Na ficha técnica da SIC podemos constatar que José Gomes Ferreira tem, neste órgão de comunicação social, o cargo de “Subdirector de informação”. Mas será ele jornalista ou comentador de assuntos económicos? Um jornalista limita-se aos factos, algo que faltou em abundância na sua última teoria da conspiração sobre o downgrade do rating de várias dívidas soberanas, incluindo a francesa (video).

O referido “comentador” afirma que a última semana nos mercados financeiros foi boa (deve ter-se esquecido do empenho do Banco Central Europeu no mercado secundário de dívidas soberanas da zona euro!) e isso prova que o downgrade só pode ser atribuível a um ataque deliberado ao euro (pois… não é a primeira vez que o diz).

Mas esta semana dos mercados financeiros não foi assim tão optimista como ele quis descrever. Basta uma vista de olhos pela cotação do Credit Default Swap da dívida francesa para perceber que o risco esperado pelos investidores ainda está no dobro do valor verificado no ano passado (210, 85 vs 108,63).

Talvez também lhe tivesse sido útil considerar que as classificações das agências de rating não se alteram todos e dias e que, sobretudo, aquelas reflectem expectativas futuras das agências sobre a capacidade de determinado Estado pagar as suas dívidas. Não se pode, portanto, restringir a análise apenas à última semana. A Standard & Poor’s não o fez (meus destaques):

WHAT HAS PROMPTED THE DOWNGRADES?
Today’s rating actions are primarily driven by our assessment that the policy initiatives that have been taken by European policymakers in recent weeks may be insufficient to fully address ongoing systemic stresses in the eurozone. In our view, these stresses include: (1) tightening credit conditions, (2) an increase in risk premiums for a widening group of eurozone issuers, (3) a simultaneous attempt to delever by governments and households, (4) weakening economic growth prospects, and (5) an open and prolonged dispute among European policymakers over the proper approach to address challenges.

The outcomes from the EU summit on Dec. 9, 2011, and subsequent statements from policymakers lead us to believe that the agreement reached has not produced a breakthrough of sufficient size and scope to fully address the eurozone’s financial problems. In our opinion, the political agreement does not supply sufficient additional resources or operational flexibility to bolster European rescue operations, or extend enough support for those eurozone sovereigns subjected to heightened market pressures.

We also believe that the agreement is predicated on only a partial recognition of the source of the crisis: that the current financial turmoil stems primarily from fiscal profligacy at the periphery of the eurozone. In our view, however, the financial problems facing the eurozone are as much a consequence of rising external imbalances and divergences in competitiveness between the EMU’s core and the so-called “periphery”. As such, we believe that a reform process based on a pillar of fiscal austerity alone risks becoming self-defeating, as domestic demand falls in line with consumers’ rising concerns about job security and disposable incomes, eroding national tax revenues.

Accordingly, in line with our published sovereign criteria, we have adjusted downward our political scores (one of the five key factors in our criteria) for those eurozone sovereigns we had previously scored in our two highest categories. This reflects our view that the effectiveness, stability, and predictability of European policymaking and political institutions have not  been as strong as we believe are called for by the severity of a broadening and deepening financial crisis in the eurozone.

In addition to our assessment of the policy response to the crisis, downgrades in some countries have also been triggered by external risks. In our view, it is increasingly likely that refinancing costs for certain countries may remain elevated, that credit availability and economic growth may further decelerate, and that pressure on financing conditions may persist. Accordingly, for those sovereigns we consider most at risk of an economic downturn and deteriorating funding conditions, for example due to their large cross-border financing needs, we have adjusted our external score downward.

Uma declaração que ficou fora do comentário de José Gomes Ferreira. Preferiu “informar” o público sobre teorias que não pode provar…

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18 pensamentos em “José Gomes Ferreira é jornalista?

  1. aleluia!!!!!!!!! só agora é que repararam?!?! vou ser até curta e grossa……… se fosse mulher se calhar pensaria ” pq cama passou esta ******* para lhe pagarem para dizer alarvidades e fazer raciocinios de atrasado mental”!!!! revejam a entrevista a antonio de sousa em que ele “compreendeu perfeitamente que estando as dividas vencidas provisionadas “o dinheiro estava lá”!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! isto para mim era motivo para despedimento com justa causa………tenho dito.

  2. maria fernanda,

    Foi só agora que escrevi alguma coisa, apesar de notar já há algum tempo que o referido “jornalista” gosta bastante de dar opiniões. Infelizmente são pouco fundamentadas.

  3. Acho que o mais relevante aqui é que mesmo as agências de rating já perceberam que o caminho da austeridade não só não nos vai tirar da crise, como a vai piorar, ao diminuir a procura interna (e a externa, já que os países para os quais exportamos também aplicam a adorada austeridade), diminuindo a receita do Estado.

    Leram isso, senhores deputados do PSD e do CDS que contribuem para o blog?

    Se não, eu ponho aqui outra vez:

    «As such, we believe that a reform process based on a pillar of fiscal austerity alone risks becoming self-defeating, as domestic demand falls in line with consumers’ rising concerns about job security and disposable incomes, eroding national tax revenues.»

  4. O Neotontismo auto destroi-se, o FMI já percebeu isso e as agencias de rating estão a começar a perceber isso.

    Só falta os Neotontos alemães e franceses perceberem a irracionalidade da austeridade sincronizada .

    É o que dá ensinarem tanta asneira nas faculdades de economia. Repetem lengalengas sem perceberem o que estão a aprender.

  5. Começou por ser noticiado pela BBC, depois passou em vários telejornais e chegou a ser comentado por Durão Barroso, entre outros. Falo do e-mail a que a BBC teve acesso e que confirma uma reunião em Nova Iorque cujo intuito é o de “atacar” a UE. Está tudo disponível na internet e é de muito fácil confirmação.
    Neste blog é costume serem muito desconfiados de temas que normalmente são apoiados pela esquerda. São desconfiados da ecologia, menorizam o poder dos judeus, desprezam certas conspirações como esta e não dão importância a associações como a comissão trilateral. Sobre esta, por exemplo, ver o comentário do insuspeito Ron Paul.
    Compreende-se a desconfiança em relação à esquerda. É quase sempre abstracta, sentimental e muitas vezes é de uma logorreia insuportável. Mas cada vez mais a direita está a cair na abstracção porque tomou o liberalismo como sendo o capitalismo. E o capitalismo à medida que avança vai mostrando o que vale. E como vale pouco, os podres começam a aparecer. Um dos seus podres é considerar a propriedade privada como sendo a disposição absoluta do que nos pertence. Ora como a natureza tem vida e tudo o que tem vida tem propriedade, a disposição absoluta da natureza é o esvaziamento da sua propriedade. Uma coisa é dispôr da natureza reconhecendo-lhe propriedade; outra é pispôr dela absolutamente. E é aqui que o capitalismo destrói a natureza e é aqui que os movimentos ecológicos têm razão e têm até a sua razão de ser e de existir.
    Von Mises, A. Smith, Ron Paul e até o prórprio Hayek… foram liberais, mas também foram insconscientemente capitalistas. A. Smith pensou o liberalismo dentro da revolução industrial e por isso tornou-se um capitalista. É que o liberalismo não suporta a mecânica, nem a rotina e precisa da categoria de propriedade, mas não como disposição absoluta. Von Mises desprezava a propriedade, apesar de defender a propriedade privada, como se pode confirmar na Acção Humana. Ron Paul diz-se discípulo da escola austríaca… Hayek só já muito tarde tomou conhecimento da necessária distinção entre liberalismo e capitalismo, não à maneira Norte Americana, mas à maneira portuguesa, que é também a romana e a grega, numa vinda a portugal já depois dos 80 anos. Isto não o impediu de dizer esta frase bem significativa: Em socialismo, só os poderosos são ricos; em capitalismo, só os ricos são poderosos.

  6. alto e pára o baile!!!!!!!!! caro Paulo dizer “É o que dá ensinarem tanta asneira nas faculdades de economia” corresponde a não dizer rigorosamente NADA.ONDE?QUANDO?COMO?QUEM?!!!!!!!!!! E QUAL O SEU CURRICULUM PARA PODER AJUIZAR SEMELHANTE COISA? até porque numa faculdade, seja ela de que área for, existem determinados conteúdos, professores e alunos das mais diversas proveniências………e o mesmo professor é percepcionado de forma diferente por cada aluno e cada aluno tem uma maneira de estar diferente perante a oportunidade de aumentar os seus conhecimentos. eu sou um produto da faculdade de economia da UP com toda a honra e os conhecimentos que lá sofregamente e com verdadeira paixão bebi foram e são-me inestimáveis todos os dias. tive uma consistente formação em varias áreas cientificas. tive excelentes e menos bons professores, mas mesmo a estes bem tiveram que dar o seu melhor para me explicar os raciocínios que não faziam sentido na minha cabeça. e esses conceitos é que me habilitaram a manter-me sempre actualizada e com capacidade de me actualizar…….. os porquês e a busca das varias hipóteses possíveis para poder tirar conclusões nunca mudam.

  7. braaaaaaaaaaaaaaaaaaaavô luis barata……..my hero!!!!!!!!!!!!!!!!

  8. Cara Maria Fernanda Moutinho,

    O que se ensina na FEP em termos de macroeconomia, sistemas monetários e bancários é uma mistura sem nexo de New Keynesian; Monetarismo e New Classics, todo ao molho, sem qualquer profundidade , como se fosse ensino secundário.
    Não sei se é assim também nas outras faculdades de economia do país, mas não me admiro que seja ou ainda pior, pelo que se houve e se lê.

    A falta de conhecimentos minimos de macroeconomia e sistemas monetários dá origem às enormes asneiras de politica económica seguidas em Portugal desde há pelo menos 20 anos.

  9. “Começou por ser noticiado pela BBC, depois passou em vários telejornais e chegou a ser comentado por Durão Barroso, entre outros. Falo do e-mail a que a BBC teve acesso e que confirma uma reunião em Nova Iorque cujo intuito é o de “atacar” a UE. Está tudo disponível na internet e é de muito fácil confirmação.”

    Caro Luís Barata, uma vez que não encontrei a notícia que refere, agradecia que forneça o respectivo link aqui nos comentários.
    É que, sendo assim, acho estranho a BBC, face ao último downgrade, não fazer qualquer referência a esse planeado “ataque” à UE:

    “France loses AAA rating as euro governments downgraded”

    “Why the eurozone downgrades matter”

    “The downgrading of Europe”

    “EU criticises Standard & Poor’s ratings downgrade”

    “S&P downgrades European austerity”

    “France downgrade: French PM downplays rating decision”

  10. Já agora caro Luís Barata, do último artigo da BBC acima linkado, uma declaração do primeiro ministro francês:

    This decision was expected, even if one could find it came at the wrong time, given the efforts made by the eurozone, which investors are starting to see.”

  11. Vindo da televisão não acho nada estranho, mas…
    Não encontro o video, mas ele há-de aparecer. Há o primeiro video noticiado pela BBC e creio que por um jornal Norte Americano e há o video do comentário de Durão Barroso e de outro membro da EU. Foi uma reportagem muito comentada e creio que até a comentei aqui. E como na altura – deve ter sido há cerca de um ano ou dois – a notícia era recente julgo até que disponibilizei aqui o link.

  12. “Não encontro o video, mas ele há-de aparecer.”

    Agradeço a pesquisa. Fico então a aguardar.

  13. Mas então a U.E. inventa uma pseudo moeda unica que lentamente leva a economia à recessão permanente e depois queixam-se de ataques dos EUA.

    Isto está bonito !!! Daqui a pouco culpam os judeus !!!.

    Irra que gente ignorante . Não entendem como funcionam os mercados , nem o sistema monetário , nada , só repetem lengalengas.

  14. Sr. Paulo Pereira,
    Porque é que uma coisa é imcompatível com a outra? A realidade tem vários planos. E neles, muitas vezes, coexistem as mais diversas influências.
    A crise da Europa, por exemplo, tem no ponto de vista económico, uma das suas facetas mais visiveis, mas não a mais importante. Noutro plano, já estava ela anunciada faz muitos anos em autores como Nietzsche, Spengler, Heidegger, Leonardo Coimbra ou Orlando Vitorino.
    No que respeita aos Judeus, quase sempre se tem deles uma ideia superficial, muito mal informada e frequentemente reduzida aos últimos 60 anos. Ora a sua história é muito antiga e não passou despercebida a muitos dos homens superiores que ajudaram a fazer a civilização Ocidental, como Goethe, C.C. Branco, entre muitos outros.

  15. Alguém se lembra da entrevista que este individuo deu ao antigo presidente do BCP? Parecia um cordeirinho subserviente. O auge da entrevista foi quando o Sr. Jardim afirma que não deu ordem a nenhum dos seus funcionários para sugerir a compra de acções do BCP ( com dinheiro emprestado pelo banco ), porque era óbvio que iam descer. É preciso muita lata, de ambos, já que o entrevistador nunca contrainterrogou, como é seu costume. E se era tão evidente que iam descer, significa que investidores como por exemplo o Sr. Berardo são incompetentes e não percebem nada do ofício.
    Enfim, é o jornalismo( pseudo) que temos.

  16. ESTE GRANDE COMENTADOR, TEM CAUSADO GRANDES DORES DE CABEÇA AOS GATUNOS E LATIFUNDIÁRIOS DA NOSSA PRAÇA PÚBLICA PORTUGUÊSA, QUANDO NOS SEUS DOCUMENTÁRIOS ANALISTICOS, FALA AS VERDADES PONDO A CLARO, GRANDE PARTE DOS NEGÓCIOS CORRUPTOS, QUE OS (DES)GOVERNANTES POLÍTICOS TÊM FEITO EM PORTUGAL APÓS O 25 DE NOVEMBRO DE 1975. ( A começar pelo actual Presidente da Republica ) É UMA REALIDADE QUE TEM INCOMODADO MUITOS DESSES SENHORES CORRUPTOS, QUE OSTENTAM O PODER, E TENTAM ATRAVÉS DOS SEUS BOYs, AGITAR A OPINIÃO PUBLICA, NEGANDO TUDO (se possivel) O QUE ESTE GRANDE SENHOR FAZ PASSAR PARA FORA DAS CAMARAS DA TELEVISÃO. CERTAMENTE HAVERÁ UM DIA QUE IRÁ SER SILENCIADO PELA MÁFIA POLÍTICA, ATRAVÉS DE REPRESÁLIAS E AFRONTAS, COMO É APANÁGIO DESSES SENHORES, MAS O POVÃO É CALMO E SERENO, DISSO NÃO TEMOS DUVIDAS, E ESTÁ ATENTO A ESSAS MANOBRAS REACCIONÁRIAS, E A CALMA E A SERENIDADE TEM LEMITES!!!!! UM BEM-HAJA JOSÉ GOMES FERREIRA!!!!!!!!!!!!!!!!!

  17. Vejam o caso da divida de milhões que vamos todos ter de pagar até 2040/70 das Estradas de Portugal, que ele bem tentou divulgar mas ninguem quis ouvir, se acham que conseguem divulgar melhor e com + fundamentos as falcatruas melhor do que josé gomes ferreira porque não o demonstram? E realmente essas “provas” feitas pela S&P são de imensa imparcialidade.

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