“Paul Krugman comenta hoje no seu blogue o mais recente trabalho sobre as razões que explicam a acentuada deterioração do endividamento público nos países europeus (…) ‘As projecções sugerem que alguns países europeus estavam numa trajectória orçamental insustentável muito antes da crise financeira de 2008-09, caso da Grécia, Portugal’ (…) O economista norte-americano corrobora as conclusões do estudo que sugere que, nem num cenário mais benigno, Portugal e Grécia poderiam regressar à dinâmica de endividamento que tinham antes da crise, porque ela era, já de si, insustentável: no prazo de dez anos, em 2021, a dívida estaria, em ambos os casos, acima ou perto do equivalente a 150% do PIB. Krugman admite, deste modo, que Portugal e Grécia poderiam não ter alternativa a uma política de austeridade – que ele tanto tem criticado.”, hoje no Jornal de Negócios.
Oh diabo…afinal, a crise portuguesa não é consequência da crise mundial; é mesmo uma crise portuguesa, concerteza. Ora, será que já alguém enviou este link ao Soares, ao Sócrates e a todos os outros aguerridos membros do PS, a dar conta de que já nem o seu “guru” Krugman acredita na cassete?! O mundo mudou mesmo?! Enfim, como diz o anúncio, “tá boa” está! Estava.
Há quem pense que o pior do socratismo foi a incompetência, o endividamento que pagaremos durante décadas e as mentiras, mas não.
O pior foi como esta gente tratou e trata os portugueses como atrasados mentais, negando factos e inventando outros, como se faz na Coreia do Norte.
Comentário por jp — Janeiro 5, 2012 @ 17:20
Este é o post de Krugman que numa básica falha metodológica o artigo de j. de negócios não cita directamente, o que, na internet, significa colocar o link para o post em questão. Onde, no post de Krugman, é que se infere tudo isso que é dito no artigo do jn?
“Nice paper in Vox decomposing the rise in debt-GDP ratios for troubled European economies. I’d make special note of this observation:
Projections suggest that some European countries had an unsound fiscal stance (in terms of debt-to-GDP ratio evolution) well before the 2008–09 financial crisis (Greece, Portugal, the UK); on the contrary, others had a sound fiscal stance (Spain, Ireland, Italy).
To understand what this means, you need to know that the combined GDP of Greece and Portugal is a bit over $500 billion (the UK isn’t in crisis), while the combined GDP of Spain, Ireland, and Italy is more than $3.5 trillion. So the economies now in trouble were, overwhelmingly as measured by economic importance, following sound fiscal policies before the crisis.
Yet the whole European response has been based on the assumption that fiscal profligacy was the villain.”
http://krugman.blogs.nytimes.com/2012/01/05/european-fiscal-history/
Comentário por Ramone — Janeiro 5, 2012 @ 17:25
Nada de novo quanto à posição de Krugman em relação à crise europeia, a novidade é que até Krugman corrobora a opinião de quem diz que o caso português é de irresponsabilidade orçamental, assim como o grego.
Comentário por DavC — Janeiro 5, 2012 @ 18:44
“Krugman admite, deste modo, que Portugal e Grécia poderiam não ter alternativa a uma política de austeridade – que ele tanto tem criticado.”
Como se descobre um boy laranja disfarçado de jornalista.
Digam-me onde é que no post de Krugman ele admite que Portugal e Grécia não têm alternativa à austeridade? Onde é que isso está escrito?
Podem ler o post aqui:
http://krugman.blogs.nytimes.com/2012/01/05/european-fiscal-history/
Comentário por Ramone — Janeiro 5, 2012 @ 19:58
Essa parte da interpretação é, de facto, abusiva, algo que já não espanta nos jornais portugueses. Mas não deixa de ser curioso que Krugman separe Portugal e Grécia dos restantes.
Comentário por DavC — Janeiro 5, 2012 @ 20:43
«Greece and Portugal exhibit an unsound debt-to-GDP ratio evolution in both scenarios(*): their previous stance is unsustainable in the future».
(*) «In scenario 1, the parameters are set equal to their 2005–07 average»
«In scenario 2, the parameters are set equal to their 1999–2010 average»
Nota: as citações são do artigo do Vox que Krugman começa por classificar de “nice” pelo que será de admitir que subscreva a análise do seu conteúdo. Ou não será assim?
Comentário por Eduardo F. — Janeiro 5, 2012 @ 21:33
“Nota: as citações são do artigo do Vox que Krugman começa por classificar de “nice” pelo que será de admitir que subscreva a análise do seu conteúdo. Ou não será assim?”
Julgo que não. Eu posso ler um texto de um adversário político que julgue interessante, que julgue “nice” e no entanto não sobrescrever perfeitamente todo o texto, nomeadamente e muito menos as soluções ou políticas. É por isso que de dados semelhantes podem existir opções políticas e económicas diversas. O jornalista sugere que Krugman afinal admite a inevitabilidade e necessidade da austeridade para a crise, mas Krugman não o admite, e isto é claro neste post – em lado nenhum do seu post ele se coloca dessa forma. Quem diz isto é o governo de Passos e é por isso que para mim é evidente que esta peça é um boyzismo laranja. Ou pensaremos que não há boys do PSD e do CDS?.
Comentário por Ramone — Janeiro 5, 2012 @ 21:52
Porquê só o PS? o PSD – sobre pressão do keynesiano Cavaco – contribuiu para 25% da Dívida de Sócrates e estamos a falar da última parcela…
E os outros PCP, BE e CDS só têm pena de não terem a dimensão do PSD para terem votado também a favor.
Comentário por lucklucky — Janeiro 5, 2012 @ 21:56
Eduardo, é um pouco forçado. Nomeadamente quando o jornalista-boy sugere que para Krugman a austeridade em Portugal é uma necessidade. Nada no post do Krugman indica isto. Quem sugere isto que diz o jornalista é o governo é Passos Coelho, o jornalista apenas torce a coisa para introduzir à força uma correspondência entre Krugman e o governo.
É claramente um boyzismo laranja. Ou pensarão que só há boys do PS, que não há boys do PSD e do CDS? Há concerteza. Este é um deles.
Comentário por Ramone — Janeiro 5, 2012 @ 21:59
Hahah! 8% de défice é austeridade.
Comentário por lucklucky — Janeiro 5, 2012 @ 22:06
Este artigo do Krugman é mais um neste tema da Zona Euro.
O que ele tem dito e repetido é que a ideia bacoca de austeridade sincronizada em toda a Zona Euro e em toda a UE só pode dar asneira.
Só quem não percebe nada de macro-economia pode defender essa tese . É elementar.
Uma crise económica só pode ser resolvida através do crescimento económico e não da recessão económica.
Comentário por Paulo Pereira — Janeiro 6, 2012 @ 11:26
Sou só eu que noto uma grande semelhança entre a argumentação (spin?) do Ramone e o artigo (1) do Galamba sobre o artigo do Krugman e o estudo? É com certeza mera coincidência.
(1) http://jugular.blogs.sapo.pt/3081234.html
Comentário por Camone — Janeiro 6, 2012 @ 12:59
Portugal continua a ter uma política económica expansionista.
Défices públicos desta ordem (8% em 2011 e 4% em 2012) deviam ser aplaudidos por todos os Keynesianos e conduzir o país à prosperidade.
Paradoxalmente, a economia está em recessão há cerca de uma década, apesar das doses cavalares de estímulos Keynesianos.
Como disse o Sr. Krugman, a teoria não parece estar a funcionar.
Conclusão: A teoria está certa, o erro é da realidade.
Comentário por ricardo saramago — Janeiro 6, 2012 @ 13:29
A economia da zona euro tem estado sempre em expansão , com excepção de 2009. E tem uma situação de deficit corrente equilibrada.
Confundir o caso da Zona Euro com Portugal é não perceber nada de macroeconomia elementar.
Portugal nunca poderia ter entrado no Euro porque tem um deficit corrente desde 1992. É uma situação “insustentável” !!!
Só gente que não entende nada de sistemas monetários e de macroeconomia poderia ter apoiado a entrada neste Euro, e muito menos a uma taxa de câmbio estupidamente sobrevalorisada.
Ainda para mais os maluquinhos dos germânicos a partir de 2004 insistiram em valorisar o Euro .
Como amigos destes nem precisamos de inimigos.
Comentário por Paulo Pereira — Janeiro 6, 2012 @ 16:34
“Uma crise económica só pode ser resolvida através do crescimento económico e não da recessão económica.”
Estranho dizer uma coisa dessas. Nunca se produziu nos valores do crédito que se contraiu logo onde está crise?
É como aqueles que falam de recuperação? recuperar o quê se nunca se produziu para os valores de dinheiro que existem na economia…
Comentário por lucklucky — Janeiro 6, 2012 @ 23:17
[...] Doce 3 – Da desconversa e da obfuscação 4 – Das Frases Marcantes do Ano… 5 – essa estava boa! Classificar isto: Share this:FacebookTwitterStumbleUponEmailMaisPrintDiggLinkedInGostar [...]
Pingback por Top posts da semana « O Insurgente — Janeiro 7, 2012 @ 16:56
LL,
O dinheiro não é um bem real, é apenas um numero , num regime de moeda-fiat.
Ao expandir a economia , o valor dos activos deixa de cair e assim estabiliza-se a economia.
É tão simples que a mente rejeita !!!
Comentário por Paulo Pereira — Janeiro 7, 2012 @ 17:38
O que tem então a dizer sobre a falhada expansão da primeira década do Sec.XXI
Onde é que está o dinheiro que foi reproduzido para pagar essa expansão. Falhou não foi? Não há dinheiro.
Que considerações teceu para defender a mesma receita facilista: dinheiro?
O problema onde estamos é que anterior expansão não pagou a dívida.
Como é que paga a nova expansão se já não pagou a anterior falhada expansão? E como é que agora esta expansão é que vai dar certo?
Comentário por lucklucky — Janeiro 7, 2012 @ 22:07