Peso do Estado e Crescimento Económico

Haverá alguma relação entre peso do Estado e Crescimento Económico?

Esta pergunta equivale a perguntar, em termos desportivos, se há alguma relação entre o nível de gordura de um corpo e a rapidez com que essa mesma pessoa corre uma maratona.

Claro que a relação não é directa e linear, mas creio que é mais ou menos evidente que a relação existe e que é no sentido de que quanto maior for o Peso do Sector Não Competitivo, menor será o Crescimento Económico  desse país.

Quão menor? Vejamos:

Eixo das abcissas (por baixo): Peso do Estado na Economia (em Percentagem do PIB)
Eixo das Ordenadas (lado esquerdo): Taxa de Crescimento Anual da Economia
Dados para Países da OCDE de 1960 a 1996

Fonte: Beyond the European Social Model.

Como é que é possível que ainda haja Keynesianos apesar destes dados?

Tom Woods responde:
About these ads

19 thoughts on “Peso do Estado e Crescimento Económico

  1. Não entendo o que é que isto tem a ver com Keynes. Além disso a relação causa e efeito também não é clara…

  2. O facto é que o Estado tem vindo a recuar na Europa desde o pós-guerra até agora e que o resultado tem sido a diminuição gradual do crescimento e a ultrapassagem da Europa pela China e talvez dentro de alguns anos pelo Brasil.

  3. China, Brasil…

    Isto diz-vos alguma coisa?

    E por que carga de água o estudo para em 96? Entretanto, já lá vão 15 anos e o mundo é completamente diferente.

    V. Exas. continuam a tentar que as «coisas» vos deem razão, mesmo que seja precisa vergar como o vime.

  4. Isso não refuta (nem deixa de refutar) o keynesianismo – uma economia com 60% de despesa pública e 60% (ou 62%) de carga fiscal não tem nada de keynesiano (há meses que ando a preparar na minha cabeça um post sobre o assunto).

    É verdade que, na prática, não existem keynesianos “small-government”, mas existem não-keynesianos estatistas (todos os governos que aumentam impostos durante recessões podem ser incluídos nesta categoria)

    Se o RCM quer pôr em causa o keynesianismo, o que tem que fazer é apresentar um gráfico comparando a taxa de crescimento com os deficits, não com a despesa; eu até não me admirava que descobrisse uma relação parecida com esta, mas este gráfico, tal como está, não serve para o efeito

  5. “O facto é que o Estado tem vindo a recuar na Europa desde o pós-guerra até agora”
    .
    Continua a ler livros estranhos ramone. Que tal apresentar exemplos . Digamos comparar os anos 50 e hoje..

  6. A distância entre a notícia na mídia e a percepção da sociedade

    Tenho certeza que você leu a notícia: “Economia brasileira é a sexta maior do Mundo”. Ou seja, na frente do Brasil os EUA, China, Japão, Alemanha e França; ou seja, ganhamos a posição que antes era do Reino Unido. Coisa para encher de orgulho os brasileiros. Ou seja, usando o jargão político da moda, nunca na estória desse país chegamos a tal posição.

    O Ministro da Fazenda arrematou: em vinte anos os brasileiros poderão ter padrão de vida igual aos dos europeus (só não disse se estava se referindo aos padrões antes da crise por que passa a Europa, ou ao atual padrão).

    Ou seja, o Brasil está à frente do Reino Unido na escala agora apresentada, mas sabe-se que o padrão de vida do brasileiro é bastante inferior a qualidade de vida no Reino Unido. O IDH – índice que mede o desenvolvimento humano das nações – é de 28 para o Reino Unido, enquanto o Brasil é 84, em uma escala que vai até 187 (total de países pesquisados).

    Não resta dúvida que para o Governo a notícia foi um “presente de Natal. Mas fica a pergunta: como o povo percebeu (se é que entendeu) este presente?

    Olhando em volta – segurança pública, saúde, educação e corrupção – a sociedade não encontra nada que a leve a perceber o significado do “presente de Natal”; pelo contrário, tem tudo para não entender a notícia que circulou em toda a imprensa brasileira e, também, na internacional.

    Na área da segurança pública e saúde as evidências são de uma crise crônica e com dificuldade de solução em curto prazo, pois depende de alterações profundas no processo de gestão e, sobretudo, de um profundo choque de moralização de comportamentos. Na educação, o descrédito nos recentes e cíclicos problemas de vazamento de informações nos processos de avaliação dos estudantes. Por último, em relação à corrupção, seis ministros demitidos ligados a cinco partidos da sustentação do Governo.

    Frente a toda esta percepção natural do dia-a-dia (percepção do entorno) a sociedade brasileira fica intrigada em imaginar que superamos o Reino Unido na indicação das maiores economias do mundo.

    Se levarmos em conta que, no Brasil, 2012 não terá um cenário muito diferente daquele que vivenciamos em 2011, dado que os problemas econômicos dos países europeus e os EUA ainda estão longe de serem considerados como resolvidos, a economia mundial ainda irá depender do desempenho de China e Índia para que o crescimento da economia mundial – do qual o Brasil depende – não sofra uma ação de descontinuidade.

    No Brasil, no ano que se inicia, não está totalmente descartada a possibilidade da subida dos juros e da inflação que, poderá ter seus efeitos absorvidos por ações do Governo, mas que se isso não ocorrer no ritmo necessário poderá colocar o país em condições menos favoráveis que àquelas percebidas hoje em um cenário de euforia. Isso tudo tendo como pano de fundo a imprescindível evolução das atividades da indústria nacional.

    Resumindo (se é que isso é possível) a estória, pode-se dizer que a sociedade não verá os reflexos da nova posição do Brasil, entre as grandes economias do mundo, em um horizonte de curto e médio prazo. Possivelmente poderá sentir tais efeitos em longo prazo, particularmente se – e apenas se – o Governo adotar as posições que precisarão ser tomadas.

    Várias conjunturas – algumas independentes da ação do Governo – nos levaram a realidade de estarmos em evidência na economia mundial, entretanto, e isso é inevitável, serão as novas ações do Governo que irão possibilitar que continuemos nessa posição.

    Roosevelt S. Fernandes, M. Sc.
    roosevelt@ebrnet.com.br

  7. Lucklucky, parece-me evidente que no geral o Capital ao longo do tempo que referi tem adquirido cada vez mais liberdade em relação ao Estado, ou seja, a regulação central tem desapertado cada vez mais – os ciclos de maior intervenção central dos Estados sobre o capital aparecem somente em tempos de crise e mesmo assim são o menos possível. Basta até ver a evolução dos partidos de esquerda para perceber a sua gradual inclinação à direita seguindo assim esta tendência liberal.

    Agora, eu sei pelas suas intervenções que você advoga uma utopia liberal e que, portanto, até hoje é quase tudo socialista para você. Mas a realidade não se compadece com utopias de modo que, no concreto, o que há a observar é a inclinação, desde o pós-guerra, da política para a direita e para a desregulação do capital de um lado e a regulação do trabalho do outro.

    Finalmente chegámos ao Estado Social que era a barreira que ainda persistia desde o pós-guerra. Agora, nos próximos anos, o movimento vai ser o de recuar o peso do Estado social, novamente em nome da liberdade do capital sobre os constrangimentos sociais do trabalho como lei para o desenvolvimento económico. O que já se esqueceu é que o Estado Social surgiu não por caridade, mas como resposta à incapacidade do liberalismo responder às necessidades das pessoas e das sociedades. Como isto já está esquecido, vamos voltar ao mesmo.

  8. Os factos, Ricardo, os factos… mas que desagradável… 36 anos de dados históricos, tudo graficamente evidente, com cores e tudo para os menos dados a números… não se faz :-)

  9. Isso não refuta (nem deixa de refutar) o keynesianismo – uma economia com 60% de despesa pública e 60% (ou 62%) de carga fiscal não tem nada de keynesiano

    Exacto, e milhões a morrer de fome ou mandados para o gulag nada têm que ver com o comunismo tal como idealizado.
    É o mal de julgar as políticas pelas intenções, e não pelas consequências.

    leitura complementar:

    http://www.thefreemanonline.org/columns/it-just-aint-so/keynesianism-doesn%E2%80%99t-mean-bigger-government/

  10. Pingback: Keynesianismo e o Peso do Estado « O Insurgente

  11. Estranho, quando se fala na Somália já o AA não liga a essa coisa das intenções e consequências…

  12. Antes pelo contrário, tenho muito gosto em falar de como os senhores da guerra por aqueles lados destruíram todas aquelas sociedades – para criar um Estado estável claro.

  13. 10 – O keynesianismo é a favor dos deficits, logo uma economia com 60% de despesa pública e uma carga fiscal de 62% é do mais anti-keynesiano que se possa imaginar

  14. Para perceber Keynes rapidamente basta ler o Cap. 18 da GT que basicamente diz o seguinte :

    – O investimento em capital fixo das empresas é extremamente pro-ciclico, o consumo dos particulares é ligeiramente pro-ciclico, em conjunto estes dois parametros tornam a macro-economia extremamente pro-ciclica , sendo necessária para a estabilizar investimento público em infraestruturas contra-ciclico.

    O investimento público dever de forma a melhorar a produtividade da economia e o bem estar em geral da sociedade.

    O Estatismo de direita ou de esquerda nunca foi defendido por Keynes, e muito menos impostos elevados.

  15. Pingback: Peso do Estado e Crescimento Económico « 25 de Novembro sempre !

  16. “É o mal de julgar as políticas pelas intenções, e não pelas consequências.”

    Ui ui… Isso aplica-se a todas as politicas mal aplicadas, parcialmente aplicadas ou mesmo não aplicadas? ou apenas para aquelas que dão jeito? Isto de fazer juízos sobre teorias específicas usando dados genéricos é do mais elevado nível intelectual que já vi. Temos verdadeiros génios aqui…

  17. 1. Miguel Madeira tem razão: o gráfico e a regressão não servem como argumentos anti-Keynes. Já agora, de que keynesianos é que o autor do post fala: do John Maynard himself, ou dos políticos socialistas que passam a vida a falar em keynesianismo para justificar políticas despesistas e, tantas vezes, de rentabilidade negativa?

    2. Parece que ainda ninguém mencionou isto nos comentários: uma estimação com um só regressor pode ser um bom ponto de partida. Mas é só isso: um ponto de partida. É incluir mais variáveis independentes na regressão e vamos ver se a relação negativa ainda se mantém. E, já agora, interessa também reportar os p-valuezinhos.

    3. Dois erros típicos de quem pretende avançar a ideologia liberal clássica/libertária: (1) começar por defender “ideias extremas”. Exemplo: se eu quero seduzir alguém na direcção do liberalismo (de direita) não devo começar por tentar explicar-lhe que um mercado livre de orgãos humanos pode ser desejável. (2) Apresentar argumentos tão simples, tão simples, tão simples que a inclusão de qualquer pequena perturbação põe imediatamente em causa o argumento. Este post peca pela segunda razão.

Deixar uma resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

WordPress.com Logo

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Log Out / Modificar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Log Out / Modificar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Log Out / Modificar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Log Out / Modificar )

Connecting to %s